Clarice Falcão – Monomania (2013)

Clarice-Falcão-Monomania

Origem: Brasil
Gêneros: Indie Folk, Indie Pop
Gravadora: Independente

Se você acompanha o canal Porta dos fundos, você já deve conhecer a pernambucana Clarice Falcão, de 23 anos, cantora e compositora de músicas “malucas, porém fofas pela inocência imposta na interpretação”. Monomania é seu disco de estréia e de cara já pegamos um disco com uma arte feia, preguiçosa e sem inspiração. Não costumo criticar arte de disco, mas Monomania é um dos trabalhos mais feios que já vi como produto musical. Apesar do meu desgosto pela arte do álbum, o objetivo de uma análise crítica sobre um disco não é sobre sua arte, e sim sobre seu conteúdo: as músicas e as letras (caso o disco tenha letras, como é o caso deste disco). O que se pode falar, resumidamente, sobre a estréia de Clarice? Ruim e fraca.

Na parte instrumental das 14 faixas de Monomania (sendo a última uma versão em Inglês de “Fred Astaire”) não tem nada de ruim, mas também nada de bom. Não tem destaque positivo ou negativo nesta parte, pois é tudo certinho. Tudo. O destaque fica na voz de Clarice, que é aqui onde você vai gostar do trabalho dela ou não. Ela não canta mal, e até que possui uma voz bonita. O problema é o que ela canta, a personalidade que ela incorpora e a interpretação que ela usa ao decorrer do álbum que dura por volta de 34 minutos. Ela tenta soar doida, mas de uma forma boba, inocente, fofa. Clarice tenta soar tão fofa que soa repugnante.

Porém, o maior defeito deste disco são as letras. As letras são pavorosas. Clarice, às vezes, consegue escrever versos interessantes (são poucos) e dou crédito a ela por usar boas rimas e métricas em seus versos, entretanto, outros versos fazem sentido nenhum. Veja este verso da faixa “De Todos os Loucos do Mundo” e perceba a falta de sentido.

“Você esconde a mão, diz que é Napoleão”

O que isso quer dizer com isso? Você está chamando o cara que você gosta é gay? Está dizendo que o cara louco que você diz entre todos os outros loucos mundo foi este que você quis é gay? Ou essa pessoa é uma mulher? E pra piorar ainda mais a  situação do humano que a Clarice diz gostar e a minha confusão, Clarice complementa com o verso:

“Boa parte de mim, acredita que sim”

Depois dessa, é difícil não achar, pois a própria mulher acredita que você é gay. Então Clarice gosta de um homem gay? Fica a dúvida.

Mas a pior letra fica por conta de “A Gente Voltou”. É uma inocência tão burra e nojenta que ela põe na letra desta faixa que simplesmente não consigo levar a sério como compositora, ou levar na brincadeira como compositora. É estúpida a letra desta canção, parecendo que foi composta por uma menina com 13 anos tentando parecer poética. Até o humor que ela passa nas suas músicas parece ter sido feito por uma menina com 13 anos que pensa que é mais engraçada e inteligente que Zorra Total e A Praça é Nossa.

De todos os artistas da atualidade, gostar de Clarice Falcão não é um crime, se compararmos com outras porcarias nacionais que estão na mídia – como o ridículo Naldo -, porém, em Monomania, Clarice Falcão não demonstra conteúdo relevante em suas canções amorosas. Suas músicas não são bonitas ou inteligentes. Não são nem sinceras. É apenas uma tentativa de que consiga um público que goste de suas músicas fofas com uma poesia ginasial, e o alvo desse público vai deste o ouvinte de música pop ou aos fãs mais chatos de Los Hermanos. Se o som Indie Pop com pegada Folk – influenciado por grupos como She & Him – faz sua cabeça, vá firme, pois em Monomania vai ter muito para você ouvir. Entretanto, se você quer algo com um pouco mais de profundidade e até mesmo um tom maior de seriedade e sinceridade do que Clarice Falcão oferece, não é o trabalho recomendado para ouvir.

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Metric – Synthetica (2012)

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Origem: Canadá
Gêneros: Indie Pop, Synth Pop, New Wave
Gravadoras: Metric Music International/Mom & Pop

O Metric é uma banda de indie-pop formada em Toronto, Ontario, Canadá em 1998, tiveram um início modesto, porém ganharam espaço simultaneamente com uma enxurrada de outras bandas “Indies”, quando esse movimento “explodiu” no início da década passada. Synthetica é o 5° álbum de estúdio do grupo, lançado agora dia 12 de Junho.

Na primeira vez em que escutei Synthetica, tive uma primeira impressão um pouco estranha, foram 3 audições seguidas, não pelo fato de ser um disco “pouco convencional” ou “difícil”, mas sim por trazer um Metric ligeiramente diferente do último disco “Fantasies” de 2009. Cada disco do quarteto tem uma pequena idéia que embasa o registro, “Fantasies” era o tipo de disco grudento, feito para gerar vários singles e músicas que tocassem nas rádios, deixando de lado uma certa complexidade nas letras e em seus temas abordados nos seus discos anteriores (embora a própria banda tenha optado por lançar o disco de forma independente, assim como aconteceu com o álbum que está sendo analisado). Segundo a vocalista da banda Emily Haines, a temática por trás do novo álbum é a seguinte: Reflexões sobre o cotidiano, se baseando no dilema “Real VS. Imaginário”

Logo em sua primeira faixa, “Arctificial Nocturne”, o disco mostra que tem potencial. É uma faixa de aproximadamente seis minutos e é também uma das melhores do disco, começa com uma bela introdução e chega á um refrão extremamente viciante, uma característica bem comum no disco. É seguida por “Youth Without Youth”, primeiro single do disco e outra ótima música. Em “Speed the Collapse”, a bela voz da carismática Emily faz a diferença. A faixa seguinte é “Dreams so Real” e é repetitiva, chata e dispensável. A qualidade do disco não tem uma queda drástica, mas ele aparenta ficar um pouco morto até “Synthetica”. A faixa que dá nome ao álbum é a melhor do disco, lembrando muito “Gold Guns Girls”, o maior sucesso do álbum anterior e um dos maiores sucessos da banda. As próximas 3 faixas do disco são respectivamente “Clone”, “The Wanderlust”(que possui participação do ilustre Lou Reed) e “Nothing But Time” que fecha o álbum com chave de ouro.

Enfim, é um ótimo disco, seja pra quem gosta do gênero e também para quem não gosta, pois é musicalmente diversificado e bem diferente do que vemos no mainstream atual, fazendo uma fusão entre o Synth Pop e o Indie Rock mais tradicional. Alternando entre pegadas dançantes e músicas lentas e reflexivas, Synthetica cumpre muito bem seu papel, sendo o melhor álbum do Metric dentre os demais lançados. O álbum peca em alguns aspectos, um deles é o fato de algumas músicas (2 ou 3) serem repetitivas e desgastantes a ponto de você apertar “skip”. Essas músicas aparecem sucessivamente no meio do álbum, causando uma maior impressão de falta de qualidade. Nem assim, deixa de ser um dos melhores álbuns de 2012.

Foster The People – Torches (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Indie Pop, Eletrônica, Indie Rock, Pop Rock
Gravadora: Columbia Records

A banda Foster The People lançou em 23 de Março seu disco de estreia. Torches foi um excelente começo para a banda composta pelo trio Mark Foster (teclados, guitarras e vocais), Mark Pontius (bateria) e Cubbie Fink (baixo e vocal de apoio). Não é a toa que a banda recebeu uma indicação ao Grammy para Melhor Álbum de Música Alternativa. E o que posso dizer é que este disco é um bom começo para quem quer ouvir música com algo eletrônico envolvido. Todas as faixas são boas, cativantes, de fácil assimilação e são divertidas (e até dançantes), e quase todas poderiam estar em uma soundtrack do jogo FIFA. E o som desses caras soa totalmente natural, isso inclui na voz do vocalista. Não tem aquele forçamento de barra para fazer algo que seja aceito por um grupo seleto de pessoas. Outra coisa que posso falar é que não tem motivos para pegar uma faixa separada e falar dela, pois todas as faixas são boas, sejam como um álbum completo ou separadas (por isso esta resenha pequena). Mas, sinto que faltou algo, uma faixa que costumam de chamar de “clássica”. A mais próxima disso é a última faixa, “Warrant”, que também é a mais longa do disco. Mas isso não diminui a qualidade do disco, que é muito bom.