Murder Construct – Results (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Grindcore, Death Metal
Gravadora: Relapse Records

Se você achou que Suicide Silence era pesado, espera para escutar “Results”, o disco de estréia da banda oriunda de Los Angeles, Califórnia. Vamos falar sobre o disco que talvez seja o mais pesado do ano ou dos últimos anos. Murder Construct é um supergrupo de Grindcore e Death Metal formado por músicos que já vinham de bandas desse gênero ou de gêneros bem experimentais, como o baterista Danny Walker, que também toca na banda Intronaut, uma banda experimental de Pós-Metal Progressivo. E não tem muita coisa para se dizer sobre ele. Ou você irá gostar da primeira faixa até a última faixa, adorando seu peso, os guturais insanos e a velocidade absurda, ou não irá passar dos 30 segundos de “Red All Over”, música que abre o disco.

Antes de mais nada, Murder Construct é composto por excelentes músicos. Há muitos momentos no disco que você se impressiona com a habilidade técnica destes integrantes. Mas as músicas são boas? Isso vai depender de seu gosto. Se você gosta de MPB mas odeia Metal, isso vai passar alguns anos-luz por você. Se você gosta de Iron Maiden e do Heavy Metal clássico, “Results” será um disco que não vai te agradar. Se você gosta de Suicide Silence e algumas bandas que tocam tão pesado ou até mais que o grupo citado, talvez você goste, mas você certamente vai sofrer. São 29 minutos divididos em 11 faixas de pura porrada com pouquíssimas pausas, e quando tem são curtíssimas.

“Results” é um ótimo disco de estréia para a banda. Extremo, brutal e feroz do início ao fim. Ou pelo menos quase ao fim. A canção final, “Resultados” (é assim mesmo o nome da música, e não “Results”, como alguns devem pensar assim que lerem o nome da faixa) encerra de maneira estranha e solta pelo disco, pois não temos um momento próximo ou parecido em lugar nenhum do álbum, mas é certamente um dos melhores e até bonito, mostrando que seus músicos não são apenas headbangers comuns. Em resumo, posso dizer que “Results” é um dos meus candidatos a disco do ano e que vale muito a pena dar uma conferida nesta banda e em seu material, assim como no EP de 2010 auto-intitulado. Ambos lançamentos muito bons e consistentes no querem passar para o ouvinte. Mas não espere algo fácil nas primeiras audições. Esta banda requer audições extras para pegar sua magia.

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Baroness – Yellow & Green (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Sludge Metal, Indie Rock, Rock Alternativo, Rock Progressivo
Gravadora: Relapse Records

Começo essa resenha ressaltando que, sim, você não leu os gêneros de forma errada e eu não errei enquanto os escrevia.

“Qual a diferença entre um artista de metal quando comparado a um artista de outro gênero?” (Além do estilo que a banda toca, óbviamente). Minha resposta é a seguinte: Uma banda de outro gênero pode passear tranquilamente por sub-gêneros próximos sem que a maior parte de seus ouvintes coloque fogo em tudo relacionado aquela banda e declare ódio público.

Por incrível que pareça, isso não aconteceu com o Baroness. Talvez pelo fato de não serem tão conhecidos ou pelos apreciadores do cenário Sludge terem a mente um pouco mais aberta. Felizmente, o quarteto já experiente e proveniente de Savannah, GA (berço da cena contemporânea do estilo) conseguiu fazer isso ao longo de sua carreira com maestria. As mudanças foram acontecendo aos poucos, mas de “First”- EP ainda cru de 2004 – ao excelente “Blue Record” de 2009 existe uma mudança radical, desde os vocais do gênio John Baizley até a as letras.

Em “Yellow & Green”, o grupo foi além. Eles se mantiveram no nicho sludge mas acabaram gerando uma discussão sobre um possível novo ”sub-sub-gênero” denominado “melodic sludge metal”. O disco possui melodias mais cadenciadas e concretas, tornando a técnica dos músicos ainda mais visível. Resumindo, isso caiu como uma luva para a banda, lembrando muito o que aconteceu com o Kylesa em “Spiral Shadow” de 2010.

Muitos “headbangers” torceram o nariz pela falta de músicas parecidas com as encontradas em material antigo. Talvez “Take My Bones Away” ou March to the Sea”, ambas do Disco 1 (sim, é um album duplo). Mas o álbum NÃO possui sequer uma música que possa ser chamada de ruim. Cada música possui sua identidade, não temos fillers, enquadrando nisso inclusive as faixas instrumentais curtas que abrem os 2 CD’s, o que já é de praxe nos full-lenghts da banda.

O disco possui “baladas”, o que é incomum pro sludge e acaba aproximando o estilo da banda pro prog  – no CD 2 (Green) beiram o Indie Rock – Mas as guitarras ainda estão lá, a bateria seca também e produção segue a linha dos dois registros anteriores: áudio bom, porém nada de músicas polidas e recheadas de overdubs e auto-tune. O resultado de tudo isso não pode ser outro, senão o melhor álbum da carreira dessa brilhante banda.

Mastodon – Leviathan (2004)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Heavy Metal, Hardcore, Metal Progressivo, Rock Progressivo
Gravadora: Relapse Records

O Mastodon talvez seja a banda mais notável do movimento (paga pau dos ingleses) New Wave Of American Heavy Metal. A banda mistura com maestria o Heavy Metal com principalmente o Hardcore, Rock e Metal Progressivo. A banda na época formada por Troy Sanders (vocal, baixo), Brann Dailor (Bateria), Bill Kelliher (guitarra) e Brent Hinds (vocal, guitarra) trazia em 2004, com seu estilo único, talvez o melhor CD do ano.

O álbum é conceitual, tem como tema o romance clássico Moby-Dick, uma grande baleia feroz e seus confrontos com os humanos, nesse caso especificamente com Ahab. A história é muito bem contata, com cada música levando um ponto de vista e mostra como o Mastodon também manda bem na parte lírica. A capa é espetacular, com uma arte gráfica que me encantou quando vi. No primeiro álbum (Remission, de 2002, excelente estréia), a banda usou como tema base o fogo. E continuou tratando dos quatro elementos (fogo, terra, água e ar) em cada um dos seus primeiros quatro álbuns. Nesse disco, o tema base foi a água, usado de maneira surpriendente.

O vocalista principal (Troy Sanders) tem um jeito único de cantar. Sua voz é sempre agressiva, mas sempre alternando entre os vocais “limpos” e “ásperos”, aonde sua voz se torna extremamente empolgante. Brent também auxília muito com isso também, seguindo a mesma linha vocal. Instrumentalmente, a banda também é excelente. O que mais me impressionou foi o baterista Brann Dailor. O cara traz uma agressividade para as músicas como nunca fez antes (e não fez mais até hoje) que combinam perfeitamente com o tema da agressividade dor mar e da Moby-Dick. Mas isso não ofusca Brann, Bill e Troy, pelo contrário, cria uma harmonia muito agradável. E os riffs? É sentar, escutar e sentir o prazer de ouvir algo assim.

A primeira faixa, Blood And Thunder, mostra a visão da Moby-Dick, que não nenhum humano conseguirá nada contra ela. É provavelmente a faixa mais empolgante do álbum. O refrão”White Whale – Holy Grail” provalmente vai ficar um bom tempo grudado na sua cabeça. O início faz qualquer um querer “banguear”. Destaque para os riffs empolgantes dessa faixa. Troy também destrói, tanto no baixo como principalmente nos seus vocais agressivos. É a música que mais recomendo pra se conhecer a banda. A próxima é a I Am Ahab, com início de mais uma vez empolgante, riffs incrívelmente bem feitos e o Dailor dando show na bateria, e isso se leva por todo o disco. A música fala de Ahab, o navegador inimigo de Moby-Dick, que mostra como o mar é sedutor e tentador.

A próxima é Seabeast, provavelmente a minha favorita do CD. Seu início é monótomo (pelo menos se comparado com o resto do CD) até que começa uma linha de guitarra que te seduz por toda a faixa, que conta sobre o primeiro confronto com a baleia. A seguinte é Island, muito pesada (provalmente a mais pesada), com um excelente solo e Troy berrando, e muito. Conta a tentativa dos navegadores tentarem chegar em uma ilha para se salvarem. A próxima é Iron Trusk, que conta o ataque efetivo à Moby-Dick. Mais uma faixa empolgante, só que com menos peso que a anterior. Mais uma vez destaque para os riffs. A sexta faixa é Megalodon, que segue a mesma linha de Seabeast, até Brann detonar e deixar a música muito pesada. Ela fala de visão grotesca que os humanos tinham de um ser como a Moby-Dick. A próxima é Naked Burn, que fala sobre fé e da tentativa de se salvar em certa parte do confronto com a baleia. Destaque aqui para os vocais limpos da dupla de Troy e Brent.

A oitava é Aqua Dementia, onde se distacam os vocais urrados e a influência hardcore. Destruição é o tema dessa vez. A penútima é Hearts Alive, que finaliza a história contando o desespero após o confronto, aonde todos acabam se afogando. A faixa é mais tranquila se comparada com o resto do disco instrumentalmente, já que vocalmente Troy continua variando seu lado mais calmo com o mais agressivo. Para finalizar o disco, vem a bela instrumental Joseph Merrick. Para que não sabe, Joseph Merrick é o nome do homem que teve uma doença grave e acabou ficando famoso como o homem elefante (ligação com Mastodon, já que Mastodon era o nome dos elefantes pré-históricos, antes mesmo de serem chamados de Mastodontes). Essa faixa merecia um belo acústico, de tão bela e bem composto que é. Se você não é fã de música pesada, e sim quer escutar algo belo, essa é a sua faixa.

Para aqueles que reclamam que o rock e o metal morreram, que não tem nada de tão interessante hoje em dia, bandas como o Mastodon, Opeth, Alter Bridge, Edguy, System Of A Down e Rival Sons dão um gancho em quem fala algo assim. O Mastodon é uma das bandas mais criativas e únicas do metal hoje em dia, e o Leviathan, com todas as suas excelente músicas, pelo menos até hoje, é a sua obra-prima. Está no meu top 5 da última década.