Anathema – Distant Satellites (2014)

Front

Origem: Inglaterra
Gênero: Rock Alternativo
Gravadora: Kscope

É sempre incomodante uma banda receber prestígio e respeito por fazer um som pasteurizado e sem tomar sequer pequenos riscos. Mas o que mais chama a atenção em Distant Satellites, o novo disco da banda britânica Anathema, é o fato do público alvo que mais elogiou o trabalho que a banda fez foi justamente o público do Rock Progressivo, um público que sempre demonstrou interessado na evolução das bandas dos quais gostam. Álbum após álbum, Anathema mudou de uma interessante – e de certa forma revolucionária – banda de Doom Metal para uma das mais aclamadas bandas de Rock Alternativo por esnobes do mundo musical, sejam próprios músicos, críticos ou fãs da banda.  Não que este grupo não tenha feito nenhum acerto durante seus 24 anos de existência. Na verdade, o grupo fez mais acertos do que erros. O maior defeito encontrado no décimo trabalho da banda é que o som está cada vez mais simplificado e empobrecido, ao mesmo tempo que fica mais sinfônico e bombástico, como se estivessem tentando esconder as próprias fraquezas.

Anathema possui canções mais longas do que uma banda de Rock Alternativo costuma produzir, mas o que é visto em Distant Satellites, falando em termos de execução e técnica, bandas como Coldplay parecem estar no mesmo nível. Com exceção dos ótimos vocais e do solo de guitarra na faixa que carrega o nome da banda, nada soa espetacular e até mesmo arriscado. E quando a banda tenta soar arriscado, soa como figurinha repetida em um álbum que não pertence. Existe explicação para o que é feito em “You’re Not Alone”, uma faixa que, além de ser próxima a algo que a banda já fez em discos passados, soa como uma das experimentações perdidas dos primeiros discos do Linkin Park? E as duas faixas que encerram o disco, a faixa-título e “Take Shelter”? Por mais que elementos de bateria e de Música Eletrônica não sejam novidade no som da banda, soam totalmente fora de contexto em Distant Satellites e por si só, como canções, são fracas e sem riqueza que a banda um dia demonstrou. E quando a tentativa de fazer um mais orgânico com a bateria é feito, soa sintético e sem sabor nenhum. Repare na faixa “The Lost Song, Part 3” e veja o quão fraco é a produção deste essencial instrumento.

E o que dizer das letras? O ponto mais fraco deste disco, definitivamente. Elas são simplistas, envolvendo temas como “eu perdi você”, “eu achei você”, “eu achei que perdi você”, “eu me perdi em você” e sentimentos de amor com uma pessoa que você um dia perdeu. São temas repetitivos despejados pelo disco de forma entediante. Ouvindo os vocais dos irmãos Cavanagh e de Lee Douglas, parece que montanhas então sendo movimentadas através de um rio de emoções caindo em uma cachoeira sem fim. Lendo, parece que um estudante do ensino médio andou assistindo muito romance adolescente e tentou escrever um álbum conceitual/temático, mas não havia muita criatividade e pensou que em jogos de palavras o fariam mais inteligente e sensível.

Distant Satellites pode ser um disco adorado, aclamado e soar excitante para um ouvinte de música. Não basta mais que uma boa aprofundada e um senso crítico comum para perceber que é um som não vai oferecer nada novo, seja para quem ouve ou para quem faz a música. Anathema já fez trabalhos mais ricos que este, como visto em Weather Systems de 2012, que valem muito mais a pena do que é visto em 2014. Anathema está cada vez tornando-se mais repetitivo, chato e careta, ao invés de dar um desafio ao seu ouvinte, que merece muito mais do que é apresentado aqui.

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Steven Wilson – The Raven That Refused To Sing (And Other Stories) (2013)

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Origem: Inglaterra
Gêneros: Rock Progressivo, Jazz Fusion
Gravadora: Kscope

Se você acompanha este blog a certo tempo, provavelmente já ouviu falar de Steven Wilson. Steven Wilson é cérebro por trás do grupo Porcupine Tree e fez interessantes parcerias, como Blackfield com o israelita Aviv Geffen e o mais recente como Storm Corrosion com Mikael Åkerfeldt, o líder do grupo sueco de Death Metal, Opeth, além de outros trabalhos seja na música ambiente como Bass Communion, No-Man,  Incredible Expanding Mindfuck, como produtor de discos como o clássico moderno do Opeth, Blackwater Park, e também por remixar os catálogos de bandas do Rock Progressivo, como Jethro Tull e King Crimson. Wilson é tipo de homem que não para no serviço, podendo ser classificado da mesma forma que podemos classificar o baterista Mike Portnoy, ex-Dream Theater e atual Adrenaline Mob e Flying Colors: como workaholic, um trabalhador compulsivo.

Além de já ter trabalhado em discos bastante aclamados como produtor, Wilson já lançou grandes discos, seja pelo Porcupine Tree ou seja em carreira solo, onde em 2011 lançou um dos melhores discos daquele ano (senão o melhor), Grace for Drowning, onde Wilson misturava diversos elementos do Rock Progressivo e da música experimental, que continua expandindo as ideias que seu o disco de estréia de 2008, Insurgentes, entretanto deixando de forma coerente e algumas vezes lindíssimas, como na faixa “Deform To Form A Star”. Wilson lança seu terceiro disco solo, The Raven That Refused To Sing (And Other Stories), um disco temático onde cada uma das 6 canções deste álbum conta uma história sobre o sobrenatural (e sim, as letras são interessantes e/ou bonitas). Para auxiliar na produção e para cuidar da engenharia de som foi chamado Alan Parsons, o mesmo engenheiro de som de The Dark Side of the Moon do Pink Floyd, ou seja, qualidade não é vai faltar nesta questão.

Mas não basta ter um excelente engenheiro de som e um “gênio” da música, é necessário uma excelente banda de apoio, e Steven Wilson tem. Na bateria temos Marco Minnemann, um estupendo baterista que quase entrou para o Dream Theater (que provavelmente não entrou porque não combinava visualmente com a banda). No baixo temos Nick Beggs, onde já capaz de ser do quão bom é este senhor ouvindo as faixas “Luminol” (que abre de forma sensacional o disco) e “The Pin Drop”. O guitarrista Guthrie Govan despeja belíssimos solos durante o disco, assim como o saxofonista, flautista e claretinista Theo Travis. E os teclados Adam Holzman são completos de bom gosto e nível técnico elevado. Com este time, Wilson não terá problemas, pois como ele é um “gênio” da música, ele fará um trabalho espetacular, certo? Não. Tem problemas, mas isso não diminui a qualidade do time de Wilson, pois os problemas não estão na banda de apoio, mas no próprio Wilson.

Quando Steven Wilson canta, raramente ele muda seu tom melancólico e apático. Você pode ouvir ele cantar em algumas canções de forma muito melancólica e/ou muito apática, porém dificilmente saíra disso. Seu vocal, apesar do autor deste texto gostar, não transmite emoções necessárias nas músicas, limitando o que o ouvinte pode sentir ao ouvir. Por exemplo: se Wilson tivesse outro vocalista em seu lugar, quem sabe este outro vocalista não canta-se/interpreta-se melhor que ele? Wilson pode atingir as notas certas, mas não consegue passar emoções além de melancólico e apático, o que pode irritar se você procurar variedade nos vocais e que transmitam uma maior diversidade de emoções. Isto quer dizer que Wilson é um mal cantor? Não. Apenas que Wilson poderia arrumar outro vocalista em seu lugar.

O seu canto, que é limitado (seja na demonstração de emoções ou no alcance de notas altas), afeta na qualidade das canções? Isto depende. Wilson em “Drive Home” inicia cantando de uma forma tão pavorosa que talvez seja seu pior momento como cantor, mas na faixa de encerramento, “The Raven That Refused To Sing”, Wilson canta de ótima forma, encaixando no que a música pede. E tem poucas diferenças da forma que ele canta em “Drive Home” e “The Raven That Refused To Sing”. Pela maior parte do tempo, os mesmos vocais melancólicos e apáticos se dão bem na proposta sonora, pois foram feitos para a voz de Wilson, mas não quer dizer que são sempre bem executados. Uma maior variedade nessa área faria o álbum mais forte.

O forte deste disco esta na química da banda de apoio e na execução instrumental. Nas 3 faixas mais longas do disco, percebemos o talento destes músicos e quão dispostos eles estão para ultrapassar seus limites, seja na complexidade com cara de Jazz Fusion de “Luminol” e de “The Holy Drinker”, ou na triste, porém bela canção, “The Watchmaker”, onde tem um um final explosivo incrível. As três mais curtas mostram o lado mais acessível da banda, com exceção de “The Pin Drop”, que mantém de certa forma esta acessibilidade por ser a canção mais curta do álbum (5 minutos). “Drive Home” e “The Raven That Refused To Sing” são lindas baladas. “Drive Home” possui um delicioso solo de guitarra, sendo a faixa mais leve em questão de atmosfera, enquanto a faixa de encerramento é a melhor canção que Steven Wilson já compôs, por simplesmente ser a faixa mais emocional que ela já criou. É a faixa onde maior será a chance de cair lágrimas de seus olhos, contendo um clima muito depressivo, porém magnífico, terminando da forma que você imagina Steven Wilson: melancólica e apática (apesar de não ser assim em suas entrevistas).

Mas temos outro problema neste disco. Ele é pequeno, mas é bom falar sobre ele. Se compararmos com seus discos solos anteriores, percebemos que Wilson não está experimentando da mesma forma de antes, e agora parece que está fazendo tributos a suas bandas favoritas de Rock Progressivo – em especial King Crimson -, chegando a usar o mesmo mellotron utilizado em In The Court Of The Crimson King, de 1969. Wilson usou um teclado com 44 anos de existência em seu novo disco. Se ele continua bom? Continua. E por mais que o disco soe em alguns momentos como tributos aos clássicos progressivos, não diminui a qualidade das canções ou tira a personalidade que Wilson impõe em suas músicas.

The Raven That Refused To Sing (And Other Stories) é, até o momento, o melhor lançamento de 2013. Combinando seus elementos do Rock Progressivo com fortes influências de Jazz Fusion e muitas improvisações, Steven Wilson pode ter orgulho em dizer que não é somente um disco tributo aos seus artistas favoritos, mas um álbum que se fosse lançado na época que Rock Progressivo era popular, seria tão aclamado quanto Aqualung do Jethro Tull, ou Tarkus de Emerson, Lake & Palmer, ou Foxtrot do Genesis, ou Fragile do Yes. Este não é melhor disco de Steven Wilson, porém é o mais acessível e de fácil assimilação em seu catálogo solo. Este músico/produtor/compositor britânico é altamente recomendável.

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Lay It On The Line – Crowhurst (2013)

Lay It On The Line - Crowhurst (2013)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Pós-Hardcore, Powerviolence
Gravadora: Fire Engine Records

Não é a primeira vez que esta ótima banda do sul de Londres aparece aqui no Images & Words (e não será a primeira vez que eu a recomendo). Formada em Janeiro do ano passado, Lay It On The Line acaba de lançar seu primeiro álbum de estúdio (um “mini-álbum” se assim podemos dizer) mantendo aquele peso em suas canções hardcore com influências que vão do Grindcore, Thrash Metal e até Black Metal (principalmente nos brilhantes vocais de Mike Scott), mas retém uma personalidade própria na qual me traiu tanto para este tipo de som que, honestamente, nunca fez minha cabeça. A banda apresenta, além de uma incrível energia e agressividade, trabalhos conceituais baseados em histórias reais. Na demo Midnight In The Bellagio, que foi lançada no primeiro mês de existência do grupo, era conceitual, assim como o EP lançado poucos meses depois também era conceitual, e assim como Crowhurst não é diferente.

O conceito abordado neste disco é sobre a morte do empresário Donald Crowhurst que ocorreu em 1969. Crowhurst foi um homem que fez uma viagem solo em uma corrida de iate para dar a volta ao mundo e seu objetivo em vencer esta corrida era fugir de uma futura falência em seu negócios, que iam cada vez mais fracassando. Nesta viagem, Crowhurst foi a insanidade, o que acabou levando ao seu suicídio, ficando 243 dias no mar preso em seu iate, onde mentiu diversas vezes sobre suas coordenadas para parecer que estava vencendo a Sunday Times Golden Globe Race. Não bastando uma instrumentação diferenciada de outras bandas de hardcore e um excelente vocalista, mas Lay It On The Line prova estar muito afrente de outras bandas do gênero por fugir do conteúdo lírico óbvio que muitas delas apresentam e por também escrever boas letras. Esta banda londrina mostra que tem profundidade, criatividade e até mesmo curiosidade na hora de escrever novo material.

Mas o grupo não é somente bons em suas letras. Canções como “Triumph”, “Lying Now” e a faixa de abertura, “1968”, apresentam ótimos e empolgantes riffs. O grupo apresenta momentos grudentos e cativantes, como o refrão de “October 31st”. Se você gosta de um curto e rápido hardcore, você provavelmente vai se deleitar com a veloz “Nobody Likes A Quitter”. A faixa que encerra o disco, “243”, inicia com um bonito violão acústico (que dura pouco), que desembosca na melhor canção deste álbum. E claro, os vocais são a melhor parte de Lay It On The Line, como já comentei na resenha do EP A Lesson In Personal Finance. Naquela análise, eu disse que os vocais de Mike Scott eram “uma versão mais grave dos vocais neandertais de John Dyer Baizley do Baroness”. Foi um ledo engano. Os vocais estão mais para uma versão moderna de Varg Vikernes, conhecido por seus crimes e pelo seu trabalho como Burzum. Você percebe esta semelhança principalmente nas faixas “Lying Now” e “Tetley”.

Nem tudo é perfeito neste mini-álbum. Alguns riffs não são tão bom quanto outros, assim como nem todos os finais das nove faixas apresentadas aqui mantém a qualidade. Entretanto, isto não diminui o nível de qualidade que é enviada para nossos ouvidos. Lay It On The Line é mais pesado e consistente que muito grupo de metal moderno, além de ser interessante e até desafiadora para quem não sabe o que esperar deste ótimo grupo londrino. Crowhurst é uma excelente estréia que deverá ser apenas um pequeno passo para o grupo, mas quem sabe no futuro, ajudará a banda chegar mais longe. São 19 minutos de boa música que você deve conferir. Se decidir conferir, clique aqui. Aproveite e confira outros lançamentos da banda.

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Saxon – Sacrifice (2013)

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Origem: Inglaterra
Gênero: Heavy Metal
Gravadora: UDR

O Saxon continua aí, na estrada. Apenas dois anos depois de “Call To Arms”, o então último disco deste grupo, a banda volta ao estúdio e sem muito alarde e frescura lança “Sacrifice”, com uma capa inspirada na cultura maia. E o que dizer sobre o lançamento? Que continua sendo o Saxon dos riffs poderosos e um bom e vigoroso vocal de Biff Byford. É o conhecido heavy metal que a banda sempre faz, com algumas eficientes músicas e outras nem tanto. Destaco as 6 primeiras faixas, que realmente são mais robustas do que o restante do disco (4 mais faixas). E é isso, o Saxon lança uma regular para boa compilação de heavy metal, uma divertida mesmice que pode se tornar uma interessante trilha-sonora para um domingo de folga. Cito algumas das canções que mais me chamaram a atenção: a faixa-título, a rápida “Warriors of the Road”, e a minha favorita, “Guardians of the Tomb”.

Não é conteúdo para álbum do ano ou top 10 de 2013, ouça por diversão se esse tipo de som te agrada, se não, recomendo ficar longe.

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Placebo – B3EP (2012)

placebo_b3epOrigem: Inglaterra
Gênero: Rock Alternativo
Gravadora: UMe

Depois de um saudável hiato que durou 3 anos fora dos estúdios, Placebo volta sucedendo o seu último disco de estúdio, o até bonzinho Battle for the Sun. E o lançamento de inéditas chama-se B3EP como você consegue ler no título, um EP de 5 faixas e que dura pouco menos do que 25 minutos. Pouco conheço a banda, antes de B3EP apenas tinha ouvido o já citado Battle for the Sun, o achei interessante e gostei dele, tá bom que cada audição à mais eu gostava menos e menos, pois fui percebendo a fórmula parecida e simples que ele continha. E quando foi lançado o EP de 2012, fiquei interessado para saber aonde a banda, que já tem quase 20 anos de existência, gostaria de chegar. É uma banda que já tem sua base de fã construída, vender, o lançamento de inéditas vai vender, só restava saber se iria ser a mesma fórmula de Battle for the Sun, ou a banda pensaria grande e arriscaria influências diferentes do que estão acostumados  (e nada melhor do que arriscar influências novas do que um EP sem compromisso, ainda mais depois de 3 anos sem nenhuma faixa inédita, já que os fãs não vão se contentar com apenas 5 faixas e irão querer mais algum álbum completo por no máximo 2 anos, e agora que estão com tanque cheio, dificilmente não virá um novo disco nos próximos anos).

E ouvindo o lançamento, digo que continua o mesmo e acomodado Placebo de 3 anos atrás, o hiato de 3 anos fora dos estúdios não favoreceu em nada. As faixas são ruins? Não, apenas descartáveis. A voz de Brian Molko continua a mesma, com a mesma interpretação de sempre, assim como as guitarras, mais do mesmo de Battle for the Sun. Todas canções se encaixam perfeitamente do contexto do disco de 2009, e SE a quarta e penúltima faixa, I Know Where You Live fugisse disso, poderia se tornar algo interessante, mas como não faz isso, apenas uma música regular e descartável como o resto. B3EP nasce para fazer a alegria dos fãs do atual Placebo,  pois não muda. Se você não for exigente quanto à isso, até recomendo à experimentar ouvir esse lançamento, tenho a certeza que irá ouvir, e ouvir, e ouvir, e ai cansar, mas talvez consiga alguma diversão.

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Lay It On The Line – A Lesson In Personal Finance (2012)

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Origem: Inglaterra
Gêneros: Pós-Hardcore, Powerviolence
Gravadora: Independente

Lay It On The Line é uma banda do Sul de Londres formada em Janeiro de 2012 e o EP de estréia da banda, A Lesson In Personal Finance, é uma estréia poderosa. Não estou mencionando a demo que a banda gravou em Janeiro do mesmo ano, Midnight In The Bellagio, como a estréia por ser uma demo e porque os próprios membros da banda recomendam você ouvir este EP no qual eu estou resenhando lançado em Julho (mas eu particularmente recomendo a demo). O que o grupo tem a oferecer para o mundo com sua música? Muita, mas muita agressividade envolvido por boas (e criativas) composições. O grupo pretende lançar somente trabalhos conceituais envolvendo histórias reais, como é o caso da demo e deste EP.

O conceito do EP é sobre um professor da escola de dois integrantes da banda na década de 1990 que foi morto por um garoto de programa (sim, garoto) que não recebeu o dinheiro que deveria receber pelo programa e decidiu assaltá-lo, e em um acidente matou o professor, que tinha acabado de se aposentar. Se o conceito já é algo bastante impactante e forte, a música do grupo segue no mesmo nível. Os vocais de Mike Scott, uma versão mais grave dos vocais neandertais de John Dyer Baizley do Baroness, são uma das melhores partes do som da banda. Mas ele está acompanhado por uma banda competente e pesada, em uma sujeira orgânica que vai deixar uma forte impressão no ouvinte.

As músicas do grupo são curtas – a mais longa chega a ter 2:39 de duração -, mas a banda compensa a curta duração em uma enxurrada sonora de riffs, que nem sempre são os mais interessantes, mas são decente, e em alguns casos, a faixa fica incompleta ou subdesenvolvida, como é o caso de “Pay Your Rent, Boy”, que não chega a marca de 1 minuto de duração. As letras do grupo, diretas e agressivas, ajudam na proposta do grupo, que tem influências desde clássicos do Metal como Dio e Iron Maiden a cena Grindcore. Não é apenas um trabalho recomendado, mas sim uma banda recomendada. Não é das mais fáceis de digerir, entretanto, quando digerida, é recompensadora. Você pode conferir todos os lançamentos e os próximos lançamentos da banda clicando aqui.

Sem título-19

Crippled Black Phoenix – (Mankind) The Crafty Ape (2012)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Pós-Rock, Rock Progressivo, Pós-Prog, Rock Espacial, Ambiente
Gravadora: Mascot Label-Group

O Crippled Black Phoenix é sem dúvida uma das maiores revelações da última década, liderado por Justin Greaves (que já fez parte de bandas como Borknagar, Electric Wizard e Iron Monkey, sendo um dos fundadores dessa última). O CBP não é uma banda comum, mas sim uma espécie de projeto itinerante que teve início em um encontro descompromissado de Justin e Dominic Atchkinson, do Mogwai. Ao todo, foram mais de 25 membros que gravaram com a banda (fora os músicos de turnê), isso de certa forma contribui para que a musicalidade da banda mude com o passar do tempo.

“(Mankind) The Craty Ape” é uma espécie de desafio á capacidade da banda, já que eles provaram não ser um simples “Desert Sessions pseudo-cult”, pegando como exemplo  “I, Vigilante”, LP lançado em 2010 e que pode facilmente encabeçar uma lista de melhores discos da década até então. Esse é o 4° trabalho do supergrupo e é um álbum duplo, geralmente bem comum pro gênero. Justamente nesse ponto o projeto se destaca, pois embora tenha suas raízes no Post/Prog, viaja por uma infinidade de gêneros, indo desde o Stoner Rock até o Jazz.

“Nothing (We Are…)” abre o disco de maneira bem peculiar, uma introdução de pouco mais de um minuto com um ruído e um discurso que parece ter saído de algum lugar da década de 1950, essa que emenda a ótima “The Heart of Every Country”, que é um dos destaques do disco, remetendo vagamente á era Pink Floyd “pré-Dark Side of the Moon”. Nessa mesma pegada, o disco procede até “In the Yonder Marsh”, faixa de 4 minutos que consiste em ruídos. Por mais que as idéias de “ambient” e “música experimental” procedam aqui, essas faixas curtas são fillers espalhados ao longo dos dois discos, divididos entre seus três atos.

Entre “A Letter Concerning Dogheads” e “Release the Clowns”, o disco realmente chama a atenção e prende o ouvinte. Da faixa 5 até a faixa 9, respectivamente, podemos notar influências de Blues, Sludge e até um Rock Alternativo com caráter pop, todos conduzidos pelos excelentes vocais. “(What)” vem para fechar o primeiro CD, nada mais que uma pequena faixa com cara de música tradicional italiana. O segundo CD se inicia com “A Suggestion (Not a Very Nice One)”, onde a ótima voz de Justin se destaca novamente (este canta boa parte do disco, dividindo os vocais com Miriam Wolf) .

O segundo disco é uma verdadeira viagem. Embora aqueles fillers apareçam aqui (inclusive, inseridos dentro de outras faixas), eles até que fazem um pouco de sentido, uma vez que essa sequência de canções parece ter sido concebida para ser escutada continuamente, se possível deitado na cama durante um dia chuvoso. Os arranjos são incríveis e isso é perceptível em “Operation Mincemeat”, talvez a melhor faixa do disco. Fato é que, usar aproximadamente 80 minutos para escutar esse trabalho por inteiro é um tempo muito bem aproveitado e que fará o disco soar melhor.

The Crafty Ape tem sim seus defeitos, mas seria de extremo mau gosto falar que esses ofuscam a beleza do disco. Compará-lo com “I, Vigilante” é uma maldade (aliás, comparar qualquer disco com o citado é algo de má fé), mas o LP dá conta do recado e consolida o trabalho do projeto. Mais um ótimo disco desse ano de 2012.