Adema – Topple the Giants (2013)

Adema - Topple the Giants
Origem:
Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo, Nu Metal
Gravadora: Pavement Entertainment

Desde “Kill the Headlights”, o Adema estava inativo pela ausência de um vocalista. Seis anos depois, a banda surge com “Topple the Giants”, que marca a estréia do guitarrista Tim Fluckey nos vocais da banda. Eu fiquei bastante entusiasmado, já que eu sempre considerei a banda muito boa, apesar de preferir os vocais de Mark Chavez aos de Luke Carraccioli (este que esteve presente no álbum “Planets”, que diga-se de passagem, é muito bom) e de Bobby Reeves. Vamos ao principal, o conteúdo.

O EP é formado por sete faixas, sendo três inéditas e quatro regravações de sucessos anteriores da banda. Na primeira faixa já percebemos o que me deixou muito chateado, não, Fluckey não é um mau cantor, porém, ele não tem aquele “feeling” quando canta, tal como tinham Mark Chavez e Luke Carraccioli (apesar de preferir o vocal de Chavez, devo admitir que Carraccioli tem um feeling absurdo ao cantar). Parece que Fluckey não se entusiasma ao cantar, mesmo com um instrumental ótimo, o vocal peca bastante.

Como se já não fosse ruim o bastante não transmitir entusiasmo ao cantar as músicas inéditas, Fluckey conseguiu deixar sem graça algumas grandes músicas da banda, tais como “Planets” e “Immortal”. Não estou dizendo que o guitarrista não é um bom cantor, não. Fluckey se esforçou e está apto para cantar, só não tem o entusiasmo que os ex-vocalistas tinham. Enfim, posso dizer que, por enquanto, será melhor que o vocal seja aperfeiçoado antes de lançar outro trabalho com o Adema. Infelizmente não era o retorno que eu esperava, mas, paciência.

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Drowning Pool – Sinner (2001)

Origem: Estados Unidos
Gravadora: Wind-Up
Gêneros: Nu Metal, Metal Alternativo

Drowning Pool foi uma banda muito popular no início da década passada graças a música “Bodies”, o maior hit que a banda já emplacou em sua carreira. A banda composta na época pelo falecido vocalista Dave Williams e pelos outros integrantes, Mike Luce (baterista), C. J. Pierce (guitarrista) e Stevie Benton (baixista). A banda estourou no auge do Nu Metal e, honestamente, e o clássico exemplo de “One Hit Wonderland”. A banda aparece do nada, faz um hit gigantesco e some do nada no abismo do esquecimento. Quando lembram da banda é por causa do hit “Bodies”, ou porque são “fãs da banda”. Em aspas mesmo, pois a maioria só gosta da “era Sinner”, ou “era Dave Williams”, como preferir, onde o vocalista ainda estava vivo. Mas não estou para julgar esta questão, e sim dar minha opinião sobre o disco Sinner.

Antes de começar, preciso reclamar com a produção/mixagem/masterização do disco. O disco soa sujo, mas ao invés de uma sonoridade orgânica como as das bandas que deixarei em parênteses (Nirvana, Foo Fighters, Baroness e outras caralhadas de bandas), soa robótico e genérico. Essa sonoridade robótica e genérica (que por acaso me lembra do Iconoclast do Symphony X) não cria uma atmosfera intimista, ou pesada, ou maligna, ou qualquer outro adjetivo. Faz parece enojado e velho, com uma distorção que parece reaparecer constantemente, o que seria bom em um disco conceitual, o que não é o caso de Sinner. Apesar das partes vocais ficarem bem feitas, o instrumental acaba ficando embolado e as vezes até baixo demais. O baixo parece estar ali por obrigação, tendo poucos momentos interessantes, diferente da bateria, que nem um singelo momento de destaque tem. A guitarra apresenta alguns riffs bacanas, mas são tão robóticos e genéricos que parecem terem saído do Breaking Benjamin e do Disturbed. Em outras palavras, é o que os estrangeiros chamam de “Radio Metal”, ou seja, Metal acessível e fácil de assimilar.

As músicas são todas pauladas. Não temos baladinhas ou outros momentos espontâneos/únicos. Isso é um movimento arriscado para um disco, podendo até deixa-lo entediante e repetitivo, mas caso a banda tenha criatividade e arrisque em algumas ideias diferentes, talvez valha à pena. Mas Drowning Pool decide pelo mais fácil. Temos músicas que conseguem apresentar a mesma energia que apresentam em outras canções do disco, mudando pouca coisa. Nada interessante, a não ser que você seja fã do gênero. E o grande hit, “Bodies”, tem quase 3 minutos e meio de duração e sinto que poderia ser resumido em 2 minutos e meio de tão repetitiva que é. Mas é inegável, é uma música com energia e tem seu lado grudento, algo que esse disco possui graças ao vocalista, Dave Williams (falarei dele mais abaixo). Temos momentos bacanas, outros cansativos, poucos solos de guitarra ou de qualquer outro instrumento que possam quebrar a monotonia… Em resumo, posso falar que a melhor canção do álbum é “I Am”, que além de possuir um solo de guitarra legal, tem uma seção incrível em sua metade. Por outro lado, “Mute” é a pior canção: esquecível, chata e entediante, chega até dar sono.

O instrumental é uma parte mediana/fraca do disco, e a mais forte fica por parte dos vocais de Dave Williams. Não vou negar, sua voz tem algo diferente dentre muitos e suas linhas vocais são realmente as melhores parte do álbum. Mas isso faz dele um grande vocalista? Não, apenas decente. Ele tem um timbre interessante e seus gritos são bons, mas existem vocalistas melhores naquela própria época, que não só tinham mais versatilidade que Dave, mas que tinham um alcance muito maior. E algumas de suas interpretações são totalmente estranhas, como em “Sermon”, quando tenta ser um Michael Buffer da vida. E em “Tear Away”, quando o homem solta “Goddam, I love me!” soa fraco. Não combina com a sonoridade da música. Não soa provocativo, nem credível. Soa como se fosse um palavrão gratuito de uma música do Glória: sem motivo nenhum, mas ali está. É uma pena, pois se fosse usada em uma música que combinasse com a frase, ficaria até engraçado. Em resumo, Dave Williams pode ser até um bom vocalista, mas é “overrated”.

Drowning Pool pode ter feito um grande sucesso enquanto Williams viveu, mas percebe-se o quão datado Sinner é, por mais recente que seja. É um disco com poucos momentos memoráveis, repleto de canções que não tem grande potencial na parte instrumental (com exceção de alguns momentos), sendo salvo pelo vocalista. Se você quiser conferir, Sinner tem para te oferecer de bom os vocais e alguns momentos instrumentais, com algumas canções que talvez você lembre com mais facilidade. O ruim que Sinner tem a te oferecer (além do que eu escrevi em cima) é que cometeu o maior crime que algo relacionado ao Metal não deve: é muito abaixo no nível “headbanger”, tendo poucos momentos onde você sinta intensidade e te dê uma reação que uma banda de Metal deve te dar, seja positiva ou até negativa. É um álbum medíocre/fraco que deve ficar em seu tempo.

Linkin Park – Meteora (2003)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Nu Metal, Rap Metal, Rock Alternativo
Gravadora: Warner Bros.

Após o grandioso sucesso comercial de Hybrid Theory, de 2000, o Linkin Park, banda composta por Chester Bennington (Vocal), Mike Shinoda (Vocal, Guitarra e Teclado) Joe Hahn (Samplers), Phoenix Farrell (Baixo), Brad Delson (Guitarra) e Rob Bourdon (Bateria e Percussão), tinham por objetivo superar um disco aclamado, ou pelo menos conseguir manter no mesmo nível. E foi o que aconteceu. O Linkin Park nos apresenta uma sonoridade similar de seu antecessor que facilmente agradou os fãs do grupo e manteve o sucesso. A banda não correu riscos e fez o que achou certo.

As diferenças mais notáveis são a diminuição do uso do Rap nas canções. Enquanto no primeiro disco, até nas canções mais pesadas havíamos Mike Shinoda dando suas linhas vocais participativas, ele é mais passivo aqui, deixando mais espaço para Chester berrar e cantar. As músicas aqui emendam umas nas outras, como se fossem uma só, dividas em 13 faixas com quase 37 minutos de duração, mas só parece, não se iluda, sem falar que dessas 13 canções, 6 faixas foram lançadas como single. Aqui temos canções mais pesadas como “Hit The Floor” e “Don’t Stay”, que antes de começar é introduzida pela primeira faixa, de 14 segundos, “Foreword”, outras mais próximas de serem calmas, como a faixa de encerramento “Numb” (que aliás é o melhor encerramento de álbum que a banda já fez) e “Breaking The Habit”, minha canção favorita do grupo.

Temos, claro, outras canções que não agradam tanto, como “Easier To Run”, que já começa com o refrão, após uma pequena introdução. Não me agrada canções diretas assim, sem mistério algum. “Session” é quase equivalente de “Cure For The Itch”, porém não chega a ser uma piada, mas é bem experimental, ainda mais por ser instrumental. Um dos grandes hits, “Faint”, nunca me agradou, até mesmo na primeira vez que eu escutei na MTV em 2003. Agora eu acho uma boa canção, mas ainda sim não me impressiona nem um pouco. Não sei dizer um motivo que deixe claro meu desgosto. Outras faixas, como “Somewhere I Belong”, “Lying From You”, “Figure.09” e entre outras canções continuam aquilo feito no primeiro disco com um pouco mais peso e menos Rap, que continua presente.

Se você gostou de Hybrid Theory, igualmente gostará de Meteora, a não ser que espere que a banda arrisque fortemente, como o Dream Theater fez em Awake, após lançar o seu disco com maior sucesso comercial, Images & Words. Aquele som explosivo não é mais impressionante. O que encanta mesmo são canções como “Breaking The Habit” e “Numb” que acabam com aquele jeito forçado nos gritos de Chester que não chegam a soar raivosos como em 2000, e no fim acabam mostrando uma banda que mais versátil do que aparenta ser. E isso é visível nos próximos lançamentos, como A Thousand Suns e Minutes To Midnight. Para encerrar, Meteora é recomendado aos fãs de Hybrid Theory e do gênero.

Bloodsimple – Red Harvest (2008)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo, Metalcore, Nu Metal, Groove Metal
Gravadora: Reprise, Bullygoat

Com o nome do disco inspirado no livro de mesmo nome escrito por Dashiell Hammett, Red Harvest é o segundo disco de estúdio e infelizmente o último lançado pelo Bloodsimple. A banda composta pelo raivoso e explosivo Tim Williams (vocalista), Mike Kennedy (guitarrista), Nick Rowe (guitarrista) e Kyle Sanders (baixista) tinham que superar o lançamento de A Cruel World, de 2005 (que já foi analisado aqui no Images & Words) e a saída do baterista Chris Hamilton, que em estúdio foi substituído por Will Hunt e por Jacob Ward nas turnês da banda. Uma missão complicada, pois A Cruel World foi um bom disco de estreia. Nada monstruoso, mas ainda sim um bom lançamento. E como eu disse no final da resenha primeiro álbum da banda, eles conseguem superar com Red Harvest e veremos abaixo os motivos.

O álbum, que diferente de seu antecessor tinha um conteúdo lírico sólido, aqui não é tão sólido. Algumas letras não são tão boas e nem sérias, mas o que melhora é a música. “Ride With Me” é um começo estranho. Estamos acostumados a ter uma música agitada na primeira faixa, mas “Ride With Me” é totalmente inesperada. É uma mistura de calma (se assim posso dizer) com um clima totalmente atmosférico, sendo denso, depressivo, muito envolvente e tenebroso. Não digo que uma balada devido a uma evolução que a música sofre que ao contrário do que encontramos no primeiro álbum, aqui é mais inesperado e melhor feito. Forte canção para começar o álbum. As próximas faixas, a faixa-título e “Dark Helmet” são tremendas porradas e ambas com finais monstruosos e igualmente raivosos e cheios de energia. Provavelmente são as duas músicas mais pesadas não só do álbum, mas do grupo, junto com “Path To Prevail” e “Straight Hate”, ambas de A Cruel World. Excelente começo da banda neste álbum, supera facilmente o primeiro álbum.

Aqui deveríamos esperar por uma balada como de costume na maioria dos álbuns na atual indústria musical, mas recebemos poderosos e rápidos riffs de guitarra, que soam muito Speed Metal e são incrivelmente grudentos. “Dead Man Walking” com sua letra boba sobre um homem que morto que volta a vida, ela é totalmente viciante e uma das melhores do grupo. Um detalhe extra sobre esta canção que fez parte da trilha sonora do jogo WWE Smackdown vs. Raw 2009, sendo disparada a melhor música. Outra faixa que é fácil de colar é “Out To Get You” com seus riffs bacanas e de fácil assimilação. É uma versão melhorada de “Sell Me Out”, digamos assim. Não é das mais criativas, mas você sabe que é boa. “Suck It Up” é uma música com uma familiaridade com o Punk Rock e Hardcore. Bem agitada e de certa forma enjoativa e chata. Alguns bons momentos graças ao vocalista, mas nada atrativa. Pior canção do disco. “Death From Above” é outra porrada na sua cara que é fácil de dizer que atropelará seus tímpanos da mesma forma que um trem atropela uma galinha. Outra ótima música.

Se “Dead Man Walking” é uma das melhores canções do grupo, “Whiskey Bent and Hellbound (Hellmyr)” e a melhor obra da banda. Excelente música com uma letra canalha, além de ser a maior composição da banda com quase 6 minutos de duração. É o fim perfeito para o álbum, com um som sujo e uma excelente interpretação de Tim Williams, mas a banda fez uma pequena burrada. E veremos a seguir. “Killing Time” é outro peso e também grudenta, principalmente seus riffs. Boa faixa, mas que estranhamento soa como B-side, mas não deixa de ser boa. A legítima balada do álbum é “Truth (Thicker Than Water)”. Tim volta a seu banheiro para cantar e quem sabe chorar. É uma canção densa e de certa forma bonita, e das baladas da banda, contando com os dois álbuns, o homem aqui manda sua melhor performance. Aqui seria um outro bom final, e por incrível que pareça, finalmente temos um solo de guitarra, e que solo de guitarra! Cheio de emoção, encerraria perfeitamente como “Whiskey Bent and Hellbound (Hellmyr)”, mas ainda tem ‘Numina Infuscata”, que soa como um grito de guerra. É um fim diferente, mas errôneo. Se eu pudesse selecionar a ordem das faixas, seria “Killing Time”, “Truth (Thicker Than Water)”, “Numina Infuscata” e “Whiskey Bent and Hellbound (Hellmyr)”. Ficaria bem melhor e mais coeso, mas isso não estraga este álbum.

Então temos um ótimo disco que supera o primeiro álbum da banda e que possui pequenos erros ali e lá, mas como já disse, não estraga-o. Ao contrário de A Cruel World, Red Harvest mantém o peso e a criatividade e mostra uma banda extremamente talentosa e com muita musicalidade, mas com um fim melancólico, temos que ouvir bandas como Vision Of Desorder, banda na qual Tim Williams e Mike Kennedy “crescerem” e decidiram reativa-la em suas atividades, e que não tem um quarto da musicalidade de Bloodsimple, o que é totalmente triste. Uma pena isso acontecer com uma promessa do Metal.

Bloodsimple – A Cruel World (2005)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo, Metalcore, Nu Metal, Groove Metal
Gravadora: Reprise

Em seu álbum de estreia, A Cruel World, Bloodsimple se mostra uma banda com um conteúdo lírico de certa pesado, com letras que envolve temas como guerra, falhas em relacionamentos (apesar de não ser tão pesado o tema), paranoia e vício em drogas. Mas tem muito peso no som do grupo composto por Tim Williams (vocalista), Mike Kennedy (guitarrista), Nick Rowe (guitarrista), Kyle Sanders (baixista) e Chris Hamilton (baterista). Mas tem alguns defeitos e erros, que veremos logo abaixo.

Começamos com uma introdução que começa baixa e vira bem barulhenta e atmosférica e então temos uma tremenda porrada caótica, sussurros de Tim e até ouvirmos seus gritos raivosos, e que raiva! E não é só a voz do homem, mas a música possui uma energia pesada, um ódio que está bem visível no nome da faixa, “Straight Hate”. Excelente começo, sendo a faixa mais longa, com 4 minutos e 46 segundos. “Path To Prevail” é emendada a faixa anterior e continua com o peso da anterior, Tim berra como se fosse morrer no outro dia. Riffs poderosos nos cercam unidos a um baixo potente e uma bateria grave e com muita presença. Seguimos com “What If I Lost It”, e aqui Tim Williams se mostra mais versátil, e não é do tipo “apenas grito e berro no microfone”. A música aqui é mais fácil de grudar que as duas anteriores, mas mantém o peso e a criatividade nas músicas. “Blood In Blood Out” é a faixa mais curta do álbum, com 2 minutos e 20 segundos de duração. Música não é das melhores do álbum, mas é empolgante e muito boa para “balançar a cabeça”, assim como as outras anteriores. Destaques para os riffs atmosféricos e pela falta de solos de guitarra ou de qualquer outro instrumento nas faixas anteriores (e posteriores também), mostrando que a banda não precisa de solos e dando preferência a atmosfera.

Então temos a primeira música que soa comercial do álbum, “Sell Me Out”. Tim aqui soa versátil mas, por incrível que pareça, soa como se cantasse no banheiro, mas não deixa de ser um bom vocalista. Como é relatado lá em cima, a atmosfera é o que prevalece, mas honestamente, nessa faixa um solo cairia muito bem. Em seguida temos um momento bem depressivo, uma “balada de macho” chamada “The Leaving Song”. Possui uma harmonia bacana e arranjos bonitos até seu refrão forte e de certa forma impactante. Boa balada. A partir daqui a banda parece que perde sua criatividade, infelizmente. “Running From Nothing” tem uma construção parecida com sua antecessora, mas um refrão muito mais forte e pesado e um começo mais Metal, até sermos encontrados pela interpretação arrastada de Tim Williams e recebermos seus “queridos” berros no já citado forte refrão. Após a segunda repetição do refrão, temos um Tim ainda mais raivoso, com riffs igualmente irritados. Faixa muito potente com um final de arrepiar com o vocalista gritando por mais de 30 segundos! Com certeza deve ter edição de estúdio, mas não deixa de ser impressionante. Apesar de não tão espetacular como as outras, é uma das minhas favoritas pela raiva passada pela banda, que é algo que eu sinto que falta em muitas bandas onde o vocalista berra e grita, como Phil Anselmo do Pantera.

“Cruel World” tem riffs bacanas e a base da canção é bem interessante. A faixa-título, apesar de ser pesada, ela gruda na sua cabeça no seu refrão. Tem uma passagem em sua metade muito desinteressante e desnecessária que diminui a energia da música. Uma pena, pois ela estava ficando interessante. O refrão salva. Temos mais uma depressão, “Flatlined”. É uma faixa interessante pelos detalhes e chata na sua primeira metade. Tem alguns riffs bem simples e que me lembram do Blues e até um pouco de Country na sua influência, até que após o segundo refrão recebermos o retorno do peso das faixas anteriores, que aqui não é dos mais incríveis e originais. Temos quase um solo de guitarra, mas que na verdade é o tema principal da faixa. Faixa mediana. “Falling Backwards” começa com uma porrada na cara, sem mais nem menos e chega a ter semelhanças a uma música de Punk Rock, mas com mais técnica. Das faixas pesadas, é a menos interessante e menos “legal”, se assim posso dizer. Nada muito original aqui, mas o peso é fulminante. Para encerrar, temos “Plunder”, outra balada que tem parentesco musical com “The Leaving Song”. Tem uma harmonia e arranjos bem tristes e com um violão que percorre, aqui a voz de Tim não é das mais agradáveis, pois o cara é melhor no grito, mas não quer dizer que ele canta mal e interpreta igualmente mal, mas é que a voz não é das mais bonitas e fáceis de digerir, como Geddy Lee do lendário trio canadense Rush. É um fim pobre e chato, mesmo havendo uma pequena progressão no som, onde a banda volta a tona, mas não impressiona e chega a ser previsível. E é com um final depressivo que facilmente lembra o Hard Rock que encerramos o álbum.

Para concluirmos, Bloodsimple fez um disco bacana com um excelente começo e que vai perdendo peso e criatividade em detrimento das melodias, arranjos e harmonias depressivas. É um bom álbum com um excelente conteúdo lírico, mas que enfraquece e deixa a desejar. Mas, apesar dos pesares, é uma banda de Metalcore que arriscou em algo diferente, que soa novo e velho ao mesmo tempo. É estranho, mas o respeito é totalmente merecido ao quinteto norte-americano. A Cruel World é uma boa estreia que no futuro viria um disco ainda melhor, Red Harvest de 2008.

Linkin Park – Hybrid Theory (2000)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Nu Metal, Rap Metal, Rock Alternativo
Gravadora: Warner Bros.

O grande disco de estreia do Linkin Park, Hybrid Theory, que até hoje já vendeu mais de 24 milhões de cópias pelo mundo todo, é intrínseco na história do Nu Metal e do Rap Metal (principalmente este). No início dos anos 2000, o Rap Metal que teve seu verdadeiro início na década de 90 com Rage Against The Machine e Anthrax (apesar se soar estranho) estava sendo saturado e foi salvo por Limp Bizkit, P.O.D. e o próprio Linkin Park com este álbum. Além de retornar a popularidade do Rap Metal, ainda acrescentou ao crescimento do Nu Metal. Se formos ver, Linkin Park é uma banda importante na música.

A banda composta na época por Chester Bennington (Vocal), Mike Shinoda (Vocal, Guitarra e Teclado) Joe Hahn (Samplers), Phoenix Farrell (Baixo), Brad Delson (Guitarra) e Rob Bourdon (Bateria e Percussão) de certa forma revolucionou a indústria da música. Lançaram um disco com 12 faixas, com uma duração de muito próxima de 38 minutos. É um bom disco, mas supervalorizado. É notável você escutar as músicas deste disco e achar que bandas de Metalcore tiveram um pouco de influência deste disco, como o próprio Black Veil Brides, mas nem vamos comparar os gritos cheios de efeitos de estúdio de Andy Six com Chester Bennington, que além de gritar de uma maneira que lembra Phil Anselmo do Pantera, canta com muito mais empolgação e com emoção, e não soa enjoado. Ok, isso foi uma comparação acidental… Bem, vamos as músicas, que realmente é o que importa.

O disco começa com “Papercut”, que foi lançado como terceiro single, é um ótimo começo, agitada, energética, e mostra uma das facetas da banda, uma faceta pesada aliada ao hip-hop de Mike Shinoda. Riffs legais e um baixo muito bem tocado. A próxima faixa é também o primeiro single do álbum, “One Step Closer”. Ao contrário da banda de Nu Metal Staind em 14 Shades Of Gray, que após a primeira faixa decaí totalmente em peso e em energia, o Linkin Park põe ainda mais peso e a primeira vez que ouvimos Chester berrando no microfone. Uma ótima faixa que segue o proposto pela primeira canção. A terceira canção é “With You”, com uma introdução mais pro lado Rap, e boa parte da canção também, com exceção as linhas vocais de Chester, onde o peso da guitarra volta. Aqui nessa faixa já fica claro que Mike é o cara do Rap e Chester o Rocker berrento e revoltado. “Points Of Authority”, o segundo single do álbum, “Crawling” são faixas interessantes e boas, sendo que a primeira dá preferência ao dueto Rap/Metal, enquanto a segunda Chester é quem começa a cantar o refrão da música quase logo de cara, tendo uma introdução antes disto ocorrer. E Chester canta quase toda música sem participação de Shinoda. Não é do meu gosto, e acho ela uma das mais fracas do disco. Mesmo não tendo tanto Rap, ela não tem peso e “gás para gastar”, ao contrário de “Points Of Authority”.

A partir de “Crawling”, o disco tem uma pequena queda com “Runaway” e “By Myself”. Em “Runaway”, apesar de ter seus momentos pancadarias e com percussão, soa genérica e comum em boa parte, mas pelo lado bom dela, ela levanta as coisas derrubadas por “Crawling”. Em “By Myself”, tem uma introdução de guitarra e distorção muito boas, mas que nas partes de Shinoda fica muito chata e até irritante, e também é comum nestas partes, e que é salva pelos gritos de Chester. “In The End”, o quarto e último single do álbum e maior música com 3:36 de duração é a próxima e é o mais perto de uma balada que temos aqui. Tem até uma introdução e encerramento com piano. Aqui, a voz de Chester chega a ser suave e Shinoda é quem domina boa parte da música com suas rimas. Aqui é outra faceta da banda. A  nona faixa é “A Place For My Head”. É o final perfeito para o CD, com destaques para uma introdução intrigante e um baixo marcante, e os gritos de Chester após o segundo refrão (e umas frases sussurradas com uma orquestração de fundo) que aqui são incríveis e os melhores do álbum todo. E como eu disse, é o fim perfeito, sendo uma das mais pesadas faixas e quem sabe a melhor. Mas não é isso que acontece.

A próxima é “Forgotten”, que apesar de um começo agitado, é uma canção esquecível (dando alusão ao nome) e Chester aqui não é o mesmo cara empolgado, sendo que no refrão ele manda uma voz considerável suave onde não deveria ser. Shinoda não é grandes coisas interpretando, pois manda a mesma interpretação do início ao fim do álbum. A partir daqui o disco decaí de uma maneira estrondosa! “Cure For The Itch”, a menor canção do álbum com 2:34 de duração e temos a terceira faceta do Linkin Park. O Linkin Park mostra o seu lado “experimental”, que veríamos de uma mais ampla em “A Thousand Suns”, e uma música muito diferenciada, mas não deveria estar aqui nem em sonhos. Não encaixa de maneira alguma essa bizarrice… Apesar de eu apoiar experimentalismo (quando é bem feito e faz sentido ter). A faixa de encerramento é “Pushing Me Away”, e é pior canção do disco, além de ser um encerramento muito abaixo do esperado. É tão sem graça que não dá vontade de reproduzi-la. Ela e “Cure For The Itch” deveriam estar fora do álbum e a “A Place For My Head” que deveria encerrar o álbum. Mas fazer o que? Todos comentem erros…

E no fim, é notável que este disco é bom e merece seu reconhecimento como importante na indústria da música popular. Mas, como eu citei lá em cima, é um álbum supervalorizado. O Linkin Park fez um trabalho com ótimos momentos, outrora bons momentos, algumas vezes bizarros e outros muito desinteressantes e apagados, sem inspiração alguma, como se a banda não soubesse o que fazer e acabou colocando brincadeiras e sobras de estúdio. Não merece ser considerado um dos 1001 discos a ser escutado antes de morrer, mas não deixa de ser uma excelente debut do grupo americano, que deslancharam a carreira dos caras rumo ao sucesso mundial sem precisar de solos de guitarra, como a maioria de bandas de Metal costumam fazer. Em outras palavras, o Linkin Park deu preferência a atmosfera do que solos fritados, rápidos e desnecessários, o que é ótimo e ajuda a diferir a banda das outras.