DVD: Gangrena Gasosa – Desagradável (2013)

Gangrena Gasosa - Desagradável
Origem:
Brasil
Gêneros: Saravá Metal, Crossover Thrash, Hardcore Punk
Gravadora: Läjä Records

Chegamos aqui com a primeira review de um DVD aqui no I&W! Resolvi escolher fazer de um DVD que ganhei recentemente e já assisti bastante. A primeira e única banda de Saravá Metal do mundo, a Gangrena Gasosa, lançou seu primeiro DVD este ano para comemorar o aniversário de 20 anos de carreira da banda. Em um DVD Duplo foi lançado “Desagradável”, que contou muito com o apoio dos fãs via crowdfunding.

Em um DVD temos “Desagradável: O Documentário” e em outro temos o show “Gangrena Gasosa: Ao Vivo no Inferno” (só pra constar isso não é uma brincadeirinha da banda, o show foi gravado no Inferno Club em SP). Irei falar sobre ambos os DVDs, e como isso pode se tornar um texto grande, peço que me sigam na continuação para a review.

Pois bem, irei falar agora do primeiro DVD, o Documentário. O documentário tem 120 minutos e fala sobre toda a carreira da banda, desde os primórdios da Gangrena em 1991, contando com alguns registros antigos e os vários ex-integrantes falando sobre as histórias e acontecimentos bizarros pelos quais a banda passou. O que não falta no documentário é humor, com histórias totalmente engraçadas e algumas pitadas de ironia, ele se torna muito agradável de assistir. Além disso, são contados casos muito interessantes, tais como terreiros de umbanda reclamando dos shows do Gangrena Gasosa no antigo Garage.

Além disso, o documentário conta com as ilustres presenças do ex-Dead Kennedys Jello Biafra, dos membros do Ratos de Porão João Gordo e Jão, do ex-Legião Urbana Dado Villa-Lobos, dos membros do Planet Hemp Marcelo D2 e BNegão entre jornalistas e os mais de dez ex-membros da banda. A história da banda é impressionante e o que alguns dos integrantes passaram é, de certa forma, incrível e assustador, vale a pena dar uma conferida no documentário.

Partindo agora para o segundo DVD, que é o show, é um registro de 80 minutos com cinco câmeras Full HD, que contou com os efeitos especiais de Kapel Furman, que explicarei mais sobre isso depois, e com uma iluminação incrível. Foram escolhidas 27 músicas para o set list, começando com a versão da banda de “Troops of Doom”, chamada “Troops of Olodum”. A iluminação geralmente escura contando com vermelho, azul marinho e as vezes até preto cria uma atmosfera bem assustadora e bizarra no show, e as velas vermelhas acesas no palco também contribuem para isso.

A performance do Gangrena Gasosa e inigualável, conversando e jogando partes das músicas para o público cantar, tocando músicas pesadas e rápidas fazendo com que o mosh inicie na platéia. Tocando músicas clássicas como “Welcome to Terreiro”, “Pegue Santo or Die!” e “Centro do Pica Pau Amarelo”. O show chega a ser até engraçado pois vemos uma banda inteira vestida de entidades do candomblé e da umbanda, e precensiamos momentos únicos como Exú Caveira e Zé Pelintra batendo cabeça com a platéia, uma Pomba Gira tocando percussão e outros momentos que para saber é preciso assistir ao show.

Como citei antes, o show conta com efeitos especiais de Kapel Furman, que trabalhou com Zé do Caixão no filme “Encarnação do Demônio”. Temos um “sacrifício” ao vivo bem no fim do show, o que é algo muito interessante e que talvez nenhuma outra banda tenha usado esse tipo de efeitos especiais em um show ao vivo, e foi algo que funcionou bem, foi bem feito, chamou atenção do público e digamos que foi um tanto quanto inovador. Só assistindo ao DVD para entender.

Em questão das letras, o DVD é bastante fiel ao disco, mas em questão musical ele está bastante diferente. São integrantes diferentes e tal, mas nada demais, todos eles fazem por merecer. Porém as músicas do primeiro álbum ficaram bem melhores após a entrada da percussão no instrumental e as músicas dos outros CDs ficaram com mais energia do que o normal, essa é a parte bastante boa do show. Outra coisa é que a banda é muito fiel aos discos já que até frases faladas, que não fazem parte da letra da música, são repetidas ao vivo e isso é muito bom pois praticamente nenhuma banda faz isso.

Geralmente, a banda é bastante criticada sem que as pessoas escutem por conta da percussão e das batidas de macumba incorporadas no Heavy Metal e pelas roupas de entidade. Eu recomendo muito que assistam “Desagradável” para que conheçam a história da banda antes que possam criticá-la. Vale muito a pena, assim como o último álbum da banda: “Se Deus é 10, Satanás é 666”. Parece que a ideia do Saravá Metal não foi tão ruim assim, não é?

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Clarice Falcão – Monomania (2013)

Clarice-Falcão-Monomania

Origem: Brasil
Gêneros: Indie Folk, Indie Pop
Gravadora: Independente

Se você acompanha o canal Porta dos fundos, você já deve conhecer a pernambucana Clarice Falcão, de 23 anos, cantora e compositora de músicas “malucas, porém fofas pela inocência imposta na interpretação”. Monomania é seu disco de estréia e de cara já pegamos um disco com uma arte feia, preguiçosa e sem inspiração. Não costumo criticar arte de disco, mas Monomania é um dos trabalhos mais feios que já vi como produto musical. Apesar do meu desgosto pela arte do álbum, o objetivo de uma análise crítica sobre um disco não é sobre sua arte, e sim sobre seu conteúdo: as músicas e as letras (caso o disco tenha letras, como é o caso deste disco). O que se pode falar, resumidamente, sobre a estréia de Clarice? Ruim e fraca.

Na parte instrumental das 14 faixas de Monomania (sendo a última uma versão em Inglês de “Fred Astaire”) não tem nada de ruim, mas também nada de bom. Não tem destaque positivo ou negativo nesta parte, pois é tudo certinho. Tudo. O destaque fica na voz de Clarice, que é aqui onde você vai gostar do trabalho dela ou não. Ela não canta mal, e até que possui uma voz bonita. O problema é o que ela canta, a personalidade que ela incorpora e a interpretação que ela usa ao decorrer do álbum que dura por volta de 34 minutos. Ela tenta soar doida, mas de uma forma boba, inocente, fofa. Clarice tenta soar tão fofa que soa repugnante.

Porém, o maior defeito deste disco são as letras. As letras são pavorosas. Clarice, às vezes, consegue escrever versos interessantes (são poucos) e dou crédito a ela por usar boas rimas e métricas em seus versos, entretanto, outros versos fazem sentido nenhum. Veja este verso da faixa “De Todos os Loucos do Mundo” e perceba a falta de sentido.

“Você esconde a mão, diz que é Napoleão”

O que isso quer dizer com isso? Você está chamando o cara que você gosta é gay? Está dizendo que o cara louco que você diz entre todos os outros loucos mundo foi este que você quis é gay? Ou essa pessoa é uma mulher? E pra piorar ainda mais a  situação do humano que a Clarice diz gostar e a minha confusão, Clarice complementa com o verso:

“Boa parte de mim, acredita que sim”

Depois dessa, é difícil não achar, pois a própria mulher acredita que você é gay. Então Clarice gosta de um homem gay? Fica a dúvida.

Mas a pior letra fica por conta de “A Gente Voltou”. É uma inocência tão burra e nojenta que ela põe na letra desta faixa que simplesmente não consigo levar a sério como compositora, ou levar na brincadeira como compositora. É estúpida a letra desta canção, parecendo que foi composta por uma menina com 13 anos tentando parecer poética. Até o humor que ela passa nas suas músicas parece ter sido feito por uma menina com 13 anos que pensa que é mais engraçada e inteligente que Zorra Total e A Praça é Nossa.

De todos os artistas da atualidade, gostar de Clarice Falcão não é um crime, se compararmos com outras porcarias nacionais que estão na mídia – como o ridículo Naldo -, porém, em Monomania, Clarice Falcão não demonstra conteúdo relevante em suas canções amorosas. Suas músicas não são bonitas ou inteligentes. Não são nem sinceras. É apenas uma tentativa de que consiga um público que goste de suas músicas fofas com uma poesia ginasial, e o alvo desse público vai deste o ouvinte de música pop ou aos fãs mais chatos de Los Hermanos. Se o som Indie Pop com pegada Folk – influenciado por grupos como She & Him – faz sua cabeça, vá firme, pois em Monomania vai ter muito para você ouvir. Entretanto, se você quer algo com um pouco mais de profundidade e até mesmo um tom maior de seriedade e sinceridade do que Clarice Falcão oferece, não é o trabalho recomendado para ouvir.

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Adema – Topple the Giants (2013)

Adema - Topple the Giants
Origem:
Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo, Nu Metal
Gravadora: Pavement Entertainment

Desde “Kill the Headlights”, o Adema estava inativo pela ausência de um vocalista. Seis anos depois, a banda surge com “Topple the Giants”, que marca a estréia do guitarrista Tim Fluckey nos vocais da banda. Eu fiquei bastante entusiasmado, já que eu sempre considerei a banda muito boa, apesar de preferir os vocais de Mark Chavez aos de Luke Carraccioli (este que esteve presente no álbum “Planets”, que diga-se de passagem, é muito bom) e de Bobby Reeves. Vamos ao principal, o conteúdo.

O EP é formado por sete faixas, sendo três inéditas e quatro regravações de sucessos anteriores da banda. Na primeira faixa já percebemos o que me deixou muito chateado, não, Fluckey não é um mau cantor, porém, ele não tem aquele “feeling” quando canta, tal como tinham Mark Chavez e Luke Carraccioli (apesar de preferir o vocal de Chavez, devo admitir que Carraccioli tem um feeling absurdo ao cantar). Parece que Fluckey não se entusiasma ao cantar, mesmo com um instrumental ótimo, o vocal peca bastante.

Como se já não fosse ruim o bastante não transmitir entusiasmo ao cantar as músicas inéditas, Fluckey conseguiu deixar sem graça algumas grandes músicas da banda, tais como “Planets” e “Immortal”. Não estou dizendo que o guitarrista não é um bom cantor, não. Fluckey se esforçou e está apto para cantar, só não tem o entusiasmo que os ex-vocalistas tinham. Enfim, posso dizer que, por enquanto, será melhor que o vocal seja aperfeiçoado antes de lançar outro trabalho com o Adema. Infelizmente não era o retorno que eu esperava, mas, paciência.

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