Hatebreed – The Divinity of Purpose (2013)

Hatebreed - The Divinity of Purpose
Origem:
Estados Unidos
Gêneros: Metalcore, Hardcore Punk
Gravadoras: Razor & Tie, Nuclear Blast

The Divinity of Purpose é o sexto álbum da pioneira banda de Metalcore vinda de Connecticut, o Hatebreed. Misturando um Hardcore Punk com Crossover Thrash, o grupo já fez muitos trabalhos interessantes, e irei falar hoje de seu último lançamento. Com um som agressivo durante pouco mais de meia hora de álbum com doze músicas que duram entre dois e três minutos, a banda cumpre a proposta prometida: um som porrada, ora agressivo, ora melódico.

O disco inicia bem no Metalcore com “Put It to the Torch”, e desta em diante vai alternando entre o Metalcore e o Hardcore Punk, trazendo um trabalho bastante interessante. O Hatebreed é uma das poucas bandas da cena Metalcore que realmente faz música boa, e não aquele som do Asking Alexandria que é apenas um berreiro irritante, apesar de que esta ainda tenha lançado alguma coisa interessante em seu último álbum, mas como o foco aqui é o Hatebreed, vamos continuar.

O álbum traz faixas boas e algumas até envolventes, tais como a já citada “Put It to the Torch”, “The Language”, “Before the Fight Ends You”, a faixa-título e mais outras. Não é um álbum com muitas faixas e o som das músicas é sempre mais do mesmo, mas isso não o torna um álbum ruim. Na verdade, eu acho que é um dos melhores álbuns de Metal que já ouvi neste ano.

Conheci a banda já faz algum tempo, mas fui ouvir o som dos caras há pouco mais de um mês, quando vi que foram confirmados para o Monsters of Rock (onde fizeram um ótimo show, diga-se de passagem). Por fim, tenho a dizer que The Divinity of Purpose é um álbum muito bom, não chega a ser um dos melhores da banda, mas ainda assim é ótimo, vale a pena dar uma conferida quem curte o gênero.

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Between the Buried and Me – The Parallax II: Future Sequence (2012)

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Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metalcore, Metal Progressivo
Gravadora: Metal Blade

Se você conhece a banda americana Between the Buried and Me antes deste disco, ou antes mesmo da resenha que eu fiz do EP lançado no ano passado (que você pode conferir clicando aqui), através de grandes álbuns como Colors de 2007 e The Great Misdirect de 2009, você certamente já sabe que não precisa falar muito sobre o grupo. Um grupo de Metalcore que abrange influências progressivas que unifica seus principais elementos com outras influências musicais do grupo – como Jazz Fusion e Country em alguns momentos da discografia do grupo – e por tudo nisto em um caldeirão para criar uma verdadeira explosão cósmica de brutalidade rítmica e sonora, extremamente criativa e destruidora de cérebros, mas mantendo elementos progressivos clássicos e modernos, e até grudentos em suas composições. Estas características descritas estão no novo disco da banda, mas desta vez a qualidade deste disco é tão grandiosa que chega a ser melhor que o épico Colors, uma única música distribuída em 8 faixas durando um pouco mais de uma hora que é extremamente aclamado pela crítica e considerado não só como um dos melhores discos da década passada, mas também umas melhores músicas que o gênero Metal (de forma mais ampla possível) nos trouxe na última década.

O disco continua a história conceitual do EP lançado no ano passado, uma suíte que ultrapassa a marca de 72 minutos que vai até o espaço com viagens ao início e ao fim da história (como a bela faixa de abertura, bem Pink Floydiana, “Goodbye to Everything”, que é na verdade o encerramento da história), e, honestamente, se você não gostou do EP, dificilmente você irá gostar do novo álbum da banda. Talvez você goste de Colors (um excelente disco por sinal), mas Between the Buried and Me não é uma banda fácil de digerir, levando um bom tempo e diversas audições para definir uma opinião concreta. Você ama ou você odeia o grupo. Você irá odiar as composições longas do grupo, as quebras progressivas, o peso nas canções, ou até os momentos aleatórios e masturbatórios, além dos vocais, sejam eles limpos ou gritados (executados por Tommy Giles Rogers). Ou você irá amar justamente por essas características que fazem o som do grupo único e pela qualidade e diversidade dos vocais, abrangendo desde momentos pacíficos e bonitinhos – e às vezes chicletes -, como em faixas “The Black Box”, as faixas de abertura e encerramento e “Lay Your Ghosts to Rest”, até explosões raivosas com uma pegada Thrash Metal na canção “Telos” e já na citada “Lay Your Ghosts to Rest”.

Duas características incríveis que eu particularmente admiro em bandas progressivas fazerem são o retorno a momentos já passados pela suíte/canção, como é o caso de “Extremophile Elite”, que retorna a “Specular Reflection” – faixa de abertura do EP – e a estrutura das canções fugirem do tradicional. Neste disco, nenhuma faixa tem uma estrutura semelhante, todas são diferentes. Algumas podem até aparentar serem iguais, mas ouvindo com calma, percebe-se que não é bem o que acontece. E a banda aproveita o máximo de sua criatividade, chegando a inclusive, “criar” o gênero “Surf Metalcore” (se é que existe) na insana “Bloom”, onde Tommy força vocais bem incomuns não só para ele mesmo, mas para os fãs de Metal, além do envolvimento de outros instrumentos “estranhos” para o gênero, como o trompete. E o encerramento do disco, as faixas “Silent Flight Parliament” de 15 minutos, seguida pela curtinha “Goodbye to Everything Reprise” são aquilo que você espera que venha do grupo se você conhece-o. E não falo no sentido previsível, pois este disco não é (prova disso é a canção “Bloom”), mas sim em termos de qualidade neste disco que é o mais ambicioso que o grupo já lançou (em “Parallax”, temos até Spoken Word!).

Seja agressividade, beleza, progressividade ou qualquer adjetivo que seja, Between the Buried and Me criaram outro grande álbum, outra obra-prima, e (na opinião do autor do texto) criou seu melhor disco, que pode ser considerado um dos melhores do ano. Ele é épico, incomum, agressivo, criativo, bombástico… enfim, excelente! Mostra que pode sair excelentes álbuns de um gênero tão raquítico como Metalcore e dar um novo sentido ao termo progressivo, que vem sendo extremamente enjoado pelas bandas copiadoras da fórmula do Dream Theater de fazer Metal Progressivo. Parabéns ao quinteto. Espero que continuem lançado álbuns tão bons (ou até melhores) que The Parallax II: Future Sequence, o sexto disco da banda.

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Underoath – Define The Great Line (2006)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metalcore, Metal Cristão, Pós-Hardcore, Pós-Metal, Ambiente Eletrônico
Gravadoras: Tooth & Nail, EMI

Apenas dizer os gêneros “Metalcore” e “Metal Cristão” já afastam muitas pessoas de ouvirem tais músicas, seja qual for motivo. Acrescentando momentos de música eletrônica e esse grupo fica ainda menor. Pelo menos se fosse vermos apenas por gênero, este seria o caso de diversas bandas que não recebem devida divulgação, mas este não é o caso de Define The Great Line, da banda de de Tampa, Flórida, Underoath. Sucedendo They’re Only Chasing Safety de 2004, que seguia uma linhagem mais melódica e grudenta, o álbum de 2006 mostra um peso maior, de uma banda de Metalcore, mas também sendo um disco envolvido por mais características “dark”, ou seja, mais depressivo, mais melancólico, dramático, e por aí vai com os adjetivos. E com a combinação deste três gêneros – e ainda incluindo os elementos “Pós” -, é possível encontrarmos além de qualidade nas canções do grupo, mas também estabilidade e consistência? É credível que sim.

Vamos falar da parte eletrônica de uma vez, por ser a mais fácil. As partes eletrônicas estão em apenas de algumas músicas e a duração de suas passagens são curtíssimas, com exceção da faixa “Sālmarnir”, que é totalmente Ambiente Eletrônica e não é genérica, criando uma atmosfera diferente e calma em um disco onde todas as faixas restantes são gritadas, lembrando artistas como Sigur Rós. Em outras palavras, o uso da música eletrônica não chega a incomodar a quem quer ouvir uma música pesada, mas são desnecessárias e tiram a atmosfera que a banda quer passar. O pior do uso da eletrônica, é que ela é bastante comum – com exceção da já citada quinta faixa -, e se tivesse mais espaço e tempo, seria algo vindo do Asking Alexandria ou outro grupo de Metalcore com pegada eletrônica. O elemento eletrônico é o ponto mais fraco do disco, sem dúvida nenhuma.

Já o discurso religioso, um grande motivo para muitas pessoas não se aproximarem do gênero, não é algo escancarado como alguns artistas cristãos fazem. Claro, os caras mencionam Deus e o glorificam, principalmente em “Sālmarnir” (que por acaso é narrada em sua metade final em latim ou alguma língua próxima), o que é normal e esperado vindo algo do gênero. Mas as letras não são tão simples. Boa parte delas procuram uma resposta, ou demandam que a pessoa que está ouvindo-o “acorde” e faça algo – demonstrado na faixa de abertura, “In Regards To Myself” -, ou até temas como solidão, medo e desespero. Um fato curioso é que nenhuma das músicas do disco contém o nome que dá a faixa na letra. Não faço ideia do porque, mas não faz diferença nenhuma. Mas aqui não é o ponto forte de Define The Great Line, mas sim as músicas em si.

Algumas dessas canções mostram o peso já no início e jogam na sua cara, como a canção de início do disco, sendo este elemento o que mais prevalece nas 11 canções. Certas faixas como “A Moment Suspended In Time”, “Moving For The Sake Of Motion” e “Writing On The Walls” soam típicas músicas de Metalcore ou de Pós-Hardcore, com seus já esperados breakdowns comuns, onde a música fica pesada, como se quisessem mudar toda a atmosfera e tentassem soar intimidantes. Entretanto na já citada “Writing On The Walls”, tem um breakdown interessante perto do fim, onde chega a ser Doom Metal, mas é por pouco tempo. Os vocais do grupo, Spencer Chamberlain (guturais) e do baterista Aaron Gillespie (limpos) são do tipo “hit-or-miss”, ou seja, eles vão te acertar em cheio ou você não irá gostar. Os de Spencer em boa parte do tempo são aceitáveis, alguns momentos soando excelente nos vocais, já os do baterista são um pouco irritantes, mas as vezes ele consegue ser aceitável.

Faixas como “Returning Empty Handed”, a faixa de encerramento “To Whom It May Concern” e a melhor canção do disco, “Casting Such A Thin Shadow” (é tão boa que colocaria em uma lista de 100 melhores músicas que eu já ouvi em minha vida), junto com “Sālmarnir”, mostram um grupo tentando mudar, não fazer as mesmas fórmulas, mas ainda sim manter uma consistência e lógica no álbum, diferente de grupos como Muse e Fresno (ambas em seus discos mais recentes), que querem variar, mas acabam variando demais ao ponto de suas músicas não fazerem sentido juntas. É experimentar, mas experimentar com razão, e não para exibir ecleticismo e talento. Outro detalhe é a banda compor canções de durações mais longas, como “To Whom It May Concern”, de 7 minutos e “Casting Such A Thin Shadow”, acima da marca dos 6 minutos, onde o vocalista só começa a cantar a partir dos 4 minutos (!).

É inegável que, mesmo com suas falhas, Define The Great Line foi um disco de mudança do grupo americano, mostrando uma banda mais versátil que no álbum anterior, e voltando até um pouco a sonoridade do seu início de carreira. O grupo teve controle e noção do que queria fazer e experimentaram novas e interessantes ideias e conseguiram criar algumas boas canções, que valem a pena serem conferidas. Mas mesmo assim, a banda não foge do problema do Metalcore: genérico (em algumas faixas). Os fãs do gênero certamente devem dar uma chance para o disco, assim como os mais versáteis dos ouvintes do Metal. Não é um disco que vai agradar a todos e precisa de algumas audições e ignorações para se acostumar com a sonoridade do disco, entretanto, pelo pacote completo, Define The Great Line vale a audição, do início ao fim.

Glória – (Re)Nascido (2012)

Origem: Brasil
Gêneros: Metalcore, Pós-Hardcore, Screamo
Gravadora: Independente

Nessa última Quarta-Feira (23/05/2012) a banda paulista Glória, que recentemente saiu da Universal Music na qual pertenceu por três anos, lançou pela internet o seu quarto álbum de estúdio, (Re)Nascido, contendo 11 faixas e uma duração por volta dos 38 minutos. A atual maior banda do gênero Metalcore brasileira nesse disco foi composta por Mi Vieira (vocalista dos berros e guturais), Elliot Reis (guitarrista e vocais limpos), Peres Kenji (guitarrista), Johnny Bonafé (baixista) e Eloy Casagrande (baterista). Esse último saiu da banda e agora está na lendária banda brasileira Sepultura e nas turnês está sendo substituído por Ricky Machado.

Como o nome do disco da essa ideia da banda (re)nascer, é esperado que a banda tome novos caminhos musicais. Bom, não é bem isso que encontramos em (Re)Nascido. Encontramos aquele peso característico das bandas do gênero e os vocais limpos bem “inocentes”, algo que você pode encontrar nos outros discos da banda. A diferença que podemos dizer que existe deste Glória para o do passado pode ser visto no conteúdo lírico e, quem sabe, no peso das  mais novas composições do grupo paulista. Apesar de não considerar o conteúdo lírico como eu considero outras coisas nas minhas avaliações, eu preciso que dizer que eu odiei as letras de (Re)Nascido. A banda, conhecida pelas letras mais “emo, porém raivoso”, aqui despejou uma temática que está mais para superação de problemas e da vida (o que de certa pode ser considerada “emo, porém agressivo”, dependendo da execução. Bom, a ideia é aceitável e poderia ser executada muito bem, mas o Glória não mandou muito bem nesse quesito. A falta de rimas, o não uso de métrica e palavras cultas em canções onde possui palavrões e termos urbanizados que fariam mais sentido em uma música do Emicida, ou até em um Funk Carioca, deixam a desejar. Mas vamos ao conteúdo principal, as músicas.

O disco inicia com “Bicho do Mato”, com sua introdução de percussão até chegar numa porrada sonora com bons riffs explosivos e uma bateria demolidora de Eloy. Mas quando Mi começa a “cantar”, deixa a música menos interessante. Para ser honesto, não sou muito fã de seus guturais, mas aqui em (Re)Nascido eles não são ruins, só não me agradam e não acho que combina com o peso que a banda propõe em boas partes de seu repertório e eles acabam aparecendo arrotos agressivos. O refrão, cantado por Elliot, deixa as coisas mais agradáveis e até bons, mas inefetivos. O motivo disso é que a delicadeza que ele tenta colocar naquela onda sonora de porradaria não encaixa e, principalmente, não soa urgente, ao ponto de que aquela passagem realmente precisasse daquele tipo de voz.

Mas o que mais prejudica o álbum, ao ponto de dar desgosto, vem da parte da produção e mixagem. E sim, eu sei que o disco é independente, mas isso não justifica o embolamento encontrado no álbum. O baixo, em todas as músicas, é apagado pela altura da bateria e da guitarra, que as vezes chegam ao ponto de prejudicar os vocais. O disco produzido pela banda junto com João Millet, que também mixou o disco e teve um solo de guitarra em “É Tudo Meu”, e o que posso dizer nesse quesito é como algumas passagens foram estragadas. Na já citada “É Tudo Meu”, tem um solo de guitarra que acaba “comendo” a voz de Mi, tornando quase inaudível. E olha, vendo no que ele cantaria, valeu a pena. Colocar Inglês na música foi de um nível desnecessário e até tosco. E não é só em “É Tudo Meu” que a produção prejudica. “Pétalas” tem uma guitarra no fundo de uma camada sonora, que no fim parecem duas músicas diferentes ao invés de uma só. O melhor momento do disco também acaba sendo estragado. Em “Presságio”, temos um violino na introdução que reaparece antes, durante e após o terceiro refrão, que muito bom mas que não teve sucesso, pois foi esmagado pelas diversas camadas sonoras altíssimas que acabam apagando seu potencial máximo e também não recebendo o destaque merecido por causa de outro problema do álbum: a duração das faixas.

A média das músicas não chegam a 4 minutos, e elas acabam não sendo desenvolvidas até o seu máximo. A banda opta por não querer arriscar em solos mais longos e as vezes tenta casar solos de guitarra (que são bons) com vocais, que acabam não funcionando e embola tudo, como se quisesse diminuir a duração das coisas para deixar-las mais acessíveis para o público.  Outro casamento falho é os vocais limpos com os guturais ou até com outros vocais limpos. Na última faixa, “Horizontes”, uma balada com muita influência de Pantera que até encerraria o disco bem senão fosse pelo seu fraquíssimo encerramento, tem a participação de Lucas Silveira da Fresno e seus vocais só são notáveis se você conhece a voz do cara e seus gritinhos agudos, além claro dos guturais que ocorrem durante o refrão que soam totalmente inúteis e poluentes. O disco está cheio de faixas que se tivessem uma duração maior e um desenvolvimento melhor, poderiam sair privilegiadas, como “A Arte de Fazer Inimigos”, a já citada “Presságio”, “Só Eu Sei”, “Desalmado”, “Renascido”, “Grito” e “Sangue”… Em outras palavras, todas as músicas do álbum.

O que (Re)Nascido tem de bom? Alguns riffs, solos de guitarra e uma linha bateria consistente e não é um disco com canções esquecíveis. Mas o lado que pesa mais aqui é o negativo. São 11 canções com um desenvolvimento fraco e curtas demais e, principalmente, uma produção e mixagem ao ponto de serem chamadas de lixo. A banda pode ser boa e ter talento, mas suas composições acabam ficando empobrecidas pela falta de criatividade de certos riffs que lembram de bandas como Trivium, All That Remains, Bullet For My Valentine e As I Lay Dying, sem falar do conteúdo lírico nada bom. No fim das contas, o Glória precisa (re)nascer mais algumas vezes se quiser realmente lançar um bom trabalho de estúdio. Caso queria conferir, clique aqui e faça o download no site oficial da banda. Por mais que o LP possua seus problemas, a banda merece uma chance. É pesado, é rápido, e se você gosta de guturais, vale a pena arriscar e talvez você goste. É só ouvindo que você saberá.

Eyes Set To Kill – The Best Of ESTK (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metalcore, Pós-Hardcore, Screamo
Gravadoras: Foresee, Maphia Management

Mais uma banda da nova onda do metalcore, o ESTK (usarei a sigla porque sou preguiçoso) lançou em 2011 o álbum White Lotus, primeiro com o novo vocalista da banda, Cisko Miranda. E no mesmo ano saiu esta coletânea (sem o Cisko, aqui os gritos são encarregados pelos ex-vocalistas, Brandon Anderson e Justin Denson, cada um dependendo da canção), logicamente, uma escolha entre as “melhores” músicas, entre aspas pois é algo pessoal de cada um escolhas entre melhores e piores. O ESTK possui como grande líder a vocalista Alexia Rodriguez, bom vamos à músicas.

Abrimos com ‘Darling’, temos os 10 primeiros segundos bem tensos, Brandon Anderson parece querer dá uma de “badass”. A canção não é ruim, mas não chega a ser algo bom realmente, apenas regular, gosto da voz da Alexia, é uma boa cantora, apenas um pouco enjoadas em partes que ela tenta “chorar” nas músicas, mas é um dos destaques da banda. ‘Darling’ segue com um enorme breakdown, naquele espaço “vazio” poderia preencher com algo mais interessante, mas adolescentes tão badass quanto Brandon Anderson devem gostar. Os screamos deslocam as canções, se você gostar de algo sem noção e de metalcore, pode até curtir, mas na maioria das faixas o clima que Alexia e a banda (que não é ruim, o álbum possui bons riffs e o grande destaque, a bateria, com bases boas também) é quebrada por partes no-sense de gritos. E não, screamos não me agradam, mas não crítico só por isso, eu gosto de ESTK em partes, e o que me afasta de ouvir a banda é que não souberam juntar as suas influências, não estudaram o suficiente para ver o que fica bom ou não, minha opinião, o que faz genérico e apenas mais uma banda de screamo ou metalcore.

Você pode ouvir uma canção (talvez ’Broken Frames’), se gostar não vai se arrepender de ouvir o CD, em boa parte ele é do mesmo jeitão, o instrumental mesmo parecendo limitado faz um bom trabalho, a voz da Alexia é agradável na maioria das vezes. Para uma coletânea, a ordem das músicas deixaram a desejar, as canções mais agitadas fazem parte da primeira metade do disco, e as baladas, deprês e etc são a “segunda metade”. E essa última parte é mais agradável, sem o deslocamento musical que gritos no-sense levam, mostra o potencial da banda. Apenas detalhes que não gostei foi a pitada de influência de música eletrônica, não “combinou” nas canções em que está presente. E também a falta de destaque que o baixo de Anissa Rodriguez, irmã de Alexia, teve. Resumindo, é uma banda simplória, mas não ruim, tem bastante coisas a melhorar e que vão exergar com o tempo, boas inspirações seriam bandas como Lamb Of God e Trivium.

Throwdown – Deathless (2009)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Groove Metal, Metalcore
Gravadoras: E1, Nuclear Blast

Throwdown é um grupo que se originou do Hardcore e que com o decorrer do tempo, evoluiu para um som com muita influência de Pantera, e eles fazem muito bem isso, porém as vezes soa sem muita originalidade. A banda até seu quarto disco, Vendetta de 2005, era uma banda de Hardcore, mas em 2007 com Venom & Tears, a banda melhorou tecnicamente com a evolução de som, e em Deathless, sexto disco do grupo, apenas continuou um processo natural. A banda composta por Dave Peters (vocalista), Mark Choiniere (guitarrista), Mark Mitchell (baixista) e Jarrod Alexander (baterista), apesar dos pesares, tem potencial e talento, isto é inegável, entretanto, acaba parecendo uma versão mais lenta, densa e, quem sabe, mais pesada que o Pantera, sua mais notável influência. Se quiser confirmar, ouça as músicas no fim deste texto.

Deathless possui 12 faixas, com duração de 54 minutos aproximadamente (que estranhamente aparentam durar muito mais que meros 54 minutos) começa com “The Scythe”, uma porrada iniciada na bateria, seguida de riffs e um grito do vocalista marca a sua intro. É uma das melhores canções do disco e iniciada muito bem, tendo um refrão interessante, que apesar do refrão repetir duas vezes apenas, gruda. E o final da faixa é ótimo. “This Continuum” como dá para notar, ela continua com um tema relativamente parecido de sua antecessora, e possui igualmente um ótimo refrão, e assim como sua sucessora, “Tombs”, o peso remanesce no som do grupo, entretanto, aqui começa a soar mais lento e mais denso, como se tivesse entrando em uma depressão, que continua em “The Blinding Light” com sua introdução de 1 minuto, sendo a faixa mais longa, com mais de 6 minutos. Essas quatro músicas fazem parte de uma “história” feita em videoclipes, divididas em quatro partes, e esta é legitimamente o clipe mais denso dentre o quarteto. Aqui que já podemos reparar uma relação com o Metalcore, que provavelmente não foi proposital parecer que é Metalcore, mas o fim da canção não deixa duvidas que existe a influência e que foi bem usada. Nessa faixa é reparado o uso de teclado ou algum efeito de estúdio no início e fim da mesma. Não é das melhores, mas tem seus bons momentos.

“Widowed” começa acústica, com um violão acompanhado de outros instrumentos como guitarra e bateria até por volta de 1:40, com o desaparecimento do instrumento acústico e sermos introduzidos a voz de Dave após 2 minutos! E aqui é ápice da montanha da tristeza, ou melhor dizendo, o fundo do poço, mas não porque é conteúdo emo, mas é que soa melancólico, porém uma melancolia adulta, em outras palavras, madura. Para alguns pode ser considerada a faixa “água fria”, que esfria toda sua energia e te põe em um estado neutro, pois apesar de todo som depressivo, o peso do baixo e companhia não te deixa necessariamente em mau humor. Mas em “Headed South”, o baixo astral cai fora e então temos de volta a velocidade e a energia que as canções anteriores tiraram. A cozinha no disco faz um excelente trabalho, mas em destaque essa faixa se superam. Destaque para os dois solos de guitarra nessa faixa, muito bacanas e encaixam perfeitamente no que se pede. Na música “Serpent Noose”, temos um ótimo trabalho de guitarra, principalmente no solo principal, além de uma atmosfera que te arrasta para dentro e não deixa sair. Outra canção interessante, apesar de um refrão fraco comparado a outras faixas. “Ouroboros Rising” é outra forte canção, candidata a uma das melhores. Seus riffs, aliados a uma cozinha consistente e um bom refrão são ótimas para levantar o público, apesar do solo estar longe de ser um dos melhores do disco.

“Skeleton Vanguard” tem uma das melhores introduções e que infelizmente os vocais de Dave acabam deixando ela abaixo do esperado em qualidade, com exceção do refrão, que ele faz com maestria. Instrumentalmente é bem empolgante em algumas partes e bem padrões em outras, mostrando nada de novo para colaborar com a imagem do álbum. “Pyre & Procession”, “Black Vatican” e a faixa de encerramento, “Burial At Sea”, acrescentam muito, mas muito pouco a qualidade do disco, tanto é que se tirasse elas do álbum, não faria diferença nenhuma e não iria deixar ele melhor nem pior. Elas estão ali para preencher um espaço que não precisaria ser preenchido, ou melhor dizendo, poderia ser preenchida com canções melhores, não é toa que o disco parece durar mais do que parece, algumas soam parecidas (muito pouca). Tanto é que se formos eliminar canções do álbum, no mínimo é possível tirarmos 4 canções ou mais. E para encerrar, “Burial At Sea”, é um bom final, apesar dos pesares, mas poderia haver um final mais interessante.

Concluindo, apesar de possuir temas mais pessoais, e um tom mais depressivo, Deathless é um disco de peso quase certeiro, senão fosse por certos momentos, porém não tem grandes novidades. Não tem ideias novas e algumas chegam a serem cansativas, porém é uma boa banda e um bom disco. Se você gosta de Pantera, Sepultura, e outros grupos de Groove Metal, esta banda não é uma má escolha para ser honesto, porém você não receberá uma recompensa musical gigante como deveria. Deathless é altamente recomendado para fãs do gênero, da banda (tirando os fãs do antigo som da banda), ou para aqueles que querem se achar “cult” na cena do Metal atual, já que a MTV e a revista Revolver consideraram a banda como parte do “futuro do Metal”, se quiser confirmar, ouça.

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Attack Attack! – This Means War (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metalcore, Screamo, Eletrônica
Gravadora: Rise

Como você acha que funciona uma mistura entre Metalcore, Screamo e a Música Eletrônica se sai? Se você pensar em algo positivo dessa mistura, você vai ser jogado no chão com a mesma velocidade de um meteoro caindo no planeta Terra na época dos dinossauros. Attack Attack! tenta ser diferente e criativa, mas esta junção de gêneros faz com que as canções sejam de gosto duvidoso, mas muito duvidoso mesmo (e não tem criatividade alguma em um som desses, acredite em mim). A banda, que então é composta por Caleb Shomo (vocais, programação, teclado, sintetizadores e guitarra adicional), Andrew Whiting (guitarra), John Holgado (baixo) e Andrew Wetzel (bateria e percussão), apesar de melhorarem sua música se compararmos com esta atrocidade, ainda é decepcionante. As vezes os momentos pesados são bons, apesar de comuns e repetitivos, outros são ridículos graças a voz do vocalista, que decide fazer seus gritos mais agudos (com exceção de alguns momentos), pois assim ele poderia transferir com facilidade seus vocais limpos e “sujos” e assim não iria precisar de outro vocalista nas turnês, e que no fim, soa horrível! Horrível mesmo!

Do lado positivo, temos refrões bacanas cantados por Caleb, limpos e com um toque eletrônico, um baixo marcante aliado a uma cozinha consistente, riffs pesados e a falta de baladas no disco deixa interessante. Por outro lado, tudo soa péssimo. Com uma agressividade plastificada e uma profundidade lírica (e musical) equivalente a de um pires, This Means War é um disco estranho e como já disse, ruim. Entretanto tem ótimos momentos em suas dez faixas, em especial os com o uso da Música Eletrônica. O grande problema é que a falta de conciliação do som. Se a banda decidisse entre a Eletrônica e o Metalcore, as coisas seriam muito melhores. Graças a esta desgraça, várias músicas interessantes ficaram uma bela porcaria. As 10 faixas (todas começando com “The”, por incrível que pareça) são estragadas pelo uso pobre dos gritos e berros de Caleb, que canta bem nos refrões. Mas se quiserem misturar o Metal, sem problemas, alguns momentos ficaram bacanas, outros, ridículos, justamente por causa dos gritos e do Metal bruto que não encaixa no som. E para não dizerem que eu não comentei as canções de maneira apropriada, basta ouvir as introduções de “The Motivation” (que no vídeo abaixo terá sua introdução incompleta) e “The Wretched” para vir na sua cabeça Evanescence e outras bandas com um som mais chegado ao Pop, e é feito de uma maneira tão porca que parece plágio, mesmo realmente não sendo. E essas são as mais diferenciadas, que no seu decorrer evolui no som chato e repetitivo da banda. O restante começa e termina do mesmo jeito.

Então, você irá arriscar 36 minutos preciosos de seu tempo nesse lixo de música? Eu espero que não. O disco possui mais coerência que nos seus antepassados, e melhorou. Mas ainda é muito ruim. Se a banda foca-se em apenas uma influência direta, as coisas seriam muito melhores (ou piores). O que posso dizer é que temos 10 músicas (que como já disse possui em seus títulos “The” no início, demonstrando uma criatividade enorme) que poderiam ser muito melhores, mas devido a incoerência musical, temos outra porcaria no mercado industrial. Se você gosta disso e tem orgulho de ouvir essa banda, recomendo horas de tratamento mental ou um pulo no precipício mais próximo da sua região. E eu estou falando da maneira mais séria possível. Agora, se você tem noção do que presta, sabe que This Means War é presente de grego filho da puta.

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