Malta – Supernova (2014)

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Origem:
Brasil
Gênero(s): Pop Rock, Hard Rock, Post-Grunge
Gravadora: Som Livre

A tão aclamada banda Malta, vencedora do programa Superstar da Rede Globo, lançou agora seu primeiro álbum, chamado Supernova. A banda ficou famosíssima pelas performances no programa da televisão, criando uma legião de fãs e recebendo pagação de pau de pessoas como Fábio Jr e Dinho Ouro Preto. Só para comentar, causa nojo Fábio Jr falar que o vocal, Bruno, cantou “I Don’t Want to Miss a Thing” melhor que Steven Tyler. Mas que belo jurado, não?

O álbum é composto por versões “completas” das músicas que a banda apresentou no programa e mais algumas inéditas. O que tenho a dizer sobre “Supernova”? É um álbum com um Hard Rock estilo Creed (mas não igual) e com um vocal que lembra muito a banda gaúcha Reação em Cadeia, podem crucificar quem escreve por isso, mas a culpa da sonoridade similar é da própria banda.

Munido de 13 faixas e uma duração de 40 e poucos minutos, a banda nos trás um álbum fraco, com algumas composições porcas, como por exemplo a música “Cala Tua Boca na Minha” que é um loop da mesma letra durante os 3 minutos de música e uma das mais famosinhas, “Diz pra Mim”, que é basicamente a mesma estrofe com algumas alterações e o refrão se repetindo durante toda a música. As 13 músicas são quase todas parecidas com as outras, calmas e lentas com acompanhamento de piano e Bruno fazendo um vocal melódico.

A produção do álbum é um ponto meio positivo, pois não é das piores. Mas de que adianta uma produção boa quando o material apresentado no disco não é de uma grande qualidade? E também Bruno não deve ser desmerecido, ele tem um vocal muito bom, mas o resto da banda não ajuda muito. Em resumo, “Supernova” é um álbum arrastado e maçante, com músicas chatas, cansativas e sem graça. Apesar disso, a banda deseja dar ao público músicas que mesclam o peso do Rock com o romantismo e suavidade de grupos pop, e cumpre essa proposta com o álbum. Se você for um fã da banda Malta, você com certeza vai amar “Supernova” do início ao fim. Agora, se não for, não recomendo passar perto desse álbum.

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Avenged Sevenfold – Hail to the King (2013)

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Origem: Estados Unidos
Gêneros: Heavy Metal, Hard Rock
Gravadora: Warner Bros. Records

Hail to the King é o sexto disco desta banda da Califórnia, o primeiro sem seu baterista original, o já falecido e bom músico The Rev, e o primeiro com Arin Ilejay, ex-Confide. Após o interessante e depressivo Nightmare, de 2010, Avenged Sevenfold sentiu que precisava surpreender seus fãs com uma nova direção musical. Ao invés de repetir as fórmulas de seus discos anteriores pós-Waking the Fallen, o grupo decidiu lançar seu “álbum negro”. Os talentosos músicos decidiram por um álbum mais comercial, para conquistar os fãs do clássico Heavy Metal, que os odeiam e não suportam a música que o quinteto faz. Já é possível saber como Hail to the King será baseando-se apenas esta pequena descrição.

O álbum começa com “Shepherd of Fire” e na introdução desta canção temos sons de fogo em brasa, mostrando a ideia de energia que a faixa mostraria. Para o encerramento temos “Acid Rain”, a faixa termina com sons de chuva, resumindo de forma simplória o que foi a faixa. São ideias interessantes para iniciar e encerrar um disco, porém o que separa essas ideias são 53 minutos divididos em 10 músicas com pouca qualidade e, principalmente, sem criatividade e personalidade. Com exceção de “Planets”, você pode pegar qualquer música de Hail to the King e apontar para a(s) fonte(s) de sua “influência”. Por exemplo, “Doing Time” é uma mistura irritante de Guns N’ Roses e Velvet Revolver. Já “Coming Home” é um visível “tributo” ao clássico do Heavy Metal “Number of the Beast” do Iron Maiden. E, sem esquecer do óbvio, pelo menos três faixas foram chupadas do Metallica. “Shepherd of Fire” é como “Enter Sandman” com alguns toques de “Cowboys from Hell” do Pantera, “Crimson Day” é o equivalente a “Nothing Else Matters” e, o maior plágio deste disco, “This Means War” é praticamente um cover de “Sad But True”.

Se você, que odeia o Metallica por sua transformação ao mainstream, mas ama o Megadeth, porquê manteve o Thrash Metal com boa qualidade, repare na vísivel “influência” em “Heretic”, que mais parece “Symphony of Destruction”. Em relação a faixa título, é uma fraquíssima canção que qualquer banda genérica metida a Manowar poderia compor. E a já citada “Acid Rain” soa como se fosse composta por, pasmem, Muse! E não se pode esquecer de “Requiem”, que foi composta quando a banda ouvia o novo disco do Ghost e outras diversas bandas de Power Metal. E para as letras que a banda possuía – você considere elas emo ou não – “evoluíram” para temas de fantasia, o que torna mais difícil de levar alguém a sério quando diz que “olhou nos olhos do diabo”. Onde está a personalidade e criatividade deste grupo californiano? Avenged Sevenfold mudou, mas ao invés de seguir para frente ou seguir para direita ou esquerda, resolveram voltar seis passos para trás. Toda a complexidade e emoções que a banda tentava passar em suas composições se foram. Tudo que sobrou foram os irritantes vocais de M. Shadows. É preciso diferenciar “influência” de “plágio”.

Um exemplo vivo de artista que recebe bastante influência do passado é Steven Wilson. Em seu novo disco, o excelente The Raven that Refused to Sing (And Other Stories), é visível influências das grandes bandas clássicas do Rock Progressivo e Jazz Fusion, como Jethro Tull, Mahavishnu Orchestra e, principalmente, King Crimson. O que acontece é que Wilson coloca sua personalidade nas suas composições. Por mais visível que seja as suas influências, o ouvinte sabe que está ouvindo um artista disposto a deixar a sua marca no que está executando e, no caso de Wilson, produzindo. Em seu novo álbum, você não consegue apontar para uma faixa que o disco tenha chupado de um artista, somente as bandas que levaram a compor as canções. Entretanto, em Hail to the King, você pode dizer que “This Means War” é na verdade “Sad But Two”.

Em resumo, Hail to the King é um disco, em sua essência, monótomo, fraco, forçado, cansativo e nauseante. O novo baterista do grupo, Arin Ilejay, não tem culpa de estar tocando músicas tão aquém da capacidade de qualquer baterista de Metal moderno, que estão no nível de Lars Ulrich. A necessidade que o grupo demonstrou em conquistar os fãs tradicionais do grupo não vai funcionar, pelo simples fato de que esse disco é um falso tributo aos amantes do Heavy Metal. Se Hail to the King for um disco que lhe interesse, então você está assumindo que não tem senso crítico ou simplesmente quer ouvir tudo o que já foi feito com algumas alterações e vocais piorados.

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Tomahawk – Oddfellows (2013)

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Origem: Estados Unidos
Genêros: Hard Rock, Rock Experimental, Blues Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Ipepac

Oddfellows não tem muito segredo, este supergrupo de Mike Patton entrega o lançamento de 2013 com 13 canções curtas (nenhuma passa de 4 minutos de duração) e diretas. Tão diretas e cruas que algumas vezes talvez achamos que falta algo, que é apenas um experimento pela metade, nada que algumas audições extras não resolvam. Some hard rock setentista com experimentalismo, um ar sombrio totalmente cativante e o melhor que Patton possa oferecer em seus refrões mais melosos à frente do Faith No More, esse é o Oddfellows, que tem o próprio Mike Patton como um dos maiores destaques por culpa de seu versátil e excelente vocal. Outro destaque vai para o novato da banda, o baixista Trevor Dunn, entrou pouco tempo e mostrou um bom trabalho, com destacadas linhas de baixo. Mesmo destacando estes dois, a banda inteira vai muito bem, a guitarra de Duane Denison casou muito bem com o baixo do recém-chegado Dunn, John Stainer, o baterista, mantêm o ritmo, mesmo sendo o que menos brilha individualmente.

É o tipo de disco que fãs de Blue Öyster Cult  gostarão, recomendado para você que adorou a banda sueca Ghost, mas por favor, sem comparações, isso certamente estragará sua audição. E bom proveito!

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Steel Panther – Feel the Steel (2009)


Origem:
Estados Unidos
Gêneros: Hard Rock, Glam Metal, Heavy Metal
Gravadora: Universal

Steel Panther é uma banda satírica de Glam Metal que foi formada em 2000. A banda passou por três nomes diferentes: Danger Kitty, Metal Shop e Metal Skool. A banda é bastante conhecida por compor letras bem humoradas e pela aparência exagerada que satiriza o estilo Glam da época de 80. Este é o segundo álbum da banda, o primeiro, que foi lançado quando a banda ainda se chamava Metal Shop e teve um relançamente quando a banda estava sob o nome de Metal Skool, se chama Hole Patrol, em um rápido resumo, posso dizer que o primeiro álbum da banda é formado por rápidos skits e músicas que foram regravadas para o Feel the Steel.

Apesar do Hole Patrol, o Feel the Steel é considerado o debut da banda, já que foi o primeiro a ser lançado por uma grande gravadora. O álbum estreou em #123 e alcançou #98 na Billboard 200, e também alcançou #1 no Billboard Top Comedy Albums. O álbum também ganhou o prêmio Metal Hammer Germany de Melhor Debut. Enfim, após dar uma breve descrição sobre a banda e sobre o álbum, vamos ao que interessa: o conteúdo. Como já dito acima, o Steel Panther satiriza as músicas de Hair Metal aclamados, tais como Bon Jovi, Van Halen e Whitesnake, tendo usado grande influência das bandas em suas músicas.

O álbum começa com a música chamada “Death to All But Metal”, o título já passa claramente a ideia da músicas, mas para os que não entendem, a música fala sobre matar todas as bandas e trazer o Heavy Metal de volta. Logo de cara a música já conta com um solo (que me lembrou os solos de Eddie Van Halen) do guitarrista Satchel. Os vocais ficam por conta de Michael Starr. Como eu já disse, eles são uma banda satírica, as letras geralmente contem muitas palavras de baixo calão e piadas escrachadas, e as vezes conteúdo levemente pornográfico. Essa música conta com a participação do vocalista do Slipknot e do Stone Sour, Corey Taylor. Mas voltando para as letras, para verem como não estou mentindo, vejam abaixo a primeira estrofe da música:

“Fuck the Goo Goo Dolls
They can suck my balls
They look like the dogs that hang out at the mall
Eminem can suck it, so can Dr. Dre
They can kiss each other just because they are gay
They can suck a dick, they can lick a sack
Everybody shout: Heavy Metal is back!”

Como podem ver acima, a banda não se preocupa em compor letras ofensivas e chulas, que, por sinal, são bem encaixadas nas melodias. Na próxima faixa temos a música “Asian Hooker”, que fala sobre o vocalista e uma prostituta asiática. Em seguida temos “Comunity Property”, essa música é meio difícil de explicar, mas a principal frase do refrão é:

“But my cock is community property.”

Caso queiram saber o que significa basta colar no Google Tradutor, pois acho que a tradução seria baixa demais para postar aqui. A próxima faixa é um pouco mais séria, se chama “Eyes of a Panther” e domina bastante no estilo Glam, com um instrumental muito bom. Nossas próximas duas faixas são “Fat Girl (Thar She Blows)” e “Eatin Ain’t Cheatin” essas duas faixas entram no que falei lá no início, “Fat Girl” lembra as músicas do Whitesnake, já a “Eatin” lembra músicas do Van Halen. “Party All Day (Fuck All Night)” conta com a participação do vocalista do The Darkness, Justin Hawkins. Essa lembra as músicas do Bon Jovi, principalmente nos acordes de guitarra. A próxima chama-se “Turn Out the Lights” e temos a presença de M. Shadows, do Avenged Sevenfold, nos vocais.

O resto do disco é totalmente escrachado, mas o destaque vai para a balada “Girl from Oklahoma”. Um dos melhores instrumentais acústicos que já vi, uma música calma, porém, a letra é a mais vulgar e chula do álbum, provavelmente, a mais engraçada entre todas. A música fala sobre uma fã que se envolveu em uma relação sexual com Michael Starr, o vocalista. Bons instrumentais de Heavy Metal e letras idiotas e engraçadas, bom para quem gosta de um humor mais ofensivo. O álbum oficial termina com a faixa acima, mas há uma edição limitada que contém a faixa bônus “Hell’s on Fire”. Um Hard Rock com uma letra que deixa aquele sentido de “You Don’t Say?”, já que a letra fala que o inferno é quente.

O disco tem um fator interessante, que foi a participação de membros de bandas “sérias” que acabaram entrando na brincadeira, cantando letras humorísticas e chulas, falando palavrões e até dando gritos ao lado de Michael Starr. O que aborrece no álbum é a falta de criatividade da banda para a banda, que parece não adotar um estilo próprio, parecendo se basear nos estilos de bandas aclamadas do gênero. Podem dizer que por eu ser alguém que curte mais umas músicas do estilo Metal, não há muita graça em fazer reviews do gênero. Entretanto, eu acho que o Steel Panther merece uma chance, pois tenta e consegue fazer um bom Glam Metal, o que faltou para a banda foi um estilo próprio, que faça a banda ser reconhecida não só por suas letras humorísticas e chulas.

Por fim, basta dizer que “Feel the Steel”, apesar de seus defeitos aqui e ali, é um álbum razoável, vale a pena experimentar para quem gosta do gênero, ou para quem gosta de ouvir músicas debochadas com uma boa sonoridade. Agora, a banda pode melhorar? Eu acho que pode. Fica ao seu critério escutar e decidir sua resposta.

Tenacious D – The Pick Of Destiny (2006)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Heavy Metal, Hard Rock, Rock Comédia, Rock Acústico
Gravadora: Epic

Quem gosta de filmes de comédia, com certeza deve conhecer o ator, comediante e também músico Jack Black. E as pessoas que gostam e aprovam seu trabalho provavelmente devem saber de seu projeto musical junto com o também ator, comediante e músico Kyle Gass, Tenacious D. Em 2006, foi lançado o filme The Pick Of Destiny, estrelado pela dupla que também ficou encarregada da trilha sonora, lançado um álbum com o mesmo nome. Como o filme é um musical, tudo o que está no filme está no álbum, formando 15 faixas em torno de 33 minutos de duração (que em média não passam de 3 minutos), sem nenhum acréscimo ao álbum (a não ser em edições especiais, nas quais não irei avaliar). O que pode se resumir sobre o segundo disco dessa dupla de comédia? O que pode definir da maneira mais rápida e eficiente sobre esse álbum? Simplesmente podemos descrever tudo o que eu sinto sobre The Pick Of Destiny nestas duas frases a seguir: Assista o filme! Não ouça o disco!

Apesar de ter momentos interessantes e bacanas, como na faixa de abertura “Kickapoo”, tendo a participação especial do grandioso e infelizmente já falecido Ronnie James Dio, o disco é irritante e cansativo. Antes de mais nada, você precisa estar no clima para aguentar Jack Black e suas piadas sem pé nem cabeça, seu gritos idiotas e um pseudo-retardo-mental insuportável (a introdução de “Master Exploder” é que melhor mostra isso). A banda que acompanha a dupla é competente e as linhas acústicas as vezes são agradáveis e as vezes são agressivas, mas como um álbum em si, ele não funciona. Ele não faz sentido algum e nem ao menos tenta encontrar. Nem mesmo o humor é bom, algo que deveria ser destacado. O que você deveria fazer ao invés de ouvir The Pick Of Destiny é assistir o filme em si. As músicas do disco estão lá e fazem o sentido, e quando você escuta o disco separadamente, você se pergunta o porque de estar ouvindo um disco fraco como esse, se posso ver um filme não tão bom, mas que de certa forma faz mais sentido e tem um humor bobo, porém aceitável? Hora de rever seus conceitos de humor musical. Recomendado Joe’s Garage do Frank Zappa para aqueles que realmente procuram música com um humor de qualidade.

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Sonata Arctica – Ecliptica (1999)

Origem: Finlândia
Gêneros: Heavy Metal, Power Metal, Hard Rock
Gravadora: Spinefarm

Sempre quando falamos de power metal em grupos, dificilmente alguem não citará o nome ou de Stratovarius ou de Sonata Arctica, e sempre comparando um ao outro, e dizendo que Sonata lembra bastante Stratovarius, ou que são o “novo Stratovarius”. E quando eu ouvi Ecliptica vi que não são bandas tão parecidas assim (as partes que Sonata me lembra de Stratovarius não são as positivas), até diria que Sonata se parece mais com Europe do que com Stratovarius (não joguem tomates, por favor), e mais, que Sonata Arctica não é power metal. Pelo menos é a impressão que tive quando ouvi Ecliptica, é um som com influências sim do power metal, mas muito mais para o lado hard rock, com a pegada tradicional do heavy metal, com boas bases de bateria e seu bumbo duplo. Mas tem dois pontos em Ecliptica que fazem nos lembrar da banda do gordinho Timo Tolkki: primeiro são os refrões, em que quase todos o vocalista do Sonata Arctica, Tony Kakko, usa seu falsete lembrando muito Timo Kotipelto (isso não é tão bom assim…) e segundo são as “fritadas” nos solos. “Isso é uma análise ou uma comparação idiota?” Você deve perguntar, não deixa de ser uma comparação, mas com o foco na análise do álbum, tentei explicar o porquê de um dos álbuns tão aclamados do power metal, não ser puro power metal (continua sendo pelas notas compridas dando um “ar de épico”). Mas mesmo assim não tem lá tanta importância, e sim o conteúdo que ele nos mostra.

A estreia dos finlandeses não é um clássico do gênero power metal, ou essencial para o estilo como alguns fãs acham, na verdade traz defeitos que irei citar, e esses defeitos comprometem o disco, que não deixa de ser bom e divertido. ‘Blank File’ abre o CD, é o famoso termo “hino”, a canção é voltada para o refrão, e também tem uma boa base de bateria. Regular para boa canção, mas os falsetes de Tony pode te irritar, porque se torna algo bem forçado (o que acontece ao decorrer do álbum inteiro, e é por isso que se parecer com Kotipelto não é tão bom, nesse ponto sim acho que Sonata tentou ser o Stratovarius). ‘My Land’ é a segunda faixa, e é uma boa canção, mais para o lado power. Seguimos com a famosa ‘8th Commandment’, e ela não acrescenta algo bom no disco, se torna cansativa, ainda mais para o começo, que tivemos ‘Blank File’ e ‘My Land’. ‘Replica’ é a primeira power-balada do disco, ela lembra bastante alguma balada de hard rock dos anos 80, e os falsetes irritantes de Tony atacam denovo, outra canção que não acrescenta em muito. ‘Kingdom For A Heart’ é animada, mas completa o trio de canções descartáveis junto com ‘8th Commandment’ e ‘Replica’.

Agora temos a possível melhor faixa do CD, ‘Fullmoon’, a fusão de hard rock com power metal ficou bacana, e faz você esquecer um pouco as três faixas anteriores, que realmente te cansa. Outra boa faixa é ‘Letter To Dana’, outra power-balada, essa traz mais conteúdo, mesmo não sendo nada de incrível, se mantém no chão, regular para boa canção, e possui uma intro folk manjada, mas maneira. Agora temos ‘UnOpened’ , possui um bom refrão, e um solo interessante, a guitarra se entende bem com o teclado. ‘Picturing Of The Past’ tem um riff à cara de Timo Tolkki (e isso não é bom), tão rápido que não se torna algo agradável para se ouvir. Outra faixa forçada e que podia ficar fora do disco. Ah, os falsetes de Tony atacam com tudo por aqui também. A última e mais comprida faixa com quase 8 minutos é ‘Destruction Preventer’, é a tentativa da banda de fazer uma canção épica, e ela fecha bem o álbum, depois de bons e maus momentos que teve em Ecliptica. Não é lá essas coisas, mas é superior a muitas das faixas dos discos, e o solo não é agradável aos meus ouvidos. Mas a bela voz de Tony (sim, bela, sem os falsetes ela é) deixa a canção um pouco mais divertida e bonita, e o final possui a intro de ‘Letter To Dana’.

Ecliptica é a estreia de uma banda que mostra personalidade e técnica, e como uma banda nova na estrada, com certeza teve os seus erros. O maior deles foi as partes em tentar parecer o Stratovarius, Sonata Arctica é uma banda totalmente diferente dos caras do Strato, demonstra isso com clareza no seu debute, e tentar se parecer com eles só trouxe maus momentos, como os falsetes forçados e irritantes, e a chacina de moscas nos solos. Mas a banda mostrou um ponto muito positivo, que foi a versatilidade, a mistura de hard rock com power metal ficou maneira em certas partes (em outras a “mesmisse” atacou). Ecliptica é uma montanha-russa, você pode arriscar e ouvir o primeiro lançamento do Sonata, se for um cara que gosta de velocidade, vocais melódicos de power metal e uma pitada de hard rock, tenho quase certeza que irá gostar.

Shinedown – Us And Them (2005)

Images & Words review

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo, Southern Rock, Hard Rock, Pós-Grunge
Gravadora: Atlantic

Em seu segundo disco de estúdio, Us And Them, Shinedown se mostra uma banda que faz um som bem variado, não soa repetitivo, mas ao mesmo tempo não soa surpreendente, imprevisível, ou como queria bem dizer, e, principalmente, inovador. A banda era composta por Brent Smith (vocais), Jasin Todd (guitarra), Barry Kerch (bateria e percussão) e Brad Stewart (baixo), até a saída do guitarrista e do baixista, e em Us And Them foram lançados três singles, sendo dois usados pela WWE em seus PPVs. É um disco com momentos interessantes e outros nada empolgantes. Vamos conferir o que temos aqui.

O álbum começa com uma faixa introdutória, que honestamente, não faz sentido algum para mim. “The Dream” é basicamente uma garota estranha e até pode se dizer assustadora dizendo algumas frases que para mim não fazem sentido algum. Se Us And Them fosse um disco conceitual, dava para aceitar e entender o que eles queriam passar nas 13 faixas: um disco do Rob Zombie. Enfim… Sua sucessora é “Heroes”, e percebemos uma forte banda na guitarra e nos vocais e boa na bateria e baixo. Você consegue ouvir tudo claramente e é notável que a faixa inicia bem o disco, nem era necessário “The Dream”. “Save Me” não é uma canção da mais atrativas em seu começo, mas seu refrão de certa forma anima as coisas.

“I Dare You” começa irritante e se torna uma canção bem esquecível e chata. Os vocais dão uma melhorada principalmente no refrão, mas ainda não consigo dizer que é uma boa faixa. “Yer Majesty” tem aquele peso e bons riffs de guitarra, além de uma voz agressiva de Brent, que no fim, gera uma canção bem legal até. “Beyond The Sun” é aquela balada que inicia acústica até a banda aparecer por completo (bem no estilo Hard Rock), que é bonitinha e aqui Brent faz um trabalho bacana, além da banda fazer um trabalho competente, mas nada surreal e especial. “Trade Yourself In” inicia de uma maneira bem empolgante e diferenciada. Os riffs acabam me lembrando de uma versão mais pesada do Red Hot Chili Peppers.

Agora vem um dos meus grandes problemas com esse disco. “Lady So Divine” ultrapassa a marca de 7 minutos e com um começo fraco, a música evolui em algo interessante, porém nada bem feito, ainda mais após a segunda repetição do refrão (que é bom). A música poderia ser diminuída de 7 minutos para apenas 4 minutos e seria muito melhor o resultado. E olha que quem está falando gosta de músicas com uma duração prolongada, porém bem feita, ou pelo menos com bom senso e boas ideias (pode soar contraditório para alguns, já que eu gosto de Dream Theater e tem muitos momentos assim, mas ao menos alguns deles são interessantes… eu acho). Claro, tem coisas bacanas sim, como o solo de guitarra e atmosfera na seção instrumental, que são bem bonitas. Mas a construção da música, e principalmente, a introdução dela (após os primeiros acordes me refiro), me fizeram achar que aquilo merecia algo melhor e até maior.

As outras faixas não apresentam nada de novo ao conteúdo do álbum. Por exemplo, “Shed Some Light” é outra balada que inicia acusticamente, desenvolve acusticamente e termina acusticamente. Bem criativa a banda… Não que eu tenha algo contra isso, mas ela é desnecessária, já que temos “Beyond The Sun”, que é melhor. E antes de encerrar o álbum em uma terceira balada, temos três faixas “porradas”. “Begin Again”, “Atmosphere” e “Fake”. É incrível como as três não acrescentam nada ao disco a não ser espaço preenchido. E “Some Day” termina o álbum, e como já disse, é outra balada, e é outra desinteressante. Não encerra o trabalho dignamente e fica deixando um certo vazio no ouvinte, pois passa uma incerteza de que aquilo que ele ouviu era tudo que a banda tem a oferecer ou simplesmente tem uma certa tendência a canções comerciais.

Us And Them é um bom disco, se assim posso afirmar. Tem momentos bem interessantes, porém outros que poderiam ser esquecidos e nem pensados em serem adicionados no álbum, como todas as faixas após “Lady So Divine”, que encerraria bem o disco. Mas não dá para negar que a banda em si é boa, principalmente o guitarrista . Se você é guitarrista e quer pegar uma influência diferenciada, desde Southern Rock ao Hard Rock ao Metal, esse disco tem algo a oferecer (caso queira ir além do senhor Zakk Wylde). É um trabalho consistente, mas nada original e grandioso. Recomendado se você quer ouvir uma banda banda diferente ao ponto de indicar aos seus amigos que tem certo gosto pelo Rock e Metal, mas não sabem se aprofundar no gênero. Em outras palavras, Shinedown é mais um ponto de começo do que um ponto final em uma “carreira sonora de uma pessoa”, ao menos neste álbum.

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