Nirvana – Nevermind (1991)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Grunge, Rock Alternativo
Gravadora: DGC

Nirvana. Para alguns, o último grito do Rock. Para outros, um grande lixo. Mas é inegável que Nevermind, segundo disco da banda que era composta por Kurt Cobain (vocalista e guitarrista), Krist Novoselic (baixista) e Dave Grohl (baterista), foi uma grande revolução do Rock e da adolescência da década de 90. Era o que a MTV precisava para combater o sucesso absoluto do Guns N’ Roses. Mas uma pergunta que fica em minha cabeça é se esse disco é isso tudo que alguns críticos dizem. Nevermind é mesmo um dos melhores álbuns de Rock da história? E também tenho uma outra dúvida em relação a este disco. Será que após 20 anos de seu lançamento, ele soa datado? Ou continua sendo tudo o que dizem? Vamos conferir isso em quase 43 minutos, divididos em doze faixas.

Começamos com o clássico e o maior hit da banda, “Smells Like Teen Spirit”. São 5 minutos bem gastos eu diria. Uma canção carregada, suja e orgânica, com um refrão explosivo e contagiante, sem contar com um bom solo de guitarra que entra na atmosfera, sendo melhor que muitos solos virtuosos. É difícil você não se deixar levar pelo peso proposto pelo trio e na voz – ora depressiva, ora agressiva – de Kurt Cobain, que possui um timbre único e interessante de se ouvir. A faixa a seguir é “In Bloom”, outra canção explosiva, e até mais pesada que sua antecessora. Por mais que digam que “Smells Like Teen Spirit” é a grande canção da banda, eu prefiro “In Bloom”, ela tem uma energia mais negativa, e eu gosto da atmosfera e distorção de guitarra que ela transmite. Destaque para o baixo, que mesmo não fazendo grandes coisas, é marcante em algumas passagens, e o solo de guitarra, que considero o melhor feito no álbum, apesar de muito curto.

“Come As You Are” é uma mistura na estrutura “Smells Like Teen Spirit” com a atmosfera de “In Bloom”, mas sem o peso da última. Se você prestar atenção em “Come As You Are”, principalmente no pré-refrão, você sentirá a sensação de estar ouvindo a faixa de abertura do álbum, e parece que ouvirá um “Hello, hello…”. É um déjà vu para lá de estranho. Apesar de ser uma canção fácil de assimilar e lembrar, ela não mantém o mesmo nível das anteriores, mas não deixa de ser uma canção boa. Em seguida vem a rápida e barulhenta “Breed”, e se a Avril Lavigne fosse homem e tivesse um espírito mais para o Rock n’ Roll, você poderia pensar que essa é uma música dela. Não estou brincando. Dá até para esperar ouvir algumas palminhas no refrão. Honestamente, não é uma má canção, mas não é daquelas que você vai querer ouvir todo o tempo. É mediana.

“Lithium” é a próxima. Kurt Cobain decide homenagear os Beatles, os reis do iê iê iê, e a homenagem se encontra no pré-refrão, é só conferir a música, já que Kurt repete bastante o seu pequeno tributo musical (21 vezes ao todo!). A canção tem um clima bem obscuro e um refrão explosivo. É uma canção bacana e seria melhor sem o excesso de homenagens aos Beatles. A primeira balada do disco é “Polly”, e é uma canção que eu particularmente gosto bastante de ouvir. Uma faixa acústica e bem calma, porém não sofre de um problema que muitas canções desse estilo sofrem: a facilidade com que são esquecidas. “Polly” é uma faixa que você irá lembrar em algum momento do seu dia a dia e ficará na sua cabeça. Não dá mesma maneira como “Smells Like Teen Spirit” e “In Bloom”, mas é sem sombra de dúvidas uma boa música.

A partir dessa faixa, “Territorial Pissings”, a qualidade de Nevermind cai de maneira gigantesca. Com uma introdução estranha e até engraçada, temos um momento hardcore da banda, e Kurt Cobain quase se mata cantando a canção, principalmente no seu final. É a mais pesada e a mais estúpida do disco. E após “Territorial Pissings”, Nevermind virá um álbum esquecível e fraco, e posso dizer que até acaba a diversão que você sente ouvindo o grupo. É como se a banda tivesse guardada várias demos em sua biblioteca e decidisse lançar no álbum para preencher espaço. Apesar de ter alguns momentos bacanas, boa parte do que está contido nestas 5 últimas faixas são de um nível comum e pobre musicalmente. E o encerramento, “Something In The Way”, é uma balada acústica como “Polly”, porém um pouco mais longa e muito, mas muito depressiva. Não consigo critica-la ou elogia-la, mas é um encerramento esquisito e tenso, porém é bonito e tem um refrão bom.

E este é Nevermind, segundo disco do Nirvana. Como eu descrevi acima em minha opinião, Nevermind não é tudo aquilo que dizem em termos musicais, mas mesmo assim, a banda demonstra coisas interessantes e boas para ouvir. Mesmo com três ótimas canções, não são o bastante para eu mudar a minha opinião sobre o álbum, que sinceramente, é superestimado. E o mesmo vale para a banda. Kurt não era um bom cantor, mas possui uma voz incrível e era esforçado. Grohl mostrou-se competente, mas nada do tipo “melhor baterista da história”, como os fãs dizem. E Krist faz seu trabalho da melhor maneira que ele consegue. E para terminar, Nevermind soa ou não datado? Não, não soa datado. Por mais que a atual cena musical não favoreça a surgirem bandas orgânicas e sujas como o Nirvana, ainda existem bandas que fazem essa sujeira, com ou sem influência do trio, como o Baroness e o Mastodon. Mas provavelmente, daqui a 20 anos, Nevermind soará datado. E por mais que você ache que Nirvana seja um lixo, eu recomendo ouvir o disco. É no mínimo divertido e tem certas coisas que talvez você pode gostar, basta dar uma chance.

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Blink-182 – Neighborhoods (2011)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Pop Punk
Gravadora: DGC, Interscope

Após um longo hiato de seis anos, o blink-182 retorna com um cd de canções inéditas. A banda criada em 1992 pelos amigos Tom DeLonge  e Mark Hoppus lança seu sexto álbum, e vamos à análise. Antes de tudo, gostaria de falar que este CD começou a ser produzido em meados de 2009, ano que a banda anunciou que estaria de volta com o novo álbum no quinquagésimo primeiro Grammy Awards, o que levou os fãs do blink à loucura.

Começamos o CD com “Ghost On The Dance Floor”, que tem uma batida muito boa, além de sua letra introduzir a evolução literal do grupo, que pode ser explicitamente notada ao longo do disco. Logo após temos a faixa “Natives”, uma das minha favoritas nesse CD. Ele tem uma batida contagiante, e o revezamento no refrão da música entre o Mark e o Tom é bastante notável, além de ficar na cabeça por horas. Logo após temos o primeiro single do álbum, “Up All Night”. A melodia em si é bastante legal, assim como a voz do Tom, porém a letra ficou meio fraca e repetitiva, mas mesmo assim é viciante, não desgruda da mente.

Depois do primeiro single, já temos o segundo. “After Midnight” é mais calma do quê as outra, porém é uma das melhores faixas do CD. Letra, melodia e a batida da música se harmonizam perfeitamente, e mais uma vez Mark Hoppus aparece no refrão dessa música, afinal a voz de Tom é boa, mas é, digamos que um pouco enjoativa. Logo após temos “Snake Charmer”, uma música razoável, bastante calma também, mas dessa vez não temos a participação de Mark nos vocais, o que a torna um pouco enjoativa.

Em seguida temos “Heart’s All Gone Interlude”, que é um intervalo entre as faixas, e ele também pode ser considerado como uma introdução a próxima canção, “Heart’s All Gone”. Esta música nos lembra um pouco mais o blink-182 de antigamente, porém com uma pitada da evolução do blink. Temos uma batida mais rápida, uma letra brincalhona, mas sem perder o lado sério. O interessante nesta música é que temos o Mark fazendo um belo solo de baixo, algo não tão comum na música atual.

Em seguida temos uma sequência de três músicas que podemos analisar de uma maneira geral. “Wishing Well”, “Kaleidoscope” e “This is Home” são músicas razoáveis, que tem o refrão e a melodia de fácil associação, além de serem músicas chicletes, que ficam na cabeça, mas nem por isso deixam de ser boas. “MH 4.18.2011″ é uma das faixas mais interessantes do álbum e uma das minhas preferidas. Mark tem um talento imenso para fazer músicas viciantes, com refrões fáceis e batida sensacional, além da voz do Tom ajudar muito, pois a voz dele fica na sua cabeça. “Love is Dangerous”, “Fighting the Gravity” e “Even If She Falls” são faixas mais experimentais, que tem letra e melodia nunca usadas pelo grupo, o que leva os fãs à estranharem um pouco, mas foi um belo jeito de fechar o CD.

Mark, Tom e Travis fizeram um excelente trabalho, principalmente para quem passou quase dez anos sem um CD de inéditas. É um álbum que pode agradar todos os gostos musicais, e é muito divertido de se ouvir. O blink-182 nunca foi uma banda de vocais guturais ou solos sensacionais de guitarra, porém o conjunto da obra, ainda mais com a excelente bateria do Travis Barker, faz um blink ser uma banda muito boa, com o último CD muito consistente.

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Rise Against – Endgame (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Hardcore Melódico, Punk Rock, Rock Alternativo
Gravadoras: DGC, Interscope

O grupo americano Rise Against lançou seu sexto disco em 11 de Março deste ano e foi produzido por Bill Stevenson. A banda de Chigaco, Illinois, foi formada em 1999 e o grupo consiste em Tim McIlrath (vocalista e guitarrista secundário), Zach Blair (guitarrista principal e backing vocals), Joe Principe (baixista e backing vocals) and Brandon Barnes (baterista e percussionista) e o som da banda, com muita pegada hardcore e não tende a fazer muitas frescuras (lê-se solos longos e baladas românticas), pelo menos neste lançamento.

O disco tem 12 faixas e duração um pouco superior a marca de 46 minutos. É um disco que a menor música é a faixa-título de 3:24, que aliás é a faixa de encerramento do disco e a maior, “Midnight Hands”, obtém a marca de 4:18, então a duração das faixas não é de grande importância. O álbum começa com a faixa “Architecs”, uma boa faixa para se começar um CD. Ouvindo o disco, sinto que qualquer música dele poderia ser considerada possíveis singles, pois nenhuma delas são ruins e todas funcionam tanto isoladas quanto em “família”, mas isoladamente elas soam melhores. É o tipo de disco que na primeira vez que você escuta você já sabe se gostou ou não. Não requer audições extras para saber se gostou ou não, se absorveu as ideias ou se ainda não as entendeu, sendo o tipo de disco chamado “fácil de escutar”. Ele também é simples, nada muito complexo, além de ter alguns momentos melódicos até irritantes, já que o vocalista não encaixa nesse tipo de som, porém possui momentos bem empolgante, e não possui faixas em destaques, mas alguns momentos merecem destaques, como os riffs de “Help Is On The Way”, de “Broken Mirrors” e de “A Glentleman’s Coup” e o baixo matador na intro da faixa-título. É um bom disco, mas apenas isso. Se você gosta de um som direto e que as vezes soa como se fosse parecido, Endgame do Rise Against é sua escolha.