Riverside – Shrine Of New Generation Slaves (2013)

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Origem: Polônia
Gênero: Rock Progressivo
Gravadoras: Mystic Production, InsideOut Music

O quinto álbum desta banda polonesa é aquele álbum que quanto mais você ouvir, melhor ele fica. Lançado no final de Janeiro, o belo Shrine Of New Generation Slaves perde os elementos de Metal Progressivo que a banda possuía, como músicas mais pesadas e o vocais rasgados de Mariusz Duda, que era audível em discos como Second Life Syndrome, e explora mais em experimentações em ambientações e em efeitos nos vocais do já citado vocalista. Esta é uma banda com composições interessantes e inteligentes, mostrando uma profundidade onde poderia ser mais conhecida e respeitada na indústria da música.

Riverside, diferente de boa parte dos grupos que se classificam como Metal Progressivo ou Rock Progressivo, não tem foco nas “épicas batalhas entre teclado e guitarra”, e sim o grupo se foca nas composições, nas melodias e no quer passar em sua música. Cada elemento, cada instrumentação e cada ideia que o grupo coloca em Shrine Of New Generation Slaves soa certo, soa que pertence aquela faixa. Até mesmo o ótimo solo de teclado, executado por Michał Łapaj, na faixa “Celebrity Touch” – uma das mais pesadas e animadas do disco – parece natural com o som que a faixa apresenta em seu decorrer.

Apesar de “Celebrity Touch” ser uma faixa com boa parte animada e pesada, assim como a faixa de abertura, “New Generation Slave” e “Feel Like Falling”, o disco não segue esta fórmula de canções agitadas e energéticas. Muitas faixas deste disco ou são belas composições ou são mais atmosféricas. Quando você ouvir canções como “The Depth Of Self-Delusion”, em “Deprived (Irretrievably Lost Imagination)” e na longa e progressiva “Escalator Shrine”, perceberá que é nestes momentos que Riverside mostra seu ponto forte em seu quinto álbum. A banda não precisa fazer canções pesadas ou usar vocais rasgados para criar boas canções de Rock/Metal Progressivo moderno. Algo que ajuda bastante na audição deste disco são as ótimas produções e mixagens. Nenhum instrumento se sobressai, todos tem seu devido destaque e as ideias que a banda transmite no decorrer das 9 faixas são executadas de forma excelente, apesar de alguns timbres de teclado escolhidos em determinadas faixas como “Deprived (Irretrievably Lost Imagination)” e “Feel Like Falling” não serem os melhores timbres possíveis.

Os vocais de Mariusz Duda, apesar de encaixarem no que na sonoridade da banda e serem bonitos em alguns momentos, é inegável que poderiam envolver mais emoções. É na voz de Mariusz que é possível sentir falta dos vocais rasgados que ele usava nos discos antigos da banda. Não por serem melhores, mas por mostrar outras emoções, como raiva ou angústia. Entretanto, Mariusz mostra ser um grande letrista. Suas letras são impecáveis em diversos momentos deste álbum, como em “Feel Like Falling”, “Celebrity Touch” e em “Escalator Shrine”. E o álbum termina com a curta balada acústica “Coda”, que contém partes da letra e da melodia de “Feel Like Falling”, porém, com alterações que deixam a faixa até mais bonita em seus arranjos.

Shrine Of New Generation Slaves é o disco que deixa Riverside em um patamar próximo ao do cultuado grupo do mesmo gênero, o Porcupine Tree (esta banda já apareceu diversas vezes aqui no Images & Words). O álbum tem seus problemas, mas seus pontos fortes tem uma visibilidade maior, mas o líder do grupo, o vocalista e também baixista Mariusz Duda, mostrou ser um ótimo letrista e os outros integrantes de sua banda mostraram que juntos tem uma ótima química. Shrine Of New Generation Slaves é um disco para se ouvir com calma e repetidas vezes. O maior número de audições mostrará o quão bom esta banda é e o quão bom este disco é.

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Steven Wilson – The Raven That Refused To Sing (And Other Stories) (2013)

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Origem: Inglaterra
Gêneros: Rock Progressivo, Jazz Fusion
Gravadora: Kscope

Se você acompanha este blog a certo tempo, provavelmente já ouviu falar de Steven Wilson. Steven Wilson é cérebro por trás do grupo Porcupine Tree e fez interessantes parcerias, como Blackfield com o israelita Aviv Geffen e o mais recente como Storm Corrosion com Mikael Åkerfeldt, o líder do grupo sueco de Death Metal, Opeth, além de outros trabalhos seja na música ambiente como Bass Communion, No-Man,  Incredible Expanding Mindfuck, como produtor de discos como o clássico moderno do Opeth, Blackwater Park, e também por remixar os catálogos de bandas do Rock Progressivo, como Jethro Tull e King Crimson. Wilson é tipo de homem que não para no serviço, podendo ser classificado da mesma forma que podemos classificar o baterista Mike Portnoy, ex-Dream Theater e atual Adrenaline Mob e Flying Colors: como workaholic, um trabalhador compulsivo.

Além de já ter trabalhado em discos bastante aclamados como produtor, Wilson já lançou grandes discos, seja pelo Porcupine Tree ou seja em carreira solo, onde em 2011 lançou um dos melhores discos daquele ano (senão o melhor), Grace for Drowning, onde Wilson misturava diversos elementos do Rock Progressivo e da música experimental, que continua expandindo as ideias que seu o disco de estréia de 2008, Insurgentes, entretanto deixando de forma coerente e algumas vezes lindíssimas, como na faixa “Deform To Form A Star”. Wilson lança seu terceiro disco solo, The Raven That Refused To Sing (And Other Stories), um disco temático onde cada uma das 6 canções deste álbum conta uma história sobre o sobrenatural (e sim, as letras são interessantes e/ou bonitas). Para auxiliar na produção e para cuidar da engenharia de som foi chamado Alan Parsons, o mesmo engenheiro de som de The Dark Side of the Moon do Pink Floyd, ou seja, qualidade não é vai faltar nesta questão.

Mas não basta ter um excelente engenheiro de som e um “gênio” da música, é necessário uma excelente banda de apoio, e Steven Wilson tem. Na bateria temos Marco Minnemann, um estupendo baterista que quase entrou para o Dream Theater (que provavelmente não entrou porque não combinava visualmente com a banda). No baixo temos Nick Beggs, onde já capaz de ser do quão bom é este senhor ouvindo as faixas “Luminol” (que abre de forma sensacional o disco) e “The Pin Drop”. O guitarrista Guthrie Govan despeja belíssimos solos durante o disco, assim como o saxofonista, flautista e claretinista Theo Travis. E os teclados Adam Holzman são completos de bom gosto e nível técnico elevado. Com este time, Wilson não terá problemas, pois como ele é um “gênio” da música, ele fará um trabalho espetacular, certo? Não. Tem problemas, mas isso não diminui a qualidade do time de Wilson, pois os problemas não estão na banda de apoio, mas no próprio Wilson.

Quando Steven Wilson canta, raramente ele muda seu tom melancólico e apático. Você pode ouvir ele cantar em algumas canções de forma muito melancólica e/ou muito apática, porém dificilmente saíra disso. Seu vocal, apesar do autor deste texto gostar, não transmite emoções necessárias nas músicas, limitando o que o ouvinte pode sentir ao ouvir. Por exemplo: se Wilson tivesse outro vocalista em seu lugar, quem sabe este outro vocalista não canta-se/interpreta-se melhor que ele? Wilson pode atingir as notas certas, mas não consegue passar emoções além de melancólico e apático, o que pode irritar se você procurar variedade nos vocais e que transmitam uma maior diversidade de emoções. Isto quer dizer que Wilson é um mal cantor? Não. Apenas que Wilson poderia arrumar outro vocalista em seu lugar.

O seu canto, que é limitado (seja na demonstração de emoções ou no alcance de notas altas), afeta na qualidade das canções? Isto depende. Wilson em “Drive Home” inicia cantando de uma forma tão pavorosa que talvez seja seu pior momento como cantor, mas na faixa de encerramento, “The Raven That Refused To Sing”, Wilson canta de ótima forma, encaixando no que a música pede. E tem poucas diferenças da forma que ele canta em “Drive Home” e “The Raven That Refused To Sing”. Pela maior parte do tempo, os mesmos vocais melancólicos e apáticos se dão bem na proposta sonora, pois foram feitos para a voz de Wilson, mas não quer dizer que são sempre bem executados. Uma maior variedade nessa área faria o álbum mais forte.

O forte deste disco esta na química da banda de apoio e na execução instrumental. Nas 3 faixas mais longas do disco, percebemos o talento destes músicos e quão dispostos eles estão para ultrapassar seus limites, seja na complexidade com cara de Jazz Fusion de “Luminol” e de “The Holy Drinker”, ou na triste, porém bela canção, “The Watchmaker”, onde tem um um final explosivo incrível. As três mais curtas mostram o lado mais acessível da banda, com exceção de “The Pin Drop”, que mantém de certa forma esta acessibilidade por ser a canção mais curta do álbum (5 minutos). “Drive Home” e “The Raven That Refused To Sing” são lindas baladas. “Drive Home” possui um delicioso solo de guitarra, sendo a faixa mais leve em questão de atmosfera, enquanto a faixa de encerramento é a melhor canção que Steven Wilson já compôs, por simplesmente ser a faixa mais emocional que ela já criou. É a faixa onde maior será a chance de cair lágrimas de seus olhos, contendo um clima muito depressivo, porém magnífico, terminando da forma que você imagina Steven Wilson: melancólica e apática (apesar de não ser assim em suas entrevistas).

Mas temos outro problema neste disco. Ele é pequeno, mas é bom falar sobre ele. Se compararmos com seus discos solos anteriores, percebemos que Wilson não está experimentando da mesma forma de antes, e agora parece que está fazendo tributos a suas bandas favoritas de Rock Progressivo – em especial King Crimson -, chegando a usar o mesmo mellotron utilizado em In The Court Of The Crimson King, de 1969. Wilson usou um teclado com 44 anos de existência em seu novo disco. Se ele continua bom? Continua. E por mais que o disco soe em alguns momentos como tributos aos clássicos progressivos, não diminui a qualidade das canções ou tira a personalidade que Wilson impõe em suas músicas.

The Raven That Refused To Sing (And Other Stories) é, até o momento, o melhor lançamento de 2013. Combinando seus elementos do Rock Progressivo com fortes influências de Jazz Fusion e muitas improvisações, Steven Wilson pode ter orgulho em dizer que não é somente um disco tributo aos seus artistas favoritos, mas um álbum que se fosse lançado na época que Rock Progressivo era popular, seria tão aclamado quanto Aqualung do Jethro Tull, ou Tarkus de Emerson, Lake & Palmer, ou Foxtrot do Genesis, ou Fragile do Yes. Este não é melhor disco de Steven Wilson, porém é o mais acessível e de fácil assimilação em seu catálogo solo. Este músico/produtor/compositor britânico é altamente recomendável.

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Crippled Black Phoenix – (Mankind) The Crafty Ape (2012)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Pós-Rock, Rock Progressivo, Pós-Prog, Rock Espacial, Ambiente
Gravadora: Mascot Label-Group

O Crippled Black Phoenix é sem dúvida uma das maiores revelações da última década, liderado por Justin Greaves (que já fez parte de bandas como Borknagar, Electric Wizard e Iron Monkey, sendo um dos fundadores dessa última). O CBP não é uma banda comum, mas sim uma espécie de projeto itinerante que teve início em um encontro descompromissado de Justin e Dominic Atchkinson, do Mogwai. Ao todo, foram mais de 25 membros que gravaram com a banda (fora os músicos de turnê), isso de certa forma contribui para que a musicalidade da banda mude com o passar do tempo.

“(Mankind) The Craty Ape” é uma espécie de desafio á capacidade da banda, já que eles provaram não ser um simples “Desert Sessions pseudo-cult”, pegando como exemplo  “I, Vigilante”, LP lançado em 2010 e que pode facilmente encabeçar uma lista de melhores discos da década até então. Esse é o 4° trabalho do supergrupo e é um álbum duplo, geralmente bem comum pro gênero. Justamente nesse ponto o projeto se destaca, pois embora tenha suas raízes no Post/Prog, viaja por uma infinidade de gêneros, indo desde o Stoner Rock até o Jazz.

“Nothing (We Are…)” abre o disco de maneira bem peculiar, uma introdução de pouco mais de um minuto com um ruído e um discurso que parece ter saído de algum lugar da década de 1950, essa que emenda a ótima “The Heart of Every Country”, que é um dos destaques do disco, remetendo vagamente á era Pink Floyd “pré-Dark Side of the Moon”. Nessa mesma pegada, o disco procede até “In the Yonder Marsh”, faixa de 4 minutos que consiste em ruídos. Por mais que as idéias de “ambient” e “música experimental” procedam aqui, essas faixas curtas são fillers espalhados ao longo dos dois discos, divididos entre seus três atos.

Entre “A Letter Concerning Dogheads” e “Release the Clowns”, o disco realmente chama a atenção e prende o ouvinte. Da faixa 5 até a faixa 9, respectivamente, podemos notar influências de Blues, Sludge e até um Rock Alternativo com caráter pop, todos conduzidos pelos excelentes vocais. “(What)” vem para fechar o primeiro CD, nada mais que uma pequena faixa com cara de música tradicional italiana. O segundo CD se inicia com “A Suggestion (Not a Very Nice One)”, onde a ótima voz de Justin se destaca novamente (este canta boa parte do disco, dividindo os vocais com Miriam Wolf) .

O segundo disco é uma verdadeira viagem. Embora aqueles fillers apareçam aqui (inclusive, inseridos dentro de outras faixas), eles até que fazem um pouco de sentido, uma vez que essa sequência de canções parece ter sido concebida para ser escutada continuamente, se possível deitado na cama durante um dia chuvoso. Os arranjos são incríveis e isso é perceptível em “Operation Mincemeat”, talvez a melhor faixa do disco. Fato é que, usar aproximadamente 80 minutos para escutar esse trabalho por inteiro é um tempo muito bem aproveitado e que fará o disco soar melhor.

The Crafty Ape tem sim seus defeitos, mas seria de extremo mau gosto falar que esses ofuscam a beleza do disco. Compará-lo com “I, Vigilante” é uma maldade (aliás, comparar qualquer disco com o citado é algo de má fé), mas o LP dá conta do recado e consolida o trabalho do projeto. Mais um ótimo disco desse ano de 2012.

Baroness – Yellow & Green (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Sludge Metal, Indie Rock, Rock Alternativo, Rock Progressivo
Gravadora: Relapse Records

Começo essa resenha ressaltando que, sim, você não leu os gêneros de forma errada e eu não errei enquanto os escrevia.

“Qual a diferença entre um artista de metal quando comparado a um artista de outro gênero?” (Além do estilo que a banda toca, óbviamente). Minha resposta é a seguinte: Uma banda de outro gênero pode passear tranquilamente por sub-gêneros próximos sem que a maior parte de seus ouvintes coloque fogo em tudo relacionado aquela banda e declare ódio público.

Por incrível que pareça, isso não aconteceu com o Baroness. Talvez pelo fato de não serem tão conhecidos ou pelos apreciadores do cenário Sludge terem a mente um pouco mais aberta. Felizmente, o quarteto já experiente e proveniente de Savannah, GA (berço da cena contemporânea do estilo) conseguiu fazer isso ao longo de sua carreira com maestria. As mudanças foram acontecendo aos poucos, mas de “First”- EP ainda cru de 2004 – ao excelente “Blue Record” de 2009 existe uma mudança radical, desde os vocais do gênio John Baizley até a as letras.

Em “Yellow & Green”, o grupo foi além. Eles se mantiveram no nicho sludge mas acabaram gerando uma discussão sobre um possível novo ”sub-sub-gênero” denominado “melodic sludge metal”. O disco possui melodias mais cadenciadas e concretas, tornando a técnica dos músicos ainda mais visível. Resumindo, isso caiu como uma luva para a banda, lembrando muito o que aconteceu com o Kylesa em “Spiral Shadow” de 2010.

Muitos “headbangers” torceram o nariz pela falta de músicas parecidas com as encontradas em material antigo. Talvez “Take My Bones Away” ou March to the Sea”, ambas do Disco 1 (sim, é um album duplo). Mas o álbum NÃO possui sequer uma música que possa ser chamada de ruim. Cada música possui sua identidade, não temos fillers, enquadrando nisso inclusive as faixas instrumentais curtas que abrem os 2 CD’s, o que já é de praxe nos full-lenghts da banda.

O disco possui “baladas”, o que é incomum pro sludge e acaba aproximando o estilo da banda pro prog  – no CD 2 (Green) beiram o Indie Rock – Mas as guitarras ainda estão lá, a bateria seca também e produção segue a linha dos dois registros anteriores: áudio bom, porém nada de músicas polidas e recheadas de overdubs e auto-tune. O resultado de tudo isso não pode ser outro, senão o melhor álbum da carreira dessa brilhante banda.

3 – The Ghost You Gave To Me (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: 
Rock Progressivo, Metal Progressivo, Rock Experimental
Gravadora: Metal Blade

Enquanto Josh Eppard (ex-membro do 3) seguiu carreira na já popular banda Coheed And Cambria, o irmão menos famoso, Joey Eppard, continuou a sua carreira no 3, fazendo um som consideravelmente diferente da atual banda do irmão, e em 2011 lança o sexto álbum de estúdio, The Ghost You Gave To Me. Pela capa dá para se esperar algo sombrio, psicótico, mas o que vemos é um som bastante versátil e divertido, The Ghost You Gave To Me se torna uma grande opção audível para apreciadores do metal e rock progressivo e do rock experimental, com um flertamento encantador com o pop ( o que faz parte da bagagem do rock experimental), e também  uma pequena semelhança com o sludge metal, a ótima e versátil ‘Sparrow’ é um exemplo disso. O instrumental, assim como o álbum num todo, não é revolucionário, e a execução não é genial, mas mesmo assim é algo bem interessante, com bons momentos de todos os instrumentos.

Só por tudo o que eu já disse, vale a pena ouvir o último lançamento dessa banda, mas seria hipócrita não constar os erros, também. Você poderá se animar com o CD na sua primeira metade, mas quanto mais o tempo do disco passa, poderá achar que perdeu a sua “graça”. O agitamento do começo não está tão presente, e o vocal de Joey Eppard, pode se tornar irritante algumas vezes, a oitava faixa chamada ‘Pretty’ mostra isso. Mesmo sem tanta empolgação, continua bom, e só é questão de audições extras (elas não apagarão os erros, mas claro, vai te ajudar a entender melhor outros detalhes). Vale a pena arriscar nesta banda, você, que gosta de Muse, arrisque! (Não, 3 não te lembrará de Muse), os “progristas” que gostam de experimentalismo, também. E sem esquecer do pessoal indie, 3 se encaixa um pouco em cada estilo, mesmo não sendo genial, se torna algo bem agradável, ponto para o experimentalismo/versatilidade.

Karnivool – Themata (2005)

Origem: Austrália
Gêneros: Metal Alternativo, Rock Progressivo
Gravadora: Independente, MGM

Composta por Ian Kenny nos vocais, ‘Drew’ Goddard e Mark Hosking nas guitarras, Jon Stockman no baixo e Steve Judd na bateria (não gravou as faixas deste álbum), Karnivool carrega um som rico em detalhes e sentimentos. Oriunda da Austrália, a banda está na ativa desde 1997, fruto de uma amizade de colegial entre Kenny e ‘Drew’ (que escreveu todas as letras e gravou as baterias).

Com o sucesso de Themata a banda passou a ser produzida por Forrester Savell, que trabalhou com bandas como: Butterfly Effect e Birds of Tokyo. Este album é a junção de uma boa habilidade dos músicos, refrões preguentos e uma engenharia sonora de primeira. Os vocais são bem poderosos e cheios de sentimento, dando assim, um ponto a mais para o Karnivool.

Outra coisa que se destaca são as guitarras que possuem um timbre muito bem construído e dão ênfase nas frases que baseiam a música. A primeira faixa já carrega um tempo bem diferente do usual 4/4, intrigando e desafiando o ouvinte a bater cabeça no beat certo. Com uma harmonia linda, COTE é uma música cheia de detalhes, synths e guitarras mutadas. “Shutterspeed”, “Fear Of The Sky”, “Roquefort”, “Lifelike” e “Scarabs” tem a mesma fórmula, que agradoumuito ao apresentar riffs bem construídos e seções instrumentais de qualidade.

A faixa “Sewn And Silent” possui uma boa entrada. Com uma afinação bem peculiar, o violão de ‘Drew’ chega agradando qualquer tipo de ouvido, dando assim uma freiada no ritmo do álbum. As faixas “Mauseum” e “Synops” carregam ares tenebrosos e intrigantes, nos levando à uma atmosfera totalmente diferente. A música “Change (Parte 1)” que fecha o álbum, deixa com o ouvinte o ar de “to be continued”, nos deixando imaginar o que vem depois. Na minha opinião a banda pecou na faixa “Ommited For Clarity” que possui apenas 20 segundos de silêncio. Este álbum é bem original e soa legal, então, recomendo!

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Opeth – Heritage (2011)

Origem: Suécia
Gêneros: Rock Progressivo, Jazz Fusion, Folk Rock, Metal Progressivo
Gravadora: Roadrunner

Heritage é décimo disco de estúdio do Opeth, banda sueca que tinha uma tendência a fazer um som extremo, com guturais poderosos e uma sonoridade macabra. Entretanto, como aconteceu em Damnation, ocorre aqui. O Opeth deixa seu lado extremo e mostra suas influências que até outrora não eram notadas, um lado incrivelmente versátil e cheio de melodias e ideias interessantes. A banda composta por Mikael Åkerfeldt (guitarra, mellotron, grand piano, vocais e efeitos sonoros), Fredrik Åkesson (guitarra rítmica), Per Wiberg (teclado, pianos, órgão e mellotron), Martín Mendez (baixo, contrabaixo) e Martin Axenrot (bateria e percussão) fazem um trabalho belo e eclético, saindo um disco muito bom. O som setentista modelado para o presente foi bem criado, não há como negar. Mas, como nem tudo são flores, infelizmente, o disco tem seus pontos baixos.

O disco começa com a faixa-título. Uma bela música sendo composta apenas por um piano. A faixa dura dois minutos, o suficiente para gostarmos dela e para não enjoarmos dela. Além da faixa-título, temos “Marrow Of The Earth” como faixa instrumental, mas que encerra o álbum, composto por dez faixas. Um encerramento bonito, como o início do disco, mas as canções não são nada memoráveis, porém fazem bem seu papel. A canção que vem após “Heritage” é a single “The Devil’s Orchard”. Uma poderosa canção, mostrando que o grupo não precisa de seu extremo e de seus guturais para surpreender com boa música. Desde quebradas rítmicas de bateria até riffs sensacionais, “The Devil’s Orchard” é uma grata canção aos nossos ouvidos. Destaque para o refrão, que eu considero não apenas bom, mas também forte. Aliás, quem não consideraria um refrão forte com a frase “God is dead”? Acho difícil…

Alguns problemas do disco vem na faixa “I Feel The Dark”, com um início bem no estilo folclórico espanhol, a faixa vai ganhando corpo, até que a música começa a demonstrar que vai se encerrar, e repentinamente (e brutamente), “I Feel The Dark” nos mostra um som vindo de um órgão tenebroso, inesperado, e a banda entra junto no que o órgão gerou. É imprevisível? Sim. Mas é uma imprevisibilidade que não encaixou no que estava acontecendo, foi uma ideia solta onde não precisava. E isso acontece em “Nepenthe” e em suas jams e solos guitarrísticos e em “Famine”, com sua introdução tribal, até vir um piano, e do nada vir riffs de guitarra. É estranho. Não tem nexo algum algumas ideias, apesar de serem criativas, só que foram colocadas no lugar errado.

Para aqueles que querem um peso a mais vindo da banda, o mais próximo disso é encontrado nas faixas “Slither”, um tributo a Ronnie James Dio (ex-Rainbow e Black Sabbath) e em “Lines In My Hand”, faixa que originou a temática de Heritage. Ambas passam uma energia muito positiva, chegando a ser até regozijante. “Folklore”, canção que vem antes de “Marrow Of The Earth” é uma das melhores (senão a melhor) músicas feitas para esse disco. Ela em seus mais de oito minutos tem consistência que algumas outras canções precisavam e deixa aquele ar de que o que foi ouvido valeu a pena, e quando entra “Marrow Of The Earth”, soa como um acalmante, e funciona perfeitamente. E não há de se esquecer de “Häxprocess”, com um clima tenso, porém lindo, é uma música que vale a pena ouvir com atenção.

Sem sombras de duvida, Heritage é um grande disco, com vários momentos interessantes e bem elaborados. Mikael fez um ótimo trabalho produzindo o disco, trazendo suas ideias e influências de uma maneira em que a execução das canções seriam as vencedoras. Entretanto, as repentinas mudanças das canções, apesar de imprevisíveis, as vezes não fazem sentido algum. Repare em “I Feel The Dark”, “Nepenthe” e em “Famine”, por exemplo. Se são bacanas? Claro que são. Mas soa estranho e parece serem outras faixas do que uma única, principalmente “Famine”. É um bom disco, mas alguns erros aconteceram. No próximo disco, quem sabe a banda faz um trabalho ainda melhor? Recomendado a aqueles que querem um disco com um pouco de tudo e até os próprios fãs do lado pesado da banda. Esse disco irá te satisfazer por um longo período de tempo.

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