Between the Buried and Me – The Parallax II: Future Sequence (2012)

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Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metalcore, Metal Progressivo
Gravadora: Metal Blade

Se você conhece a banda americana Between the Buried and Me antes deste disco, ou antes mesmo da resenha que eu fiz do EP lançado no ano passado (que você pode conferir clicando aqui), através de grandes álbuns como Colors de 2007 e The Great Misdirect de 2009, você certamente já sabe que não precisa falar muito sobre o grupo. Um grupo de Metalcore que abrange influências progressivas que unifica seus principais elementos com outras influências musicais do grupo – como Jazz Fusion e Country em alguns momentos da discografia do grupo – e por tudo nisto em um caldeirão para criar uma verdadeira explosão cósmica de brutalidade rítmica e sonora, extremamente criativa e destruidora de cérebros, mas mantendo elementos progressivos clássicos e modernos, e até grudentos em suas composições. Estas características descritas estão no novo disco da banda, mas desta vez a qualidade deste disco é tão grandiosa que chega a ser melhor que o épico Colors, uma única música distribuída em 8 faixas durando um pouco mais de uma hora que é extremamente aclamado pela crítica e considerado não só como um dos melhores discos da década passada, mas também umas melhores músicas que o gênero Metal (de forma mais ampla possível) nos trouxe na última década.

O disco continua a história conceitual do EP lançado no ano passado, uma suíte que ultrapassa a marca de 72 minutos que vai até o espaço com viagens ao início e ao fim da história (como a bela faixa de abertura, bem Pink Floydiana, “Goodbye to Everything”, que é na verdade o encerramento da história), e, honestamente, se você não gostou do EP, dificilmente você irá gostar do novo álbum da banda. Talvez você goste de Colors (um excelente disco por sinal), mas Between the Buried and Me não é uma banda fácil de digerir, levando um bom tempo e diversas audições para definir uma opinião concreta. Você ama ou você odeia o grupo. Você irá odiar as composições longas do grupo, as quebras progressivas, o peso nas canções, ou até os momentos aleatórios e masturbatórios, além dos vocais, sejam eles limpos ou gritados (executados por Tommy Giles Rogers). Ou você irá amar justamente por essas características que fazem o som do grupo único e pela qualidade e diversidade dos vocais, abrangendo desde momentos pacíficos e bonitinhos – e às vezes chicletes -, como em faixas “The Black Box”, as faixas de abertura e encerramento e “Lay Your Ghosts to Rest”, até explosões raivosas com uma pegada Thrash Metal na canção “Telos” e já na citada “Lay Your Ghosts to Rest”.

Duas características incríveis que eu particularmente admiro em bandas progressivas fazerem são o retorno a momentos já passados pela suíte/canção, como é o caso de “Extremophile Elite”, que retorna a “Specular Reflection” – faixa de abertura do EP – e a estrutura das canções fugirem do tradicional. Neste disco, nenhuma faixa tem uma estrutura semelhante, todas são diferentes. Algumas podem até aparentar serem iguais, mas ouvindo com calma, percebe-se que não é bem o que acontece. E a banda aproveita o máximo de sua criatividade, chegando a inclusive, “criar” o gênero “Surf Metalcore” (se é que existe) na insana “Bloom”, onde Tommy força vocais bem incomuns não só para ele mesmo, mas para os fãs de Metal, além do envolvimento de outros instrumentos “estranhos” para o gênero, como o trompete. E o encerramento do disco, as faixas “Silent Flight Parliament” de 15 minutos, seguida pela curtinha “Goodbye to Everything Reprise” são aquilo que você espera que venha do grupo se você conhece-o. E não falo no sentido previsível, pois este disco não é (prova disso é a canção “Bloom”), mas sim em termos de qualidade neste disco que é o mais ambicioso que o grupo já lançou (em “Parallax”, temos até Spoken Word!).

Seja agressividade, beleza, progressividade ou qualquer adjetivo que seja, Between the Buried and Me criaram outro grande álbum, outra obra-prima, e (na opinião do autor do texto) criou seu melhor disco, que pode ser considerado um dos melhores do ano. Ele é épico, incomum, agressivo, criativo, bombástico… enfim, excelente! Mostra que pode sair excelentes álbuns de um gênero tão raquítico como Metalcore e dar um novo sentido ao termo progressivo, que vem sendo extremamente enjoado pelas bandas copiadoras da fórmula do Dream Theater de fazer Metal Progressivo. Parabéns ao quinteto. Espero que continuem lançado álbuns tão bons (ou até melhores) que The Parallax II: Future Sequence, o sexto disco da banda.

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3 – The Ghost You Gave To Me (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: 
Rock Progressivo, Metal Progressivo, Rock Experimental
Gravadora: Metal Blade

Enquanto Josh Eppard (ex-membro do 3) seguiu carreira na já popular banda Coheed And Cambria, o irmão menos famoso, Joey Eppard, continuou a sua carreira no 3, fazendo um som consideravelmente diferente da atual banda do irmão, e em 2011 lança o sexto álbum de estúdio, The Ghost You Gave To Me. Pela capa dá para se esperar algo sombrio, psicótico, mas o que vemos é um som bastante versátil e divertido, The Ghost You Gave To Me se torna uma grande opção audível para apreciadores do metal e rock progressivo e do rock experimental, com um flertamento encantador com o pop ( o que faz parte da bagagem do rock experimental), e também  uma pequena semelhança com o sludge metal, a ótima e versátil ‘Sparrow’ é um exemplo disso. O instrumental, assim como o álbum num todo, não é revolucionário, e a execução não é genial, mas mesmo assim é algo bem interessante, com bons momentos de todos os instrumentos.

Só por tudo o que eu já disse, vale a pena ouvir o último lançamento dessa banda, mas seria hipócrita não constar os erros, também. Você poderá se animar com o CD na sua primeira metade, mas quanto mais o tempo do disco passa, poderá achar que perdeu a sua “graça”. O agitamento do começo não está tão presente, e o vocal de Joey Eppard, pode se tornar irritante algumas vezes, a oitava faixa chamada ‘Pretty’ mostra isso. Mesmo sem tanta empolgação, continua bom, e só é questão de audições extras (elas não apagarão os erros, mas claro, vai te ajudar a entender melhor outros detalhes). Vale a pena arriscar nesta banda, você, que gosta de Muse, arrisque! (Não, 3 não te lembrará de Muse), os “progristas” que gostam de experimentalismo, também. E sem esquecer do pessoal indie, 3 se encaixa um pouco em cada estilo, mesmo não sendo genial, se torna algo bem agradável, ponto para o experimentalismo/versatilidade.

Symphony X – Iconoclast (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Progressivo, Metal Neo-Clássico, Metal Sinfônico
Gravadora: Nuclear Blast

O oitavo disco de estúdio da experiente banda norte-americana, o Symphony X, mostra um exemplo perfeito em Iconoclast de que nem sempre bons músicos juntos fazem (somente) boas músicas. O conceito de Iconoclast é que as máquinas dominam tudo, mas não segue uma história linear como um legítimo disco conceitual, mas sim um álbum temático, como feito pelo Pink Floyd em Dark Side Of The Moon. E esse tema lírico chega até passar para o instrumental da banda, soando até mecânico em certas partes, uma boa ideia do grupo, mas mesmo assim com boas ideias, a banda falha no principal ponto de um álbum deveria ter: suas músicas.

A banda composta por Russell Allen (vocalista), Michael Romeo (guitarrista), Michael Pinnella (tecladista), Michael Lepond (baixista) e Jason Rullo (baterista), apesar de serem ótimos músicos, extrapolam em certos momentos virtuosos que chegam a ser desnecessários, principalmente o guitarrista Michael Romeo. Este homem consegue estragar praticamente quase todas as atmosferas criadas com seus solos ultra-técnicos-e-mega-rápidos-porém-super-irritantes. Ouça “The End Of Innocence”, e repare que até a entrada do solo, a atmosfera é excelente, e os corais, algo muito bom neste disco, deixam tudo em um clima épico e até caótico, mas então entra o solo, e assim perdemos um belo momento. E não podemos esquecer dos péssimos timbres escolhidos por Michael Pinnella, principalmente em seus solos entupidores de ouvido. Um mau gosto inacreditável eu diria. E nem podemos esquecer que temos canções fraquíssimas como “Bastards Of The Machine” e “Eletric Messiah”, ambas esquecíveis.

O que mais decepciona-me em Iconoclast é que, mesmo tendo porradas excelentes e os corais bem feitos, o disco todo é cansativo. Quase não vale a pena ouvir todo ele. O que vale a pena ouvir em Iconoclast, além dos corais e de algumas atmosferas criadas, são duas canções, que de certa forma se isolam no nível qualidade comparada as outras: a faixa-título e “When All Is Lost”, ambas as canções mais longas do disco. Enquanto “Iconoclast” é uma tremenda porrada, ora imprevisível, ora épica (e nada enjoativa), “When All Is Lost” é a única balada do disco e apesar de uma introdução brega, a música desenvolve-se e transforma-se em uma das coisas mais lindas que eu ouvi em 2011. E os solos nestas duas faixas estranhamente são os únicos solos que realmente fazem bem a atmosfera, algo que esse disco tem uma certa facilidade em quebrar devido ao exagero técnico. Uma pena termos apenas duas canções de grande qualidade.

Iconoclast mostrou-se um fraco lançamento da banda, principalmente se compararmos com que o Symphony X já lançou, o ótimo The Divine Wings Of Tragedy. Mesmo os mais extremistas musicais e fãs da banda talvez olham torto para esse álbum como eu olho. Por mais talentosos que estes cinco caras sejam, o ego musical elevado do grupo é algo que vem cada vez mais aumentando, principalmente Michael Romeo, fundador da banda. E o pior de tudo é que não tem muita diferença do que o grupo vem lançando nos últimos discos. É como se a banda estivesse em uma zona de conforto e pretendem não sair dali. Iconoclast, por mais que suas ideias sejam boas, não teve a execução necessária para tornar se um clássico do Heavy Metal. Recomendado apenas as duas faixas citadas (a faixa-título e “When All Is Lost”).

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Opeth – Heritage (2011)

Origem: Suécia
Gêneros: Rock Progressivo, Jazz Fusion, Folk Rock, Metal Progressivo
Gravadora: Roadrunner

Heritage é décimo disco de estúdio do Opeth, banda sueca que tinha uma tendência a fazer um som extremo, com guturais poderosos e uma sonoridade macabra. Entretanto, como aconteceu em Damnation, ocorre aqui. O Opeth deixa seu lado extremo e mostra suas influências que até outrora não eram notadas, um lado incrivelmente versátil e cheio de melodias e ideias interessantes. A banda composta por Mikael Åkerfeldt (guitarra, mellotron, grand piano, vocais e efeitos sonoros), Fredrik Åkesson (guitarra rítmica), Per Wiberg (teclado, pianos, órgão e mellotron), Martín Mendez (baixo, contrabaixo) e Martin Axenrot (bateria e percussão) fazem um trabalho belo e eclético, saindo um disco muito bom. O som setentista modelado para o presente foi bem criado, não há como negar. Mas, como nem tudo são flores, infelizmente, o disco tem seus pontos baixos.

O disco começa com a faixa-título. Uma bela música sendo composta apenas por um piano. A faixa dura dois minutos, o suficiente para gostarmos dela e para não enjoarmos dela. Além da faixa-título, temos “Marrow Of The Earth” como faixa instrumental, mas que encerra o álbum, composto por dez faixas. Um encerramento bonito, como o início do disco, mas as canções não são nada memoráveis, porém fazem bem seu papel. A canção que vem após “Heritage” é a single “The Devil’s Orchard”. Uma poderosa canção, mostrando que o grupo não precisa de seu extremo e de seus guturais para surpreender com boa música. Desde quebradas rítmicas de bateria até riffs sensacionais, “The Devil’s Orchard” é uma grata canção aos nossos ouvidos. Destaque para o refrão, que eu considero não apenas bom, mas também forte. Aliás, quem não consideraria um refrão forte com a frase “God is dead”? Acho difícil…

Alguns problemas do disco vem na faixa “I Feel The Dark”, com um início bem no estilo folclórico espanhol, a faixa vai ganhando corpo, até que a música começa a demonstrar que vai se encerrar, e repentinamente (e brutamente), “I Feel The Dark” nos mostra um som vindo de um órgão tenebroso, inesperado, e a banda entra junto no que o órgão gerou. É imprevisível? Sim. Mas é uma imprevisibilidade que não encaixou no que estava acontecendo, foi uma ideia solta onde não precisava. E isso acontece em “Nepenthe” e em suas jams e solos guitarrísticos e em “Famine”, com sua introdução tribal, até vir um piano, e do nada vir riffs de guitarra. É estranho. Não tem nexo algum algumas ideias, apesar de serem criativas, só que foram colocadas no lugar errado.

Para aqueles que querem um peso a mais vindo da banda, o mais próximo disso é encontrado nas faixas “Slither”, um tributo a Ronnie James Dio (ex-Rainbow e Black Sabbath) e em “Lines In My Hand”, faixa que originou a temática de Heritage. Ambas passam uma energia muito positiva, chegando a ser até regozijante. “Folklore”, canção que vem antes de “Marrow Of The Earth” é uma das melhores (senão a melhor) músicas feitas para esse disco. Ela em seus mais de oito minutos tem consistência que algumas outras canções precisavam e deixa aquele ar de que o que foi ouvido valeu a pena, e quando entra “Marrow Of The Earth”, soa como um acalmante, e funciona perfeitamente. E não há de se esquecer de “Häxprocess”, com um clima tenso, porém lindo, é uma música que vale a pena ouvir com atenção.

Sem sombras de duvida, Heritage é um grande disco, com vários momentos interessantes e bem elaborados. Mikael fez um ótimo trabalho produzindo o disco, trazendo suas ideias e influências de uma maneira em que a execução das canções seriam as vencedoras. Entretanto, as repentinas mudanças das canções, apesar de imprevisíveis, as vezes não fazem sentido algum. Repare em “I Feel The Dark”, “Nepenthe” e em “Famine”, por exemplo. Se são bacanas? Claro que são. Mas soa estranho e parece serem outras faixas do que uma única, principalmente “Famine”. É um bom disco, mas alguns erros aconteceram. No próximo disco, quem sabe a banda faz um trabalho ainda melhor? Recomendado a aqueles que querem um disco com um pouco de tudo e até os próprios fãs do lado pesado da banda. Esse disco irá te satisfazer por um longo período de tempo.

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Dream Theater – A Dramatic Turn Of Events (2011)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Metal Progressivo
Gravadora: Roadrunner

Após uma saída dramática do baterista e co-fundador da banda Mike Portnoy, o Dream Theater trouxe no ano passado A Dramatic Turn Of Events (título sugestivo, não?), 11° disco na discografia. Após um disco pesado e de certa forma exagerado em Black Clouds & Silver Linings, a banda atualmente composta pelos também fundadores da banda John Petrucci (guitarrista) e John Myung (baixista), por James LaBrie (vocalista), Jordan Rudess (tecladista) e o novo integrante da banda que substitui o baterista Mike Portnoy, Mike Mangini, nos traz um álbum não tão pesado, em uma tentativa do grupo de voltar a ter o equilíbrio entre o Progressivo e o Metal, as principais características da banda que ultimamente estavam mais para o lado “brutal” de suas influências. Que tal conferir as 9 canções que compõem este álbum?

O álbum abre com “On The Backs Of Angels”, que concorreu ao Grammy por melhor perfomance de Hard Rock/Metal. A faixa começa com uma introdução um tanto quanto típica, algo que soa “parecido” sem ser necessariamente ser parecido. A faixa vai crescendo aos poucos até vir um coral épico e a banda entrar com força máxima, trazendo sua quebradeira de compasso mais que comum e já esperada em sua música. Apesar de uma ótima introdução, a faixa não carrega muito bem ela, mas não soa má de forma alguma. A linhas vocais de LaBrie estão ok, nada muito impressionante. A canção possui grandes similaridades em sua construção com o maior hit (e o único) do grupo, “Pull Me Under”, de Images and Words, isso quer dizer que serão notáveis alguns solos pré-refrões, que são muito bacanas por sinal. Quando termina a segunda repetição do refrão, temos um momento de Jordan Rudess, solando em um piano, trazendo um ar mais Progressivo a música, que simplesmente soa belíssimo. Solo de Petrucci é bom, mas não tem emoção alguma, soa até robótico e genérico dele. O refrão em si não cativa muito. O lado positivo é que notamos que o baixo, que ultimamente estava muito apagado, em ADTOE “retorna a vida sonora” do grupo. O novo Mike faz um trabalho ok, já que ele não criou as linhas de baterias do disco, então ele só fez sua parte (na qual é boa, por sinal), então não tem motivos para comentar a bateria em todas as faixas. No fim, uma boa faixa. Não é o melhor começo, mas ainda é apreciável. Reparem que na introdução da canção o que é audível. É engraçado.

E já na segunda faixa o Dream Theater comete um erro que fez em alguns álbuns anteriores, mas mais grave ainda. Enquanto em Octavarium e Systematic Chaos havia “tributos” (para não citar um termo pejorativo) ao Muse, sendo eles “Never Enough” e “Prophets Of War” (em cada álbum respectivamente), em ADTOE temos uma tentativa falha da banda em tentar colocar música eletrônica nas faixas “Build Me Up, Break Me Down” e em “Outcry” (esta falarei detalhadamente adiante). Dream Theater não serve para fazer “tributos” ao Muse ou usar música eletrônica nas suas músicas. Simplesmente não serve! E para piorar, temos James LaBrie em um momento screamo em “Build Me Up, Break Me Down”. Não quero ter que dizer isso, mas qual o motivo dessa desgraça. Não que soe mau ou porque não gosto de screamo, mas James, você não foi feito para isso! Apesar de tudo, a faixa tem um poder radiofônico grande, sendo fácil de memorizar e tem uns riffs bacanas e um solo de guitarra que me lembra seriamente do jogo Castlevania… Não é uma boa faixa e poderia estar fora do álbum com total certeza. Mas que ela é grudenta, isso ela é! Até seus corais são grudentos!

Em “Lost Not Forgotten” a faixa começa com um piano que lembra Kenny G. Isso perdura até a banda se mostrar em mais uma introdução épica e então uma batalha entre o teclado e a guitarra que soa como duas moscas brigando para ver quem é que irrita mais o ouvinte (a banda já fez isso em “In The Name Of God”, mas de uma maneira mais assassina ainda). Após a grande virtuose demonstrada, temos um riff bem forte vindo de Petrucci e uma interpretação mais forçada de James, mas que encaixa no que a faixa pede. O refrão é ótimo. Além de ser fácil para grudar e cantar, a quebradeira posta ali é bacana, apesar de apresentar similaridades na sua construção com “Under A Glass Moon”, isso inclui até o solo de guitarra, que na minha opinião, não dá prazer algum ao ouvinte. É interessante, mas eu prefiro fingir que passou despercebido na execução do disco. A primeira balada de A Dramatic Turn Of Events é “This Is The Life”. É uma composição em si bonita e de bom gosto, nenhum exagero dos componentes da banda, execução mais do que agradável, e principalmente, entendiante e previsível! Ela é tão previsível que dá para calcular perfeitamente como a música vai se desenvolver e sua primeira metade é tão chata ao ponto de ajudar na previsão do que será a canção. Apesar de tudo, James traz uma interpretação linda, Petrucci sola com maestria e o fim da faixa é indiscutivelmente bom!

“Bridges In The Sky” começa com… o shaman fazendo seus “guturais” misturados com roncos? Eu não sei como exemplificar ou explicar, mas o que posso dizer é que o nome original da canção seria ” The Shaman’s Trance” que faria muito mais sentido! E mesmo que fizesse, é totalmente desnecessário, ainda mais com a mudança de título. Então com seu decorrer, temos um certo peso a vista, e é bem executado. A faixa é interessante e vale a pena ouvir até seu final. A interpretação de James LaBrie é excelente, e o mesmo tem uma de suas linhas vocais mais bonitas de sua carreira. A seção instrumental é boa, não tão exagerada, mas ainda técnica, como característica da banda. É uma pena esses sons do shaman no início e também no fim da canção. O baixo recebeu um ótimo destaque.

Agora chegamos em “Outcry”, outra faixa que contém o uso (que poderia muito bem ficar de fora) de música eletrônica. Com mais uma introdução épica, a banda faz um som que chega até ser previsível, e James canta mais suave, nada agressivo, soa até bonita sua interpretação, mas que ajuda na previsão da faixa. Mas após o refrão e alguns momentos instrumentais, temos um momento “The Dance Of Eternity” em “Outcry”. Não que seja igual, mas que é complicado o que acontece na seção instrumental, isto é inegável. Solos de baixo, guitarra, teclado… O desenvolvimento previsível se tornou uma máquina de loucuras. São tantas ideias e coisas acontecendo nesta seção de 4 a 5 minutos que era possível compor mais de 10 faixas facilmente. Jordan faz um trabalho monstruoso no teclado. E como disse, são tantas ideias expostas que não dá para assimila-las da maneira correta, o que vai requerer algumas audições extras (vale para o álbum inteiro esta regra, mas para essa faixa ela é com maior “intensidade” e prioridade) e vai achar (com razão) que a banda exagera muito, mas isso é algo que todo fã de Dream Theater gosta, e honestamente, eu gostei. É radical, complexo e imprevisível. O final da faixa é simplesmente perfeito, ou pelo menos quase. É difícil não se entusiasmar com que é feito ali.

A segunda balada e sétima faixa é “Far From Heaven”, que só possui a participação de Jordan no piano e um violino de fundo e, claro, James nas linhas vocais. É uma música que te faz ficar para baixo. É uma beleza entristecedora. E por mais cafona ela possa parecer, eu acabei me identificando com ela, provavelmente graças a voz de James. E após ela temos “Breaking All Illusions”, que para mim é a melhor faixa de ADTOE. As duas canções equivalem a “Wait For Sleep” e “Learning To Live” de Images and Words, respectivamente. Na oitava faixa, temos uma introdução que familiariza com o Rock Progressivo feito por bandas como Yes e Marillion, soando até Pop, mas sem ser necessariamente Pop, mas que traz uma nostalgia, uma magia encantadora. Seu decorrer é bem feito, e mesmo com as transformações repentinas na faixa, ela continua boa e não soa deslocada (não ao ponto de estragar a música). A seção instrumental é sensacional. É eclética, bela, virtuosa… É incrível! O solo de Petrucci é simplesmente um de seus melhores. Aqui a emoção que o mesmo põe chega a transbordar, e deixa o virtuoso ego (?) de lado e faz uma das coisas bonitas do disco (senão a mais). O refrão é ótimo. Bom para cantar, gruda fácil e sai difícil da sua cabeça. E mais uma vez, outro final esplêndido. Temos aqui a melhor faixa de A Dramatic Turn Of Events, apesar de faltar ainda mais uma canção antes que encerrar tudo.

“Beneath The Surface”, última faixa e terceira balada de A Dramatic Turn Of Events e de acordo com Petrucci ela funciona (muito bem, por sinal) como uma canção em que os créditos estão passando. Ele está correto. É uma bela faixa acústica, e encerra bem o disco, da mesma maneira que uma balada em 1994 funcionou para encerrar um disco do Dream Theater, que no caso seria (a música mais depressiva da história em minha honesta opinião) “Space Dye-Vest”, do aclamado álbum Awake. Único defeito que eu coloco é justamente James LaBrie. No terceiro refrão ele faz seus agudos exagerados, que em praticamente não teve em nenhuma faixa do disco a não ser a última, e soa até inesperada, mas não soa boa para mim, já que eu sempre desgostei destes momentos LaBrie pós-acidente de 1994. Poderia vir com algo melhor, James. E é com uma bela balada que encerramos A Dramatic Turn Of Events.

A Dramatic Turn Of Events é um bom disco, mas que no fim de tudo soa fraco se compararmos as grandes obras do grupo e, obviamente, previsível. Claro, tem momentos que você não esperava que iria ocorrer, mas este Dream Theater parece que já ouvimos em outro álbum, e se tem algo que a banda faz questão de dizer é que sempre estão mudando, já que o gênero que eles pertencem e são influenciados (o Progressivo) sempre pede mudanças. Tudo apresentado aqui já foi ouvido em outras canções, com exceção do shaman e do Screamo James que são terríveis e de um gosto pra lá de ruim. A banda quase não correu risco algum. Mas como já disse, é um bom disco. Alguns deslizes cometidos que poderiam ser melhorados, mas que futuramente pode levar a um álbum ainda melhor. É o que iremos esperar deste experiente e talentoso quinteto.

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Porcupine Tree – Nil Recurring (2007)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Rock Progressivo, Metal Progressivo
Gravadoras: Transmission, WHD, Peaceville

Nil Recurring é um EP lançado alguns meses após Fear Of A Blank Planet. As canções deste EP foram feitas durante as gravações de Fear Of A Blank Planet, que já foi analisado aqui. A banda é a mesma. Steven Wilson (vocais, guitarra, piano e teclado), Richard Barbieri (teclados e sintetizadores), Colin Edwin (baixo) e Gavin Harrison (bateria). O EP segue o mesmo conceito e ideias de FOABP (usarei uma sigla para evitar repetições em exagero), tanto é que as quatro faixas deste EP foram lançadas juntas com a versão vinil de FOABP. Mas seria injusto eu resenhar elas todas juntas, sendo que a qualidade do vinil ao CD ou ao download em MP3/vídeo do YouTube é gigantesca. Então eu decidi fazer via “parcelas”, como a banda decidiu fazer (e eu sou a favor do grupo ter feito isso). Mas, vamos ao conteúdo musical.

O álbum abre com a faixa-título. A faixa é uma instrumental que encaixa na sonoridade de FOABP, contendo riffs bacanas, bem trabalhada e sem exageros que no fim desaguam em lugar nenhum. Boa faixa para começar o EP. “Normal” é a próxima e tem uma introdução acústica até a banda toda aparecer. Seu refrão é bonito e tem uma grande similaridade com “Sentimental”. Seu final é interessante, e encerra com o seguinte verso: “Wish I was old and a little sentimental”. Enquanto ela encerra assim, “Sentimental” inicia com este verso: “I never wanna be old and I don’t want dependence”. Tem momentos muito interessantes, sejam belos ou pesados, que elevam a qualidade da canção. Em “Cheating The Polygraph” é a quem mais tem peso no EP, porém é a menos encantadora. Sua introdução não cativa, até chegar ao refrão, que também não é dos mais fortes. Para encerrar temos “What Happens Now?”, que começa com  uma percussão, e sua progressão é bacana, mas nada muito atrativa, e mais da metade da música passada você provavelmente se sentirá cansado, mas ela tem seus momentos interessantes e dá para viajar no som feito, principalmente no final da canção, encerrando bem a obra.

Nil Recurring é de certa forma um bom EP, mas não é dos mais atrativos, e serve como complemento de Fear Of A Blank Planet. Se você quiser se aprofundar no som do grupo, ou ser uma pessoa mais alternativa na música, é uma boa dica este “Extended Play”, além, claro, do próprio FOABP. Mas você pode cansar em alguns momentos, o que é totalmente normal, já que, apesar de serem apenas quatro canções, elas são longas e tem muitas passagens e nuances. O conteúdo lírico e arranjos são similares também a FOABP, então, ao invés de ouvir apenas Nil Recurring, ouça também Fear Of A Blank Planet. Eu recomendo.

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Haken – Aquarius (2010)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Metal Progressivo, Rock Progressivo
Gravadora: Sensory

Haken é uma jovem banda formada em 2007, composta na época de Aquarius (primeiro disco de estúdio) por Ross Jennings (vocais), Richard “Hen” Henshall (guitarra e teclado), Charlie Griffiths (guitarra), Thomas MacLean (baixo), Ray Hearne (bateria, tuba e djembê) e Diego Tejeida (teclado) fazem um som que abrange momentos extremos com guturais densos e atmosféricos e outros suaves que remetem ao Rock Progressivo setentista, além de fazer um som difícil de se digerir, principalmente devido a duração de suas canções. Aquarius tem quase 73 minutos de duração e nos traz apenas sete faixas, sendo a mais curta com mais de 6 minutos e meio. E o que ajuda ainda mais na dificuldade da digestão deste álbum é a complexidade não só musical, mas também lírica. O conceito de Aquarius é sobre um casal que tem uma filha sereia.

A primeira faixa é “The Point Of No Return” com seus 11 minutos logo de cara, e nela já notamos diversas influências no som do grupo, deste Dream Theater, Yes, Pain Of Salvation, Emerson, Lake & Palmer até o mais extremo como Opeth. Outra coisa notável a musicalidade diferenciada do grupo. As ideias colocadas pelo grupo, o uso de instrumentos incomuns e a execução são uma boa diferenciação de outras bandas. Vocalista Ross Jennings em alguns momentos pode não parecer alguém agradável de se ouvir cantar, como se fosse Geddy Lee, mas o que ocorre com Geddy ocorre com Ross. É apenas questão de costume, já que ambos são bons vocalistas. Os guturais feito por Ross, apesar de serem muito bem feitos e a banda fazer um ótimo trabalho, soa totalmente deslocado. Soa forçado demais você estar ouvindo um som viajante, quando vem um “rugido infernal”, se assim me permito afirmar. E o mesmo caso dos guturais ocorre com “Streams”, que tem um início até Pop e que também passa dos 10 minutos de duração, mantem as ideias de sua antecessora, mas sem necessariamente parecer uma cópia. A progressão da faixa é mais coerente e o ritmo quebrado que a banda coloca no seu som não é para qualquer um. Grande solo de teclado essa faixa possui.

A partir de “Aquarium” em diante não teremos que esperar guturais. A terceira faixa, também acima dos 10 minutos, começa épica, e que facilmente poderia ser uma faixa introdutória do Genesis da fase Peter Gabriel. Quando o piano aparece, e em seguida a voz de Ross, já percebemos que teremos uma faixa mais calma se formos comparar com as outras duas passadas. O refrão é belíssimo, Ross põe toda uma emoção em sua voz e para completar, ele está aliado de uma orquestração belíssima. Com o passar do primeiro refrão, notamos um momento que relembra Pink Floyd, tanto no teclado quanto na guitarra. É uma bela balada épica em sua primeira parte, até que com seu decorrer ela se transforma em algo até feliz, que acaba me lembrando da canção “Surronded” do Dream Theater, mas não soa plágio de maneira alguma. Ela tem uma regressão muito linda, até um piano aparecer e então mais uma vez o refrão reaparece e traz aquela magia da canção. E para encerra-la, um majestoso solo. Uma das canções mais belas do álbum. “Eternal Rain” é a primeira faixa abaixo de 10 minutos, e também é a mais curta do disco. Possui um bom refrão e com sua evolução me recordo do som que o Circus Maximus faz, que apesar de ter uma forte influência de Dream Theater e Symphony X, soa bem alegre, mas uma grande diferença é a facilidade do Haken em surpreender seu ouvinte com sua música. Aqui soa mais imprevisível.

“Drowning In The Flood”, faixa que aproxima dos 10 minutos de duração, tem um começo com riffs pesados, além de uma interpretação diferenciada de Ross, colocando mais agressividade na faixa sem ser aquele gutural exagerado, e nos momentos mais suaves ele segue o que a faixa pede, fazendo muito bem seu papel, assim como a banda faz também, mas o refrão apesar de ser bonitinho, não causa impacto algum, mas com sua metade em diante, ela tem uma melodia e arranjos muito interessantes. O solo de teclado no fim da faixa me remete ao Jordan Rudess na época do Train of Thought, soando até exagerado e acabando do nada, e quando você vai reparar e já está em “Sun”, que começa com um violão acompanhado de um órgão ao fundo (obviamente feito no teclado). A balada tem um pouco mais de 7 minutos e é mais calma de Aquarius. Sua melodia e arranjos são bonitos, além de uma orquestração bem bacana. Quando ela acaba e próxima faixa começa, você até se assusta.

A última faixa é a posterior de “Sun”, a épica e longa “Celestial Elixir”, com quase 17 minutos de duração. Aqui é que a “Máquina de Loucuras Haken” mostra todo seu potencial. Uma introdução que pega todos elementos do álbum, desde os mais densos e atmosféricos até os mais belos, que apesar de longa, ela não deixa você cansado devido a grande influência que o grupo tem e colocam. Ross começa a cantar perto dos 4 minutos e mostra uma doçura de sua voz incrível. A faixa até os 8 minutos é bem bonita, bem no estilo do Rock Progressivo, até que vem um momento que poderia estar em um desenho animado antigos, aqueles estilo Tom & Jerry, muito interessante e divertido. A criatividade do grupo é sensacional, tendo momentos onde o tecladista faz mágica, os guitarristas constroem solos muito contagiantes, enfim, a banda faz um trabalho de tirar o chapéu. O encerramento é aquilo que disco pedia, cheio de musicalidade e bem complexo.

Aquarius é sem duvida alguma uma excelente estreia para uma banda, e o Haken tá de parabéns, fizeram um trabalho desafiador e muito bom, que infelizmente vai requerer algumas audições extras (eu por exemplo, escutei esse disco pela primeira vez em Março do ano passado e só agora eu estou o compreendendo), mas serão recompensadores no fim de tudo, e não só musicalmente, mas liricamente é muito bom. Entretanto, um exageros e uma certa falta de consistência prejudicaram um pouco o álbum, mas apesar disso, vale muito a pena ouvir este álbum. Recomendado aos fãs de Rock e Metal Progressivo e pessoas que querem se acostumar com composições maiores do que as simplórias canções de 3 minutos, sendo 2 composto por refrão. É uma boa pedida Aquarius.

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