Metallica – Death Magnetic (2008)

Gêneros: Thrash Metal, Heavy Metal
Gravadora: Universal Music
Origem: Estados Unidos

Sem dúvidas o Metallica é a maior banda de metal que já existiu. Por mais que digam que bandas como Black Sabbath, Dream Theater e Iron Maiden são melhores, musicalmente talvez, mas nenhuma delas alcançou o sucesso comercial que o Metallica atingiu, até mesmo antes da época do Black Album. Essencialmente, esse é um CD de Thrash Metal, mas não como o Ride The Lightning ou o And Justice For All, mas sim algo moderno, misturando com o Heavy Metal. Mas um Heavy Metal bem distante da época do Load e Reload. Uma das coisas que depeciona é terem utilizado o tal loudness war, que comprimi demais o áudio, sacrificando sua qualidade para obter um volume mais alto. A qualidade da gravação se mostra monstruosa por se mostrar de alto nível ainda, mas poderia ser melhor.

Apesar de cada vez mais decandente ao vivo, Lars Ulrich pelo menos no estúdio não decepciona. Todo mundo sabe que técnica não é com ele, ele continua com seu jeito “pedreiro” de tocar, mas cria combinações impressionantes, tornando seu trabalho aqui um dos seus melhores, chegando perto do nível do And Justice For All. Já Robert Turijo me surpriendeu muito, mostrando que é excelente baixista não apenas tocando músicas dos outros, mas no estúdio também, devendo nada ao subestimado Jason Newsted. Kirk Hammett definitivamente vai irritar alguns com seu jeito “Whoa-Whoa” de tocar, que nunca esteve tão presente. Apesar de em alguns momentos soar chato, o trabalho de Kirk é excelente, principalmente nos solos (percebível para os que não se incomodam com o Whoa-Whoa). Como guitarrista, James Hetifield traz ótimos riffs, mas não surpriende tanto assim. Como vocalista, mostra sua monstruosa e imparável evolução, sendo seu melhor registro nesse setor. Sem dúvidas, com o nível de hoje, é um dos melhores vocalistas do metal.

O CD começa com That Was Just Your Life, com um coração batendo na introdução, tendo belos acordes. Quando Lars entra, a música ganha um pouco de peso e aos poucos vai se tornando cada vez mais pesada. A música é pesadamente sedutora, ao ponto de te deixar confuso se presta atenção em Lars, Rob ou Kirk. Destaque para os pedais de Lars e os excelentes riffs. A próxima é The End Of The Line, começando mais viciante que a música anterior, principalmente nas linhas de bateria, que aqui se não se baseiam tanto nos pedais. Destaque para os excelentes riffs, Turijo impressionando no solo, e o jeito empolgante e único de James cantar aqui (o jeito dele cantar the slaves becomes the master e you’ve reached the end of the line provavelmente ficarão muito tempo na sua cabeça). O ponto fraco é o solo um pouco chato por causa de Kirk. No final da música, ao contrário do tradicional da banda, ela vai ficando menos agresiva até terminal com o refrão.

A próxima é uma das mais empolgantes do disco, Broken, Beat & Scarred. Ela consegue ter um início mais empolgante que as faixas anteriores, graças à riffs matadores. Apesar disso, quando James começa a cantar, mostra que o destaque da música é ele, cantando muito, consigo tornar o pré-refrão até mais viciante do que o refrão em si. Lars põe um pouco o pé no frio aqui, não que diminua a qualidade, mas ele se encaixa nas horas certas, o que ajudou muito na hora do solo, acelerando na hora certa. No fim, é difícil escolher quem melhor, James ou Lars, mas aqui escolho James.

A seguinte é The Day That Never Comes, sendo uma das mais criticadas do disco por se parecer muito com a One, sendo colocada como “cópia” da mesma (banda que se copia é foda, não?). É verdade sim que ela se parece com One, por seguir a estrutura de semi-baladas do Metallica, só. Ela até metade de seus quase 8 minutos é bela e lenta, com belos acordes. Lars segue a mesma linha de bateria de faixas assim, mantendo bom nível mas não surpriendendo. Rob surpriende com acordes que deixaram a parte mais lenta muito mais empolgante. Já James tem provavelmente aqui seu ápice no disco. Mas a parte que realmente impressiona é quando ela a música fica pesada (mais que qualquer uma anterior), com Kirk fazendo um dos melhores solos de sua carreira. Simplesmente algo para se babar, final espetácular transformam a música em uma das melhores do disco.

A seguinte música é All Nightmare Long, extremamente pesada e contagiada, sendo a melhor no disco nesse quesito, totalmente feita para “banguear”. A banda não gravava algo tão pesado desde Blackned no And Justice For All. O refrão também candidato a melhor do disco. Excelentes riffs, mas o destaque absoluto é Lars detonando na bateria. O solo é mais um cheio de “Whoa-Whoa”, mas não deixar de ser excelente por causa disso. A próxima é mais simples mas provavelmente a mais empolgante do disco, Cyanide. Aqui Turijo deixa sua melhor contribuição, com riffs certeiros. Os riffs aqui são mais simples se comparado com o resto do disco (ao estilo Fuel, mas mais complexo e menos repetitivo), mas não devem nada às outras músicas por isso. O refrão é excelente, até um pouco mais grudento que o normal, mas não deixando de ser agressivo. Lars cria ótima linha de bateria aqui novamente. A melhor parte é quando a faixa fica mais lenta, até o solo, que é matador, seguindo um pouco a estrutura de Master Of Puppets.

A seguinte é a definitivamente a mais criticada (à toa), a balada The Unforgiven III. A música se inicia com uma linda introdução no piano até entrarem na música em si, seguindo o clima calmo e triste das The Unforgeivens anteriores. A música tem acordes interessantes e Hetfield faz uma interpretação impressionante. É difícil escolher qual das três versões é a melhor, cada uma tem seu ponto forte, mas essa sem dúvidas é a mais complexa. É importante notar também que ela acaba conseguindo se encaixar muito bem no CD, mesmo ele sendo tão pesado. Tem um solo excelente. A próxima é The Judas Kiss, e me surpriendeu por não ser tão pesada quanto pensei que seria (por causa do título da faixa). Lars começa com uma ótima introdução com uma sequência de batidas muito interessante, enquanto James e Kirk esbanjam excelentes riffs com apoio do Turijo. O pré-refrão é grudento (So what now? Where Go I?) e fica muito tempo na cabeça. O refrão também é assim, só que mais agressivo. O solo é muito bom, mas não chega a ser excelente. A música se caracteriza mais pro lado de Cyanide, como mais empolgante.

Depois de muito tempo, finalmente temos uma faixa instrumental, Suicide & Redemption. No início ela segue a estrutura de Orion, crescendo aos poucos, até começarem os excelentes riffs, de forma cadenciada e inteligente. Os riffs são tão espetaculares que são daqueles que ficam na sua cabeça como se fosse um refrão. A faixa de tem uma das linhas de bateria mais interessantes do disco. Por volta dos 4 minutos, começam belíssimos acordes e o jeito diferencial de Kirk de tocar entra em jogo. O solo é muito bem composto, com certeza o mais complexo do disco. São quase 10 minutos de qualidade excepcional. A última é My Apocalipse, com apenas 5 minutos (para o Metallica levado ao lado Thrash Metal, é pouco comparado ao “normal”), mas é muito pesada. Lars volta a pesar no pedais, o trio faz riffs interessantes, mas nada de impressionante, até mesmo o jeito de James cantar. A música é boa, mas não passa disso, não acompanha nem de longe o nível do disco e poderia ter sido trocada por Hate Train ou Hell And Back do Beyond Magnetic.

Depois de 20 anos, o Metallica finalmente voltou a fazer um excelente disco de Thrash Metal. Após dois discos apenas bons e um regular, finalmente algo excelente ao nível da banda, mas não pode ser considerado um clássico, graças à algumas falhas. Kirk faz um ótimo trabalho aqui, mas soa irritante algumas vezes, não muitas, mas não deixa de decepcionar. Lars vai muito bem, só que não se inovou tanto, apenas seguiu o que sempre fez de bom. Não que isso seja ruim, mas é estranho para uma banda que diz sempre querer se inovar. My Apocalipse é boa, mas é dispensável, fazendo o nível do disco cair. Se St. Anger tinha o problema de soar tão ruim, pelo menos as letras eram ótimas. Já aqui estão as letras mais malucas e desconexas da carreira da banda (varia de caso para caso). Outro defeito grave é é terem usado demais a compressão no áudio. Mas ainda assim é um excelente lançamento. A espectativa é que o próximo disco evolua a partir desse e crie um novo clássico, apesar de duvidar um pouco disso. Se desenvolver bem esse som moderno, talvez nasça outro clássico. Enfim, é sempre bom ouvir coisas boas vindas do Metallica.

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Edguy – Tinnitus Sanctus (2008)

Origem: Alemanha
Gêneros: Hard Rock, Heavy Metal, Power Metal
Gravadora: Nuclear Blast

O Edguy é uma banda que foi gerada do Power Metal e com seu decorrer e desenvolvimento, o grupo foi se tornando em uma mescla de Hard Rock, Heavy Metal e um pouco de seu natural Power Metal, e tendo outras características que não são tão visíveis, como uma influência Glam e Industrial na sua música. A banda do liderada pelo louco chamado Tobias Sammet (vocalista), que também é o grande mestre de Avantasia, e composta por Jens Ludwig (guitarrista principal), Dirk Sauer (guitarrista secundário), Tobias “Eggi” Exxel (baixista) e Felix Bohnke (baterista) fazem um som totalmente grudento e não tão difícil de assimilar, porém pesado e não-plastificado em Tinnitus Sanctus.

“Ministry Of Saints” é uma bela porrada para iniciar o disco. Seus riffs fortes, uma cozinha comum (nada de ruim aqui, mas nada de extraordinário) e uma voz diferenciada de Sammet (que compôs todas as faixas de Tinnitus Sanctus, seja musicalmente ou conteúdo lírico). Mas na primeira faixa já percebemos um problema que percorria pelo disco todo: Os refrões. São grudentos, são estilosos, mas repetem muitas vezes! Exageradamente! A música tem 5 minutos. Poderia diminuir para quase 4 minutos se tirassem os refrões desnecessários. Você chega a cansar e não vê a hora de seguir adiante. E em “Sex Fire Religion” mantém a mesma coisa de “Ministry Of Saints”. Mesmo estilo de composição, mas com uma pegada maior para o Hard Rock, enquanto a anterior é mais Heavy Metal. O problema novamente são os refrões, assim como em todas as faixas. Repetem demais! E além disso, soam totalmente Glam.

O cúmulo do excesso de refrões se chama “Dragonfly”. Esta faixa chega a ter 2 refrões! Se é bacana? Sim, mas cansa esses refrões que tentam soarem épicos, não só pelo uso em diversas faixas, mas por elas repetirem tanto que seus ouvidos ao invés de ouvirem uma voz, ouvirá um coral! E isso até mesmo para aonde não precisava, como “9-2-9”, “Nine Lives”, “The Pride Of Creation” e a música com maior influência de Industrial, “Wake Up Dreaming Black”. E o que dizer da melosa e brega balada “Thorn Without A Rose”? É o tipo de canção perfeita para fingir lágrimas de crocodilo. Claro, esse disco tem horas que manda muito bem, como na faixa de encerramento “Dead Or Rock”, que soa uma (boa) homenagem ao AC/DC, mas mantendo uma faceta da banda, como um pequeno uso de teclado e o refrões… E claro, temos uma boa faixa épica, “Speedhoven”, que ai sim, precisava dos refrões épicos, e tiveram. E todos os solos de guitarra, apesar de soarem parecidos as vezes, chutam bundas!

Tinnitus Sanctus é um bom disco, mas que poderia ser limado em várias coisas, como os refrões (…) e o uso de teclado em certas faixas que não precisavam, como “Dead Or Rock” e “Wake Up Dreaming Black”. É como se elas estivessem preenchendo espaço onde não tinha que ter. A balada estraga muita coisa ali, e “Speedhoven” faria muito mais sentido encerrando o disco. Recomendo aos fãs de Hard Rock, de Heavy Metal e aqueles que querem curtir uma música agitada e divertida, porém grudenta e de fácil assimilação. Tinnitus Sanctus não é das melhores escolhas, mas ainda é boa!

Metallica – Death Magnetic (2008)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Thrash Metal, Heavy Metal
Gravadoras: Vertigo, Warner Bros

Death Magnetic, até o momento o último álbum de estúdio do Metallica, e este disco teve a difícil missão de suceder o “experimental” St. Anger. Os fãs esperavam, eu imagino, que fosse um álbum bom, nada do tamanho de um Ride The Lightning, mas que voltassem a ter um thrash metal sólido como nos seus cinco primeiros álbuns. Bom, vamos conferir o que o Metallica preparou nessa sua volta.

E quando ouvimos o CD, dá para perceber que o grupo voltou a fazer boa música (nada contra os fãs do St. Anger), o que era de se esperar, já que são músicos talentosos. Mas ainda peca no meu ver nas extensas faixas, que parece mais encheção de línguiça. Tirando esse fato que pode fazer você ficar com sono se não for um viciado por Metallica, o álbum está bem interessante. Começamos com That Was Just Your Life, que começa bem o CD, refrão empolgante. E as faixas são todas nesse nível, são boas músicas, que a maioria peca no mesmo ponto, mas continuam sendo boas músicas. The End Of The Line tem uma parte bem legal, mais para o final da faixa, quando as coisas se acalma, e James vai aumentando seu tom, e junto com todos a música cresce outra vez, é algo bem manjado, mas fazer o que, eu adoro essas passagens de “me engana que eu gosto”. Broken, Beat & Scarred apesar de ser uma das que eu menos gostei, também é uma boa canção, na média vamos dizer, prefiro duas músicas do Beyond Magnetic que poderiam está no lugar desta terceira faixa, mas enfim, não deixa de ser uma boa canção.

The Day Never Comes é algo mais no estilo One, e você já deve ter ouvido, pois ela se tornou bem famosa, tendo vídeo-clípe e etc. É um dos destaques do disco, com James cantando horrores. Mas por outro lado, ela parece algo “reciclado”, lembrando muito a já falada One, vide as metralhadas de Lars e o solo de Kirk. All Nightmare Long é uma das minhas preferidas, e possuí um ótimo refrão. Refrão que fez eu gostar tanto dela, porque nas primeiras audições se fosse depender da música completa, que tem quase oito minutos, eu ficaria até com preguiça de a ouvir novamente (eu sabendo que o Metallica não inova nessas canções compridas), mas vale a pena, o instrumental está legal, e grande solo de Kirk, outra passagem no mesmo estilo de The End Of The Line e o refrão volta mais agressivo, uma das melhores do disco em minha opinião. Cyanide e Judas Kiss são duas músicas legais, no mesmo estilo das anteriores (em exceção The Day That Never Comes), ou você gosta das duas (e do álbum inteiro), ou não gosta, não tem muito o que forçar. A décima e última faixa é My Apocalypse, a mais curta com seus cinco minutos, e a mais thrash também, um pouquinho mais para o lado thrash na verdade, pois segue no estilo das anteriores, mas é esse peso/clima que faz ela ser boa e/ou ter até um charme extra do que das outras, bom, pelo menos foi assim comigo, boa música.

My Apocalypse mesmo sendo uma das que eu mais gostei, não deveria terminar o CD, tinhamos duas grandes opções, a primeira é The Unforgiven III, a minha favorita do disco. Ela não segue o jeito que era as duas primeiras Unforgiven. Essa continuação começa diferente, com um piano melódico e violoncelo no fundo. Talvez quando James canta, o clima lembre um pouco alguma das duas Unforgiven anteriores, mas é só isso, essa é completamente diferente, e o que faz ser a minha favorita das três. James coloca sentimento antes do solo de Kirk “Forgive Me – Forgive Me Now”, faixa espetacular, a que devia encerrar a audição de Death Magnetic para mim, mas ainda tinhamos uma outra grande opção. Suicide & Redemption é uma faixa instrumental, e muito bem feita. Ela possuí momentos melódicos, mas o peso e agitamento também está presente, depois dos seis minutos de duração Kirk nos mostra isso. Ela tem aquele típico final que a canção vai diminuindo, “desaparecendo”, outro ponto manjado que eu gosto bastante, uma das melhores do álbum, se não a melhor.

Death Magnetic, é um bom álbum, algo na média e que dá para se divertir ouvindo, para mim o Metallica ainda pode fazer algo melhor do que foi este, mas comparando com o St. Anger, podemos dizer que o Metallica era aquela gordinha da sala que sempre é zoada, e que agora virou aquela recente mulher atraente que fez bastante academia e conseguiu ficar interessante outra vez.

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Bloodsimple – Red Harvest (2008)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo, Metalcore, Nu Metal, Groove Metal
Gravadora: Reprise, Bullygoat

Com o nome do disco inspirado no livro de mesmo nome escrito por Dashiell Hammett, Red Harvest é o segundo disco de estúdio e infelizmente o último lançado pelo Bloodsimple. A banda composta pelo raivoso e explosivo Tim Williams (vocalista), Mike Kennedy (guitarrista), Nick Rowe (guitarrista) e Kyle Sanders (baixista) tinham que superar o lançamento de A Cruel World, de 2005 (que já foi analisado aqui no Images & Words) e a saída do baterista Chris Hamilton, que em estúdio foi substituído por Will Hunt e por Jacob Ward nas turnês da banda. Uma missão complicada, pois A Cruel World foi um bom disco de estreia. Nada monstruoso, mas ainda sim um bom lançamento. E como eu disse no final da resenha primeiro álbum da banda, eles conseguem superar com Red Harvest e veremos abaixo os motivos.

O álbum, que diferente de seu antecessor tinha um conteúdo lírico sólido, aqui não é tão sólido. Algumas letras não são tão boas e nem sérias, mas o que melhora é a música. “Ride With Me” é um começo estranho. Estamos acostumados a ter uma música agitada na primeira faixa, mas “Ride With Me” é totalmente inesperada. É uma mistura de calma (se assim posso dizer) com um clima totalmente atmosférico, sendo denso, depressivo, muito envolvente e tenebroso. Não digo que uma balada devido a uma evolução que a música sofre que ao contrário do que encontramos no primeiro álbum, aqui é mais inesperado e melhor feito. Forte canção para começar o álbum. As próximas faixas, a faixa-título e “Dark Helmet” são tremendas porradas e ambas com finais monstruosos e igualmente raivosos e cheios de energia. Provavelmente são as duas músicas mais pesadas não só do álbum, mas do grupo, junto com “Path To Prevail” e “Straight Hate”, ambas de A Cruel World. Excelente começo da banda neste álbum, supera facilmente o primeiro álbum.

Aqui deveríamos esperar por uma balada como de costume na maioria dos álbuns na atual indústria musical, mas recebemos poderosos e rápidos riffs de guitarra, que soam muito Speed Metal e são incrivelmente grudentos. “Dead Man Walking” com sua letra boba sobre um homem que morto que volta a vida, ela é totalmente viciante e uma das melhores do grupo. Um detalhe extra sobre esta canção que fez parte da trilha sonora do jogo WWE Smackdown vs. Raw 2009, sendo disparada a melhor música. Outra faixa que é fácil de colar é “Out To Get You” com seus riffs bacanas e de fácil assimilação. É uma versão melhorada de “Sell Me Out”, digamos assim. Não é das mais criativas, mas você sabe que é boa. “Suck It Up” é uma música com uma familiaridade com o Punk Rock e Hardcore. Bem agitada e de certa forma enjoativa e chata. Alguns bons momentos graças ao vocalista, mas nada atrativa. Pior canção do disco. “Death From Above” é outra porrada na sua cara que é fácil de dizer que atropelará seus tímpanos da mesma forma que um trem atropela uma galinha. Outra ótima música.

Se “Dead Man Walking” é uma das melhores canções do grupo, “Whiskey Bent and Hellbound (Hellmyr)” e a melhor obra da banda. Excelente música com uma letra canalha, além de ser a maior composição da banda com quase 6 minutos de duração. É o fim perfeito para o álbum, com um som sujo e uma excelente interpretação de Tim Williams, mas a banda fez uma pequena burrada. E veremos a seguir. “Killing Time” é outro peso e também grudenta, principalmente seus riffs. Boa faixa, mas que estranhamento soa como B-side, mas não deixa de ser boa. A legítima balada do álbum é “Truth (Thicker Than Water)”. Tim volta a seu banheiro para cantar e quem sabe chorar. É uma canção densa e de certa forma bonita, e das baladas da banda, contando com os dois álbuns, o homem aqui manda sua melhor performance. Aqui seria um outro bom final, e por incrível que pareça, finalmente temos um solo de guitarra, e que solo de guitarra! Cheio de emoção, encerraria perfeitamente como “Whiskey Bent and Hellbound (Hellmyr)”, mas ainda tem ‘Numina Infuscata”, que soa como um grito de guerra. É um fim diferente, mas errôneo. Se eu pudesse selecionar a ordem das faixas, seria “Killing Time”, “Truth (Thicker Than Water)”, “Numina Infuscata” e “Whiskey Bent and Hellbound (Hellmyr)”. Ficaria bem melhor e mais coeso, mas isso não estraga este álbum.

Então temos um ótimo disco que supera o primeiro álbum da banda e que possui pequenos erros ali e lá, mas como já disse, não estraga-o. Ao contrário de A Cruel World, Red Harvest mantém o peso e a criatividade e mostra uma banda extremamente talentosa e com muita musicalidade, mas com um fim melancólico, temos que ouvir bandas como Vision Of Desorder, banda na qual Tim Williams e Mike Kennedy “crescerem” e decidiram reativa-la em suas atividades, e que não tem um quarto da musicalidade de Bloodsimple, o que é totalmente triste. Uma pena isso acontecer com uma promessa do Metal.

Escape The Fate – This War Is Ours (2008)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Pós-Hardcore, Pop Punk, Metal Alternativo, Hard Rock, Screamo
Gravadora: Epitaph

Em seu segundo disco de estúdio, Escape The Fate lança um disco não muito pesado e não muito melódico, segundo o baixista e também vocal de apoio Max Green. A banda composta por Bryan Money (guitarrista, tecladista e vocais de apoio), Robert Ortiz (baterista, percussionista e vocais de apoio) e pelo vocalista novato Craig Mabbitt (que substituiu Ronnie Radke, que cantou no primeiro álbum da banda, Dying Is Your Latest Fashion, e agora é atual vocalista e fundador da banda Falling In Reverse), faz parte de um novo movimento na cena “metálica” mundial junto com outros grupos como Black Veil Brides e outros mais antigos e nem tão antigos, que seria aquelas garotos com jeitinho emo mais que quando pegam no microfone dão gritos, berros e gemidos praticamente inaudíveis o que querem dizer, influenciado por bandas como Linkin Park (sim) e outras mais extremas como o lendário Pantera e outras de Metalcore, uma das origens do grupo. Estranhamente esse disco nem tem muito disso.

Começa com “We Won’t Back Down” e honestamente peço perdão pelo o que vou dizer, mas que voz de merda é essa do vocalista? Você tá cagando ou tá cantando assim porque te pediram, seu bosta? A voz do cara consegue estragar uma faixa empolgante com riffs e solos muito Hard Rock. Tirando essa faixa, o vocalista canta bem nas outras, ou melhor dizendo, decente. Não estraga como estragou nessa! Péssimo começo e nem deveria estar no disco. A próxima faixa, “On To The Next One” é quem deveria começar o álbum, com sua intro empolgante e bem feita. Mas depois fica uma coisa tão sem sal que nem dá pra curtir faixa. Fica apenas na introdução nela, mesmo. Faixas como “Ashley” e “Something” soam como “Pop Punk para macho”. Aqui o lado melódico da banda aparece e não é tão mal assim… Mas não empolga e nem conquista o ouvinte.

Quando começa “The Flood”, sentimos um retorno ao estilo das duas primeiras faixas, aquela previsibilidade toda e minha desconfiança sobre os gritos e berros até que na segunda metade da faixa ouvimos pela primeiras vez gritos, o que chamam atenção, pois foi de certa forma inesperado, o que é bom. O ruim é que os gritos foram uma bela porcaria. Só não supera o lixo que o vocalista do Limp Bizkit, Fred Durst, faz em algumas faixas na sua banda, que chega a soar ridículo. É interessante a canção, e só. “Let It Go” é uma mistura de Pop Punk com Hard Rock, enquanto “10 Miles Wide” é totalmente Hard Rock e uma das melhores do disco também, com participação especial de Josh Todd da banda de Hard Rock Buckcherry. Duas faixas animadinhas que você tem certeza que a banda em si até que a boa, tem momentos interessantes e outros bem ridículos, como na já citada “We Won’t Back Down”, mas que peca na falta de criatividade e de ousadia.

“You Are So Beautiful”, apesar do nome, junto com “Ashley”, tem tudo para serem baladas, mas não são meras baladas. Sobre a dona de uma letra babaca, “You Are So Beautiful” praticamente homenageia James Blunt e a sua canção “You’re Beautiful” liricamente, mas musicalmente é um Hard Rock que evoluiu em um screamo do capeta, com Craig gritando igualmente ao Fred Durst. Dá pra ver que a influência é uma bela merda. “This War Is Ours (The Guillotine Part II)” começa com riffs pesados e rápidos, e pela primeira vez no álbum, o gritos que começam a faixa, e até que são bem feitos nessa canção que pode ser considerada a segunda melhor. É empolgante, raivosa, apesar de ter um momento leve que deveria ser retirado, mas que apesar de tudo não estraga a faixa. Possui um breakdown final que só tem na última faixa do álbum, que depois irei falar melhor. Sobre o breakdown, isso faria a banda Metalcore, mas como só tem dois breakdowns no álbum e sendo apenas um de Metal, porque considerar a banda de Metalcore neste lançamento.

Após tudo isso, temos a grande balada do disco, “Harder Than You Know” é uma canção tão emotiva que chega a ser boba. A interpretação do vocalista consegue estragar a música na sua primeira metade, já na segunda metade a banda se encaixa na voz do homem, como aconteceu na balada “Should’ve Listened” da banda canadense Nickelback, onde Chad Kroeger faz uma interpretação feia e equivocada com sua voz forte, marcante e muito limitada e a banda é quem tem que encaixar nele. É uma balada que fica naquele nível “Untitled” do Simple Plan. Para encerrar esse “adubo”, temos uma salvação, “It’s Just Me”. Uma música muito diferente e imprevisível e que contradiz o que eu disse sobre a banda lá cima, que falei que ela não era criativa. Nessa canção a banda é criativa e muito interessante, Craig faz uma interpretação muito interessante com sua voz, e com sons que provavelmente são de flautas, kisanji, trompa e charango e tem até um, já citado anteriormente, breakdown desses instrumentos no final, que é sensacional, enriquecendo não só a faixa, mas o álbum todo. Pena que só nessa faixa a banda surpreende no que apenas soa uma brincadeira de estúdio.

Em conclusão, podemos notar que Escape The Fate neste álbum é uma boa banda, tendo alguns momentos bem criativos  outrora comuns, mas que principalmente, a banda sofre pela falta de direcionamento musical, o que custou um lançamento medíocre e quase ordinário. Temos faixas que não combinam com disco, como “It’s Just Me” e “This War Is Ours (The Guillotine Part II)” e uma grande mistura de gêneros musicais que no fim fica tudo embolado e mal feito. Tem bons momentos e interessantes, mas tem muita porcaria nesse disco também. Por vias das duvidas, escute apenas “It’s Just Me” se você quer ser surpreendido, “This War Is Ours (The Guillotine Part II)” se você gosta de Metalcore e “10 Miles Wide” se você é fã de Hard Rock.