Porcupine Tree – Nil Recurring (2007)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Rock Progressivo, Metal Progressivo
Gravadoras: Transmission, WHD, Peaceville

Nil Recurring é um EP lançado alguns meses após Fear Of A Blank Planet. As canções deste EP foram feitas durante as gravações de Fear Of A Blank Planet, que já foi analisado aqui. A banda é a mesma. Steven Wilson (vocais, guitarra, piano e teclado), Richard Barbieri (teclados e sintetizadores), Colin Edwin (baixo) e Gavin Harrison (bateria). O EP segue o mesmo conceito e ideias de FOABP (usarei uma sigla para evitar repetições em exagero), tanto é que as quatro faixas deste EP foram lançadas juntas com a versão vinil de FOABP. Mas seria injusto eu resenhar elas todas juntas, sendo que a qualidade do vinil ao CD ou ao download em MP3/vídeo do YouTube é gigantesca. Então eu decidi fazer via “parcelas”, como a banda decidiu fazer (e eu sou a favor do grupo ter feito isso). Mas, vamos ao conteúdo musical.

O álbum abre com a faixa-título. A faixa é uma instrumental que encaixa na sonoridade de FOABP, contendo riffs bacanas, bem trabalhada e sem exageros que no fim desaguam em lugar nenhum. Boa faixa para começar o EP. “Normal” é a próxima e tem uma introdução acústica até a banda toda aparecer. Seu refrão é bonito e tem uma grande similaridade com “Sentimental”. Seu final é interessante, e encerra com o seguinte verso: “Wish I was old and a little sentimental”. Enquanto ela encerra assim, “Sentimental” inicia com este verso: “I never wanna be old and I don’t want dependence”. Tem momentos muito interessantes, sejam belos ou pesados, que elevam a qualidade da canção. Em “Cheating The Polygraph” é a quem mais tem peso no EP, porém é a menos encantadora. Sua introdução não cativa, até chegar ao refrão, que também não é dos mais fortes. Para encerrar temos “What Happens Now?”, que começa com  uma percussão, e sua progressão é bacana, mas nada muito atrativa, e mais da metade da música passada você provavelmente se sentirá cansado, mas ela tem seus momentos interessantes e dá para viajar no som feito, principalmente no final da canção, encerrando bem a obra.

Nil Recurring é de certa forma um bom EP, mas não é dos mais atrativos, e serve como complemento de Fear Of A Blank Planet. Se você quiser se aprofundar no som do grupo, ou ser uma pessoa mais alternativa na música, é uma boa dica este “Extended Play”, além, claro, do próprio FOABP. Mas você pode cansar em alguns momentos, o que é totalmente normal, já que, apesar de serem apenas quatro canções, elas são longas e tem muitas passagens e nuances. O conteúdo lírico e arranjos são similares também a FOABP, então, ao invés de ouvir apenas Nil Recurring, ouça também Fear Of A Blank Planet. Eu recomendo.

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Porcupine Tree – Fear Of A Blank Planet (2007)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Rock Progressivo, Metal Progressivo
Gravadoras: Roadrunner, Atlantic

O nono disco de estúdio do Porcupine Tree, que faz referência a Fear Of A Black Planet do Public Enemy de 1990, Fear Of A Blank Planet é um disco gerado de um conceito que as vezes parece melancólico e depressivo, porém é realista e belíssimo, fortemente influenciado pela novela Lunar Park, de Bret Easton Ellis. A banda composta pelo considerado (e eu concordo) gênio musical Steven Wilson (vocais, guitarra, piano e teclado), Richard Barbieri (teclados e sintetizadores), Colin Edwin (baixo) e o excelente Gavin Harrison (bateria) fizeram um trabalho consistente e fora do comum. Os temas desse disco são em torno de comportamentos, sejam eles transtorno bipolar, transtorno de déficit de atenção, uso de medicamentos prescritos, alienação social causada pela tecnologia, em outras palavras, comportamentos que estão ocorrendo com a atual geração de adolescentes, que é, com toda razão, confusa. E isso é aplicada de maneira excelente.

O álbum começa com a faixa-título, sua introdução de violão rápida que evolui e vem o peso característico dos dois discos anteriores da banda (In Absentia de 2002 e Deadwing de 2005). Gavin nos mostra uma boa levada nas baquetas, além de uma boa interpretação de sr. Wilson com sua bela voz. O maior destaque é seu conteúdo lírico em primeira pessoa, totalmente dispensável para moralistas, como “X-box is a god to me. A finger on the switch, my mother is a bitch, my father gave up ever trying to talk to me” e “I’m through with pornography. The acting is lame, the action is tame, explicitly dullarousal annulled” que aparenta fazer apologia, mas o fato é Steven Wilson mostrando a realidade, a nossa atual realidade. Prosseguindo com o disco, temos uma das baladas mais lindas que eu já tive oportunidade de ouvir, “My Ashes” mostra um lado muito melódico do grupo, com destaque ao seu refrão e aos seus arranjos, e a voz de Steven Wilson é suave e mais uma vez encaixa com que se pede. Uma das minhas favoritas do álbum.

A maior faixa do disco é “Anesthetize”, com quase 18 minutos de duração, uma canção muito progressiva, e com seu começo leve e pacífico, você pensa que não virá nada de especial nela e será aquela viagem do Rock Progressivo que alguns consideram chatas. A música vai crescendo lentamente e quando você percebe ela já é mais pesada que a faixa-título, e depois de um tempo, vem um dos momentos mais pesado do grupo, senão o mais, totalmente inesperado. É de dar inveja a muitos grupos de Metal. E não, eu não estou puxando saco a toa. Pode ser considerada com extrema facilidade a melhor faixa não só álbum, mas da banda. Outro destaque positivo é o solo de guitarra do monstro Alex Lifeson, do Rush. Belíssimo trabalho da lenda canadense. O fim da faixa encerra com uma pequena semelhança com o seu início, sendo ambos muito bons.

Em “Sentimental”, temos outra balada, que não é tão bela quanto “My Ashes”, entretanto é igualmente melancólica, mas soa um pouco mais alegre e animada, mais positiva. Ela é perfeita após “Anesthetize” e seus momentos de loucura. “Way Out Of Here” (faixa editada no vídeo abaixo) aparenta ser outra balada, mas sua progressão nos mostra uma canção forte com um ótimo refrão e um solo de tirar lágrimas tocado por Steven Wilson, e após o solo temos outro momento porrada, que não descaracteriza o disco ou a canção. Gavin Harrison destrói na bateria, além dos arranjos deixarem tudo melhor. E para encerrar, temo um fim de certa forma pesado e que exemplifica tudo que é o álbum, “Sleep Together”, a sexta e última faixa do álbum. É uma canção densa e com uma sonoridade mais profunda, e tem um dos melhores refrões do disco. A orquestração é simplesmente arrasadora e aqui a cozinha faz um ótimo trabalho, em especial o baixo de Colin Edwin. E é com esta faixa que encerramos Fear Of A Blank Planet.

Porcupine Tree sempre foi uma banda promissora graças a seu fundador, Steven Wilson (o que é inegável). E com mais uma obra lançada, que já foi considerada o melhor álbum de 2007 (merecidamente), a banda britânica se estabelece na industria musical com força e respeito. Este álbum é recomendado tanto musicalmente quanto liricamente e seus 50 minutos preciosos não serão desperdiçados. Se você quer se aprochegar do Rock Progressivo (principalmente a atual cena) que ainda tenha um pouco de Metal (sem contar Dream Theater e Pain Of Salvation, que são mais pro Metal do que para o Rock), este disco é mais do que perfeito. Se quiser mais algum material do grupo e que não seja tão Metal, confira Lightbulb Sun, na qual foi a primeira resenha publicada aqui. A única coisa ruim é que você precisa de algumas audições extras, mas que no fim lhe fará muitíssimo bem.

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Porcupine Tree – Lightbulb Sun (2000)

Origem: Inglaterra
Gênero: Rock Progressivo
Gravadora: Snapper

Em 2000, época do lançamento do disco, Steven Wilson, o membro fundador e produtor do Porcupine Tree deixa esse comentário muito curioso: “The quickest album we ever made and we all feel our best work to date.” Porcupine Tree é uma das bandas que mais vem me conquistando ultimamente e esse disco é um deles, que me conquista e faz afirmar que eles são os Beatles da atualidade, em minha opinião. O disco foi feito em apenas três meses, e nesse curto período de tempo, temos excelentes músicas, que chega a ser difícil dizer uma música favorita.

O disco possui passagens empolgantes como a faixa título, que inicia o disco, lindas passagens e um som que pode até ser considerado pop, não que isso seja ruim, claro. A faixa que menos me empolga é Last Chance To Evacuate Planet Earth Before It Is Recycled. A ideia dela é ótima, mas sua execução não me agradou, e até poderia ser deixada de fora do disco. O interessante deste disco que após a faixa The Rest Will Flow, o disco se torna experimental. O lado experimental começa com Hatesong, aí as coisas começam a ficar muito interessantes, com solos muito bem trabalhados e maduros. Quem queria ouvir algo um pouco mais pesado desse disco, você pode ter certeza que a partir Hatesong em diante as coisas ficam incríveis.

Uma decepção que eu achei foi Russia On Ice. É uma música longa (a maior do disco com mais de 13 minutos) e complexa, muito bem trabalhada, mas ela não faz o ouvinte querer ouvir-la por completo, querendo que ela termine logo e vá para a próxima faixa. Ela tem seus bons momentos? Sim, mas ela não cativa o ouvinte. Após esta faixa, Feel So Low encerra o disco. É uma linda música, mas não seria a certa para encerrar o disco. Tive a sensação de que eles já sabiam que iam fazer o ouvinte se sentir desempolgados com Russia On Ice, então decidiram fazer Feel So Low uma música para botar o ouvinte para dormir. É uma boa faixa? Sim, mas não deveria encerrar o álbum, e não deveria vir após Russia On Ice.

Lightbulb Sun é um excelente disco, com um lado pop e cativante e com um lado experimental e complexo. O lado pop é o que mais se destaca, com canções cativantes, empolgantes e lindas. Já o lado experimental é muito difícil de ser digerido, mas com tempo você irá admirar-lo. Se você quer começar a ouvir um disco do Porcupine Tree ou se você gosta de Rock feito em excelente qualide, Lightbulb Sun é uma excelente escolha.