Saxon – Sacrifice (2013)

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Origem: Inglaterra
Gênero: Heavy Metal
Gravadora: UDR

O Saxon continua aí, na estrada. Apenas dois anos depois de “Call To Arms”, o então último disco deste grupo, a banda volta ao estúdio e sem muito alarde e frescura lança “Sacrifice”, com uma capa inspirada na cultura maia. E o que dizer sobre o lançamento? Que continua sendo o Saxon dos riffs poderosos e um bom e vigoroso vocal de Biff Byford. É o conhecido heavy metal que a banda sempre faz, com algumas eficientes músicas e outras nem tanto. Destaco as 6 primeiras faixas, que realmente são mais robustas do que o restante do disco (4 mais faixas). E é isso, o Saxon lança uma regular para boa compilação de heavy metal, uma divertida mesmice que pode se tornar uma interessante trilha-sonora para um domingo de folga. Cito algumas das canções que mais me chamaram a atenção: a faixa-título, a rápida “Warriors of the Road”, e a minha favorita, “Guardians of the Tomb”.

Não é conteúdo para álbum do ano ou top 10 de 2013, ouça por diversão se esse tipo de som te agrada, se não, recomendo ficar longe.

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Tomahawk – Oddfellows (2013)

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Origem: Estados Unidos
Genêros: Hard Rock, Rock Experimental, Blues Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Ipepac

Oddfellows não tem muito segredo, este supergrupo de Mike Patton entrega o lançamento de 2013 com 13 canções curtas (nenhuma passa de 4 minutos de duração) e diretas. Tão diretas e cruas que algumas vezes talvez achamos que falta algo, que é apenas um experimento pela metade, nada que algumas audições extras não resolvam. Some hard rock setentista com experimentalismo, um ar sombrio totalmente cativante e o melhor que Patton possa oferecer em seus refrões mais melosos à frente do Faith No More, esse é o Oddfellows, que tem o próprio Mike Patton como um dos maiores destaques por culpa de seu versátil e excelente vocal. Outro destaque vai para o novato da banda, o baixista Trevor Dunn, entrou pouco tempo e mostrou um bom trabalho, com destacadas linhas de baixo. Mesmo destacando estes dois, a banda inteira vai muito bem, a guitarra de Duane Denison casou muito bem com o baixo do recém-chegado Dunn, John Stainer, o baterista, mantêm o ritmo, mesmo sendo o que menos brilha individualmente.

É o tipo de disco que fãs de Blue Öyster Cult  gostarão, recomendado para você que adorou a banda sueca Ghost, mas por favor, sem comparações, isso certamente estragará sua audição. E bom proveito!

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Rev Theory – Take ‘Em Out (2012)

revtheoryepOrigem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo
Gravadora: Killer Tracks Artist Series

A conhecida banda dos fãs da federação de wrestling/entretenimento WWE, Rev Theory, volta à atividade, depois do criticado terceiro disco, Justice (segundo como Rev Theory, já que no debut a banda se chamava Revelation Theory). Sem muitos alardes, a banda lança esse pequeno EP de 4 faixas e 10 minutos para os fãs matarem a saudade. E essa é a única razão que consigo achar plausível, são canções muto fracas, tanto que parece ou que a banda estava brincando de jam ou que são “demo de demo”, nem demo completa tem cara. Não tem muito o que falar do EP, pois as faixas são semelhantes. A primeira música, assim como todas as outras, possui uma base simples, tempo curto, e maior destaque nas partes vocais, aonde os refrões repetem mil e uma vezes, só que a primeira me chamou a atenção por causa do último ponto citado, o refrão, aonde chupam lindamente o Linkin Park na sua era nu-metal, até fui conferir se não era alguma homenagem ou cover. Talvez esse seja o caminho que a banda queira se aprofundar mais, o nu-metal, se dedicando ainda mais neste gênero do que no hard rock. Vamos esperar para ver, se continuarem no mesmo “pique” desse EP, tem tudo para a até então medíocre banda se tornar horrível.

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Placebo – B3EP (2012)

placebo_b3epOrigem: Inglaterra
Gênero: Rock Alternativo
Gravadora: UMe

Depois de um saudável hiato que durou 3 anos fora dos estúdios, Placebo volta sucedendo o seu último disco de estúdio, o até bonzinho Battle for the Sun. E o lançamento de inéditas chama-se B3EP como você consegue ler no título, um EP de 5 faixas e que dura pouco menos do que 25 minutos. Pouco conheço a banda, antes de B3EP apenas tinha ouvido o já citado Battle for the Sun, o achei interessante e gostei dele, tá bom que cada audição à mais eu gostava menos e menos, pois fui percebendo a fórmula parecida e simples que ele continha. E quando foi lançado o EP de 2012, fiquei interessado para saber aonde a banda, que já tem quase 20 anos de existência, gostaria de chegar. É uma banda que já tem sua base de fã construída, vender, o lançamento de inéditas vai vender, só restava saber se iria ser a mesma fórmula de Battle for the Sun, ou a banda pensaria grande e arriscaria influências diferentes do que estão acostumados  (e nada melhor do que arriscar influências novas do que um EP sem compromisso, ainda mais depois de 3 anos sem nenhuma faixa inédita, já que os fãs não vão se contentar com apenas 5 faixas e irão querer mais algum álbum completo por no máximo 2 anos, e agora que estão com tanque cheio, dificilmente não virá um novo disco nos próximos anos).

E ouvindo o lançamento, digo que continua o mesmo e acomodado Placebo de 3 anos atrás, o hiato de 3 anos fora dos estúdios não favoreceu em nada. As faixas são ruins? Não, apenas descartáveis. A voz de Brian Molko continua a mesma, com a mesma interpretação de sempre, assim como as guitarras, mais do mesmo de Battle for the Sun. Todas canções se encaixam perfeitamente do contexto do disco de 2009, e SE a quarta e penúltima faixa, I Know Where You Live fugisse disso, poderia se tornar algo interessante, mas como não faz isso, apenas uma música regular e descartável como o resto. B3EP nasce para fazer a alegria dos fãs do atual Placebo,  pois não muda. Se você não for exigente quanto à isso, até recomendo à experimentar ouvir esse lançamento, tenho a certeza que irá ouvir, e ouvir, e ouvir, e ai cansar, mas talvez consiga alguma diversão.

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Saint Vitus – Lillie: F-65 (2012)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Stoner Metal
Gravadora: Season of Mist

Lillie: F-65, oitavo álbum dos veteranos do Saint Vitus, o primeiro desde 1995. A banda foi criada no final dos anos 70, experiência é o que não falta. Confesso que este lançamento foi o único da banda que eu ouvi, então não posso dizer que eles não passam de uma banda tributo ao Black Sabbath… Na verdade posso, é o que Lillie: F-65 mostra. Com uma “influência” extremamente exagerada do Sabbath, que não é novidade na cena stoner metal (vide a banda Sleep), o Saint Vitus irá agradar os fãs semi-cegos do gênero. Não há necessidade de um resumo sobre cada música, pegue o disco Master of Reality da banda de Tony Iommi, logo em seguida, rode Lillie: F-65, você irá notar as distorções, a atmosfera, e até os vocais bem parecidos. Um álbum que não acrescenta em nada na coleção de ninguém, e cuidado na hora de procurar bandas desse estilo para se ouvir, poucas são as que confiam em si mesmas para ter coragem de arriscar o mínimo possível musicalmente ou as que não estão chapadas vangloriando o Black Sabbath.

3 – The Ghost You Gave To Me (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: 
Rock Progressivo, Metal Progressivo, Rock Experimental
Gravadora: Metal Blade

Enquanto Josh Eppard (ex-membro do 3) seguiu carreira na já popular banda Coheed And Cambria, o irmão menos famoso, Joey Eppard, continuou a sua carreira no 3, fazendo um som consideravelmente diferente da atual banda do irmão, e em 2011 lança o sexto álbum de estúdio, The Ghost You Gave To Me. Pela capa dá para se esperar algo sombrio, psicótico, mas o que vemos é um som bastante versátil e divertido, The Ghost You Gave To Me se torna uma grande opção audível para apreciadores do metal e rock progressivo e do rock experimental, com um flertamento encantador com o pop ( o que faz parte da bagagem do rock experimental), e também  uma pequena semelhança com o sludge metal, a ótima e versátil ‘Sparrow’ é um exemplo disso. O instrumental, assim como o álbum num todo, não é revolucionário, e a execução não é genial, mas mesmo assim é algo bem interessante, com bons momentos de todos os instrumentos.

Só por tudo o que eu já disse, vale a pena ouvir o último lançamento dessa banda, mas seria hipócrita não constar os erros, também. Você poderá se animar com o CD na sua primeira metade, mas quanto mais o tempo do disco passa, poderá achar que perdeu a sua “graça”. O agitamento do começo não está tão presente, e o vocal de Joey Eppard, pode se tornar irritante algumas vezes, a oitava faixa chamada ‘Pretty’ mostra isso. Mesmo sem tanta empolgação, continua bom, e só é questão de audições extras (elas não apagarão os erros, mas claro, vai te ajudar a entender melhor outros detalhes). Vale a pena arriscar nesta banda, você, que gosta de Muse, arrisque! (Não, 3 não te lembrará de Muse), os “progristas” que gostam de experimentalismo, também. E sem esquecer do pessoal indie, 3 se encaixa um pouco em cada estilo, mesmo não sendo genial, se torna algo bem agradável, ponto para o experimentalismo/versatilidade.

Linkin Park – A Thousand Suns (2010)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Rock Industrial, Rock Experimental, Rap Rock
Gravadora: Warner Bros.

Tá, A Thousand Suns não é um álbum de new metal e não era o som que o Linkin Park estava acostumado a fazer, isso todos mesmo os que não acompanham a banda sabem (meu caso). Vamos apenas analisar o A Thousand Suns, e não a vida passada da banda. Nesse último lançamento até então, a banda decide seguir um novo caminho, saindo da mesmisse, se o resultado foi bom ou ruim, vamos tentar saber agora.

Aqui os caras fizeram um trabalho arriscado, já que não tinha feito nada parecido com isso antes, temos o exemplo do Pain Of Salvation e seu EP Linoleum, aonde é apenas um “rascunho” para o que foi Road Salt One, e melhorado em Road Salt Two, já nesse caso não teve rascunhos, não visíveis, mas um grande ponto positivo para o Linkin Park foi que junto com eles estava Rick Rubin, o famoso produtor, adorado por muitos, odiados por muitos outros. Em A Thousand Suns, a banda se jogou para o lado pop, prova disso é a dedicação que teve em fazer sons de fundo, substituindo o peso do metal. E nesses sons foi um dos pontos que a banda mais se arriscou, o disco está cheio de introduções, já começa com duas seguidas. Ficaram bacanas e bem feitas, nada que o U2 não tenha feito em No Line On The Horizon em 2009, um ano antes de A Thousand Suns, mas a comparação seria um pouco injusta, considerando o tanto de tempo na estrada que o U2 está fazendo este tipo de som.

As canções na sua maioria são baladas aonde temos um Chester “xoxo” e murcho, e algumas aonde Shinoda tenta ser o rapper badass do pedaço, grande exemplo é ‘When They Come For Me’. Na parte das baladas, elas são regulares para boas, sendo a melhor a última faixa do disco, ‘The Messenger’, aonde Chester manda uns vocais rasgados interessantes. E na parte de Shinoda soa até esquisito e genérico, a fusão de U2 com Kanye West não deu lá muito certo. Temos também a parte mais agitada e lembrando o antigo Linkin Park, com ‘Blackout” e ‘Wretches And Kings’, mas depois disso parece que a banda entrou em depressão outra vez e manda a progressão para a lata de lixo. É um disco que cansa o ouvinte, soa repetitivo e não dá “gosto” de ouvir, a não ser que você force a audição uma quarta ou quinta vez, ai você pode se indentificar melhor com o CD, e entender melhor ele, mas nesse arriscado lançamento do Linkin Park, mesmo tendo sons legais e bons momentos, também tem vocalistas brochantes e músicas esquecíveis.

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Sonata Arctica – Ecliptica (1999)

Origem: Finlândia
Gêneros: Heavy Metal, Power Metal, Hard Rock
Gravadora: Spinefarm

Sempre quando falamos de power metal em grupos, dificilmente alguem não citará o nome ou de Stratovarius ou de Sonata Arctica, e sempre comparando um ao outro, e dizendo que Sonata lembra bastante Stratovarius, ou que são o “novo Stratovarius”. E quando eu ouvi Ecliptica vi que não são bandas tão parecidas assim (as partes que Sonata me lembra de Stratovarius não são as positivas), até diria que Sonata se parece mais com Europe do que com Stratovarius (não joguem tomates, por favor), e mais, que Sonata Arctica não é power metal. Pelo menos é a impressão que tive quando ouvi Ecliptica, é um som com influências sim do power metal, mas muito mais para o lado hard rock, com a pegada tradicional do heavy metal, com boas bases de bateria e seu bumbo duplo. Mas tem dois pontos em Ecliptica que fazem nos lembrar da banda do gordinho Timo Tolkki: primeiro são os refrões, em que quase todos o vocalista do Sonata Arctica, Tony Kakko, usa seu falsete lembrando muito Timo Kotipelto (isso não é tão bom assim…) e segundo são as “fritadas” nos solos. “Isso é uma análise ou uma comparação idiota?” Você deve perguntar, não deixa de ser uma comparação, mas com o foco na análise do álbum, tentei explicar o porquê de um dos álbuns tão aclamados do power metal, não ser puro power metal (continua sendo pelas notas compridas dando um “ar de épico”). Mas mesmo assim não tem lá tanta importância, e sim o conteúdo que ele nos mostra.

A estreia dos finlandeses não é um clássico do gênero power metal, ou essencial para o estilo como alguns fãs acham, na verdade traz defeitos que irei citar, e esses defeitos comprometem o disco, que não deixa de ser bom e divertido. ‘Blank File’ abre o CD, é o famoso termo “hino”, a canção é voltada para o refrão, e também tem uma boa base de bateria. Regular para boa canção, mas os falsetes de Tony pode te irritar, porque se torna algo bem forçado (o que acontece ao decorrer do álbum inteiro, e é por isso que se parecer com Kotipelto não é tão bom, nesse ponto sim acho que Sonata tentou ser o Stratovarius). ‘My Land’ é a segunda faixa, e é uma boa canção, mais para o lado power. Seguimos com a famosa ‘8th Commandment’, e ela não acrescenta algo bom no disco, se torna cansativa, ainda mais para o começo, que tivemos ‘Blank File’ e ‘My Land’. ‘Replica’ é a primeira power-balada do disco, ela lembra bastante alguma balada de hard rock dos anos 80, e os falsetes irritantes de Tony atacam denovo, outra canção que não acrescenta em muito. ‘Kingdom For A Heart’ é animada, mas completa o trio de canções descartáveis junto com ‘8th Commandment’ e ‘Replica’.

Agora temos a possível melhor faixa do CD, ‘Fullmoon’, a fusão de hard rock com power metal ficou bacana, e faz você esquecer um pouco as três faixas anteriores, que realmente te cansa. Outra boa faixa é ‘Letter To Dana’, outra power-balada, essa traz mais conteúdo, mesmo não sendo nada de incrível, se mantém no chão, regular para boa canção, e possui uma intro folk manjada, mas maneira. Agora temos ‘UnOpened’ , possui um bom refrão, e um solo interessante, a guitarra se entende bem com o teclado. ‘Picturing Of The Past’ tem um riff à cara de Timo Tolkki (e isso não é bom), tão rápido que não se torna algo agradável para se ouvir. Outra faixa forçada e que podia ficar fora do disco. Ah, os falsetes de Tony atacam com tudo por aqui também. A última e mais comprida faixa com quase 8 minutos é ‘Destruction Preventer’, é a tentativa da banda de fazer uma canção épica, e ela fecha bem o álbum, depois de bons e maus momentos que teve em Ecliptica. Não é lá essas coisas, mas é superior a muitas das faixas dos discos, e o solo não é agradável aos meus ouvidos. Mas a bela voz de Tony (sim, bela, sem os falsetes ela é) deixa a canção um pouco mais divertida e bonita, e o final possui a intro de ‘Letter To Dana’.

Ecliptica é a estreia de uma banda que mostra personalidade e técnica, e como uma banda nova na estrada, com certeza teve os seus erros. O maior deles foi as partes em tentar parecer o Stratovarius, Sonata Arctica é uma banda totalmente diferente dos caras do Strato, demonstra isso com clareza no seu debute, e tentar se parecer com eles só trouxe maus momentos, como os falsetes forçados e irritantes, e a chacina de moscas nos solos. Mas a banda mostrou um ponto muito positivo, que foi a versatilidade, a mistura de hard rock com power metal ficou maneira em certas partes (em outras a “mesmisse” atacou). Ecliptica é uma montanha-russa, você pode arriscar e ouvir o primeiro lançamento do Sonata, se for um cara que gosta de velocidade, vocais melódicos de power metal e uma pitada de hard rock, tenho quase certeza que irá gostar.

U2 – No Line On The Horizon (2009)

Origem: Irlanda
Gêneros: Pop Rock, Rock Experimental
Gravadoras: Mercury, Island, Interscope

Até então ultimo album da banda irlandesa de maior sucesso, o U2, No Line On The Horizon foi o responsável para que a grandiosa “360º Tour” acontecesse. E os irlandeses trabalharam no álbum desde 2006 e gravaram até em Marrocos (da onde vem o nome Fez, uma cidade marroquina e também o nome da introdução de uma canção do disco, Being Born), então a ansiedade para muitos foi grande, e todos esperavam um grande trabalho, e também teve a promessa dos integrantes de fazer um som mais experimental, lembrando um pouco Achtung Baby, talvez o rock fosse deixado de lado um pouco.

Começamos com a faixa-título, e já podemos sentir o clima que o álbum te levará, viajante, mas nem tanto (mesmo assim a sensação é boa), e com os destaques sendo a voz de Bono e a bateria de Larry Mullen Jr. A primeira faixa abre bem o CD, seguimos com ‘Magnificent’, essa mais experimental que a faixa-título, com influências eletrônicas mais visíveis, as famosas “batidas” também estão presentes. Outra boa faixa, que dá a entender que No Line On The Horizon se tornou sim um álbum experimental (a banda disse que não ficou tão experimental quanto eles queriam), mas a idéia é parecida com Achtung Baby (álbum de 1991 do U2) só que não tão viajante quanto o lançamento anterior, mas tem pontos que superam Achtung (sem comparar extremamente um CD com o outro), e que é aonde o lançamento de 2009 se baseia: na voz de Bono. Talvez não fizeram um álbum vidrado nisso, mas sem dúvidas Bono é o grande destaque, como tá cantando esse cara!

A terceira faixa é a mais comprida com 7:24, e uma das melhores do álbum (levando para o pessoal: A melhor do álbum). ‘Moment Of Surrender’ possui uma letra que cada vez mais se torna raro de se ver, aparentemente fala de “se render a Deus”. O feeling da canção é interessante, e mesmo a música não mudando entre seus 7 minutos o clima é agradável e não cansa o ouvinte. Para fechar o quarteto de boas vindas ao CD temos ‘Unknown Caller’, outra boa canção, o experimentalismo está presente mas a “veia do rock” na guitarra de The Edge também aparece em um bom solo. Seguimos com a “fofa” e puxada para o lado pop ‘I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight’, canção também boa, cativante até, puxa muito para o lado meloso, mas não deixa de ser boa. A sexta faixa é o prmeiro single do CD, a famosa ‘Get On Your Boots’, e posso dizer com certa firmeza: é a pior música do álbum. Se essa for a canção que você se espelha quando pensa no “novo” U2, está equivocado e convidado para ouvir No Line On The Horizon, ‘Get On Your Boots’ certamente é a mais chata do registro de 2009. E uma faixa que seria um ótimo “boas vindas” (vulgo primeiro single) do disco é a seguinte de ‘Get On Your Boots’, ‘Stand Up Comedy’. A sétima faixa é no mesmo estilo de ‘Get On Your Boots’, mas os arranjos são melhores, mais suaves e inspiradores. Ainda continuo não gostando tanto desse estilo de canções do U2, mas certamente é uma boa canção.

A já citada ‘Fez/Being Born’ é a próxima. Adoro a introdução ‘Fez’, podemos ouvir uma parte de ‘Get On Your Boots’ nela, e dá uma impressão agradável da cidade marroquina. ‘Being Born’ segue a “viajem” de ‘Fez’. Os agudos de Bono junto com o feeling relaxante são os destaques de ‘Fez/Being Born’, uma das melhores do disco. Agora entramos no “trio de despedida”, as 3  últimas faixas tem um clima sensacional de uma despedida, a primeira das 3 é ‘White As Snow’, a fantástica ‘White As Snow’, nada espetacular instrumentalmente, mas aqui o que importa são duas coisas: a voz de Bono e o feeling/clima. E White As Snow mescla esses dois fatores muito bem, uma ótima canção arrastada. Seguindo temos ‘Breathe’, incrível como que mesmo sendo animada ela se encaixa nesse “conceito” de “estou indo embora”. Apenas por ela ser uma das três últimas e que se encaixam lindamente, não colocaria ‘Breathe’ como primeira e principal single, porque merecer, merece! A décima primeira e última faixa é ‘Cedars Of Lebanon’, e ela não é uma faixa ruim, mas esse final dela não me cai, acaba muito “duro e seco”, ainda mais para o final do álbum.

No Line On The Horizon não chega a ser uma viajem daquelas psicodélicas, nem uma viagem em nível Achtung Baby, na verdade ao passar das audições, se você não prestar atenção o disco se torna até meio sem graça e enjoado. Isso é bom, um alerta dizendo que quando você ouve música, não pode ser apenas para o seu passa-tempo ou como se fosse a televisão ligada que você apenas liga e nem sabe o que está passando, preste atenção e pare de reclamar que não se faz música que nem antigamente, tem muita coisa boa hoje em dia, mas se for preguiçoso e sem atenção você nunca saberá e apreciará isso. Com atenção (e com audições extras, U2 no geral sempre precisará de audições extras) No Line On The Horizon se torna um grande álbum, dá para viciar nele facilmente, não é o melhor registro do U2, mas vale a pena dá uma conferida!

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Municipal Waste – The Fatal Feast (Waste In Space) (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Crossover Thrash, Thrash Metal, Thrashcore
Gravadora: Nuclear Blast

Crossover thrash é um gênero que mescla o hardcore punk (como Dead Kennedys) com o thrash metal, e é o som que o Municipal Waste faz, tão fielmente que faz algumas pessoas falarem que a banda conseguiu trazer o bom e velho crossover da década de 80 de grupos como Suicidal Tendencies e D.R.I. O grupo de Virginia, Estados Unidos, que é composta por Tony Foresta (vocais), Ryan Waste (guitarra), Phillip “Landphil” Hall (baixo) e Dave Witte (bateria) mistura muito bem os elementos do estilo, as canções são curtas (não tanto quando o seu primeiro CD, que possui 17 minutos de duração tendo 16 faixas) como o punk e pesadas como o thrash. Bem, vamos ao novo trabalho dos caras, que tiveram a obrigação de suceder o não tão bem falado Massive Aggressive de 2009, ainda mais porque é o primeiro álbum que fazem em uma grande gravadora.

Começamos com uma intro um tanto quanto descartável, coisa que estou percebendo que muita banda de thrash metal está fazendo, apenas por seguir uma “linha clássica e irretocável” do estilo, claro que tem introduções interessantes, mas não é obrigação fazer ela, e se você não estiver inspirado é obrigação você NÃO fazer ela. Ainda sobre a intro, os sons tenta te “levar” para o espaço, mas não é nada de mais. As músicas começam mesmo na segunda faixa, ‘Repossession’, e seria desgastante comentar as 17 faixas uma-por-uma, e desnecessário. The Fatal Feast é um álbum que não muda, a “cavalada” segue da segunda à última faixa e os riffs não são criativos e novos. Tudo isso faz o CD ser ruim? Realmente, não. A guitarra de Ryan Waste, mesmo um pouco conformado no que faz, traz bons momentos, riffs e de vez em quando um solo. A batera de Dave Witte ta simplesmente matadora, abusando do seu bumbo duplo e a voz de Tony Foresta é excelente, soa única e feroz, algumas vezes “rasgada”, e não segue o que muitos vocalistas novos de bandas de thrash metal faz, que é colocar James Hetfiled e Tom Araya em um liquidificador, bater e depois beber.

Neste lançamento de 2012, o Municipal Waste faz um som muito agitado, e a agitação é que faz dele tão bom.  Melhor do que Massive Aggressive, com mais empolgação e parecido com The Art Of Partying de 2007, considerado para muitos o melhor registro do grupo (eu particulamente gostei mais de The Fatal Feast). E o som continua o mesmo, deste o primeiro álbum, Waste Em’ All, lógico, que mais maduro. E essa não-mudança da banda faz muitos pensarem que se continuarem nesse som fiel ao estilo crossover thrash, o Municipal Waste vai deixar de ser uma das bandas revelações dos últimos anos para se tornar algo “sem graça”, e ai entra a mesma história que faz bastante gente criticar o AC/DC. Mas desde Waste Em’ All, teve sim uma mudança no som do Municipal Waste, “comeram arroz com feijão” e incrementaram detalhes interessantes ao longo da carreira, acho que ao passar do tempo, como são músicos, vão mudar um pouco, nada radical, ou permanecerão na mesma pois já vão ter uma base sólida de fãs… Mudando ou não, o grupo de Virginia soltou em 2012 um belo registro, meus destaques ficam para ‘New Dead Masters’, Authority Complex’, ‘Standards and Practices’, ‘Jesus Freaks’ e a faixa-título. OBS: E que bela capa!