Karnivool – Themata (2005)

Origem: Austrália
Gêneros: Metal Alternativo, Rock Progressivo
Gravadora: Independente, MGM

Composta por Ian Kenny nos vocais, ‘Drew’ Goddard e Mark Hosking nas guitarras, Jon Stockman no baixo e Steve Judd na bateria (não gravou as faixas deste álbum), Karnivool carrega um som rico em detalhes e sentimentos. Oriunda da Austrália, a banda está na ativa desde 1997, fruto de uma amizade de colegial entre Kenny e ‘Drew’ (que escreveu todas as letras e gravou as baterias).

Com o sucesso de Themata a banda passou a ser produzida por Forrester Savell, que trabalhou com bandas como: Butterfly Effect e Birds of Tokyo. Este album é a junção de uma boa habilidade dos músicos, refrões preguentos e uma engenharia sonora de primeira. Os vocais são bem poderosos e cheios de sentimento, dando assim, um ponto a mais para o Karnivool.

Outra coisa que se destaca são as guitarras que possuem um timbre muito bem construído e dão ênfase nas frases que baseiam a música. A primeira faixa já carrega um tempo bem diferente do usual 4/4, intrigando e desafiando o ouvinte a bater cabeça no beat certo. Com uma harmonia linda, COTE é uma música cheia de detalhes, synths e guitarras mutadas. “Shutterspeed”, “Fear Of The Sky”, “Roquefort”, “Lifelike” e “Scarabs” tem a mesma fórmula, que agradoumuito ao apresentar riffs bem construídos e seções instrumentais de qualidade.

A faixa “Sewn And Silent” possui uma boa entrada. Com uma afinação bem peculiar, o violão de ‘Drew’ chega agradando qualquer tipo de ouvido, dando assim uma freiada no ritmo do álbum. As faixas “Mauseum” e “Synops” carregam ares tenebrosos e intrigantes, nos levando à uma atmosfera totalmente diferente. A música “Change (Parte 1)” que fecha o álbum, deixa com o ouvinte o ar de “to be continued”, nos deixando imaginar o que vem depois. Na minha opinião a banda pecou na faixa “Ommited For Clarity” que possui apenas 20 segundos de silêncio. Este álbum é bem original e soa legal, então, recomendo!

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Shinedown – Us And Them (2005)

Images & Words review

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo, Southern Rock, Hard Rock, Pós-Grunge
Gravadora: Atlantic

Em seu segundo disco de estúdio, Us And Them, Shinedown se mostra uma banda que faz um som bem variado, não soa repetitivo, mas ao mesmo tempo não soa surpreendente, imprevisível, ou como queria bem dizer, e, principalmente, inovador. A banda era composta por Brent Smith (vocais), Jasin Todd (guitarra), Barry Kerch (bateria e percussão) e Brad Stewart (baixo), até a saída do guitarrista e do baixista, e em Us And Them foram lançados três singles, sendo dois usados pela WWE em seus PPVs. É um disco com momentos interessantes e outros nada empolgantes. Vamos conferir o que temos aqui.

O álbum começa com uma faixa introdutória, que honestamente, não faz sentido algum para mim. “The Dream” é basicamente uma garota estranha e até pode se dizer assustadora dizendo algumas frases que para mim não fazem sentido algum. Se Us And Them fosse um disco conceitual, dava para aceitar e entender o que eles queriam passar nas 13 faixas: um disco do Rob Zombie. Enfim… Sua sucessora é “Heroes”, e percebemos uma forte banda na guitarra e nos vocais e boa na bateria e baixo. Você consegue ouvir tudo claramente e é notável que a faixa inicia bem o disco, nem era necessário “The Dream”. “Save Me” não é uma canção da mais atrativas em seu começo, mas seu refrão de certa forma anima as coisas.

“I Dare You” começa irritante e se torna uma canção bem esquecível e chata. Os vocais dão uma melhorada principalmente no refrão, mas ainda não consigo dizer que é uma boa faixa. “Yer Majesty” tem aquele peso e bons riffs de guitarra, além de uma voz agressiva de Brent, que no fim, gera uma canção bem legal até. “Beyond The Sun” é aquela balada que inicia acústica até a banda aparecer por completo (bem no estilo Hard Rock), que é bonitinha e aqui Brent faz um trabalho bacana, além da banda fazer um trabalho competente, mas nada surreal e especial. “Trade Yourself In” inicia de uma maneira bem empolgante e diferenciada. Os riffs acabam me lembrando de uma versão mais pesada do Red Hot Chili Peppers.

Agora vem um dos meus grandes problemas com esse disco. “Lady So Divine” ultrapassa a marca de 7 minutos e com um começo fraco, a música evolui em algo interessante, porém nada bem feito, ainda mais após a segunda repetição do refrão (que é bom). A música poderia ser diminuída de 7 minutos para apenas 4 minutos e seria muito melhor o resultado. E olha que quem está falando gosta de músicas com uma duração prolongada, porém bem feita, ou pelo menos com bom senso e boas ideias (pode soar contraditório para alguns, já que eu gosto de Dream Theater e tem muitos momentos assim, mas ao menos alguns deles são interessantes… eu acho). Claro, tem coisas bacanas sim, como o solo de guitarra e atmosfera na seção instrumental, que são bem bonitas. Mas a construção da música, e principalmente, a introdução dela (após os primeiros acordes me refiro), me fizeram achar que aquilo merecia algo melhor e até maior.

As outras faixas não apresentam nada de novo ao conteúdo do álbum. Por exemplo, “Shed Some Light” é outra balada que inicia acusticamente, desenvolve acusticamente e termina acusticamente. Bem criativa a banda… Não que eu tenha algo contra isso, mas ela é desnecessária, já que temos “Beyond The Sun”, que é melhor. E antes de encerrar o álbum em uma terceira balada, temos três faixas “porradas”. “Begin Again”, “Atmosphere” e “Fake”. É incrível como as três não acrescentam nada ao disco a não ser espaço preenchido. E “Some Day” termina o álbum, e como já disse, é outra balada, e é outra desinteressante. Não encerra o trabalho dignamente e fica deixando um certo vazio no ouvinte, pois passa uma incerteza de que aquilo que ele ouviu era tudo que a banda tem a oferecer ou simplesmente tem uma certa tendência a canções comerciais.

Us And Them é um bom disco, se assim posso afirmar. Tem momentos bem interessantes, porém outros que poderiam ser esquecidos e nem pensados em serem adicionados no álbum, como todas as faixas após “Lady So Divine”, que encerraria bem o disco. Mas não dá para negar que a banda em si é boa, principalmente o guitarrista . Se você é guitarrista e quer pegar uma influência diferenciada, desde Southern Rock ao Hard Rock ao Metal, esse disco tem algo a oferecer (caso queira ir além do senhor Zakk Wylde). É um trabalho consistente, mas nada original e grandioso. Recomendado se você quer ouvir uma banda banda diferente ao ponto de indicar aos seus amigos que tem certo gosto pelo Rock e Metal, mas não sabem se aprofundar no gênero. Em outras palavras, Shinedown é mais um ponto de começo do que um ponto final em uma “carreira sonora de uma pessoa”, ao menos neste álbum.

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Bloodsimple – A Cruel World (2005)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo, Metalcore, Nu Metal, Groove Metal
Gravadora: Reprise

Em seu álbum de estreia, A Cruel World, Bloodsimple se mostra uma banda com um conteúdo lírico de certa pesado, com letras que envolve temas como guerra, falhas em relacionamentos (apesar de não ser tão pesado o tema), paranoia e vício em drogas. Mas tem muito peso no som do grupo composto por Tim Williams (vocalista), Mike Kennedy (guitarrista), Nick Rowe (guitarrista), Kyle Sanders (baixista) e Chris Hamilton (baterista). Mas tem alguns defeitos e erros, que veremos logo abaixo.

Começamos com uma introdução que começa baixa e vira bem barulhenta e atmosférica e então temos uma tremenda porrada caótica, sussurros de Tim e até ouvirmos seus gritos raivosos, e que raiva! E não é só a voz do homem, mas a música possui uma energia pesada, um ódio que está bem visível no nome da faixa, “Straight Hate”. Excelente começo, sendo a faixa mais longa, com 4 minutos e 46 segundos. “Path To Prevail” é emendada a faixa anterior e continua com o peso da anterior, Tim berra como se fosse morrer no outro dia. Riffs poderosos nos cercam unidos a um baixo potente e uma bateria grave e com muita presença. Seguimos com “What If I Lost It”, e aqui Tim Williams se mostra mais versátil, e não é do tipo “apenas grito e berro no microfone”. A música aqui é mais fácil de grudar que as duas anteriores, mas mantém o peso e a criatividade nas músicas. “Blood In Blood Out” é a faixa mais curta do álbum, com 2 minutos e 20 segundos de duração. Música não é das melhores do álbum, mas é empolgante e muito boa para “balançar a cabeça”, assim como as outras anteriores. Destaques para os riffs atmosféricos e pela falta de solos de guitarra ou de qualquer outro instrumento nas faixas anteriores (e posteriores também), mostrando que a banda não precisa de solos e dando preferência a atmosfera.

Então temos a primeira música que soa comercial do álbum, “Sell Me Out”. Tim aqui soa versátil mas, por incrível que pareça, soa como se cantasse no banheiro, mas não deixa de ser um bom vocalista. Como é relatado lá em cima, a atmosfera é o que prevalece, mas honestamente, nessa faixa um solo cairia muito bem. Em seguida temos um momento bem depressivo, uma “balada de macho” chamada “The Leaving Song”. Possui uma harmonia bacana e arranjos bonitos até seu refrão forte e de certa forma impactante. Boa balada. A partir daqui a banda parece que perde sua criatividade, infelizmente. “Running From Nothing” tem uma construção parecida com sua antecessora, mas um refrão muito mais forte e pesado e um começo mais Metal, até sermos encontrados pela interpretação arrastada de Tim Williams e recebermos seus “queridos” berros no já citado forte refrão. Após a segunda repetição do refrão, temos um Tim ainda mais raivoso, com riffs igualmente irritados. Faixa muito potente com um final de arrepiar com o vocalista gritando por mais de 30 segundos! Com certeza deve ter edição de estúdio, mas não deixa de ser impressionante. Apesar de não tão espetacular como as outras, é uma das minhas favoritas pela raiva passada pela banda, que é algo que eu sinto que falta em muitas bandas onde o vocalista berra e grita, como Phil Anselmo do Pantera.

“Cruel World” tem riffs bacanas e a base da canção é bem interessante. A faixa-título, apesar de ser pesada, ela gruda na sua cabeça no seu refrão. Tem uma passagem em sua metade muito desinteressante e desnecessária que diminui a energia da música. Uma pena, pois ela estava ficando interessante. O refrão salva. Temos mais uma depressão, “Flatlined”. É uma faixa interessante pelos detalhes e chata na sua primeira metade. Tem alguns riffs bem simples e que me lembram do Blues e até um pouco de Country na sua influência, até que após o segundo refrão recebermos o retorno do peso das faixas anteriores, que aqui não é dos mais incríveis e originais. Temos quase um solo de guitarra, mas que na verdade é o tema principal da faixa. Faixa mediana. “Falling Backwards” começa com uma porrada na cara, sem mais nem menos e chega a ter semelhanças a uma música de Punk Rock, mas com mais técnica. Das faixas pesadas, é a menos interessante e menos “legal”, se assim posso dizer. Nada muito original aqui, mas o peso é fulminante. Para encerrar, temos “Plunder”, outra balada que tem parentesco musical com “The Leaving Song”. Tem uma harmonia e arranjos bem tristes e com um violão que percorre, aqui a voz de Tim não é das mais agradáveis, pois o cara é melhor no grito, mas não quer dizer que ele canta mal e interpreta igualmente mal, mas é que a voz não é das mais bonitas e fáceis de digerir, como Geddy Lee do lendário trio canadense Rush. É um fim pobre e chato, mesmo havendo uma pequena progressão no som, onde a banda volta a tona, mas não impressiona e chega a ser previsível. E é com um final depressivo que facilmente lembra o Hard Rock que encerramos o álbum.

Para concluirmos, Bloodsimple fez um disco bacana com um excelente começo e que vai perdendo peso e criatividade em detrimento das melodias, arranjos e harmonias depressivas. É um bom álbum com um excelente conteúdo lírico, mas que enfraquece e deixa a desejar. Mas, apesar dos pesares, é uma banda de Metalcore que arriscou em algo diferente, que soa novo e velho ao mesmo tempo. É estranho, mas o respeito é totalmente merecido ao quinteto norte-americano. A Cruel World é uma boa estreia que no futuro viria um disco ainda melhor, Red Harvest de 2008.

As I Lay Dying – Shadows Are Security (2005)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Metalcore
Gravadora: Metal Blade

Metalcore, um gênero que eu costumava considerar o meu favorito. Com o tempo, metalcore me decepcionou pela falta de criatividade e versatilidade. As músicas pareciam ser as mesmas, com exceção de algumas bandas, e geralmente essas bandas não eram puro metalcore. Esse disco do As I Lay Dying, Shadows Are Security, que é metalcore puro, me lembrou justamente desta época.

O disco começa com Meaning In Tragedy, uma verdadeira porrada. Bateria firme e forte, baixo conformado com sua participação, guitarras fazem suas participações, mas quem acaba tomando o destaque para si é o vocalista Tim Lambesis, mostrando toda sua força com seu gutural. A música acaba e já emenda Confined, que também é uma porrada, mas demora um pouco pra engrenar, e quando engrena, soa mais pesada que a primeira faixa. Dave Arthur faz vocais limpos, o oposto de Tim.

Mas o maior problema deste disco é falta de versatilidade e criatividade. Todas as músicas soam do mesmo jeito. E o curioso é os solos de guitarra. Numa música, a guitarra sempre rouba alguns segundos para ter um solo em especial, na maioria das vezes. Neste disco, poucas músicas possuem solos. A falta de solos é ótimo para criar uma atmosfera, mas o ruim disso é para criar músicas singles. Confined é uma música single, e não possui solo. Não que solo seja necessário, mas para alguém que não conhece a banda e ouvir um solo incrível em uma música, geralmente cativa os ouvintes. Mas existe boas músicas sem solo? Sim, mas os caras do As I Lay Dying não sabem, tanto que as músicas com solo soam melhores que as sem solos. Motivo? Por que soa diferente! O disco é sempre igual! Algumas músicas são um pouco melhores que as outras, mas é pouca coisa que muda entre uma e outra. Algumas Dave canta o refrão, como em The Darkest Nights, e é uma das melhores do disco. A última faixa, Illusions, pode ser considerada a melhor do disco, mas nada de espetacular.

Shadows Are Security do As I Lay Dying é um disco cansativo e repetitivo. Não encanta e não trás nada de novo, ficando somente abaixo da média. Pode ser considerado bom ou ótimo somente para os fãs do gênero ou fãs da banda. Se você gosta da banda, é recomendado. Agora, se você quer ouvir uma banda de metalcore, ouvindo algum disco em específico, Shadows Are Security será sua decepção. Escolha outro e salve seus tímpanos.