Cromagnon – Orgasm (1969)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Rock Experimental, Avant-Garde, Rock Psicodélico
Gravadora: ESP-Disk

O único disco lançado pelo Cromagnon, Orgasm (que nos anos 2000 seria relançado intitulado como Cave Rock), é considerado um dos discos mais tenebrosos, radicais, futuristas e, principalmente, assustadores de uma era. A banda composta por apenas três integrantes, Austin Grasmere, Brian Elliot e Sal Salgado, que produziram o disco, gravaram as vozes e criaram as músicas deste LP, que mesmo não havendo sucesso comercial algum, sendo um produto muito underground, Orgasm é tido como os primeiros passos que iriam levar a outros gêneros nas décadas seguintes, como Noise Rock, No Wave e Rock Industrial (e diria eu que até levou ao início de um dos gêneros mais exagerados e brutais, o Black Metal). Mas esse disco é realmente tão bom, mas tão bom, que além de revolucionador, é uma obra-prima, na qual devemos lembrar e mostrar aos nossos amigos, filhos e netos a sonoridade deste único disco do Cromagnon? Eu sinceramente discordo e muito dessa possível afirmação.

O álbum começa com “Caledonia”. Sua introdução lembra aqueles créditos iniciais de filmes (veja aqui), mas como se estivesse sintonizando em algum canal, até que finalmente chega ao canal, que poderíamos dizer que é a música. Em resumo, é uma mistura assustadora entre música ambiente, folk escocês e vozes que sussurram de uma maneira bem incomodativa. É uma música estranha, mas que funciona e até possível dizer “curtível”, se você tem um certo fascínio por músicas “especiais”. É em minha opinião a melhor faixa do disco, iniciando muito bem as coisas, se é que pode se dizer “bem”. Depois de “Caledonia”, temos “Ritual Feast Of The Libido”, e é aqui que as coisas ficam ainda mais estranhas. São três minutos e meio de pedras sendo esmagadas, pedaços de madeira sendo batidos, gritos neandertais e loucos… Chega a ser agonizante. E é só isso que a faixa tem a oferecer. Não possui uma estrutura ou nexo. Aliás, tudo feito neste álbum não possui uma estrutura comum e usual que conhecemos e, principalmente, não possui nexo, algo que a banda nem tenta fazer. É tão sem nexo, que é possível dizer que nem é um álbum de Rock (mesmo recebendo classificações deste tipo). É uma tremenda loucura.

“Organic Sundown” continua o que foi feito na faixa anterior, mas dessa vez temos mais instrumentos (uma tribo batendo em pedras), uma duração mais longa (7 minutos) e mais sussurros e gritos. É um som caótico, ao ponto de considerar uma sonoridade infernal. “Fantasy” começa com um pequeno grupo de pessoas cantando juntos “papapapapapapa…”, até que começa risadas esquisitas e sons vocalizados bizonhos. As risadas começam baixas e crescem de maneira quase ensurdecedora, e é possível ouvir gemidos, até que é ouvido aqueles relógios antigos que fazem “cuco” e sirenes, depois efeitos radiofônicos que  no fim, a única vontade é de pular para próxima faixa, que é “Crow Of The Black Tree”. Com uma pequena introdução de violão, o nexo finalmente começa a existir em alguma faixa, até que ocorre uma pequena pausa, um retorno mais veloz do violão e não só temos batidas tribais, mas como uma tribo fazendo um coral, durante uma faixa de quase 10 minutos, isso até o final, que parece uma grande celebração. Por mais cansativa que seja, o nexo existe aqui, por menor que seja.

Então a sexta música é “Genitalia”. Resumo: um cara que canta parecido com Frank Sinatra cantando em volta de mulheres gritando das maneiras mais absurdas e esquizofrênicas que você possa imaginar. E olha que o cara canta bem. Mas o que cerca sua voz é doentio. A próxima faixa é a “Toth, Scribe I”. São quase onze minutos de uma sonoridade barulhenta e alta, que com o decorrer vai crescendo e ficando cada vez mais e mais barulhenta e alta. E é somente isto que a canção tem a oferecer. Não é interessante e é chata, mesmo tendo lógica. As outras faixas possuem gritos e loucuras insuportáveis, mas em “Toth, Scribe I”, o único sentimento que eu sinto é tédio. E esse é daqueles discos que tédio é algo praticamente inexistente. E para encerrar temos “First World Of Bronze”. Uma guitarra fritadora de fundo com um coral que você encontra na Igreja predominam nesta faixa de quase três minutos de duração. Não é memorável como as outras, mas continua bem barulhenta, e termina o álbum de um jeito fraco, mas nada que realmente prejudique o nível de experimentalismo do trio.

Então, se você tiver coragem e a ousadia de ouvir esse álbum, essa loucura do final da década de 60 chamada de Orgasm, e posteriormente intitulada de Cave Rock, eu só espero que você tenha um estômago muito forte, ouvidos extremamente resistentes, uma vontade experimental suicida e, porque não, uma grande vontade em conhecer o passado musical. Cromagnon não é para um ouvinte qualquer. Precisa de, além de experiência como um ouvinte de Avant-Garde e música experimental, um gosto musical duvidoso ou ao menos excêntrico (para no caso gostar). O único disco da banda é algo que você não precisa ouvir e poderá seguir sua vida em frente sem ele, mas se fizer isso, ao fim dele, só pensará “o que foi o que eu ouvi?”. É uma viagem única de um disco único, feito da maneira mais esquisita e indulgente possível, porém inovador e criativo, mas que não salva a sonoridade feita, que em minha opinião, é de um péssimo gosto, com nexo e estrutura praticamente inexistentes e que você deveria evitar a todo custo, mas, apesar dos pesares, eu recomendo ouvir. Orgasm, por mais bizonho e estranho que soe, é merecedor de uma experiência, como já disse, única, tendo bons momentos. Precisar ouvir antes de morrer? Não. Mas se quiser dizer que já ouviu de tudo, esse disco é o que você precisa. Caso você for muito conservador, fique longe disso.

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Tenacious D – The Pick Of Destiny (2006)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Heavy Metal, Hard Rock, Rock Comédia, Rock Acústico
Gravadora: Epic

Quem gosta de filmes de comédia, com certeza deve conhecer o ator, comediante e também músico Jack Black. E as pessoas que gostam e aprovam seu trabalho provavelmente devem saber de seu projeto musical junto com o também ator, comediante e músico Kyle Gass, Tenacious D. Em 2006, foi lançado o filme The Pick Of Destiny, estrelado pela dupla que também ficou encarregada da trilha sonora, lançado um álbum com o mesmo nome. Como o filme é um musical, tudo o que está no filme está no álbum, formando 15 faixas em torno de 33 minutos de duração (que em média não passam de 3 minutos), sem nenhum acréscimo ao álbum (a não ser em edições especiais, nas quais não irei avaliar). O que pode se resumir sobre o segundo disco dessa dupla de comédia? O que pode definir da maneira mais rápida e eficiente sobre esse álbum? Simplesmente podemos descrever tudo o que eu sinto sobre The Pick Of Destiny nestas duas frases a seguir: Assista o filme! Não ouça o disco!

Apesar de ter momentos interessantes e bacanas, como na faixa de abertura “Kickapoo”, tendo a participação especial do grandioso e infelizmente já falecido Ronnie James Dio, o disco é irritante e cansativo. Antes de mais nada, você precisa estar no clima para aguentar Jack Black e suas piadas sem pé nem cabeça, seu gritos idiotas e um pseudo-retardo-mental insuportável (a introdução de “Master Exploder” é que melhor mostra isso). A banda que acompanha a dupla é competente e as linhas acústicas as vezes são agradáveis e as vezes são agressivas, mas como um álbum em si, ele não funciona. Ele não faz sentido algum e nem ao menos tenta encontrar. Nem mesmo o humor é bom, algo que deveria ser destacado. O que você deveria fazer ao invés de ouvir The Pick Of Destiny é assistir o filme em si. As músicas do disco estão lá e fazem o sentido, e quando você escuta o disco separadamente, você se pergunta o porque de estar ouvindo um disco fraco como esse, se posso ver um filme não tão bom, mas que de certa forma faz mais sentido e tem um humor bobo, porém aceitável? Hora de rever seus conceitos de humor musical. Recomendado Joe’s Garage do Frank Zappa para aqueles que realmente procuram música com um humor de qualidade.

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Cloud Nothings – Attack on Memory (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Indie Rock, Rock Alternativo, Revival Pós-Punk
Gravadora: Carpark

Na atual sociedade em que vivemos, presa sempre a estereótipos, uma pessoa tem geralmente dois caminhos a traçar: ela pode seguir as modas, os estilos, e ser taxada como normal, ou ela pode se rebelar (mesmo que seja sem querer) contra toda a cultura momentânea e viver no passado. Um passado que a maioria dos adolescentes nem chegou a viver.

Nem chegaram a viver, mas encontraram no passado um abrigo para tudo que jogam contra eles. Não é anormal o número de hipsters headbangers jovens, algo consideravelmente grande atualmente. E quando os Cloud Nothings lançaram o primeiro LP (auto-intitulado de 2011, via Carpark Records), o compositor e vocalista Dylan Baldi tinha apenas 19 anos. Um bebê que nem saiu das fraldas, mas que já queria ser Kurt Cobain, mesmo tendo nascido depois do Nevermind, de 1991. Mas não precisa de experiência para fazer o quê ele fez na boa estreia da banda, e sim maturidade.

O termo “maturidade” é meio ambíguo, pois neste caso, seria mais uma “pseudo-maturidade”. Embora ele se mostrasse mais velho do que aparentava, ainda falava sobre amor adolescente e dúvidas. Quando foi anunciado o segundo álbum da banda, Attack on Memory, todos esperavam que Baldi tivesse envelhecido um ano, porém a evolução foi muito maior.

Logo após o play e o início de “No Future/No Past”, a mudança é a única coisa que percebemos. Através dos quatro versos repetidos (porém sempre com mais raiva e intensidade), a banda se mostra minimalista, revoltada, suja. Mas a faixa é apenas uma introdução ao que temos em “Wasted Days”, uma das melhores faixas que eu ouvi em um bom tempo. A progressão harmônica simples adicionada aos vocais melódicos e diretos criam uma atmosfera única que desemboca em um jam que ocupa mais da metade da canção. Porém, este raivoso Dylan Baldi (cada vez mais Kurt Cobain, como já antes citado) não é o único existente. Em “Fall In” e “Stay Useless” está concentrada a comercialidade do álbum, com influências pop-punk e post-punk revival, e alguém que quer ser um Billie Joe Casablancas, sem perder a identidade.

Outra ambiguidade é o alvo do álbum: será que querem virar estrelas da Pitchfork ou da Billboard? Querem virar camisas ou prateleiras? Bom, o caminho underground que eles estão propondo dá a eles muitas possibilidades, inclusive as que eles merecem. Attack on Memory, como se não estivesse explícito no título, é um ode às nossas infâncias e lembranças profundas, algo totalmente sem noção vindo de um rapaz de 20 anos. Mas vou apenas ressaltar que o tal rapaz fala como um mestre.

Linkin Park – A Thousand Suns (2010)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Rock Industrial, Rock Experimental, Rap Rock
Gravadora: Warner Bros.

Tá, A Thousand Suns não é um álbum de new metal e não era o som que o Linkin Park estava acostumado a fazer, isso todos mesmo os que não acompanham a banda sabem (meu caso). Vamos apenas analisar o A Thousand Suns, e não a vida passada da banda. Nesse último lançamento até então, a banda decide seguir um novo caminho, saindo da mesmisse, se o resultado foi bom ou ruim, vamos tentar saber agora.

Aqui os caras fizeram um trabalho arriscado, já que não tinha feito nada parecido com isso antes, temos o exemplo do Pain Of Salvation e seu EP Linoleum, aonde é apenas um “rascunho” para o que foi Road Salt One, e melhorado em Road Salt Two, já nesse caso não teve rascunhos, não visíveis, mas um grande ponto positivo para o Linkin Park foi que junto com eles estava Rick Rubin, o famoso produtor, adorado por muitos, odiados por muitos outros. Em A Thousand Suns, a banda se jogou para o lado pop, prova disso é a dedicação que teve em fazer sons de fundo, substituindo o peso do metal. E nesses sons foi um dos pontos que a banda mais se arriscou, o disco está cheio de introduções, já começa com duas seguidas. Ficaram bacanas e bem feitas, nada que o U2 não tenha feito em No Line On The Horizon em 2009, um ano antes de A Thousand Suns, mas a comparação seria um pouco injusta, considerando o tanto de tempo na estrada que o U2 está fazendo este tipo de som.

As canções na sua maioria são baladas aonde temos um Chester “xoxo” e murcho, e algumas aonde Shinoda tenta ser o rapper badass do pedaço, grande exemplo é ‘When They Come For Me’. Na parte das baladas, elas são regulares para boas, sendo a melhor a última faixa do disco, ‘The Messenger’, aonde Chester manda uns vocais rasgados interessantes. E na parte de Shinoda soa até esquisito e genérico, a fusão de U2 com Kanye West não deu lá muito certo. Temos também a parte mais agitada e lembrando o antigo Linkin Park, com ‘Blackout” e ‘Wretches And Kings’, mas depois disso parece que a banda entrou em depressão outra vez e manda a progressão para a lata de lixo. É um disco que cansa o ouvinte, soa repetitivo e não dá “gosto” de ouvir, a não ser que você force a audição uma quarta ou quinta vez, ai você pode se indentificar melhor com o CD, e entender melhor ele, mas nesse arriscado lançamento do Linkin Park, mesmo tendo sons legais e bons momentos, também tem vocalistas brochantes e músicas esquecíveis.

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Nirvana – Nevermind (1991)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Grunge, Rock Alternativo
Gravadora: DGC

Nirvana. Para alguns, o último grito do Rock. Para outros, um grande lixo. Mas é inegável que Nevermind, segundo disco da banda que era composta por Kurt Cobain (vocalista e guitarrista), Krist Novoselic (baixista) e Dave Grohl (baterista), foi uma grande revolução do Rock e da adolescência da década de 90. Era o que a MTV precisava para combater o sucesso absoluto do Guns N’ Roses. Mas uma pergunta que fica em minha cabeça é se esse disco é isso tudo que alguns críticos dizem. Nevermind é mesmo um dos melhores álbuns de Rock da história? E também tenho uma outra dúvida em relação a este disco. Será que após 20 anos de seu lançamento, ele soa datado? Ou continua sendo tudo o que dizem? Vamos conferir isso em quase 43 minutos, divididos em doze faixas.

Começamos com o clássico e o maior hit da banda, “Smells Like Teen Spirit”. São 5 minutos bem gastos eu diria. Uma canção carregada, suja e orgânica, com um refrão explosivo e contagiante, sem contar com um bom solo de guitarra que entra na atmosfera, sendo melhor que muitos solos virtuosos. É difícil você não se deixar levar pelo peso proposto pelo trio e na voz – ora depressiva, ora agressiva – de Kurt Cobain, que possui um timbre único e interessante de se ouvir. A faixa a seguir é “In Bloom”, outra canção explosiva, e até mais pesada que sua antecessora. Por mais que digam que “Smells Like Teen Spirit” é a grande canção da banda, eu prefiro “In Bloom”, ela tem uma energia mais negativa, e eu gosto da atmosfera e distorção de guitarra que ela transmite. Destaque para o baixo, que mesmo não fazendo grandes coisas, é marcante em algumas passagens, e o solo de guitarra, que considero o melhor feito no álbum, apesar de muito curto.

“Come As You Are” é uma mistura na estrutura “Smells Like Teen Spirit” com a atmosfera de “In Bloom”, mas sem o peso da última. Se você prestar atenção em “Come As You Are”, principalmente no pré-refrão, você sentirá a sensação de estar ouvindo a faixa de abertura do álbum, e parece que ouvirá um “Hello, hello…”. É um déjà vu para lá de estranho. Apesar de ser uma canção fácil de assimilar e lembrar, ela não mantém o mesmo nível das anteriores, mas não deixa de ser uma canção boa. Em seguida vem a rápida e barulhenta “Breed”, e se a Avril Lavigne fosse homem e tivesse um espírito mais para o Rock n’ Roll, você poderia pensar que essa é uma música dela. Não estou brincando. Dá até para esperar ouvir algumas palminhas no refrão. Honestamente, não é uma má canção, mas não é daquelas que você vai querer ouvir todo o tempo. É mediana.

“Lithium” é a próxima. Kurt Cobain decide homenagear os Beatles, os reis do iê iê iê, e a homenagem se encontra no pré-refrão, é só conferir a música, já que Kurt repete bastante o seu pequeno tributo musical (21 vezes ao todo!). A canção tem um clima bem obscuro e um refrão explosivo. É uma canção bacana e seria melhor sem o excesso de homenagens aos Beatles. A primeira balada do disco é “Polly”, e é uma canção que eu particularmente gosto bastante de ouvir. Uma faixa acústica e bem calma, porém não sofre de um problema que muitas canções desse estilo sofrem: a facilidade com que são esquecidas. “Polly” é uma faixa que você irá lembrar em algum momento do seu dia a dia e ficará na sua cabeça. Não dá mesma maneira como “Smells Like Teen Spirit” e “In Bloom”, mas é sem sombra de dúvidas uma boa música.

A partir dessa faixa, “Territorial Pissings”, a qualidade de Nevermind cai de maneira gigantesca. Com uma introdução estranha e até engraçada, temos um momento hardcore da banda, e Kurt Cobain quase se mata cantando a canção, principalmente no seu final. É a mais pesada e a mais estúpida do disco. E após “Territorial Pissings”, Nevermind virá um álbum esquecível e fraco, e posso dizer que até acaba a diversão que você sente ouvindo o grupo. É como se a banda tivesse guardada várias demos em sua biblioteca e decidisse lançar no álbum para preencher espaço. Apesar de ter alguns momentos bacanas, boa parte do que está contido nestas 5 últimas faixas são de um nível comum e pobre musicalmente. E o encerramento, “Something In The Way”, é uma balada acústica como “Polly”, porém um pouco mais longa e muito, mas muito depressiva. Não consigo critica-la ou elogia-la, mas é um encerramento esquisito e tenso, porém é bonito e tem um refrão bom.

E este é Nevermind, segundo disco do Nirvana. Como eu descrevi acima em minha opinião, Nevermind não é tudo aquilo que dizem em termos musicais, mas mesmo assim, a banda demonstra coisas interessantes e boas para ouvir. Mesmo com três ótimas canções, não são o bastante para eu mudar a minha opinião sobre o álbum, que sinceramente, é superestimado. E o mesmo vale para a banda. Kurt não era um bom cantor, mas possui uma voz incrível e era esforçado. Grohl mostrou-se competente, mas nada do tipo “melhor baterista da história”, como os fãs dizem. E Krist faz seu trabalho da melhor maneira que ele consegue. E para terminar, Nevermind soa ou não datado? Não, não soa datado. Por mais que a atual cena musical não favoreça a surgirem bandas orgânicas e sujas como o Nirvana, ainda existem bandas que fazem essa sujeira, com ou sem influência do trio, como o Baroness e o Mastodon. Mas provavelmente, daqui a 20 anos, Nevermind soará datado. E por mais que você ache que Nirvana seja um lixo, eu recomendo ouvir o disco. É no mínimo divertido e tem certas coisas que talvez você pode gostar, basta dar uma chance.

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Symphony X – Iconoclast (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Progressivo, Metal Neo-Clássico, Metal Sinfônico
Gravadora: Nuclear Blast

O oitavo disco de estúdio da experiente banda norte-americana, o Symphony X, mostra um exemplo perfeito em Iconoclast de que nem sempre bons músicos juntos fazem (somente) boas músicas. O conceito de Iconoclast é que as máquinas dominam tudo, mas não segue uma história linear como um legítimo disco conceitual, mas sim um álbum temático, como feito pelo Pink Floyd em Dark Side Of The Moon. E esse tema lírico chega até passar para o instrumental da banda, soando até mecânico em certas partes, uma boa ideia do grupo, mas mesmo assim com boas ideias, a banda falha no principal ponto de um álbum deveria ter: suas músicas.

A banda composta por Russell Allen (vocalista), Michael Romeo (guitarrista), Michael Pinnella (tecladista), Michael Lepond (baixista) e Jason Rullo (baterista), apesar de serem ótimos músicos, extrapolam em certos momentos virtuosos que chegam a ser desnecessários, principalmente o guitarrista Michael Romeo. Este homem consegue estragar praticamente quase todas as atmosferas criadas com seus solos ultra-técnicos-e-mega-rápidos-porém-super-irritantes. Ouça “The End Of Innocence”, e repare que até a entrada do solo, a atmosfera é excelente, e os corais, algo muito bom neste disco, deixam tudo em um clima épico e até caótico, mas então entra o solo, e assim perdemos um belo momento. E não podemos esquecer dos péssimos timbres escolhidos por Michael Pinnella, principalmente em seus solos entupidores de ouvido. Um mau gosto inacreditável eu diria. E nem podemos esquecer que temos canções fraquíssimas como “Bastards Of The Machine” e “Eletric Messiah”, ambas esquecíveis.

O que mais decepciona-me em Iconoclast é que, mesmo tendo porradas excelentes e os corais bem feitos, o disco todo é cansativo. Quase não vale a pena ouvir todo ele. O que vale a pena ouvir em Iconoclast, além dos corais e de algumas atmosferas criadas, são duas canções, que de certa forma se isolam no nível qualidade comparada as outras: a faixa-título e “When All Is Lost”, ambas as canções mais longas do disco. Enquanto “Iconoclast” é uma tremenda porrada, ora imprevisível, ora épica (e nada enjoativa), “When All Is Lost” é a única balada do disco e apesar de uma introdução brega, a música desenvolve-se e transforma-se em uma das coisas mais lindas que eu ouvi em 2011. E os solos nestas duas faixas estranhamente são os únicos solos que realmente fazem bem a atmosfera, algo que esse disco tem uma certa facilidade em quebrar devido ao exagero técnico. Uma pena termos apenas duas canções de grande qualidade.

Iconoclast mostrou-se um fraco lançamento da banda, principalmente se compararmos com que o Symphony X já lançou, o ótimo The Divine Wings Of Tragedy. Mesmo os mais extremistas musicais e fãs da banda talvez olham torto para esse álbum como eu olho. Por mais talentosos que estes cinco caras sejam, o ego musical elevado do grupo é algo que vem cada vez mais aumentando, principalmente Michael Romeo, fundador da banda. E o pior de tudo é que não tem muita diferença do que o grupo vem lançando nos últimos discos. É como se a banda estivesse em uma zona de conforto e pretendem não sair dali. Iconoclast, por mais que suas ideias sejam boas, não teve a execução necessária para tornar se um clássico do Heavy Metal. Recomendado apenas as duas faixas citadas (a faixa-título e “When All Is Lost”).

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Silva – Silva EP (2011)

Origem: Brasil
Genêros: Indie Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Independente

Estava eu a procurar alguns EP’s do ano passado que foram considerados muito bons pela internet, eis que me deparo com “Silva”, EP autointitulado com o pseudônimo do autor. Se você é um fã de boa música ou de Los Hermanos ou Marcelo Janeci, creiam que vocês irão se apaixonar por este EP.

O EP de cinco faixas, todas sensacionais, com uma variedade imensa de instrumentos, como o xilofone, violino, tuba, saxofone e até mesmo diversos equipamentos de música eletrônica. A primeira faixa do disco, intitulada de “12 de Maio” tem uma pegada mais instrumental, que por sinal é muito boa, mesmo com a bela voz do cantor aparecendo em algumas partes. A segunda faixa, “Imergir”, é um pouco mais tranquila do quê a primeira, porém é muito boa. A voz calma e hipnotizante de Silva em conjunto dos acordes do teclado e da guitarra deixam a música muito boa, além de ser bastante pegajosa.

Em seguida temos “A Visita” e “Cansei”, que são músicas mais soltas e mais experimentais, porém são boas também, um pouco abaixo do nível das duas primeiras, mas nada que atrapalhe o EP. A última faixa, “Acidental”, também é bastante experimental, porém perdão ao trocadilho, mas é um experimento que deu muito certo! Pegue todas as faixas anteriores, junte-as e tenha algo psicodélico muito bom, e bastante original para a música brasileira.

À  um bom tempo não ouvia coisas novas na música brasileira, a após ouvir a este EP, minhas esperanças foram renovadas de ver algo constantemente bom nas paradas, mesmo sabendo que isto seria algo impossível. Silva é um EP que não teria problema nenhum em ser lançado como CD, para aqueles que dizem que nos EP’s são e estão as partes ruims das bandas. Este é um EP que eu recomendaria demais para qualquer um que goste de boa música, e mais ainda para aqueles que dizem que a música brasileira é totalmente lixosa.

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