Como ouvir um álbum

porcupine Tree recordings

O título é pretensioso (isto é inegável), entretanto é percebível que muitas pessoas não sabem como ouvir um álbum, principalmente o público mais novo – mas isto não se mantém apenas para a juventude. Pergunte a adolescentes, jovens adultos e outras faixas etárias como escutam um álbum. A maioria das respostas serão:

“Eu não ouço álbuns. Eu ouço músicas individuais.”

Essas pessoas que dizem isso provavelmente não cresceram ouvindo discos completos, ou pelo menos ouviam em CDs piratas feitos pelos amigos, vizinhos, parentes ou comprados de alguém que nunca tenham visto em sua vida, fazendo com que não apreciam um álbum por completo, pelo seu encarte e sua arte. É compreensível. Eu cresci com CDs piratas (antes da popularização do MP3), pois meu querido pai me influenciou a pirataria, por ser mais barato e acessível, já que tudo que ele gostava poderia ser comprado de forma mais simples do que em lojas e seus preços abusivos.

Algumas destas pessoas podem até ter discos originais guardados em suas humildes residências. Como adquiriram? Ou receberam de presente ou compraram. Quem comprou os discos comprou de seus artistas favoritos, o que não há nada de errado com este fato. O problema é ouvir apenas os discos completos dos teus músicos aclamados, que você idolatra e ama. E antes que o autor deste texto seja mal interpretado, não digo para sair comprando CDs originais (faça isso somente se desejar colecionar). Se estiver interessado em como aprender a ouvir um álbum, é necessário saber porque é melhor ouvir um álbum do que ouvir músicas individuais.

É melhor porque você entende o contexto sonoro que a banda/artista quis passar naquela(s) música(s) que você tanto gosta. Permite você se aprofundar naquilo que a banda/artista recebeu influências e perceber se ele é criativo, experimental, bom, ou se ele é na verdade repetitivo, cansativo, irritante e sem talento algum e você esteve superestimando ele por tanto tempo, fazendo você parecer um idiota. Porém também vale para grupos que você nunca foi fã. Já parou para escutar direito aquelas músicas que seu amigo tanto te recomenda, só que você não gostou delas na primeira vez que ouviu? Já pensou em ouvi-las novamente? Já pensou em ouvir com mais calma, paciência e tentar compreender aquilo que está entrando em teus ouvidos? Pois deveria.

Já teve alguma música que você escutou na primeira vez e disse: “Essa música é excelente!” Mas quando tu mais escutava a música, mais tu achava a música ruim? E já aconteceu o oposto com você, onde aquela música que você considerava ruim, simplesmente tornou-se magnífica com o passar de audições extras? Ou até mesmo uma música que você considerava ótima ficou ainda melhor quando mais tu ouvia ela? E o oposto, onde aquela música ruim ficava cada vez pior? É assim como funciona quando escutamos música. Quando mais ouvimos, quando mais prestamos atenção a música, mais nós nos aprofundamos e percebemos detalhes que antes passavam totalmente despercebidos.

É desta forma que devemos ouvir um álbum: repetir ele de novo e de novo. Ouvir quantas vezes for necessário para digerir o que é transmitido. Entretanto, não basta ouvir ele inúmeras vezes, esperando que ele magicamente será transferido em sua mente. É preciso atenção, como se estivesse lendo um livro. Se estivermos fazendo inúmeras atividades simultâneas, o que você está ouvindo passará despercebido. E, principalmente, ouça música sem ideias pré-estabelecidas. Quanto mais limpa sua mente estiver perante um disco, melhor será a experiência ao ouvi-lo. Se aquela música tiver 10 minutos, sendo totalmente incomum para seu gosto, ouça-a de mente aberta. Talvez essa música possa ser a sua música favorita.

king-crimson-476-lAgora pegue aquele disco em MP3 que você tem guardado em seu computador que seu amigo tanto pediu para você ouvir, porém não gostou e ouça-o quantas vezes for necessária, pois quando você digerir, você poderá opinar sobre ele, sendo capaz defender ou criticar o disco. Se não tem amigo para recomendar a ouvir discos, então lhe darei duas recomendações influentes e incríveis. Se você gosta de Rock, mas quer algo mais além do que você ouve nas bandas consideradas como clássicas, como AC/DC, Nirvana e Guns N’ Roses, ouça o disco de estréia do grupo britânico King Crimson, In The Court Of The Crimson King, lançado em 1969. Combina elementos de Jazz, Folk, Música Clássica com uma execução impecável em um dos álbuns mais importantes dDepeche_Mode_-_Violatoro Rock Progressivo. Se quiser ir além do Rock e partir para algo diferenciado, como música eletrônica, mas que fuja daquela música repetitiva e comum que você encontra em baladas, ouça o aclamado disco do Depeche Mode, Violator, de 1990. Músicas com ótimas batidas em uma sonoridade “dark” fazem deste álbum inesquecível e marcante. Se ouvir os dois, melhor ainda. Porém lembre-se: quanto mais você ouvir, melhor será sua opinião sobre determinado álbum e mais profundo será seu entendido da obra.

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Megadeth – Rust In Peace (1990)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Thrash Metal
Gravadoras: Combat, Capitol

Ontem eu estava pensando sobre o Megadeth, e sobre o ódio que Mustaine sentia pelo Metallica na época que criou a sua banda e com a promessa de fazer uma banda melhor do que o Metallica, mais rápida e mais pesada. O ódio e raiva reinou no Megadeth por décadas, e isso é algo único, parece até historia de cinema e extremamente maravilhoso. Lógico, ódio, raiva e essas coisas não são coisas maravilhosas, não em suas definições, mas pensamos que se não fosse esses sentimentos (que hoje já não existe mais, águas passadas entre Mustaine e a banda de Lars… bom, pelo menos não visíveis) o Megadeth até poderia existir, mas não com tanta ganancia, vontade e peso, e não sei você, mas eu adoro o Megadeth por esses quesitos e por tanto ódio e pela promessa que Mustaine cumpriu, em minha opinião. E em seu quarto trabalho, lançam o seu CD mais bem falado e considerado um dos melhores da música pesada. Agora vamos conferir o que a trupe do ódio fez para ser considerado algo tão bom.

Começamos com dois clássicos absolutos da banda, Holy Wars… The Punishment Due e Hangar 18. E não poderia começar melhor! Holy Wars trás um clima único de raiva, fim do mundo, agitação com solos grandiosos da dupla Dave Mustaine e Marty Friedman, claro, sempre na pancada típica da “banda da vingança”. Hangar 18 é pura agitação assim como sua antecessora e trás solos que são considerados por muito os melhores do Megadeth.A terceira e quarta faixa, Take No Prisoners e Five Magics são bem queridas para os fãs, e com razão, são bem divertidas e com refrões ótimos. Poison was The Cure é uma das mais curtas do disco com 2 minutos e 56 segundos, começa meio arrastada mas ganha peso e me surpreendeu, se torna uma grande música. Hahaha! Com uma risada bruxestica começamos Lucretia, que é uma das minha favoritas do álbum, bem gostosa de se ouvir e o solo é muito bom também. Seguimos com outra clássica, a excelente Tornado Of Souls, sem duvidas um musicão! Ela trás um feeling ótimo, fazendo querer você “headbanguear” por aí, sem falar do refrão e principalmente do solo, sensacional!

Dawn Patrol é algo parecido com uma intro, e a voz de Mustaine está sensacional nela, prepara você ao que interessa, Rust In Peace… Polaris fecha o álbum. E não poderia ser melhor, com a “quase” faixa-título e sendo essa paulada, com grandes momentos, trazendo emoção quando Mustaine repete o estrofe “I spread disease like a dog” “Discharge my payload a mile high”. A canção parece que vai acabar, já que vai diminuindo o ritmo, mas ela volta a crescer e com um detalhe bem legal foi Mustaine rosnando no backing vocal na hora que a música crescia! Com a canção de volta só poderia ser para qualquer um afirmar que é um dos melhores álbuns de Thrash Metal que já ouviu, sem palavras para esse fim.

Extremamente clássico, talvez usei muito essa palavra, mas não existe outra palavra para definir este disco que é considerado a obra-prima da banda (outros dizem ser o Peace Sells, mas acredito que seja apenas por birra e querer ser diferente) e totalmente recomendado para qualquer um amante de boa e pesada música.

Green Day – 39/Smooth (1990)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Punk Rock, Pop Rock, Pop Punk
Gravadoras: Lookout!, Reprise, Epitaph Europe

Na sua estreia de discos o Green Day lança o álbum 39/Smooth, no qual a demanda pelo punk rock (a sua raiz) é o que se destaca, poderíamos até dizer que é um álbum puramente punk, se não fosse a forte influência do pop em seu som, refrões grudentos é a grande prova disso.

Começamos com At the Library, que é a primeira canção do primeiro lado do CD, esse que possuí dois lados, cada uma com 5 músicas. Você já tem uma idéia do que esperar do disco apenas ouvindo a primeira faixa, ela é curta (2 minutos e 28 segundos) e simples, o que o punk é (não leve isso no negativo, só ver o que os Ramones fizeram com sua simplicidade), e ela é boa, refrão grudento que faz você ficar com vontade de cantar, a que eu mais gostei do CD e com certeza um dos destaques. E assim segue todo o álbum. Don’t Leave Me e I Was There são as próximas, talvez aqui você já sabe, se gostou ou não do disco se sim vale a pena seguir com Disappearing. O primeiro lado do disco fecha com a faixa-título, que é uma das melhores dele, com uma linha de baixo e bateria bem interessantes, encerrando bem o primeiro lado.

Going to Pasalacqua  abre o segundo lado do álbum. Boa música, o estilo das outras, claro, continua, assim como 16 e Road to Acceptance, músicas bem legais para você se agitar. Rest é a penúltima do álbum e é a que mais foge do estilo, ela é mais calma, mais parada, mas possuí um refrão típico das suas antecessoras. O disco acaba com The Judge’s Daughter, e ao encerramento você percebe que o disco de estreia dos cara era um som diferente do que o Green Day se tornou (só comparar com o  American Idiot), um som mais cru, direto, e digamos que foi uma boa fusão de punk com pop.