Kill Devil Hill – Kill Devil Hill (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Heavy Metal, Doom Metal
Gravadora: PSV

O Kill Devil Hill chamou atençou quando se formou ano passado principalmente por ser a nova banda de Vinny Appice (ex-Black Sabbath, Heaven & Hell e Dio) e Rex Brown (ex-Pantera e Down), com os membros afirmando que se tratava mesmo de uma banda, e não apenas um projeto paralelo. O som da banda é bem moderno, e mistura o Heavy Metal com o Doom Metal, como se fosse uma mistura de Alice In Chains e o Black Sabbath da era do Tony Martin. Principal membro da banda, Vinny mostra que apesar de não mostrar nada muito inovador, quando ele está numa banda, a bateria vai estar garantido com alto nível. O mesmo pode se dizer de Rex Brown, que faz riffs intensos, muito mais do que esperava. Mark Zavon se mostrou excelente na hora de criar os riffs, eles são excelentes e criativos, mas decepciona bastante na hora dos solos (lembrando o Kirk Hammett ao vivo). A maior surpresa pra mim é Dewey Bragg, que tem uma voz intensa e muito diversificada. Com sua atuação aqui, entrou na minha lista de vocalistas para se acompanhar hoje em dia.

A primeira faixa é “War Machine”, que contém riffs excelentes, um ótimo desempenho vocal de Dewey Bragg e Vinny Appice mostra seu alto nível na bateria logo no início. Uma faixa empolgante para abrir o disco. A seguinte é Hangman, que é um pouco mais cadenciada, e soando muito como uma versão mais pesada do Alice In Chains. É uma faixa onde tudo se encaixa muito bem, dando continuidade ao alto nível da primeira música. Voodoo Doll tem tudo muito bem dosado, todos fazem seu trabalho de forma competente mas não impressionam muito, sendo apenas uma boa faixa. “Gates Of Hell” volta de modo mais intenso para o lado cadenciado da banda, levando mais para o Doom Metal. Os riffs aqui são simples, mas sedutores. O solo dela começa chato mas vai melhorando, satisfazendo o ouvinte. “Rise From The Shadows” tem uma pegada que lembra muito o projeto solo de Tony Iommi com Glenn Hughes, só que um pouco mais sombrio. Rex Brown simplesmente detona nessa faixa. A interpretação de Bragg surpreende, pois ele sabe dosar sua voz de forma magnífica.

“We’re All Gonna Die” soa mais acessível e seria uma ótima escolha para single com “War Machine”, pois tem riffs e vocais atrativos, por mais arrastados que sejam. “Strange” começa com intensos riffs, com Rex e Mark fazendo a música melhorar muito, mas ainda assim não aparece acompanhar o nível do álbum. O solo é bem chatinho. “Time & Time Again” segue a estrutura básica das faixas anteriores, cadenciada, mas também não tem nada muito especial. “Old Man” tem uma pegada mais empolgante, com riffs que já valem a música, dessa vez tendo um solo bem legal. Bragg grunhe de forma estranha às vezes, alguns irão gostar, outros não. “Mysterious Ways” vai mais pro lado do Southern Rock, sendo uma inesperada e agradável balada. Dewey mostra o tão diversificado ele pode ser. “Up In Flames” é uma semi-balada, agora voltando à pegada Doom, mas vai além dos clichês das baladas e fizeram uma das melhores faixas do disco, com muito “feeling”. “Revenge” não era a faixa adequada para finalizar o disco, pois não tem nada assim de especial que te faça ter uma opinião melhor do disco por causa dela. Ainda assim é uma boa faixa com Appice inspirado e um ótimo solo, mas o final da música parece especialmente feita para o fim do álbum, e bem mal feita.

Eu não esperava tanto do disco por não ter expectativa por não conhecer Dewey e Mark, mas os dois me surpreenderam. Somando os trabalhos competentes como sempre mas nada muito inovador de Appice e Brown, o disco de estréia da banda é bem agradável apesar das várias quedas durante o disco.

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Murder Construct – Results (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Grindcore, Death Metal
Gravadora: Relapse Records

Se você achou que Suicide Silence era pesado, espera para escutar “Results”, o disco de estréia da banda oriunda de Los Angeles, Califórnia. Vamos falar sobre o disco que talvez seja o mais pesado do ano ou dos últimos anos. Murder Construct é um supergrupo de Grindcore e Death Metal formado por músicos que já vinham de bandas desse gênero ou de gêneros bem experimentais, como o baterista Danny Walker, que também toca na banda Intronaut, uma banda experimental de Pós-Metal Progressivo. E não tem muita coisa para se dizer sobre ele. Ou você irá gostar da primeira faixa até a última faixa, adorando seu peso, os guturais insanos e a velocidade absurda, ou não irá passar dos 30 segundos de “Red All Over”, música que abre o disco.

Antes de mais nada, Murder Construct é composto por excelentes músicos. Há muitos momentos no disco que você se impressiona com a habilidade técnica destes integrantes. Mas as músicas são boas? Isso vai depender de seu gosto. Se você gosta de MPB mas odeia Metal, isso vai passar alguns anos-luz por você. Se você gosta de Iron Maiden e do Heavy Metal clássico, “Results” será um disco que não vai te agradar. Se você gosta de Suicide Silence e algumas bandas que tocam tão pesado ou até mais que o grupo citado, talvez você goste, mas você certamente vai sofrer. São 29 minutos divididos em 11 faixas de pura porrada com pouquíssimas pausas, e quando tem são curtíssimas.

“Results” é um ótimo disco de estréia para a banda. Extremo, brutal e feroz do início ao fim. Ou pelo menos quase ao fim. A canção final, “Resultados” (é assim mesmo o nome da música, e não “Results”, como alguns devem pensar assim que lerem o nome da faixa) encerra de maneira estranha e solta pelo disco, pois não temos um momento próximo ou parecido em lugar nenhum do álbum, mas é certamente um dos melhores e até bonito, mostrando que seus músicos não são apenas headbangers comuns. Em resumo, posso dizer que “Results” é um dos meus candidatos a disco do ano e que vale muito a pena dar uma conferida nesta banda e em seu material, assim como no EP de 2010 auto-intitulado. Ambos lançamentos muito bons e consistentes no querem passar para o ouvinte. Mas não espere algo fácil nas primeiras audições. Esta banda requer audições extras para pegar sua magia.

Track 1: “Carry On”, por Avenged Sevenfold

O que podemos dizer sobre a nova música do Avenged Sevenfold, “Carry On”, feita para o jogo Call Of Duty: Black Ops II? Diferente da até boazinha “Not Ready To Die”, feita para a primeira versão de Black Ops, essa nova música, já na primeira vez, consegue soar tão ruim, mas tão ruim, que assim que terminou, meus tímpanos estavam implorando por misericórdia. Mas o que eu fiz? Resolvi ouvir de novo, talvez eu esteja pré-julgando, talvez seja melhor do que eu pensei na primeira vez. Não era. A música continuou horrorosa. Como eles conseguiram ouvir essa música e pensar “essa nossa nova música é ótima!”? Como?

Em um pequeno resumo, “Carry On” (não preciso nem ler a letra para saber do que se trata, de tão clichê e óbvio o título da música) é como se fosse reproduzida por uma versão Metal do Restart (para alguns é o próprio Avenged Sevenfold, mas isto não vem ao caso), querendo emular os lendários grupos Iron Maiden e Metallica ao mesmo tempo, com uma versão tão-ruim-quanto-mas-com-mais-emoção de Axl Rose como vocalista. O resultado é um fracasso metaleiro. Desde as guitarras plastificadas e seus riffs extremamente irritantes até uma bateria comum (qual a banda em sã consciência que não seja o Dream Theater despacha Mike Portnoy?) esta canção falha. Desde os terríveis timbres escolhidos até aos vocais, que estranhamente soam “sem alma”, esta canção falha. Não consigo pensar em nada positivo sobre “Carry On”. Nada. Talvez a mensagem positiva da letra? Se não fosse tão óbvia no título, talvez sim, talvez não. Mas a banda não passa a emoção e uma boa letra para um tema onde a emoção é o fator principal, algo que o Angra fez muito bem com uma música de mesmo nome (e eu nem gosto dela e admito que ela passa a emoção necessária).

Tinha um tempo que eu gostava desta banda e de sua música, e alguma de suas músicas continuam boas, mesmo depois de tanto tempo. Mas, mesmo no auge do meu gosto pelo grupo, eu dificilmente iria gostar de “Carry On”, por, além de soar tão genérica, ser horrível. Eu nunca achei que a banda chegaria a este ponto. Para o gênero Metal, Rock, ou qualquer coisa que você queira classificar a banda, “Carry On” está no meu topo de pior música do ano. Talvez os fãs mais fiéis e novos do grupo iram adorar está música. Se você quer dar uma chance ao grupo, esta música não é a certa para começar.

Esteban – ¡Adiós, Esteban! (2012)

Origem: Brasil
Gêneros: Indie Rock, Pop Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Independente

Não é preciso introduzir o ex-baixista da Fresno, o gáucho Rodrigo Tavares, ou como é chamado em sua carreira solo, Esteban. Por quê? Simples! Leia esse texto que escrevi mês passado, onde falo bastante sobre o homem em seu primeiro single, “Canal 12”, uma ótima faixa de abertura para ¡Adiós, Esteban!, seu disco de estréia em território solo. Mas a dúvida é: o disco em si é tão bom como é a música “Canal 12”? Eu acredito que tenho a resposta para esta singela e simplória pergunta. E a resposta que eu conclui foi um triste “não”. Infelizmente não mantém esta consistência. O álbum de estréia de Tavares (que toca quase todos os instrumentos, além de escrever as letras e cantar) foi montado em volta de boas faixas, outras medianas, outras esquecíveis e fracas, e outras tão horríveis que faz o autor deste texto ter pesadelos.

A faixa de abertura é “Canal 12”, que você provavelmente já deve saber minha opinião. Junto dela, as melhores faixas de ¡Adiós, Esteban! são as contagiantes “Pianinho”, a canção que praticamente iniciou Esteban chamada “Sophia”, “Sinto Muito Blues”, que tem participação de Humberto Gessinger, do Engenheiros do Hawaii, e a depressiva “Muda”. Estas canções em sua parte destacam o disco e praticamente fariam deste trabalho um bom EP, caso fosse um EP composto somente por estas músicas, o que não ocorre. As medianas “Visita”, primeira música que Tavares fez com o nome Esteban, como “resposta” a música que seu ídolo, Humberto, fez um tempo atrás, e a lentinha “Segunda Feira”, apesar de serem boas músicas e os fãs adorarem, não chega aos pés das cinco citadas anteriormente. E o encerramento do disco, “¡Adiós, Sophia!”, se mantém no nível das duas citadas, mas é um fim divertido ao disco que por boa parte do seu decorrer é lento e melodramático.

Já “(Eu Sei) Você Esqueceu” e “Tudo pra Você” são os tipos de música que você torce o nariz enquanto ouve elas. Elas não tem nada de especial e elas estão juntas e próximas da música final, o que faz ter vontade de pular as canções, um crime para quem que gosta de ouvir um trabalho completo do artista, qualquer que seja. Mas não chegamos perto das duas tragédias deste disco, que são “Muito Além do Sofá” e “Sua Canção”. Assim como as duas anteriores citadas, estas duas são uma atrás da outra. Elas são horríveis. São óbvias em suas rimas. A melodia em ambas são incrivelmente irritantes, principalmente em “Sua Canção” por ser extremamente genérica. Estas duas músicas são tão ruins que fazem de “Segunda Feira” piorar, fazendo com que ela parece uma faixa ruim, algo que ela não é. É o que eu chamo de “mata-disco”. Essas duas canções conseguiram esta proeza e faz com que ouvinte queira que o álbum termine suas atividades logo. Elas certamente poderiam ficar de fora deste disco com uma tremenda facilidade.

Por mais que eu goste de Rodrigo Tavares e de Esteban, é inegável que ¡Adiós, Esteban! é abaixo da média e do esperado. Os fãs do gaúcho podem ficar felizes pelas músicas muito bem produzidas, bem cantadas, cheias de emoções e com instrumentos incomuns para “roqueiros fãs de Fresno”, ou um ouvinte comum de Rock, ou podem preferir as versões antigas, feitas anos atrás, mas com uma tracklist inconsistente e decepcionante que este disco possui, ele cai em um nível medíocre (eu odeio usar esta palavra, mas ela é efetiva), além de algumas letras que são vergonhosas, seja pela temática, pelas rimas óbvias… ¡Adiós, Esteban! poderia ser um trabalho muito melhor do que ele é. Mas isso impede de ser recomendado? Claro que não! Eu recomendo a todos. Sim, a todos. Seu tio, avô, pai, amigo metaleiro, primo funkeiro… ¡Adiós, Esteban! é um disco por boa parte agradável e bonito, e mesmo não tendo sendo tão bom quanto devia, vale (muito) a pena conferir a estréia do ex-integrante da Fresno. E você pode baixar no próprio site do cara (clicando aqui) e ver mais informações sobre possíveis shows que o mesmo possa fazer. Eu já assisti a um show do senhor Rodrigo Tavares, e, honestamente, eu recomendo, tchê!

Fresno – Revanche (2010)

Origem: Brasil
Gênero: Rock Alternativo
Gravadora: Universal Music

Eu não pretendia fazer este texto. Eu iria deixar esse disco passar por mim. Talvez no futuro eu opinasse sobre Revanche, o quinto disco de estúdio deste grupo gaúcho conhecido como Fresno, mas não consigo esperar mais. Eu tenho que escrever o que eu penso sobre o disco. O motivo é que para os fãs do grupo, Revanche é um bom disco, e de acordo com eles, a banda voltava a lançar um bom disco, como lançou em 2006 com Ciano (que seria o melhor que eles já lançaram), pois quando a banda lançou Redenção em 2008, com uma pegada bem eletrônica e pop, a banda estava se vendendo ao seu produtor, Rick Bonadio, e fazendo música comercial e ruim. Eu discordo plenamente disto. O que faz de Revanche um disco ruim em minha opinião é o quão solto e espelhado ele é. Não entendeu? Eu explico melhor.

A banda de Lucas Silveira, Gustavo Mantovani (Vavo), Rodrigo Tavares e Rodrigo Ruschell (Bell) queriam ser uma banda de Rock, diferente daquilo que foi em Redenção. O produtor do grupo na época, Rick Bonadio, não aprovou a ideia, e tentou equilibrar as coisas para que continuasse comercial e acessível. O problema que isto gerou é o quão diversificado esse álbum é. Mas não me entenda mal. Assim como Lucas, eu gosto de um disco que seja diversificado, mas quando essa diversificação há uma conexão, algo que faça parecer que aquelas canções tão distintas tenham uma relação, algo que aconteceu no disco de estréia do supergrupo norte-americano, Flying Colors. Em Revanche você tem faixas que com uma pegada Hard Rock e outras que beiram nas terras do Restart (!), de tão absurdo que isto é. E por mais ruim que Redenção seja na cabeça dos fãs, nele você percebe uma ligação entre os elementos e ideias propostas, algo que falta em Revanche.

A faixa-título, “Relato de um Homem de Bom Coração”, “Die Lüge” e “A Minha História Não Acaba Aqui” são as faixas mais pesadas do álbum. Ou melhor dizendo, são as faixas pesadas do álbum. O restante, ou são músicas baladas extremamente lentas, que aparentam chegar a lugar nenhum, ou músicas que o grupo britânico liderado por Chris Martin, Coldplay, tocaria em um de seus discos mais depressivos, ou um Pop Rock que soa totalmente deslocado e sem nexo. E algumas dessas músicas soam como fillers, preenchedoras de espaço. Canções fracas que não sabe porque diabos fazem parte do álbum, como “Não Leve a Mal”, “Esteja Aqui”, “Se Você Voltar” e a já citada “A Minha História Não Acaba Aqui”. O que piora para o disco são os terríveis timbres de teclado. Infelizmente, Mario Camelo não fazia parte da banda nesta época, e as vezes temos atrocidades horríveis que deixaria até o “roqueiro cristão” Neal Morse assustado. E não podemos esquecer do encerramento do disco, uma balada intitulada “Canção da Noite (Todo Mundo Precisa de Alguém)” que tem a coragem de ter um refrão um plagiamento de “Amo Você” do Barney. Sim, aquele dinossauro roxo! Não acredita? Ouça as duas e compare as duas. E mesmo se o meu humor não for bom o plágio não existir, é um fim fraco se compararmos com o hino da banda, “Milonga”, também do Redenção.

Apesar dos pesares, a banda lança boas canções, como a faixa-título, “Relato de um Homem de Bom Coração”, “Die Lüge” e na excelente balada “Porto Alegre”. Mas mesmo nos melhores momentos, a banda consegue deixar “menos melhor”, com os ataques horripilantes de teclado e alguns versos que conseguem matar ereções de cavalos, de tão ruim que são. Exemplo disso é em “Die Lüge”: “Mas olha só pra você, ficou horrível sem mim! / Achou que ia arrasar… mais de mil caras afim… / Mas qualquer um pode ver /Que você é de mentira (Que só eu mesmo acreditei)”. São estes versos raivosos e adolescente que mancham uma boa faixa, que além de possuir um refrão explosivo, possui uma introdução que caso fosse mais lenta, acabaria soando algo vindo de Steven Wilson e/ou do Porcupine Tree (qualquer coisa que me lembre de Steven e/ou do Porcupine Tree em relação a música é um grande elogio).

É. Revanche é um disco que mesmo tendo seus prós, são os contras que pesam mais. Os refrões explosivos, o trabalho de guitarra da dupla Lucas e Vavo, a cozinha consistente de Tavares e Bell, no fim das contas não conseguem esconder os pontos fracos do quinto disco de estúdio do grupo gaúcho, que possui muitas falhas e uma tremenda falta de nexo, que faz parecer aquelas compilações caseiras, onde misturam Slipknot, Luan Santana e Adele em um mesmo disco. Por mais que eu admire a banda em certos aspectos, é inegável que Revanche não chega perto do que estes caras podem alcançar, e a prova disso está no lançamento que segue Revanche, o EP Cemitério das Boas Intenções. Com apenas quatro faixas, a banda se manteve mais consistente e com uma ligação entre as faixas que Revanche nunca chegou perto de ter. Se você quiser conferir algo da banda e dar uma chance, ouça Cemitério das Boas Intenções. As intenções, tanto minhas como do grupo, são as melhores.

Baroness – Yellow & Green (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Sludge Metal, Indie Rock, Rock Alternativo, Rock Progressivo
Gravadora: Relapse Records

Começo essa resenha ressaltando que, sim, você não leu os gêneros de forma errada e eu não errei enquanto os escrevia.

“Qual a diferença entre um artista de metal quando comparado a um artista de outro gênero?” (Além do estilo que a banda toca, óbviamente). Minha resposta é a seguinte: Uma banda de outro gênero pode passear tranquilamente por sub-gêneros próximos sem que a maior parte de seus ouvintes coloque fogo em tudo relacionado aquela banda e declare ódio público.

Por incrível que pareça, isso não aconteceu com o Baroness. Talvez pelo fato de não serem tão conhecidos ou pelos apreciadores do cenário Sludge terem a mente um pouco mais aberta. Felizmente, o quarteto já experiente e proveniente de Savannah, GA (berço da cena contemporânea do estilo) conseguiu fazer isso ao longo de sua carreira com maestria. As mudanças foram acontecendo aos poucos, mas de “First”- EP ainda cru de 2004 – ao excelente “Blue Record” de 2009 existe uma mudança radical, desde os vocais do gênio John Baizley até a as letras.

Em “Yellow & Green”, o grupo foi além. Eles se mantiveram no nicho sludge mas acabaram gerando uma discussão sobre um possível novo ”sub-sub-gênero” denominado “melodic sludge metal”. O disco possui melodias mais cadenciadas e concretas, tornando a técnica dos músicos ainda mais visível. Resumindo, isso caiu como uma luva para a banda, lembrando muito o que aconteceu com o Kylesa em “Spiral Shadow” de 2010.

Muitos “headbangers” torceram o nariz pela falta de músicas parecidas com as encontradas em material antigo. Talvez “Take My Bones Away” ou March to the Sea”, ambas do Disco 1 (sim, é um album duplo). Mas o álbum NÃO possui sequer uma música que possa ser chamada de ruim. Cada música possui sua identidade, não temos fillers, enquadrando nisso inclusive as faixas instrumentais curtas que abrem os 2 CD’s, o que já é de praxe nos full-lenghts da banda.

O disco possui “baladas”, o que é incomum pro sludge e acaba aproximando o estilo da banda pro prog  – no CD 2 (Green) beiram o Indie Rock – Mas as guitarras ainda estão lá, a bateria seca também e produção segue a linha dos dois registros anteriores: áudio bom, porém nada de músicas polidas e recheadas de overdubs e auto-tune. O resultado de tudo isso não pode ser outro, senão o melhor álbum da carreira dessa brilhante banda.

Suicide Silence – The Black Crown (2011)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Deathcore
Gravadora: Century Media

Nem sempre uma banda que tem como costume lançar músicas extremas aparece por aqui. E quando eu digo “extrema”, não é ao nível “Slipknot” que alguns tendem a pensar quando falam em música extrema. É um pouco mais além e menos comercial, sendo mais difícil de assimilar tal sonoridade. Suicide Silence é uma banda norte-americana de Deathcore, que é uma mistura entre Metalcore e Death Metal, e tem como influências bandas como Meshuggah, Sepultura, Cannibal Corpse, Suffocation, Necrophagist, Nile, Deftones, Korn e do já citado Slipknot. Com esta descrição você pode não se interessar por esta banda, mas se você for alguém valente (ou burro) e estiver realmente interessado, seja bem vindo, soldado. Você irá testemunhar um jovem grupo de músicos com uma vontade gigantesca para expor suas raivas e exaltar palavrões sem necessidade alguma.

Em The Black Crown, terceiro disco de estúdio, a banda era composta pelo letrista e vocalista Mitch Lucker (que, segundo os fãs, tem a capacidade de fazer seus guturais e gritos parecidos com um pato, um “ducksqueal” se você me permite dizer), guitarristas Chris Garza e Mark Heylmun, baterista Alex Lopez e baixista Dan Kenny. E por mais pesado que o som seja e os vocais sejam algumas vezes incompreendidos, é incrível como algumas destas canções consigam ser grudentas (catchy). Sim, uma banda de Deathcore consegue lançar músicas grudentas. A prova disso são as duas músicas que iniciam o trabalho, “Slave to Substance” e “O.C.D.”, que por acaso são as duas melhores músicas de The Black Crown. Para ser honesto, são apenas os refrões e outros trechos próximos, mas temos que dar um mínimo de crédito da banda por isso. Outros momentos podem ficar na sua cabeça, mas não são tão bons quanto as duas, como “Fuck Everything”, que é aonde você percebe a “natureza raivosa e adolescente” da banda.

E a prova de que a banda tem tendência adolescente é “You Only Live Once”, provavelmente a pior música do disco. Eu já sou contra a ideia de “YOLO” por ela encorajar a pessoa a fazer merda com mais frequência, pois “só viverá uma vez” (como se soubessem o que acontece depois da morte), mas a música consegue ser tão cansativa e nojenta que só piora a situação. Com exceção de um ótimo solo de guitarra (que talvez seja o melhor de The Black Crown, que por acaso tem bons solos guitarras espalhados pelo álbum), a música é totalmente dispensável, assim como a esquecível “Human Violence”, que é possível esquece-la poucos segundos depois de ouvi-la. Outra faixa dispensável é “Smashed”, com participação especial Frank Mullen, da banda de Death Metal Suffocation, onde seus vocais guturais são apenas mais grossos que os de Mitch Lucker. Mitch conseguiria fazer eles sem problema algum. Mas além dos vocais inutilmente especiais, a música soa cansativa pelo excesso de peso descontrolado até chegar a faixa. Não temos momentos que possam balancear a porradaria, e por mais que o disco não passe de 40 minutos, você cansa de tanta necessidade de parecer “badass”, “cruel”, por mais que essa seja a intenção e proposta da banda.

Entretanto temos momentos que quebram essa porradaria repetitiva, como em “Witness the Addiction”, que em si é uma música longa demais (5 minutos e meio) e desnecessária ter esse tamanho. Mas o refrão é um dos melhores momentos do disco. Por quê? Ele é cantado por Jonathan Davis, do Korn, e, sinceramente, em The Black Crown ele simplesmente se destacou. Sua voz limpa soou como uma benção. Foi algo diferente e bem feito. Outros vocais especiais foram da vocalista da banda de Metalcore Eyes Set to Kill, Alexia Rodriguez. Sua voz feminina em “Cross-Eyed Catastrophe” soaram tão lindos que poderiam estar em todo disco que faria milhares de vezes melhor. Mas Alexia para em “Cross-Eyed Catastrophe”, infelizmente. E mesmo sem vocais especias, temos “March To The Black Crown”, uma música com uma atmosfera bem densa, envolvente e até “creppy” (desculpe pelos termos em Inglês, mas eles não soam tão bons em Português). E as guitarras à la Pantera em “The Only Thing That Sets Us Apart” são bem encantadoras, mas não duram o quanto realmente merecem. E o encerramento fica com “Cancerous Skies”, que, mesmo começando como a intro mais porrada do álbum, é um fim ok para The Black Crown, com exceção do solo de guitarra, que poderia ser mais extendido. Mais poderia ser esperado.

O que pode concluir com The Black Crown? É um disco consistente na porrada e que sabe o quer passar, e que consegue passar sua ideia, mas pode soar repetitivo e cansativo com seu decorrer, além de algumas canções fracas, ruins, momentos chatos, e algumas ideias não tão atrativas e adolescentes que afastam alguém que procura um som extremamente pesado, porém adulto. Mas, por incrível que pareça, vale a pena conferir The Black Crown. Quando a banda acerta, consegue lançar boas “pérolas metaleiras”, que podem ser até grudentas e memoráveis. Certamente é um disco feito por uma banda que ou você amará, ou você odiará. Eu recomendo The Black Crown para os fãs do Metal mais tradicional ao mais moderno e extremista, mas somente a este grupo. Um fã de Jazz ou Pop dificilmente irá querer ouvir Suicide Silence (se ouvir, certamente parará no início do disco). Veja pelo lado positivo: isso não se parece nenhum pouco com Attack Attack!, uma das maiores atrocidades dos tempos atuais.