Os 11 piores discos de 2012, por Andrews Senna

Final do ano chegando e por diversos blogs, sites e revistas especializados em músicas, várias listas de melhores do ano são criadas, e em alguns casos, de piores do ano. Eu decidi fazer minha própria lista de melhores e piores discos do ano, entretanto, antes de lançar a de melhores, lançarei a de piores, pois para mim é mais fácil selecionar os piores discos que eu ouvi em 2012 (sem contar que tem álbuns que eu queria analisar, mas não obtive tempo para isso), já que neste ano tivemos muitos discos de ótima qualidade (em Janeiro minha lista de melhores será publicada).

Não sou o tipo de pessoa que procura ouvir discos ruins só para criticar aqui em meu espaço, mas sempre procuro dar uma oportunidade ao artista. Em alguns casos, o disco é uma decepção ou uma tremenda porcaria, e eu, como um crítico amador que sou, preciso compartilhar o que penso destes álbuns. Irei citar os 11 piores discos do ano na minha opinião, contando discos internacionais e nacionais, de qualquer gênero. O que importa mesmo nessa lista é o quanto eu os deprecio.

Lembrando claramente: posso considerar o disco ruim, horrível, péssimo, etc… mas isto não quer dizer que eu desrespeito o artista/músico autor do álbum, eu apenas acredito que o álbum poderia ser muito (mas muito) melhor. E para aqueles que querem saber o porquê da minha lista ter 11 álbuns, ao invés de 10, é porque eu gosto de ir um passo além. Então aproveite e confira. Aqui vai minha lista dos piores discos do ano.

11. Fresno – Infinito

Infinito

Analisando bem, Infinito não é um disco ruim e por si só não merece estar nessa lista, sendo este o melhor disco da banda. O problema é que, além de algumas canção fraquíssimas como “Seis”, temos ideias não inovadoras sinfônicas, uma influência visível do Muse (tão visível que chega a dar vergonha), sem contar as canções que não arriscam em nada e são feitas, tocadas e cantadas de forma segura em quase todo o disco, na realidade são diversos passos para trás que a banda fez, simplesmente se compararmos com o EP Cemitério das Boas Intenções, do ano passado. A saída do baixista Rodrigo Tavares afetou fortemente o grupo gaúcho.

10. Kamelot – Silverthorn

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Uma banda que mistura os elementos cansados e masturbatórios do Metal Progressivo com o manjado Metal Sinfônico (que não aproveita o total potencial de uma orquestração) e as idosas ideias do Power Metal fazem com que esse disco envelheça ainda mais rápido, além claro de composições abaixo da média e um novo vocalista não convincente. Se você já conhece o grupo e não gosta, definitivamente este não álbum não irá te agradar. Se for fã da banda, é provável que a sonoridade proposta aqui seja a seu gosto.

9. NXZero – Em Comum

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Eles tentaram, eu admito isto. O grupo paulista realmente tentou amadurecer e fazer canções para um público mais velho, mais maduro, mas ainda sim mantendo contato com seu público fiel. A banda não consegue fazer isto por trazer canções tão falsas em sua mensagem como uma nota de 7 reais, uma mistura de Blues e Bossa Nova que não soa certa e por não tentarem arriscar a sua fórmula de compor as músicas (seja musicalmente como liricamente). É uma maré muito aguada este disco.

8. The Smashing Pumpkins – Oceania

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Você já encontrou um disco que, por mais que você ouça-o inúmeras vezes, ele entra por um ouvido e sai pelo outro? Esse é o resumo de Oceania, o novo álbum de estúdio dos Smashing Pumpkins, liderado pelo vocalista careca Billy Corgan. A única coisa do disco que fica na sua memória são as linhas vocais de Corgan, que são tão horríveis e sofríveis e alguns momentos que você quer matar filhotes de coelhos, para você ter uma noção do quão ruim são.

7. Circus Maximus – Nine

Circus_Maximus_-_Nine

Após a estréia da banda em 2005 e Isolate de 2007, a banda lança um novo disco depois de 5 anos, trazendo uma decepção chamada Nine. Mesmo que o Metal Progressivo do grupo seja fortemente influenciado pelo Dream Theater, ainda tinha uma personalidade própria em canções memoráveis, principalmente nos vocais do norueguês Michael Eriksen. Em Nine, toda a “vida” que o grupo passava por sua música se foi, e os vocais de Michael estão tão fracos e apagados que você não irá reconhecer o homem.

6. Gloria – (Re)Nascido

Gloria - (Re)Nascido (2012)

Por mais que o grupo diga que renasceu, que amadureceu, que evoluiu, não é possível dizer que o grupo melhorou consideravelmente. Se ouve melhoras? Sim, contudo, a banda ainda continua medíocre e nesse álbum apresenta uma das piores mixagens/masterização/produções da história da música brasileira, além de apresentar um Metal bem fraco comparado a outros lançamentos de 2012. Não adianta ter um baterista fenomenal como Eloy Casagrande e escrever um material tão fraco como escrito aqui. Se a produção do disco fosse melhor, quem sabe o disco saísse dessa minha lista?

5. Maroon 5 – Overexposed

maroon 5

Eu já sabia que os americanos do Maroon 5 não eram lá grande cousa. Tinham algumas canções que eu gostava, apesar de saber o quão ruins eram, como “Wake Up Call” e “Makes Me Wonder”, e saber que a imagem de “macho alfa” que Adam Levine e companhia queriam passar em suas letras eram ridículas. Em Overexposed, o grupo simplesmente lança o seu pior álbum, com canções irritantes, cheias de parcerias com rappers que nada tem a ver com a banda (um destaque principal para Wiz Khalifa, um dos piores rappers existentes da atualidade), além de um auto-tune pavoroso, que deixa a voz de Adam ainda mais insuportável. Senhoras e senhores, Maroon 5 se vendeu, e o resultado não foi bom.

4. Muse – The 2nd Law

Muse 2nd law

Muse é uma das bandas mais superestimadas dos últimos anos, isto é inegável, ainda mais quando você ouve esse “troço” chamado The 2nd Law. Muse tenta agradar diversos públicos ao mesmo tempo e lança um álbum incoerente e sem pé, nem cabeça. As músicas deste disco atingem um nível de mediocridade inigualáveis na história da banda. O pior de tudo é que quanto mais eu ouço as faixas que eu gostei do disco (as 5 primeiras), mais eu as odeio e mais eu odeio outras músicas do Muse. Se você diz que tem bom gosto e ver este disco em alguma loja, por favor, queime-o.

3. Attack Attack! – This Means War

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Alguém poderia me explicar por que bandas como “Attack Attack!” existem? Já não bastava lançar uma das piores músicas já feitas (incluindo um dos vídeos mais toscos já visto pela humanidade), os caras lançam o seu terceiro disco que poderia ser chamado de “tentativa de suicídio” ao cérebro. Com uma agressividade plastificada e uma profundidade lírica (e musical) equivalente a de um pires, This Means War é um álbum para não passar por perto nem que seja necessário. Evite a qualquer custo o pior disco de “Metal” (se é que podemos chamar isso de Metal), pelo seu próprio bem.

2. Chris Brown – Fortune

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Em resumo, Fortune é um dos discos mais insuportáveis da década. Chris Brown e sua redundância nas letras e sua tentativa de ser Usher sempre são visíveis e sempre irritam. Um R&B repetitivo, que além de não inovar, apenas cansa um gênero que o próprio Usher fez com que tivessem diversos imitadores. Sorte a nossa (de quem quer ouvir boa música) que temos alguém como Frank Ocean para salvar um gênero que se transformou em comum. Se você quiser uma visão mais completa dessa atrocidade, clique aqui e confira o porquê deste álbum ser tão ruim ao ponto de estar em segundo lugar nesta lista.

1. Strike – Nova Aurora

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Este disco é um pesadelo com vida própria. A banda se iguala ao Nickelback em nível de ruindade (em outras palavras, nivelaram como piores bandas do mundo). Os vocais pavorosos de Marcelo Mancini Almeida são totalmente o oposto de sutileza, assim como os de Chad Kroeger. Entretanto, Strike consegue superar o grupo canadense com canções que poderiam estar no último álbum da banda Restart – o também ruim Geração Z -, mas com letras piores ainda, incluindo citações pavorosas a Charlie Sheen em um ritmo totalmente chupado de Blink-182 e Charlie Brown Jr., sem personalidade nenhuma. Até hoje não entendo como a banda conseguiu um hit com a pior música do ano, “Fluxo Perfeito”.

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Fresno – Revanche (2010)

Origem: Brasil
Gênero: Rock Alternativo
Gravadora: Universal Music

Eu não pretendia fazer este texto. Eu iria deixar esse disco passar por mim. Talvez no futuro eu opinasse sobre Revanche, o quinto disco de estúdio deste grupo gaúcho conhecido como Fresno, mas não consigo esperar mais. Eu tenho que escrever o que eu penso sobre o disco. O motivo é que para os fãs do grupo, Revanche é um bom disco, e de acordo com eles, a banda voltava a lançar um bom disco, como lançou em 2006 com Ciano (que seria o melhor que eles já lançaram), pois quando a banda lançou Redenção em 2008, com uma pegada bem eletrônica e pop, a banda estava se vendendo ao seu produtor, Rick Bonadio, e fazendo música comercial e ruim. Eu discordo plenamente disto. O que faz de Revanche um disco ruim em minha opinião é o quão solto e espelhado ele é. Não entendeu? Eu explico melhor.

A banda de Lucas Silveira, Gustavo Mantovani (Vavo), Rodrigo Tavares e Rodrigo Ruschell (Bell) queriam ser uma banda de Rock, diferente daquilo que foi em Redenção. O produtor do grupo na época, Rick Bonadio, não aprovou a ideia, e tentou equilibrar as coisas para que continuasse comercial e acessível. O problema que isto gerou é o quão diversificado esse álbum é. Mas não me entenda mal. Assim como Lucas, eu gosto de um disco que seja diversificado, mas quando essa diversificação há uma conexão, algo que faça parecer que aquelas canções tão distintas tenham uma relação, algo que aconteceu no disco de estréia do supergrupo norte-americano, Flying Colors. Em Revanche você tem faixas que com uma pegada Hard Rock e outras que beiram nas terras do Restart (!), de tão absurdo que isto é. E por mais ruim que Redenção seja na cabeça dos fãs, nele você percebe uma ligação entre os elementos e ideias propostas, algo que falta em Revanche.

A faixa-título, “Relato de um Homem de Bom Coração”, “Die Lüge” e “A Minha História Não Acaba Aqui” são as faixas mais pesadas do álbum. Ou melhor dizendo, são as faixas pesadas do álbum. O restante, ou são músicas baladas extremamente lentas, que aparentam chegar a lugar nenhum, ou músicas que o grupo britânico liderado por Chris Martin, Coldplay, tocaria em um de seus discos mais depressivos, ou um Pop Rock que soa totalmente deslocado e sem nexo. E algumas dessas músicas soam como fillers, preenchedoras de espaço. Canções fracas que não sabe porque diabos fazem parte do álbum, como “Não Leve a Mal”, “Esteja Aqui”, “Se Você Voltar” e a já citada “A Minha História Não Acaba Aqui”. O que piora para o disco são os terríveis timbres de teclado. Infelizmente, Mario Camelo não fazia parte da banda nesta época, e as vezes temos atrocidades horríveis que deixaria até o “roqueiro cristão” Neal Morse assustado. E não podemos esquecer do encerramento do disco, uma balada intitulada “Canção da Noite (Todo Mundo Precisa de Alguém)” que tem a coragem de ter um refrão um plagiamento de “Amo Você” do Barney. Sim, aquele dinossauro roxo! Não acredita? Ouça as duas e compare as duas. E mesmo se o meu humor não for bom o plágio não existir, é um fim fraco se compararmos com o hino da banda, “Milonga”, também do Redenção.

Apesar dos pesares, a banda lança boas canções, como a faixa-título, “Relato de um Homem de Bom Coração”, “Die Lüge” e na excelente balada “Porto Alegre”. Mas mesmo nos melhores momentos, a banda consegue deixar “menos melhor”, com os ataques horripilantes de teclado e alguns versos que conseguem matar ereções de cavalos, de tão ruim que são. Exemplo disso é em “Die Lüge”: “Mas olha só pra você, ficou horrível sem mim! / Achou que ia arrasar… mais de mil caras afim… / Mas qualquer um pode ver /Que você é de mentira (Que só eu mesmo acreditei)”. São estes versos raivosos e adolescente que mancham uma boa faixa, que além de possuir um refrão explosivo, possui uma introdução que caso fosse mais lenta, acabaria soando algo vindo de Steven Wilson e/ou do Porcupine Tree (qualquer coisa que me lembre de Steven e/ou do Porcupine Tree em relação a música é um grande elogio).

É. Revanche é um disco que mesmo tendo seus prós, são os contras que pesam mais. Os refrões explosivos, o trabalho de guitarra da dupla Lucas e Vavo, a cozinha consistente de Tavares e Bell, no fim das contas não conseguem esconder os pontos fracos do quinto disco de estúdio do grupo gaúcho, que possui muitas falhas e uma tremenda falta de nexo, que faz parecer aquelas compilações caseiras, onde misturam Slipknot, Luan Santana e Adele em um mesmo disco. Por mais que eu admire a banda em certos aspectos, é inegável que Revanche não chega perto do que estes caras podem alcançar, e a prova disso está no lançamento que segue Revanche, o EP Cemitério das Boas Intenções. Com apenas quatro faixas, a banda se manteve mais consistente e com uma ligação entre as faixas que Revanche nunca chegou perto de ter. Se você quiser conferir algo da banda e dar uma chance, ouça Cemitério das Boas Intenções. As intenções, tanto minhas como do grupo, são as melhores.

Track 1: “Infinito”, por Fresno

Olá, caros leitores do blog Images & Words. Você deve ter percebido na falta de textos nos últimos tempos, infelizmente. Nós, escritores do blog, não estamos dando conta de fazer resenhas constantemente. Por isso, para deixar as coisas mais fáceis para todos e para que vocês possam ter algo para ler, haverá uma nova coluna. A coluna será chamada de Track 1, onde o escritor irá escrever sobre uma música em especial. Os requisitos mínimos para um texto Track 1 é que a música seja mais atual possível, que seja um single e que de preferência tenha um videoclipe ou um vídeo oficial lançado pelo artista/banda. Caso queira sugerir uma canção para o Track 1, vá a aba “Sugestões” ou clique aqui e faça sua sugestão. Com isso dito, vamos começar o novo quadro com Fresno! Pode não ser uma escolha que agrade a todos, mas quem escreve é quem decide, então paciência.

Após o lançamento do EP Cemitério das Boas Intenções, que foi analisado no ano passado aqui no blog e você pode conferir clicando aqui, a banda gaúcha Fresno teve um momento difícil com a saída do baixista Rodrigo Tavares, que decidiu seguir outros projetos, como sua carreira solo. Mas a banda composta atualmente por Lucas Silveira (vocalista e guitarrista secundári0), Gustavo Mantovani, ou melhor conhecido como Vavo (guitarrista principal), Bell Ruschell (baterista) e pelo novato Mário Camelo (tecladista) seguiram em frente e se tornaram a primeira banda/artista no mundo a lançar um videoclipe com imagens do espaço. E sinceramente, é um videoclipe muito bonito de assistir e eu recomendo que você assista, entretanto não deixa de ser confuso em alguns momentos graças a edição. As crianças são os caras da Fresno no passado ou são pessoas totalmente diferentes? Se são do passado, a viagem do balão conseguiu voltar ao tempo e trocar de lugar com o outro balão? Se não é do passado, como é que os balões trocaram, sendo que os caras da Fresno foram informados? Será Bell Ruschell o novo Arnold Schwarzenegger no quesito atuação? Essas perguntas e outras provavelmente nunca serão respondidas. Mas ao invés de ficar com dúvidas nesse videoclipe, que tal focarmos na música?

Algumas pessoas dizem que essa música soa algo vindo do Muse. Eu não creio que “Infinito” faria a cara do Muse. A banda inglesa certamente gosta de espaço, assim como Lucas, e a Fresno tem uma grande influência da banda de Matthew Bellamy e com a entrada de Mário isso se tornou ainda mais visível (e melhor). Mas eu ainda não consigo ver uma conexão que faça você dizer “Fresno está com som à la Muse”. O que eu posso dizer é que existe uma forte influência na musicalidade e nos timbres da Fresno, principalmente por causa dos teclados, que antes em Revanche eram terríveis. Tão terríveis que fariam a ConeCrewDiretoria ter receio em ouvir (confira um exemplo).

A música “Infinito” apresenta uma atmosfera positivista e bem amigável, soando até Pop (mas ainda sim podemos classificar como Rock, mas ambos no modo mais lúcido possível). Não ao nível de “Esteja Aqui”, um Pop arroz de festa gritante e irritante, mas bem agradável de se ouvir. Os vocais de Lucas soam bons e o mesmo atinge notas elevadas, as guitarras trazem um riff interessante acompanhado por uma bateria típica de um Rock mais simplificado, porém perfeita para o que música queria trazer e, claro, os bons timbres de Mário dão um ar mais encantado a faixa. Mas a falta de ao menos um solinho de guitarra (algo que faltou no último EP) deixou a desejar. O baixo, gravado por Lucas, incrivelmente soa interessante e até marcante. Você consegue senti-lo em determinados momentos da canção, mas nada comparado ao que Tavares fez em Cemitério das Boas Intenções, que colocou seu baixo no talo. Musicalmente, “Infinito” é uma boa música, com boas escolhas nos timbres e tem tudo para tocar na MTV, MixTV e em algumas rádios e programas televisivos.

O que decaí o nível de “Infinito” ao ponto de eu sentir um pequeno desgosto vem da letra. A letra a primeira vista não é ruim. Tem alguns momentos grudentos e marcantes e seu refrão é bom. Mas qual é o problema que me faria sentir esse pequeno desgosto? O quão vago a letra de “Infinito” é. Começar pelos três primeiros versos da canção:

“Eu nunca fui de lembrar
Nem tenho quadros em casa
Pois são a fonte do problema”

Então me diga senhor Lucas Silveira, homem que compôs a letra dessa música, o que você nunca foi de lembrar e porque ter quadros em casa são a fonte do problema? A música mal começou e eu já estou confuso! Bom, talvez na próxima estrofe ele explique algo. Vamos ver:

“A vida nem sempre é
Do jeito que eu esperava
Eu já nem sei se vale à pena”

Você não explicou nada. Ainda continua muito vago e sem sentido. O que que você não sabe se vale à pena? Viver? Matar? Comer? Cheirar cocaína a meia-noite na casa do Tavares? Expresse-se melhor, homem! Próxima estrofe. Espero que as coisas melhorem:

“Mas se eu pintar um horizonte infinito
E caminhar, do jeito que eu acredito
Eu vou chegar em um lugar só meu”

Como assim “Eu vou chegar em um lugar só meu”? Você vai morar embaixo da ponte? Roubar a casa de alguém? Se juntar ao MST? Sabe… um pouco de detalhe as vezes bem colocado muda muita coisa, sabia? Espero que o refrão ajude em algo e não seja aqueles feitos somente para grudarem:

“Lá pode ter um novo amor pra eu viver
Quem sabe uma nova dor pra eu sentir
A droga certa pra fazer te esquecer
Vai apagar a tua marca de mim”

O que se dá para perceber é que Lucas quer viver em um outro lugar que não seja o planeta Terra. Ele quer viver um novo amor, quer sentir algo novo, quer experimentar novos desejos e conhecer nosso grande universo. Tem uma maneira muito mais rápida de conseguir isso, meu caro músico, e não precisa jogar um balão na atmosfera para isso, gastando uma fortuna. Basta ter um console de última geração e jogar Mass Effect. Você conhecerá o universo e novas formas de vida de uma maneira bem mais rápida e poderá encontrar um novo amor, como um relacionamento gay ou com uma alienígena muito atraente. Se quiser sentir uma nova dor, o jogo te dá a grande experiência da morte. Ou se quiser mudar de sexo, o jogo te deixa jogar pelo time feminino, podendo optar desde o lesbianismo até o alienígenas nazistas (ok, nessa parte dos alienígenas nazistas eu inventei). Sem contar que temos uma excelente história nessa saga de três jogos. É muito mais rápido, prático e barato!

Incorporando um tom mais sério agora, o refrão da música é a melhor parte da canção e isso acontece graças a voz de Lucas, na qual contém muita emoção, algo que muitos vocalistas extremamente talentosos sonham em por essa emoção. E de certa forma explica algumas coisas na qual a letra iniciou, entretanto continua vago. Quem você quer esquecer, Lucas? Sua ex-namorada? Rick Bonadio? O Tavares? Eu não sei se essa é uma música sobre esperança em geral ou uma pessoa que teve azar no amor e que quer seguir em frente. Vindo da Fresno, é mais provável a segunda opção. O restante da letra não é necessário mencionar. Não porque são estrofes ruins ou não consigo fazer piadas sobres. Apenas segue aquilo que a letra deveria ser: o infinito, o espaço, o desconhecido, o sonho, entre outras coisas. Quem sabe a Fresno pensasse de outra forma, tentando lançar uma “Born To Run” ou uma “Come On Eileen”, mudando a letra um pouco e torna-se algo mais sério, adulto e foca-se na nossa humanidade e na esperança e não no que não está ao nosso alcance, teríamos uma música no mínimo excelente? Com essa conclusão, eu tenho certeza que essa música é sobre a esperança de ter um amor alienígena no espaço.

“Infinito” é uma boa canção para a rádio e se tiver forças o suficiente pode se tornar um hit nacional, levando a banda novamente ao status que um dia esteve (mas não acredito muito nisso). Apesar de algumas ideias legais, a letra é muito vazia nos detalhes, o que poderia melhorar a faixa, sem falar que um solinho de guitarra deixaria tudo mais marcante e potente para esse lead single. E outro problema da canção é que ela é do tipo que cresce com o tempo que você escuta. Talvez na terceira ou quarta vez você já pode definir bem se gostou dela e se ela te marcou ou não, o que pode afetar na hora de se tornar um hit nacional da maneira como “Uma Música” foi (se eu me recordo bem). Mas mesmo assim é uma faixa interessante e nos deixa curioso para o que virá no novo disco da banda, chamado “Infinito”, que está para ser lançado em Setembro. Veremos o quão forte é esse novo álbum da banda.

Fresno – O Acaso do Erro (2001)

Origem: Brasil
Gêneros: Hardcore, Punk Rock, Emocore
Gravadora: Independente

O Acaso do Erro é um EP Demo da banda Fresno, as primeiras gravações “quase” profissionais, o EP é independente e se você acha que a Fresno é ruim HOJE, vai achar uma maravilha ou até respeitá-los, se ouvir o EP de 2001. A banda era composta por Leandro Pereira (vocais), Lucas Silveira (guitarra), Gustavo Mantovani (guitarra), Pedro Cupertino (bateria) e Pedro Lezo (baixo), ainda sem Lucas Silveira nos vocais e sem Tavares e Bell Ruschel na banda. Em O Acaso do Erro a banda fazia um som muito “podre”, as letras falam de assuntos muitos bobos, o vocal de Leandro Pereira está horrível. O flertamento com o tão famoso emocore já existia, porém pouco (a não ser pelas letras), o EP mostra uma mescla de hardcore com punk rock. Poucos bons momentos a demo possui, por exemplo, o bom riff de guitarra de ‘A Sete Palmos Do Chão’. O EP tem apenas 17 minutos de duração, eu recomendo a ouvir ele, e logo em seguida, ouvir o muito bom Cemitério das Boas Intenções, EP de 2011, aí você verá uma incrível evolução que teve na banda, eles fizeram muita merda no seu longo caminho, mas hoje parece que aprenderam bastante coisas e fazem um som com cara bem underground, as letras de Lucas melhoraram também, podemos comparar algumas das letras de Cemitério das Boas Intenções (aonde o tema ateísta está muito presente) com a última canção de O Acaso do Erro, ‘Se Algum Dia Eu Não Acordar’, que começa com a seguinte estrofe: Imagine se um dia eu não acordar – Quem vai puxar assunto com você?

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Fresno – Cemitério das Boas Intenções (2011)

Origem: Brasil
Gêneros: Hard Rock, Stoner Rock, Rock Industrial
Gravadora: Independente

A banda gaúcha Fresno lançam em seu Facebook o EP Cemitério das Boas Intenções (belo nome, aliás). O lançamento desse EP só acabou acontecendo por causa que a banda queria lançar um DVD ao vivo, mas devido a alguns problemas isso não ocorreu, e como a banda tem costume de sempre lançar alguma coisa a cada ano, os fãs da Fresno recebem esse EP que pode ser baixado no Facebook dos caras. Para baixar e ter algumas outras informações sobre o EP, precisa curtir a página. Clique aqui para ir até a bendita página. Na pasta onde vem os arquivos, vem as letras do EP, o que é excelente. E agora vamos ao que nos interessa, as músicas!

O EP possui, além de uma capa bem bonita em minha opinião, quatro faixas, sendo três delas inéditas e a última uma acústica de uma faixa do Revanche, CD lançado ano passado, e uma duração que ultrapassa a marca de 18 minutos. E o EP começa com Crocodilia, uma música até pesada, se formos comparar a outras bandas consideradas Rock no cenário atual brasileiro, e que com seu decorrer ela ganha velocidade.  Música que bandas de Hard Rock costumam fazer. Boa faixa pra estrear o EP. Destaque lírico para essa parte: “Não, não, não acredito em inferno, é só uma ilusão, o sofrimento é eterno. Não, não, não acredito em saída, é só uma ilusão, facilita a vida.” Um trecho difícil de ser compreendido se você não parar para pensar ou simplesmente julgar e com o vocal de Lucas Silveira no final da música, ela se torna bem empolgante. Único ponto negativo dela é os teclados do músico convidado Mário Camelo, que são irritantes e não fazem bem a música.

A segunda faixa é A Gente Morre Sozinho, a maior faixa do EP, com quase seis minutos de duração. Um destaque que eu notei nesta parte: “Protegei de todo o mal” Quando Lucas fala “todo”, eu ouço um cuspe. Eu estou imaginando coisas ou realmente tem um cuspe ali? Bem, prosseguindo com a faixa, é audível novos cuspes. Se isso realmente forem cuspes e não imaginação minha, eu não quero ir no show da Fresno tomar banho de cuspe de Lucas Silveira. A música a partir de 1 minuto se transforma em algo mais pesado e é bem contagiante, porém, com bastante emoção, principalmente nas linhas vocais de Lucas. Em 3:10, Rodrigo Tavares participa da faixa vocalmente, mas eu considero a participação dele desnecessária. A música tem riffs muito interessantes e pesados. A letra da faixa é muito boa, e com a interpretação de Lucas ela acaba se encaixando muito bem, não só na música em si, mas em como a Fresno faz a sua música. Se a primeira faixa foi boa, a segunda supera, mostrando que a Fresno, em seus 12 anos de estrada, tem muito a mostrar, não só para os fãs da banda, como para aqueles que não gostam ou até odeiam o grupo gaúcho.

O EP prossegue com a terceira faixa chamada Não Vou Mais. Se nas outras duas músicas, o vocal de Lucas era destaque, aqui o vocal de Lucas começa irritante. Tavares também faz algumas participações nas linhas vocais da faixa, sendo também desnecessárias, mas aqui soa melhor que em sua participação anterior. Apesar da música começar muito fraca e irritante, e até Pop, ela progride e fica muito melhor. Sim, ela começa fraca em tudo, e com seu decorrer, ela fica boa, e depois ela se transforma em algo realmente interessante, e isso inclui as linhas vocais de Lucas e de Tavares, e isso que acaba diferenciando a banda das outras bandas consideradas Rock, como Restart, Cine e NxZero, sendo a mais pesada dentre dessas, além de possuir as melhores letras, como é mostrado neste EP. O final da faixa é incrível, mas apesar de tudo, ela, das faixas inéditas, acaba sendo a mais fraca, tendo um começo chato, e um fim muito bom. Destaque para o baixo nessa música.

Então, nós finalmente chegamos ao fim do EP com a versão acústica de Relato de um Homem de Bom Coração. Pior final para um EP como esse, impossível. Não que seja ruim ter uma balada para encerrar o EP, mas a balada em si não é boa, e além de tudo, ela é uma versão acústica de uma faixa do CD passado, Revanche. Mas, vamos ver algo de bom na faixa, né? Os trabalhos vocais de Lucas estão bons e alguns momentos são bem interessantes e bonitos, mas como eu já disse, ela não é tão boa, ainda mais se formos comparar com as outras três faixas. E em comparação a versão original que está no Revanche, uma das faixas mais bem aclamadas do CD, pode se dizer que até que a versão do EP é superior a do CD. Os vocais de Lucas aqui encaixam em alguns momentos que na faixa original não. Mas na outra mão, a versão do EP não conseguiu pegar aquela força que a versão original tem em seu final. Destaque para a intro da música, na qual Lucas Silveira soa como se estivesse bêbado.

No fim das contas, a banda Fresno lançou um bom EP, que continua com o peso do disco anterior, sem perder a emoção que a banda passa e que faz parte da história da banda, mas que não vai além do “bom”, infelizmente. Liricamente, é ótima, e das bandas que estão na mídia do cenário do Rock, é que a tem as melhores letras, por enquanto. Se você curtiu Revanche, principalmente o lado mais pesado, então o EP cairá muito bem nos seus ouvidos, pois aqui o lado Pop é deixado de lado. Se você quer dar uma chance aos gaúchos e estiver disposto a ouvir a banda, o EP é um ótimo começo.