Ghost – Infestissumam (2013)

Ghost - Infestissumam (2013)
Origem:
Suécia
Gêneros: Heavy Metal, Doom Metal
Gravadoras: Loma Vista, Sonet Records

Três anos após o aclamado “Opus Eponymous”, o Ghost volta com “Infestissumam”. Muitos tem falado bastante do novo álbum dos suecos, e ele vem recebendo críticas mistas quanto à seu conteúdo. Damos de cara com “Infestissumam”, uma intro que inicia com um coral fazendo uma espécie de “reza satânica” (que é o tema que o Ghost aborda em suas músicas), e em seguida temos “Per Aspera ad Inferi” que mostra que a banda continua com a mesma sonoridade do primeiro álbum, conseguindo nos mostrar um lado sutil do Heavy Metal, sem peso e muito agradável de se ouvir.

Logo após, temos uma das melhores faixas do álbum: “Secular Haze”. Seu início que lembra músicas de “circo”, porém com um aspecto sombrio e logo as guitarras não poderiam soar melhor, a música fala sobre uma espécie de “névoa assassina”. Ela tem um refrão melódico que gruda em sua cabeça, é realmente uma ótima música. Se existe alguma influência Pop neste álbum, aqui está ela. “Jigolo Har Megiddo” é uma música um tanto quanto “animada”, talvez só seja possível acreditar que ela é do Ghost pela voz e até mesmo por algumas partes instrumentais. Não é uma música ruim, só é diferente do que o Ghost havia tocado em “Opus Eponymous”, aqui está o que muitos acharam o ponto fraco do álbum, porém, não vi nada demais, e em minha opinião, é até um ponto forte. Ela fala sobre um homem que “prega” a palavra de satã, como se fosse algo bom.

A seguir, temos “Ghuleh/Zombie Queen”, a maior faixa do álbum. Ela tem 07:29 e possui dois ritmos diferentes. Iniciando como uma balada, bem calma, muito boa. O vocal de Papa Emeritus II é bem suave e calmo. Então, temos mais um pouco de influência da Surf Music quando começa. A música fica mais agitada, e contamos até com o coral da primeira faixa. Ela é muito boa e mais rápida do que todas as faixas que o Ghost já havia lançado. Obviamente, a música fala sobre Ghuleh, a Rainha Zumbi. Essa faixa em especial mostra que a influência da Surf Music não foi uma coisa ruim, mas sim um tiro no lugar certo. Ahá, agora sim falamos minha língua. Nos deparamos aqui com “Year Zero”, onde toda a obscuridade volta e o satanismo também. Começando com um coral falando palavras em latim, e logo partindo para a guitarra. Todo o instrumental desta música é incrível, e ela é mais uma daquelas músicas chicletes, o vocal de Papa aqui é perfeito. A música é uma espécie de “Boas-Vindas” á satã à um novo ano. Esta é com certeza uma das, se não a melhor faixa do álbum.

Voltamos ao aspecto mais “animado” com “Body and Blood”, ela lembra bastante “Jigolo Har Megiddo”, mas desta vez com uma letra falando sobre um ritual satânico onde os satanistas comem carne humana. “Idolatrine” é a próxima, continuando com as influências pop, é uma faixa incrívelmente boa, falando sobre induzir as crianças ao satanismo, se prestar atenção á letra, é possível perceber que ela foi escrita como se o próprio satanás estivesse dando essa ordem. “Depth of Satan’s Eyes”, apesar de continuar falando de satanismo, achei esta música com a influência pop mais forte entre todas elas. Mesmo assim, é muito boa e conta até com um solo, a voz de Emeritus é incrível no refrão e dependendo da pessoa, ele fica em sua cabeça, pelo menos foi assim comigo. A letra desta vez fala sobre o “olhar cativante” de satã.

Partimos para a faixa final: “Monstrance Clock”. Ela tem um inicio onde apenas a voz de Emeritus, o som do teclado e da bateria podem ser escutados, começando com o resto dos instrumentos depois. Esta é a terceira melhor faixa de “Infestissumam”, e dei à ela o prêmio de melhor refrão do disco. Seu teclado lembrando o som de um orgão de igreja, a letra falando sobre uma sessão de uma seita satânica e o coral gótico (que fora usado em faixas anteriores) acompanhado pelo teclado apenas contribuiu para fechar o disco de modo muito agradável. Temos ainda duas faixas bônus: “La Mantra Mori” e “I’m a Marionette”, cover do grupo Abba. Ambas também muito boas.

“Infestissumam” surpreendeu minhas expectativas, e ao contrário do que muitos vem dizendo, achei um álbum incrível, talvez até superior do que o primeiro disco da banda. O que causou o disco a ter reviews negativas, foi o fato da influência pop que o disco traz, o que eu achei um fator muito interessante. Acho que o Ghost é sim uma banda de Heavy Metal, e não uma de Pop Rock como alguns tem dito. Se você não conhece o Ghost, escute, por qual álbum começar? Tanto faz, “Opus Eponymous” e “Infestissumam” são dois álbuns incríveis, e que valem a pena fazer parte da biblioteca não só dos fãs da banda, mas também dos fãs de Heavy Metal. Caso se interessar em uma análise sobre “Opus Eponympous”, clique aqui para conferir.

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Kill Devil Hill – Kill Devil Hill (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Heavy Metal, Doom Metal
Gravadora: PSV

O Kill Devil Hill chamou atençou quando se formou ano passado principalmente por ser a nova banda de Vinny Appice (ex-Black Sabbath, Heaven & Hell e Dio) e Rex Brown (ex-Pantera e Down), com os membros afirmando que se tratava mesmo de uma banda, e não apenas um projeto paralelo. O som da banda é bem moderno, e mistura o Heavy Metal com o Doom Metal, como se fosse uma mistura de Alice In Chains e o Black Sabbath da era do Tony Martin. Principal membro da banda, Vinny mostra que apesar de não mostrar nada muito inovador, quando ele está numa banda, a bateria vai estar garantido com alto nível. O mesmo pode se dizer de Rex Brown, que faz riffs intensos, muito mais do que esperava. Mark Zavon se mostrou excelente na hora de criar os riffs, eles são excelentes e criativos, mas decepciona bastante na hora dos solos (lembrando o Kirk Hammett ao vivo). A maior surpresa pra mim é Dewey Bragg, que tem uma voz intensa e muito diversificada. Com sua atuação aqui, entrou na minha lista de vocalistas para se acompanhar hoje em dia.

A primeira faixa é “War Machine”, que contém riffs excelentes, um ótimo desempenho vocal de Dewey Bragg e Vinny Appice mostra seu alto nível na bateria logo no início. Uma faixa empolgante para abrir o disco. A seguinte é Hangman, que é um pouco mais cadenciada, e soando muito como uma versão mais pesada do Alice In Chains. É uma faixa onde tudo se encaixa muito bem, dando continuidade ao alto nível da primeira música. Voodoo Doll tem tudo muito bem dosado, todos fazem seu trabalho de forma competente mas não impressionam muito, sendo apenas uma boa faixa. “Gates Of Hell” volta de modo mais intenso para o lado cadenciado da banda, levando mais para o Doom Metal. Os riffs aqui são simples, mas sedutores. O solo dela começa chato mas vai melhorando, satisfazendo o ouvinte. “Rise From The Shadows” tem uma pegada que lembra muito o projeto solo de Tony Iommi com Glenn Hughes, só que um pouco mais sombrio. Rex Brown simplesmente detona nessa faixa. A interpretação de Bragg surpreende, pois ele sabe dosar sua voz de forma magnífica.

“We’re All Gonna Die” soa mais acessível e seria uma ótima escolha para single com “War Machine”, pois tem riffs e vocais atrativos, por mais arrastados que sejam. “Strange” começa com intensos riffs, com Rex e Mark fazendo a música melhorar muito, mas ainda assim não aparece acompanhar o nível do álbum. O solo é bem chatinho. “Time & Time Again” segue a estrutura básica das faixas anteriores, cadenciada, mas também não tem nada muito especial. “Old Man” tem uma pegada mais empolgante, com riffs que já valem a música, dessa vez tendo um solo bem legal. Bragg grunhe de forma estranha às vezes, alguns irão gostar, outros não. “Mysterious Ways” vai mais pro lado do Southern Rock, sendo uma inesperada e agradável balada. Dewey mostra o tão diversificado ele pode ser. “Up In Flames” é uma semi-balada, agora voltando à pegada Doom, mas vai além dos clichês das baladas e fizeram uma das melhores faixas do disco, com muito “feeling”. “Revenge” não era a faixa adequada para finalizar o disco, pois não tem nada assim de especial que te faça ter uma opinião melhor do disco por causa dela. Ainda assim é uma boa faixa com Appice inspirado e um ótimo solo, mas o final da música parece especialmente feita para o fim do álbum, e bem mal feita.

Eu não esperava tanto do disco por não ter expectativa por não conhecer Dewey e Mark, mas os dois me surpreenderam. Somando os trabalhos competentes como sempre mas nada muito inovador de Appice e Brown, o disco de estréia da banda é bem agradável apesar das várias quedas durante o disco.

Orange Goblin – A Eulogy For The Damned (2012)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Heavy Metal, Stoner Rock, Sludge Metal, Doom Metal
Gravadora: Candlelight

Após cinco anos sem lançar nada (sendo o último trabalho Healing Through Fire), o Orange Goblin retorna com um pesado e direto disco chamado de A Eulogy For The Damned. A banda composta por Ben Ward (vocalista), Joe Hoare (guitarrista), Martyn Millard (baixista) e Christopher Turner (baterista), que tinham um Stoner/Sludge sujo e cheio de vai e voltas, aqui deixam mais o seu lado Heavy Metal a amostra, mas mantendo o seu som Sludge e Stoner. As dez canções são fáceis de assimilar, em apenas uma ou duas audições já da para saber se vai curtir (ou não) som proposto em A Eulogy For The Damned.

Com uma base pesada, com riffs poderosos e um vocal forte e sujo (e diria até não-versátil e irritante as vezes por parte de Ben Ward), é um disco perfeito para aqueles que tem um amor por aquela sujeira e pancadaria quando fala sobre música. As faixas que se destacam são “Ride Tide Rising”, “The Fog” e a faixa-título, por fazerem um bom trabalho em apresentar a sonoridade do grupo, além da falta de baladas, deixando tudo mais imediato.  O único grande problema é os vocais de Ben Ward, que como já relatei, não são versáteis e as vezes soa irritante. Mesmo que a interpretação e a maneira como canta seja a correta, encaixando no que se pede, ela sempre se mantém a mesma, e isso a torna irritante, parece que você pode prever tudo em relação ao cara, e isso é ruim, com exceção na faixa-título, que acaba lembrando-me de Zakk Wylde em sua introdução. Esse disco é recomendado para aqueles que querem um disco que lembre a época inicial do Black Sabbath, porém com mais energia, ou simplesmente querem ouvir uma banda que te empolga do começo ao fim.

Ghost – Opus Eponymous (2010)

Origem: Suécia
Gêneros: Heavy Metal, Doom Metal
Gravadoras: Rise Above, Metal Blade, Trooper Entertainment

O disco de estreia da banda sueca Ghost, Opus Eponymous, lançado em Setembro de 2010, foi um disco que fez bastante impacto, sendo considerado por muitos críticos um dos melhores lançamentos não só do ano de 2010, mas da década passada. Phil Anselmo, atual Down e ex-Pantera e James Hetfield do Metallica já vestiram uma camiseta da banda. Será que é realmente tudo isso esse lançamento do grupo? Veremos logo abaixo.

O álbum, que contém apenas nove faixas e uma duração próxima de 35 minutos, começa com “Deus Culpa”, faixa introdutória instrumental ao álbum que soa como um caminho para um velório. Boa para introduções da banda para usar em shows, apesar de ela usar outra introdução. Em seguida, somos interrompidos por um baixo marcante e então um instrumental bem feito, mas não é rápido e nem tão pesado e então somos introduzidos a primeira  estrofe do álbum: “Lucifer, we are here, for your praise, evil one” Já percebemos do que a banda é, sem contar que os integrantes da banda são Nameless Ghouls, algo como criaturas sem face e vestida de preto, com exceção do vocalista, que é Papa Emeritus, uma versão satânica do Papa. Mas, apesar da letra, nem soa tão satânico musicalmente e nem muito na voz do vocalista, pois alguns momentos ela chega a ser suave, mas não deixa de ser bonita e uma interpretação interessante nas faixas do álbum. As músicas são muito vintage, com aquele jeito de Metal das antigas, com um instrumental de certa forma simplório, com alguns momentos bacanas como o solo de guitarra em “Elizabeth”, apesar de não serem extraordinários. Outra coisa que é preciso dar destaque é que o instrumental soa até alegre e animado, algo totalmente diferente e inesperado ao que se pede um tipo de letra como esse álbum possui.

É uma banda que você sabe se vai gostar de primeira ou não. Os timbres vintage já citados estão em toda parte, guitarras não tem aquele destaque total, e é um som fácil de entender e absorver. O instrumento mais próximo de destaque individual é o baixo e quem sabe o teclado com cara de Rick Wakeman e Keith Emerson passivos e calmos, se é que possível. Todas as faixas são boas, e a última faixa, “Genesis”, é outra instrumental, que encerra legal o álbum com um fim bonito com violão erudito. O mais sensacional é que o disco não é daqueles vicia em uma única música, mas no álbum todo, e ele passa muito, mas muito rápido. Quando você menos espera ele acaba, e nem mesmo com o cover de “Here Comes The Sun” do Beatles na versão japonesa parece que ele dura mais. É muito gostoso de ouvi-lo e mesmo com as letras satânicas, o instrumental nem faz parecer. Soa radiofônico o álbum, mas ainda acima de tudo é um bom disco, curto, interessante e principalmente, coerente. Vale a pena se você gosta de coisas antigas (ou seja, não vem algo original) e de certa forma bem feitas, mas não é aquilo que chamo de especial e mágico, mas ainda é muito bom o trabalho do grupo sueco. Merece ser considerado um dos melhores da década passada? Não, mas do ano de 2010 merece.