Torres – Torres (2013)

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Origem: Estados Unidos
Genêros: Indie Rock, Dream Pop, Folk Rock
Gravadora:
 Independente

Cá estamos, após um belo ano para a música, tudo começa novamente. O ciclo tem seu recomeço, nada para e 2013 promete. Estou um tanto atrasado pois estava enrolado com a lista de melhores discos de 2012 que acabei perdendo duas vezes graças a problemas com meu computador, e logo após isso, alguns problemas pessoais tiraram quase todo o tempo que eu tinha pra escrever. Sem mais delongas, vamos direto ao que interessa: Minha opinião sobre este belo trabalho, primeiro registro que ouvi neste 2013

Torres é uma garota de 22 anos vinda de Nashville, Tennessee. Na verdade, ela se chama Mackenzie Scott e seu projeto começou a ganhar asas recentemente. Não há muito a se dizer por trás desse debut auto-intitulado, senão que, como de praxe, um primeiro disco tem a vantagem de não carregar expectativas, podendo cativar fãs com maior facilidade. Em contrapartida, é quase sempre o primeiro disco que caracteriza sua fanbase ou o caminho que sua carreira vai seguir. Mackenzie não parece estar se importando muito com tudo isso, quer dizer, não a ponto de deixar que todo esse bolo de fatos e detalhes descaracterize a sua arte. Ao menos visivelmente, não.

O que chama a atenção nesse disco é a voz de Scott. Suas linhas vocais são marcantes por si só, sem necessariamente possuir um diferencial. Ela não soa diferente e nem pode ser considerada uma ótima cantora, mas sua voz – meio fraca, meio trêmula (?) – é um dos principais charmes deste trabalho. Do outro lado, fazendo isso funcionar corretamente, temos as letras. Cobertas de metáforas e comparações, são quase retratos, talvez pelo fato de que são escritas – a maioria delas – em  primeira pessoa. É como se, ao prestar atenção, você mentalizasse uma pequena história em sua cabeça, mas sem saber exatamente o que aquilo significa, embora seja algo “concreto”. Uma aura pesada contorna tudo isso, criando um ambiente melancólico que começa a ser construído em “Mother Earth, Father God” e tem seu final em “Waterfall”

Os arranjos aqui são demasiadamente simples, isso quando as músicas não são acompanhadas somente pela guitarra. Isso não faz desse disco pior, uma vez que eles se encaixam perfeitamente no clima do mesmo. Torres construiu isso minuciosamente e o resultado agradou, mostrou o que faz um disco não ser uma simples compilação. Isso se baseia saber como encaixar cada faixa em seu lugar e saber qual é seu objetivo: Fazer tudo na mesma linha ou extrapolar os limites de gênero, padrões, formatos e etc. Embora o primeiro seja muito mais fácil que o segundo, é algo que está em falta atualmente. Isso é, se tratando de discos com  bons resultados finais, isso está em falta. Essa combinação monta uma atmosfera muito agradável, sobrepondo as letras  com as melodias suaves e lentas. Isso se nota na sequência de faixas 3-8; as mais densas e que são capazes de despertar o gosto do ouvinte pelo full-lenght. De um ponto de vista sensorial, é como se você estivesse sendo hipnotizado e se transportasse para trechos de filmes em lugares imaginários que fossem capazes de ilustrar as belas e  – de certa forma – tristes canções presentes aqui. O uso eventual de eletrônicos e do baixo, principalmente em “Chains”, música de número 6, fazem a diferença e são responsáveis pela manutenção da obra ao longo de seus cinquenta e tantos minutos.

Esse disco realmente me pegou de jeito e se tivesse sido lançado ano passado, estaria figurando entre os melhores do ano. Sua qualidade é incomparável e embora não possua um diferencial para ser considerado clássico, não possui grandes problemas. Ao menos eu, não notei nenhum ponto negativo nesse disco ao longo das 7 audições até agora. Mackenzie não saiu da zona de conforto, poderia ter arriscado mais, mesmo assim cumpre de maneira espetacular seu papel para um primeiro disco. Quem sabe um dia ainda possamos dizer: Joni Mitchell – Kate Bush – PJ Harvey – Cat Power – Feist – Torres. Veremos.

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The Killers – Battle Born (2012)

Battle Born

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Rock Alternativo, Indie Rock
Gravadoras: Island, Vertigo

Começo dizendo que, até então, essa foi a resenha mais complicada de ser escrita dentre as que fiz para o blog. Mais adiante explicarei a causa.

O The Killers é uma banda que todo mundo que acompanhou o rock/pop mundial na década passada deve conhecer. Proveniente de Las Vegas, Nevada, a banda conquistou uma enorme fan-base ao redor do mundo durante seus anos de existência. Sendo essa curta e que depois de certo ponto começou a decair.

Decadência. Essa palavra caracteriza “Battle Born”, quarto disco de estúdio da banda, que por sinal não é mais a mesma. Boa parte da crítica especializada disse que o registro é “mais do mesmo” quando comparado ao antecessor “Day and Age”. Eu prefiro dizer que é uma versão chata e sem sal quando comparada ao disco de 2008.

Tudo o que elevou o The Killers ao status de fama e que comprova a qualidade de seus dois primeiros discos sumiu aqui. Partindo da primeira faixa “Flesh and Bone”, parece que tudo o que você quer é passar para a próxima música, e isso continua até “Battle Born”, que fecha o terrível trabalho. Algumas exceções são  o single “Runaways” e a sétima faixa “Miss Atomic Bomb”. As melodias são repetitivas e algumas chegam a desvalorizar o vocal de Brandon Flowers, um dos grandes atrativos dos LP’s anteriores.

Quando disse que essa resenha me deu trabalho, foi pelo fato de ter pouco a falar sobre o disco, pois ele é indiscutivelmente ruim. Talvez uma primeira audição não seja tão decepcionante, mas você não vai querer passar perto dele novamente. Para quem esperou quatro anos depois de um disco “enche-linguiça”, esse disco é uma baita decepção. Não existem hits, as canções em si não possuem nada de especial e os arranjos não convencem. Praticamente tudo aqui é descartável.

Bloc Party – Four (2012)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Indie Rock, Revival Pós-Punk, Rock Alternativo
Gravadora: Frenchkiss

O quarto álbum da banda britânica Bloc Party, simplesmente intitulado “Four”, é diferente de seus antecessores, A Weekend In The City de 2007 e Intimacy de 2008, que continham elementos eletrônicos (principalmente em Intimacy) que os fãs acabaram não gostando desta mudança constante da banda, evoluindo e experimentando cada vez mais. Em Four, retornam algo mais próximo ao seu primeiro disco, Silent Alarm de 2005, mas com algumas diferenças, entre elas canções que soam urgentes, um baixo marcante e um peso a mais, trazendo uma energia que fez algo que eu não fazia a um longo tempo: ouvir seguidamente o mesmo disco dezenas de vezes, ouvindo e ouvindo até eu não aguentar. Four passou esta mágica em meus ouvidos e eu fiquei muito, mas muito grato com o que fizeram em Four.

É um disco perfeito? Não, não é um disco perfeito. “Day Four”, por exemplo, não é lá grande coisa, e até um pouco entendiante, mas possui uma melodia interessante, assim como “The Healing” e “Real Talk”, em outras palavras, as canções mais lentas. Elas não tem aquela coisa que te faça querer ouvi-las como outras, mesmo algumas delas tendo momentos lindíssimos, como a já citada “The Healing”. Você só esta esperando elas terminarem para ouvir as faixas mais bombásticas e pesadas deste disco, como o poderoso encerramento “We Are Not Good People”, a faixa de abertura “So He Begins To Lie”, “3×3”, a bomba crescente “Coliseum” e outras canções que compõe este disco de doze faixas. Algumas destas canções têm, como já disse, uma urgência gigantesca, uma necessidade de passar uma mensagem importante, seja qual ela for (sendo importante ou não), e elas valem a pena serem ouvidas, de novo e de novo, mesmo que você tenha que ouvir faixas mais lentas e até um pouco cansativas (que por acaso são boas, mas não tão boas quanto as já citadas). O disco tem um meio termo entre pesado e músicas lentas, como “Octopus”, a tensa “Team A” e “Truth”, e sim, elas valem a pena serem ouvidas. São boas e não decaem o nível de qualidade do disco.

Four é um bom retorno da banda após quatro anos. Constroem um disco que, mesmo tendo faixas que não deveriam estar juntas, fazem sentido unidas, criando um álbum de alto nível. Parabéns para Kele Okereke (vocais principais guitarra secundária), Russell Lissack (guitarra principal), Gordon Moakes (baixo, sintetizadores vocais de apoio), e Matt Tong (bateria e vocais de apoio) por criarem um disco memorável, que provavelmente não será disco do ano, mas que chegará próximo disso. Fãs do grupo na época de Silent Alarm irão adorar o álbum, assim como os amantes do Rock em geral. Aquele povinho que curte bandas como Nirvana e Guns N’ Roses, assim como os hipsters, irão gostar do álbum. Talvez não da maneira como eu gostei e ouvi Four, mas dê uma chance ao disco, e quem sabe você não se apaixona por ele?

Esteban – ¡Adiós, Esteban! (2012)

Origem: Brasil
Gêneros: Indie Rock, Pop Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Independente

Não é preciso introduzir o ex-baixista da Fresno, o gáucho Rodrigo Tavares, ou como é chamado em sua carreira solo, Esteban. Por quê? Simples! Leia esse texto que escrevi mês passado, onde falo bastante sobre o homem em seu primeiro single, “Canal 12”, uma ótima faixa de abertura para ¡Adiós, Esteban!, seu disco de estréia em território solo. Mas a dúvida é: o disco em si é tão bom como é a música “Canal 12”? Eu acredito que tenho a resposta para esta singela e simplória pergunta. E a resposta que eu conclui foi um triste “não”. Infelizmente não mantém esta consistência. O álbum de estréia de Tavares (que toca quase todos os instrumentos, além de escrever as letras e cantar) foi montado em volta de boas faixas, outras medianas, outras esquecíveis e fracas, e outras tão horríveis que faz o autor deste texto ter pesadelos.

A faixa de abertura é “Canal 12”, que você provavelmente já deve saber minha opinião. Junto dela, as melhores faixas de ¡Adiós, Esteban! são as contagiantes “Pianinho”, a canção que praticamente iniciou Esteban chamada “Sophia”, “Sinto Muito Blues”, que tem participação de Humberto Gessinger, do Engenheiros do Hawaii, e a depressiva “Muda”. Estas canções em sua parte destacam o disco e praticamente fariam deste trabalho um bom EP, caso fosse um EP composto somente por estas músicas, o que não ocorre. As medianas “Visita”, primeira música que Tavares fez com o nome Esteban, como “resposta” a música que seu ídolo, Humberto, fez um tempo atrás, e a lentinha “Segunda Feira”, apesar de serem boas músicas e os fãs adorarem, não chega aos pés das cinco citadas anteriormente. E o encerramento do disco, “¡Adiós, Sophia!”, se mantém no nível das duas citadas, mas é um fim divertido ao disco que por boa parte do seu decorrer é lento e melodramático.

Já “(Eu Sei) Você Esqueceu” e “Tudo pra Você” são os tipos de música que você torce o nariz enquanto ouve elas. Elas não tem nada de especial e elas estão juntas e próximas da música final, o que faz ter vontade de pular as canções, um crime para quem que gosta de ouvir um trabalho completo do artista, qualquer que seja. Mas não chegamos perto das duas tragédias deste disco, que são “Muito Além do Sofá” e “Sua Canção”. Assim como as duas anteriores citadas, estas duas são uma atrás da outra. Elas são horríveis. São óbvias em suas rimas. A melodia em ambas são incrivelmente irritantes, principalmente em “Sua Canção” por ser extremamente genérica. Estas duas músicas são tão ruins que fazem de “Segunda Feira” piorar, fazendo com que ela parece uma faixa ruim, algo que ela não é. É o que eu chamo de “mata-disco”. Essas duas canções conseguiram esta proeza e faz com que ouvinte queira que o álbum termine suas atividades logo. Elas certamente poderiam ficar de fora deste disco com uma tremenda facilidade.

Por mais que eu goste de Rodrigo Tavares e de Esteban, é inegável que ¡Adiós, Esteban! é abaixo da média e do esperado. Os fãs do gaúcho podem ficar felizes pelas músicas muito bem produzidas, bem cantadas, cheias de emoções e com instrumentos incomuns para “roqueiros fãs de Fresno”, ou um ouvinte comum de Rock, ou podem preferir as versões antigas, feitas anos atrás, mas com uma tracklist inconsistente e decepcionante que este disco possui, ele cai em um nível medíocre (eu odeio usar esta palavra, mas ela é efetiva), além de algumas letras que são vergonhosas, seja pela temática, pelas rimas óbvias… ¡Adiós, Esteban! poderia ser um trabalho muito melhor do que ele é. Mas isso impede de ser recomendado? Claro que não! Eu recomendo a todos. Sim, a todos. Seu tio, avô, pai, amigo metaleiro, primo funkeiro… ¡Adiós, Esteban! é um disco por boa parte agradável e bonito, e mesmo não tendo sendo tão bom quanto devia, vale (muito) a pena conferir a estréia do ex-integrante da Fresno. E você pode baixar no próprio site do cara (clicando aqui) e ver mais informações sobre possíveis shows que o mesmo possa fazer. Eu já assisti a um show do senhor Rodrigo Tavares, e, honestamente, eu recomendo, tchê!

Baroness – Yellow & Green (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Sludge Metal, Indie Rock, Rock Alternativo, Rock Progressivo
Gravadora: Relapse Records

Começo essa resenha ressaltando que, sim, você não leu os gêneros de forma errada e eu não errei enquanto os escrevia.

“Qual a diferença entre um artista de metal quando comparado a um artista de outro gênero?” (Além do estilo que a banda toca, óbviamente). Minha resposta é a seguinte: Uma banda de outro gênero pode passear tranquilamente por sub-gêneros próximos sem que a maior parte de seus ouvintes coloque fogo em tudo relacionado aquela banda e declare ódio público.

Por incrível que pareça, isso não aconteceu com o Baroness. Talvez pelo fato de não serem tão conhecidos ou pelos apreciadores do cenário Sludge terem a mente um pouco mais aberta. Felizmente, o quarteto já experiente e proveniente de Savannah, GA (berço da cena contemporânea do estilo) conseguiu fazer isso ao longo de sua carreira com maestria. As mudanças foram acontecendo aos poucos, mas de “First”- EP ainda cru de 2004 – ao excelente “Blue Record” de 2009 existe uma mudança radical, desde os vocais do gênio John Baizley até a as letras.

Em “Yellow & Green”, o grupo foi além. Eles se mantiveram no nicho sludge mas acabaram gerando uma discussão sobre um possível novo ”sub-sub-gênero” denominado “melodic sludge metal”. O disco possui melodias mais cadenciadas e concretas, tornando a técnica dos músicos ainda mais visível. Resumindo, isso caiu como uma luva para a banda, lembrando muito o que aconteceu com o Kylesa em “Spiral Shadow” de 2010.

Muitos “headbangers” torceram o nariz pela falta de músicas parecidas com as encontradas em material antigo. Talvez “Take My Bones Away” ou March to the Sea”, ambas do Disco 1 (sim, é um album duplo). Mas o álbum NÃO possui sequer uma música que possa ser chamada de ruim. Cada música possui sua identidade, não temos fillers, enquadrando nisso inclusive as faixas instrumentais curtas que abrem os 2 CD’s, o que já é de praxe nos full-lenghts da banda.

O disco possui “baladas”, o que é incomum pro sludge e acaba aproximando o estilo da banda pro prog  – no CD 2 (Green) beiram o Indie Rock – Mas as guitarras ainda estão lá, a bateria seca também e produção segue a linha dos dois registros anteriores: áudio bom, porém nada de músicas polidas e recheadas de overdubs e auto-tune. O resultado de tudo isso não pode ser outro, senão o melhor álbum da carreira dessa brilhante banda.

Silversun Pickups – Neck of the Woods (2012)

Origem: E.U.A.
Gêneros: Indie Rock, Rock Alternativo, Dream Pop
Gravadora: Dangerbird

Quando uma banda consegue trazer algo novo a sua respectiva cena, ela instantaneamente ganha sucesso, mesmo que seja no underground. Isso raramente acontece, porquê nem todos são donos da maior criatividade do mundo, e em alguns casos, não acontece porquê as pessoas ficam órfãs de algum gênero ou de alguma banda com características semelhantes e passam a chamar uma nova banda de “os novos – insira o nome da banda aqui –“.

É impossível falar do Silversun Pickups sem fazer uma referência a “história” acima, pois embora eles não façam meros “rip-offs”, o quarteto já nasceu sendo comparado aos gigantes do The Smashing Pumpkins. Estes, por sua vez, fizeram uma mudança radical na carreira, abandonando as guitarra fortes e ao mesmo tempo melódicas no meio da década de 90, tomando um outro rumo (aí entram os supostos “órfãos”). Como se já não bastasse, ambos os grupos possuem outras características em comum, como vocalistas de vozes predominantemente agudas, baixistas e bateristas pra banda de metal nenhuma botar defeito.

Resultado? Carnavas (2006) foi considerado pela mídia um dos melhores da última década, criando novos fãs e sendo constantemente comparado a primeira fase dos Pumpkins (Gish, Siamese Dream e outros EP´s). Aí o quarteto liderado por Brian Aubert sentiu na pele o quão duro é sofrer comparações pela mídia (de modo geral). Se o primeiro trabalho remetia a um outro grupo, Swoon (2009) foi bem recebido pela crítica, mas cobrado por não ser uma continuidade do som encontrado no debut de 2006;.

Avancemos para 2012, onde mantendo o ritmo de 3 anos, a lança banda Neck Of The Woods, um álbum conceitual onde as letras consistem em filmes de terror e a ambientação dos mesmos. A expectativa era grande, o single “Bloody Mary (Never Endings)” foi lançado anteriormente ao disco e teve uma boa recepção. O disco inicia com “Skin Graph”, logo uma das mais legais do disco, alternando um refrão animado e partes lentas, onde o excelente baterista Chris Guanlao pode mostrar toda a sua habilidade, um dos pontos fortes de todos os trabalhos. “Make Believe”, traz uma sensação de estranheza, pois a banda traz algumas “pitadas” de Dream Pop em seu som, mas música em questão parece estar no lugar errado, sendo impossível notar uma influência muito maior do gênero. Também é aqui que podemos notar a raiz para todos os problemas do disco, que é a duração das músicas. Embora pouco mais de 5 minutos não seja grande para uma música, ao contrário das composições encontradas nos trabalhos anteriores (outra comparação inevitável) que tinham durações nessa mesma faixa e eram bem elaboradas de modo que nunca caíssem na mesmice, algumas músicas desse álbum parecem ter sido alongadas de uma forma forçada, o que dá uma vontade forte de pular a música, o que não é lá muito agradável.

“Bloody Mary (Never Endings)” é uma boa música, mas não passa disso, nada espetacular até aqui. O mesmo se repete em “Busy Bees”, essa mostra que o teclado de Joe Lester está se encaixando no som da banda como nunca, mas outra vez temos uma faixa que não anima. Essa formula se repete na lenta “Here We Are (Chancer)”, onde parece que você não vai querer chegar no fim do play. “Mean Spirits” vem pra mudar um pouco essa história, mas depois dela vem “Simmer”, que é sem dúvidas a pior do disco, e também a mais longa com exatamente 6 minutos e 50 segundos de duração. A música é muito ruim e repetitiva, e ao chegar na casa dos dois minutos você com toda a certeza olhará o tempo que já se passou para saber se falta muito para acabar.

“The Pit” é o contrário de tudo o que vimos até agora, é animada (não seja por isso), mas aqui o teclado (que eu já citei) flui de uma maneira raramente vista em bandas do gênero. Também é a menor do disco com 4 minutos e 51 segundos, e se desenvolve muito bem com o decorrer desse tempo, Aubert soube fazer uma faixa que se tornará uma das mais memoráveis da banda. Depois dessa “injeção de ânimo”, vem “Dots and Dashes (Enough Already)”, outra grande faixa que possui os mesmo moldes da anterior e dos sucessos dos discos anteriores, trazendo mudanças no “clima” da faixa comforme ela vai avançando, prendendo o ouvinte. “Gun-Shy Sunshine” e “Out of Breath” vem pra fechar o álbum de uma forma adequada, não sendo vítimas visíveis dos problemas já citados, mas soando parcialmente enfadonhas.

Tirar uma conclusão sobre Neck Of The Woods é algo um tanto quanto complicado, mesmo que o disco seja bem auto-explicativo. Não é horrível, mas a maior frustração é saber que é uma banda que vem de dois grandes trabalhos, e faz um disco assim. Olhando bem, podemos notar uma mudança na sonoridade da banda, mas como nada funciona repentinamente, eles não conseguiram um resultado satisfatório. Esperaremos uma continuidade para saber se NOTW é um novo começo ou só um álbum fraco.

The Strokes – Is This It (2001)

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Origem: E.U.A.
Gêneros: Garage Revival, Rock Alternativo, Indie Rock
Gravadora: RCA

Sim, The Strokes, os tão aclamados (outrora criticados) “salvadores do rock”. O Ano é 2001, após a virada de década, a música vinha tomando outra forma, muita coisa nova vinha surgindo e outras se renovando, porém, faltava divulgação. A Internet estava se tornando popular nos países mais desenvolvidos, enquanto em outros ainda era um sonho distante ou simplesmente um luxo. Rádios quase nunca saem do que geralmente veiculam, por terem na maioria das vezes um público alvo fixo. Já na TV, temos um símbolo, heroína ou vilã, ela sempre esteve lá, e se chama MTV. Desde a queda de popularidade do movimento grunge, esta começou a dar atenção a novas tendências e material que vendesse mais (afinal, essa é a lógica do capitalismo). Deixando cada vez mais o rock de lado.

Em meio a tantos clichês como: “O rock morreu” e “Música nova não presta”, o movimento que trouxe o gênero (de modo bem abrangente) de volta aos meios midiáticos estava em plena expansão. Alguns eram classificados como Indies, já outros tinham uma pegada Garage Rock setentista e alguns outros faziam um som com o estilo do rock alternativo dos anos 90. O The Strokes de certa forma incorporou todos os citados anteriormente a sua sonoridade.

Uma das cenas locais de grande repercussão desse movimento foi a de Nova Iorque, cidade natal do The Strokes e que teve um papel muito importante em Is This It, pois a grande inspiração para o conceito das letras do álbum foi a vida na “metrópole”, uma vez que o próprio Casablancas admitiu que grande parte do que está nu álbum, ele vivenciou ou viu ao longo de sua vida.

A primeira faixa do disco possui o mesmo nome do álbum e é uma balada, inicialmente pode enganar o ouvinte, embora tenha qualidade. A música seguinte é “The Modern Age”, uma ótima música. Em “Soma”, pode se notar que o ar de simplicidade se repete novamente, porém muita energia, essa que por sua vez é o grande trunfo de “Barely Legal”, talvez a melhor do álbum, os vocais rasgados de Casablancas e guitarra muito bem tocada de Albert Hammond Jr. mostram do que uma boa composição é capaz, mesmo que não seja coberta de técnica e virtuosismo.

A faixa de n°5 é a dançante “Someday”, um dos três singles retirados do álbum possui um refrão grudento e capaz de levantar qualquer um. “Alone,Together” é uma música fácil de ser esquecida, não pela falta de qualidade, mas pela falta de uma marca registrada como as demais. Daí em diante, o disco decola, emendando “Hard to Explain”, outro single com refrão poderosíssimo, a incrível “Last Nite”, uma das músicas de maior sucesso da banda, onde mais uma vez a guitarra é o grande diferencial, trazendo uma vibe vintage. A faixa 9 gerou polêmica, pois inicialmente seria New York City Cops, mas devido aos atentados terroristas (MUITO mal explicados) ocorridos ao WTC, foi censurada. O Motivo, um refrão onde Julian canta:

“New York City cops
New York City cops

New York City cops
They ain’t too smart”

Uma pena, pois quando eu disse que “Barely Legal” era possívelmente uma das melhores do álbum, é porquê “New York City Cops” faz uma disputa acirrada para decidir a melhor faixa. O resultado disso tudo? A faixa foi trocada no lançamento americano por “When It Started”, uma música que deixa a desejar. Inclusive, além do selo de “Parental Advisory”, a capa do disco tampem sofreu censura nos E.U.A e foi trocado por essa aqui. “Trying Your Luck” é um pouco calma em relação as outras, logo após vem “Take It Or Leave It” pra fechar com chave de ouro essa obra prima.

O legal desse disco é que por mais moderno que ele possa soar, ele trás a essência do rock em si, como instrumentos não tão “limpos”, vocais rasgados e melodias simples e dançantes. Se a qualidade do The Strokes caiu ao longo de sua carreira, pouco importa, esse disco comprova que no início da década passada eles não foram uma simples banda hypeada e fizeram por merecer a atenção que receberam da mídia. É simples, direto, bem produzido e existe uma grande chance de você querer escutar muitas vezes. O único defeito existente no material é a ausência de “New York City Cops” na versão americana. As letras de modo geral são boas, falam sobre o cotidiano, amor e afins,  mas algumas são bem fracas. Embora seja o espírito do bom e velho rock simples e contagiante, algumas são realmente bem fraquinhas e você pode até demorar a encontrar um sentido concreto por trás daquilo tudo. De resto, é ótimo. Um dos melhores da década passada e um marco pro gênero.