Epica – Requiem for the Indifferent (2012)

Origem: Holanda
Gênero: Metal Sinfônico
Gravadora: Nuclear Blast

O Epica é conhecido principalmente pela sensualidade de sua vocalista, Simone Simons, também por sua qualidade vocal, claro. Mas para quem conhece mais a fundo a banda, sabe que seu destaque é a sua competência em quase todos os aspectos. Instrumentalmente, não há uma banda de metal sinfônico melhor que o Epica. Os caras simplesmente não falham. Nunca. Além disso, tem uma mulher que é pelo menos uma das cinco melhores vocalistas do Metal, e certamente é a que mais evolui. Seu único problema são os guturais que apesar de competentes, as vezes mais atrapalham que adicionam algo as músicas. O álbum marca a última participação de Yves Huts no baixo da banda, e o fez em ótima forma. Mark Jansen e Isaac Delahaye fazem uma dupla que se reinventa cada vez mais, e o que sobra de criatividade nos riffs da dupla, falta nos guturais do Mark. Ariën van Weesenbeek é com certeza o destaque instrumental da banda, um monstro na bateria e mostra porque é um dos melhores bateristas atualmente do metal. E Simone tem uma das suas melhores atuações vocais na banda.

O CD começa com a introdução épica “Karma”, que traz uma clima grandioso, belíssima abertura. Em seguida vem a porrada “Monopoly On Truth”, que vem com riffs pesadíssimos e uma bateria pulsante simplesmente incrível. Simone tem uma das suas melhores interpretações aqui, tanto quando canta da forma tradicional quanto de forma mais épica. Até assusta o nível que ela chega. Os guturais caem perfeitamente aqui e dueto é uma maravilha. A banda como sempre é super competente instrumentalmente, mas ela se supera no solo, que apesar de curto, é maravilhoso. Pra mim a melhor faixa do disco. Em seguida vem “Storm The Sorrow”, com um clima tenso, até Simons aparecer e guiar a música. A música não é tão pesada como normalmente, mas ainda assim não deve em nada para qualquer outra música do disco, pelo contrário, é uma das mais interessantes. Além de Simone, o Ariën faz valer cada segundo da música pela sua bela atuação aqui. “Delirium” começa com vozes tensas até começar a tocar o piano e começa a bela balada, que conforme ela prossegue, mais grandiosa fica. E é justamente esse clima de grandeza que torna a faixa tão atrativa. Belíssimo solo aqui também.

A próxima é Internal Warfare, mesclando muito peso da bateria com o clima sinfônico. É pesada, mas não tão dinâmica até chegar na parte com os guturais, onde a faixa fica mais interessante ainda. A próxima é a faixa-título, com riffs muito interessantes e tem uma introdução um tanto quanto diferente, lembrando algo do Oriente Médio. Depois a faixa “explode” em riffs muito inspirados e com clima épico, quebrado (acredito que de propósito) pelos guturais de Jansen. Depois do solo, há um breve clima mais belo que é interrompido pelos guturais, seguido do retorno da parte épica. A seguinte é “Anima”, uma curta e bela música no piano. A seguinte é “Guilty Demeanor”, a música segue o estilo básico da banda, só que a curiosidade da vez é que ela dura quase 4 minutos, tenso a média comum das músicas em geral e não algo normal pra banda (a maioria tem mais de 6 minutos, algumas quase chegam a 10, em uma banda que está longe do progressivo, apesar de bem técnica). Mais uma faixa interessante por sua bela execução na proposta fórmula da banda que sempre funciona.

A seguinte é “Deep Water Horizon” é mais uma balada grandiosa, tendo um início que cairia bem em MUITOS filmes. Como não poderia ser diferente nesse tipo de música de som, o destaque é de Simone, que nocauteia o ouvinte com uma interpretação excelente. Os guturais aparecem aqui, mas pela primeira vez de forma totalmente desnecessária, se deixassem apenas o solo seguida por uma parte instrumental até Simone voltar à música, teria um resultado bem melhor. Ainda assim, é uma ótima faixa. A próxima é “Stay The Course”, que começa com riffs empolgantes e com um clima lembrando muito o After Forever. Os guturais não caem bem nessa música como nas primeiras faixas no início e só soa interessante depois da metade da faixa. Pelo menos Simone e a parte instrumental compensam totalmente isso, principalmente pelos riffs pesadamente sedutores. A seguinte é “Deter The Tyrant”, mais uma faixa que se destaca pelos riffs, mas pela primeira vez no disco a parte “épica” de Simone não convence tanto assim. Mas isso não atrapalha muito a faixa, já que em sua maioria ela canta na sua forma tradicional.

A penúltima faixa é “Avalanche”, que começa com um clima interessante, até começar belos acordes juntos com a voz de Simone. A parte instrumental vai crescendo aos poucos até ficar pesada como normalmente quando entram os guturais. A partir daqui, a música entra em uma variação entra o canto tradicional de Simone com seu lado épico junto com os guturais, sendo seguido por um riff matador. O disco é finalizado com “Serenade Of Self-Destruction”, que começa com um clima belo até se tornar sinfônico, em seguida se tornando pesado também. Apesar de conter partes cantadas, a música é praticamente instrumental. E o Epica é uma banda tem o “jogo” garantido no lado instrumental, então é um fim espetacular e climático, às vezes até um pouco cinematográfico. Ao fim da faixa, a sensação é maravilhosa, como se tivessem sido quase 10 minutos de uma estranha viagem dentro do mundo dessa música. Não consigo pensar em melhor maneira de fechar o disco.

Requiem For The Indifferent é definitivamente um dos melhores discos lançados em 2012. O Epica não conseguiu igualar sua obra-prima aqui (Design Your Universe), mas chegou bem perto, com um material fantástico e criativo. A banda soa cada vez mais coesa e madura e só falha aqui na minha visão por algumas vezes os guturais não tão bem encaixados depois da metade do disco, mas talvez isso seja apenas algo que me incomode, mas soe normal para a maioria dos fãs. Mas um aviso: esse provavelmente é disco da banda menos fácil de ser “absorvido” pelo ouvinte. É tipo de disco que tem que ser ouvido diversas vezes para ser bem compreendido. Mas o resultado definitivamente vale a pena, não apenas para fãs do metal sinfônico, mas sim para fãs do metal pesado em geral.

Symphony X – Iconoclast (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Progressivo, Metal Neo-Clássico, Metal Sinfônico
Gravadora: Nuclear Blast

O oitavo disco de estúdio da experiente banda norte-americana, o Symphony X, mostra um exemplo perfeito em Iconoclast de que nem sempre bons músicos juntos fazem (somente) boas músicas. O conceito de Iconoclast é que as máquinas dominam tudo, mas não segue uma história linear como um legítimo disco conceitual, mas sim um álbum temático, como feito pelo Pink Floyd em Dark Side Of The Moon. E esse tema lírico chega até passar para o instrumental da banda, soando até mecânico em certas partes, uma boa ideia do grupo, mas mesmo assim com boas ideias, a banda falha no principal ponto de um álbum deveria ter: suas músicas.

A banda composta por Russell Allen (vocalista), Michael Romeo (guitarrista), Michael Pinnella (tecladista), Michael Lepond (baixista) e Jason Rullo (baterista), apesar de serem ótimos músicos, extrapolam em certos momentos virtuosos que chegam a ser desnecessários, principalmente o guitarrista Michael Romeo. Este homem consegue estragar praticamente quase todas as atmosferas criadas com seus solos ultra-técnicos-e-mega-rápidos-porém-super-irritantes. Ouça “The End Of Innocence”, e repare que até a entrada do solo, a atmosfera é excelente, e os corais, algo muito bom neste disco, deixam tudo em um clima épico e até caótico, mas então entra o solo, e assim perdemos um belo momento. E não podemos esquecer dos péssimos timbres escolhidos por Michael Pinnella, principalmente em seus solos entupidores de ouvido. Um mau gosto inacreditável eu diria. E nem podemos esquecer que temos canções fraquíssimas como “Bastards Of The Machine” e “Eletric Messiah”, ambas esquecíveis.

O que mais decepciona-me em Iconoclast é que, mesmo tendo porradas excelentes e os corais bem feitos, o disco todo é cansativo. Quase não vale a pena ouvir todo ele. O que vale a pena ouvir em Iconoclast, além dos corais e de algumas atmosferas criadas, são duas canções, que de certa forma se isolam no nível qualidade comparada as outras: a faixa-título e “When All Is Lost”, ambas as canções mais longas do disco. Enquanto “Iconoclast” é uma tremenda porrada, ora imprevisível, ora épica (e nada enjoativa), “When All Is Lost” é a única balada do disco e apesar de uma introdução brega, a música desenvolve-se e transforma-se em uma das coisas mais lindas que eu ouvi em 2011. E os solos nestas duas faixas estranhamente são os únicos solos que realmente fazem bem a atmosfera, algo que esse disco tem uma certa facilidade em quebrar devido ao exagero técnico. Uma pena termos apenas duas canções de grande qualidade.

Iconoclast mostrou-se um fraco lançamento da banda, principalmente se compararmos com que o Symphony X já lançou, o ótimo The Divine Wings Of Tragedy. Mesmo os mais extremistas musicais e fãs da banda talvez olham torto para esse álbum como eu olho. Por mais talentosos que estes cinco caras sejam, o ego musical elevado do grupo é algo que vem cada vez mais aumentando, principalmente Michael Romeo, fundador da banda. E o pior de tudo é que não tem muita diferença do que o grupo vem lançando nos últimos discos. É como se a banda estivesse em uma zona de conforto e pretendem não sair dali. Iconoclast, por mais que suas ideias sejam boas, não teve a execução necessária para tornar se um clássico do Heavy Metal. Recomendado apenas as duas faixas citadas (a faixa-título e “When All Is Lost”).

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Nightwish – Imaginaerum (2011)

Origem: Finlândia
Gênero: Metal Sinfônico
Gravadora: Nuclear Blast

Imaginaerum é o segundo álbum do grupo filandês com a vocalista Anette Olzon, sucedendo o sexto álbum de estúdio da banda, Dark Passion Play, de 2007. No disco anterior muitas críticas vieram, a maioria pela escolha de Anette para substituir a “Semi-Deusa” Tarja Turunen. O endeusamento encima da vocalista anterior era algo fora do normal, como se ela fosse a melhor vocalista do mundo, e isso prejudicou de certa forma a divulgação do disco. Mas deixando os fãs truezão de lado, já que em Dark Passion Play Anette mostrou ser uma grande vocalista, e até mais versátil que a Tarja. Agora falando sobre o Imaginaerum, Tuomas Holopainen (teclado, sintetizadores e a cabeça pensante dentro da banda, sendo o cara que compõe tudo), Anette Olzon (vocais), Emppu Vuorinem (guitarra), Marco Hietala (baixo e vocais) e Jukka Nevalainen (bateria e percussão) lançam um álbum conceitual, seguindo o estilo do filme de mesmo nome que será lançado esse ano. O filme é sobre um velho no leito de morte, que vislumbra um sonho de infância em que ele se recusa a envelhecer, e combate o envelhecimento com a sua própria imaginação. Agora sem mais delongas, vamos ao que importa.

Taikatalvi abre o disco, uma intro de 2 minutos e 35 segundos, é calminha e tem influências folk, ela consiste em uma “tela para a nossa imaginação” como disse Tuomas, e a sua tradução quer dizer Magia do Inverno. Boa intro para começar algo “mágico”, e seguimos com a primeira single, Storytime. A segunda faixa é uma das mais acessíveis do álbum, com um refrão a lá radio. Ela começa todo o conto, mostrando que a imaginação é o núcleo da humanidade. Gostei da canção, simples, já que se trata de uma single. Ghost River é uma das minhas favoritas, a letra dela não é muita clara, então vamos ficar com a explicação de Tuomas: “VIDA é um privilégio supremo, um rio cheio de maravilhas e horrores. Amor, tristeza, beleza, maldade e tentações. Precisamos de todos eles para sobreviver a jornada. Bem, mal, dor e prazer – membros um dos outros.” Sobre a canção, o que faz eu gostar tanto dela é a interpretação vocal de Marco Hietala e ainda mais de Anette Olzon (principalmente no pré-refrão), que se em Dark Passion Play já demonstrou um pouco, em Imaginaerum mostra de vez que é mais versátil que Tarja.

A quarta faixa é Slow Love Slow, fala que o amor não precisa de palavras ou promessas, um território sem palavras, desde que seja verdadeiro. Com influências da música soul e um pouco de jazz, principalmente na voz de Anette, é uma canção diferente, é isso o que eu posso dizer, só a ouvindo para entender. A intenção dela é ótima, com grandes misturas, com um tom épico e mágico com blues e jazz, ao desenrolar ela vai ficando melhor ainda, não chega ser algo acima da média, mas que é diferente isso não tem dúvidas, outro grande trabalho de Tuomas (pela composição) e de Anette (pela voz poderosa). I Want My Tears Back é a próxima, uma das queridinhas dos fãs, diz sobre ainda ser possível ter alguma coisa do passado. O riff inicial lembra muito Symphony Of Destruction do Megadeth, e essa foi uma das que eu tive mais problemas para a digerir legal, principalmente porque é uma música muito a cara do Nightwish (deve ser esse o motivo para os fãs gostarem tanto), e isso não é bom para mim, soa que a própria banda se copiou, ou que se reciclou. Mas a ouvindo melhor, é uma música de regular para boa, bem animada e destaque para o instrumental folk dela.

Scaretale é outra carta da manga do álbum, assim como Slow, Love, Slow. Como o nome diz, ela fala sobre um conto de horrores, tentando levar a sensação na música de pesadelos que tivemos na infância, outra intenção muito boa, mesmo. Destaques para a aula de interpretação de Anette e Marco. Anette mostra outra vez, a grande vocalista que é, mas para mim o instrumental deixou a desejar, tirando algumas partes que dá mesmo a sensação de um “pesadelo”, ao estilo O Estranho Mundo de Jack, a canção se encaixaria perfeitamente na trilha sonora do filme de Tim Burton. No final ela pega o jeito metal sinfônico da banda e acaba, outra canção que chega a ser diferente, e para algo infantil seria ótimo, faltou criatividade musical, mas outra boa faixa, principalmente pelos vocais que valem a pena a ouvir. Arabesque é uma faixa curta e instrumental, e Tuomas diz que ela é “A purificação para um pesadelo. Dar a luz através da dança da morte.” Bom… para mim poderia ser retirada facilmente do álbum, a mais fraca das faixas e que não demonstra o que o tecladista diz, tentar acabar Scaretale com um final mais tenebroso seria bem melhor. Turn Loose The Mermaids é a oitava faixa. A letra é sobre o avô de Tuomas, que ele disse que foi uma das experiências mais emocionantes da vida dele (ver o avô morrer), e sobre a vida, imaginação e beleza. Outra no estilo folk e com um clíma interessante, um refrão calmo e bonito, gosto bastante dela.

Rest Calm diz sobre as memórias, e que elas sempre permanecerá com você, até que você morra, “Fique ao meu lado até que escureça para sempre.” Eu adorei a letra, e a faixa também, outro refrão calmo e cativante. Ela é uma das mais longas do álbum com 7 minutos e mesmo sendo um pouco longa ela não fica chata ou entediante (claro, se você não a achou chata no começo), com revezamentos bem legais no refrão. The Crow, The Owl And The Dove é a próxima, e é sobre um poema de Henry David Thoreau: “Ao invés de amor, dinheiro, fama, dai-me a verdade”. É uma canção simples, porém bela, nada extraordinário mas que você possa acabar a ouvindo muito, ainda mais se você tiver em um momento “deprê” (testado e aprovado). Destaque para Marco cantando o verso “Gar tuht river – Ger te rheged” em finlandês. Last Ride Of The Day, como o nome já diz, é o último passeio do dia “O parque temático está prestes a fechar, mas a montanha-russa vai funcionar uma última vez e você tem que pegar a última viagem sozinho.” É o que Tuomas diz. Ela é agitada e gostosa de se ouvir, outra que é querida pelos fãs, boa faixa, mas não é uma das melhores do disco para mim.

Agora chegamos na penúltima e mais longa faixa, Song Of Myself com seus 13 minutos e 30 segundos. Ela é dividida em quatro partes: From A Dusty Bookshelf, All That Great Heart Lying Still, Piano Black e Love. Song Of Myself é uma homenagem ao poeta Walt Whitman, que tem um poema com o mesmo nome desta canção. A Dusty Bookshelf é uma intro instrumental, nada de mais. All That Great Heart Lying tem como destaque novamente Anette. É uma parte que mostra bem o que é o Nightwish, com seu ar “épico”. Piano Black é a parte mais arrastada da canção, não tão pela música (que diminui o ritmo também), mas pela voz de Anette, que abaixa de tom. Ela volta ao refrão de All That Great Heart Lying, até os 7 minutos, que começa Love, a melhor parte, consiste em citações e poemas de Walt Whitman, abra alguma página com a tradução da canção e a acompanhe, emociona de verdade, a melhor do disco! Depois desse “final” que seria perfeito, ainda tem mais uma música, e é a faixa-título, ela é instrumental e possuí um pouquinho de cada faixa anterior, tornando algo interessante, mas não original, poderia ter ela no começo ou como penúltima, só sei que Song Of Myself é a melhor faixa do disco e a mais emocionante, e que merecia encerrar o disco. Mesmo com esse erro, não dá dizer que é uma má faixa, ainda mais eu, que adoro essas “reprises”.

Imaginaerum foi algo feito para você se divertir e “viajar” com sua imaginação e pensamentos, a ídeia é muito boa, e o álbum é bom, a criatividade musical que Tuomas teve foi algo na média e como grande músico que ele é, esperava um pouco mais. Mas como disse, é algo divertido e que dá para você se jogar de cabeça legal no novo disco do Nightwish, vale a pena pela imaginação!

Avantasia – The Wicked Symphony (2010)

Origem: Alemanha
Gêneros: Metal Sinfônico, Heavy Metal, Power Metal
Gravadora: Nuclear Blast

Depois dos aclamados e amados The Metal Opera Part I e Part II e dos EP’s Lost In Space I e II (sendo que os EP’s não foram bem recebido pelos fãs, dizendo que está muito “vendido”), Tobias Sammet, vocalista e a mente da banda Edguy, resolve lançar mais uma saga em seu projeto paralelo, o Avantasia. E tudo começou em 2008, um ano depois do lançamento de seus EP’s duplos, com o álbum The Scarecrow, que é inspirada em uma lenda alemã, chamada Fausto, que conta a historia de um doutor (o próprio Fausto), que desiludido, faz um pacto com o demônio chamado Mefistófeles. Sendo assim, o espantalho Fausto (Tobias Sammet) e uma “espécie cínica” de Mefistófeles (Jorn Lande). A historia fica cada vez mais interessante ao passar do disco, e recomendo para quem quiser acompanhar um bom conceito como tema a fantasia. The Scarecrow foi apenas a primeira parte da saga do espantalho, que em 2010, seguiu com dois álbuns, The Wicked Symphony, e mais tarde Angel Of Babylon.

Agora vamos falar mais sobre o primeiro lançamento de 2010. Eu pessoalmente gostei mais do Wicked Symphony do que do Angel of Babylon, dois grandes discos, que Tobias Sammet conseguiu mesclar gêneros diferentes e fazer uma ótima continuação do The Scarecrow (muito melhores do que a primeira parte da saga). A mescla entre power metal, hard rock, heavy metal nunca funcionaram tão bem quanto nessas obras de arte do alemão de Fulda, tornando um ar de fantasia que faz mexer com sua cabeça. As letras de The Wicked Symphony estão muito boas, e até recomendo acompanharem elas sem saber muito do conceito da saga, pois mesmo sem a historia completa, são letras simples de entender (os conselhos e mensagens, se você começar a ligar uma coisa ou outra no disco já fica complicado) e muito bem feitas mesmo, se duvide, apenas cheque a letra de Runaway Train. A raiz, o power metal, continua. Mas não tão influente como era nos Metal Opera, e caia entre nós, Tobi só não quis arrancar de vez o power do Avantasia por ser a influencia de toda a fantasia que ocorre o grupo e ser uma marca registrada. Na sua banda, o Edguy, já foi mais radical. Mas isso não quer dizer que é algo ruim, um músico se manter “preso” em um gênero é algo horrível, só ele mudando já merece respeito, e no caso do Tobias Sammet, merece respeito também por fazer trabalhos geniais. Sem dizer que TUDO que você ouvir no Avantasia, uma simples linha de baixo até um épico solo de guitarra, absolutamente TUDO foi feito por Sammet.

Sem enrolar mais, vamos as músicas do alemão, acompanhado por músicos convidados que são Sascha Paeth (guitarra e produção), Eric Singer (bateria) e Miro (teclados, orquestração), e caia entre nós, que banda! E em cada faixa, existe mais convidados, nos quais eu falarei o nome dos músicos nas faixas que aparecerem. E o primeiro convidado é Felix Bohnke, baterista e companheiro de banda de Sammet no Edguy. Mas nos vocais também tem gente, Jorn Lande (Masterplan) e Russell Allen (Symphony X) dividem os microfones com Tobias na faixa-título, no qual o dono do projeto diz ser uma batalha de voz entre Jorn e Russell. E não podia ser melhor para abrir o álbum, lembra que eu disse que o CD é uma mescla de muitos gêneros? A primeira faixa mostra isso, uma épica canção de mais de 9 minutos de duração, com uma intro que te joga no mundo “fantasiático” de Avantasia, até o peso da guitarra te acordar, e logo Tobias começa a cantar, você já está na mágica. Os três vocalistas vão se revezando até um refrão que não deixa de ser épico, mesmo sendo bastante hard rock. Peço que prestem muita atenção nessa faixa, ela é verdadeiramente de outro mundo, os vocais vão se revezando, continuando na mesma (e sem enjoar) até o solo de Sascha em 5:41, um grande e lindo solo desse grande produtor e músico. Mais ou menos em 6:47 o solo acaba e a música abaixa, dando apenas para ouvir a base junta de bateria com guitarra e baixo, com Tobias Sammet sussurrando algo, até ir aumentando sua voz mais e mais, junto com os instrumentos que o segue, tornando algo sensacional, até Sammet voltar de vez para os vocais com uma cara já de final, mas ainda dá tempo de mais um bis do refrão, e assim acaba um começo perfeito para um álbum que tem como tema a fantasia.

Wastelands segue com os convidados Oliver Hartmann (guitarra) e a lenda alemã Michael Kiske (vocal). Os fãs de Helloween ficarão felizes ao ouvir essa, parece que Sammet quis fazer uma música exclusivamente para Michael Kiske cantar e brilhar, porque é o que acontece, uma música com uma cara de Helloween, mas bem grudenta, a intro já mostra isso, o refrão nem se fala. Umas das mais power metal do álbum, e com uma ótima parceria entre os alemães, e quando falo ótima parceria entre os alemães, não digo apenas de Michael Kiske e Tobias Sammet, mas sim também de Sascha Paeth e Oliver Hartmann, que fazem um solo muito legal e puxado pro lado power metal juntos, não chega a ser uma das melhores do álbum, mas Wastelands tem seus encantos, e só por ter Michael Kiske, já vale muita coisa. A terceira faixa se chama Scales Of Justice, com Alex Holzwarth na bateria e o grande e magnifico Tim “Ripper” Owens nos vocais! Uma das faixas mais pesadas do disco, e chamar Tim para ela foi muito, mas muito bem escolhido mesmo. A faixa que também conta com uma linha interessante de bateria de Eric Singer é uma das mais agitadas e uma das mais legais do álbum, refrão espetacular, e como esse Tim Ripper canta não é brincadeira. Dying For An Angel é a próxima, e conta com a participação de outra lenda alemã, o vocal do Scorpions, Klaus Meine. E outra vez acho que Tobi fez uma música exclusivamente para seu convidado cantar, até quando ele (Tobias) está cantando , lembra bastante o Klaus. Uma das mais hard rock do álbum e também uma das que mais fica na sua cabeça, culpa desse refrão bem Scorpions que é ótimo. Canção muito boa, outra parceria que se deu bem, e muito interessante também: Klaus Meine foi o frontman de uma das bandas (se não A banda) mais famosa da Alemanha de todos os tempos, e Tobias Sammet, um dos nomes atuais mais interessantes da música alemã. O solo da faixa também merece destaque, com uma passagem curta e fantastíca para mais uma vez o refrão, assim terminando a participação desta lenda.

Felix Bohnke volta para a bateria na quinta faixa junto com outro convidado, o nosso representante tupiniquim, o ex-Angra e ex-Shaman, André Matos! A música é a Blizzard On A Broken Mirror, a minha favorita do disco. Adoro simplesmente tudo nela, o feeling épico que ela possuí é monstruoso, o pré-refrão é sensacional, a letra é sensacional, o refrão e a participação de André Matos são sensacionais! Uma outra passagem que é simples, mas bem legal, com Tobi aumentando sua voz de novo, até chegar o refrão, e você ter certeza que ele grudará na sua cabeça. Agora só para melhorar vem uma das baladas mais bem feitas que eu já ouvi, Runaway Train, uma das minhas favoritas do álbum também. Bruce Kulick, guitarrista do Kiss por 12 anos divide as guitarras com Sascha Paeth. Jorn Lande volta nos vocais, assim como Michael Kiske, e Bob Catley (Magnum) também participa da épica balada. Gosto muito do começo dela, e o legal é perceber o quanto Tobias Sammet canta, mesmo em lados de grandes lendas como Michael Kiske e Bob Catley, sendo um dos destaques da faixa. O revezamento de vocal vai acontecendo entre Tobi e Jorn. Tudo muito bom até aqui, mas a melhor parte ainda está por vir, Sir Bob Catley começa a cantar, e emociona, abra no lado alguma página com a letra da canção e acompanhe Catley, e preste atenção, porque com o instrumental ao fundo fica ainda mais perfeito. Depois disso em seguida já vamos para uma espécie de segundo refrão, bem agitado e divertido, tornando essa faixa mais magnífica ainda. Michael Kiske começa a cantar no mesmo tom do começo da música, até vir um Tobias Sammet com sua voz poderosa e puxar mais uma vez o refrão da canção, destaque para a linha de bateria de Eric Singer, principalmente no final da faixa.

Crestfallen é a sétima faixa, Alex Holzwarth volta a bateria e mais uma vez Jorn Lande participa (algo normal, pois como falei mais no começo, ele é um dos protagonistas). Uma das mais pesadas do disco, disputando de cabeça a cabeça com Scales Of Justice. Adoro a intro de teclado dela, até começar o peso natural de uma canção de heavy metal, até se tornar algo que dá para “headbanguear” sem problemas. O vocal de Tobias aqui me agrada, e muito. Só pensar que ele que criou absolutamente tudo que aqui se encontra, não consigo encontrar outra palavra no meu limitado vocabulário a não ser genial. O refrão é sensacional, com Sammet fazendo um tom de voz que impressiona, algo agressivo e mais puxado para o lado “gritante” de sua voz que eu nunca ouvi antes. Forever Is A Long Time, a oitava faixa, que permanece com Alex Holzwarth na bateria e volta com Oliver Hartmann na guitarra fazendo companhia a Sascha novamente, e como as guitarras desses dois se dão bem é impressionante! Jorn também volta. É uma música bem agitada e muito legal, com grande destaque para Jorn Lande, com sua linda voz. Solos duplos novamente, Sascha Paeth tem que chamar Oliver Hartmann urgentemente e montar uma banda!

Black Wings é a nona canção, com participação de uma linda voz chamada Ralf Zdiarstek, e não sei nada sobre esse cara, a não ser que sua voz é muito bela e que participa desta canção do Avantasia. Black Wings tem uma intro pesada, e tirando, claro, a voz de Ralf, destaque para  o grande refrão que Tobias manda super bem, e outra passagem com o dono do projeto cantarolando mais baixo, até chegar um bom solo de Sascha. States Of Matter conta a volta de Alex Holzwarth e de Russell Allen. Intro bastante agitada e que merece destaque, assim como a voz poderosa de Russel Allen, faixa com um refrão mais grudento e que não deixa de ser boa, mas não chega a ser um dos destaques do disco. Fechamos com The Edge, Felix Bohnke e Bruce Kulick voltam e também temos a participação no orgão de Simon Oberender. Talvez você ache ruim acabar o álbum com uma balada, mas o álbum trouxe pancadas atrás de pancadas, e sem esquecer que segue uma historia, acompanhando ela dá para entender melhor tal ordem das músicas. Mas isso não tira o crédito. Sascha Paeth é um dos destaques, não só com seu muito bom e curto solo mas também como produtor, que deixou TODO o álbum mais mágico ainda. Sobre a canção, tem partes bem belas e até tristes, se você estiver mais para baixo, tem chances de ouvir bastante a última faixa do The Wicked Symphony, mesmo ela não sendo grudenta ou tão leve.

The Wicked Symphony é a essência de uma mistura de boa música com fantasia, não sendo repetitivo como muitos grupos de power metal e assim mantendo a grande magia que só ouvindo você entederá o que eu quero dizer. Um tema não revolucionário, mas o jeito de tratar ele, foi um jeito novo e extraordinário.

Angra – Temple Of Shadows (2004)


Origem: Brasil
Gêneros: Power Metal, Metal Sinfônico, Metal Progressivo
Gravadora: Paradoxx

O Angra “ressurgiu” em 2001 com seu álbum Rebirth e também  com a reformulação imensa dos integrantes, apenas permanecendo Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt (os guitarristas). E depois do grande sucesso que teve o primeiro álbum desse “novo” Angra e do EP Hunters And Prey de 2002, o Angra lança um dos seus, se não o melhor álbum de sua carreira (claramente é o melhor com o vocalista Edu Falaschi). Liricamente não tem nem o que falar, com certeza o disco conceitual mais complexo da banda, e por isso eu digo que vou deixar a gosto do leitor, querer acompanhar o conceito ou não, recomendado, porém eu sinto que me enrolaria com a complexidade dele (ainda por cima explicar isso), sendo que resenha falando disso é o que não falta na internet, tornaria apenas algo repetitivo, ainda mais que o próprio encarte do CD explica mais ou menos a historia, que foi escrita totalmente pelo guitarrista Rafael Bittencounrt, tenham medo! Então, apenas deixarei um pequeno prelúdio:

“Este álbum descreve – em poucas palavras – a saga
de um Cavaleiro Cruzado conhecido como O Caçador
da Sombra, que se une ao exército do Papa no fim
do século XI. Durante sua saga, sua mente é muitas
vezes desorientada pelo antagonismo da Guerra
Santa e afligida por visões que conflitam com
sua devoção à Igreja.”

Agora sem mais delongas, o conteúdo do CD. Começamos com o típico interlúdio que bandas de Power Metal ou Symphonic Metal gostam de usar bastante, essa é chamada Deus Le Volt!, e casa muito bem com a primeira canção (segunda faixa), Spread Your Fire, que começa cheia de energia, e que linha de bateria do senhor Aquiles Priester! Monstro. Uma música muito bem orquestrada, uma das mais legais de se ouvir do disco, ótima para a abertura e destaque para Sabine Edelsbacher, vocalista convidado. Angels And Demons é a seguinte, com riff e guitarras poderosas, um refrão bem fácil de grudar na sua cabeça, e segue o nível da sua antecessora. Apenas os solos, pecam em alguns momentos, por soarem iguais, o que acontece na maioria dos álbuns dessas bandas de Power/Symphonic, mas nesse álbum dá para aguentar, e talvez você não os note muito, sendo tal energia que o CD te passa. Waiting Silence começa com uma bela intro e ela é não é tão pesada que nem as duas primeiras, não chega a ser algo puxado pro lado da balada, mas é aquela música que te acalma, que você se sente bem em ouvir, outra que vicia fácil. Wishing Well já começa grudenta, a primeira balada do disco, bem grudenta e que e serve para te acalmar de vez, já que Waiting Silence te joga nesse feitiço, ótima dupla essas duas!

A sexta faixa é The Temple Of Hate, e Edu Falaschi está cantando que nem nunca, mudando o seu tom de voz com facilidade. Uma canção que o instrumental está lindo, muito bem orquestrada e empolgante. E logo em seguida vem The Shadow Hunter, a melhor do disco em minha opinião (e a mais longa também), o solo de violão no começo, o clima que ela te trás, o refrão, está tudo em uma sincronia maravilhosa, essa é realmente muito empolgante, que chega a emocionar. No Pain For The Dead é mais arrastada, começa como uma balada calminha e triste, até crescer no refrão, e se acalmar de novo, destaques para a passagem orquestrada muito bela e para a também bela, voz da vocalista convidada Sabine Edelsbacher que canta nessa faixa também. Winds Of Destination começa empolgante, cheia de energia, Aquiles Priester mostra o porque dele ser um dos melhores bateristas do Brasil, e porque não, do mundo? A empolgação se acaba, em cerca de 2 minutos e 10 segundos, passagem rápida para a entrada de um teclado, que faz a música se tornar algo épico,e bem bonita. Em mais ou menos 3:41 a música vai voltando seu peso, com a bateria de Aquiles e as guitarras aumentando o som, até Edu começar a cantar e colocar a canção o peso de antes, e logo vem um solo veloz, que ficou bem legal até a entrada da segunda guitarra nela, que soa genérica, mas tem la seus encantos, o final é digno de algo épico.

Sprouts Of Time tem uma intro muito legal e e é uma música muito interessante ao todo, merece ser ouvida com atenção, algo relaxante e lindo. Agora chega a segunda mais comprida do CD, Morning Star com seus 7 minutos e 39 segundos merece ser escutada com bastante atenção, uma das melhores instrumentalmente do álbum, hora a música fica relaxada, hora fica pesada. Acho que ela não é tão facil de se digerir, mas vale a pena forçar e ouvir mais ela, bem épica. Late Redemption é a décima segunda e penúltima do disco, e tem um convidado bem ilustre para nós, povo brasileiro, a lenda do MPB Milton Nascimento! Canção que possuí uma melodia linda e se torna uma parceria bem interessante, mesmo Milton Nascimento cantando apenas alguns estrofes. E o álbum fecha com a sensacional e épica e instrumental: Gate XIII! Nela é reprisado partes das canções anteriores, algo que se pareça uma peça de teatro, uma das melhores do álbum e fecha com maestría esse grande trabalho.

Temple Of Shadows é o CD mais rico em conceito e o melhor desse novo Angra (não posso dizer dos antigos, com André Mattos, pois ouvi somente um), conseguindo jogar um tipo de magia em nós, ouvintes. E por que isso? Não sei você, mas eu não me contentei em ouvir uma única vez o álbum, tem tanta coisa nele, que é impossível saber de todos os detalhes, músicalmente, e principalmente na parte do conceito, que Rafael Bittencourt caprichou, e quem saiu ganhando foram nós! Uma banda polêmica, cheio de altos e baixos, chega em seu ápice em 2004 (e contrariando os True Metal Fans From Hell, que diz que música boa não se faz hoje em dia, que ano musical foi esse de 2004!), com um dos melhores discos conceituais que eu já ouvi (apenas BE do Pain Of Salvation conseguiu me deixar mais maravilhado com a historia do que com esse do Angra), seu “grande álbum”, ao contrário de muitos que dizem ser Rebirth ou Angels Cry, para mim é Temple Of Shadows!

X Japan – Art Of Life (1993)

Origem: Japão
Gêneros: Speed Metal, Metal Sinfônico, Metal Progressivo
Gravadora: Atlantic

Na primeira resenha no ano de 2012, o Images & Words terá o prazer de ter a resenha deste disco, que talvez (só talvez), seja o ouro mais precioso no meio da música oriental. X Japan é a banda de maior sucesso no Japão, sendo equivalente ao “nosso” Led Zeppelin, se assim posso dizer. O grupo que as vezes é chamado de “cópia do Glam Metal e do Power Metal” por aqueles que não gostam ou odeiam a música japonesa, bem, eu digo que X Japan somente com este disco supera a maioria dessas bandas. O motivo pode parecer estranho, mas, neste disco, só tem uma faixa. Sim, apenas uma faixa, que tem o mesmo nome do álbum. Duração? 29 minutos!

Art Of Life é o quarto álbum lançado pelo X Japan, que antes deste álbum era apenas conhecido como “X”, mas como eles estiveram em turnê americana, tinha uma banda de Punk Rock que também era chamada de “X”, e para evitar problemas, o baterista, pianista e co-fundador do grupo, Yoshiki, decidiu mudar o nome da banda para “X Japan”. Falando em Yoshiki, este homem escreveu e compôs a música, que aliás é totalmente em Inglês, ou seja, nada de frases ou palavras em Japonês. O disco foi orquestrado pela Royal Philharmonic Orchestra, uma orquestra britânica. Essa música não é fácil de se escutar, e requer algumas audições extras para seu entendimento completo.

“Mas qual é tema deste álbum? Qual é o tema da música?” Como diz o nome do álbum, ele fala sobre a vida e a sua arte. A música fala sobre a vida de uma maneira incrível que não tem como explicar, já que o baterista Yoshiki compôs a música desde seus 17 anos (na época do Art Of Life, Yoshiki tinha seus 28 anos, ou seja, 11 anos compondo uma canção). Para compor uma música desse tipo, é preciso tempo e maturidade, e principalmente, força de vontade e pretensão, pois sem isso, dificilmente você não fará algo que marque época, como aconteceu com X Japan no Japão e seu Visual Kei. E agora vamos para o que interessa, a canção de 29 minutos!

A música começa lenta, devagar, suave, como se fosse uma balada. O vocais do outro co-fundador da banda, Toshi, podem ser considerados irritantes para aqueles que não estão acostumados com seu timbre e seu sotaque nipônico, já que é notável que o homem não tem fluência no Inglês (naquela época). Depois de um tempo, a música começa a crescer e progredir e vem com ela a velocidade característica do grupo, junto com uma belíssima orquestração. Os riffs de guitarra, tocados pela dupla composta pelo falecido Hide e por Pata (belo nome de dupla sertaneja, aliás), acasalam muito bem com a orquestração, como se soassem únicos, mas você ainda pode distinguir qual é qual, o que é ótimo. O baixo de Heath é bem interessante em alguns momentos, soam meio embolados, mas são bons e são inesperados. O trabalho na bateria por Yoshiki é que merece mais destaque dentre os cincos membros do grupo. Sua linha de bateria está ótima e é notável que ele está colocando seu máximo na música. Com decorrer da música é notável uma voz feminina, dizendo frases não audíveis, mas que deixam as coisas mais interessantes (se alguém souber de quem é esta voz feminina, grato eu ficaria). A música ganha intensidade assim que avança, e algo destacável é a emoção que ela passa. É incrível a sensação que dá para sentir com a música.

Agora vamos ao meu momento favorito da música. Entre 15:07 e 24:18, temos um dueto de piano, tocado por Yoshiki. O dueto dura 8 minutos e é simplesmente fenomenal, para não dizer genial. Começa como um solo de piano, que toca o tema principal do dueto, e mais a seguir, temos a entrada de outro piano, formando o dueto. Enquanto um piano toca o tema principal do dueto com intensidade e variando a velocidade, o segundo piano faz um estrago. O segundo piano as vezes parece que está sendo tocado com punhos raivosos e marteladas poderosas ao invés dos singelos e conhecidos dedos, que nós seres humanos possuímos. Se o primeiro piano já tem intensidade, o segundo piano faz algo que poderia estar em um disco de Noise Rock ou Rock Psicodélico, tamanha barulheira que faz, chegando assustar os desavisados. Agora, a pergunta que fica é: “Qual é motivo deste dueto?” Acredito que seja para demonstrar a vida, como ela pode ser raivosa e barulhenta (e até infernal), hora calma e triste, e quem sabe, bela e feliz. E que a maioria dessas coisas acontece graças a uma outra pessoa (ou por algo), como é demonstrado neste dueto sensacional. E o melhor de tudo é que este longo dueto não é enjoativo.

Após o fim do dueto, que vem de uma linda passagem calma e orquestrada, o som progride em um Heavy Metal veloz e já conhecido. Sim, o tema principal da música volta com seus riffs, que apesar de soarem genéricos, encaixam na canção e fazem com que ela realmente soe uma música inteira, não uma colagem de músicas. A bateria de Yoshiki está ainda mais intensa, e a música soa mais épica e mais linda. O vocal de Toshi, que antes soava estranho, tem a interpretação certa para canção, trazendo toda a emoção que ela precisava ter nas linhas vocais. As guitarras, junto com o piano, fazem um belíssimo encerramento com o Toshi dando o máximo de si para que fique o mais próximo do perfeito. E a música termina estranhamente e brutamente com Toshi encerrando a canção com a frase “In my life”, sendo que na palavra “life”, a banda “morre”, ou seja, desaparece. A música ficaria melhor se houvesse um final mais épico, com 1 minuto de duração a mais, para dar o fim perfeito (e para aumentar o tempo para 30 minutos), mas isso não estraga a canção do grupo comandado pelo cérebro Yoshiki e pelo vocalista Toshi.

X Japan com seu quarto álbum, Art Of Life, faz sua obra prima, e quem sabe, a obra prima na música japonesa. Algo que levará tempo para que um grupo oriental faça algo equivalente ou superior a esta canção cheia de mistério e detalhes que fazem dela uma das canções mais magníficas para mim, mesmo soando genérica com alguns riffs de guitarra, o que realmente vale é o conceito e o contexto completo, e nesse conceito e contexto completo, a música do X Japan se sobressai como uma das melhores músicas de todos os tempos, não só do Japão ou do lado oriental do mundo, mas sim de toda a história da música popular (na minha opinião, claro). Talvez seja tudo isso que eu digo, talvez não seja tudo isso que eu digo, mas o que importa mesmo é que essa música marcou a música oriental e merece destaque e todos os membros do X Japan estão de parabéns por está canção.

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