Kyuss/Queens of the Stone Age – Kyuss/Queens of the Stone Age (1997)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Stoner Rock, Desert Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Man’s Ruin Records

Já faz um tempo desde que trouxe a última resenha para vocês não? Inclusive essa não era a resenha que eu queria trazer, mas esse disco já estava nos meus planos, e resolvi dissertá-lo e avaliá-lo pelo fato de não ser um disco comum. Primeiramente, porque é um EP, mas que possui aproximadamente 35 minutos.

O ano é 1997, a mídia havia praticamente ignorado o até então último disco dos californianos do Kyuss, intitulado “…And The Circus Leaves Town”, bom disco, que muitos julgaram ser excessivamente experimental, beirando o inaudível. Um ano antes, a banda lançava como single “Into The Void”, cover do Black Sabbath, e trazia “Fatso Forgotso”, homenagem ao lendário Fatso Jetson, trio que foi um dos pioneiros da cena de Palm Desert. A banda estava sem prioridades, a relação entres os membros já não era tão boa e um bloqueio criativo era iminente.

Nesse mesmo ano, Josh Homme, ainda com 25 anos e com contribuição em todos os 4 full-lenghts do Kyuss lançados anteriormente mostrava que queria algo mais. Neste mesmo ano ele teve a ideia dos Desert Sessions, que era literalmente um projeto que consistia em chamar todos os conhecidos que estivessem interessados e compor sem nenhum objetivo comercial (ao menos é o que ele diz). Nesse período, Josh se distanciou mais do Kyuss, e resolveu criar o Gamma Ray, dessa vez algo mais sério. Devido a problemas de copyright, o nome foi mudado para Queens of the Stone Age, banda que viria a alcançar um posto no hall das maiores – senão a maior – bandas do planeta.

A primeira faixa do disco é “Into The Void”, para um cover, ela cumpre seu trabalho, ficou com uma cara mais stoner e menos doom. “Fatso Forgotso” é considerada por alguns fãs a melhor música da carreira da banda. Chega ser um tanto estranha quando comparada com outras músicas do quarteto, pois embora não seja uma composição ruim, podemos sentir que a banda não é mais a mesma. Isso se confima em “Fatso Forgotso Part II”, faixa curta que encerra os quase 19 minutos que o Kyuss ocupa no EP. Mais do que isso, aqui termina um ciclo. Estão compiladas aqui as últimas gravações de estúdio – todas gravadas no lendário “Rancho de la Luna” – de um dos maiores e mais injustiçados grupos de rock do planeta. Pararam suas atividades no momento certo, para que não manchassem seus trabalhos antigos e conseguissem passar aos seus fãs o que restava da essência do início da carreira.

“If Only Everything” abre o lado do Queens of the Stone Age dando ar fresco ao split. A música que viria a ser regravada no primeiro LP, de 1998, é a melhor do disco. Aqui temos uma mudança brusca, do stoner rock seco para uma pegada de rock alternativo levemente grudento. Também há uma mudança na produção, que desta vez contou com Hutch, engenheiro de som e amigo de Josh. Talvez devido a isso ou a afinação das guitarras que Homme usava com o Kyuss, o áudio desse lado do QotSA faz as músicas do Kyuss parecerem ter sido gravadas em qualquer garagem por aí. “Born To Hula” parece que veio do outro lado. Embora seja mais viva que as demais musicas do Kyuss, tem um riff principal muito marcante e hipnótico, outra grande canção que, junto com a anterior, saiu do EP Gamma Ray. “Spiders and Vinegaroons” é um instrumental que traz o experimentalismo característico das Desert Sessions, mas de uma forma mais viajada que o convencional, trazendo teclados e alguns sons eletrônicos, mudando de forma ao decorrer dos 6 minutos e 24 segundos de duração. Não é uma adição grande, mas fecha o trabalho de forma excepcional.

Este disco é um marco para a cena desert/stoner/fuzz do mundo todo, pois após o fim do Kyuss, muitas outras bandas foram criadas por seus membros. Inclusive o QotSA, onde o prolífico Josh Homme cortou a raiz e fugiu do convencional, não se prendendo ao que fez com seus antigos parceiros e liderando uma banda que passeou naturalmente por todas as vertentes do rock. Vale a pena ouvir, não só pelo que esse “quase full-lenght” representa, mas pela música contida aqui.

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Orange Goblin – A Eulogy For The Damned (2012)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Heavy Metal, Stoner Rock, Sludge Metal, Doom Metal
Gravadora: Candlelight

Após cinco anos sem lançar nada (sendo o último trabalho Healing Through Fire), o Orange Goblin retorna com um pesado e direto disco chamado de A Eulogy For The Damned. A banda composta por Ben Ward (vocalista), Joe Hoare (guitarrista), Martyn Millard (baixista) e Christopher Turner (baterista), que tinham um Stoner/Sludge sujo e cheio de vai e voltas, aqui deixam mais o seu lado Heavy Metal a amostra, mas mantendo o seu som Sludge e Stoner. As dez canções são fáceis de assimilar, em apenas uma ou duas audições já da para saber se vai curtir (ou não) som proposto em A Eulogy For The Damned.

Com uma base pesada, com riffs poderosos e um vocal forte e sujo (e diria até não-versátil e irritante as vezes por parte de Ben Ward), é um disco perfeito para aqueles que tem um amor por aquela sujeira e pancadaria quando fala sobre música. As faixas que se destacam são “Ride Tide Rising”, “The Fog” e a faixa-título, por fazerem um bom trabalho em apresentar a sonoridade do grupo, além da falta de baladas, deixando tudo mais imediato.  O único grande problema é os vocais de Ben Ward, que como já relatei, não são versáteis e as vezes soa irritante. Mesmo que a interpretação e a maneira como canta seja a correta, encaixando no que se pede, ela sempre se mantém a mesma, e isso a torna irritante, parece que você pode prever tudo em relação ao cara, e isso é ruim, com exceção na faixa-título, que acaba lembrando-me de Zakk Wylde em sua introdução. Esse disco é recomendado para aqueles que querem um disco que lembre a época inicial do Black Sabbath, porém com mais energia, ou simplesmente querem ouvir uma banda que te empolga do começo ao fim.

Fresno – Cemitério das Boas Intenções (2011)

Origem: Brasil
Gêneros: Hard Rock, Stoner Rock, Rock Industrial
Gravadora: Independente

A banda gaúcha Fresno lançam em seu Facebook o EP Cemitério das Boas Intenções (belo nome, aliás). O lançamento desse EP só acabou acontecendo por causa que a banda queria lançar um DVD ao vivo, mas devido a alguns problemas isso não ocorreu, e como a banda tem costume de sempre lançar alguma coisa a cada ano, os fãs da Fresno recebem esse EP que pode ser baixado no Facebook dos caras. Para baixar e ter algumas outras informações sobre o EP, precisa curtir a página. Clique aqui para ir até a bendita página. Na pasta onde vem os arquivos, vem as letras do EP, o que é excelente. E agora vamos ao que nos interessa, as músicas!

O EP possui, além de uma capa bem bonita em minha opinião, quatro faixas, sendo três delas inéditas e a última uma acústica de uma faixa do Revanche, CD lançado ano passado, e uma duração que ultrapassa a marca de 18 minutos. E o EP começa com Crocodilia, uma música até pesada, se formos comparar a outras bandas consideradas Rock no cenário atual brasileiro, e que com seu decorrer ela ganha velocidade.  Música que bandas de Hard Rock costumam fazer. Boa faixa pra estrear o EP. Destaque lírico para essa parte: “Não, não, não acredito em inferno, é só uma ilusão, o sofrimento é eterno. Não, não, não acredito em saída, é só uma ilusão, facilita a vida.” Um trecho difícil de ser compreendido se você não parar para pensar ou simplesmente julgar e com o vocal de Lucas Silveira no final da música, ela se torna bem empolgante. Único ponto negativo dela é os teclados do músico convidado Mário Camelo, que são irritantes e não fazem bem a música.

A segunda faixa é A Gente Morre Sozinho, a maior faixa do EP, com quase seis minutos de duração. Um destaque que eu notei nesta parte: “Protegei de todo o mal” Quando Lucas fala “todo”, eu ouço um cuspe. Eu estou imaginando coisas ou realmente tem um cuspe ali? Bem, prosseguindo com a faixa, é audível novos cuspes. Se isso realmente forem cuspes e não imaginação minha, eu não quero ir no show da Fresno tomar banho de cuspe de Lucas Silveira. A música a partir de 1 minuto se transforma em algo mais pesado e é bem contagiante, porém, com bastante emoção, principalmente nas linhas vocais de Lucas. Em 3:10, Rodrigo Tavares participa da faixa vocalmente, mas eu considero a participação dele desnecessária. A música tem riffs muito interessantes e pesados. A letra da faixa é muito boa, e com a interpretação de Lucas ela acaba se encaixando muito bem, não só na música em si, mas em como a Fresno faz a sua música. Se a primeira faixa foi boa, a segunda supera, mostrando que a Fresno, em seus 12 anos de estrada, tem muito a mostrar, não só para os fãs da banda, como para aqueles que não gostam ou até odeiam o grupo gaúcho.

O EP prossegue com a terceira faixa chamada Não Vou Mais. Se nas outras duas músicas, o vocal de Lucas era destaque, aqui o vocal de Lucas começa irritante. Tavares também faz algumas participações nas linhas vocais da faixa, sendo também desnecessárias, mas aqui soa melhor que em sua participação anterior. Apesar da música começar muito fraca e irritante, e até Pop, ela progride e fica muito melhor. Sim, ela começa fraca em tudo, e com seu decorrer, ela fica boa, e depois ela se transforma em algo realmente interessante, e isso inclui as linhas vocais de Lucas e de Tavares, e isso que acaba diferenciando a banda das outras bandas consideradas Rock, como Restart, Cine e NxZero, sendo a mais pesada dentre dessas, além de possuir as melhores letras, como é mostrado neste EP. O final da faixa é incrível, mas apesar de tudo, ela, das faixas inéditas, acaba sendo a mais fraca, tendo um começo chato, e um fim muito bom. Destaque para o baixo nessa música.

Então, nós finalmente chegamos ao fim do EP com a versão acústica de Relato de um Homem de Bom Coração. Pior final para um EP como esse, impossível. Não que seja ruim ter uma balada para encerrar o EP, mas a balada em si não é boa, e além de tudo, ela é uma versão acústica de uma faixa do CD passado, Revanche. Mas, vamos ver algo de bom na faixa, né? Os trabalhos vocais de Lucas estão bons e alguns momentos são bem interessantes e bonitos, mas como eu já disse, ela não é tão boa, ainda mais se formos comparar com as outras três faixas. E em comparação a versão original que está no Revanche, uma das faixas mais bem aclamadas do CD, pode se dizer que até que a versão do EP é superior a do CD. Os vocais de Lucas aqui encaixam em alguns momentos que na faixa original não. Mas na outra mão, a versão do EP não conseguiu pegar aquela força que a versão original tem em seu final. Destaque para a intro da música, na qual Lucas Silveira soa como se estivesse bêbado.

No fim das contas, a banda Fresno lançou um bom EP, que continua com o peso do disco anterior, sem perder a emoção que a banda passa e que faz parte da história da banda, mas que não vai além do “bom”, infelizmente. Liricamente, é ótima, e das bandas que estão na mídia do cenário do Rock, é que a tem as melhores letras, por enquanto. Se você curtiu Revanche, principalmente o lado mais pesado, então o EP cairá muito bem nos seus ouvidos, pois aqui o lado Pop é deixado de lado. Se você quer dar uma chance aos gaúchos e estiver disposto a ouvir a banda, o EP é um ótimo começo.