Lay It On The Line – Crowhurst (2013)

Lay It On The Line - Crowhurst (2013)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Pós-Hardcore, Powerviolence
Gravadora: Fire Engine Records

Não é a primeira vez que esta ótima banda do sul de Londres aparece aqui no Images & Words (e não será a primeira vez que eu a recomendo). Formada em Janeiro do ano passado, Lay It On The Line acaba de lançar seu primeiro álbum de estúdio (um “mini-álbum” se assim podemos dizer) mantendo aquele peso em suas canções hardcore com influências que vão do Grindcore, Thrash Metal e até Black Metal (principalmente nos brilhantes vocais de Mike Scott), mas retém uma personalidade própria na qual me traiu tanto para este tipo de som que, honestamente, nunca fez minha cabeça. A banda apresenta, além de uma incrível energia e agressividade, trabalhos conceituais baseados em histórias reais. Na demo Midnight In The Bellagio, que foi lançada no primeiro mês de existência do grupo, era conceitual, assim como o EP lançado poucos meses depois também era conceitual, e assim como Crowhurst não é diferente.

O conceito abordado neste disco é sobre a morte do empresário Donald Crowhurst que ocorreu em 1969. Crowhurst foi um homem que fez uma viagem solo em uma corrida de iate para dar a volta ao mundo e seu objetivo em vencer esta corrida era fugir de uma futura falência em seu negócios, que iam cada vez mais fracassando. Nesta viagem, Crowhurst foi a insanidade, o que acabou levando ao seu suicídio, ficando 243 dias no mar preso em seu iate, onde mentiu diversas vezes sobre suas coordenadas para parecer que estava vencendo a Sunday Times Golden Globe Race. Não bastando uma instrumentação diferenciada de outras bandas de hardcore e um excelente vocalista, mas Lay It On The Line prova estar muito afrente de outras bandas do gênero por fugir do conteúdo lírico óbvio que muitas delas apresentam e por também escrever boas letras. Esta banda londrina mostra que tem profundidade, criatividade e até mesmo curiosidade na hora de escrever novo material.

Mas o grupo não é somente bons em suas letras. Canções como “Triumph”, “Lying Now” e a faixa de abertura, “1968”, apresentam ótimos e empolgantes riffs. O grupo apresenta momentos grudentos e cativantes, como o refrão de “October 31st”. Se você gosta de um curto e rápido hardcore, você provavelmente vai se deleitar com a veloz “Nobody Likes A Quitter”. A faixa que encerra o disco, “243”, inicia com um bonito violão acústico (que dura pouco), que desembosca na melhor canção deste álbum. E claro, os vocais são a melhor parte de Lay It On The Line, como já comentei na resenha do EP A Lesson In Personal Finance. Naquela análise, eu disse que os vocais de Mike Scott eram “uma versão mais grave dos vocais neandertais de John Dyer Baizley do Baroness”. Foi um ledo engano. Os vocais estão mais para uma versão moderna de Varg Vikernes, conhecido por seus crimes e pelo seu trabalho como Burzum. Você percebe esta semelhança principalmente nas faixas “Lying Now” e “Tetley”.

Nem tudo é perfeito neste mini-álbum. Alguns riffs não são tão bom quanto outros, assim como nem todos os finais das nove faixas apresentadas aqui mantém a qualidade. Entretanto, isto não diminui o nível de qualidade que é enviada para nossos ouvidos. Lay It On The Line é mais pesado e consistente que muito grupo de metal moderno, além de ser interessante e até desafiadora para quem não sabe o que esperar deste ótimo grupo londrino. Crowhurst é uma excelente estréia que deverá ser apenas um pequeno passo para o grupo, mas quem sabe no futuro, ajudará a banda chegar mais longe. São 19 minutos de boa música que você deve conferir. Se decidir conferir, clique aqui. Aproveite e confira outros lançamentos da banda.

Sem título-20

Portal – Vexovoid (2013)

Portal - Vexovoid

Origem: Austrália
Gêneros: Metal Experimental, Death Metal, Black Metal
Gravadora: Profound Lore

Não basta ter um som pesado e extremista, no qual você não consegue compreender os grunhidos que o vocalista desfere pela boca, mas fazer uma sonoridade muito barulhenta, repleto de camadas e texturas cheias de distorções – que soariam muito melhor em uma banda de Noise Rock – acompanhadas de poderosos blast beats e de ritmos inortodoxos. Esse é um pequeno resumo desta besta australiana chamada de Portal. Formada em 1994, o grupo só conseguiu lançar seu primeiro álbum de estúdio em 2003 (chamado Seepia). E não é para menos: o que a banda tenta fazer em sua música é totalmente contrária ao que uma gravadora deseja. Se compararmos com outras bandas de Metal, Portal não é rápido, nem tão pesado, mas sua principalmente marca é o barulho infernal que apresenta nas setes faixas deste curto disco (não chega nem a marca dos 35 minutos).

Vexovoid inicia com “Kilter”, que de começo já mostra o que Portal busca: um metal extremo e experimental. Você pode até se assustar assim que a faixa começar com a porrada que jogam na sua cara. Os vocais ininteligíveis do vocalista “The Curator” (o grupo usa nomes artísticos para seus integrantes) são típicos aos vocais de Black e Death Metal. Se você já está familiarizado com os gêneros, não irá se espantar quando ouvir eles e perceber que são a parte mais fraca e sem importância do disco. Portal poucas vezes dá um devido destaque aos vocais, e as camadas sonoras, experimentais e barulhentas que a banda tanto usa ofuscam ainda mais o vocalista. O sentimento é que “The Curator” está ali para que a experiência do ouvinte seja mais fácil de assimilar o material.

Faixas como a iniciante “Kilter” e “Orbmorphia” são as mais recomendadas caso queria conhecer o som do grupo, baseando-se apenas neste disco, por representarem a melhor mistura entre barulho, peso e “fácil assimilação” (apesar de não serem fáceis de assimilar). Mas se quiser entender o experimentalismo que o grupo tem, ouça “Awryeon” e a faixa que encerra o quarto trabalho de estúdio dos australianos, “Oblotten”, na qual não tem vocais e fica por mais de 2 minutos com distorções de guitarra, com ocasionais aparições de baixo e bateria até somente restar o baixo. Portal está muito mais focado em experimentar para si mesmos do que fazer músicas que agitem um show e criar uma estrutura tradicional de álbum, e a faixa “Oblotten” é a prova do que escrevo.

Você que gosta de Meshuggah pode se interessar pelo som que Portal realiza aqui, mas não pense que soa parecido ou algo do tipo. A banda australiana realiza um som próprio e inconfundível, que foge das estruturas comuns da música moderna, dos refrões, de épicos solos de guitarra e dos vocais limpos que cada vez mais estão se destacando no mundo do metal moderno. Se você estiver interessado em um disco de metal incomum e diferenciado, Vexovoid não é uma má escolha, mas tenha em mente que não será fácil de digerir o som do grupo e que será necessário audições extras. Se você não gosta de metal ou não é fã de música experimental, fique longe disso, para o bem de sua saúde auditiva.

Sem título-17

Torres – Torres (2013)

homepage_large.d943ebc8

Origem: Estados Unidos
Genêros: Indie Rock, Dream Pop, Folk Rock
Gravadora:
 Independente

Cá estamos, após um belo ano para a música, tudo começa novamente. O ciclo tem seu recomeço, nada para e 2013 promete. Estou um tanto atrasado pois estava enrolado com a lista de melhores discos de 2012 que acabei perdendo duas vezes graças a problemas com meu computador, e logo após isso, alguns problemas pessoais tiraram quase todo o tempo que eu tinha pra escrever. Sem mais delongas, vamos direto ao que interessa: Minha opinião sobre este belo trabalho, primeiro registro que ouvi neste 2013

Torres é uma garota de 22 anos vinda de Nashville, Tennessee. Na verdade, ela se chama Mackenzie Scott e seu projeto começou a ganhar asas recentemente. Não há muito a se dizer por trás desse debut auto-intitulado, senão que, como de praxe, um primeiro disco tem a vantagem de não carregar expectativas, podendo cativar fãs com maior facilidade. Em contrapartida, é quase sempre o primeiro disco que caracteriza sua fanbase ou o caminho que sua carreira vai seguir. Mackenzie não parece estar se importando muito com tudo isso, quer dizer, não a ponto de deixar que todo esse bolo de fatos e detalhes descaracterize a sua arte. Ao menos visivelmente, não.

O que chama a atenção nesse disco é a voz de Scott. Suas linhas vocais são marcantes por si só, sem necessariamente possuir um diferencial. Ela não soa diferente e nem pode ser considerada uma ótima cantora, mas sua voz – meio fraca, meio trêmula (?) – é um dos principais charmes deste trabalho. Do outro lado, fazendo isso funcionar corretamente, temos as letras. Cobertas de metáforas e comparações, são quase retratos, talvez pelo fato de que são escritas – a maioria delas – em  primeira pessoa. É como se, ao prestar atenção, você mentalizasse uma pequena história em sua cabeça, mas sem saber exatamente o que aquilo significa, embora seja algo “concreto”. Uma aura pesada contorna tudo isso, criando um ambiente melancólico que começa a ser construído em “Mother Earth, Father God” e tem seu final em “Waterfall”

Os arranjos aqui são demasiadamente simples, isso quando as músicas não são acompanhadas somente pela guitarra. Isso não faz desse disco pior, uma vez que eles se encaixam perfeitamente no clima do mesmo. Torres construiu isso minuciosamente e o resultado agradou, mostrou o que faz um disco não ser uma simples compilação. Isso se baseia saber como encaixar cada faixa em seu lugar e saber qual é seu objetivo: Fazer tudo na mesma linha ou extrapolar os limites de gênero, padrões, formatos e etc. Embora o primeiro seja muito mais fácil que o segundo, é algo que está em falta atualmente. Isso é, se tratando de discos com  bons resultados finais, isso está em falta. Essa combinação monta uma atmosfera muito agradável, sobrepondo as letras  com as melodias suaves e lentas. Isso se nota na sequência de faixas 3-8; as mais densas e que são capazes de despertar o gosto do ouvinte pelo full-lenght. De um ponto de vista sensorial, é como se você estivesse sendo hipnotizado e se transportasse para trechos de filmes em lugares imaginários que fossem capazes de ilustrar as belas e  – de certa forma – tristes canções presentes aqui. O uso eventual de eletrônicos e do baixo, principalmente em “Chains”, música de número 6, fazem a diferença e são responsáveis pela manutenção da obra ao longo de seus cinquenta e tantos minutos.

Esse disco realmente me pegou de jeito e se tivesse sido lançado ano passado, estaria figurando entre os melhores do ano. Sua qualidade é incomparável e embora não possua um diferencial para ser considerado clássico, não possui grandes problemas. Ao menos eu, não notei nenhum ponto negativo nesse disco ao longo das 7 audições até agora. Mackenzie não saiu da zona de conforto, poderia ter arriscado mais, mesmo assim cumpre de maneira espetacular seu papel para um primeiro disco. Quem sabe um dia ainda possamos dizer: Joni Mitchell – Kate Bush – PJ Harvey – Cat Power – Feist – Torres. Veremos.

Sem título-18

 

Sully Erna – Avalon (2010)

Sully Erna - Avalon
Origem:
Estados Unidos
Gêneros: Rock Acústico, Rock Tribal, Piano Rock, Rock Sinfônico
Gravadora: Universal Republic

Para quem não conhece Sully Erna, ele é o vocalista da banda de metal alternativo Godsmack. Em 2010, mesmo ano em que o Godsmack lançara seu quinto trabalho, “The Oracle”, Erna lançou seu primeiro CD solo, “The Avalon”, com um estilo musical diferente de tudo que o Godsmack já havia tocado. Com influências de Música Nativo-Americana e sinfonias tribais, Erna compôs 10 (11, contando com a faixa bônus) faixas, e devido ao novo estilo que Erna abordou no álbum, tirei algumas conclusões precipitadas. Depois de muito tempo querendo ouvir o disco, fiquei feliz de saber que minhas conclusões estavam erradas.

Avalon é um disco incrível, é pacífico, calmo. Não que a agressividade do heavy metal que o Godsmack nos traz desde 1998 seja ruim, porém, porradaria o tempo todo não dá. Faixas com letras inspiradoras e profundas, com uma sonoridade perfeita, sendo que a percussão de chocalhos e bongôs casam perfeitamente com a bateria e o vocal, e até mesmo os vocais dão destaque para Lisa Guyer, que canta praticamente todas as músicas ao lado de Erna. Os elementos nativo-americanos também aparecem bastante, destaque para a flauta em “My Light”, e também contamos com a presença de uma sinfonia de violino e piano incrível em “Until Then…”.

Erna deu aos fãs do Godsmack e também aos seus fãs um ótimo trabalho, de sonoridade ótima e músicas muito marcantes. Destaque para as faixas “7 Years”, “Sinner’s Prayer”, “Eyes of a Child” e as já mencionadas “My Light” e “Until Then…”. Se você não conhece o Godsmack, vale a pena conferir, e se você não conhece Sully Erna, bem, apesar de este ser seu único trabalho, escute “Avalon”, pois na opinião do autor, vale muito a pena.

Sem título-21

Saxon – Sacrifice (2013)

cover

Origem: Inglaterra
Gênero: Heavy Metal
Gravadora: UDR

O Saxon continua aí, na estrada. Apenas dois anos depois de “Call To Arms”, o então último disco deste grupo, a banda volta ao estúdio e sem muito alarde e frescura lança “Sacrifice”, com uma capa inspirada na cultura maia. E o que dizer sobre o lançamento? Que continua sendo o Saxon dos riffs poderosos e um bom e vigoroso vocal de Biff Byford. É o conhecido heavy metal que a banda sempre faz, com algumas eficientes músicas e outras nem tanto. Destaco as 6 primeiras faixas, que realmente são mais robustas do que o restante do disco (4 mais faixas). E é isso, o Saxon lança uma regular para boa compilação de heavy metal, uma divertida mesmice que pode se tornar uma interessante trilha-sonora para um domingo de folga. Cito algumas das canções que mais me chamaram a atenção: a faixa-título, a rápida “Warriors of the Road”, e a minha favorita, “Guardians of the Tomb”.

Não é conteúdo para álbum do ano ou top 10 de 2013, ouça por diversão se esse tipo de som te agrada, se não, recomendo ficar longe.

Sem título-12

Terra Tenebrosa – The Purging (2013)

terra tenebrosa the purging
Origem:
Suécia
Gêneros: Sludge Metal, Avant-Garde Metal, Metal Experimental
Gravadora: Trust No One Recordings

Das cinzas do que antes foi uma banda chamada Breach, surgiu o Terra Tenebrosa, uma banda um tanto quanto diferente, estranha e amedrontadora. Portando máscaras estranhas e um aspecto sombrio, o Terra Tenebrosa compõe uma sonoridade única, mesclando a lentidão, obscuridade e peso do Sludge Metal com elementos de Avant-Garde e Metal Experimental. O novo álbum da banda, The Purging, mostra que conseguem compensar uma aparência diferente com uma sonoridade bastante agradável para os fãs de Heavy Metal. Sendo bem desconhecida e dos cofins da cena do underground metal, o Terra Tenebrosa nos mostra músicas obscuras, com guitarras e vocais sempre distorcidos. Os vocais são usados de várias formas diferentes, o que é um fator interessante no trabalho da banda.

Músicas como “House of Flesh”, “Terra Tenebrosa” e “The Purging”, que na minha opinião são as melhores do disco, mostram que a banda praticamente criou um estilo próprio de Metal, o que não é ruim. Vale a pena dar uma conferida, tanto para fãs de Undeground Metal quanto para os fãs do Metal normal. Só espero que escutem, já que hoje em dia se os membros de uma banda tem um visual diferente ou usam máscaras, são um lixo. Terra Tenebrosa é algo diferente, sombrio, amedrontador e bizarro, mas que vale a pena uma conferida.

Sem título-19