Gorillaz – Plastic Beach (2010)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Pop, Hip-Hop, Eletrônica
Gravadora: Parlophone, Virgin

Muito bem, todos conhecem o Gorillaz, a banda virtual britânica criada por Damon Albarn, que também faz parte do Blur. Em 2010, muitos dos fãs da banda entraram em alegria, assim como eu que gosto da banda desde pequeno, após cinco anos parados, a banda lançou um novo álbum: o Plastic Beach. De início, todos ficaram felizes, não sei quantos tiveram o mesmo pensamento ao ouvir o disco, mas eu notei uma grande mudança na banda.

O disco é mais Pop do que os antigos, que abordavam gêneros como Rock Alternativo, Hip-Hop Alternativo e até mesmo Trip Hop. Plastic Beach conta com a participação de vários rappers, cantores de R&B e até Soul, assim como nos outros álbuns, mas também temos alguns arranjos orquestrais nesse CD, algo novo.

As músicas são bem diferentes (duh), eu particularmente não me sentia ouvindo um álbum do Gorillaz, até mesmo por causa da faixa “Welcome to the World of the Plastic Beach” onde apenas o rapper Snoop Dogg canta, não ouvimos a voz de nenhum membro da banda e nem mesmo do famoso vocal 2D. Não estou dizendo que Plastic Beach é um álbum ruim, mas na minha opinião eu não me sinto ouvindo um álbum do Gorillaz, e sim um álbum de vários artistas com a participação da banda.

Nem todas me fizeram deixar o álbum de lado, músicas com “Stylo” e “On Melancholy Hill” são boas, que ficam na sua cabeça e são bem o estilo original da banda. Por fim, eu só posso dizer que eu achei o Plastic Beach um álbum razoável, mas nada comparado aos álbuns “Gorillaz” e “Demon Days”, esse que é o meu favorito.

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Saint Vitus – Lillie: F-65 (2012)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Stoner Metal
Gravadora: Season of Mist

Lillie: F-65, oitavo álbum dos veteranos do Saint Vitus, o primeiro desde 1995. A banda foi criada no final dos anos 70, experiência é o que não falta. Confesso que este lançamento foi o único da banda que eu ouvi, então não posso dizer que eles não passam de uma banda tributo ao Black Sabbath… Na verdade posso, é o que Lillie: F-65 mostra. Com uma “influência” extremamente exagerada do Sabbath, que não é novidade na cena stoner metal (vide a banda Sleep), o Saint Vitus irá agradar os fãs semi-cegos do gênero. Não há necessidade de um resumo sobre cada música, pegue o disco Master of Reality da banda de Tony Iommi, logo em seguida, rode Lillie: F-65, você irá notar as distorções, a atmosfera, e até os vocais bem parecidos. Um álbum que não acrescenta em nada na coleção de ninguém, e cuidado na hora de procurar bandas desse estilo para se ouvir, poucas são as que confiam em si mesmas para ter coragem de arriscar o mínimo possível musicalmente ou as que não estão chapadas vangloriando o Black Sabbath.

Chris Brown – Fortune (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: R&B, Pop, Eletrônica
Gravadora: RCA

Chris Brown: para alguns um cantor que sempre quis ser o Usher, para outros um talentoso ídolo, para outros um animal que bate em mulher e para mim um palavrão tão feio quanto comparar sua mãe com uma bela égua. Meus problemas com Brown vão além da surra que ele deu em Rihanna. Sua música é terrível, ele como cantor é um bom dançarino, suas letras são ridículas de tão ruim e sua atitude e personalidade são fracas e estúpidas. Sem falar que Chris Brown é o Justin Bieber da geração passada: uma criança agindo como um “loverboy” adulto, mas não tem idade, estilo, atitude e, principalmente, carisma para falar sobre temas românticos da maneira como ele falava, quando na verdade não tinha nem idade para isso. Seria como pedir para a Sandy e o Júnior falassem sobre amor na época em que eles cantavam “O Universo Precisa de Vocês (Power Rangers)”. E olha quando eu falo na falta de atitude de Brown e Bieber, falo que era tão baixa (e continua para Bieber) que Willow Smith tem mais atitude em seus 9 anos com “Whip My Hair” (uma péssima música) do que Bieber tem e Brown tinha. Tinha, pois a atual atitude de Brown chega a ser desrespeitosa para mim, tanto pessoalmente quanto artisticamente. Mas acho que está na hora de conferir o disco: O disco é bom ou ruim? Sim, por mais que eu sinta apatia pela pessoa, eu posso gostar do artista, certo?

Antes de mais nada: Fortune tem auto-tune. Não é nada tão prejudicial como em alguns discos que eu ouvi recentemente (Some Nights do fun. é um grande exemplo), mas é desnecessário e faz com que Brown tenha ainda menos personalidade, deixando muito mais aquém do esperado. Não acrescenta nada como acrescenta para T-Pain e Ke$ha, apenas remove o pouco do que temos. É notável que o álbum tem elementos de música eletrônica, mas o auto-tune deve ser muito bem usado, ou podemos ter um certo desastre sonoro. Chris Brown teve uma boa produção nesse quesito, mas não ao ponto desse plugin (sim, auto-tune é um plugin, não um software) ajudar em alguma coisa. As vezes até prejudica a audição do álbum como em “Biggest Fan” e em “Don’t Wake Me Up”: é irritante e cansativo ouvir gritinhos de Brown com esse efeito terrível. Mas eu particularmente não tenho problemas com auto-tune, desde que você use e deixe as coisas melhores, não um efeito desnecessário.

Começamos com uma típica música de balada. E não, não é uma balada estilo “Is This Love” do Whitesnake, e sim uma balada de festa. “Turn Up The Music” é o tipo de música que você já está cansado de ouvir antes mesmo de ouvir. Flo Rida, Pitbull, LMFAO, Black Eyed Peas, Lady Gaga, Ke$ha e Enrique Iglesias (até ele!) já fizeram e/ou ainda fazem esse tipo de música. A indústria da música já está cansada das mesmas ideias de “sair para festa e curtir o máximo dela”. Seus timbres me desagradam bastante e as batidas são um pouco irritantes. Mas o que pode se dizer de positivo para “Turn Up The Music”? Certamente é bem produzida e é o tipo de música que você quer ouvir em uma festa pop, eletrônica e até “neutra”. E quando me refiro a “neutra” me refiro a algo “eclético”, em aspas mesmo. Você quer ouvir um tipo de música que você possa curtir com seus amigos sem se importar com que está fazendo, deixando a música alta tocar, mas sem exageros. “Turn Up The Music” é exatamente isso. Não é extrema como “Tik Tok” da Ke$ha, nem entediante como “Tonight, Tonight” da banda Hot Chelle Rae. Inicia o álbum de maneira saudável, se assim posso dizer.

A próxima música é “Bassline” e eu te garanto desde já: é uma das piores músicas que eu ouvi e ouvirei esse ano. A batida eletrônica quase dubstep é terrível, sem falar que o refrão tem essa metáfora horrível: “Girls like my (bassline)”, sendo a parte em parênteses com uma voz robótica. Se você soubesse o suficiente de Inglês, saberia que quando é mencionado o termo “Bassline”, Brown se refere aquela metáfora americana para sexo: First Base (primeira base), Second Base (segunda base) e assim vai… E se entendeu o que ele quis dizer com “Bassline”, então percebeu que “as garotas gostam da base de Chris Brown”, ou seja, gostam de transar com ele. Se eu lesse isso provavelmente acharia engraçado e até inteligente, mas a maneira que Brown se impõe com a frase, com uma arrogância e ego gigante, chega a me dar raiva e nojo. E o pior de tudo é que isso é bom para ele. Difícil de explicar o porque, mas esse era o objetivo dele em “Bassline”, pelo menos é que o homem quis passar em minha opinião, e ele conseguiu. Palmas para ele. Receberia um assobio se a música fosse boa, mas não é, então vamos seguir para a próxima faixa.

A próxima música inicia eletronicamente terrível, se é que isso existe. “Till I Die” tem participação especial de Big Sean e de Wiz Khalifa onde temos uma terrível escolha de timbres seguida por versos terríveis dos rappers convidados, principalmente de Wiz Khalifa, um rapper genérico que só fala coisas genéricas dos atuais rappers, como quantas mulheres consegue ou quão foda é. A única grande diferença entre Wiz Khalifa e o restante é que o rapper citado faz questão em mencionar em qualquer música que esteja fazendo, seja sua ou em participação especial, que “seus carros funcionam apertando um botão”, vide a música de sua autoria “Black and Yellow”, uma música que supostamente fala sobre Pittsburgh e o time de futebol americano Pittsburgh Steelers, e “Payphone” do Maroon 5, onde ele deveria falar sobre um fim de relacionamento. Mas como o próprio Wiz fala no primeiro verso de “Payphone”, “Fuck that shit”, pois o que importa são seus carros que ligam com um botão, nos quais são mais fáceis de serem roubados. Em resumo, outra música ruim desse disco.

“Mirage” começa como música de “gangstar rapper”, daqueles que querem intimidar qualquer um que passar por seu caminho. Brown não tem carisma nem voz para fazer isso, e o auto-tune piora ainda mais, deixando essa faixa ainda mais fraca. Tem a participação de Nas, que sinceramente não acho importante e até desnecessária. Depois de “Mirage” temos “Don’t Judge Me”, uma balada onde Chris Brown pede para não ser julgado. Na música anterior você passou uma atmosfera de que é o cara perigoso e malvado, agora nessa você pede para não te julgarem, ainda mais depois de você quase arrebentar a Rihanna. Eu prefiro te julgar, assim como eu julgo Enrique Iglesias após a música “Tonight (I’m Fuckin’ You)”. Questão de segurança mesmo. A música em si é chatinha e entediante, mas não tanto quanto a próxima, “2012”, onde você já deve imaginar o que deve acontecer envolvendo uma faixa com esse título, só que com teor erótico. Sim, o mundo está acabando e Brown quer fazer sexo com a garota, e da maneira mais romântica possível. E outra balada é “Biggest Fan”, onde não acrescenta nada ao álbum. Não é tão ruim como “2012”, mas é igualmente chata como “Don’t Judge Me”. E são três baladas seguidas! Decaiu totalmente a atmosfera eletrônica de diversão que iniciou o álbum que se transformou em uma tentativa falha de ser gangstar e agora virou essa “coisa melosa”.

Em “Sweet Love” temos a junção das duas atmosferas anteriores: a de gangstar e a melosa. Mas a de gangstar é só na introdução. Em outras palavras, nós temos quatro baladas seguidas. Eu sei que Brown é um cantor de R&B, um gênero onde temos muitas músicas assim. O problema é que não está estruturado da maneira correta. Eu não teria um grande problema se “Turn Up The Music” fosse seguida por essas quatro baladas, mas a atmosfera criada pelas faixas posteriores a faixa inicial é totalmente fora do lugar. É como se dois artistas tivessem dividindo um único lançamento. E em “Strip” tenho ainda mais essa certeza. Uma música mais animada, porém ainda tem aquele jeitinho meloso do R&B. Tem a participação especial de Kevin McCall, que pelo menos entende a temática da música, da maneira mais grosseira possível. E qual o problema de Chris Brown querer ficar pelado com a garota? É o segundo refrão onde o rapaz pede para ficar pelado com a moça. Que vício em sexo é esse, meu rapaz? Está precisando de um tratamento, e dos bons.

Ainda temos outras canções estúpidas, fracas, ruins, ou como queira dizer, com destaque para “Party Hard / Cadillac [Interlude]”, onde temos uma música e uma introdução para outra música, e a transição fica percebível, não fazendo sentido algum. Isso seria “bom” se ela fosse a última faixa e esse interlúdio fosse o fim do álbum, uma faixa escondida, mas mesmo assim, as batidas das partes são genéricas e fracas. E para encerrar temos a esquisita “Trumpet Lights”, uma música totalmente eletrônica, onde o auto-tune em Brown é extremamente irritante, a batida é como se houvesse uma nova mixagem para os efeitos sonoros do famoso jogo Pac-Man, até chegarmos ao pré-refrão cantado por Sabrina Antoinette seguido por um refrão “bem bacana”, com Brown e sua “batida” martelando sua cabeça repetidas vezes. Se ao fim desse álbum você não teve uma dor de cabeça, você é um grande guerreiro e deveria sempre estar peleando em guerras.

Fortune é um álbum horrível, com grandes chances de receber o prêmio de pior disco do ano. E se não fosse a produção feita para esse álbum, poderia ser um dos piores da década ou do século. É o álbum para você, fã de Chris Brown, que quer pelado(a) com ele e fazer sexo, mas muito sexo, com uma terrível música de fundo, sendo bizarra ou esquecível. Nem todas as canções são bizarras, mas todas são esquecíveis. O mais próximo de ser memorável é o refrão de “Bassline”, e não porque é grudento, mas porque me irritou, e muito. Fortune não é um álbum recomendado para qualquer um, aliás, para ninguém. Todos devem ficar longe dele. E não digo isso porque eu odeio a música Pop atual ou simplesmente odeio Chris Brown como pessoa. Eu digo isso porque eu odeio o álbum Fortune. Se você quiser ouvir, ouça para comprovar o quão ruim é o quinto disco desse cantor de R&B que sempre quis ser o novo Usher, mas nunca teve o talento ou o carisma para isso. E por falar nisso, se você quiser ouvir R&B ouça Usher ou qualquer outro cantor dentro do gênero, menos Chris Brown. É para seu próprio bem.

Silversun Pickups – Neck of the Woods (2012)

Origem: E.U.A.
Gêneros: Indie Rock, Rock Alternativo, Dream Pop
Gravadora: Dangerbird

Quando uma banda consegue trazer algo novo a sua respectiva cena, ela instantaneamente ganha sucesso, mesmo que seja no underground. Isso raramente acontece, porquê nem todos são donos da maior criatividade do mundo, e em alguns casos, não acontece porquê as pessoas ficam órfãs de algum gênero ou de alguma banda com características semelhantes e passam a chamar uma nova banda de “os novos – insira o nome da banda aqui –“.

É impossível falar do Silversun Pickups sem fazer uma referência a “história” acima, pois embora eles não façam meros “rip-offs”, o quarteto já nasceu sendo comparado aos gigantes do The Smashing Pumpkins. Estes, por sua vez, fizeram uma mudança radical na carreira, abandonando as guitarra fortes e ao mesmo tempo melódicas no meio da década de 90, tomando um outro rumo (aí entram os supostos “órfãos”). Como se já não bastasse, ambos os grupos possuem outras características em comum, como vocalistas de vozes predominantemente agudas, baixistas e bateristas pra banda de metal nenhuma botar defeito.

Resultado? Carnavas (2006) foi considerado pela mídia um dos melhores da última década, criando novos fãs e sendo constantemente comparado a primeira fase dos Pumpkins (Gish, Siamese Dream e outros EP´s). Aí o quarteto liderado por Brian Aubert sentiu na pele o quão duro é sofrer comparações pela mídia (de modo geral). Se o primeiro trabalho remetia a um outro grupo, Swoon (2009) foi bem recebido pela crítica, mas cobrado por não ser uma continuidade do som encontrado no debut de 2006;.

Avancemos para 2012, onde mantendo o ritmo de 3 anos, a lança banda Neck Of The Woods, um álbum conceitual onde as letras consistem em filmes de terror e a ambientação dos mesmos. A expectativa era grande, o single “Bloody Mary (Never Endings)” foi lançado anteriormente ao disco e teve uma boa recepção. O disco inicia com “Skin Graph”, logo uma das mais legais do disco, alternando um refrão animado e partes lentas, onde o excelente baterista Chris Guanlao pode mostrar toda a sua habilidade, um dos pontos fortes de todos os trabalhos. “Make Believe”, traz uma sensação de estranheza, pois a banda traz algumas “pitadas” de Dream Pop em seu som, mas música em questão parece estar no lugar errado, sendo impossível notar uma influência muito maior do gênero. Também é aqui que podemos notar a raiz para todos os problemas do disco, que é a duração das músicas. Embora pouco mais de 5 minutos não seja grande para uma música, ao contrário das composições encontradas nos trabalhos anteriores (outra comparação inevitável) que tinham durações nessa mesma faixa e eram bem elaboradas de modo que nunca caíssem na mesmice, algumas músicas desse álbum parecem ter sido alongadas de uma forma forçada, o que dá uma vontade forte de pular a música, o que não é lá muito agradável.

“Bloody Mary (Never Endings)” é uma boa música, mas não passa disso, nada espetacular até aqui. O mesmo se repete em “Busy Bees”, essa mostra que o teclado de Joe Lester está se encaixando no som da banda como nunca, mas outra vez temos uma faixa que não anima. Essa formula se repete na lenta “Here We Are (Chancer)”, onde parece que você não vai querer chegar no fim do play. “Mean Spirits” vem pra mudar um pouco essa história, mas depois dela vem “Simmer”, que é sem dúvidas a pior do disco, e também a mais longa com exatamente 6 minutos e 50 segundos de duração. A música é muito ruim e repetitiva, e ao chegar na casa dos dois minutos você com toda a certeza olhará o tempo que já se passou para saber se falta muito para acabar.

“The Pit” é o contrário de tudo o que vimos até agora, é animada (não seja por isso), mas aqui o teclado (que eu já citei) flui de uma maneira raramente vista em bandas do gênero. Também é a menor do disco com 4 minutos e 51 segundos, e se desenvolve muito bem com o decorrer desse tempo, Aubert soube fazer uma faixa que se tornará uma das mais memoráveis da banda. Depois dessa “injeção de ânimo”, vem “Dots and Dashes (Enough Already)”, outra grande faixa que possui os mesmo moldes da anterior e dos sucessos dos discos anteriores, trazendo mudanças no “clima” da faixa comforme ela vai avançando, prendendo o ouvinte. “Gun-Shy Sunshine” e “Out of Breath” vem pra fechar o álbum de uma forma adequada, não sendo vítimas visíveis dos problemas já citados, mas soando parcialmente enfadonhas.

Tirar uma conclusão sobre Neck Of The Woods é algo um tanto quanto complicado, mesmo que o disco seja bem auto-explicativo. Não é horrível, mas a maior frustração é saber que é uma banda que vem de dois grandes trabalhos, e faz um disco assim. Olhando bem, podemos notar uma mudança na sonoridade da banda, mas como nada funciona repentinamente, eles não conseguiram um resultado satisfatório. Esperaremos uma continuidade para saber se NOTW é um novo começo ou só um álbum fraco.

a-ha – Hunting High and Low (1985)

Origem: Noruega
Gêneros: Synthpop, New Wave, Pop Rock
Gravadora: Warner Bros.

Se a banda fosse dos tempos atuais, seria considera “hipster” por seu nome (a-ha) ser escrito assim. Talvez fosse menos popular do que foi em 1985, época do lançamento do disco de estréia, Hunting High and Low. A banda, originária de Oslo, Noruega, foi composta por três integrantes, os quais são: Morten Harket (vocais), Paul Waaktaar (guitarra) e Magne Furuholmen (teclados e sintetizadores). Uma banda composta por garotos boa pinta, jovens e conquistaram rapidamente o mundo na metade dos anos 80, acabou sendo considerada uma banda de um único hit, o que é uma tremenda mentira. O trio merecia muito mais do que recebeu durante sua carreira que acabou em 2010. Mas de nome talvez ninguém se recorde do grupo, mas ao ouvir o maior hit da banda e ver o seu videoclipe, é muito provável que irão se lembrar de a-ha.

O álbum inicia-se com a clássica “Take On Me”. Magne Furuholmen usa bem os sintetizadores, deixando a música cativante, principalmente para o vocalista, Morten Harket. Sr. Morten, mesmo com os problemas de seu sotaque norueguês passados para o Inglês (sim, as músicas são em Inglês), conseguiu emitir uma grande emoção em suas linhas vocais, atingindo notas bem altas, transformando “Take On Me” em uma excelente escolha para iniciar o álbum. Outra coisa interessante que é encontrada, não só em “Take On Me”, é a qualidade lírica das letras. Ok, são letras românticas e são bem sinceras, algo que podemos até nos relacionar e se identificar com que querem passar. Mas a maneira como passam é como se eles precisassem e quisessem você. Soa verdadeiro e simples, porém agradável. Porém nem tudo são flores nas letras, mas veremos isso nas canções posteriores.

A próxima faixa é “Train Of Thought”, e honestamente, não é tipo de música que fez pirar no a-ha. Podemos dizer que é quase uma “album filler”, ou seja, preenchedora de espaço. É uma música ok, não tão épica quanto a primeira, mas não faz a qualidade do disco cair, chegando a quase ser boa. É o tipo de música que você deve fazer sua mulher ouvir quando ela quer fazer ginástica em casa (eu acho). Ela te motiva e te deixa animado, mas como eu disse, “album filler”. Já na faixa-título a atmosfera é outra. Temos a primeira balada, bem bonitinha, e eu gosto muito dela por suas passagens calmas até sua explosão, onde Morten simplesmente arrasa com linda voz em um momento onde podemos encontrar em canções de Power Metal. E após a explosão, teclados e sintetizadores comandam até a chegada de um refrão bem vindo. É uma música bem composta na opinião de quem escreve.

Se em “Train Of Thought” temos quase uma faixa preenchedora de espaço, em “Blue Sky” temos a certeza que ela é. É curta demais, não é atrativa e um pouco repetitiva. Apesar de soar bem pessoal em alguns momentos líricos, ela não é o tipo de música que você faria questão de voltar a ouvir. Mas em “Living A Boy’s Adventure Tale”, você até tem vontade de fazer isso. Não é o tipo de música que fará sua cabeça, chegando até ser um pouco lenta e fraquinha, mas seu refrão é fofo, se assim me libero a dizer, deixando a música até simpática. Os timbres usados, combinando com a voz de Morten, deixam as coisas bacanas, que ficariam mais interessantes se não fosse por uma passagem na letra que me incomoda e me perturba fortemente. “To lick my wounds” é a passagem. Tudo bem, você está vivendo uma história de aventura para meninos, mas você não é um animal para ficar lambendo suas feridas. Não seria melhor um “heal” (curar) ali? Isso chega ao nível Train de letras. Melhor eu parar por aqui e seguir com a resenha, ou irei falar dessa banda que acabei de citar.

“The Sun Always Shines On T.V.” inicia de maneira depressiva e melancólica até crescer em uma sonoridade épica e até industrial, soando bem “dark”. É uma das minhas músicas favoritas do grupo, mas essa é uma daquelas música onde a letra é confusa, um dos problemas que temos com o grupo. “Please don’t ask me to defend the shamefull lowlands of the way I’m drifting gloomily through time”. Como assim, não pedir para que você defenda as vergonhosas baixadas do caminho em que você estava sendo levado melancolicamente pelo tempo? Pelo contrário, eu pediria para você fazer isso. Talvez quisessem passar a ideia de que “não precisa pedir, eu farei isso de qualquer jeito”. Mas isso não deixa de ser uma boa faixa, que como eu disse, soa épica e seu refrão é ótimo. Uma pena que Morten não decidiu atingir notas altas nessa música como fez em “Take On Me”. Provavelmente ficaria muito bom. Acredita-se que essa música tenha “estragado a carreira comercial do grupo nos Estados Unidos da América”, mas isso é tema para um texto separado.

Temos agora “And You Tell Me”. A música mais nojentamente fofa do álbum. Mal chega a marca de dois minutos e essa música. É uma música ok, outra “album filler”, mas sua fofura me irrita. Em “Love Is Reason”, temos uma canção grudenta, pop e feliz. Muito boa para animar, onde um dos grandes destaques ficam para Paul, fazendo bem sua parte com o violão no refrão, ficando bem marcante. Outra coisa que eu gosto dessa música são os sintetizadores e seus timbres escolhidos. Eles animam muito bem e criam uma atmosfera bem divertida na música. Em “I Dream Myself Alive” já começa com o refrão de cara e logo já deixa as coisas animadas. É uma boa faixa e guia para o espetacular e triste encerramento, “Here I Stand And Face The Rain”. Não há maneira melhor para descrever ela como uma faixa épica, pop e lindamente triste (?), chegando a ser uma faixa viajante em algumas passagens. Esta canção, apesar de um final nada feliz, é o tipo de música onde as pessoas tem grande facilidade em se identificar e se relacionar com ela. “Here I Stand And Face The Rain” é certamente o melhor final para o álbum.

E este é Hunting High and Low, o álbum de estréia da banda norueguesa a-ha, que foi lançado em 1985. É um bom disco? Não. É um ótimo disco. Os músicos do a-ha tem talento ou são apenas caras bonitos querendo pagar de gostosos? a-ha, diferente de sua grande influência (Duran Duran), não tentam pagar de gostosos. Na verdade, esse trio de Oslo tenta ser único de sua maneira, bem romântica e até adulta e graças ao talento dos caras isso se tornou possível. E a prova de que os caras tem talento é o disco sucessor, Scoundrel Days, que é disco tão bom como o primeiro, o suficiente para ser recomendado, assim como o disco que foi resenhado. Apesar de algumas músicas fracas e alguns momentos questionáveis nas letras, a-ha começou muito bem sua carreira, seja pela fama que conseguiu ou pelo trabalho feito. Recomendo a todos os fãs da música Pop e até aqueles que não são tão chegados ao gênero, como eu era. É um ótimo trabalho que você deve conhecer.

The Strokes – Is This It (2001)

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Origem: E.U.A.
Gêneros: Garage Revival, Rock Alternativo, Indie Rock
Gravadora: RCA

Sim, The Strokes, os tão aclamados (outrora criticados) “salvadores do rock”. O Ano é 2001, após a virada de década, a música vinha tomando outra forma, muita coisa nova vinha surgindo e outras se renovando, porém, faltava divulgação. A Internet estava se tornando popular nos países mais desenvolvidos, enquanto em outros ainda era um sonho distante ou simplesmente um luxo. Rádios quase nunca saem do que geralmente veiculam, por terem na maioria das vezes um público alvo fixo. Já na TV, temos um símbolo, heroína ou vilã, ela sempre esteve lá, e se chama MTV. Desde a queda de popularidade do movimento grunge, esta começou a dar atenção a novas tendências e material que vendesse mais (afinal, essa é a lógica do capitalismo). Deixando cada vez mais o rock de lado.

Em meio a tantos clichês como: “O rock morreu” e “Música nova não presta”, o movimento que trouxe o gênero (de modo bem abrangente) de volta aos meios midiáticos estava em plena expansão. Alguns eram classificados como Indies, já outros tinham uma pegada Garage Rock setentista e alguns outros faziam um som com o estilo do rock alternativo dos anos 90. O The Strokes de certa forma incorporou todos os citados anteriormente a sua sonoridade.

Uma das cenas locais de grande repercussão desse movimento foi a de Nova Iorque, cidade natal do The Strokes e que teve um papel muito importante em Is This It, pois a grande inspiração para o conceito das letras do álbum foi a vida na “metrópole”, uma vez que o próprio Casablancas admitiu que grande parte do que está nu álbum, ele vivenciou ou viu ao longo de sua vida.

A primeira faixa do disco possui o mesmo nome do álbum e é uma balada, inicialmente pode enganar o ouvinte, embora tenha qualidade. A música seguinte é “The Modern Age”, uma ótima música. Em “Soma”, pode se notar que o ar de simplicidade se repete novamente, porém muita energia, essa que por sua vez é o grande trunfo de “Barely Legal”, talvez a melhor do álbum, os vocais rasgados de Casablancas e guitarra muito bem tocada de Albert Hammond Jr. mostram do que uma boa composição é capaz, mesmo que não seja coberta de técnica e virtuosismo.

A faixa de n°5 é a dançante “Someday”, um dos três singles retirados do álbum possui um refrão grudento e capaz de levantar qualquer um. “Alone,Together” é uma música fácil de ser esquecida, não pela falta de qualidade, mas pela falta de uma marca registrada como as demais. Daí em diante, o disco decola, emendando “Hard to Explain”, outro single com refrão poderosíssimo, a incrível “Last Nite”, uma das músicas de maior sucesso da banda, onde mais uma vez a guitarra é o grande diferencial, trazendo uma vibe vintage. A faixa 9 gerou polêmica, pois inicialmente seria New York City Cops, mas devido aos atentados terroristas (MUITO mal explicados) ocorridos ao WTC, foi censurada. O Motivo, um refrão onde Julian canta:

“New York City cops
New York City cops

New York City cops
They ain’t too smart”

Uma pena, pois quando eu disse que “Barely Legal” era possívelmente uma das melhores do álbum, é porquê “New York City Cops” faz uma disputa acirrada para decidir a melhor faixa. O resultado disso tudo? A faixa foi trocada no lançamento americano por “When It Started”, uma música que deixa a desejar. Inclusive, além do selo de “Parental Advisory”, a capa do disco tampem sofreu censura nos E.U.A e foi trocado por essa aqui. “Trying Your Luck” é um pouco calma em relação as outras, logo após vem “Take It Or Leave It” pra fechar com chave de ouro essa obra prima.

O legal desse disco é que por mais moderno que ele possa soar, ele trás a essência do rock em si, como instrumentos não tão “limpos”, vocais rasgados e melodias simples e dançantes. Se a qualidade do The Strokes caiu ao longo de sua carreira, pouco importa, esse disco comprova que no início da década passada eles não foram uma simples banda hypeada e fizeram por merecer a atenção que receberam da mídia. É simples, direto, bem produzido e existe uma grande chance de você querer escutar muitas vezes. O único defeito existente no material é a ausência de “New York City Cops” na versão americana. As letras de modo geral são boas, falam sobre o cotidiano, amor e afins,  mas algumas são bem fracas. Embora seja o espírito do bom e velho rock simples e contagiante, algumas são realmente bem fraquinhas e você pode até demorar a encontrar um sentido concreto por trás daquilo tudo. De resto, é ótimo. Um dos melhores da década passada e um marco pro gênero.

Metric – Synthetica (2012)

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Origem: Canadá
Gêneros: Indie Pop, Synth Pop, New Wave
Gravadoras: Metric Music International/Mom & Pop

O Metric é uma banda de indie-pop formada em Toronto, Ontario, Canadá em 1998, tiveram um início modesto, porém ganharam espaço simultaneamente com uma enxurrada de outras bandas “Indies”, quando esse movimento “explodiu” no início da década passada. Synthetica é o 5° álbum de estúdio do grupo, lançado agora dia 12 de Junho.

Na primeira vez em que escutei Synthetica, tive uma primeira impressão um pouco estranha, foram 3 audições seguidas, não pelo fato de ser um disco “pouco convencional” ou “difícil”, mas sim por trazer um Metric ligeiramente diferente do último disco “Fantasies” de 2009. Cada disco do quarteto tem uma pequena idéia que embasa o registro, “Fantasies” era o tipo de disco grudento, feito para gerar vários singles e músicas que tocassem nas rádios, deixando de lado uma certa complexidade nas letras e em seus temas abordados nos seus discos anteriores (embora a própria banda tenha optado por lançar o disco de forma independente, assim como aconteceu com o álbum que está sendo analisado). Segundo a vocalista da banda Emily Haines, a temática por trás do novo álbum é a seguinte: Reflexões sobre o cotidiano, se baseando no dilema “Real VS. Imaginário”

Logo em sua primeira faixa, “Arctificial Nocturne”, o disco mostra que tem potencial. É uma faixa de aproximadamente seis minutos e é também uma das melhores do disco, começa com uma bela introdução e chega á um refrão extremamente viciante, uma característica bem comum no disco. É seguida por “Youth Without Youth”, primeiro single do disco e outra ótima música. Em “Speed the Collapse”, a bela voz da carismática Emily faz a diferença. A faixa seguinte é “Dreams so Real” e é repetitiva, chata e dispensável. A qualidade do disco não tem uma queda drástica, mas ele aparenta ficar um pouco morto até “Synthetica”. A faixa que dá nome ao álbum é a melhor do disco, lembrando muito “Gold Guns Girls”, o maior sucesso do álbum anterior e um dos maiores sucessos da banda. As próximas 3 faixas do disco são respectivamente “Clone”, “The Wanderlust”(que possui participação do ilustre Lou Reed) e “Nothing But Time” que fecha o álbum com chave de ouro.

Enfim, é um ótimo disco, seja pra quem gosta do gênero e também para quem não gosta, pois é musicalmente diversificado e bem diferente do que vemos no mainstream atual, fazendo uma fusão entre o Synth Pop e o Indie Rock mais tradicional. Alternando entre pegadas dançantes e músicas lentas e reflexivas, Synthetica cumpre muito bem seu papel, sendo o melhor álbum do Metric dentre os demais lançados. O álbum peca em alguns aspectos, um deles é o fato de algumas músicas (2 ou 3) serem repetitivas e desgastantes a ponto de você apertar “skip”. Essas músicas aparecem sucessivamente no meio do álbum, causando uma maior impressão de falta de qualidade. Nem assim, deixa de ser um dos melhores álbuns de 2012.