Lay It On The Line – Crowhurst (2013)

Lay It On The Line - Crowhurst (2013)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Pós-Hardcore, Powerviolence
Gravadora: Fire Engine Records

Não é a primeira vez que esta ótima banda do sul de Londres aparece aqui no Images & Words (e não será a primeira vez que eu a recomendo). Formada em Janeiro do ano passado, Lay It On The Line acaba de lançar seu primeiro álbum de estúdio (um “mini-álbum” se assim podemos dizer) mantendo aquele peso em suas canções hardcore com influências que vão do Grindcore, Thrash Metal e até Black Metal (principalmente nos brilhantes vocais de Mike Scott), mas retém uma personalidade própria na qual me traiu tanto para este tipo de som que, honestamente, nunca fez minha cabeça. A banda apresenta, além de uma incrível energia e agressividade, trabalhos conceituais baseados em histórias reais. Na demo Midnight In The Bellagio, que foi lançada no primeiro mês de existência do grupo, era conceitual, assim como o EP lançado poucos meses depois também era conceitual, e assim como Crowhurst não é diferente.

O conceito abordado neste disco é sobre a morte do empresário Donald Crowhurst que ocorreu em 1969. Crowhurst foi um homem que fez uma viagem solo em uma corrida de iate para dar a volta ao mundo e seu objetivo em vencer esta corrida era fugir de uma futura falência em seu negócios, que iam cada vez mais fracassando. Nesta viagem, Crowhurst foi a insanidade, o que acabou levando ao seu suicídio, ficando 243 dias no mar preso em seu iate, onde mentiu diversas vezes sobre suas coordenadas para parecer que estava vencendo a Sunday Times Golden Globe Race. Não bastando uma instrumentação diferenciada de outras bandas de hardcore e um excelente vocalista, mas Lay It On The Line prova estar muito afrente de outras bandas do gênero por fugir do conteúdo lírico óbvio que muitas delas apresentam e por também escrever boas letras. Esta banda londrina mostra que tem profundidade, criatividade e até mesmo curiosidade na hora de escrever novo material.

Mas o grupo não é somente bons em suas letras. Canções como “Triumph”, “Lying Now” e a faixa de abertura, “1968”, apresentam ótimos e empolgantes riffs. O grupo apresenta momentos grudentos e cativantes, como o refrão de “October 31st”. Se você gosta de um curto e rápido hardcore, você provavelmente vai se deleitar com a veloz “Nobody Likes A Quitter”. A faixa que encerra o disco, “243”, inicia com um bonito violão acústico (que dura pouco), que desembosca na melhor canção deste álbum. E claro, os vocais são a melhor parte de Lay It On The Line, como já comentei na resenha do EP A Lesson In Personal Finance. Naquela análise, eu disse que os vocais de Mike Scott eram “uma versão mais grave dos vocais neandertais de John Dyer Baizley do Baroness”. Foi um ledo engano. Os vocais estão mais para uma versão moderna de Varg Vikernes, conhecido por seus crimes e pelo seu trabalho como Burzum. Você percebe esta semelhança principalmente nas faixas “Lying Now” e “Tetley”.

Nem tudo é perfeito neste mini-álbum. Alguns riffs não são tão bom quanto outros, assim como nem todos os finais das nove faixas apresentadas aqui mantém a qualidade. Entretanto, isto não diminui o nível de qualidade que é enviada para nossos ouvidos. Lay It On The Line é mais pesado e consistente que muito grupo de metal moderno, além de ser interessante e até desafiadora para quem não sabe o que esperar deste ótimo grupo londrino. Crowhurst é uma excelente estréia que deverá ser apenas um pequeno passo para o grupo, mas quem sabe no futuro, ajudará a banda chegar mais longe. São 19 minutos de boa música que você deve conferir. Se decidir conferir, clique aqui. Aproveite e confira outros lançamentos da banda.

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Lay It On The Line – A Lesson In Personal Finance (2012)

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Origem: Inglaterra
Gêneros: Pós-Hardcore, Powerviolence
Gravadora: Independente

Lay It On The Line é uma banda do Sul de Londres formada em Janeiro de 2012 e o EP de estréia da banda, A Lesson In Personal Finance, é uma estréia poderosa. Não estou mencionando a demo que a banda gravou em Janeiro do mesmo ano, Midnight In The Bellagio, como a estréia por ser uma demo e porque os próprios membros da banda recomendam você ouvir este EP no qual eu estou resenhando lançado em Julho (mas eu particularmente recomendo a demo). O que o grupo tem a oferecer para o mundo com sua música? Muita, mas muita agressividade envolvido por boas (e criativas) composições. O grupo pretende lançar somente trabalhos conceituais envolvendo histórias reais, como é o caso da demo e deste EP.

O conceito do EP é sobre um professor da escola de dois integrantes da banda na década de 1990 que foi morto por um garoto de programa (sim, garoto) que não recebeu o dinheiro que deveria receber pelo programa e decidiu assaltá-lo, e em um acidente matou o professor, que tinha acabado de se aposentar. Se o conceito já é algo bastante impactante e forte, a música do grupo segue no mesmo nível. Os vocais de Mike Scott, uma versão mais grave dos vocais neandertais de John Dyer Baizley do Baroness, são uma das melhores partes do som da banda. Mas ele está acompanhado por uma banda competente e pesada, em uma sujeira orgânica que vai deixar uma forte impressão no ouvinte.

As músicas do grupo são curtas – a mais longa chega a ter 2:39 de duração -, mas a banda compensa a curta duração em uma enxurrada sonora de riffs, que nem sempre são os mais interessantes, mas são decente, e em alguns casos, a faixa fica incompleta ou subdesenvolvida, como é o caso de “Pay Your Rent, Boy”, que não chega a marca de 1 minuto de duração. As letras do grupo, diretas e agressivas, ajudam na proposta do grupo, que tem influências desde clássicos do Metal como Dio e Iron Maiden a cena Grindcore. Não é apenas um trabalho recomendado, mas sim uma banda recomendada. Não é das mais fáceis de digerir, entretanto, quando digerida, é recompensadora. Você pode conferir todos os lançamentos e os próximos lançamentos da banda clicando aqui.

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Underoath – Define The Great Line (2006)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metalcore, Metal Cristão, Pós-Hardcore, Pós-Metal, Ambiente Eletrônico
Gravadoras: Tooth & Nail, EMI

Apenas dizer os gêneros “Metalcore” e “Metal Cristão” já afastam muitas pessoas de ouvirem tais músicas, seja qual for motivo. Acrescentando momentos de música eletrônica e esse grupo fica ainda menor. Pelo menos se fosse vermos apenas por gênero, este seria o caso de diversas bandas que não recebem devida divulgação, mas este não é o caso de Define The Great Line, da banda de de Tampa, Flórida, Underoath. Sucedendo They’re Only Chasing Safety de 2004, que seguia uma linhagem mais melódica e grudenta, o álbum de 2006 mostra um peso maior, de uma banda de Metalcore, mas também sendo um disco envolvido por mais características “dark”, ou seja, mais depressivo, mais melancólico, dramático, e por aí vai com os adjetivos. E com a combinação deste três gêneros – e ainda incluindo os elementos “Pós” -, é possível encontrarmos além de qualidade nas canções do grupo, mas também estabilidade e consistência? É credível que sim.

Vamos falar da parte eletrônica de uma vez, por ser a mais fácil. As partes eletrônicas estão em apenas de algumas músicas e a duração de suas passagens são curtíssimas, com exceção da faixa “Sālmarnir”, que é totalmente Ambiente Eletrônica e não é genérica, criando uma atmosfera diferente e calma em um disco onde todas as faixas restantes são gritadas, lembrando artistas como Sigur Rós. Em outras palavras, o uso da música eletrônica não chega a incomodar a quem quer ouvir uma música pesada, mas são desnecessárias e tiram a atmosfera que a banda quer passar. O pior do uso da eletrônica, é que ela é bastante comum – com exceção da já citada quinta faixa -, e se tivesse mais espaço e tempo, seria algo vindo do Asking Alexandria ou outro grupo de Metalcore com pegada eletrônica. O elemento eletrônico é o ponto mais fraco do disco, sem dúvida nenhuma.

Já o discurso religioso, um grande motivo para muitas pessoas não se aproximarem do gênero, não é algo escancarado como alguns artistas cristãos fazem. Claro, os caras mencionam Deus e o glorificam, principalmente em “Sālmarnir” (que por acaso é narrada em sua metade final em latim ou alguma língua próxima), o que é normal e esperado vindo algo do gênero. Mas as letras não são tão simples. Boa parte delas procuram uma resposta, ou demandam que a pessoa que está ouvindo-o “acorde” e faça algo – demonstrado na faixa de abertura, “In Regards To Myself” -, ou até temas como solidão, medo e desespero. Um fato curioso é que nenhuma das músicas do disco contém o nome que dá a faixa na letra. Não faço ideia do porque, mas não faz diferença nenhuma. Mas aqui não é o ponto forte de Define The Great Line, mas sim as músicas em si.

Algumas dessas canções mostram o peso já no início e jogam na sua cara, como a canção de início do disco, sendo este elemento o que mais prevalece nas 11 canções. Certas faixas como “A Moment Suspended In Time”, “Moving For The Sake Of Motion” e “Writing On The Walls” soam típicas músicas de Metalcore ou de Pós-Hardcore, com seus já esperados breakdowns comuns, onde a música fica pesada, como se quisessem mudar toda a atmosfera e tentassem soar intimidantes. Entretanto na já citada “Writing On The Walls”, tem um breakdown interessante perto do fim, onde chega a ser Doom Metal, mas é por pouco tempo. Os vocais do grupo, Spencer Chamberlain (guturais) e do baterista Aaron Gillespie (limpos) são do tipo “hit-or-miss”, ou seja, eles vão te acertar em cheio ou você não irá gostar. Os de Spencer em boa parte do tempo são aceitáveis, alguns momentos soando excelente nos vocais, já os do baterista são um pouco irritantes, mas as vezes ele consegue ser aceitável.

Faixas como “Returning Empty Handed”, a faixa de encerramento “To Whom It May Concern” e a melhor canção do disco, “Casting Such A Thin Shadow” (é tão boa que colocaria em uma lista de 100 melhores músicas que eu já ouvi em minha vida), junto com “Sālmarnir”, mostram um grupo tentando mudar, não fazer as mesmas fórmulas, mas ainda sim manter uma consistência e lógica no álbum, diferente de grupos como Muse e Fresno (ambas em seus discos mais recentes), que querem variar, mas acabam variando demais ao ponto de suas músicas não fazerem sentido juntas. É experimentar, mas experimentar com razão, e não para exibir ecleticismo e talento. Outro detalhe é a banda compor canções de durações mais longas, como “To Whom It May Concern”, de 7 minutos e “Casting Such A Thin Shadow”, acima da marca dos 6 minutos, onde o vocalista só começa a cantar a partir dos 4 minutos (!).

É inegável que, mesmo com suas falhas, Define The Great Line foi um disco de mudança do grupo americano, mostrando uma banda mais versátil que no álbum anterior, e voltando até um pouco a sonoridade do seu início de carreira. O grupo teve controle e noção do que queria fazer e experimentaram novas e interessantes ideias e conseguiram criar algumas boas canções, que valem a pena serem conferidas. Mas mesmo assim, a banda não foge do problema do Metalcore: genérico (em algumas faixas). Os fãs do gênero certamente devem dar uma chance para o disco, assim como os mais versáteis dos ouvintes do Metal. Não é um disco que vai agradar a todos e precisa de algumas audições e ignorações para se acostumar com a sonoridade do disco, entretanto, pelo pacote completo, Define The Great Line vale a audição, do início ao fim.

Glória – (Re)Nascido (2012)

Origem: Brasil
Gêneros: Metalcore, Pós-Hardcore, Screamo
Gravadora: Independente

Nessa última Quarta-Feira (23/05/2012) a banda paulista Glória, que recentemente saiu da Universal Music na qual pertenceu por três anos, lançou pela internet o seu quarto álbum de estúdio, (Re)Nascido, contendo 11 faixas e uma duração por volta dos 38 minutos. A atual maior banda do gênero Metalcore brasileira nesse disco foi composta por Mi Vieira (vocalista dos berros e guturais), Elliot Reis (guitarrista e vocais limpos), Peres Kenji (guitarrista), Johnny Bonafé (baixista) e Eloy Casagrande (baterista). Esse último saiu da banda e agora está na lendária banda brasileira Sepultura e nas turnês está sendo substituído por Ricky Machado.

Como o nome do disco da essa ideia da banda (re)nascer, é esperado que a banda tome novos caminhos musicais. Bom, não é bem isso que encontramos em (Re)Nascido. Encontramos aquele peso característico das bandas do gênero e os vocais limpos bem “inocentes”, algo que você pode encontrar nos outros discos da banda. A diferença que podemos dizer que existe deste Glória para o do passado pode ser visto no conteúdo lírico e, quem sabe, no peso das  mais novas composições do grupo paulista. Apesar de não considerar o conteúdo lírico como eu considero outras coisas nas minhas avaliações, eu preciso que dizer que eu odiei as letras de (Re)Nascido. A banda, conhecida pelas letras mais “emo, porém raivoso”, aqui despejou uma temática que está mais para superação de problemas e da vida (o que de certa pode ser considerada “emo, porém agressivo”, dependendo da execução. Bom, a ideia é aceitável e poderia ser executada muito bem, mas o Glória não mandou muito bem nesse quesito. A falta de rimas, o não uso de métrica e palavras cultas em canções onde possui palavrões e termos urbanizados que fariam mais sentido em uma música do Emicida, ou até em um Funk Carioca, deixam a desejar. Mas vamos ao conteúdo principal, as músicas.

O disco inicia com “Bicho do Mato”, com sua introdução de percussão até chegar numa porrada sonora com bons riffs explosivos e uma bateria demolidora de Eloy. Mas quando Mi começa a “cantar”, deixa a música menos interessante. Para ser honesto, não sou muito fã de seus guturais, mas aqui em (Re)Nascido eles não são ruins, só não me agradam e não acho que combina com o peso que a banda propõe em boas partes de seu repertório e eles acabam aparecendo arrotos agressivos. O refrão, cantado por Elliot, deixa as coisas mais agradáveis e até bons, mas inefetivos. O motivo disso é que a delicadeza que ele tenta colocar naquela onda sonora de porradaria não encaixa e, principalmente, não soa urgente, ao ponto de que aquela passagem realmente precisasse daquele tipo de voz.

Mas o que mais prejudica o álbum, ao ponto de dar desgosto, vem da parte da produção e mixagem. E sim, eu sei que o disco é independente, mas isso não justifica o embolamento encontrado no álbum. O baixo, em todas as músicas, é apagado pela altura da bateria e da guitarra, que as vezes chegam ao ponto de prejudicar os vocais. O disco produzido pela banda junto com João Millet, que também mixou o disco e teve um solo de guitarra em “É Tudo Meu”, e o que posso dizer nesse quesito é como algumas passagens foram estragadas. Na já citada “É Tudo Meu”, tem um solo de guitarra que acaba “comendo” a voz de Mi, tornando quase inaudível. E olha, vendo no que ele cantaria, valeu a pena. Colocar Inglês na música foi de um nível desnecessário e até tosco. E não é só em “É Tudo Meu” que a produção prejudica. “Pétalas” tem uma guitarra no fundo de uma camada sonora, que no fim parecem duas músicas diferentes ao invés de uma só. O melhor momento do disco também acaba sendo estragado. Em “Presságio”, temos um violino na introdução que reaparece antes, durante e após o terceiro refrão, que muito bom mas que não teve sucesso, pois foi esmagado pelas diversas camadas sonoras altíssimas que acabam apagando seu potencial máximo e também não recebendo o destaque merecido por causa de outro problema do álbum: a duração das faixas.

A média das músicas não chegam a 4 minutos, e elas acabam não sendo desenvolvidas até o seu máximo. A banda opta por não querer arriscar em solos mais longos e as vezes tenta casar solos de guitarra (que são bons) com vocais, que acabam não funcionando e embola tudo, como se quisesse diminuir a duração das coisas para deixar-las mais acessíveis para o público.  Outro casamento falho é os vocais limpos com os guturais ou até com outros vocais limpos. Na última faixa, “Horizontes”, uma balada com muita influência de Pantera que até encerraria o disco bem senão fosse pelo seu fraquíssimo encerramento, tem a participação de Lucas Silveira da Fresno e seus vocais só são notáveis se você conhece a voz do cara e seus gritinhos agudos, além claro dos guturais que ocorrem durante o refrão que soam totalmente inúteis e poluentes. O disco está cheio de faixas que se tivessem uma duração maior e um desenvolvimento melhor, poderiam sair privilegiadas, como “A Arte de Fazer Inimigos”, a já citada “Presságio”, “Só Eu Sei”, “Desalmado”, “Renascido”, “Grito” e “Sangue”… Em outras palavras, todas as músicas do álbum.

O que (Re)Nascido tem de bom? Alguns riffs, solos de guitarra e uma linha bateria consistente e não é um disco com canções esquecíveis. Mas o lado que pesa mais aqui é o negativo. São 11 canções com um desenvolvimento fraco e curtas demais e, principalmente, uma produção e mixagem ao ponto de serem chamadas de lixo. A banda pode ser boa e ter talento, mas suas composições acabam ficando empobrecidas pela falta de criatividade de certos riffs que lembram de bandas como Trivium, All That Remains, Bullet For My Valentine e As I Lay Dying, sem falar do conteúdo lírico nada bom. No fim das contas, o Glória precisa (re)nascer mais algumas vezes se quiser realmente lançar um bom trabalho de estúdio. Caso queria conferir, clique aqui e faça o download no site oficial da banda. Por mais que o LP possua seus problemas, a banda merece uma chance. É pesado, é rápido, e se você gosta de guturais, vale a pena arriscar e talvez você goste. É só ouvindo que você saberá.

Eyes Set To Kill – The Best Of ESTK (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metalcore, Pós-Hardcore, Screamo
Gravadoras: Foresee, Maphia Management

Mais uma banda da nova onda do metalcore, o ESTK (usarei a sigla porque sou preguiçoso) lançou em 2011 o álbum White Lotus, primeiro com o novo vocalista da banda, Cisko Miranda. E no mesmo ano saiu esta coletânea (sem o Cisko, aqui os gritos são encarregados pelos ex-vocalistas, Brandon Anderson e Justin Denson, cada um dependendo da canção), logicamente, uma escolha entre as “melhores” músicas, entre aspas pois é algo pessoal de cada um escolhas entre melhores e piores. O ESTK possui como grande líder a vocalista Alexia Rodriguez, bom vamos à músicas.

Abrimos com ‘Darling’, temos os 10 primeiros segundos bem tensos, Brandon Anderson parece querer dá uma de “badass”. A canção não é ruim, mas não chega a ser algo bom realmente, apenas regular, gosto da voz da Alexia, é uma boa cantora, apenas um pouco enjoadas em partes que ela tenta “chorar” nas músicas, mas é um dos destaques da banda. ‘Darling’ segue com um enorme breakdown, naquele espaço “vazio” poderia preencher com algo mais interessante, mas adolescentes tão badass quanto Brandon Anderson devem gostar. Os screamos deslocam as canções, se você gostar de algo sem noção e de metalcore, pode até curtir, mas na maioria das faixas o clima que Alexia e a banda (que não é ruim, o álbum possui bons riffs e o grande destaque, a bateria, com bases boas também) é quebrada por partes no-sense de gritos. E não, screamos não me agradam, mas não crítico só por isso, eu gosto de ESTK em partes, e o que me afasta de ouvir a banda é que não souberam juntar as suas influências, não estudaram o suficiente para ver o que fica bom ou não, minha opinião, o que faz genérico e apenas mais uma banda de screamo ou metalcore.

Você pode ouvir uma canção (talvez ’Broken Frames’), se gostar não vai se arrepender de ouvir o CD, em boa parte ele é do mesmo jeitão, o instrumental mesmo parecendo limitado faz um bom trabalho, a voz da Alexia é agradável na maioria das vezes. Para uma coletânea, a ordem das músicas deixaram a desejar, as canções mais agitadas fazem parte da primeira metade do disco, e as baladas, deprês e etc são a “segunda metade”. E essa última parte é mais agradável, sem o deslocamento musical que gritos no-sense levam, mostra o potencial da banda. Apenas detalhes que não gostei foi a pitada de influência de música eletrônica, não “combinou” nas canções em que está presente. E também a falta de destaque que o baixo de Anissa Rodriguez, irmã de Alexia, teve. Resumindo, é uma banda simplória, mas não ruim, tem bastante coisas a melhorar e que vão exergar com o tempo, boas inspirações seriam bandas como Lamb Of God e Trivium.

Black Veil Brides – Rebels (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Pós-Hardcore, Hard Rock, Glam Metal
Gravadora: Universal Republic

No mesmo ano do seu último álbum, o Black Veil Brides lança no final do ano um EP como presente para os fãs, palavras ditas pelo próprio Andy Biersack. E neste EP, pelo contrário que ouvi dizer, ele não está diferente/melhor do que Set The World On Fire, o que podemos dizer é que são apenas 3 músicas, sendo 1 inédita e 2 coverizadas, então sem dúvida é mais fácil ouvir sem cansar. E a inédita abre Rebels, e se chama Coffin. E ela segue o estilo de Set The World On Fire, resumindo, ela não foi algo impressionante ou totalmente diferente do álbum de estúdio como estão falando que o Black Veil Brides melhorou muito nesse EP, como?? Como saber em uma única canção, e 2 covers? Enfim, o refrão tem bem a cara da banda, não tem muito o que dizer, quem gostou do segundo trabalho de estúdio dos caras devem gostar.

Os covers são Rebel Yell do Billy Idol e Unholy do Kiss, essa última com uma participação desnecessária de Zakk Wylde na guitarra, e eu digo o mesmo dessas duas versões que o Black Veil Brides fez. As  duas canções não acrescentan em nada, acho legal coverizar algumas canções, mas nesse caso a banda deveria talvez lançar mais uma ou duas inéditas, Rebel Yell talvez os fãs gostarão da versão que permanece a mesma coisa, sem empolgação a mais, com apenas a diferença entre a voz de Billy e de Andy. E não que Unholy tenha ficado ruim, mas comparar com a versão original é covardia, e nem o talentoso Zakk Wylde pode ajudar os “garotos” nesta, fazendo um solo que não ficou ruim, mas como já disse antes sobre a música, sobre o próprio Zakk e sobre os covers, não acrescenta em nada.

Rebels fez a banda não permanecer parada, é uma boa para os fãs, mas teremos que esperar até o próximo álbum da banda para saber se mudaram mesmo depois de Set The World On Fire, o que não dá paras saber com Rebels. E lembrando que o visual bizonho da banda levam a muitos falarem mal da banda por causa de suas aparências e não por causa da música, algo parecido com o que acontece com o Avenged Sevenfold, só que o BVB não muda muito o seu som do que o Glam Metal foi nos anos 80 (não falo isso pelo álbum de estréia), sendo que dá para lembrar muito e até encaixar algumas coisas que o Black Veil Brides lançam em bandas como Warrant. Mas que precisam melhorar isso é óbvio, é uma banda regular que pode fazer um glam legal, mas para isso devem deixar o visual um pouco de lado, e tentarem ser reconhecidos mais pelo seu verdadeiro trabalho, e não por um rostinho bonito, no caso, rostos bem escrotos.

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Escape The Fate – This War Is Ours (2008)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Pós-Hardcore, Pop Punk, Metal Alternativo, Hard Rock, Screamo
Gravadora: Epitaph

Em seu segundo disco de estúdio, Escape The Fate lança um disco não muito pesado e não muito melódico, segundo o baixista e também vocal de apoio Max Green. A banda composta por Bryan Money (guitarrista, tecladista e vocais de apoio), Robert Ortiz (baterista, percussionista e vocais de apoio) e pelo vocalista novato Craig Mabbitt (que substituiu Ronnie Radke, que cantou no primeiro álbum da banda, Dying Is Your Latest Fashion, e agora é atual vocalista e fundador da banda Falling In Reverse), faz parte de um novo movimento na cena “metálica” mundial junto com outros grupos como Black Veil Brides e outros mais antigos e nem tão antigos, que seria aquelas garotos com jeitinho emo mais que quando pegam no microfone dão gritos, berros e gemidos praticamente inaudíveis o que querem dizer, influenciado por bandas como Linkin Park (sim) e outras mais extremas como o lendário Pantera e outras de Metalcore, uma das origens do grupo. Estranhamente esse disco nem tem muito disso.

Começa com “We Won’t Back Down” e honestamente peço perdão pelo o que vou dizer, mas que voz de merda é essa do vocalista? Você tá cagando ou tá cantando assim porque te pediram, seu bosta? A voz do cara consegue estragar uma faixa empolgante com riffs e solos muito Hard Rock. Tirando essa faixa, o vocalista canta bem nas outras, ou melhor dizendo, decente. Não estraga como estragou nessa! Péssimo começo e nem deveria estar no disco. A próxima faixa, “On To The Next One” é quem deveria começar o álbum, com sua intro empolgante e bem feita. Mas depois fica uma coisa tão sem sal que nem dá pra curtir faixa. Fica apenas na introdução nela, mesmo. Faixas como “Ashley” e “Something” soam como “Pop Punk para macho”. Aqui o lado melódico da banda aparece e não é tão mal assim… Mas não empolga e nem conquista o ouvinte.

Quando começa “The Flood”, sentimos um retorno ao estilo das duas primeiras faixas, aquela previsibilidade toda e minha desconfiança sobre os gritos e berros até que na segunda metade da faixa ouvimos pela primeiras vez gritos, o que chamam atenção, pois foi de certa forma inesperado, o que é bom. O ruim é que os gritos foram uma bela porcaria. Só não supera o lixo que o vocalista do Limp Bizkit, Fred Durst, faz em algumas faixas na sua banda, que chega a soar ridículo. É interessante a canção, e só. “Let It Go” é uma mistura de Pop Punk com Hard Rock, enquanto “10 Miles Wide” é totalmente Hard Rock e uma das melhores do disco também, com participação especial de Josh Todd da banda de Hard Rock Buckcherry. Duas faixas animadinhas que você tem certeza que a banda em si até que a boa, tem momentos interessantes e outros bem ridículos, como na já citada “We Won’t Back Down”, mas que peca na falta de criatividade e de ousadia.

“You Are So Beautiful”, apesar do nome, junto com “Ashley”, tem tudo para serem baladas, mas não são meras baladas. Sobre a dona de uma letra babaca, “You Are So Beautiful” praticamente homenageia James Blunt e a sua canção “You’re Beautiful” liricamente, mas musicalmente é um Hard Rock que evoluiu em um screamo do capeta, com Craig gritando igualmente ao Fred Durst. Dá pra ver que a influência é uma bela merda. “This War Is Ours (The Guillotine Part II)” começa com riffs pesados e rápidos, e pela primeira vez no álbum, o gritos que começam a faixa, e até que são bem feitos nessa canção que pode ser considerada a segunda melhor. É empolgante, raivosa, apesar de ter um momento leve que deveria ser retirado, mas que apesar de tudo não estraga a faixa. Possui um breakdown final que só tem na última faixa do álbum, que depois irei falar melhor. Sobre o breakdown, isso faria a banda Metalcore, mas como só tem dois breakdowns no álbum e sendo apenas um de Metal, porque considerar a banda de Metalcore neste lançamento.

Após tudo isso, temos a grande balada do disco, “Harder Than You Know” é uma canção tão emotiva que chega a ser boba. A interpretação do vocalista consegue estragar a música na sua primeira metade, já na segunda metade a banda se encaixa na voz do homem, como aconteceu na balada “Should’ve Listened” da banda canadense Nickelback, onde Chad Kroeger faz uma interpretação feia e equivocada com sua voz forte, marcante e muito limitada e a banda é quem tem que encaixar nele. É uma balada que fica naquele nível “Untitled” do Simple Plan. Para encerrar esse “adubo”, temos uma salvação, “It’s Just Me”. Uma música muito diferente e imprevisível e que contradiz o que eu disse sobre a banda lá cima, que falei que ela não era criativa. Nessa canção a banda é criativa e muito interessante, Craig faz uma interpretação muito interessante com sua voz, e com sons que provavelmente são de flautas, kisanji, trompa e charango e tem até um, já citado anteriormente, breakdown desses instrumentos no final, que é sensacional, enriquecendo não só a faixa, mas o álbum todo. Pena que só nessa faixa a banda surpreende no que apenas soa uma brincadeira de estúdio.

Em conclusão, podemos notar que Escape The Fate neste álbum é uma boa banda, tendo alguns momentos bem criativos  outrora comuns, mas que principalmente, a banda sofre pela falta de direcionamento musical, o que custou um lançamento medíocre e quase ordinário. Temos faixas que não combinam com disco, como “It’s Just Me” e “This War Is Ours (The Guillotine Part II)” e uma grande mistura de gêneros musicais que no fim fica tudo embolado e mal feito. Tem bons momentos e interessantes, mas tem muita porcaria nesse disco também. Por vias das duvidas, escute apenas “It’s Just Me” se você quer ser surpreendido, “This War Is Ours (The Guillotine Part II)” se você gosta de Metalcore e “10 Miles Wide” se você é fã de Hard Rock.