Brujeria – Brujerizmo (2000)

Brujeria - Brujerizmo (2000)
Origem:
México
Gêneros: Groove Metal, Metal Extremo
Gravadora: Roadrunner

Brujeria é uma banda mexicana pioneira nos estilos de Grindcore e Deathgrind, onde normalmente escrevem músicas falando sobre satanismo, anti-cristianismo, tráfico de drogas, sexo, imigração e política. Eu sempre gostei da sonoridade da banda, apesar de não ser um grande fã da cena Grind. O único problema era que algumas músicas da banda eram muito curtas, uma espécie de tradição do Grindcore, e também os vocais eram meio estranhos, graves demais e difíceis de entender. Entretanto, em 2000, o Brujeria surpreendeu a todos com o seu terceiro álbum: “Brujerizmo”.

Todos concordaram que a banda teve uma mudança grande de estilo, passando de Grindcore para Groove Metal. O disco começa com a faixa que levou o nome do disco: “Brujerizmo”. Aqui já podemos ver totalmente as mudanças na sonoridade da banda que, embora continuasse pesada, conseguiu fazer vocais mais audíveis e uma sonoridade de guitarra muito boa. A música fala de Anti-Cristianismo e Satanismo, de certo modo, a mensagem que passa é que Cristo não salvará a todos, algo deste tipo. A próxima faixa é “Vayan Sin Miedo”. Aqui, a banda começa a mostrar o lado mais extremo do disco, com uma música pesada, rápida e violenta, contando com alguns gritos também. A letra fala sobre imigração, dizendo que podem atravessar a fronteira sem medo.

“La Tración” é a terceira faixa, aqui temos uma duração menor, mas a música continua no lado extremo do disco. Aqui voltamos para o lado Groove do álbum com “Pititis, Te Invoco”, que fala sobre uma bela bruxa com quem o vocalista quer se envolver em uma relação sexual. O instrumental da música é muito bom, e a guitarra segue sempre na mesma linha. Entramos novamente para o Extreme Metal com a quinta faixa, “Laboratorio de Cristalitos”, outra faixa curta, que fala sobre um Laboratório de cocaína. “Division del Norte” volta para o lado Groove, uma faixa pesada e lenta, falando novamente sobre imigração. Na opinião do autor, a faixa de destaque do álbum. “Marcha de Odio” continua no estilo groove, sendo pesada e mais rápida que a anterior, chegando a lembrar do Pantera, na minha opinião.

Aqui temos uma música de política, “Anti-Castro”, pesada, rápida e violenta, fala sobre um movimento contra Fidel Castro, chegando a ter algum “toque mexicano” na sonoridade. “Cuiden a los Niños”, a segunda melhor faixa do disco, na minha opinião, fala sobre crianças que entram para o satanismo por serem sozinhas. Ela traz de volta o gênero Groove Metal, novamente, lembrando o Pantera na sonoridade das guitarras. “El Bajón” é a mais pesada do álbum, bateria frenética e guitarras rápidas, entretanto, ela é muito curta, o que dá a sensação de que ela é incompleta.

“Mecosario”, ainda no estilo Groove, é a anti-penúltima faixa, e confesso que não entendi muito bem sobre o que é, se descobrirem, me avisem. A faixa é boa, e o refrão é fácil e fica na sua cabeça por um tempo. “El Desmadre” é bem pesada e rápida, embora tenha uma duração curta, o ponto alto é o solo de guitarra, o primeiro e único do disco. O disco é fechado de modo excelente com outra faixa do mesmo estilo de “Division del Norte”, lerda e pesada, “Sida de la Mente”é a maior faixa do álbum, com 04:35. A letra fala sobre uma espécie de vírus que te impede de tomar decisões próprias, o que te faz ir na laia dos outros, e, na minha opinião, fecha o álbum muito bem.

Ao todo, Brujerizmo é um álbum ótimo para quem gosta de escutar esse estilo de música, como eu. Os defeitos estão em poucas músicas, que tem pouco mais de um minuto. Não que isso prejudique as músicas, mas talvez se tivessem entre três ou quatro minutos, assim como as outras, talvez teriam letras mais elaboradas e uma sonoridade melhor, não deixando aquela impressão de uma música incompleta, outro ponto fraco é que poderiam haver mais solos de guitarra, que, nesse estilo de música, geralmente faz falta. Fora isso, Brujerizmo é, sem dúvidas, o melhor álbum do Brujeria. Existem rumores de que a banda possa lançar um álbum novo até ano que vem, após 13 anos sem gravar nenhum trabalho em estúdio. Caso seja verdade, resta esperar e se contentar com este grande trabalho da banda mexicana.

Sem título-20

Evanescence – Origin (2000)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Rock Alternativo, Acústico, Eletrônica, New Age
Gravadora: Bigwig Enterpresis

Em 2003, o Evanescence lançou seu álbum de estréia em estúdio, o Fallen, vendendo quase 20 milhões de discos no mundo. Guiados pelos hits “Going Under”, “My Immortal” e principalmente “Bring Me To Life”, a banda liderada por Amy Lee conseguiu em 2003 se tornar uma das mais conhecidas no planeta. Mas antes disso, 3 anos antes (em 2000 mais precisamente), a banda vendia seu primeiro álbum (que não foi feito em estúdio), Origin. O disco é considerado por Amy Lee como uma coletânea das melhores gravações caseiras da banda, e não um álbum propriamente dito.

Esse disco vendeu 2500 unidades durante seus shows ao vivo e hoje é uma raridade encontrar o álbum à venda. Na internet, é possível compra-lo, mas com valores altíssimos e sem a garantia de se tratar do produto original, e não somente uma cópia. Na época em que a banda ficou famosa e a procura pelo trabalho aumentou, a própria Amy Lee aconselhou aos fãs baixarem o disco pela internet.

O Evanescence é definitivamente marcado pela vocalista Amy Lee. Foi sua voz de nível soprano que conseguiu tantos fãs pelo mundo. Desde sempre, o restante da banda sempre serviu mais para acompanhá-la do que qualquer outra coisa. O instrumental do Evanescence não impressiona mas é satisfatório. O que acabaram se destacando principalmente foram as partes de teclado/piano e de bateria. Soa como se Lee fosse artista solo, o que definitivamente não é algo ruim.

Nesse disco, a proposta é bem diferente do que os fãs da fase de sucesso da banda estão acostumados à ouvir. As músicas tem um ritmo menos acelerado, alguns pequenos corais durante as músicas, a voz de Amy soa um pouco mais obscura aqui. Mas uma coisa indispensável de destacar são as partes eletrônicas no disco. Não, não espere nada de Satisfaction para poder sair dançando por ai. São toques que aparecem na maioria das músicas que criam uma atmosfera única. Os acordes de algumas músicas também deixam um clima um pouco acústico.

Uma coisa que é inegável é sua profundidade. Talvez Lee sempre jogar suas emoções em sua música tenham causado isso, ainda com o apoio de Ben Moody, que segue a mesma linha de direção musical da vocalista. As letras podem mexer com as pessoas mais emotivas ou que passam por algum momento difícil. Apesar de não ser músicas boas para serem escutadas por pessoas assim, são elas que fazem boa parte dos fãs. Nessa época em que o guitarrista Ben Moody ainda estava banda, há algumas influências religiosas nas músicas, nada muito significativa, mas estão lá.

A primeira faixa é a que dá título ao disco, “Origin”. Ela é apenas um introdução com alguns barulhos que criam uma boa atmosfera para a segunda música, “Whisper”. Essa versão é diferente da do Fallen em certos aspectos. O uso eletrônico dá um clima mais sombrio para a voz de Amy, como para a música também. Aqui a música é mais lenta que a versão do Fallen e bateria tem mais destaque (coisa normal em gravações caseiras). A música é boa, tem um refrão legal e tem um belo solo (coisa que não é normal de se ver no Evanescence). A terceira faixa é tocada nos shows ao vivo até hoje, “Imaginary”. Ela começa com o piano e a voz tranquila de Lee, até que a banda entra dando certo peso a música. Aqui, Lee eleva sua voz em vários momentos. Destaque para o pequeno coral durante o solo. Mais uma boa música, que acabou ficando mais dinâmica no Fallen.

Toda banda que se preze que tenha algum sucesso, tem 2 ou 3 músicas que sempre são pedidas e são a cara da banda. Posso citar alguns exemplos como “Enter Sandman”, “Master Of Puppets” e “One” do Metallica, “Welcome To The Jungle”, “November Rain” e “Sweet Child O Mine” do Guns N Roses e “The Number Of The Beast”, “2 Minutes To Midnight” e “The Trooper” do Iron Maiden. São músicas que marcam e provavelmente serão as únicas conhecidas de quem não é fã de tal banda. No caso do Evanescence, uma dessas músicas é a quarta faixa, “My Immortal”. Nessa versão, utilizam apenas do piano em toda a música. Apesar de ser considerada demasiadamente “manjada” após tanto esses anos, é inegável a beleza da faixa. Essa versão somente com o piano deixa essa balada mais bela ainda.

A quinta faixa é “Where Will You Go?”, uma das melhores do disco, que poderia ter entrado no Fallen. Aqui os tais toques eletrônicos estão disfarçadamente em toda a música. Os backing vocals de David Hodges consegue ajudar a passar ainda melhor a música. O refrão é muito pegajoso, apesar de não parecer ser proposital. A mistura bateria/guitarra/piano é muito bem executada aqui. A sexta faixa é outra que está entre as melhores do disco, “Fields Of Innocence”. Os acordes aqui são excentes e muito atrativos, assim como a voz de Lee. Talvez seja aqui que a voz da bela vocalista mais soe atrativa. Mais uma vez, os pequenos corais elevam a música. Excelente faixa.

A sétima faixa é “Even In Death”. Apesar de não ser tão boa se comparada com as anteriores, continua sendo uma boa música. De todo disco, é a segunda com mais presença de elementos eletrônicos que aparecem constatemente em toda a música. A faixa não é muito atrativa na primeira audição, mas conforme vai escutando-a, isso muda. Isso é basicamente o Evanescence nesse álbum, muito menos atrativo comercialmente, mas mantendo qualidade e pode ficar até viciante após um certo tempo.

A oitava faixa é “Anywhere”, que sem dúvidas também é uma das melhores do disco. Ela começa calma e vai crescendo cada vez mais, até chegar no refrão, que vicia. Isso vai se repetindo pela música várias vezes, é uma bela música. A bateria ajuda na climatização da música e Hodges vai muito bem nos backing vocals. A próxima é a mais “pesada” do disco, a nona faixa, “Lies”. A música começa com Amy elevando sua voz até a bateria começar, os outros intrumentos entram mas a bateria é que continua com mais destaque. A presença de Bruce Fitzhugh, vocalista mais conhecido do Living Sacrifice, é muito mais sentida aqui com o peso que trás com seus urros (e faz isso muito bem). Mais outra música muito boa.

A décima faixa é “Away From Me”. Mais uma vez, o início tem toques eletrônicos. Nessa música, Amy Lee consegue cativar ainda mais. A voz dela é simplesmente incrível e muito natural. É mais uma música cativante, e sem dúvidas o destaque aqui é a vocalista, mais que o normal. A última faixa (décima primeira) é a instrumental “Eternal”. O único motivo de “Even In Death” não ser a música com mais toques eletrônicos é ela. Na primeira parte da música, não tem nada que se destaque, pois a banda mistura bem vários elementos para criar algo audivelmente agradável. A segunda parte começa com uma chuva por algum tempo, alguns acordes, e vem uma bela parte que mistura o piano com o som da chuva. Na terceira parte, um clima mais sombrio pra fechar com chave de ouro o disco.

A qualidade desse álbum é incontestável. O grupo conseguiu colocar muita coisa eletrônica e sair com um resultado excelente. A primeira demo da banda tem uma proposta de músicas mais bonitas do que em seus sucessores de estúdio, mas de mesma qualidade. Sem duvida Amy Lee é uma das melhores vocalistas que o mundo já viu. Se você é fã de metal e não consegue ouvir mulher cantando sem ser algo como o Arch Enemy, não é esse disco que mudará algo. Mas pra quem é fã da bandas como o Nightwish e Within Temptation, ou que simplesmente quer ouvir boas músicas bonitas, podem dar uma chance ao disco. O importante é escutar sem preconceitos e desfrutar.

Regurgitate – Carnivorous Erection (2000)

Gênero: Goregrind
Gravadora: Relapse
Origem: Suécia

Inicio minha primeira review falando sobre um estilo musical um tanto quanto desconhecido (graças a deus). Geralmente não conheço muita gente que escuta esse tipo de musica, até que um dia um amigo meu resolveu me mostrar esse CD, que por acaso ele possui, me dizendo que a banda Regurgitate (Regurgitar, traduzido pro português) eram considerados os “Deuses do Goregrind”. Eu particularmente nunca havia ouvido falar de tal estilo e muito menos de tal banda, então resolvi ouvir. Entretanto, quando pego o CD vejo na capa uma boca, provavelmente feminina, com a língua dirigida á um pênis deformado que está a morder a língua e na contra-capa me deparo com a listagem de TRINTA E OITO faixas.

Pensei: “Caramba, esse disco deve ter umas duas horas de duração.”. Pois bem amigos, eu estava errado. Vamos a análise do disco. Quando comecei a ouvir o disco começa com a faixa “The Pulsating Feast” (em português, O Banquete Pulsante). A música começou com uma guitarra bastante pesada e agressiva, seguida por uma bateria que simplesmente explodiu. Entretanto, algo me deixou confuso: ONDE ESTARIAM OS VOCAIS? Algo parecido com borbulhos ou algo do tipo, e alguns mitos dizem que as musicas possuem letras, que já como diz o estilo musical, falam sobre o estilo “Gore”, que é a violência explícita. Descrevendo uma música eu já posso praticamente descrever o album inteiro.

São musicas estranhas, violentas e com vocais quase inaudíveis (seriam inaudíveis se nem os borbulhos pudessem ser escutados, infelizmente, eles podem) e incompreendíveis. Além de músicas de duração EXTREMAMENTE curta, já que a maior faixa do CD é a entitulada “Fecal Freak” que tem 01:58 de duração, sim, essa é a maior faixa do album todo, e ele contém 38 faixas. O CD também conta com músicas que eu considerei descartáveis e inúteis, já que são alguns instrumentais MUITO curtos, como a faixa “Funeral Genocide” que tém 13 segundos de duração. Além disso, com 38 faixas, o álbum tem 33 minutos de duração. Como podemos resumir o álbum Carnivorous Erection da banda Regurgitate em poucas palavras? Simples: 33 minutos de sua vida jogados fora com um CD que não tem nada além de guitarra/bateria que são uma paulada de pesadas e rápidas e alguns borbulhos e barulhos no lugar dos vocais. Me desculpem por ter me rebaixado ao ponto de por meus pobres tímpanos nesse tipo de atrocidade música.

Linkin Park – Hybrid Theory (2000)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Nu Metal, Rap Metal, Rock Alternativo
Gravadora: Warner Bros.

O grande disco de estreia do Linkin Park, Hybrid Theory, que até hoje já vendeu mais de 24 milhões de cópias pelo mundo todo, é intrínseco na história do Nu Metal e do Rap Metal (principalmente este). No início dos anos 2000, o Rap Metal que teve seu verdadeiro início na década de 90 com Rage Against The Machine e Anthrax (apesar se soar estranho) estava sendo saturado e foi salvo por Limp Bizkit, P.O.D. e o próprio Linkin Park com este álbum. Além de retornar a popularidade do Rap Metal, ainda acrescentou ao crescimento do Nu Metal. Se formos ver, Linkin Park é uma banda importante na música.

A banda composta na época por Chester Bennington (Vocal), Mike Shinoda (Vocal, Guitarra e Teclado) Joe Hahn (Samplers), Phoenix Farrell (Baixo), Brad Delson (Guitarra) e Rob Bourdon (Bateria e Percussão) de certa forma revolucionou a indústria da música. Lançaram um disco com 12 faixas, com uma duração de muito próxima de 38 minutos. É um bom disco, mas supervalorizado. É notável você escutar as músicas deste disco e achar que bandas de Metalcore tiveram um pouco de influência deste disco, como o próprio Black Veil Brides, mas nem vamos comparar os gritos cheios de efeitos de estúdio de Andy Six com Chester Bennington, que além de gritar de uma maneira que lembra Phil Anselmo do Pantera, canta com muito mais empolgação e com emoção, e não soa enjoado. Ok, isso foi uma comparação acidental… Bem, vamos as músicas, que realmente é o que importa.

O disco começa com “Papercut”, que foi lançado como terceiro single, é um ótimo começo, agitada, energética, e mostra uma das facetas da banda, uma faceta pesada aliada ao hip-hop de Mike Shinoda. Riffs legais e um baixo muito bem tocado. A próxima faixa é também o primeiro single do álbum, “One Step Closer”. Ao contrário da banda de Nu Metal Staind em 14 Shades Of Gray, que após a primeira faixa decaí totalmente em peso e em energia, o Linkin Park põe ainda mais peso e a primeira vez que ouvimos Chester berrando no microfone. Uma ótima faixa que segue o proposto pela primeira canção. A terceira canção é “With You”, com uma introdução mais pro lado Rap, e boa parte da canção também, com exceção as linhas vocais de Chester, onde o peso da guitarra volta. Aqui nessa faixa já fica claro que Mike é o cara do Rap e Chester o Rocker berrento e revoltado. “Points Of Authority”, o segundo single do álbum, “Crawling” são faixas interessantes e boas, sendo que a primeira dá preferência ao dueto Rap/Metal, enquanto a segunda Chester é quem começa a cantar o refrão da música quase logo de cara, tendo uma introdução antes disto ocorrer. E Chester canta quase toda música sem participação de Shinoda. Não é do meu gosto, e acho ela uma das mais fracas do disco. Mesmo não tendo tanto Rap, ela não tem peso e “gás para gastar”, ao contrário de “Points Of Authority”.

A partir de “Crawling”, o disco tem uma pequena queda com “Runaway” e “By Myself”. Em “Runaway”, apesar de ter seus momentos pancadarias e com percussão, soa genérica e comum em boa parte, mas pelo lado bom dela, ela levanta as coisas derrubadas por “Crawling”. Em “By Myself”, tem uma introdução de guitarra e distorção muito boas, mas que nas partes de Shinoda fica muito chata e até irritante, e também é comum nestas partes, e que é salva pelos gritos de Chester. “In The End”, o quarto e último single do álbum e maior música com 3:36 de duração é a próxima e é o mais perto de uma balada que temos aqui. Tem até uma introdução e encerramento com piano. Aqui, a voz de Chester chega a ser suave e Shinoda é quem domina boa parte da música com suas rimas. Aqui é outra faceta da banda. A  nona faixa é “A Place For My Head”. É o final perfeito para o CD, com destaques para uma introdução intrigante e um baixo marcante, e os gritos de Chester após o segundo refrão (e umas frases sussurradas com uma orquestração de fundo) que aqui são incríveis e os melhores do álbum todo. E como eu disse, é o fim perfeito, sendo uma das mais pesadas faixas e quem sabe a melhor. Mas não é isso que acontece.

A próxima é “Forgotten”, que apesar de um começo agitado, é uma canção esquecível (dando alusão ao nome) e Chester aqui não é o mesmo cara empolgado, sendo que no refrão ele manda uma voz considerável suave onde não deveria ser. Shinoda não é grandes coisas interpretando, pois manda a mesma interpretação do início ao fim do álbum. A partir daqui o disco decaí de uma maneira estrondosa! “Cure For The Itch”, a menor canção do álbum com 2:34 de duração e temos a terceira faceta do Linkin Park. O Linkin Park mostra o seu lado “experimental”, que veríamos de uma mais ampla em “A Thousand Suns”, e uma música muito diferenciada, mas não deveria estar aqui nem em sonhos. Não encaixa de maneira alguma essa bizarrice… Apesar de eu apoiar experimentalismo (quando é bem feito e faz sentido ter). A faixa de encerramento é “Pushing Me Away”, e é pior canção do disco, além de ser um encerramento muito abaixo do esperado. É tão sem graça que não dá vontade de reproduzi-la. Ela e “Cure For The Itch” deveriam estar fora do álbum e a “A Place For My Head” que deveria encerrar o álbum. Mas fazer o que? Todos comentem erros…

E no fim, é notável que este disco é bom e merece seu reconhecimento como importante na indústria da música popular. Mas, como eu citei lá em cima, é um álbum supervalorizado. O Linkin Park fez um trabalho com ótimos momentos, outrora bons momentos, algumas vezes bizarros e outros muito desinteressantes e apagados, sem inspiração alguma, como se a banda não soubesse o que fazer e acabou colocando brincadeiras e sobras de estúdio. Não merece ser considerado um dos 1001 discos a ser escutado antes de morrer, mas não deixa de ser uma excelente debut do grupo americano, que deslancharam a carreira dos caras rumo ao sucesso mundial sem precisar de solos de guitarra, como a maioria de bandas de Metal costumam fazer. Em outras palavras, o Linkin Park deu preferência a atmosfera do que solos fritados, rápidos e desnecessários, o que é ótimo e ajuda a diferir a banda das outras.

Porcupine Tree – Lightbulb Sun (2000)

Origem: Inglaterra
Gênero: Rock Progressivo
Gravadora: Snapper

Em 2000, época do lançamento do disco, Steven Wilson, o membro fundador e produtor do Porcupine Tree deixa esse comentário muito curioso: “The quickest album we ever made and we all feel our best work to date.” Porcupine Tree é uma das bandas que mais vem me conquistando ultimamente e esse disco é um deles, que me conquista e faz afirmar que eles são os Beatles da atualidade, em minha opinião. O disco foi feito em apenas três meses, e nesse curto período de tempo, temos excelentes músicas, que chega a ser difícil dizer uma música favorita.

O disco possui passagens empolgantes como a faixa título, que inicia o disco, lindas passagens e um som que pode até ser considerado pop, não que isso seja ruim, claro. A faixa que menos me empolga é Last Chance To Evacuate Planet Earth Before It Is Recycled. A ideia dela é ótima, mas sua execução não me agradou, e até poderia ser deixada de fora do disco. O interessante deste disco que após a faixa The Rest Will Flow, o disco se torna experimental. O lado experimental começa com Hatesong, aí as coisas começam a ficar muito interessantes, com solos muito bem trabalhados e maduros. Quem queria ouvir algo um pouco mais pesado desse disco, você pode ter certeza que a partir Hatesong em diante as coisas ficam incríveis.

Uma decepção que eu achei foi Russia On Ice. É uma música longa (a maior do disco com mais de 13 minutos) e complexa, muito bem trabalhada, mas ela não faz o ouvinte querer ouvir-la por completo, querendo que ela termine logo e vá para a próxima faixa. Ela tem seus bons momentos? Sim, mas ela não cativa o ouvinte. Após esta faixa, Feel So Low encerra o disco. É uma linda música, mas não seria a certa para encerrar o disco. Tive a sensação de que eles já sabiam que iam fazer o ouvinte se sentir desempolgados com Russia On Ice, então decidiram fazer Feel So Low uma música para botar o ouvinte para dormir. É uma boa faixa? Sim, mas não deveria encerrar o álbum, e não deveria vir após Russia On Ice.

Lightbulb Sun é um excelente disco, com um lado pop e cativante e com um lado experimental e complexo. O lado pop é o que mais se destaca, com canções cativantes, empolgantes e lindas. Já o lado experimental é muito difícil de ser digerido, mas com tempo você irá admirar-lo. Se você quer começar a ouvir um disco do Porcupine Tree ou se você gosta de Rock feito em excelente qualide, Lightbulb Sun é uma excelente escolha.