Genesis – Foxtrot (1972)

Origem: Inglaterra
Gênero: Rock Progressivo
Gravadoras: Charisma, Virgin, Atlantic

Formada em 1967, o grupo britânico Genesis é um dos maiores expoentes do Rock Progressivo e um dos maiores grupos da história, vendendo mais de 150 milhões de discos em todo mundo. Podemos dividir o Genesis em duas fases musicais. A fase inicial no Rock Progressivo, que tinha músicas complexas, estruturas diferenciadas e apresentações teatrais graças ao antigo vocalista, Peter Gabriel. A segunda fase é a fase Pop que começou a partir dos anos 80, que tornou o grupo mais acessível as rádios e ao público. O vocalista (e podemos dizer o grande viajador) Peter Gabriel já não mais fazia parte da banda, este seguia sua carreira solo, na qual nós conhecemos, principalmente após o festival de música SWU.

O disco que será analisado, Foxtrot, é o quarto disco da banda. É o disco que começou dar ao Genesis o caminho da popularidade e de fazer shows em lugares de tamanho mediano. A capa do álbum, que tem uma criatura semelhante a uma raposa, é uma homenagem a uma das fantasias usadas por Peter Gabriel para enfrentar o medo que o mesmo tinha na frente dos palcos. É uma maneira criativa de enfrentar o medo e que deu um charme as apresentações do grupo (e problemas entre a banda, pois Peter Gabriel roubava muito destaque para ele nos shows devido do uso de fantasias).  Por falar no grupo, todos os caras do Genesis são talentosos e juntos fazem um excelente disco. Agora vamos entrar no que é o mais importante e todos queremos saber, a música.

Naquela época, os LPs eram divididos em dois lados. O primeiro lado do disco começa com uma introdução de mellotron (para quem não sabe, é um tipo de teclado) tocada por Tony Banks (além disso faz vocais de apoio e toca órgão, piano e guitarra), que vai progredindo e então ele para, a música volta a ficar baixa e volta a progredir, mas agora a banda fica mais participativa, composta por Phill Collins (bateria, percussão e vocais de apoio), Steve Hackett (guitarra), Mike Rutherford (baixo, guitarra, vocais de apoio e cello) e claro, o vocalista Peter Gabriel com sua voz única (além de tocar percussão, oboé e flauta). A música que abre o disco é “Watcher Of The Skies”, que detém a marca de 7:23 de duração. Uma música viajante e uma das empolgantes do disco e quem sabe uma das melhores músicas, não só do disco, mas do grupo, iniciando muito bem o o álbum. Nada melhor que começar um álbum com uma música que empolga e seja muito boa, certo?

A segunda faixa é “Time Table”, de 4:45. A música mais curta do primeiro lado do LP e é uma canção bem bonita. O refrão dela eu costumo considera-lo grudento. As vezes eu me pego cantando o refrão desta música e nem percebo. A próxima canção dura 8:36, e é “Get ‘Em Out By Friday”. A música, como a maioria deste disco, são grandes viagens progressivas, sendo está tendo seus momentos calmos e pacíficos e outros momentos mais empolgantes que “Watcher Of The Skies”. Uma canção divertida mas um pouco cansativa se ficarmos esperando só ter momentos divertidos, mas não deixa de ser ótima. Para encerrar o primeiro lado do LP temos “Can-Utility And The Coastliners”, de 5:44. É a minha música menos favorita não só do primeiro lado do LP, mas dos dois lados (mas eu ainda gosto dela e é muito boa por sinal). Não é o melhor encerramento para o primeiro lado do LP. É uma música muito bonita e bem viajante, e que com tempo vai progredindo e ficando mais intensa e ainda mais bonita e o só seu final que é agitado e animado, mas é menos memorável do álbum. Acho que o grupo poderia vir com algo mais animado para encerrar o primeiro lado do LP, como a própria “Get ‘Em Out By Friday” ou “Watcher Of The Skies”.

A quinta faixa do LP e a faixa de abertura do segundo lado do LP é “Horizons”, faixa instrumental de 1:41. É a faixa mais curta de todo LP e introduz de maneira excelente a próxima faixa, que também é a última faixa do álbum. É uma das faixas mais clássicas do grupo e de maior duração na história do grupo. Ela começa com estes versos: “Walking across the sitting-room, I turn the television off. Sitting beside you, I look into your eyes.” Falo da grande viagem musical de Peter Gabriel e companhia: “Supper’s Ready”, que tem uma duração próxima a 23 minutos. Ela é dividida em 7 partes, que respectivamente são: “Lover’s Leap”, “The Guaranteed Eternal Sanctuary Man”, “Ikhnaton and Itsacon and Their Band of Merry Men”, “How Dare I Be So Beautiful?”, “Willow Farm”, “Apocalypse in 9/8 (Co-Starring the Delicious Talents of Gabble Ratchet)”, “As Sure As Eggs Is Eggs (Aching Men’s Feet)”. Antes do lançamento de The Lamb Lies Down on Broadway, o ambicioso disco duplo da banda e o último a conter o vocalista Peter Gabriel, “Supper’s Ready” era a canção de encerramento de shows, é um grande encerramento diga-se de passagem.

A música começa bem calma e muito pacífica em “Lover’s Leap”. Ela vai introduzindo canção de uma maneira bem bonita por sinal. E logo em seguida ela fica mais bonita com “The Guaranteed Eternal Sanctuary Man”, que progride e fica mais empolgante e interessante. Após o fim dela, a banda some, e podemos ouvir crianças ao fundo cantando. E então, vamos para a terceira parte, “Ikhnaton and Itsacon and Their Band of Merry Men”, que volta a progredir o som, mas não da mesma maneira como a passagem anterior, mas de uma maneira mais animada e menos “fofa”, se assim posso dizer. Destaque para o solo de Steve Hackett nesta parte. O som regride e vira algo mais depressivo e atmosférico, temos agora “How Dare I Be So Beautiful?”. Ela soa tão depressiva que esperamos que a passagem passa. Ela termina com uma pergunta: “A flower?” E então somos introduzidos a minha parte favorita do disco, “Willow Farm”. É uma viagem estranha da banda, e o vocal de Peter Gabriel não soava tão aguda como em outras seções do álbum. Depois de um som que soa como apito, somos trazidos para outra parte da viagem de “Willow Farm”, que vai continuando e para em “Apocalypse in 9/8 (Co-Starring the Delicious Talents of Gabble Ratchet)”, e novamente ela regride e volta aquela melodia mais bonita no começo da canção. Ela continua e vai nos mostrando uma bela melodia, com uma flauta tocada por Peter Gabriel e então ela progride novamente e fica empolgante, com os teclados comandados por Tony Banks. A música vai seguindo para então, um final épico, digno de uma longa e grandiosa canção, que vai deste esta parte e segue para a próxima parte. “As Sure As Eggs Is Eggs (Aching Men’s Feet)” é o final perfeito para esta canção. Tudo aqui soa como se fosse feito para arrancar lágrimas do ouvinte (e não seriam lágrimas em vão). É lindo, magnífico, e pode se dizer genial. Após as últimas frases de Peter Gabriel, a banda comanda o som até o seu final, que vai regredindo até não ser possível ouvir mais nada.

E assim é encerrado um dos grandes clássicos do Rock Progressivo. Genesis neste disco de 1972 fez um grande álbum que merece todo o reconhecimento que possui. Todos os membros da banda fizeram um trabalho sensacional, seja na execução, na interpretação… A formação deste disco (que é a formação clássica da banda) em seu segundo disco juntos fizeram um trabalho que pode ser chamado de excelente. Recomendado a todos os amantes de música e que não tem preconceitos e que não tem tendências a frescuras como sono, que alguns dizem ser o motivo de não gostar de bandas de Rock Progressivo, como o próprio Genesis e outras bandas como Yes, mas infelizmente requer algumas audições extras.

9 pensamentos sobre “Genesis – Foxtrot (1972)

  1. Como você disse Senna, precisa de audições extras, eu ouvi ele uma vez e não me animei tanto, tirando Time Table, que dá pra viciar facinho *-* Gostei bastante da resenha, ainda mais da parte da Supper’s Ready, você passa a emoção da música para gente.
    Enfim, ouvirei mais vezes e tentar gostar mais, já que o disco de 1973 eu gostei mais, o Selling England by the Pound.
    Tava esquecendo de falar que essa capa é simplesmente linda, dá pra viajar legal nela, tomara que quando eu ouvir o CD aconteça o mesmo xD

    • Comigo foi o contrário. Gostei mais do Foxtrot que do Selling England by the Pound.

      Aquela parte do Supper’s Ready tenho que admitir que foi difícil. Não queria fazer algo gigante, aí tive que me conter um pouco.

      E realmente, Time Table vicia fácil!

  2. Sempre ouço o som do Genesis dos anos de 1972 a 1975 …Foxtrot , Nursery cryme, Selling England by the pound e The lamb down on broadway …

  3. Meus 5 favoritos discos do Genesis:

    1. Selling England by the Pound (1973)

    2. Foxtrot (1972)

    3. The Lamb Lies Down on Broadway (1975)

    4. Nursery Cryme (1971)

    5. Trespass (1970).

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