Hatebreed – The Divinity of Purpose (2013)

Hatebreed - The Divinity of Purpose
Origem:
Estados Unidos
Gêneros: Metalcore, Hardcore Punk
Gravadoras: Razor & Tie, Nuclear Blast

The Divinity of Purpose é o sexto álbum da pioneira banda de Metalcore vinda de Connecticut, o Hatebreed. Misturando um Hardcore Punk com Crossover Thrash, o grupo já fez muitos trabalhos interessantes, e irei falar hoje de seu último lançamento. Com um som agressivo durante pouco mais de meia hora de álbum com doze músicas que duram entre dois e três minutos, a banda cumpre a proposta prometida: um som porrada, ora agressivo, ora melódico.

O disco inicia bem no Metalcore com “Put It to the Torch”, e desta em diante vai alternando entre o Metalcore e o Hardcore Punk, trazendo um trabalho bastante interessante. O Hatebreed é uma das poucas bandas da cena Metalcore que realmente faz música boa, e não aquele som do Asking Alexandria que é apenas um berreiro irritante, apesar de que esta ainda tenha lançado alguma coisa interessante em seu último álbum, mas como o foco aqui é o Hatebreed, vamos continuar.

O álbum traz faixas boas e algumas até envolventes, tais como a já citada “Put It to the Torch”, “The Language”, “Before the Fight Ends You”, a faixa-título e mais outras. Não é um álbum com muitas faixas e o som das músicas é sempre mais do mesmo, mas isso não o torna um álbum ruim. Na verdade, eu acho que é um dos melhores álbuns de Metal que já ouvi neste ano.

Conheci a banda já faz algum tempo, mas fui ouvir o som dos caras há pouco mais de um mês, quando vi que foram confirmados para o Monsters of Rock (onde fizeram um ótimo show, diga-se de passagem). Por fim, tenho a dizer que The Divinity of Purpose é um álbum muito bom, não chega a ser um dos melhores da banda, mas ainda assim é ótimo, vale a pena dar uma conferida quem curte o gênero.

Sem título-19

Epica – Requiem for the Indifferent (2012)

Origem: Holanda
Gênero: Metal Sinfônico
Gravadora: Nuclear Blast

O Epica é conhecido principalmente pela sensualidade de sua vocalista, Simone Simons, também por sua qualidade vocal, claro. Mas para quem conhece mais a fundo a banda, sabe que seu destaque é a sua competência em quase todos os aspectos. Instrumentalmente, não há uma banda de metal sinfônico melhor que o Epica. Os caras simplesmente não falham. Nunca. Além disso, tem uma mulher que é pelo menos uma das cinco melhores vocalistas do Metal, e certamente é a que mais evolui. Seu único problema são os guturais que apesar de competentes, as vezes mais atrapalham que adicionam algo as músicas. O álbum marca a última participação de Yves Huts no baixo da banda, e o fez em ótima forma. Mark Jansen e Isaac Delahaye fazem uma dupla que se reinventa cada vez mais, e o que sobra de criatividade nos riffs da dupla, falta nos guturais do Mark. Ariën van Weesenbeek é com certeza o destaque instrumental da banda, um monstro na bateria e mostra porque é um dos melhores bateristas atualmente do metal. E Simone tem uma das suas melhores atuações vocais na banda.

O CD começa com a introdução épica “Karma”, que traz uma clima grandioso, belíssima abertura. Em seguida vem a porrada “Monopoly On Truth”, que vem com riffs pesadíssimos e uma bateria pulsante simplesmente incrível. Simone tem uma das suas melhores interpretações aqui, tanto quando canta da forma tradicional quanto de forma mais épica. Até assusta o nível que ela chega. Os guturais caem perfeitamente aqui e dueto é uma maravilha. A banda como sempre é super competente instrumentalmente, mas ela se supera no solo, que apesar de curto, é maravilhoso. Pra mim a melhor faixa do disco. Em seguida vem “Storm The Sorrow”, com um clima tenso, até Simons aparecer e guiar a música. A música não é tão pesada como normalmente, mas ainda assim não deve em nada para qualquer outra música do disco, pelo contrário, é uma das mais interessantes. Além de Simone, o Ariën faz valer cada segundo da música pela sua bela atuação aqui. “Delirium” começa com vozes tensas até começar a tocar o piano e começa a bela balada, que conforme ela prossegue, mais grandiosa fica. E é justamente esse clima de grandeza que torna a faixa tão atrativa. Belíssimo solo aqui também.

A próxima é Internal Warfare, mesclando muito peso da bateria com o clima sinfônico. É pesada, mas não tão dinâmica até chegar na parte com os guturais, onde a faixa fica mais interessante ainda. A próxima é a faixa-título, com riffs muito interessantes e tem uma introdução um tanto quanto diferente, lembrando algo do Oriente Médio. Depois a faixa “explode” em riffs muito inspirados e com clima épico, quebrado (acredito que de propósito) pelos guturais de Jansen. Depois do solo, há um breve clima mais belo que é interrompido pelos guturais, seguido do retorno da parte épica. A seguinte é “Anima”, uma curta e bela música no piano. A seguinte é “Guilty Demeanor”, a música segue o estilo básico da banda, só que a curiosidade da vez é que ela dura quase 4 minutos, tenso a média comum das músicas em geral e não algo normal pra banda (a maioria tem mais de 6 minutos, algumas quase chegam a 10, em uma banda que está longe do progressivo, apesar de bem técnica). Mais uma faixa interessante por sua bela execução na proposta fórmula da banda que sempre funciona.

A seguinte é “Deep Water Horizon” é mais uma balada grandiosa, tendo um início que cairia bem em MUITOS filmes. Como não poderia ser diferente nesse tipo de música de som, o destaque é de Simone, que nocauteia o ouvinte com uma interpretação excelente. Os guturais aparecem aqui, mas pela primeira vez de forma totalmente desnecessária, se deixassem apenas o solo seguida por uma parte instrumental até Simone voltar à música, teria um resultado bem melhor. Ainda assim, é uma ótima faixa. A próxima é “Stay The Course”, que começa com riffs empolgantes e com um clima lembrando muito o After Forever. Os guturais não caem bem nessa música como nas primeiras faixas no início e só soa interessante depois da metade da faixa. Pelo menos Simone e a parte instrumental compensam totalmente isso, principalmente pelos riffs pesadamente sedutores. A seguinte é “Deter The Tyrant”, mais uma faixa que se destaca pelos riffs, mas pela primeira vez no disco a parte “épica” de Simone não convence tanto assim. Mas isso não atrapalha muito a faixa, já que em sua maioria ela canta na sua forma tradicional.

A penúltima faixa é “Avalanche”, que começa com um clima interessante, até começar belos acordes juntos com a voz de Simone. A parte instrumental vai crescendo aos poucos até ficar pesada como normalmente quando entram os guturais. A partir daqui, a música entra em uma variação entra o canto tradicional de Simone com seu lado épico junto com os guturais, sendo seguido por um riff matador. O disco é finalizado com “Serenade Of Self-Destruction”, que começa com um clima belo até se tornar sinfônico, em seguida se tornando pesado também. Apesar de conter partes cantadas, a música é praticamente instrumental. E o Epica é uma banda tem o “jogo” garantido no lado instrumental, então é um fim espetacular e climático, às vezes até um pouco cinematográfico. Ao fim da faixa, a sensação é maravilhosa, como se tivessem sido quase 10 minutos de uma estranha viagem dentro do mundo dessa música. Não consigo pensar em melhor maneira de fechar o disco.

Requiem For The Indifferent é definitivamente um dos melhores discos lançados em 2012. O Epica não conseguiu igualar sua obra-prima aqui (Design Your Universe), mas chegou bem perto, com um material fantástico e criativo. A banda soa cada vez mais coesa e madura e só falha aqui na minha visão por algumas vezes os guturais não tão bem encaixados depois da metade do disco, mas talvez isso seja apenas algo que me incomode, mas soe normal para a maioria dos fãs. Mas um aviso: esse provavelmente é disco da banda menos fácil de ser “absorvido” pelo ouvinte. É tipo de disco que tem que ser ouvido diversas vezes para ser bem compreendido. Mas o resultado definitivamente vale a pena, não apenas para fãs do metal sinfônico, mas sim para fãs do metal pesado em geral.

Symphony X – Iconoclast (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Progressivo, Metal Neo-Clássico, Metal Sinfônico
Gravadora: Nuclear Blast

O oitavo disco de estúdio da experiente banda norte-americana, o Symphony X, mostra um exemplo perfeito em Iconoclast de que nem sempre bons músicos juntos fazem (somente) boas músicas. O conceito de Iconoclast é que as máquinas dominam tudo, mas não segue uma história linear como um legítimo disco conceitual, mas sim um álbum temático, como feito pelo Pink Floyd em Dark Side Of The Moon. E esse tema lírico chega até passar para o instrumental da banda, soando até mecânico em certas partes, uma boa ideia do grupo, mas mesmo assim com boas ideias, a banda falha no principal ponto de um álbum deveria ter: suas músicas.

A banda composta por Russell Allen (vocalista), Michael Romeo (guitarrista), Michael Pinnella (tecladista), Michael Lepond (baixista) e Jason Rullo (baterista), apesar de serem ótimos músicos, extrapolam em certos momentos virtuosos que chegam a ser desnecessários, principalmente o guitarrista Michael Romeo. Este homem consegue estragar praticamente quase todas as atmosferas criadas com seus solos ultra-técnicos-e-mega-rápidos-porém-super-irritantes. Ouça “The End Of Innocence”, e repare que até a entrada do solo, a atmosfera é excelente, e os corais, algo muito bom neste disco, deixam tudo em um clima épico e até caótico, mas então entra o solo, e assim perdemos um belo momento. E não podemos esquecer dos péssimos timbres escolhidos por Michael Pinnella, principalmente em seus solos entupidores de ouvido. Um mau gosto inacreditável eu diria. E nem podemos esquecer que temos canções fraquíssimas como “Bastards Of The Machine” e “Eletric Messiah”, ambas esquecíveis.

O que mais decepciona-me em Iconoclast é que, mesmo tendo porradas excelentes e os corais bem feitos, o disco todo é cansativo. Quase não vale a pena ouvir todo ele. O que vale a pena ouvir em Iconoclast, além dos corais e de algumas atmosferas criadas, são duas canções, que de certa forma se isolam no nível qualidade comparada as outras: a faixa-título e “When All Is Lost”, ambas as canções mais longas do disco. Enquanto “Iconoclast” é uma tremenda porrada, ora imprevisível, ora épica (e nada enjoativa), “When All Is Lost” é a única balada do disco e apesar de uma introdução brega, a música desenvolve-se e transforma-se em uma das coisas mais lindas que eu ouvi em 2011. E os solos nestas duas faixas estranhamente são os únicos solos que realmente fazem bem a atmosfera, algo que esse disco tem uma certa facilidade em quebrar devido ao exagero técnico. Uma pena termos apenas duas canções de grande qualidade.

Iconoclast mostrou-se um fraco lançamento da banda, principalmente se compararmos com que o Symphony X já lançou, o ótimo The Divine Wings Of Tragedy. Mesmo os mais extremistas musicais e fãs da banda talvez olham torto para esse álbum como eu olho. Por mais talentosos que estes cinco caras sejam, o ego musical elevado do grupo é algo que vem cada vez mais aumentando, principalmente Michael Romeo, fundador da banda. E o pior de tudo é que não tem muita diferença do que o grupo vem lançando nos últimos discos. É como se a banda estivesse em uma zona de conforto e pretendem não sair dali. Iconoclast, por mais que suas ideias sejam boas, não teve a execução necessária para tornar se um clássico do Heavy Metal. Recomendado apenas as duas faixas citadas (a faixa-título e “When All Is Lost”).

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Municipal Waste – The Fatal Feast (Waste In Space) (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Crossover Thrash, Thrash Metal, Thrashcore
Gravadora: Nuclear Blast

Crossover thrash é um gênero que mescla o hardcore punk (como Dead Kennedys) com o thrash metal, e é o som que o Municipal Waste faz, tão fielmente que faz algumas pessoas falarem que a banda conseguiu trazer o bom e velho crossover da década de 80 de grupos como Suicidal Tendencies e D.R.I. O grupo de Virginia, Estados Unidos, que é composta por Tony Foresta (vocais), Ryan Waste (guitarra), Phillip “Landphil” Hall (baixo) e Dave Witte (bateria) mistura muito bem os elementos do estilo, as canções são curtas (não tanto quando o seu primeiro CD, que possui 17 minutos de duração tendo 16 faixas) como o punk e pesadas como o thrash. Bem, vamos ao novo trabalho dos caras, que tiveram a obrigação de suceder o não tão bem falado Massive Aggressive de 2009, ainda mais porque é o primeiro álbum que fazem em uma grande gravadora.

Começamos com uma intro um tanto quanto descartável, coisa que estou percebendo que muita banda de thrash metal está fazendo, apenas por seguir uma “linha clássica e irretocável” do estilo, claro que tem introduções interessantes, mas não é obrigação fazer ela, e se você não estiver inspirado é obrigação você NÃO fazer ela. Ainda sobre a intro, os sons tenta te “levar” para o espaço, mas não é nada de mais. As músicas começam mesmo na segunda faixa, ‘Repossession’, e seria desgastante comentar as 17 faixas uma-por-uma, e desnecessário. The Fatal Feast é um álbum que não muda, a “cavalada” segue da segunda à última faixa e os riffs não são criativos e novos. Tudo isso faz o CD ser ruim? Realmente, não. A guitarra de Ryan Waste, mesmo um pouco conformado no que faz, traz bons momentos, riffs e de vez em quando um solo. A batera de Dave Witte ta simplesmente matadora, abusando do seu bumbo duplo e a voz de Tony Foresta é excelente, soa única e feroz, algumas vezes “rasgada”, e não segue o que muitos vocalistas novos de bandas de thrash metal faz, que é colocar James Hetfiled e Tom Araya em um liquidificador, bater e depois beber.

Neste lançamento de 2012, o Municipal Waste faz um som muito agitado, e a agitação é que faz dele tão bom.  Melhor do que Massive Aggressive, com mais empolgação e parecido com The Art Of Partying de 2007, considerado para muitos o melhor registro do grupo (eu particulamente gostei mais de The Fatal Feast). E o som continua o mesmo, deste o primeiro álbum, Waste Em’ All, lógico, que mais maduro. E essa não-mudança da banda faz muitos pensarem que se continuarem nesse som fiel ao estilo crossover thrash, o Municipal Waste vai deixar de ser uma das bandas revelações dos últimos anos para se tornar algo “sem graça”, e ai entra a mesma história que faz bastante gente criticar o AC/DC. Mas desde Waste Em’ All, teve sim uma mudança no som do Municipal Waste, “comeram arroz com feijão” e incrementaram detalhes interessantes ao longo da carreira, acho que ao passar do tempo, como são músicos, vão mudar um pouco, nada radical, ou permanecerão na mesma pois já vão ter uma base sólida de fãs… Mudando ou não, o grupo de Virginia soltou em 2012 um belo registro, meus destaques ficam para ‘New Dead Masters’, Authority Complex’, ‘Standards and Practices’, ‘Jesus Freaks’ e a faixa-título. OBS: E que bela capa!

Edguy – Tinnitus Sanctus (2008)

Origem: Alemanha
Gêneros: Hard Rock, Heavy Metal, Power Metal
Gravadora: Nuclear Blast

O Edguy é uma banda que foi gerada do Power Metal e com seu decorrer e desenvolvimento, o grupo foi se tornando em uma mescla de Hard Rock, Heavy Metal e um pouco de seu natural Power Metal, e tendo outras características que não são tão visíveis, como uma influência Glam e Industrial na sua música. A banda do liderada pelo louco chamado Tobias Sammet (vocalista), que também é o grande mestre de Avantasia, e composta por Jens Ludwig (guitarrista principal), Dirk Sauer (guitarrista secundário), Tobias “Eggi” Exxel (baixista) e Felix Bohnke (baterista) fazem um som totalmente grudento e não tão difícil de assimilar, porém pesado e não-plastificado em Tinnitus Sanctus.

“Ministry Of Saints” é uma bela porrada para iniciar o disco. Seus riffs fortes, uma cozinha comum (nada de ruim aqui, mas nada de extraordinário) e uma voz diferenciada de Sammet (que compôs todas as faixas de Tinnitus Sanctus, seja musicalmente ou conteúdo lírico). Mas na primeira faixa já percebemos um problema que percorria pelo disco todo: Os refrões. São grudentos, são estilosos, mas repetem muitas vezes! Exageradamente! A música tem 5 minutos. Poderia diminuir para quase 4 minutos se tirassem os refrões desnecessários. Você chega a cansar e não vê a hora de seguir adiante. E em “Sex Fire Religion” mantém a mesma coisa de “Ministry Of Saints”. Mesmo estilo de composição, mas com uma pegada maior para o Hard Rock, enquanto a anterior é mais Heavy Metal. O problema novamente são os refrões, assim como em todas as faixas. Repetem demais! E além disso, soam totalmente Glam.

O cúmulo do excesso de refrões se chama “Dragonfly”. Esta faixa chega a ter 2 refrões! Se é bacana? Sim, mas cansa esses refrões que tentam soarem épicos, não só pelo uso em diversas faixas, mas por elas repetirem tanto que seus ouvidos ao invés de ouvirem uma voz, ouvirá um coral! E isso até mesmo para aonde não precisava, como “9-2-9”, “Nine Lives”, “The Pride Of Creation” e a música com maior influência de Industrial, “Wake Up Dreaming Black”. E o que dizer da melosa e brega balada “Thorn Without A Rose”? É o tipo de canção perfeita para fingir lágrimas de crocodilo. Claro, esse disco tem horas que manda muito bem, como na faixa de encerramento “Dead Or Rock”, que soa uma (boa) homenagem ao AC/DC, mas mantendo uma faceta da banda, como um pequeno uso de teclado e o refrões… E claro, temos uma boa faixa épica, “Speedhoven”, que ai sim, precisava dos refrões épicos, e tiveram. E todos os solos de guitarra, apesar de soarem parecidos as vezes, chutam bundas!

Tinnitus Sanctus é um bom disco, mas que poderia ser limado em várias coisas, como os refrões (…) e o uso de teclado em certas faixas que não precisavam, como “Dead Or Rock” e “Wake Up Dreaming Black”. É como se elas estivessem preenchendo espaço onde não tinha que ter. A balada estraga muita coisa ali, e “Speedhoven” faria muito mais sentido encerrando o disco. Recomendo aos fãs de Hard Rock, de Heavy Metal e aqueles que querem curtir uma música agitada e divertida, porém grudenta e de fácil assimilação. Tinnitus Sanctus não é das melhores escolhas, mas ainda é boa!

Throwdown – Deathless (2009)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Groove Metal, Metalcore
Gravadoras: E1, Nuclear Blast

Throwdown é um grupo que se originou do Hardcore e que com o decorrer do tempo, evoluiu para um som com muita influência de Pantera, e eles fazem muito bem isso, porém as vezes soa sem muita originalidade. A banda até seu quarto disco, Vendetta de 2005, era uma banda de Hardcore, mas em 2007 com Venom & Tears, a banda melhorou tecnicamente com a evolução de som, e em Deathless, sexto disco do grupo, apenas continuou um processo natural. A banda composta por Dave Peters (vocalista), Mark Choiniere (guitarrista), Mark Mitchell (baixista) e Jarrod Alexander (baterista), apesar dos pesares, tem potencial e talento, isto é inegável, entretanto, acaba parecendo uma versão mais lenta, densa e, quem sabe, mais pesada que o Pantera, sua mais notável influência. Se quiser confirmar, ouça as músicas no fim deste texto.

Deathless possui 12 faixas, com duração de 54 minutos aproximadamente (que estranhamente aparentam durar muito mais que meros 54 minutos) começa com “The Scythe”, uma porrada iniciada na bateria, seguida de riffs e um grito do vocalista marca a sua intro. É uma das melhores canções do disco e iniciada muito bem, tendo um refrão interessante, que apesar do refrão repetir duas vezes apenas, gruda. E o final da faixa é ótimo. “This Continuum” como dá para notar, ela continua com um tema relativamente parecido de sua antecessora, e possui igualmente um ótimo refrão, e assim como sua sucessora, “Tombs”, o peso remanesce no som do grupo, entretanto, aqui começa a soar mais lento e mais denso, como se tivesse entrando em uma depressão, que continua em “The Blinding Light” com sua introdução de 1 minuto, sendo a faixa mais longa, com mais de 6 minutos. Essas quatro músicas fazem parte de uma “história” feita em videoclipes, divididas em quatro partes, e esta é legitimamente o clipe mais denso dentre o quarteto. Aqui que já podemos reparar uma relação com o Metalcore, que provavelmente não foi proposital parecer que é Metalcore, mas o fim da canção não deixa duvidas que existe a influência e que foi bem usada. Nessa faixa é reparado o uso de teclado ou algum efeito de estúdio no início e fim da mesma. Não é das melhores, mas tem seus bons momentos.

“Widowed” começa acústica, com um violão acompanhado de outros instrumentos como guitarra e bateria até por volta de 1:40, com o desaparecimento do instrumento acústico e sermos introduzidos a voz de Dave após 2 minutos! E aqui é ápice da montanha da tristeza, ou melhor dizendo, o fundo do poço, mas não porque é conteúdo emo, mas é que soa melancólico, porém uma melancolia adulta, em outras palavras, madura. Para alguns pode ser considerada a faixa “água fria”, que esfria toda sua energia e te põe em um estado neutro, pois apesar de todo som depressivo, o peso do baixo e companhia não te deixa necessariamente em mau humor. Mas em “Headed South”, o baixo astral cai fora e então temos de volta a velocidade e a energia que as canções anteriores tiraram. A cozinha no disco faz um excelente trabalho, mas em destaque essa faixa se superam. Destaque para os dois solos de guitarra nessa faixa, muito bacanas e encaixam perfeitamente no que se pede. Na música “Serpent Noose”, temos um ótimo trabalho de guitarra, principalmente no solo principal, além de uma atmosfera que te arrasta para dentro e não deixa sair. Outra canção interessante, apesar de um refrão fraco comparado a outras faixas. “Ouroboros Rising” é outra forte canção, candidata a uma das melhores. Seus riffs, aliados a uma cozinha consistente e um bom refrão são ótimas para levantar o público, apesar do solo estar longe de ser um dos melhores do disco.

“Skeleton Vanguard” tem uma das melhores introduções e que infelizmente os vocais de Dave acabam deixando ela abaixo do esperado em qualidade, com exceção do refrão, que ele faz com maestria. Instrumentalmente é bem empolgante em algumas partes e bem padrões em outras, mostrando nada de novo para colaborar com a imagem do álbum. “Pyre & Procession”, “Black Vatican” e a faixa de encerramento, “Burial At Sea”, acrescentam muito, mas muito pouco a qualidade do disco, tanto é que se tirasse elas do álbum, não faria diferença nenhuma e não iria deixar ele melhor nem pior. Elas estão ali para preencher um espaço que não precisaria ser preenchido, ou melhor dizendo, poderia ser preenchida com canções melhores, não é toa que o disco parece durar mais do que parece, algumas soam parecidas (muito pouca). Tanto é que se formos eliminar canções do álbum, no mínimo é possível tirarmos 4 canções ou mais. E para encerrar, “Burial At Sea”, é um bom final, apesar dos pesares, mas poderia haver um final mais interessante.

Concluindo, apesar de possuir temas mais pessoais, e um tom mais depressivo, Deathless é um disco de peso quase certeiro, senão fosse por certos momentos, porém não tem grandes novidades. Não tem ideias novas e algumas chegam a serem cansativas, porém é uma boa banda e um bom disco. Se você gosta de Pantera, Sepultura, e outros grupos de Groove Metal, esta banda não é uma má escolha para ser honesto, porém você não receberá uma recompensa musical gigante como deveria. Deathless é altamente recomendado para fãs do gênero, da banda (tirando os fãs do antigo som da banda), ou para aqueles que querem se achar “cult” na cena do Metal atual, já que a MTV e a revista Revolver consideraram a banda como parte do “futuro do Metal”, se quiser confirmar, ouça.

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Nightwish – Imaginaerum (2011)

Origem: Finlândia
Gênero: Metal Sinfônico
Gravadora: Nuclear Blast

Imaginaerum é o segundo álbum do grupo filandês com a vocalista Anette Olzon, sucedendo o sexto álbum de estúdio da banda, Dark Passion Play, de 2007. No disco anterior muitas críticas vieram, a maioria pela escolha de Anette para substituir a “Semi-Deusa” Tarja Turunen. O endeusamento encima da vocalista anterior era algo fora do normal, como se ela fosse a melhor vocalista do mundo, e isso prejudicou de certa forma a divulgação do disco. Mas deixando os fãs truezão de lado, já que em Dark Passion Play Anette mostrou ser uma grande vocalista, e até mais versátil que a Tarja. Agora falando sobre o Imaginaerum, Tuomas Holopainen (teclado, sintetizadores e a cabeça pensante dentro da banda, sendo o cara que compõe tudo), Anette Olzon (vocais), Emppu Vuorinem (guitarra), Marco Hietala (baixo e vocais) e Jukka Nevalainen (bateria e percussão) lançam um álbum conceitual, seguindo o estilo do filme de mesmo nome que será lançado esse ano. O filme é sobre um velho no leito de morte, que vislumbra um sonho de infância em que ele se recusa a envelhecer, e combate o envelhecimento com a sua própria imaginação. Agora sem mais delongas, vamos ao que importa.

Taikatalvi abre o disco, uma intro de 2 minutos e 35 segundos, é calminha e tem influências folk, ela consiste em uma “tela para a nossa imaginação” como disse Tuomas, e a sua tradução quer dizer Magia do Inverno. Boa intro para começar algo “mágico”, e seguimos com a primeira single, Storytime. A segunda faixa é uma das mais acessíveis do álbum, com um refrão a lá radio. Ela começa todo o conto, mostrando que a imaginação é o núcleo da humanidade. Gostei da canção, simples, já que se trata de uma single. Ghost River é uma das minhas favoritas, a letra dela não é muita clara, então vamos ficar com a explicação de Tuomas: “VIDA é um privilégio supremo, um rio cheio de maravilhas e horrores. Amor, tristeza, beleza, maldade e tentações. Precisamos de todos eles para sobreviver a jornada. Bem, mal, dor e prazer – membros um dos outros.” Sobre a canção, o que faz eu gostar tanto dela é a interpretação vocal de Marco Hietala e ainda mais de Anette Olzon (principalmente no pré-refrão), que se em Dark Passion Play já demonstrou um pouco, em Imaginaerum mostra de vez que é mais versátil que Tarja.

A quarta faixa é Slow Love Slow, fala que o amor não precisa de palavras ou promessas, um território sem palavras, desde que seja verdadeiro. Com influências da música soul e um pouco de jazz, principalmente na voz de Anette, é uma canção diferente, é isso o que eu posso dizer, só a ouvindo para entender. A intenção dela é ótima, com grandes misturas, com um tom épico e mágico com blues e jazz, ao desenrolar ela vai ficando melhor ainda, não chega ser algo acima da média, mas que é diferente isso não tem dúvidas, outro grande trabalho de Tuomas (pela composição) e de Anette (pela voz poderosa). I Want My Tears Back é a próxima, uma das queridinhas dos fãs, diz sobre ainda ser possível ter alguma coisa do passado. O riff inicial lembra muito Symphony Of Destruction do Megadeth, e essa foi uma das que eu tive mais problemas para a digerir legal, principalmente porque é uma música muito a cara do Nightwish (deve ser esse o motivo para os fãs gostarem tanto), e isso não é bom para mim, soa que a própria banda se copiou, ou que se reciclou. Mas a ouvindo melhor, é uma música de regular para boa, bem animada e destaque para o instrumental folk dela.

Scaretale é outra carta da manga do álbum, assim como Slow, Love, Slow. Como o nome diz, ela fala sobre um conto de horrores, tentando levar a sensação na música de pesadelos que tivemos na infância, outra intenção muito boa, mesmo. Destaques para a aula de interpretação de Anette e Marco. Anette mostra outra vez, a grande vocalista que é, mas para mim o instrumental deixou a desejar, tirando algumas partes que dá mesmo a sensação de um “pesadelo”, ao estilo O Estranho Mundo de Jack, a canção se encaixaria perfeitamente na trilha sonora do filme de Tim Burton. No final ela pega o jeito metal sinfônico da banda e acaba, outra canção que chega a ser diferente, e para algo infantil seria ótimo, faltou criatividade musical, mas outra boa faixa, principalmente pelos vocais que valem a pena a ouvir. Arabesque é uma faixa curta e instrumental, e Tuomas diz que ela é “A purificação para um pesadelo. Dar a luz através da dança da morte.” Bom… para mim poderia ser retirada facilmente do álbum, a mais fraca das faixas e que não demonstra o que o tecladista diz, tentar acabar Scaretale com um final mais tenebroso seria bem melhor. Turn Loose The Mermaids é a oitava faixa. A letra é sobre o avô de Tuomas, que ele disse que foi uma das experiências mais emocionantes da vida dele (ver o avô morrer), e sobre a vida, imaginação e beleza. Outra no estilo folk e com um clíma interessante, um refrão calmo e bonito, gosto bastante dela.

Rest Calm diz sobre as memórias, e que elas sempre permanecerá com você, até que você morra, “Fique ao meu lado até que escureça para sempre.” Eu adorei a letra, e a faixa também, outro refrão calmo e cativante. Ela é uma das mais longas do álbum com 7 minutos e mesmo sendo um pouco longa ela não fica chata ou entediante (claro, se você não a achou chata no começo), com revezamentos bem legais no refrão. The Crow, The Owl And The Dove é a próxima, e é sobre um poema de Henry David Thoreau: “Ao invés de amor, dinheiro, fama, dai-me a verdade”. É uma canção simples, porém bela, nada extraordinário mas que você possa acabar a ouvindo muito, ainda mais se você tiver em um momento “deprê” (testado e aprovado). Destaque para Marco cantando o verso “Gar tuht river – Ger te rheged” em finlandês. Last Ride Of The Day, como o nome já diz, é o último passeio do dia “O parque temático está prestes a fechar, mas a montanha-russa vai funcionar uma última vez e você tem que pegar a última viagem sozinho.” É o que Tuomas diz. Ela é agitada e gostosa de se ouvir, outra que é querida pelos fãs, boa faixa, mas não é uma das melhores do disco para mim.

Agora chegamos na penúltima e mais longa faixa, Song Of Myself com seus 13 minutos e 30 segundos. Ela é dividida em quatro partes: From A Dusty Bookshelf, All That Great Heart Lying Still, Piano Black e Love. Song Of Myself é uma homenagem ao poeta Walt Whitman, que tem um poema com o mesmo nome desta canção. A Dusty Bookshelf é uma intro instrumental, nada de mais. All That Great Heart Lying tem como destaque novamente Anette. É uma parte que mostra bem o que é o Nightwish, com seu ar “épico”. Piano Black é a parte mais arrastada da canção, não tão pela música (que diminui o ritmo também), mas pela voz de Anette, que abaixa de tom. Ela volta ao refrão de All That Great Heart Lying, até os 7 minutos, que começa Love, a melhor parte, consiste em citações e poemas de Walt Whitman, abra alguma página com a tradução da canção e a acompanhe, emociona de verdade, a melhor do disco! Depois desse “final” que seria perfeito, ainda tem mais uma música, e é a faixa-título, ela é instrumental e possuí um pouquinho de cada faixa anterior, tornando algo interessante, mas não original, poderia ter ela no começo ou como penúltima, só sei que Song Of Myself é a melhor faixa do disco e a mais emocionante, e que merecia encerrar o disco. Mesmo com esse erro, não dá dizer que é uma má faixa, ainda mais eu, que adoro essas “reprises”.

Imaginaerum foi algo feito para você se divertir e “viajar” com sua imaginação e pensamentos, a ídeia é muito boa, e o álbum é bom, a criatividade musical que Tuomas teve foi algo na média e como grande músico que ele é, esperava um pouco mais. Mas como disse, é algo divertido e que dá para você se jogar de cabeça legal no novo disco do Nightwish, vale a pena pela imaginação!