Tomahawk – Oddfellows (2013)

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Origem: Estados Unidos
Genêros: Hard Rock, Rock Experimental, Blues Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Ipepac

Oddfellows não tem muito segredo, este supergrupo de Mike Patton entrega o lançamento de 2013 com 13 canções curtas (nenhuma passa de 4 minutos de duração) e diretas. Tão diretas e cruas que algumas vezes talvez achamos que falta algo, que é apenas um experimento pela metade, nada que algumas audições extras não resolvam. Some hard rock setentista com experimentalismo, um ar sombrio totalmente cativante e o melhor que Patton possa oferecer em seus refrões mais melosos à frente do Faith No More, esse é o Oddfellows, que tem o próprio Mike Patton como um dos maiores destaques por culpa de seu versátil e excelente vocal. Outro destaque vai para o novato da banda, o baixista Trevor Dunn, entrou pouco tempo e mostrou um bom trabalho, com destacadas linhas de baixo. Mesmo destacando estes dois, a banda inteira vai muito bem, a guitarra de Duane Denison casou muito bem com o baixo do recém-chegado Dunn, John Stainer, o baterista, mantêm o ritmo, mesmo sendo o que menos brilha individualmente.

É o tipo de disco que fãs de Blue Öyster Cult  gostarão, recomendado para você que adorou a banda sueca Ghost, mas por favor, sem comparações, isso certamente estragará sua audição. E bom proveito!

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Richie Kotzen – 24 Hours (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Rock, Blues Rock
Gravadora: Headroom Inc.

Kotzen é um dos músicos mais extraordinários hoje em dia, sempre lançando ótimos trabalhos solos e sempre surpreendendo ao vivo, sendo que quase todo ano está vindo para o Brasil, nem se for apenas para fazer uma apresentação acústica em bares de São Paulo, mas vem. E fiquei muito ansioso pela espera do seu novo álbum, 24 Hours, ainda mais sabendo que o cara está sempre tentando melhorar, mesmo já tendo uma técninca incrível, tanto quanto na guitarra, baixo ou bateria, resumindo, ele é o show-man de todos seus trabalhos (exceção de suas participações em bandas como Poison e Mr. Big, mas mesmo assim era um dos cabeças pensantes dos grupos, sendo que foi ele que compôs Stand do Poison, maior sucesso do único álbum da banda de glam com Kotzen, e o maior sucesso de Actual Size do Mr. Big, Shine, sendo também o único álbum da banda com Kotzen). Continuando, isso me chamou a atenção porque fiquei sabendo que Kotzen, já um monstro da guitarra, abandonou a palheta, e estava fazendo apresentações pelo mundo que nem um maníaco distribuindo riffs e solos magníficos apenas com os dedos, e a ansiedade bateu mais forte ainda quando saiu o vídeo-clipe da faixa-título.

E falando sobre a faixa-título, ela que abre o álbum, e muito, mas muito bem. Uma das mais empolgantes do CD e o mini-solo da intro mostra isso, ainda possuindo uma base interessante de baixo, mas destaque para a guitarra e voz de Kotzen, que mostra que está com tudo, que solo! Help Me segue o álbum, e essa é uma daquelas típicas canções melosas do americano, não chega ser uma balada, mas grudenta. Segue o mesmo estilo de Stop Me, duas boas canções, com bons momentos como o solo de Stop Me e a versatilidade na voz de Kotzen em Help Me. OMG (What’s Your Name?) é talvez a minha faixa favorita de 24 Hours, aonde o baixo arrebenta e tem um refrão cativante, aonde eu me flagro o cantando o tempo inteiro. Outra que merece destaque é Get It On, Kotzen nos mostra aqui seu potencial nas linhas vocais, preste atenção, e deixe a voz desse cara te levar, vale a pena. Love Is Blind conta com a participação de Jerry Cantrell do Alice In Chains, e é outra ótima canção. A canção mais longa com 5:36 traz um excelente solo e um excelente final, com Jerry Cantrell dando seus berros. Ponto negativo fica por ela ser clichê, tanto quanto na letra quanto na parte cantada por Kotzen.

O baixo vem arrebentando outra vez, agora em Bad Situation, e o refrão também está muito bom, assim como a música em um todo, uma das mais difíceis de digerir do CD para mim, mas vale a pena forçar um pouco a mais. Agora temos a balada I Don’t Know Why, outra cativante, e bem bonita, mas a mensagem de músicas românticas do Kotzen continuam a mesma, clichê. Tell Me That It’s Easy tem ótimos mini-solos de Richie Kotzen, porém gostaria mais se ela não desse essa caída que quase faz ela se tornar uma balada, e ainda mais depois de I Don’t Know Why, você pode ficar até meio sonolento. Para fechar o excelente trabalho de Kotzen temos outra que dá para “viajar” legal, Twist Of Fate. Lembra bastante músicas de feriados, com aquela pegada bem calminha e que o destaque é a voz do músico, e também possui um excelente final, encerrando o CD de jeito belo.

24 Hours para mim é um dos melhores lançamentos de 2011, mostrando um músico inspirado e cheio de vida e empolgação por sua música, o que falta para muitos hoje em dia, uma pena é ver que canções tão boas e acessíveis não estão tocando em rádios ou em emissoras de TV como a MTV. Kotzen manda super bem outra vez, e pensar que sua técnica com o instrumento de 6 cordas está aumentando cada vez mais só pode me fazer mais feliz, e talvez você, se parar e ouvir este ótimo disco.

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The Black Keys – El Camino (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Rock de Garagem, Blues Rock, Indie Rock
Gravadora: Nonesuch

Som das antigas com um pouco de atualidade. Nada de novo e incrivelmente original, mas o resultado é bem feito em El Camino, sétimo disco da dupla composta por Dan Auerbach (vocalista e guitarrista) e Patrick Carney (baterista), The Black Keys. Em 11 faixas com uma duração aproximada de 38 minutos, temos um som bem bacana, que traz aquele velho e bom espírito do Rock de Garagem, com influências do Blues Rock e do Indie Rock com qualidade. Tipo de música que funcionaria muito bem em churrasco no fim de semana e nas festas de amigos que curte aquele Rock que todo mundo sabe que não é novidade, mas que (quase) todo mundo curte. São faixas animadas e divertidas, que te colocam para cima e te deixam de bom humor e dá para viajar no som da banda, e é uma boa viagem. Canções como “Lonely Boy”, “Money Maker” , “Litte Back Submarines” e “Hell Of A Season” são ótimas faixas que fazem muito bem ao disco, com bom riffs e uma voz calma de Dan, que não impressiona mas combina com o som proposto. Alguns podem achar o som repetitivo, mas é apenas a primeira impressão. Quando ouvir pela segunda ou terceira vez, ela passa e você apreciará melhor o disco. Se você quer ouvir algo bom e que seja fácil de assimilar e curtir, porém sem ter aquele exagero técnico e sem aquela melação tosca e chata, El Camino é uma ótima escolha. Particularmente eu recomendo.

Aerosmith – Get Your Wings (1974)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Blues Rock, Hard Rock
Gravadora: Columbia

Depois de seu álbum de debut em 1973 que contava com clássicos que nem Dream On e Mama Kin, o Aerosmith lançava no ano seguinte Get Your Wings. E a banda composta por Steven Tyler nos vocais, flauta, percussão, teclado e gaita, Joe Perry na guitarra, percussão e vocais de fundo, Brad Whitford na guitarra base e Tom Hamilton no baixo tinha  grande influência do blues em sua música, e com isso tinha o dever de manter o alto nível do álbum de estreia da banda. O disco de 1974 conta com dois lados, cada um com 4 músicas, mas agora sem enrolar mais, vamos as musicas.

O primeiro lado abre com Same Old Song And Dance, canção animada e que dá vontade de dançar, e aqui a famosa banda de Boston mostra um blues rock poderoso com grande destaque para o guitarrista Joe Perry que faz solos e acompanhamentos para a voz de Steven Tyler que ficaram sensacionais. E não podemos passar em branco sem notar os  saxofones, trompete e trombone tocados por Michael Brecker, Randy Brecker, Stan Bronstein e Jon Pearson, tornando a música mais blues ainda. Uma boa continuação é Lord Of The Thighs que continua o clíma dançante da primeira canção, mesmo sendo mais arrastada, ótimo refrão e solo de Joe Perry, lembrando os de Jimmy Page. Spaced possuí uma intro estranha de mais de 40 segundos, que poderia ter sido descartada facílmente. Mas isso não prejudica na qualidade musical da faixa, que é ótima, seguindo o estilo mais arrastada de Lord Of The Thighs, principalmente o refrão. Destaque para a versatílidade vocal de Steven Tyler. E para acabar o primeiro lado temos Woman Of The World, a mais comprida do disco com 5 minutos e 49 segundos. A intro é bem relaxante e logo depois dela começa um solo de Joe Perry tirando aquela mesmice que o vocalista já começa cantando suas músicas. A última faixa do primeiro lado de Get Your Wings tem um instrumental muito bem elaborado e até com Steven Tyler tocando gaita, mas não é uma música que caia de primeira, mesmo eu não achando ela uma das melhores do disco, é bastante interessante e merece atenção.

Abrimos o Lado 2 com S.O.S. (Too Bad), a mais curta com 2 minutos e 51 segundos. Ela mantém o mesmo ritmo dançante do primeiro lado assim como a famosa Train Kept A Rollin’, que para mim é uma das melhores do álbum, com Joe Perry e Steven Tyler (os chefões) inspirados, e Tom Hamilton fazendo uma grande linha de baixo. Esses solos do Joe Perry são de matar! Seguimos com a balada do disco, Seasons Of Wither, que atropela lindamente qualquer balada que o Aerosmith fez nos anos 90 (exemplos são Crazy, Cryin e Amazing) para tentar ser mais acessível. Com um feeling íncrivel e com um belo refrão é a que eu considero a melhor balada do grupo, desbancando a também bela Home Tonight do álbum Rocks. A última canção é Pandora’s Box, que é inspirada em músicos do gênero Soul dos anos 60 e 70. Ela é bem divertida, e mantém o nível do disco, outro excelente refrão, uma das melhores do álbum!

Muitos se falam que o Aerosmith se vendeu para a mídia, assim como fez Bon Jovi, mas na verdade é que essas pessoas nunca procuraram ouvir os álbuns antigos do Aerosmith, que são clássicos do rock n’ roll e blues rock, o que descreve o Get Your Wings. Um álbum muito bem feito e que demora um pouco para o digerir bem por inteiro, no que é uma coisa boa, muitas das vezes os CD’s que você vicia de primeira acaba esquecidos ao tempo, já discos que nem Get Your Wings você ouvirá 2, 3, ou 4 vezes até achar ele um grande álbum e depois vai acabar o ouvindo por muitas mais vezes.