Avenged Sevenfold – Hail to the King (2013)

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Origem: Estados Unidos
Gêneros: Heavy Metal, Hard Rock
Gravadora: Warner Bros. Records

Hail to the King é o sexto disco desta banda da Califórnia, o primeiro sem seu baterista original, o já falecido e bom músico The Rev, e o primeiro com Arin Ilejay, ex-Confide. Após o interessante e depressivo Nightmare, de 2010, Avenged Sevenfold sentiu que precisava surpreender seus fãs com uma nova direção musical. Ao invés de repetir as fórmulas de seus discos anteriores pós-Waking the Fallen, o grupo decidiu lançar seu “álbum negro”. Os talentosos músicos decidiram por um álbum mais comercial, para conquistar os fãs do clássico Heavy Metal, que os odeiam e não suportam a música que o quinteto faz. Já é possível saber como Hail to the King será baseando-se apenas esta pequena descrição.

O álbum começa com “Shepherd of Fire” e na introdução desta canção temos sons de fogo em brasa, mostrando a ideia de energia que a faixa mostraria. Para o encerramento temos “Acid Rain”, a faixa termina com sons de chuva, resumindo de forma simplória o que foi a faixa. São ideias interessantes para iniciar e encerrar um disco, porém o que separa essas ideias são 53 minutos divididos em 10 músicas com pouca qualidade e, principalmente, sem criatividade e personalidade. Com exceção de “Planets”, você pode pegar qualquer música de Hail to the King e apontar para a(s) fonte(s) de sua “influência”. Por exemplo, “Doing Time” é uma mistura irritante de Guns N’ Roses e Velvet Revolver. Já “Coming Home” é um visível “tributo” ao clássico do Heavy Metal “Number of the Beast” do Iron Maiden. E, sem esquecer do óbvio, pelo menos três faixas foram chupadas do Metallica. “Shepherd of Fire” é como “Enter Sandman” com alguns toques de “Cowboys from Hell” do Pantera, “Crimson Day” é o equivalente a “Nothing Else Matters” e, o maior plágio deste disco, “This Means War” é praticamente um cover de “Sad But True”.

Se você, que odeia o Metallica por sua transformação ao mainstream, mas ama o Megadeth, porquê manteve o Thrash Metal com boa qualidade, repare na vísivel “influência” em “Heretic”, que mais parece “Symphony of Destruction”. Em relação a faixa título, é uma fraquíssima canção que qualquer banda genérica metida a Manowar poderia compor. E a já citada “Acid Rain” soa como se fosse composta por, pasmem, Muse! E não se pode esquecer de “Requiem”, que foi composta quando a banda ouvia o novo disco do Ghost e outras diversas bandas de Power Metal. E para as letras que a banda possuía – você considere elas emo ou não – “evoluíram” para temas de fantasia, o que torna mais difícil de levar alguém a sério quando diz que “olhou nos olhos do diabo”. Onde está a personalidade e criatividade deste grupo californiano? Avenged Sevenfold mudou, mas ao invés de seguir para frente ou seguir para direita ou esquerda, resolveram voltar seis passos para trás. Toda a complexidade e emoções que a banda tentava passar em suas composições se foram. Tudo que sobrou foram os irritantes vocais de M. Shadows. É preciso diferenciar “influência” de “plágio”.

Um exemplo vivo de artista que recebe bastante influência do passado é Steven Wilson. Em seu novo disco, o excelente The Raven that Refused to Sing (And Other Stories), é visível influências das grandes bandas clássicas do Rock Progressivo e Jazz Fusion, como Jethro Tull, Mahavishnu Orchestra e, principalmente, King Crimson. O que acontece é que Wilson coloca sua personalidade nas suas composições. Por mais visível que seja as suas influências, o ouvinte sabe que está ouvindo um artista disposto a deixar a sua marca no que está executando e, no caso de Wilson, produzindo. Em seu novo álbum, você não consegue apontar para uma faixa que o disco tenha chupado de um artista, somente as bandas que levaram a compor as canções. Entretanto, em Hail to the King, você pode dizer que “This Means War” é na verdade “Sad But Two”.

Em resumo, Hail to the King é um disco, em sua essência, monótomo, fraco, forçado, cansativo e nauseante. O novo baterista do grupo, Arin Ilejay, não tem culpa de estar tocando músicas tão aquém da capacidade de qualquer baterista de Metal moderno, que estão no nível de Lars Ulrich. A necessidade que o grupo demonstrou em conquistar os fãs tradicionais do grupo não vai funcionar, pelo simples fato de que esse disco é um falso tributo aos amantes do Heavy Metal. Se Hail to the King for um disco que lhe interesse, então você está assumindo que não tem senso crítico ou simplesmente quer ouvir tudo o que já foi feito com algumas alterações e vocais piorados.

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Ghost – Infestissumam (2013)

Ghost - Infestissumam (2013)
Origem:
Suécia
Gêneros: Heavy Metal, Doom Metal
Gravadoras: Loma Vista, Sonet Records

Três anos após o aclamado “Opus Eponymous”, o Ghost volta com “Infestissumam”. Muitos tem falado bastante do novo álbum dos suecos, e ele vem recebendo críticas mistas quanto à seu conteúdo. Damos de cara com “Infestissumam”, uma intro que inicia com um coral fazendo uma espécie de “reza satânica” (que é o tema que o Ghost aborda em suas músicas), e em seguida temos “Per Aspera ad Inferi” que mostra que a banda continua com a mesma sonoridade do primeiro álbum, conseguindo nos mostrar um lado sutil do Heavy Metal, sem peso e muito agradável de se ouvir.

Logo após, temos uma das melhores faixas do álbum: “Secular Haze”. Seu início que lembra músicas de “circo”, porém com um aspecto sombrio e logo as guitarras não poderiam soar melhor, a música fala sobre uma espécie de “névoa assassina”. Ela tem um refrão melódico que gruda em sua cabeça, é realmente uma ótima música. Se existe alguma influência Pop neste álbum, aqui está ela. “Jigolo Har Megiddo” é uma música um tanto quanto “animada”, talvez só seja possível acreditar que ela é do Ghost pela voz e até mesmo por algumas partes instrumentais. Não é uma música ruim, só é diferente do que o Ghost havia tocado em “Opus Eponymous”, aqui está o que muitos acharam o ponto fraco do álbum, porém, não vi nada demais, e em minha opinião, é até um ponto forte. Ela fala sobre um homem que “prega” a palavra de satã, como se fosse algo bom.

A seguir, temos “Ghuleh/Zombie Queen”, a maior faixa do álbum. Ela tem 07:29 e possui dois ritmos diferentes. Iniciando como uma balada, bem calma, muito boa. O vocal de Papa Emeritus II é bem suave e calmo. Então, temos mais um pouco de influência da Surf Music quando começa. A música fica mais agitada, e contamos até com o coral da primeira faixa. Ela é muito boa e mais rápida do que todas as faixas que o Ghost já havia lançado. Obviamente, a música fala sobre Ghuleh, a Rainha Zumbi. Essa faixa em especial mostra que a influência da Surf Music não foi uma coisa ruim, mas sim um tiro no lugar certo. Ahá, agora sim falamos minha língua. Nos deparamos aqui com “Year Zero”, onde toda a obscuridade volta e o satanismo também. Começando com um coral falando palavras em latim, e logo partindo para a guitarra. Todo o instrumental desta música é incrível, e ela é mais uma daquelas músicas chicletes, o vocal de Papa aqui é perfeito. A música é uma espécie de “Boas-Vindas” á satã à um novo ano. Esta é com certeza uma das, se não a melhor faixa do álbum.

Voltamos ao aspecto mais “animado” com “Body and Blood”, ela lembra bastante “Jigolo Har Megiddo”, mas desta vez com uma letra falando sobre um ritual satânico onde os satanistas comem carne humana. “Idolatrine” é a próxima, continuando com as influências pop, é uma faixa incrívelmente boa, falando sobre induzir as crianças ao satanismo, se prestar atenção á letra, é possível perceber que ela foi escrita como se o próprio satanás estivesse dando essa ordem. “Depth of Satan’s Eyes”, apesar de continuar falando de satanismo, achei esta música com a influência pop mais forte entre todas elas. Mesmo assim, é muito boa e conta até com um solo, a voz de Emeritus é incrível no refrão e dependendo da pessoa, ele fica em sua cabeça, pelo menos foi assim comigo. A letra desta vez fala sobre o “olhar cativante” de satã.

Partimos para a faixa final: “Monstrance Clock”. Ela tem um inicio onde apenas a voz de Emeritus, o som do teclado e da bateria podem ser escutados, começando com o resto dos instrumentos depois. Esta é a terceira melhor faixa de “Infestissumam”, e dei à ela o prêmio de melhor refrão do disco. Seu teclado lembrando o som de um orgão de igreja, a letra falando sobre uma sessão de uma seita satânica e o coral gótico (que fora usado em faixas anteriores) acompanhado pelo teclado apenas contribuiu para fechar o disco de modo muito agradável. Temos ainda duas faixas bônus: “La Mantra Mori” e “I’m a Marionette”, cover do grupo Abba. Ambas também muito boas.

“Infestissumam” surpreendeu minhas expectativas, e ao contrário do que muitos vem dizendo, achei um álbum incrível, talvez até superior do que o primeiro disco da banda. O que causou o disco a ter reviews negativas, foi o fato da influência pop que o disco traz, o que eu achei um fator muito interessante. Acho que o Ghost é sim uma banda de Heavy Metal, e não uma de Pop Rock como alguns tem dito. Se você não conhece o Ghost, escute, por qual álbum começar? Tanto faz, “Opus Eponymous” e “Infestissumam” são dois álbuns incríveis, e que valem a pena fazer parte da biblioteca não só dos fãs da banda, mas também dos fãs de Heavy Metal. Caso se interessar em uma análise sobre “Opus Eponympous”, clique aqui para conferir.

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Saxon – Sacrifice (2013)

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Origem: Inglaterra
Gênero: Heavy Metal
Gravadora: UDR

O Saxon continua aí, na estrada. Apenas dois anos depois de “Call To Arms”, o então último disco deste grupo, a banda volta ao estúdio e sem muito alarde e frescura lança “Sacrifice”, com uma capa inspirada na cultura maia. E o que dizer sobre o lançamento? Que continua sendo o Saxon dos riffs poderosos e um bom e vigoroso vocal de Biff Byford. É o conhecido heavy metal que a banda sempre faz, com algumas eficientes músicas e outras nem tanto. Destaco as 6 primeiras faixas, que realmente são mais robustas do que o restante do disco (4 mais faixas). E é isso, o Saxon lança uma regular para boa compilação de heavy metal, uma divertida mesmice que pode se tornar uma interessante trilha-sonora para um domingo de folga. Cito algumas das canções que mais me chamaram a atenção: a faixa-título, a rápida “Warriors of the Road”, e a minha favorita, “Guardians of the Tomb”.

Não é conteúdo para álbum do ano ou top 10 de 2013, ouça por diversão se esse tipo de som te agrada, se não, recomendo ficar longe.

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Steel Panther – Feel the Steel (2009)


Origem:
Estados Unidos
Gêneros: Hard Rock, Glam Metal, Heavy Metal
Gravadora: Universal

Steel Panther é uma banda satírica de Glam Metal que foi formada em 2000. A banda passou por três nomes diferentes: Danger Kitty, Metal Shop e Metal Skool. A banda é bastante conhecida por compor letras bem humoradas e pela aparência exagerada que satiriza o estilo Glam da época de 80. Este é o segundo álbum da banda, o primeiro, que foi lançado quando a banda ainda se chamava Metal Shop e teve um relançamente quando a banda estava sob o nome de Metal Skool, se chama Hole Patrol, em um rápido resumo, posso dizer que o primeiro álbum da banda é formado por rápidos skits e músicas que foram regravadas para o Feel the Steel.

Apesar do Hole Patrol, o Feel the Steel é considerado o debut da banda, já que foi o primeiro a ser lançado por uma grande gravadora. O álbum estreou em #123 e alcançou #98 na Billboard 200, e também alcançou #1 no Billboard Top Comedy Albums. O álbum também ganhou o prêmio Metal Hammer Germany de Melhor Debut. Enfim, após dar uma breve descrição sobre a banda e sobre o álbum, vamos ao que interessa: o conteúdo. Como já dito acima, o Steel Panther satiriza as músicas de Hair Metal aclamados, tais como Bon Jovi, Van Halen e Whitesnake, tendo usado grande influência das bandas em suas músicas.

O álbum começa com a música chamada “Death to All But Metal”, o título já passa claramente a ideia da músicas, mas para os que não entendem, a música fala sobre matar todas as bandas e trazer o Heavy Metal de volta. Logo de cara a música já conta com um solo (que me lembrou os solos de Eddie Van Halen) do guitarrista Satchel. Os vocais ficam por conta de Michael Starr. Como eu já disse, eles são uma banda satírica, as letras geralmente contem muitas palavras de baixo calão e piadas escrachadas, e as vezes conteúdo levemente pornográfico. Essa música conta com a participação do vocalista do Slipknot e do Stone Sour, Corey Taylor. Mas voltando para as letras, para verem como não estou mentindo, vejam abaixo a primeira estrofe da música:

“Fuck the Goo Goo Dolls
They can suck my balls
They look like the dogs that hang out at the mall
Eminem can suck it, so can Dr. Dre
They can kiss each other just because they are gay
They can suck a dick, they can lick a sack
Everybody shout: Heavy Metal is back!”

Como podem ver acima, a banda não se preocupa em compor letras ofensivas e chulas, que, por sinal, são bem encaixadas nas melodias. Na próxima faixa temos a música “Asian Hooker”, que fala sobre o vocalista e uma prostituta asiática. Em seguida temos “Comunity Property”, essa música é meio difícil de explicar, mas a principal frase do refrão é:

“But my cock is community property.”

Caso queiram saber o que significa basta colar no Google Tradutor, pois acho que a tradução seria baixa demais para postar aqui. A próxima faixa é um pouco mais séria, se chama “Eyes of a Panther” e domina bastante no estilo Glam, com um instrumental muito bom. Nossas próximas duas faixas são “Fat Girl (Thar She Blows)” e “Eatin Ain’t Cheatin” essas duas faixas entram no que falei lá no início, “Fat Girl” lembra as músicas do Whitesnake, já a “Eatin” lembra músicas do Van Halen. “Party All Day (Fuck All Night)” conta com a participação do vocalista do The Darkness, Justin Hawkins. Essa lembra as músicas do Bon Jovi, principalmente nos acordes de guitarra. A próxima chama-se “Turn Out the Lights” e temos a presença de M. Shadows, do Avenged Sevenfold, nos vocais.

O resto do disco é totalmente escrachado, mas o destaque vai para a balada “Girl from Oklahoma”. Um dos melhores instrumentais acústicos que já vi, uma música calma, porém, a letra é a mais vulgar e chula do álbum, provavelmente, a mais engraçada entre todas. A música fala sobre uma fã que se envolveu em uma relação sexual com Michael Starr, o vocalista. Bons instrumentais de Heavy Metal e letras idiotas e engraçadas, bom para quem gosta de um humor mais ofensivo. O álbum oficial termina com a faixa acima, mas há uma edição limitada que contém a faixa bônus “Hell’s on Fire”. Um Hard Rock com uma letra que deixa aquele sentido de “You Don’t Say?”, já que a letra fala que o inferno é quente.

O disco tem um fator interessante, que foi a participação de membros de bandas “sérias” que acabaram entrando na brincadeira, cantando letras humorísticas e chulas, falando palavrões e até dando gritos ao lado de Michael Starr. O que aborrece no álbum é a falta de criatividade da banda para a banda, que parece não adotar um estilo próprio, parecendo se basear nos estilos de bandas aclamadas do gênero. Podem dizer que por eu ser alguém que curte mais umas músicas do estilo Metal, não há muita graça em fazer reviews do gênero. Entretanto, eu acho que o Steel Panther merece uma chance, pois tenta e consegue fazer um bom Glam Metal, o que faltou para a banda foi um estilo próprio, que faça a banda ser reconhecida não só por suas letras humorísticas e chulas.

Por fim, basta dizer que “Feel the Steel”, apesar de seus defeitos aqui e ali, é um álbum razoável, vale a pena experimentar para quem gosta do gênero, ou para quem gosta de ouvir músicas debochadas com uma boa sonoridade. Agora, a banda pode melhorar? Eu acho que pode. Fica ao seu critério escutar e decidir sua resposta.

Kill Devil Hill – Kill Devil Hill (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Heavy Metal, Doom Metal
Gravadora: PSV

O Kill Devil Hill chamou atençou quando se formou ano passado principalmente por ser a nova banda de Vinny Appice (ex-Black Sabbath, Heaven & Hell e Dio) e Rex Brown (ex-Pantera e Down), com os membros afirmando que se tratava mesmo de uma banda, e não apenas um projeto paralelo. O som da banda é bem moderno, e mistura o Heavy Metal com o Doom Metal, como se fosse uma mistura de Alice In Chains e o Black Sabbath da era do Tony Martin. Principal membro da banda, Vinny mostra que apesar de não mostrar nada muito inovador, quando ele está numa banda, a bateria vai estar garantido com alto nível. O mesmo pode se dizer de Rex Brown, que faz riffs intensos, muito mais do que esperava. Mark Zavon se mostrou excelente na hora de criar os riffs, eles são excelentes e criativos, mas decepciona bastante na hora dos solos (lembrando o Kirk Hammett ao vivo). A maior surpresa pra mim é Dewey Bragg, que tem uma voz intensa e muito diversificada. Com sua atuação aqui, entrou na minha lista de vocalistas para se acompanhar hoje em dia.

A primeira faixa é “War Machine”, que contém riffs excelentes, um ótimo desempenho vocal de Dewey Bragg e Vinny Appice mostra seu alto nível na bateria logo no início. Uma faixa empolgante para abrir o disco. A seguinte é Hangman, que é um pouco mais cadenciada, e soando muito como uma versão mais pesada do Alice In Chains. É uma faixa onde tudo se encaixa muito bem, dando continuidade ao alto nível da primeira música. Voodoo Doll tem tudo muito bem dosado, todos fazem seu trabalho de forma competente mas não impressionam muito, sendo apenas uma boa faixa. “Gates Of Hell” volta de modo mais intenso para o lado cadenciado da banda, levando mais para o Doom Metal. Os riffs aqui são simples, mas sedutores. O solo dela começa chato mas vai melhorando, satisfazendo o ouvinte. “Rise From The Shadows” tem uma pegada que lembra muito o projeto solo de Tony Iommi com Glenn Hughes, só que um pouco mais sombrio. Rex Brown simplesmente detona nessa faixa. A interpretação de Bragg surpreende, pois ele sabe dosar sua voz de forma magnífica.

“We’re All Gonna Die” soa mais acessível e seria uma ótima escolha para single com “War Machine”, pois tem riffs e vocais atrativos, por mais arrastados que sejam. “Strange” começa com intensos riffs, com Rex e Mark fazendo a música melhorar muito, mas ainda assim não aparece acompanhar o nível do álbum. O solo é bem chatinho. “Time & Time Again” segue a estrutura básica das faixas anteriores, cadenciada, mas também não tem nada muito especial. “Old Man” tem uma pegada mais empolgante, com riffs que já valem a música, dessa vez tendo um solo bem legal. Bragg grunhe de forma estranha às vezes, alguns irão gostar, outros não. “Mysterious Ways” vai mais pro lado do Southern Rock, sendo uma inesperada e agradável balada. Dewey mostra o tão diversificado ele pode ser. “Up In Flames” é uma semi-balada, agora voltando à pegada Doom, mas vai além dos clichês das baladas e fizeram uma das melhores faixas do disco, com muito “feeling”. “Revenge” não era a faixa adequada para finalizar o disco, pois não tem nada assim de especial que te faça ter uma opinião melhor do disco por causa dela. Ainda assim é uma boa faixa com Appice inspirado e um ótimo solo, mas o final da música parece especialmente feita para o fim do álbum, e bem mal feita.

Eu não esperava tanto do disco por não ter expectativa por não conhecer Dewey e Mark, mas os dois me surpreenderam. Somando os trabalhos competentes como sempre mas nada muito inovador de Appice e Brown, o disco de estréia da banda é bem agradável apesar das várias quedas durante o disco.

Metallica – Death Magnetic (2008)

Gêneros: Thrash Metal, Heavy Metal
Gravadora: Universal Music
Origem: Estados Unidos

Sem dúvidas o Metallica é a maior banda de metal que já existiu. Por mais que digam que bandas como Black Sabbath, Dream Theater e Iron Maiden são melhores, musicalmente talvez, mas nenhuma delas alcançou o sucesso comercial que o Metallica atingiu, até mesmo antes da época do Black Album. Essencialmente, esse é um CD de Thrash Metal, mas não como o Ride The Lightning ou o And Justice For All, mas sim algo moderno, misturando com o Heavy Metal. Mas um Heavy Metal bem distante da época do Load e Reload. Uma das coisas que depeciona é terem utilizado o tal loudness war, que comprimi demais o áudio, sacrificando sua qualidade para obter um volume mais alto. A qualidade da gravação se mostra monstruosa por se mostrar de alto nível ainda, mas poderia ser melhor.

Apesar de cada vez mais decandente ao vivo, Lars Ulrich pelo menos no estúdio não decepciona. Todo mundo sabe que técnica não é com ele, ele continua com seu jeito “pedreiro” de tocar, mas cria combinações impressionantes, tornando seu trabalho aqui um dos seus melhores, chegando perto do nível do And Justice For All. Já Robert Turijo me surpriendeu muito, mostrando que é excelente baixista não apenas tocando músicas dos outros, mas no estúdio também, devendo nada ao subestimado Jason Newsted. Kirk Hammett definitivamente vai irritar alguns com seu jeito “Whoa-Whoa” de tocar, que nunca esteve tão presente. Apesar de em alguns momentos soar chato, o trabalho de Kirk é excelente, principalmente nos solos (percebível para os que não se incomodam com o Whoa-Whoa). Como guitarrista, James Hetifield traz ótimos riffs, mas não surpriende tanto assim. Como vocalista, mostra sua monstruosa e imparável evolução, sendo seu melhor registro nesse setor. Sem dúvidas, com o nível de hoje, é um dos melhores vocalistas do metal.

O CD começa com That Was Just Your Life, com um coração batendo na introdução, tendo belos acordes. Quando Lars entra, a música ganha um pouco de peso e aos poucos vai se tornando cada vez mais pesada. A música é pesadamente sedutora, ao ponto de te deixar confuso se presta atenção em Lars, Rob ou Kirk. Destaque para os pedais de Lars e os excelentes riffs. A próxima é The End Of The Line, começando mais viciante que a música anterior, principalmente nas linhas de bateria, que aqui se não se baseiam tanto nos pedais. Destaque para os excelentes riffs, Turijo impressionando no solo, e o jeito empolgante e único de James cantar aqui (o jeito dele cantar the slaves becomes the master e you’ve reached the end of the line provavelmente ficarão muito tempo na sua cabeça). O ponto fraco é o solo um pouco chato por causa de Kirk. No final da música, ao contrário do tradicional da banda, ela vai ficando menos agresiva até terminal com o refrão.

A próxima é uma das mais empolgantes do disco, Broken, Beat & Scarred. Ela consegue ter um início mais empolgante que as faixas anteriores, graças à riffs matadores. Apesar disso, quando James começa a cantar, mostra que o destaque da música é ele, cantando muito, consigo tornar o pré-refrão até mais viciante do que o refrão em si. Lars põe um pouco o pé no frio aqui, não que diminua a qualidade, mas ele se encaixa nas horas certas, o que ajudou muito na hora do solo, acelerando na hora certa. No fim, é difícil escolher quem melhor, James ou Lars, mas aqui escolho James.

A seguinte é The Day That Never Comes, sendo uma das mais criticadas do disco por se parecer muito com a One, sendo colocada como “cópia” da mesma (banda que se copia é foda, não?). É verdade sim que ela se parece com One, por seguir a estrutura de semi-baladas do Metallica, só. Ela até metade de seus quase 8 minutos é bela e lenta, com belos acordes. Lars segue a mesma linha de bateria de faixas assim, mantendo bom nível mas não surpriendendo. Rob surpriende com acordes que deixaram a parte mais lenta muito mais empolgante. Já James tem provavelmente aqui seu ápice no disco. Mas a parte que realmente impressiona é quando ela a música fica pesada (mais que qualquer uma anterior), com Kirk fazendo um dos melhores solos de sua carreira. Simplesmente algo para se babar, final espetácular transformam a música em uma das melhores do disco.

A seguinte música é All Nightmare Long, extremamente pesada e contagiada, sendo a melhor no disco nesse quesito, totalmente feita para “banguear”. A banda não gravava algo tão pesado desde Blackned no And Justice For All. O refrão também candidato a melhor do disco. Excelentes riffs, mas o destaque absoluto é Lars detonando na bateria. O solo é mais um cheio de “Whoa-Whoa”, mas não deixar de ser excelente por causa disso. A próxima é mais simples mas provavelmente a mais empolgante do disco, Cyanide. Aqui Turijo deixa sua melhor contribuição, com riffs certeiros. Os riffs aqui são mais simples se comparado com o resto do disco (ao estilo Fuel, mas mais complexo e menos repetitivo), mas não devem nada às outras músicas por isso. O refrão é excelente, até um pouco mais grudento que o normal, mas não deixando de ser agressivo. Lars cria ótima linha de bateria aqui novamente. A melhor parte é quando a faixa fica mais lenta, até o solo, que é matador, seguindo um pouco a estrutura de Master Of Puppets.

A seguinte é a definitivamente a mais criticada (à toa), a balada The Unforgiven III. A música se inicia com uma linda introdução no piano até entrarem na música em si, seguindo o clima calmo e triste das The Unforgeivens anteriores. A música tem acordes interessantes e Hetfield faz uma interpretação impressionante. É difícil escolher qual das três versões é a melhor, cada uma tem seu ponto forte, mas essa sem dúvidas é a mais complexa. É importante notar também que ela acaba conseguindo se encaixar muito bem no CD, mesmo ele sendo tão pesado. Tem um solo excelente. A próxima é The Judas Kiss, e me surpriendeu por não ser tão pesada quanto pensei que seria (por causa do título da faixa). Lars começa com uma ótima introdução com uma sequência de batidas muito interessante, enquanto James e Kirk esbanjam excelentes riffs com apoio do Turijo. O pré-refrão é grudento (So what now? Where Go I?) e fica muito tempo na cabeça. O refrão também é assim, só que mais agressivo. O solo é muito bom, mas não chega a ser excelente. A música se caracteriza mais pro lado de Cyanide, como mais empolgante.

Depois de muito tempo, finalmente temos uma faixa instrumental, Suicide & Redemption. No início ela segue a estrutura de Orion, crescendo aos poucos, até começarem os excelentes riffs, de forma cadenciada e inteligente. Os riffs são tão espetaculares que são daqueles que ficam na sua cabeça como se fosse um refrão. A faixa de tem uma das linhas de bateria mais interessantes do disco. Por volta dos 4 minutos, começam belíssimos acordes e o jeito diferencial de Kirk de tocar entra em jogo. O solo é muito bem composto, com certeza o mais complexo do disco. São quase 10 minutos de qualidade excepcional. A última é My Apocalipse, com apenas 5 minutos (para o Metallica levado ao lado Thrash Metal, é pouco comparado ao “normal”), mas é muito pesada. Lars volta a pesar no pedais, o trio faz riffs interessantes, mas nada de impressionante, até mesmo o jeito de James cantar. A música é boa, mas não passa disso, não acompanha nem de longe o nível do disco e poderia ter sido trocada por Hate Train ou Hell And Back do Beyond Magnetic.

Depois de 20 anos, o Metallica finalmente voltou a fazer um excelente disco de Thrash Metal. Após dois discos apenas bons e um regular, finalmente algo excelente ao nível da banda, mas não pode ser considerado um clássico, graças à algumas falhas. Kirk faz um ótimo trabalho aqui, mas soa irritante algumas vezes, não muitas, mas não deixa de decepcionar. Lars vai muito bem, só que não se inovou tanto, apenas seguiu o que sempre fez de bom. Não que isso seja ruim, mas é estranho para uma banda que diz sempre querer se inovar. My Apocalipse é boa, mas é dispensável, fazendo o nível do disco cair. Se St. Anger tinha o problema de soar tão ruim, pelo menos as letras eram ótimas. Já aqui estão as letras mais malucas e desconexas da carreira da banda (varia de caso para caso). Outro defeito grave é é terem usado demais a compressão no áudio. Mas ainda assim é um excelente lançamento. A espectativa é que o próximo disco evolua a partir desse e crie um novo clássico, apesar de duvidar um pouco disso. Se desenvolver bem esse som moderno, talvez nasça outro clássico. Enfim, é sempre bom ouvir coisas boas vindas do Metallica.

Tenacious D – The Pick Of Destiny (2006)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Heavy Metal, Hard Rock, Rock Comédia, Rock Acústico
Gravadora: Epic

Quem gosta de filmes de comédia, com certeza deve conhecer o ator, comediante e também músico Jack Black. E as pessoas que gostam e aprovam seu trabalho provavelmente devem saber de seu projeto musical junto com o também ator, comediante e músico Kyle Gass, Tenacious D. Em 2006, foi lançado o filme The Pick Of Destiny, estrelado pela dupla que também ficou encarregada da trilha sonora, lançado um álbum com o mesmo nome. Como o filme é um musical, tudo o que está no filme está no álbum, formando 15 faixas em torno de 33 minutos de duração (que em média não passam de 3 minutos), sem nenhum acréscimo ao álbum (a não ser em edições especiais, nas quais não irei avaliar). O que pode se resumir sobre o segundo disco dessa dupla de comédia? O que pode definir da maneira mais rápida e eficiente sobre esse álbum? Simplesmente podemos descrever tudo o que eu sinto sobre The Pick Of Destiny nestas duas frases a seguir: Assista o filme! Não ouça o disco!

Apesar de ter momentos interessantes e bacanas, como na faixa de abertura “Kickapoo”, tendo a participação especial do grandioso e infelizmente já falecido Ronnie James Dio, o disco é irritante e cansativo. Antes de mais nada, você precisa estar no clima para aguentar Jack Black e suas piadas sem pé nem cabeça, seu gritos idiotas e um pseudo-retardo-mental insuportável (a introdução de “Master Exploder” é que melhor mostra isso). A banda que acompanha a dupla é competente e as linhas acústicas as vezes são agradáveis e as vezes são agressivas, mas como um álbum em si, ele não funciona. Ele não faz sentido algum e nem ao menos tenta encontrar. Nem mesmo o humor é bom, algo que deveria ser destacado. O que você deveria fazer ao invés de ouvir The Pick Of Destiny é assistir o filme em si. As músicas do disco estão lá e fazem o sentido, e quando você escuta o disco separadamente, você se pergunta o porque de estar ouvindo um disco fraco como esse, se posso ver um filme não tão bom, mas que de certa forma faz mais sentido e tem um humor bobo, porém aceitável? Hora de rever seus conceitos de humor musical. Recomendado Joe’s Garage do Frank Zappa para aqueles que realmente procuram música com um humor de qualidade.

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