Steel Panther – Feel the Steel (2009)


Origem:
Estados Unidos
Gêneros: Hard Rock, Glam Metal, Heavy Metal
Gravadora: Universal

Steel Panther é uma banda satírica de Glam Metal que foi formada em 2000. A banda passou por três nomes diferentes: Danger Kitty, Metal Shop e Metal Skool. A banda é bastante conhecida por compor letras bem humoradas e pela aparência exagerada que satiriza o estilo Glam da época de 80. Este é o segundo álbum da banda, o primeiro, que foi lançado quando a banda ainda se chamava Metal Shop e teve um relançamente quando a banda estava sob o nome de Metal Skool, se chama Hole Patrol, em um rápido resumo, posso dizer que o primeiro álbum da banda é formado por rápidos skits e músicas que foram regravadas para o Feel the Steel.

Apesar do Hole Patrol, o Feel the Steel é considerado o debut da banda, já que foi o primeiro a ser lançado por uma grande gravadora. O álbum estreou em #123 e alcançou #98 na Billboard 200, e também alcançou #1 no Billboard Top Comedy Albums. O álbum também ganhou o prêmio Metal Hammer Germany de Melhor Debut. Enfim, após dar uma breve descrição sobre a banda e sobre o álbum, vamos ao que interessa: o conteúdo. Como já dito acima, o Steel Panther satiriza as músicas de Hair Metal aclamados, tais como Bon Jovi, Van Halen e Whitesnake, tendo usado grande influência das bandas em suas músicas.

O álbum começa com a música chamada “Death to All But Metal”, o título já passa claramente a ideia da músicas, mas para os que não entendem, a música fala sobre matar todas as bandas e trazer o Heavy Metal de volta. Logo de cara a música já conta com um solo (que me lembrou os solos de Eddie Van Halen) do guitarrista Satchel. Os vocais ficam por conta de Michael Starr. Como eu já disse, eles são uma banda satírica, as letras geralmente contem muitas palavras de baixo calão e piadas escrachadas, e as vezes conteúdo levemente pornográfico. Essa música conta com a participação do vocalista do Slipknot e do Stone Sour, Corey Taylor. Mas voltando para as letras, para verem como não estou mentindo, vejam abaixo a primeira estrofe da música:

“Fuck the Goo Goo Dolls
They can suck my balls
They look like the dogs that hang out at the mall
Eminem can suck it, so can Dr. Dre
They can kiss each other just because they are gay
They can suck a dick, they can lick a sack
Everybody shout: Heavy Metal is back!”

Como podem ver acima, a banda não se preocupa em compor letras ofensivas e chulas, que, por sinal, são bem encaixadas nas melodias. Na próxima faixa temos a música “Asian Hooker”, que fala sobre o vocalista e uma prostituta asiática. Em seguida temos “Comunity Property”, essa música é meio difícil de explicar, mas a principal frase do refrão é:

“But my cock is community property.”

Caso queiram saber o que significa basta colar no Google Tradutor, pois acho que a tradução seria baixa demais para postar aqui. A próxima faixa é um pouco mais séria, se chama “Eyes of a Panther” e domina bastante no estilo Glam, com um instrumental muito bom. Nossas próximas duas faixas são “Fat Girl (Thar She Blows)” e “Eatin Ain’t Cheatin” essas duas faixas entram no que falei lá no início, “Fat Girl” lembra as músicas do Whitesnake, já a “Eatin” lembra músicas do Van Halen. “Party All Day (Fuck All Night)” conta com a participação do vocalista do The Darkness, Justin Hawkins. Essa lembra as músicas do Bon Jovi, principalmente nos acordes de guitarra. A próxima chama-se “Turn Out the Lights” e temos a presença de M. Shadows, do Avenged Sevenfold, nos vocais.

O resto do disco é totalmente escrachado, mas o destaque vai para a balada “Girl from Oklahoma”. Um dos melhores instrumentais acústicos que já vi, uma música calma, porém, a letra é a mais vulgar e chula do álbum, provavelmente, a mais engraçada entre todas. A música fala sobre uma fã que se envolveu em uma relação sexual com Michael Starr, o vocalista. Bons instrumentais de Heavy Metal e letras idiotas e engraçadas, bom para quem gosta de um humor mais ofensivo. O álbum oficial termina com a faixa acima, mas há uma edição limitada que contém a faixa bônus “Hell’s on Fire”. Um Hard Rock com uma letra que deixa aquele sentido de “You Don’t Say?”, já que a letra fala que o inferno é quente.

O disco tem um fator interessante, que foi a participação de membros de bandas “sérias” que acabaram entrando na brincadeira, cantando letras humorísticas e chulas, falando palavrões e até dando gritos ao lado de Michael Starr. O que aborrece no álbum é a falta de criatividade da banda para a banda, que parece não adotar um estilo próprio, parecendo se basear nos estilos de bandas aclamadas do gênero. Podem dizer que por eu ser alguém que curte mais umas músicas do estilo Metal, não há muita graça em fazer reviews do gênero. Entretanto, eu acho que o Steel Panther merece uma chance, pois tenta e consegue fazer um bom Glam Metal, o que faltou para a banda foi um estilo próprio, que faça a banda ser reconhecida não só por suas letras humorísticas e chulas.

Por fim, basta dizer que “Feel the Steel”, apesar de seus defeitos aqui e ali, é um álbum razoável, vale a pena experimentar para quem gosta do gênero, ou para quem gosta de ouvir músicas debochadas com uma boa sonoridade. Agora, a banda pode melhorar? Eu acho que pode. Fica ao seu critério escutar e decidir sua resposta.

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U2 – No Line On The Horizon (2009)

Origem: Irlanda
Gêneros: Pop Rock, Rock Experimental
Gravadoras: Mercury, Island, Interscope

Até então ultimo album da banda irlandesa de maior sucesso, o U2, No Line On The Horizon foi o responsável para que a grandiosa “360º Tour” acontecesse. E os irlandeses trabalharam no álbum desde 2006 e gravaram até em Marrocos (da onde vem o nome Fez, uma cidade marroquina e também o nome da introdução de uma canção do disco, Being Born), então a ansiedade para muitos foi grande, e todos esperavam um grande trabalho, e também teve a promessa dos integrantes de fazer um som mais experimental, lembrando um pouco Achtung Baby, talvez o rock fosse deixado de lado um pouco.

Começamos com a faixa-título, e já podemos sentir o clima que o álbum te levará, viajante, mas nem tanto (mesmo assim a sensação é boa), e com os destaques sendo a voz de Bono e a bateria de Larry Mullen Jr. A primeira faixa abre bem o CD, seguimos com ‘Magnificent’, essa mais experimental que a faixa-título, com influências eletrônicas mais visíveis, as famosas “batidas” também estão presentes. Outra boa faixa, que dá a entender que No Line On The Horizon se tornou sim um álbum experimental (a banda disse que não ficou tão experimental quanto eles queriam), mas a idéia é parecida com Achtung Baby (álbum de 1991 do U2) só que não tão viajante quanto o lançamento anterior, mas tem pontos que superam Achtung (sem comparar extremamente um CD com o outro), e que é aonde o lançamento de 2009 se baseia: na voz de Bono. Talvez não fizeram um álbum vidrado nisso, mas sem dúvidas Bono é o grande destaque, como tá cantando esse cara!

A terceira faixa é a mais comprida com 7:24, e uma das melhores do álbum (levando para o pessoal: A melhor do álbum). ‘Moment Of Surrender’ possui uma letra que cada vez mais se torna raro de se ver, aparentemente fala de “se render a Deus”. O feeling da canção é interessante, e mesmo a música não mudando entre seus 7 minutos o clima é agradável e não cansa o ouvinte. Para fechar o quarteto de boas vindas ao CD temos ‘Unknown Caller’, outra boa canção, o experimentalismo está presente mas a “veia do rock” na guitarra de The Edge também aparece em um bom solo. Seguimos com a “fofa” e puxada para o lado pop ‘I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight’, canção também boa, cativante até, puxa muito para o lado meloso, mas não deixa de ser boa. A sexta faixa é o prmeiro single do CD, a famosa ‘Get On Your Boots’, e posso dizer com certa firmeza: é a pior música do álbum. Se essa for a canção que você se espelha quando pensa no “novo” U2, está equivocado e convidado para ouvir No Line On The Horizon, ‘Get On Your Boots’ certamente é a mais chata do registro de 2009. E uma faixa que seria um ótimo “boas vindas” (vulgo primeiro single) do disco é a seguinte de ‘Get On Your Boots’, ‘Stand Up Comedy’. A sétima faixa é no mesmo estilo de ‘Get On Your Boots’, mas os arranjos são melhores, mais suaves e inspiradores. Ainda continuo não gostando tanto desse estilo de canções do U2, mas certamente é uma boa canção.

A já citada ‘Fez/Being Born’ é a próxima. Adoro a introdução ‘Fez’, podemos ouvir uma parte de ‘Get On Your Boots’ nela, e dá uma impressão agradável da cidade marroquina. ‘Being Born’ segue a “viajem” de ‘Fez’. Os agudos de Bono junto com o feeling relaxante são os destaques de ‘Fez/Being Born’, uma das melhores do disco. Agora entramos no “trio de despedida”, as 3  últimas faixas tem um clima sensacional de uma despedida, a primeira das 3 é ‘White As Snow’, a fantástica ‘White As Snow’, nada espetacular instrumentalmente, mas aqui o que importa são duas coisas: a voz de Bono e o feeling/clima. E White As Snow mescla esses dois fatores muito bem, uma ótima canção arrastada. Seguindo temos ‘Breathe’, incrível como que mesmo sendo animada ela se encaixa nesse “conceito” de “estou indo embora”. Apenas por ela ser uma das três últimas e que se encaixam lindamente, não colocaria ‘Breathe’ como primeira e principal single, porque merecer, merece! A décima primeira e última faixa é ‘Cedars Of Lebanon’, e ela não é uma faixa ruim, mas esse final dela não me cai, acaba muito “duro e seco”, ainda mais para o final do álbum.

No Line On The Horizon não chega a ser uma viajem daquelas psicodélicas, nem uma viagem em nível Achtung Baby, na verdade ao passar das audições, se você não prestar atenção o disco se torna até meio sem graça e enjoado. Isso é bom, um alerta dizendo que quando você ouve música, não pode ser apenas para o seu passa-tempo ou como se fosse a televisão ligada que você apenas liga e nem sabe o que está passando, preste atenção e pare de reclamar que não se faz música que nem antigamente, tem muita coisa boa hoje em dia, mas se for preguiçoso e sem atenção você nunca saberá e apreciará isso. Com atenção (e com audições extras, U2 no geral sempre precisará de audições extras) No Line On The Horizon se torna um grande álbum, dá para viciar nele facilmente, não é o melhor registro do U2, mas vale a pena dá uma conferida!

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Yudi Tamashiro – Dominar Você (2009)

Origem: Brasil
Gêneros: R&B, Hip-Hop, Dance-Pop, Pop, Pop Rock
Gravadora: Universal Music

Pense em algo extremamente brega, infantil, clichê, fraco, Pop de araque e praticamente uma tentativa de ser equivalente a caras como Justin Bieber e com um conteúdo lírico equivalente ou pior a da banda Restart, e tudo junto forma algo que irritaria até o Mahatma Gandhi. Pensou? Não vomitou? Então você irá quando ouvir esta bela porcaria de Yudi Tamashiro, Dominar Você. São 13 faixas terríveis, que denigrem tudo aquilo que você ouviu. O disco começa com “Intro”, totalmente cafona e feia, e segue na terrível faixa-título. Ele tenta soar romântico em “A Pureza”, mas parece que jogaram uma mistura entre Pe Lu, Luan Santana, Ursinhos Carinhosos e uma privada cheia de merda. E o pior de tudo isso é a clássica “Funk do Yudi”, que só pelo título você deve imaginar como é essa desgraça. Este disco é uma piada, mas daquelas piadas de um gosto terrível. Honestamente, esse disco pode ser facilmente classificado como uma obra-prima, pela facilidade de digerir esse som que entra no seu tímpano e confunde todos os seus neurônios, além de entupir seus miolos com uma musicalidade instável e ridícula. E Yudi é um cantor de dar vergonha. Melhor ficar apresentando seu programa com a Priscila que assim você não fere nossos tímpanos, apenas daqueles que insistem em ligar a televisão para assistir o seu programa infantil. Recomendo a todos que fujam deste disco, principalmente pela capa. Yudi não vai apenas Dominar Você, ele vai Possuir Você. Cuidado!

Throwdown – Deathless (2009)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Groove Metal, Metalcore
Gravadoras: E1, Nuclear Blast

Throwdown é um grupo que se originou do Hardcore e que com o decorrer do tempo, evoluiu para um som com muita influência de Pantera, e eles fazem muito bem isso, porém as vezes soa sem muita originalidade. A banda até seu quarto disco, Vendetta de 2005, era uma banda de Hardcore, mas em 2007 com Venom & Tears, a banda melhorou tecnicamente com a evolução de som, e em Deathless, sexto disco do grupo, apenas continuou um processo natural. A banda composta por Dave Peters (vocalista), Mark Choiniere (guitarrista), Mark Mitchell (baixista) e Jarrod Alexander (baterista), apesar dos pesares, tem potencial e talento, isto é inegável, entretanto, acaba parecendo uma versão mais lenta, densa e, quem sabe, mais pesada que o Pantera, sua mais notável influência. Se quiser confirmar, ouça as músicas no fim deste texto.

Deathless possui 12 faixas, com duração de 54 minutos aproximadamente (que estranhamente aparentam durar muito mais que meros 54 minutos) começa com “The Scythe”, uma porrada iniciada na bateria, seguida de riffs e um grito do vocalista marca a sua intro. É uma das melhores canções do disco e iniciada muito bem, tendo um refrão interessante, que apesar do refrão repetir duas vezes apenas, gruda. E o final da faixa é ótimo. “This Continuum” como dá para notar, ela continua com um tema relativamente parecido de sua antecessora, e possui igualmente um ótimo refrão, e assim como sua sucessora, “Tombs”, o peso remanesce no som do grupo, entretanto, aqui começa a soar mais lento e mais denso, como se tivesse entrando em uma depressão, que continua em “The Blinding Light” com sua introdução de 1 minuto, sendo a faixa mais longa, com mais de 6 minutos. Essas quatro músicas fazem parte de uma “história” feita em videoclipes, divididas em quatro partes, e esta é legitimamente o clipe mais denso dentre o quarteto. Aqui que já podemos reparar uma relação com o Metalcore, que provavelmente não foi proposital parecer que é Metalcore, mas o fim da canção não deixa duvidas que existe a influência e que foi bem usada. Nessa faixa é reparado o uso de teclado ou algum efeito de estúdio no início e fim da mesma. Não é das melhores, mas tem seus bons momentos.

“Widowed” começa acústica, com um violão acompanhado de outros instrumentos como guitarra e bateria até por volta de 1:40, com o desaparecimento do instrumento acústico e sermos introduzidos a voz de Dave após 2 minutos! E aqui é ápice da montanha da tristeza, ou melhor dizendo, o fundo do poço, mas não porque é conteúdo emo, mas é que soa melancólico, porém uma melancolia adulta, em outras palavras, madura. Para alguns pode ser considerada a faixa “água fria”, que esfria toda sua energia e te põe em um estado neutro, pois apesar de todo som depressivo, o peso do baixo e companhia não te deixa necessariamente em mau humor. Mas em “Headed South”, o baixo astral cai fora e então temos de volta a velocidade e a energia que as canções anteriores tiraram. A cozinha no disco faz um excelente trabalho, mas em destaque essa faixa se superam. Destaque para os dois solos de guitarra nessa faixa, muito bacanas e encaixam perfeitamente no que se pede. Na música “Serpent Noose”, temos um ótimo trabalho de guitarra, principalmente no solo principal, além de uma atmosfera que te arrasta para dentro e não deixa sair. Outra canção interessante, apesar de um refrão fraco comparado a outras faixas. “Ouroboros Rising” é outra forte canção, candidata a uma das melhores. Seus riffs, aliados a uma cozinha consistente e um bom refrão são ótimas para levantar o público, apesar do solo estar longe de ser um dos melhores do disco.

“Skeleton Vanguard” tem uma das melhores introduções e que infelizmente os vocais de Dave acabam deixando ela abaixo do esperado em qualidade, com exceção do refrão, que ele faz com maestria. Instrumentalmente é bem empolgante em algumas partes e bem padrões em outras, mostrando nada de novo para colaborar com a imagem do álbum. “Pyre & Procession”, “Black Vatican” e a faixa de encerramento, “Burial At Sea”, acrescentam muito, mas muito pouco a qualidade do disco, tanto é que se tirasse elas do álbum, não faria diferença nenhuma e não iria deixar ele melhor nem pior. Elas estão ali para preencher um espaço que não precisaria ser preenchido, ou melhor dizendo, poderia ser preenchida com canções melhores, não é toa que o disco parece durar mais do que parece, algumas soam parecidas (muito pouca). Tanto é que se formos eliminar canções do álbum, no mínimo é possível tirarmos 4 canções ou mais. E para encerrar, “Burial At Sea”, é um bom final, apesar dos pesares, mas poderia haver um final mais interessante.

Concluindo, apesar de possuir temas mais pessoais, e um tom mais depressivo, Deathless é um disco de peso quase certeiro, senão fosse por certos momentos, porém não tem grandes novidades. Não tem ideias novas e algumas chegam a serem cansativas, porém é uma boa banda e um bom disco. Se você gosta de Pantera, Sepultura, e outros grupos de Groove Metal, esta banda não é uma má escolha para ser honesto, porém você não receberá uma recompensa musical gigante como deveria. Deathless é altamente recomendado para fãs do gênero, da banda (tirando os fãs do antigo som da banda), ou para aqueles que querem se achar “cult” na cena do Metal atual, já que a MTV e a revista Revolver consideraram a banda como parte do “futuro do Metal”, se quiser confirmar, ouça.

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Our Lady Peace – Burn Burn (2009)

Origem: Canadá
Gênero: Rock Alternativo
Gravadora: Coalition Entertainment

Em seu sétimo disco de estúdio de estúdio, os canadenses do Our Lady Peace, banda composta por Raine Maida (vocais), Duncan Coutts (baixo e vocais de apoio), Steve Mazur (guitarra, piano, percussão, vocais de apoio) e Jeremy Taggart (bateria, percussão e vocais de apoio), fazem em Burn Burn uma mistura do comum e do incomum, em outras palavras, misturam um som popular com um som peculiar em certos momentos que são interessantes. O álbum possui 10 faixas  uma duração de 38 minutos, sendo o trabalho de estúdio mais curto da banda. Veremos agora o que tem bom neste álbum.

O álbum começa com “All You Did Was Save My Life”, uma canção com cara de single (não é a toa que foi o primeiro single do disco) e é bem chicletuda, ou em outras palavras, grudenta. Ela começa calma e fraca, mas evolui e fica bacana. Canção com cara de Nickelback. “Dreamland”, terceiro e último single lançado, tem um início parecido com sua antecessora, mas começa mais depressiva e sua evolução para o refrão soa uma mistura de Hard Rock e Country Rock. Se não fosse por sua introdução, que achei de certa forma feia (e como já disse, depressiva), poderia estar em uma trilha sonora da novela das 8 (isso foi um elogio). Em “Monkey Brains” as coisas ficam divertidas. Com uma influência do bom e velho Funk em algumas partes e distorções de guitarras legais, temos uma composição muito boa, mas possui defeitos. Na metade da canção temos uma seção acústica é longa demais, perdendo toda a força a canção. E outro defeito é a falta de vocais de apoio na canção. Umas vozes a mais deixariam a música bem doida, algo que ela quase é se não fosse por esses pequenos defeitos. O segundo single do álbum, “The End Is Where We Begin” é uma canção atípica, com uma introdução feita no teclado, que vão de lado direito a esquerdo, até a banda entrar. Aqui já dá para termos uma noção que o vocalista Raine Maida não é um qualquer “zé ruela”, mas não é aquele vocalista que irá marcar seus ouvidos como um dos melhores. Um instrumental bacana que acompanha uma canção viciante e talvez uma das melhores do disco, e encerra como começa.

A quinta canção, “Escape Artist”, é o mais próximo que eu consigo definir como balada nesse disco, pois todas as canções tem passagens pacíficas e outrora distorções maníacas na guitarra, isso até chegar em “Refuge”. É a canção mais fraca do disco, tendo momentos bonitos, mas é só isso. Nada especial. A sétima faixa inicia com um piano e se chama “Never Get Over You” e é outra balada que tem seu piano rolando pela faixa toda. É uma bela canção com um solo de guitarra igualmente belo. É o que podemos chamar de canção feita com o bom gosto. “White Flags” começa com sintetizadores e guitarra unidas como se fossem uma só e vira um Pop Rock bem divertido. Boa faixa. “Signs Of Life” é a próxima e aqui Maida e companhia foram para o bar, enxeram a cara e resolveram fazer uma música de corno. Brincadeiras a parte, Maida realmente soa meio “bêbado” numa canção bonita porém nada extraordinária. Aqui soa como aquela música que entrou para fazer número. O álbum encerra com “Paper Moon”, canção que inicia de uma maneira bem influenciada por “Blackbird” dos Beatles. Ela é excelente e de bom gosto, tendo uma distorção/solo de guitarra muito bom, finalizando o álbum positivamente, e além de ser a faixa correta para encerrar o álbum é junto com “The End Is Where We Begin” as melhores canções.

Em seu sétimo disco de estúdio, o Our Lady Peace fez um bom trabalho e é inegável que a banda é boa e merece um destaque a mais ao invés de certos grupos canadenses, como Nickelback e Three Days Grace, mas mesmo assim, a banda não é extraordinária que você deve escutar antes de morrer. Tem seus bons momentos, outros ótimos e outros que poderiam muito bem ficar guardados numa caixinha jogada no oceano. Vocalista Raine Maida as vezes é atrativo e as vezes é um pé no saco, o que pode afastar novos ouvintes, mas algo que não dá para negar, esse cara é único. E gosto de bandas com vocalista único, que você só ouve naquela banda, diferente de grupos como Paramore, onde temos várias Hayley Williams espalhadas por aí nesse mundo. Agora é esperar pelo novo álbum da banda, que será lançado esse ano!

Pain Of Salvation – Linoleum (2009)

Origem: Suécia
Gêneros: Rock Progressivo, Metal Progressivo
Gravadora: InsideOut

Antes dos lançamentos dos polêmicos álbuns para os fãs da banda, a dupla Road Salt One e Road Salt Two (que por acaso já foi publicado anteriormente), tinha um EP chamado Linoleum lançado em 2009, que Daniel fez questão de lançar para diminuir o choque que os fãs poderiam sofrer ao ouvir o novo trabalho completo da banda e também para saber o que eles deveriam esperar. Uma atitude muito bacana por parte do homem. A banda é a mesma dos dois Road Salt, então não é necessária apresenta-lá já que ali em cima você pode clicar no link e aproveitar e conferir a resenha sobre Road Salt Two.

O EP possui seis faixas e uma duração que ultrapassa a marca de 29 minutos e começa com a faixa-título, que foi lançada no primeiro Road Salt. Aqui não tem uma diferença sequer para a “versão principal”, assim diremos. “Linoleum” é uma faixa que além de ser sensacional, ajudou a banda comercialmente na Europa, merecidamente. Empolgante, envolvente, essa faixa te fará pular, relaxar, gritar… Uma grande composição da banda e quem sabe a melhor faixa do EP e também uma das melhores da dobradinha Road Salt. Destaque para os teclados chamativos de Fredrik e para as vozes de apoio de Johan e Léo. Incríveis, para não dizer lindas. Prosseguimos com “Mortar Grind”, que pode ser encontrado no Road Salt Two, entretanto, aqui tem um pouco de diferença. Na versão do EP, a música é mais aguda, principalmente o refrão é mais agudo, enquanto no lançamento de 2011 é mais grave. Até o final tem alguns detalhes diferentes que dificultam em dizer qual versão ficou melhor. Como eu já me acostumei, prefiro a versão do Road Salt Two. Sobre a faixa, destaque para a linha de bateria de Léo e os gritos de Daniel, que chegam até ensurdecer o ouvinte, mas não deixam de serem contagiantes. Outra ótima faixa!

Após isso, temos agora uma viagem e de certa forma, com um pouco de… Drogas? Não que a música faça apologia as drogas, mas “If You Wait” soa totalmente feita com influência de drogas. Ela é estranha mas de certa forma é, além de viajante, é ótima. Se um dia eu tiver a capacidade de usar alguma droga, eu estarei ouvindo ela, com total certeza. Destaque para, além do excelente instrumental, a voz de Daniel Gildenlöw, que “arrasa quarteirões”. Das faixas inéditas, “Gone” é a última, sendo também a mais longa, com quase 8 minutos de duração. Começa direita, com um instrumental calmo, seguida da voz de Daniel,  e vai progredindo em um Rock Psicodélico e pesado. A interpretação do já citado vocalista é fora de série, e após a segunda repetição do refrão, ele faz um agudo inesperado e podem até achar bisonho, mas ainda continua bom, por incrível que pareça. E o seu final, extremamente inesperado e muito, mas muito pesado. Um dos momentos mais pesados não só do EP, mas do Road Salt One e Two, e é tão imprevisível que você acaba achando que é outra música, mas ainda é a poderosa “Gone”, que poderia fazer parte de Road Salt Two com facilidade. Aqui não é possível destacar um membro apenas da banda. Todos fazem um trabalho espetacular.

E então, com o fim desta sonora porrada, temos “Bonus Track B”. Uma faixa satírica que tem uma chuva durante a faixa toda, que dura 2:27. Nessa faixa a banda faz uma sátira as faixas bônus. De certa forma é engraçada e vale a pena, mas, honestamente, é desnecessária (como os próprios soam na conversa gravada), assim como a próxima faixa, “Yellow Raven”, cover da banda alemã Scorpions. A última faixa começa com uma trovoada,  sendo como uma emendada de faixa. É um bom cover, muito envolvente e encaixa muito bem com as quatro outro faixas (e a conversa satírica), destaque para a guitarra tocada por Johan, muito linda, além, claro, do maldito vocalista e o cérebro da banda, Daniel Gildenlöw, que eu admirado muito, e no fim, ela é encerrada com o mesmo som de trovão do começo da faixa. É um bom final, mas “Gone” seria perfeita. Mas para entender o porque de “Yellow Raven” encerrar o EP, entenda “Bonus Track B”, pois isso vai ajudar um pouco, creio eu. Em comparação com a canção do álbum “Virgin Killer”, a versão original soa mais suave e emocional, enquanto a versão da banda sueca soa de certa forma mais forte e intensa. Ambas versões são ótimas, mas encerrar com cover é a mesma coisa que encerrar um álbum com uma “Hidden Track”, ou seja, falta de criatividade, o que o Pain Of Salvation tem de sobra.

Com este lançamento, a banda fez bem sua missão em preparar os fãs para o que viria nos dois anos posteriores. Possui canções empolgantes e emocionais, outras densas e profundas… Mas não um dos melhores lançamentos do grupo, infelizmente. Se quiser começar pela banda de uma maneira leve, este EP é um bom começo, mas lembrando que a banda de Daniel Gildenlöw nunca repete seus álbuns (que por acaso são todos conceituais) e todos requerem algumas audições a mais para avaliar melhor e entender o que se passa nele (o disco Be de 2004 é um claro exemplo disso), mas que no fim enriquecerá seu gosto musical, isso eu tenho a total certeza.

Three Days Grace – Life Starts Now (2009)

Origem: Canadá
Gêneros: Metal Alternativo, Pós-Grunge, Hard Rock
Gravadoras: Jive, RCA

Em 2009, é lançado o terceiro disco da banda canadense Nickelback… Digo, Three Days Grace. Se você não entendeu o motivo de eu chamar a banda composta por Adam Gontier (vocalista e guitarrista secundário), Neil Sanderson (baterista e vocais de apoio), Brad Walst (baixista) e Barry Stock (guitarrista principal) de Nickelback, banda de Chad Kroeger, é que além das duas bandas serem do Canadá, são executadas em excesso nas rádios americanas e odiadas, muito odiadas (equivalente a nossa Fresno e NxZero, ou seja, ame ou odeie). Pelo menos o vocalista do Three Days Grace é mais versátil e bom, mas chega de comparações que não levaram a nada.

Life Starts Now é o terceiro disco da banda, sucedendo o sucesso comercial de One-X, que tinha hits como a melosa “Pain” e com sua letra parcialmente “profunda” e parcialmente tosca (e ruim), “Riot”, “Never Too Late” e “Animal I Have Become”. Esse último disco do grupo tem seus hits sim, sendo eles também quatro (quatro músicas com sucesso comercial começou graças ao Creed e sua malditas letras choronas e inofensivas). Todas as músicas neste álbum são fracas e pobres no quesito letra, então vamos ignora-las e irmos somente a parte que todo mundo que não entende Inglês gosta (ou ama): a música mais a voz do cantor.

O disco começa com força, com riffs pesados e até tensa se assim posso dizer. “Bitter Taste”, provavelmente a segunda faixa mais pauleira, abre o disco da maneira certa para uma banda de Metal e errada para um disco comercial, o que é perfeito para a banda financeiramente. Tendo esses dois lados, um não comercial e outro comercial, a banda pode ter o dobro de fãs… Se bem que até para o Metal está comercial esse disco. Bob Rock aprova! Sobre a música, é notável que o grupo é bom, fazendo uma letra que não é boa soar até “épica”. Ótimo começo! O disco prossegue com “Break”, o primeiro single do álbum. Faixa animada e divertida, porém boba. Em seguinte temos outros singles, como a tenebrosa e igualmente melosa “World So Cold” (apesar de ser boa), a totalmente inesquecível, chata e dona de uma péssima introdução “Lost In You” e a faixa mais ridícula do álbum, cheia de regozijo, “The Good Life”, com uma voz robótica que não sei como acharam que seria legal por ela após o refrão, sendo também a faixa mais curta do disco, com 2:53 de duração. Outra faixa que poderia fazer parte dessa seção radiofônica é a irritante e com uma intro parecida com “Lost In You”, essa canção é “No More”, que pelo menos no refrão não é chata, diferente da música comparada.

Agora é a hora de lágrimas descerem de suas pupilas. Com uma introdução de piano típica de uma banda de Hard Rock e que com tempo vem um violão brega e mais tarde uma distorção de guitarra, “Last To Know” tenta soar depressiva e melosa, mas consegue soar irritante e equivalente a “Untitled” do Simple Plan, ou seja, boa coisa com certeza não é! Outra faixa para a seção radiofônica. “Someone Who Cares” é próxima e parece que aqui está menos radiofônico, apesar de uma introdução muito feia, especialmente nas linhas bateria. É a canção mais longa, com 4:52. “Bully”, junto com “Bitter Taste”, são as porradas do disco. Introduzida com sons de crianças agitando uma briga (E que antes da música começar, uma velha fala uma frase em apoio a briga! Que feio Three Days Grace! E eu achando vocês inofensivos…). A música com seus riffs de guitarra “badass”, e pode ser considerada juntamente com “Bitter Taste” as melhores faixas do disco, não porque são pesadas, mas que não soam tão comerciais como soam as outras. Nessas duas músicas citadas, a banda parece que quer por seu máximo no som. Se não fosse por essas duas, a banda nem seria capaz de ser considerada Metal Alternativo. As três últimas faixas são um fim fraquíssimo e decaem o álbum, tendo de bom só o curto solo de guitarra em “Without You”, bem melódico e bonito por sinal. As outras duas faixas, “Goin’ Down” e a faixa-título, são faixas bem ruins e não é aquilo esperado para encerrar um disco. “Goin’ Down” com seus riffs Hard Rock padrão (e uma distorção terrível) e a faixa-título com sua inacreditável capacidade criativa para criar algo que fugisse do conhecido encerramento Hard Rock: balada! Essa última balada é inesquecível no mundo invertido. Pobre, comum e de mal gosto, dando um fim a algo que nem deveria ser escutado até o fim.

Em resumo, Life Starts Now é uma tremenda porcaria, feita apenas para ser comercial (tirando alguns bons momentos), em outras palavras, para que o público que gosta de músicas compostas por Creed, Alter Bridge e o próprio Nickelback, seja vendida com facilidade. Não digo que todas as bandas são ruins, mas todas essas citadas, TODAS, fazem música para ser comercial. Todas as bandas tem bons músicos que não fazem algo diferente, ou melhor dizendo, algo ofensivo, que as pessoas se preocupem com aquilo que ouvem, que chamem a atenção da mídia, pois isso é uma qualidade que o Rock perdeu. Você por o peso na música, guitarras distorcidas, mas com letras como dessas bandas citadas, você nunca será ofensivo, será aquele animalzinho de estimação que só come e caga, como o peixinho de aquário ou o passarinho fofinho que fica voando em uma gaiola. Em outras palavras, Three Days Grace, Alter Bridge, Nickelback e Creed fazem parte do gênero vulgarmente conhecido como “Rock Bunda-Mole”. Disco totalmente recomendado para fãs de “Rock Bunda-Mole”.