Brujeria – Brujerizmo (2000)

Brujeria - Brujerizmo (2000)
Origem:
México
Gêneros: Groove Metal, Metal Extremo
Gravadora: Roadrunner

Brujeria é uma banda mexicana pioneira nos estilos de Grindcore e Deathgrind, onde normalmente escrevem músicas falando sobre satanismo, anti-cristianismo, tráfico de drogas, sexo, imigração e política. Eu sempre gostei da sonoridade da banda, apesar de não ser um grande fã da cena Grind. O único problema era que algumas músicas da banda eram muito curtas, uma espécie de tradição do Grindcore, e também os vocais eram meio estranhos, graves demais e difíceis de entender. Entretanto, em 2000, o Brujeria surpreendeu a todos com o seu terceiro álbum: “Brujerizmo”.

Todos concordaram que a banda teve uma mudança grande de estilo, passando de Grindcore para Groove Metal. O disco começa com a faixa que levou o nome do disco: “Brujerizmo”. Aqui já podemos ver totalmente as mudanças na sonoridade da banda que, embora continuasse pesada, conseguiu fazer vocais mais audíveis e uma sonoridade de guitarra muito boa. A música fala de Anti-Cristianismo e Satanismo, de certo modo, a mensagem que passa é que Cristo não salvará a todos, algo deste tipo. A próxima faixa é “Vayan Sin Miedo”. Aqui, a banda começa a mostrar o lado mais extremo do disco, com uma música pesada, rápida e violenta, contando com alguns gritos também. A letra fala sobre imigração, dizendo que podem atravessar a fronteira sem medo.

“La Tración” é a terceira faixa, aqui temos uma duração menor, mas a música continua no lado extremo do disco. Aqui voltamos para o lado Groove do álbum com “Pititis, Te Invoco”, que fala sobre uma bela bruxa com quem o vocalista quer se envolver em uma relação sexual. O instrumental da música é muito bom, e a guitarra segue sempre na mesma linha. Entramos novamente para o Extreme Metal com a quinta faixa, “Laboratorio de Cristalitos”, outra faixa curta, que fala sobre um Laboratório de cocaína. “Division del Norte” volta para o lado Groove, uma faixa pesada e lenta, falando novamente sobre imigração. Na opinião do autor, a faixa de destaque do álbum. “Marcha de Odio” continua no estilo groove, sendo pesada e mais rápida que a anterior, chegando a lembrar do Pantera, na minha opinião.

Aqui temos uma música de política, “Anti-Castro”, pesada, rápida e violenta, fala sobre um movimento contra Fidel Castro, chegando a ter algum “toque mexicano” na sonoridade. “Cuiden a los Niños”, a segunda melhor faixa do disco, na minha opinião, fala sobre crianças que entram para o satanismo por serem sozinhas. Ela traz de volta o gênero Groove Metal, novamente, lembrando o Pantera na sonoridade das guitarras. “El Bajón” é a mais pesada do álbum, bateria frenética e guitarras rápidas, entretanto, ela é muito curta, o que dá a sensação de que ela é incompleta.

“Mecosario”, ainda no estilo Groove, é a anti-penúltima faixa, e confesso que não entendi muito bem sobre o que é, se descobrirem, me avisem. A faixa é boa, e o refrão é fácil e fica na sua cabeça por um tempo. “El Desmadre” é bem pesada e rápida, embora tenha uma duração curta, o ponto alto é o solo de guitarra, o primeiro e único do disco. O disco é fechado de modo excelente com outra faixa do mesmo estilo de “Division del Norte”, lerda e pesada, “Sida de la Mente”é a maior faixa do álbum, com 04:35. A letra fala sobre uma espécie de vírus que te impede de tomar decisões próprias, o que te faz ir na laia dos outros, e, na minha opinião, fecha o álbum muito bem.

Ao todo, Brujerizmo é um álbum ótimo para quem gosta de escutar esse estilo de música, como eu. Os defeitos estão em poucas músicas, que tem pouco mais de um minuto. Não que isso prejudique as músicas, mas talvez se tivessem entre três ou quatro minutos, assim como as outras, talvez teriam letras mais elaboradas e uma sonoridade melhor, não deixando aquela impressão de uma música incompleta, outro ponto fraco é que poderiam haver mais solos de guitarra, que, nesse estilo de música, geralmente faz falta. Fora isso, Brujerizmo é, sem dúvidas, o melhor álbum do Brujeria. Existem rumores de que a banda possa lançar um álbum novo até ano que vem, após 13 anos sem gravar nenhum trabalho em estúdio. Caso seja verdade, resta esperar e se contentar com este grande trabalho da banda mexicana.

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Throwdown – Deathless (2009)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Groove Metal, Metalcore
Gravadoras: E1, Nuclear Blast

Throwdown é um grupo que se originou do Hardcore e que com o decorrer do tempo, evoluiu para um som com muita influência de Pantera, e eles fazem muito bem isso, porém as vezes soa sem muita originalidade. A banda até seu quarto disco, Vendetta de 2005, era uma banda de Hardcore, mas em 2007 com Venom & Tears, a banda melhorou tecnicamente com a evolução de som, e em Deathless, sexto disco do grupo, apenas continuou um processo natural. A banda composta por Dave Peters (vocalista), Mark Choiniere (guitarrista), Mark Mitchell (baixista) e Jarrod Alexander (baterista), apesar dos pesares, tem potencial e talento, isto é inegável, entretanto, acaba parecendo uma versão mais lenta, densa e, quem sabe, mais pesada que o Pantera, sua mais notável influência. Se quiser confirmar, ouça as músicas no fim deste texto.

Deathless possui 12 faixas, com duração de 54 minutos aproximadamente (que estranhamente aparentam durar muito mais que meros 54 minutos) começa com “The Scythe”, uma porrada iniciada na bateria, seguida de riffs e um grito do vocalista marca a sua intro. É uma das melhores canções do disco e iniciada muito bem, tendo um refrão interessante, que apesar do refrão repetir duas vezes apenas, gruda. E o final da faixa é ótimo. “This Continuum” como dá para notar, ela continua com um tema relativamente parecido de sua antecessora, e possui igualmente um ótimo refrão, e assim como sua sucessora, “Tombs”, o peso remanesce no som do grupo, entretanto, aqui começa a soar mais lento e mais denso, como se tivesse entrando em uma depressão, que continua em “The Blinding Light” com sua introdução de 1 minuto, sendo a faixa mais longa, com mais de 6 minutos. Essas quatro músicas fazem parte de uma “história” feita em videoclipes, divididas em quatro partes, e esta é legitimamente o clipe mais denso dentre o quarteto. Aqui que já podemos reparar uma relação com o Metalcore, que provavelmente não foi proposital parecer que é Metalcore, mas o fim da canção não deixa duvidas que existe a influência e que foi bem usada. Nessa faixa é reparado o uso de teclado ou algum efeito de estúdio no início e fim da mesma. Não é das melhores, mas tem seus bons momentos.

“Widowed” começa acústica, com um violão acompanhado de outros instrumentos como guitarra e bateria até por volta de 1:40, com o desaparecimento do instrumento acústico e sermos introduzidos a voz de Dave após 2 minutos! E aqui é ápice da montanha da tristeza, ou melhor dizendo, o fundo do poço, mas não porque é conteúdo emo, mas é que soa melancólico, porém uma melancolia adulta, em outras palavras, madura. Para alguns pode ser considerada a faixa “água fria”, que esfria toda sua energia e te põe em um estado neutro, pois apesar de todo som depressivo, o peso do baixo e companhia não te deixa necessariamente em mau humor. Mas em “Headed South”, o baixo astral cai fora e então temos de volta a velocidade e a energia que as canções anteriores tiraram. A cozinha no disco faz um excelente trabalho, mas em destaque essa faixa se superam. Destaque para os dois solos de guitarra nessa faixa, muito bacanas e encaixam perfeitamente no que se pede. Na música “Serpent Noose”, temos um ótimo trabalho de guitarra, principalmente no solo principal, além de uma atmosfera que te arrasta para dentro e não deixa sair. Outra canção interessante, apesar de um refrão fraco comparado a outras faixas. “Ouroboros Rising” é outra forte canção, candidata a uma das melhores. Seus riffs, aliados a uma cozinha consistente e um bom refrão são ótimas para levantar o público, apesar do solo estar longe de ser um dos melhores do disco.

“Skeleton Vanguard” tem uma das melhores introduções e que infelizmente os vocais de Dave acabam deixando ela abaixo do esperado em qualidade, com exceção do refrão, que ele faz com maestria. Instrumentalmente é bem empolgante em algumas partes e bem padrões em outras, mostrando nada de novo para colaborar com a imagem do álbum. “Pyre & Procession”, “Black Vatican” e a faixa de encerramento, “Burial At Sea”, acrescentam muito, mas muito pouco a qualidade do disco, tanto é que se tirasse elas do álbum, não faria diferença nenhuma e não iria deixar ele melhor nem pior. Elas estão ali para preencher um espaço que não precisaria ser preenchido, ou melhor dizendo, poderia ser preenchida com canções melhores, não é toa que o disco parece durar mais do que parece, algumas soam parecidas (muito pouca). Tanto é que se formos eliminar canções do álbum, no mínimo é possível tirarmos 4 canções ou mais. E para encerrar, “Burial At Sea”, é um bom final, apesar dos pesares, mas poderia haver um final mais interessante.

Concluindo, apesar de possuir temas mais pessoais, e um tom mais depressivo, Deathless é um disco de peso quase certeiro, senão fosse por certos momentos, porém não tem grandes novidades. Não tem ideias novas e algumas chegam a serem cansativas, porém é uma boa banda e um bom disco. Se você gosta de Pantera, Sepultura, e outros grupos de Groove Metal, esta banda não é uma má escolha para ser honesto, porém você não receberá uma recompensa musical gigante como deveria. Deathless é altamente recomendado para fãs do gênero, da banda (tirando os fãs do antigo som da banda), ou para aqueles que querem se achar “cult” na cena do Metal atual, já que a MTV e a revista Revolver consideraram a banda como parte do “futuro do Metal”, se quiser confirmar, ouça.

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Bloodsimple – Red Harvest (2008)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo, Metalcore, Nu Metal, Groove Metal
Gravadora: Reprise, Bullygoat

Com o nome do disco inspirado no livro de mesmo nome escrito por Dashiell Hammett, Red Harvest é o segundo disco de estúdio e infelizmente o último lançado pelo Bloodsimple. A banda composta pelo raivoso e explosivo Tim Williams (vocalista), Mike Kennedy (guitarrista), Nick Rowe (guitarrista) e Kyle Sanders (baixista) tinham que superar o lançamento de A Cruel World, de 2005 (que já foi analisado aqui no Images & Words) e a saída do baterista Chris Hamilton, que em estúdio foi substituído por Will Hunt e por Jacob Ward nas turnês da banda. Uma missão complicada, pois A Cruel World foi um bom disco de estreia. Nada monstruoso, mas ainda sim um bom lançamento. E como eu disse no final da resenha primeiro álbum da banda, eles conseguem superar com Red Harvest e veremos abaixo os motivos.

O álbum, que diferente de seu antecessor tinha um conteúdo lírico sólido, aqui não é tão sólido. Algumas letras não são tão boas e nem sérias, mas o que melhora é a música. “Ride With Me” é um começo estranho. Estamos acostumados a ter uma música agitada na primeira faixa, mas “Ride With Me” é totalmente inesperada. É uma mistura de calma (se assim posso dizer) com um clima totalmente atmosférico, sendo denso, depressivo, muito envolvente e tenebroso. Não digo que uma balada devido a uma evolução que a música sofre que ao contrário do que encontramos no primeiro álbum, aqui é mais inesperado e melhor feito. Forte canção para começar o álbum. As próximas faixas, a faixa-título e “Dark Helmet” são tremendas porradas e ambas com finais monstruosos e igualmente raivosos e cheios de energia. Provavelmente são as duas músicas mais pesadas não só do álbum, mas do grupo, junto com “Path To Prevail” e “Straight Hate”, ambas de A Cruel World. Excelente começo da banda neste álbum, supera facilmente o primeiro álbum.

Aqui deveríamos esperar por uma balada como de costume na maioria dos álbuns na atual indústria musical, mas recebemos poderosos e rápidos riffs de guitarra, que soam muito Speed Metal e são incrivelmente grudentos. “Dead Man Walking” com sua letra boba sobre um homem que morto que volta a vida, ela é totalmente viciante e uma das melhores do grupo. Um detalhe extra sobre esta canção que fez parte da trilha sonora do jogo WWE Smackdown vs. Raw 2009, sendo disparada a melhor música. Outra faixa que é fácil de colar é “Out To Get You” com seus riffs bacanas e de fácil assimilação. É uma versão melhorada de “Sell Me Out”, digamos assim. Não é das mais criativas, mas você sabe que é boa. “Suck It Up” é uma música com uma familiaridade com o Punk Rock e Hardcore. Bem agitada e de certa forma enjoativa e chata. Alguns bons momentos graças ao vocalista, mas nada atrativa. Pior canção do disco. “Death From Above” é outra porrada na sua cara que é fácil de dizer que atropelará seus tímpanos da mesma forma que um trem atropela uma galinha. Outra ótima música.

Se “Dead Man Walking” é uma das melhores canções do grupo, “Whiskey Bent and Hellbound (Hellmyr)” e a melhor obra da banda. Excelente música com uma letra canalha, além de ser a maior composição da banda com quase 6 minutos de duração. É o fim perfeito para o álbum, com um som sujo e uma excelente interpretação de Tim Williams, mas a banda fez uma pequena burrada. E veremos a seguir. “Killing Time” é outro peso e também grudenta, principalmente seus riffs. Boa faixa, mas que estranhamento soa como B-side, mas não deixa de ser boa. A legítima balada do álbum é “Truth (Thicker Than Water)”. Tim volta a seu banheiro para cantar e quem sabe chorar. É uma canção densa e de certa forma bonita, e das baladas da banda, contando com os dois álbuns, o homem aqui manda sua melhor performance. Aqui seria um outro bom final, e por incrível que pareça, finalmente temos um solo de guitarra, e que solo de guitarra! Cheio de emoção, encerraria perfeitamente como “Whiskey Bent and Hellbound (Hellmyr)”, mas ainda tem ‘Numina Infuscata”, que soa como um grito de guerra. É um fim diferente, mas errôneo. Se eu pudesse selecionar a ordem das faixas, seria “Killing Time”, “Truth (Thicker Than Water)”, “Numina Infuscata” e “Whiskey Bent and Hellbound (Hellmyr)”. Ficaria bem melhor e mais coeso, mas isso não estraga este álbum.

Então temos um ótimo disco que supera o primeiro álbum da banda e que possui pequenos erros ali e lá, mas como já disse, não estraga-o. Ao contrário de A Cruel World, Red Harvest mantém o peso e a criatividade e mostra uma banda extremamente talentosa e com muita musicalidade, mas com um fim melancólico, temos que ouvir bandas como Vision Of Desorder, banda na qual Tim Williams e Mike Kennedy “crescerem” e decidiram reativa-la em suas atividades, e que não tem um quarto da musicalidade de Bloodsimple, o que é totalmente triste. Uma pena isso acontecer com uma promessa do Metal.

Bloodsimple – A Cruel World (2005)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo, Metalcore, Nu Metal, Groove Metal
Gravadora: Reprise

Em seu álbum de estreia, A Cruel World, Bloodsimple se mostra uma banda com um conteúdo lírico de certa pesado, com letras que envolve temas como guerra, falhas em relacionamentos (apesar de não ser tão pesado o tema), paranoia e vício em drogas. Mas tem muito peso no som do grupo composto por Tim Williams (vocalista), Mike Kennedy (guitarrista), Nick Rowe (guitarrista), Kyle Sanders (baixista) e Chris Hamilton (baterista). Mas tem alguns defeitos e erros, que veremos logo abaixo.

Começamos com uma introdução que começa baixa e vira bem barulhenta e atmosférica e então temos uma tremenda porrada caótica, sussurros de Tim e até ouvirmos seus gritos raivosos, e que raiva! E não é só a voz do homem, mas a música possui uma energia pesada, um ódio que está bem visível no nome da faixa, “Straight Hate”. Excelente começo, sendo a faixa mais longa, com 4 minutos e 46 segundos. “Path To Prevail” é emendada a faixa anterior e continua com o peso da anterior, Tim berra como se fosse morrer no outro dia. Riffs poderosos nos cercam unidos a um baixo potente e uma bateria grave e com muita presença. Seguimos com “What If I Lost It”, e aqui Tim Williams se mostra mais versátil, e não é do tipo “apenas grito e berro no microfone”. A música aqui é mais fácil de grudar que as duas anteriores, mas mantém o peso e a criatividade nas músicas. “Blood In Blood Out” é a faixa mais curta do álbum, com 2 minutos e 20 segundos de duração. Música não é das melhores do álbum, mas é empolgante e muito boa para “balançar a cabeça”, assim como as outras anteriores. Destaques para os riffs atmosféricos e pela falta de solos de guitarra ou de qualquer outro instrumento nas faixas anteriores (e posteriores também), mostrando que a banda não precisa de solos e dando preferência a atmosfera.

Então temos a primeira música que soa comercial do álbum, “Sell Me Out”. Tim aqui soa versátil mas, por incrível que pareça, soa como se cantasse no banheiro, mas não deixa de ser um bom vocalista. Como é relatado lá em cima, a atmosfera é o que prevalece, mas honestamente, nessa faixa um solo cairia muito bem. Em seguida temos um momento bem depressivo, uma “balada de macho” chamada “The Leaving Song”. Possui uma harmonia bacana e arranjos bonitos até seu refrão forte e de certa forma impactante. Boa balada. A partir daqui a banda parece que perde sua criatividade, infelizmente. “Running From Nothing” tem uma construção parecida com sua antecessora, mas um refrão muito mais forte e pesado e um começo mais Metal, até sermos encontrados pela interpretação arrastada de Tim Williams e recebermos seus “queridos” berros no já citado forte refrão. Após a segunda repetição do refrão, temos um Tim ainda mais raivoso, com riffs igualmente irritados. Faixa muito potente com um final de arrepiar com o vocalista gritando por mais de 30 segundos! Com certeza deve ter edição de estúdio, mas não deixa de ser impressionante. Apesar de não tão espetacular como as outras, é uma das minhas favoritas pela raiva passada pela banda, que é algo que eu sinto que falta em muitas bandas onde o vocalista berra e grita, como Phil Anselmo do Pantera.

“Cruel World” tem riffs bacanas e a base da canção é bem interessante. A faixa-título, apesar de ser pesada, ela gruda na sua cabeça no seu refrão. Tem uma passagem em sua metade muito desinteressante e desnecessária que diminui a energia da música. Uma pena, pois ela estava ficando interessante. O refrão salva. Temos mais uma depressão, “Flatlined”. É uma faixa interessante pelos detalhes e chata na sua primeira metade. Tem alguns riffs bem simples e que me lembram do Blues e até um pouco de Country na sua influência, até que após o segundo refrão recebermos o retorno do peso das faixas anteriores, que aqui não é dos mais incríveis e originais. Temos quase um solo de guitarra, mas que na verdade é o tema principal da faixa. Faixa mediana. “Falling Backwards” começa com uma porrada na cara, sem mais nem menos e chega a ter semelhanças a uma música de Punk Rock, mas com mais técnica. Das faixas pesadas, é a menos interessante e menos “legal”, se assim posso dizer. Nada muito original aqui, mas o peso é fulminante. Para encerrar, temos “Plunder”, outra balada que tem parentesco musical com “The Leaving Song”. Tem uma harmonia e arranjos bem tristes e com um violão que percorre, aqui a voz de Tim não é das mais agradáveis, pois o cara é melhor no grito, mas não quer dizer que ele canta mal e interpreta igualmente mal, mas é que a voz não é das mais bonitas e fáceis de digerir, como Geddy Lee do lendário trio canadense Rush. É um fim pobre e chato, mesmo havendo uma pequena progressão no som, onde a banda volta a tona, mas não impressiona e chega a ser previsível. E é com um final depressivo que facilmente lembra o Hard Rock que encerramos o álbum.

Para concluirmos, Bloodsimple fez um disco bacana com um excelente começo e que vai perdendo peso e criatividade em detrimento das melodias, arranjos e harmonias depressivas. É um bom álbum com um excelente conteúdo lírico, mas que enfraquece e deixa a desejar. Mas, apesar dos pesares, é uma banda de Metalcore que arriscou em algo diferente, que soa novo e velho ao mesmo tempo. É estranho, mas o respeito é totalmente merecido ao quinteto norte-americano. A Cruel World é uma boa estreia que no futuro viria um disco ainda melhor, Red Harvest de 2008.

Lamb Of God – Resolution (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Groove Metal, Metalcore
Gravadora: Epic, Roadrunner

O Lamb Of God é uma das bandas atualmente mais bem falada, uma das esperanças do Metal hoje em dia para muitos, tendo em seu som característica um metal extremo e riffs muito bem feitos e poderosos. O grupo lembra o Pantera, só que menos criativo e técnico (e que caía entre nós, ser mais criativo e técnico que o Pantera é algo muito, mas muito difícil, ainda mais no gênero que a banda pertencia),  sendo mais pesado. Os fãs da ex-banda do quarteto do Texas devem se animar com o som do Lamb Of God, lembrando ainda mais o obscuro The Great Southern Trendkill, só que mais direto. Muitos esperaram ansiosos para o lançamento deste álbum,então se você for um deles (ou um fã de metalcore), sigam-me os bons, e se você não for, eu o convido a acompanhar minha opinião, talvez você se interesse pela banda.

O grupo formado por Randy Blythe (vocal), Willie Adler(guitarra base), Mark Morton (guitarra solo), John Campbell (baixo) e Chris Adler (bateria) abre o seu novo lançamento mostrando toda sua agressividade, com um riff pesado e Randy Blythe gritando horrores. Straight For The Sun é a primeira faixa, e uma das mais curtas do disco, com 2 minutos e 10 segundos. Ela mostra bem o que vai ser o CD todo, amantes de riffs bem feitos, guitarras trabalhadas e pancadaria da boa vão gostar, e se você for um desses, as 6 primeiras músicas passará bem rápido, com destaques para Ghost Walking (que possuí um grande refrão) e The Number Six, uma das melhores do álbum.

Barbarosa é a faixa que divide o álbum, vamos dizer assim (é a sétima faixa, de um total de 14). Ela é a mais curta com 1 minuto e 37 segundos, e parece que só serve para dividir o álbum, mas não deixa de ser interessante, com o violão ditando  o ritmo. Voltamos para a pauleira com Invictus, outra ótima faixa, seguindo o peso do CD e um refrão que gruda na cabeça. Chega Cheated e você percebe que é um ótimo álbum, mas tem suas limitações, dá para viciar legal nele, tirando que o ouvinte mais exigente vai perceber que é um disco que as faixas soam parecidas em partes (o que bastante gente gosta, algo direto e de boa qualidade), mas algo que não tira o quanto bom o CD é. Insurrection é a décima faixa e segue as pauladas com classe, mesma coisa de Terminally Unique, a sucessora de Insurrection.

To The End e Visitation continua o mesmo estilo, que, se você não tiver quase com um orgasmo e excitado com as canções anteriores vai começar a ficar entediado (as faixas soam melhores separadas), mas vale a pena esperar para a última música, aonde a banda encerra o seu lançamento desse ano com King Me, forte candidata a melhor do álbum, para mim fica entre ela e The Number Six. Começa diferente, e que começo! Depois de uma ótimo intro que faz você entrar em um clima, a paulada começa, com todo potencial da voz de Randy Blythe até o refrão, e que refrão! Destaques para a linha de bateria e para o feeling que a canção te passa, terminando o CD muito bem.

Resolution é um som pesado e simples, o que representa o metalcore, tal gênero que não é um dos meus favoritos, por isso talvez não me animei tanto com o disco, mas mesmo assim achei um grande lançamento e que muitos vão colocar no top 10 de melhores do ano, nada revolucionário, mas quem gosta de algo simples e pesado vai adorar. Recomendado quando você estiver com raiva, testado e aprovado!

Pantera – The Great Southern Trendkill (1996)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Groove Metal, Thrash Metal
Gravadora: East West

O ultimo album do Pantera antes de The Great Southern Trendkill, o Far Beyond Driven, tinha alcançado sucesso absoluto, ficando no primeiro lugar nas paradas de sucesso da Billboard assim que foi lançado e não apenas sucesso comercial ao redor do mundo, mas também aos fãs mais “true” digamos assim, foi um album mais pesados que os anteriores, e cheios de clássicos da banda, como “I’m Broken” e “5 Minutes Alone”, sendo assim se criou muita expectativa ao lançamento do The Great Southern Trendkill, será que seria sucesso absoluto como Far Beyond Driven, e tão pesado que nem ele? A verdade é que o The Great Southern Trendkill é um album Anti-Comercial, só você ler um pouco sobre ele na internet que vai saber, a banda mandou se ferrar todos, MTV, pessoal que dá entrevistas, por esse motivo que esse album não foi tão aclamado pela mídia como o seu anterior, mas mesmo assim o Video-Clipe de Drag The Waters passou (de forma moderada) na MTV. Mas não é só de mídia que a musica vive, o Pantera fez nesse album algo tão pesado que dá inveja em muitos Black Metallers e Death Metallers ao redor do mundo.

O album abre com a musica de mesmo nome do album, sempre com a “maquina de riffs” de Dimebag Darrell, Vinnie Paul, batendo sem dó na sua bateria e com um Phil Anselmo ainda mais agressivo do que antes, grande faixa para abrir um album e uma das melhores dele!

O Album segue com War Nerve e Drag The Waters,  duas ótimas musicas, os riffs de Dimebag são fenomenais, com Rex Brown fazendo eles ficarem mais “obscuro e malvado” fica melhor ainda, ainda mais nesse album, que eu o considero o mais pesado da banda. Seguimos com a balada “de fosso”, 10’s, uma musica realmente muito boa, e a gente tem que agradecer isso ao Senhor Darrell Abbott, Dimebag faz um solo totalmente expetacular e lindo, um dos meus preferidos dele.

Depois de 10’s temos 13 Steps to Nowhere, que possuí um refrão muito bom mesmo. Agora chegamos nas Suicides Notes, musica dividida em duas parte, sendo a primeira sem gritos de Phil, bem calminha, melodia excelente, e a segunda totalmente pauleira, uma das mais pesadas do album, e também uma das minhas favoritas! Seguimos com Living Through Me (Hell’s Weath),uma das melhores do album, aonde Dimebag dá show de novo, e essa tem um refrão muito bom, ainda mais para cantar em um show, e no meio da musica ela  dá uma “parada”, uma passagem ótima para Phil mostrar sua melhor fase, como esse cara canta!

Agora temos Floods, acho que se você ja ouviu falar de Pantera, tem com certeza muita chance de você ja ter ouvido falar do Solo de Floods, mesmo não tendo escutado a música uma única vez, a música segue um rítmo calmo com aquela pegada mais “doom”, que tem nas baladas do Pantera, isso até a metade dela, a música vai se tornando um clima muito legal para algo que pode ser considerado épico no mundo da musica, som de chuva, violão, e ai entra Dimebag Darrell, apenas faz um dos seus solos mais espetaculares, acompanhado com seu irmão, Vinnie Paul, que faz seu trabalho nas baquetas muito bem.

Você deve ter se emocionado com os Irmãos Abbott na ultima faixa, bom, The Underground In America faz você ficar ligado denovo, pauleira de primeira! E a ultima faixa, Sandblasted Skin (Reprise) parece ser uma continuação de sua anterior, com Phil gritando horrores, com os riffs de Dimebag sempre tão bons (esse tem uma maquina que cria riffs, só pode), junto com Rex Brown, que é o menos mencionado do grupo, mas um grande baixista, realmente fez um grande trabalho no Pantera, e Vinnie Paul que também faz grande papel em sua batera, o album termina, em grande forma, para mim o album mais poderoso do Pantera, todos estão em ótimas fases (se não as melhores deles) e fazem um dos melhores trabalhos da banda, totalmente recomendado.

PS: Se você nunca ouviu Pantera e não ouve muita coisa pesada, ou só ouviu algumas musicas do Cowboys From Hell, deve dá uma assustada na primeira audição, mas não pare o seu CD, porque depois que se acostumar, não vai querer largar mais ele.