Tame Impala – Lonerism (2012)

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Origem: Austrália
Gênero: Rock Psicodélico
Gravadora: Modular Recordings

Quando se ouve o som incomum do Tame Impala muitos começam a fazer associações com outras bandas, buscando alguma semelhança com algo que já tenham ouvido antes para não fazer da experiência uma total novidade. Alguns associam a banda australiana à fase psicodélica do Pink Floyd, quando os autores do The Wall e outras obras primas ainda eram liderados pelo louco Syd Barrett, enquanto outros associam a banda aos Beatles durante a fase  que o budismo e as drogas tiveram grande influência no processo criativo da banda (ou seja, principalmente o Magical Mistery Tour e o Sgt. Pepper), principalmente pela grande semelhança entre a voz de Lennon e do vocalista do Tame Impala, Kevin Parker, além disso ainda há os que associam o som da banda com o Black Sabbath principalmente no Vol. 4 pela semelhança de estilo nos solos de guitarra e linhas de baixo. Todas as associações estão erradas, Tame Impala é Tame Impala, mas se as pessoas conseguem achar semelhanças com três bandas tão boas, os integrantes do Tame Impala devem estar fazendo algo muito certo.

E sem dúvidas estão fazendo algo extremamente certo, principalmente no novo disco, Lonerism, uma forma mais refinada da psicodelia clássica que eles apresentaram em Innespeaker, seu primeiro albúm, algo bem diferente do que o estilo apresentava ultimamente com seus maiores representantes, como o MGMT ou até o Animal Collective, que vinham com uma pegada que focava muito mais no eletrônico do que no som que um sintetizador simples e uma guitarra distorcida fazem. O resultado foi novamente o prêmio de melhor disco do ano pela Rolling Stone.

Espalhando aos poucos sua tentativa de fazer a psicodelia ser cool again, em festivais o Tame Impala coloca o povo que ainda não conhece seu trabalho em transe com a atmosfera criada a partir da voz hipnotizante de Parker, suas letras de introspecção sobre a angústia da existência (conceito central do álbum, muito bem abordada com o passar do disco) e a instrumentação excelente dos componentes da banda, fazendo com que a experiência ao vivo seja tão boa ou até melhor do que o que é ouvido no disco, embora deva ser apontado que as músicas do álbum por serem mais comerciais não são tão imersivas quanto aos do seu trabalho anterior e álbum de estreia, o Innespeaker.

O fato de serem mais comerciais não é algo ruim, entretanto, pois se de um lado o álbum não te coloca em outra dimensão tão eficientemente, músicas como “Elephant”, “Mind Mischief” e “Feels Like We Only Go Backwards” (essas duas últimas podendo ser parte do Abbey Road e Sgt. Pepper Lonely Heart Club Band respectivamente se os Beatles tivessem pensado em tais músicas), facilmente poderiam ser tocadas em uma rádio que tenha o mínimo de bom gosto, assim como poderiam ser parte integrante de qualquer playlist para entrar numa boa viagem.

Deve ser notado também que o álbum é feliz como uma obra única tanto como sendo analisada cada música por si só, talvez até mais, mostrando uma técnica excepcional de Parker ao fazer os arranjos da obra, montando muito bem uma obra progressiva que começa animada e rápida com “Be Above It”, chega ao seu ápice com as músicas mais comerciais já citadas e depois vai ficando mais melancólico até chegar em “Sun’s Coming Up”, um fim brilhante para o disco com uma letra pesada onde o vocalista conta metaforicamente como tudo termina, como tudo acaba se tornando apenas uma memória, finalizando o álbum com uma guitarra extremamente reverberada e com barulhos de interferência  que aos poucos vão se tornando vozes até finalizar o álbum.

Se mostrando muito mais amadurecido, o Tame Impala mostra que o reconhecimento que vem ganhando é até pouco pela obra tão singular se comparada ao resto que vemos hoje em dia, embora em alguns poucos momentos haja o excesso do experimentalismo em coisas que na opinião deste que escreve, ultrapasse o limite da música e atinja o do barulho, o que compromete a obra tão bela.

Outra coisa que deve se notar mostrando que nem tudo são flores é que o álbum apenas envelhece como um bom vinho o que foi mostrado anteriormente, mas não ousa em relação ao resto do cenário musical atual, ao contrário do mostrado em seu primeiro trabalho.

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Kanye West – Yeezus (2013)

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Origem: Estados Unidos
Gêneros: Hip-Hop Experimental, Hip-Hop Industrial
Gravadoras: Roc-A-Fella, Def Jam

Com o lançamento do aclamado My Beautiful Dark Twisted Fantasy, lançado em Novembro de 2010, o rapper Kanye West vem cada vez mais se destacando na mídia, seja positivamente com o próprio lançado em 2010,  ou seja pelas suas aparições na mídia e as palavras que usava em entrevistas e em shows, considerando-se um “Deus” da atualidade. Se compararmos com outro rapper americano, como Lil Wayne, certamente Kanye West é “Deus”. Kanye West, junto com Jay-Z, estão em um patamar que nenhum outro rapper está próximo. Kanye por demonstrar uma incrível progressão como produtor e artista, e Jay-Z por ser um rapper com excelente situação financeira e por estar na mídia por mais de 10 anos sem ter tido sua imagem destruída.

Como produtor, Kanye consegue construir ótimas batidas e usar samples de forma inteligente e criativa, mas como letrista, Kanye decaiu de nível após o lançamento de seu terceiro álbum, Graduation, de 2007. Em sua fase Pop, Kanye explorava uma maior diversidade de temas, e nem todos os temas selecionados eram pessoais, falando sobre religião, família, materialismo e, principalmente, educação. Ouvindo os discos posteriores a Graduation, percebemos que a variedade de temas que Kanye utilizava diminuiu. Já em seu quarto álbum, 808s & Heartbreak, de 2008, Kanye focou-se em temas extremamente pessoais, fazendo músicas sobre amor, solidão e “coração partido” em um álbum com uso extensivo de auto-tune, uma ferramenta bastante usada por Kanye em 2008 e diante, algo que se mantém aqui em Yeezus.

Yeezus é um disco experimental, podendo lembrar grupos como Death Grips em alguns momentos, entretanto Kanye demonstra personalidade própria em seu sexto álbum de estúdio solo. Na canção que abre o álbum, “On Sight”, percebemos o minimalismo que permanece em boa parte do álbum e todo seu potencial barulhento, com forte intensidade em sua batida e um ótimo uso de sample na metade de “On Sight”. Já em faixas como “I Am A God” e “Hold My Liquor”, possui momentos onde Kanye poderia usar mais peso e intensidade, demonstrada em “On Sight” e, principalmente, “I’m In It”, onde possui uma mudança de ritmo que fez a diferença para a canção se tornar uma das melhores do álbum. “Black Skinhead” e “New Slaves” são canções pesadas em seu conteúdo lírico, envolvendo temas sobre racismo envolvidas pelo minimalismo presente no álbum, principalmente “New Slaves”, onde, em questão de progressão e ritmo, somente para o fim que realmente temos algo que altera a estrutura da faixa.

Apesar de Yeezus (em sua boa parte) ser um álbum minimalista, não é em todas as músicas que isso se segue. Na faixa mais longa do disco, “Blood On The Leaves”, é bastante movimentada com um Kanye West bem depressivo e emocional no auto-tune, uma ferramenta muito bem usada no decorrer de Yeezus. Até mesmo alguém como o jovem rapper Chief Keef soa tolerável com esta ferramenta na faixa “Hold My Liquor”, onde o mesmo canta o refrão de uma forma onde o homem de gangue que não quer demonstrar sentimentos finalmente demonstra sentimentos que estava escondendo. Algo notável neste álbum é a tonalidade triste presentes e, de certa forma bonitas, neste disco. Se ignoradas letras em determinados momentos, Yeezus possui momentos que faria Lou Reed chorar (clique aqui e confira [em Inglês] a opinião de Lou Reed sobre Yeezus).

Letras em Yeezus é, em grande parte, o ponto fraco. “Send It Up” tem uma batida cativante, porém com uma letra péssima. E a versatilidade de temas, comparadas com seus discos da era Pop, continuam muito menores. E em alguns refrões, como em “Guilt Trip” e “I Am A God”, são totalmente inefetivos e cansativos. Entretanto, o fim do álbum com “Bound 2” vale a pena pelos samples usados e como foram usados, formando uma música deliciosa de ouvir, com uma ótima participação especial Charlie Wilson. Outro fato notável são as participações especiais. Comparada com My Beautiful Dark Twisted Fantasy, Yeezus possui menos participações especiais, mas as que estão presentes são competentes, como Justin Vernon em “I Am A God” e “Hold My Liquor”, Frank Ocean em “New Slaves” e Kid Cudi em “Guilt Trip”.

Yeezus apresenta seus problemas em seus 40 minutos de duração, porém é um disco que deve ser escutado de início a fim por diversas vezes. Kanye West superou em seu sexto álbum como produtor e artista, trazendo uma evolução inesperada. As músicas compostas, apesar de possuírem pouca qualidade em letras, contém batidas contagiantes, uso inacreditável de auto-tune, samples bem colocados e distribuídos, além de boas e efetivas participações especias. Yeezus é um álbum que demonstra que o comodismo é o maior inimigo do ser humano e que nunca devemos chegar a este ponto.

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