Malta – Supernova (2014)

malta
Origem:
Brasil
Gênero(s): Pop Rock, Hard Rock, Post-Grunge
Gravadora: Som Livre

A tão aclamada banda Malta, vencedora do programa Superstar da Rede Globo, lançou agora seu primeiro álbum, chamado Supernova. A banda ficou famosíssima pelas performances no programa da televisão, criando uma legião de fãs e recebendo pagação de pau de pessoas como Fábio Jr e Dinho Ouro Preto. Só para comentar, causa nojo Fábio Jr falar que o vocal, Bruno, cantou “I Don’t Want to Miss a Thing” melhor que Steven Tyler. Mas que belo jurado, não?

O álbum é composto por versões “completas” das músicas que a banda apresentou no programa e mais algumas inéditas. O que tenho a dizer sobre “Supernova”? É um álbum com um Hard Rock estilo Creed (mas não igual) e com um vocal que lembra muito a banda gaúcha Reação em Cadeia, podem crucificar quem escreve por isso, mas a culpa da sonoridade similar é da própria banda.

Munido de 13 faixas e uma duração de 40 e poucos minutos, a banda nos trás um álbum fraco, com algumas composições porcas, como por exemplo a música “Cala Tua Boca na Minha” que é um loop da mesma letra durante os 3 minutos de música e uma das mais famosinhas, “Diz pra Mim”, que é basicamente a mesma estrofe com algumas alterações e o refrão se repetindo durante toda a música. As 13 músicas são quase todas parecidas com as outras, calmas e lentas com acompanhamento de piano e Bruno fazendo um vocal melódico.

A produção do álbum é um ponto meio positivo, pois não é das piores. Mas de que adianta uma produção boa quando o material apresentado no disco não é de uma grande qualidade? E também Bruno não deve ser desmerecido, ele tem um vocal muito bom, mas o resto da banda não ajuda muito. Em resumo, “Supernova” é um álbum arrastado e maçante, com músicas chatas, cansativas e sem graça. Apesar disso, a banda deseja dar ao público músicas que mesclam o peso do Rock com o romantismo e suavidade de grupos pop, e cumpre essa proposta com o álbum. Se você for um fã da banda Malta, você com certeza vai amar “Supernova” do início ao fim. Agora, se não for, não recomendo passar perto desse álbum.

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DVD: Gangrena Gasosa – Desagradável (2013)

Gangrena Gasosa - Desagradável
Origem:
Brasil
Gêneros: Saravá Metal, Crossover Thrash, Hardcore Punk
Gravadora: Läjä Records

Chegamos aqui com a primeira review de um DVD aqui no I&W! Resolvi escolher fazer de um DVD que ganhei recentemente e já assisti bastante. A primeira e única banda de Saravá Metal do mundo, a Gangrena Gasosa, lançou seu primeiro DVD este ano para comemorar o aniversário de 20 anos de carreira da banda. Em um DVD Duplo foi lançado “Desagradável”, que contou muito com o apoio dos fãs via crowdfunding.

Em um DVD temos “Desagradável: O Documentário” e em outro temos o show “Gangrena Gasosa: Ao Vivo no Inferno” (só pra constar isso não é uma brincadeirinha da banda, o show foi gravado no Inferno Club em SP). Irei falar sobre ambos os DVDs, e como isso pode se tornar um texto grande, peço que me sigam na continuação para a review.

Pois bem, irei falar agora do primeiro DVD, o Documentário. O documentário tem 120 minutos e fala sobre toda a carreira da banda, desde os primórdios da Gangrena em 1991, contando com alguns registros antigos e os vários ex-integrantes falando sobre as histórias e acontecimentos bizarros pelos quais a banda passou. O que não falta no documentário é humor, com histórias totalmente engraçadas e algumas pitadas de ironia, ele se torna muito agradável de assistir. Além disso, são contados casos muito interessantes, tais como terreiros de umbanda reclamando dos shows do Gangrena Gasosa no antigo Garage.

Além disso, o documentário conta com as ilustres presenças do ex-Dead Kennedys Jello Biafra, dos membros do Ratos de Porão João Gordo e Jão, do ex-Legião Urbana Dado Villa-Lobos, dos membros do Planet Hemp Marcelo D2 e BNegão entre jornalistas e os mais de dez ex-membros da banda. A história da banda é impressionante e o que alguns dos integrantes passaram é, de certa forma, incrível e assustador, vale a pena dar uma conferida no documentário.

Partindo agora para o segundo DVD, que é o show, é um registro de 80 minutos com cinco câmeras Full HD, que contou com os efeitos especiais de Kapel Furman, que explicarei mais sobre isso depois, e com uma iluminação incrível. Foram escolhidas 27 músicas para o set list, começando com a versão da banda de “Troops of Doom”, chamada “Troops of Olodum”. A iluminação geralmente escura contando com vermelho, azul marinho e as vezes até preto cria uma atmosfera bem assustadora e bizarra no show, e as velas vermelhas acesas no palco também contribuem para isso.

A performance do Gangrena Gasosa e inigualável, conversando e jogando partes das músicas para o público cantar, tocando músicas pesadas e rápidas fazendo com que o mosh inicie na platéia. Tocando músicas clássicas como “Welcome to Terreiro”, “Pegue Santo or Die!” e “Centro do Pica Pau Amarelo”. O show chega a ser até engraçado pois vemos uma banda inteira vestida de entidades do candomblé e da umbanda, e precensiamos momentos únicos como Exú Caveira e Zé Pelintra batendo cabeça com a platéia, uma Pomba Gira tocando percussão e outros momentos que para saber é preciso assistir ao show.

Como citei antes, o show conta com efeitos especiais de Kapel Furman, que trabalhou com Zé do Caixão no filme “Encarnação do Demônio”. Temos um “sacrifício” ao vivo bem no fim do show, o que é algo muito interessante e que talvez nenhuma outra banda tenha usado esse tipo de efeitos especiais em um show ao vivo, e foi algo que funcionou bem, foi bem feito, chamou atenção do público e digamos que foi um tanto quanto inovador. Só assistindo ao DVD para entender.

Em questão das letras, o DVD é bastante fiel ao disco, mas em questão musical ele está bastante diferente. São integrantes diferentes e tal, mas nada demais, todos eles fazem por merecer. Porém as músicas do primeiro álbum ficaram bem melhores após a entrada da percussão no instrumental e as músicas dos outros CDs ficaram com mais energia do que o normal, essa é a parte bastante boa do show. Outra coisa é que a banda é muito fiel aos discos já que até frases faladas, que não fazem parte da letra da música, são repetidas ao vivo e isso é muito bom pois praticamente nenhuma banda faz isso.

Geralmente, a banda é bastante criticada sem que as pessoas escutem por conta da percussão e das batidas de macumba incorporadas no Heavy Metal e pelas roupas de entidade. Eu recomendo muito que assistam “Desagradável” para que conheçam a história da banda antes que possam criticá-la. Vale muito a pena, assim como o último álbum da banda: “Se Deus é 10, Satanás é 666”. Parece que a ideia do Saravá Metal não foi tão ruim assim, não é?

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Esteban – ¡Adiós, Esteban! (2012)

Origem: Brasil
Gêneros: Indie Rock, Pop Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Independente

Não é preciso introduzir o ex-baixista da Fresno, o gáucho Rodrigo Tavares, ou como é chamado em sua carreira solo, Esteban. Por quê? Simples! Leia esse texto que escrevi mês passado, onde falo bastante sobre o homem em seu primeiro single, “Canal 12”, uma ótima faixa de abertura para ¡Adiós, Esteban!, seu disco de estréia em território solo. Mas a dúvida é: o disco em si é tão bom como é a música “Canal 12”? Eu acredito que tenho a resposta para esta singela e simplória pergunta. E a resposta que eu conclui foi um triste “não”. Infelizmente não mantém esta consistência. O álbum de estréia de Tavares (que toca quase todos os instrumentos, além de escrever as letras e cantar) foi montado em volta de boas faixas, outras medianas, outras esquecíveis e fracas, e outras tão horríveis que faz o autor deste texto ter pesadelos.

A faixa de abertura é “Canal 12”, que você provavelmente já deve saber minha opinião. Junto dela, as melhores faixas de ¡Adiós, Esteban! são as contagiantes “Pianinho”, a canção que praticamente iniciou Esteban chamada “Sophia”, “Sinto Muito Blues”, que tem participação de Humberto Gessinger, do Engenheiros do Hawaii, e a depressiva “Muda”. Estas canções em sua parte destacam o disco e praticamente fariam deste trabalho um bom EP, caso fosse um EP composto somente por estas músicas, o que não ocorre. As medianas “Visita”, primeira música que Tavares fez com o nome Esteban, como “resposta” a música que seu ídolo, Humberto, fez um tempo atrás, e a lentinha “Segunda Feira”, apesar de serem boas músicas e os fãs adorarem, não chega aos pés das cinco citadas anteriormente. E o encerramento do disco, “¡Adiós, Sophia!”, se mantém no nível das duas citadas, mas é um fim divertido ao disco que por boa parte do seu decorrer é lento e melodramático.

Já “(Eu Sei) Você Esqueceu” e “Tudo pra Você” são os tipos de música que você torce o nariz enquanto ouve elas. Elas não tem nada de especial e elas estão juntas e próximas da música final, o que faz ter vontade de pular as canções, um crime para quem que gosta de ouvir um trabalho completo do artista, qualquer que seja. Mas não chegamos perto das duas tragédias deste disco, que são “Muito Além do Sofá” e “Sua Canção”. Assim como as duas anteriores citadas, estas duas são uma atrás da outra. Elas são horríveis. São óbvias em suas rimas. A melodia em ambas são incrivelmente irritantes, principalmente em “Sua Canção” por ser extremamente genérica. Estas duas músicas são tão ruins que fazem de “Segunda Feira” piorar, fazendo com que ela parece uma faixa ruim, algo que ela não é. É o que eu chamo de “mata-disco”. Essas duas canções conseguiram esta proeza e faz com que ouvinte queira que o álbum termine suas atividades logo. Elas certamente poderiam ficar de fora deste disco com uma tremenda facilidade.

Por mais que eu goste de Rodrigo Tavares e de Esteban, é inegável que ¡Adiós, Esteban! é abaixo da média e do esperado. Os fãs do gaúcho podem ficar felizes pelas músicas muito bem produzidas, bem cantadas, cheias de emoções e com instrumentos incomuns para “roqueiros fãs de Fresno”, ou um ouvinte comum de Rock, ou podem preferir as versões antigas, feitas anos atrás, mas com uma tracklist inconsistente e decepcionante que este disco possui, ele cai em um nível medíocre (eu odeio usar esta palavra, mas ela é efetiva), além de algumas letras que são vergonhosas, seja pela temática, pelas rimas óbvias… ¡Adiós, Esteban! poderia ser um trabalho muito melhor do que ele é. Mas isso impede de ser recomendado? Claro que não! Eu recomendo a todos. Sim, a todos. Seu tio, avô, pai, amigo metaleiro, primo funkeiro… ¡Adiós, Esteban! é um disco por boa parte agradável e bonito, e mesmo não tendo sendo tão bom quanto devia, vale (muito) a pena conferir a estréia do ex-integrante da Fresno. E você pode baixar no próprio site do cara (clicando aqui) e ver mais informações sobre possíveis shows que o mesmo possa fazer. Eu já assisti a um show do senhor Rodrigo Tavares, e, honestamente, eu recomendo, tchê!

Fresno – Revanche (2010)

Origem: Brasil
Gênero: Rock Alternativo
Gravadora: Universal Music

Eu não pretendia fazer este texto. Eu iria deixar esse disco passar por mim. Talvez no futuro eu opinasse sobre Revanche, o quinto disco de estúdio deste grupo gaúcho conhecido como Fresno, mas não consigo esperar mais. Eu tenho que escrever o que eu penso sobre o disco. O motivo é que para os fãs do grupo, Revanche é um bom disco, e de acordo com eles, a banda voltava a lançar um bom disco, como lançou em 2006 com Ciano (que seria o melhor que eles já lançaram), pois quando a banda lançou Redenção em 2008, com uma pegada bem eletrônica e pop, a banda estava se vendendo ao seu produtor, Rick Bonadio, e fazendo música comercial e ruim. Eu discordo plenamente disto. O que faz de Revanche um disco ruim em minha opinião é o quão solto e espelhado ele é. Não entendeu? Eu explico melhor.

A banda de Lucas Silveira, Gustavo Mantovani (Vavo), Rodrigo Tavares e Rodrigo Ruschell (Bell) queriam ser uma banda de Rock, diferente daquilo que foi em Redenção. O produtor do grupo na época, Rick Bonadio, não aprovou a ideia, e tentou equilibrar as coisas para que continuasse comercial e acessível. O problema que isto gerou é o quão diversificado esse álbum é. Mas não me entenda mal. Assim como Lucas, eu gosto de um disco que seja diversificado, mas quando essa diversificação há uma conexão, algo que faça parecer que aquelas canções tão distintas tenham uma relação, algo que aconteceu no disco de estréia do supergrupo norte-americano, Flying Colors. Em Revanche você tem faixas que com uma pegada Hard Rock e outras que beiram nas terras do Restart (!), de tão absurdo que isto é. E por mais ruim que Redenção seja na cabeça dos fãs, nele você percebe uma ligação entre os elementos e ideias propostas, algo que falta em Revanche.

A faixa-título, “Relato de um Homem de Bom Coração”, “Die Lüge” e “A Minha História Não Acaba Aqui” são as faixas mais pesadas do álbum. Ou melhor dizendo, são as faixas pesadas do álbum. O restante, ou são músicas baladas extremamente lentas, que aparentam chegar a lugar nenhum, ou músicas que o grupo britânico liderado por Chris Martin, Coldplay, tocaria em um de seus discos mais depressivos, ou um Pop Rock que soa totalmente deslocado e sem nexo. E algumas dessas músicas soam como fillers, preenchedoras de espaço. Canções fracas que não sabe porque diabos fazem parte do álbum, como “Não Leve a Mal”, “Esteja Aqui”, “Se Você Voltar” e a já citada “A Minha História Não Acaba Aqui”. O que piora para o disco são os terríveis timbres de teclado. Infelizmente, Mario Camelo não fazia parte da banda nesta época, e as vezes temos atrocidades horríveis que deixaria até o “roqueiro cristão” Neal Morse assustado. E não podemos esquecer do encerramento do disco, uma balada intitulada “Canção da Noite (Todo Mundo Precisa de Alguém)” que tem a coragem de ter um refrão um plagiamento de “Amo Você” do Barney. Sim, aquele dinossauro roxo! Não acredita? Ouça as duas e compare as duas. E mesmo se o meu humor não for bom o plágio não existir, é um fim fraco se compararmos com o hino da banda, “Milonga”, também do Redenção.

Apesar dos pesares, a banda lança boas canções, como a faixa-título, “Relato de um Homem de Bom Coração”, “Die Lüge” e na excelente balada “Porto Alegre”. Mas mesmo nos melhores momentos, a banda consegue deixar “menos melhor”, com os ataques horripilantes de teclado e alguns versos que conseguem matar ereções de cavalos, de tão ruim que são. Exemplo disso é em “Die Lüge”: “Mas olha só pra você, ficou horrível sem mim! / Achou que ia arrasar… mais de mil caras afim… / Mas qualquer um pode ver /Que você é de mentira (Que só eu mesmo acreditei)”. São estes versos raivosos e adolescente que mancham uma boa faixa, que além de possuir um refrão explosivo, possui uma introdução que caso fosse mais lenta, acabaria soando algo vindo de Steven Wilson e/ou do Porcupine Tree (qualquer coisa que me lembre de Steven e/ou do Porcupine Tree em relação a música é um grande elogio).

É. Revanche é um disco que mesmo tendo seus prós, são os contras que pesam mais. Os refrões explosivos, o trabalho de guitarra da dupla Lucas e Vavo, a cozinha consistente de Tavares e Bell, no fim das contas não conseguem esconder os pontos fracos do quinto disco de estúdio do grupo gaúcho, que possui muitas falhas e uma tremenda falta de nexo, que faz parecer aquelas compilações caseiras, onde misturam Slipknot, Luan Santana e Adele em um mesmo disco. Por mais que eu admire a banda em certos aspectos, é inegável que Revanche não chega perto do que estes caras podem alcançar, e a prova disso está no lançamento que segue Revanche, o EP Cemitério das Boas Intenções. Com apenas quatro faixas, a banda se manteve mais consistente e com uma ligação entre as faixas que Revanche nunca chegou perto de ter. Se você quiser conferir algo da banda e dar uma chance, ouça Cemitério das Boas Intenções. As intenções, tanto minhas como do grupo, são as melhores.

Track 1: “Canal 12”, por Esteban

Rodrigo Tavares até o início do ano era o baixista e um dos principais compositores da Fresno. Tavares um dia acordou e decidiu sair da banda para focar em sua carreira solo que já existia a três anos, mas não teve o pontapé inicial, o disco de debut. Lançou várias músicas para os fãs ouvirem, mas nenhum disco (ainda). Acredita-se que esse ano teremos o tão esperado ¡Adios Esteban!, nome de seu primeiro disco em carreira solo. E a sonoridade é surpreendente para quem nunca tinha ouvido Tavares como Esteban. O homem todo tatuado, vindo de uma banda taxada de emo, mostra uma grande influência do Rock Argentino, do Rock Gaúcho e até da Música Nativista Gaúcha, que unidas formam um clima agradável e Pop (para nós, Rock para os hermanos). É o tipo de som que agrada a (quase) todos. Apenas extremistas a determinado gênero deverão odiar esse projeto. E um bom início para ouvir Esteban é com “Canal 12”.

“Canal 12” é o tipo de música que pode ser considerada comercial e ainda sim soar verdadeira, interessante e bem emocional. A música tem um alto poder de identificação com quem está ouvindo. Não no sentido de “o autor fez para o ouvinte”. Um (bom) compositor jamais faria algo para agradar alguém além de si mesmo. O poder de identificação vem da simplicidade da música, da maneira como é fácil de absorvê-la, da maneira como Tavares se impõe no vocal, do instrumental, e, principalmente, da letra (falarei posteriormente sobre esta seção). Você se identifica com o que o compositor está passando com a música, o que é um grande fator para criar uma relação com o público, seus fãs. Outro ponto positivo da música é o uso de instrumentos que os fãs de Fresno (provavelmente) nunca deram atenção ou nunca se interessaram, como o acordeão. Tavares coloca na cabeça de seus fãs instrumentos não familiarizados muito bem, fazendo com que os gostos de seus fãs sejam expandidos, seja intencional ou não.

E que tal os vocais de Tavares? Tavares se impõe a música de uma ótima forma, soando bem honesta e sincera, deixando seus sentimentos irem de acordo com a música, que por si só é triste. Tavares não atinge notas altas, seja por vontade própria ou porque não consegue (mais provável a segunda), mas isso não faz da música pior. A voz do ex-Fresno é muito interessante e combina com a atmosfera da música. Ele soa melhor que muitos vocalistas que atingem notas altas (ou costumavam a atingir), como James LaBrie, do Dream Theater, e Geddy Lee, do Rush (mas ambos continuam fodas). Tavares deu a interpretação bela e correta para o que a letra e música pedia.

E a letra provavelmente é o ponto mais fraco da letra. Não é porque é ruim ou falta detalhes, como faltou em “Infinito”, da Fresno. Na verdade, “Canal 12” tem uma boa letra com boas metáforas e ideias. Ela tem um grande potencial de identificação e é fácil de compreende-la. Então qual é o problema que faz a letra ser o ponto fraco? A poesia, mais especificamente na rima e na métrica (algo praticamente inútil nos tempos modernos, mas ainda assim é um motivo para reclamar aqueles que são mais chatos). As rimas são mínimas e a métrica é praticamente inexistente. Mas esses pontos perto do poder que a música oferece, o feeling da música de Esteban passa, supera toda essa quase falta de rimas e métricas, mostrando aos chatos que nem sempre precisa seguir algo padronizado. Mas ainda me deixa uma pergunta no ar: “Canal 12” tem uma letra simples, abordando o tema de “seguir em frente, mudar sua vida, esquecer do passado”, e da maneira como Tavares passa, é quase certo de que é sobre um romance fracassado. É um tema simples que poderia ter um pouco mais de esforço para as rimas, mas que no fim das contas, ainda continua sendo uma boa letra para uma ótima música. Pelo menos não estamos tendo temas estúpidos como muitos artistas do Sertanejo Universitário andam usando ultimamente (e que conseguem ser mais “Rock & Roll” que muitas bandas brasileiras que se proclamam “Rock & Roll”).

“Canal 12” é uma bela música com um alto poder de identificação ao ouvinte e fácil de agradar aos mais variados gostos musicais, possuindo uma produção muito boa e satisfatória. Uma letra que mesmo sem muitas rimas mostra o qual poderosa e emocional pode ser, sem falar no belo solo de acordeão, um instrumento atípico para os fãs de Rodrigo Tavares, que boa parte são jovens sem muito conhecimento musical (ex: se aquele garoto ouve tal tipo de música, será tachado somente como “o garoto que ouve tal tipo de música”) ou não tem interesse em buscar por novas ideias musicais. O único grande problema de “Canal 12” (se nós ignorarmos os problemas poéticos0) é que a música já existe a mais de dois anos e já foi lançada em uma versão diferente (sem acordeão e com outras alterações), não tendo muita inovação com o material cedido. No fim, ocorreu poucas surpresas para quem já conhecia Esteban, mas é inegável que essa música é muito boa e merece muito, mas muito destaque.

Track 1: “Infinito”, por Fresno

Olá, caros leitores do blog Images & Words. Você deve ter percebido na falta de textos nos últimos tempos, infelizmente. Nós, escritores do blog, não estamos dando conta de fazer resenhas constantemente. Por isso, para deixar as coisas mais fáceis para todos e para que vocês possam ter algo para ler, haverá uma nova coluna. A coluna será chamada de Track 1, onde o escritor irá escrever sobre uma música em especial. Os requisitos mínimos para um texto Track 1 é que a música seja mais atual possível, que seja um single e que de preferência tenha um videoclipe ou um vídeo oficial lançado pelo artista/banda. Caso queira sugerir uma canção para o Track 1, vá a aba “Sugestões” ou clique aqui e faça sua sugestão. Com isso dito, vamos começar o novo quadro com Fresno! Pode não ser uma escolha que agrade a todos, mas quem escreve é quem decide, então paciência.

Após o lançamento do EP Cemitério das Boas Intenções, que foi analisado no ano passado aqui no blog e você pode conferir clicando aqui, a banda gaúcha Fresno teve um momento difícil com a saída do baixista Rodrigo Tavares, que decidiu seguir outros projetos, como sua carreira solo. Mas a banda composta atualmente por Lucas Silveira (vocalista e guitarrista secundári0), Gustavo Mantovani, ou melhor conhecido como Vavo (guitarrista principal), Bell Ruschell (baterista) e pelo novato Mário Camelo (tecladista) seguiram em frente e se tornaram a primeira banda/artista no mundo a lançar um videoclipe com imagens do espaço. E sinceramente, é um videoclipe muito bonito de assistir e eu recomendo que você assista, entretanto não deixa de ser confuso em alguns momentos graças a edição. As crianças são os caras da Fresno no passado ou são pessoas totalmente diferentes? Se são do passado, a viagem do balão conseguiu voltar ao tempo e trocar de lugar com o outro balão? Se não é do passado, como é que os balões trocaram, sendo que os caras da Fresno foram informados? Será Bell Ruschell o novo Arnold Schwarzenegger no quesito atuação? Essas perguntas e outras provavelmente nunca serão respondidas. Mas ao invés de ficar com dúvidas nesse videoclipe, que tal focarmos na música?

Algumas pessoas dizem que essa música soa algo vindo do Muse. Eu não creio que “Infinito” faria a cara do Muse. A banda inglesa certamente gosta de espaço, assim como Lucas, e a Fresno tem uma grande influência da banda de Matthew Bellamy e com a entrada de Mário isso se tornou ainda mais visível (e melhor). Mas eu ainda não consigo ver uma conexão que faça você dizer “Fresno está com som à la Muse”. O que eu posso dizer é que existe uma forte influência na musicalidade e nos timbres da Fresno, principalmente por causa dos teclados, que antes em Revanche eram terríveis. Tão terríveis que fariam a ConeCrewDiretoria ter receio em ouvir (confira um exemplo).

A música “Infinito” apresenta uma atmosfera positivista e bem amigável, soando até Pop (mas ainda sim podemos classificar como Rock, mas ambos no modo mais lúcido possível). Não ao nível de “Esteja Aqui”, um Pop arroz de festa gritante e irritante, mas bem agradável de se ouvir. Os vocais de Lucas soam bons e o mesmo atinge notas elevadas, as guitarras trazem um riff interessante acompanhado por uma bateria típica de um Rock mais simplificado, porém perfeita para o que música queria trazer e, claro, os bons timbres de Mário dão um ar mais encantado a faixa. Mas a falta de ao menos um solinho de guitarra (algo que faltou no último EP) deixou a desejar. O baixo, gravado por Lucas, incrivelmente soa interessante e até marcante. Você consegue senti-lo em determinados momentos da canção, mas nada comparado ao que Tavares fez em Cemitério das Boas Intenções, que colocou seu baixo no talo. Musicalmente, “Infinito” é uma boa música, com boas escolhas nos timbres e tem tudo para tocar na MTV, MixTV e em algumas rádios e programas televisivos.

O que decaí o nível de “Infinito” ao ponto de eu sentir um pequeno desgosto vem da letra. A letra a primeira vista não é ruim. Tem alguns momentos grudentos e marcantes e seu refrão é bom. Mas qual é o problema que me faria sentir esse pequeno desgosto? O quão vago a letra de “Infinito” é. Começar pelos três primeiros versos da canção:

“Eu nunca fui de lembrar
Nem tenho quadros em casa
Pois são a fonte do problema”

Então me diga senhor Lucas Silveira, homem que compôs a letra dessa música, o que você nunca foi de lembrar e porque ter quadros em casa são a fonte do problema? A música mal começou e eu já estou confuso! Bom, talvez na próxima estrofe ele explique algo. Vamos ver:

“A vida nem sempre é
Do jeito que eu esperava
Eu já nem sei se vale à pena”

Você não explicou nada. Ainda continua muito vago e sem sentido. O que que você não sabe se vale à pena? Viver? Matar? Comer? Cheirar cocaína a meia-noite na casa do Tavares? Expresse-se melhor, homem! Próxima estrofe. Espero que as coisas melhorem:

“Mas se eu pintar um horizonte infinito
E caminhar, do jeito que eu acredito
Eu vou chegar em um lugar só meu”

Como assim “Eu vou chegar em um lugar só meu”? Você vai morar embaixo da ponte? Roubar a casa de alguém? Se juntar ao MST? Sabe… um pouco de detalhe as vezes bem colocado muda muita coisa, sabia? Espero que o refrão ajude em algo e não seja aqueles feitos somente para grudarem:

“Lá pode ter um novo amor pra eu viver
Quem sabe uma nova dor pra eu sentir
A droga certa pra fazer te esquecer
Vai apagar a tua marca de mim”

O que se dá para perceber é que Lucas quer viver em um outro lugar que não seja o planeta Terra. Ele quer viver um novo amor, quer sentir algo novo, quer experimentar novos desejos e conhecer nosso grande universo. Tem uma maneira muito mais rápida de conseguir isso, meu caro músico, e não precisa jogar um balão na atmosfera para isso, gastando uma fortuna. Basta ter um console de última geração e jogar Mass Effect. Você conhecerá o universo e novas formas de vida de uma maneira bem mais rápida e poderá encontrar um novo amor, como um relacionamento gay ou com uma alienígena muito atraente. Se quiser sentir uma nova dor, o jogo te dá a grande experiência da morte. Ou se quiser mudar de sexo, o jogo te deixa jogar pelo time feminino, podendo optar desde o lesbianismo até o alienígenas nazistas (ok, nessa parte dos alienígenas nazistas eu inventei). Sem contar que temos uma excelente história nessa saga de três jogos. É muito mais rápido, prático e barato!

Incorporando um tom mais sério agora, o refrão da música é a melhor parte da canção e isso acontece graças a voz de Lucas, na qual contém muita emoção, algo que muitos vocalistas extremamente talentosos sonham em por essa emoção. E de certa forma explica algumas coisas na qual a letra iniciou, entretanto continua vago. Quem você quer esquecer, Lucas? Sua ex-namorada? Rick Bonadio? O Tavares? Eu não sei se essa é uma música sobre esperança em geral ou uma pessoa que teve azar no amor e que quer seguir em frente. Vindo da Fresno, é mais provável a segunda opção. O restante da letra não é necessário mencionar. Não porque são estrofes ruins ou não consigo fazer piadas sobres. Apenas segue aquilo que a letra deveria ser: o infinito, o espaço, o desconhecido, o sonho, entre outras coisas. Quem sabe a Fresno pensasse de outra forma, tentando lançar uma “Born To Run” ou uma “Come On Eileen”, mudando a letra um pouco e torna-se algo mais sério, adulto e foca-se na nossa humanidade e na esperança e não no que não está ao nosso alcance, teríamos uma música no mínimo excelente? Com essa conclusão, eu tenho certeza que essa música é sobre a esperança de ter um amor alienígena no espaço.

“Infinito” é uma boa canção para a rádio e se tiver forças o suficiente pode se tornar um hit nacional, levando a banda novamente ao status que um dia esteve (mas não acredito muito nisso). Apesar de algumas ideias legais, a letra é muito vazia nos detalhes, o que poderia melhorar a faixa, sem falar que um solinho de guitarra deixaria tudo mais marcante e potente para esse lead single. E outro problema da canção é que ela é do tipo que cresce com o tempo que você escuta. Talvez na terceira ou quarta vez você já pode definir bem se gostou dela e se ela te marcou ou não, o que pode afetar na hora de se tornar um hit nacional da maneira como “Uma Música” foi (se eu me recordo bem). Mas mesmo assim é uma faixa interessante e nos deixa curioso para o que virá no novo disco da banda, chamado “Infinito”, que está para ser lançado em Setembro. Veremos o quão forte é esse novo álbum da banda.

Glória – (Re)Nascido (2012)

Origem: Brasil
Gêneros: Metalcore, Pós-Hardcore, Screamo
Gravadora: Independente

Nessa última Quarta-Feira (23/05/2012) a banda paulista Glória, que recentemente saiu da Universal Music na qual pertenceu por três anos, lançou pela internet o seu quarto álbum de estúdio, (Re)Nascido, contendo 11 faixas e uma duração por volta dos 38 minutos. A atual maior banda do gênero Metalcore brasileira nesse disco foi composta por Mi Vieira (vocalista dos berros e guturais), Elliot Reis (guitarrista e vocais limpos), Peres Kenji (guitarrista), Johnny Bonafé (baixista) e Eloy Casagrande (baterista). Esse último saiu da banda e agora está na lendária banda brasileira Sepultura e nas turnês está sendo substituído por Ricky Machado.

Como o nome do disco da essa ideia da banda (re)nascer, é esperado que a banda tome novos caminhos musicais. Bom, não é bem isso que encontramos em (Re)Nascido. Encontramos aquele peso característico das bandas do gênero e os vocais limpos bem “inocentes”, algo que você pode encontrar nos outros discos da banda. A diferença que podemos dizer que existe deste Glória para o do passado pode ser visto no conteúdo lírico e, quem sabe, no peso das  mais novas composições do grupo paulista. Apesar de não considerar o conteúdo lírico como eu considero outras coisas nas minhas avaliações, eu preciso que dizer que eu odiei as letras de (Re)Nascido. A banda, conhecida pelas letras mais “emo, porém raivoso”, aqui despejou uma temática que está mais para superação de problemas e da vida (o que de certa pode ser considerada “emo, porém agressivo”, dependendo da execução. Bom, a ideia é aceitável e poderia ser executada muito bem, mas o Glória não mandou muito bem nesse quesito. A falta de rimas, o não uso de métrica e palavras cultas em canções onde possui palavrões e termos urbanizados que fariam mais sentido em uma música do Emicida, ou até em um Funk Carioca, deixam a desejar. Mas vamos ao conteúdo principal, as músicas.

O disco inicia com “Bicho do Mato”, com sua introdução de percussão até chegar numa porrada sonora com bons riffs explosivos e uma bateria demolidora de Eloy. Mas quando Mi começa a “cantar”, deixa a música menos interessante. Para ser honesto, não sou muito fã de seus guturais, mas aqui em (Re)Nascido eles não são ruins, só não me agradam e não acho que combina com o peso que a banda propõe em boas partes de seu repertório e eles acabam aparecendo arrotos agressivos. O refrão, cantado por Elliot, deixa as coisas mais agradáveis e até bons, mas inefetivos. O motivo disso é que a delicadeza que ele tenta colocar naquela onda sonora de porradaria não encaixa e, principalmente, não soa urgente, ao ponto de que aquela passagem realmente precisasse daquele tipo de voz.

Mas o que mais prejudica o álbum, ao ponto de dar desgosto, vem da parte da produção e mixagem. E sim, eu sei que o disco é independente, mas isso não justifica o embolamento encontrado no álbum. O baixo, em todas as músicas, é apagado pela altura da bateria e da guitarra, que as vezes chegam ao ponto de prejudicar os vocais. O disco produzido pela banda junto com João Millet, que também mixou o disco e teve um solo de guitarra em “É Tudo Meu”, e o que posso dizer nesse quesito é como algumas passagens foram estragadas. Na já citada “É Tudo Meu”, tem um solo de guitarra que acaba “comendo” a voz de Mi, tornando quase inaudível. E olha, vendo no que ele cantaria, valeu a pena. Colocar Inglês na música foi de um nível desnecessário e até tosco. E não é só em “É Tudo Meu” que a produção prejudica. “Pétalas” tem uma guitarra no fundo de uma camada sonora, que no fim parecem duas músicas diferentes ao invés de uma só. O melhor momento do disco também acaba sendo estragado. Em “Presságio”, temos um violino na introdução que reaparece antes, durante e após o terceiro refrão, que muito bom mas que não teve sucesso, pois foi esmagado pelas diversas camadas sonoras altíssimas que acabam apagando seu potencial máximo e também não recebendo o destaque merecido por causa de outro problema do álbum: a duração das faixas.

A média das músicas não chegam a 4 minutos, e elas acabam não sendo desenvolvidas até o seu máximo. A banda opta por não querer arriscar em solos mais longos e as vezes tenta casar solos de guitarra (que são bons) com vocais, que acabam não funcionando e embola tudo, como se quisesse diminuir a duração das coisas para deixar-las mais acessíveis para o público.  Outro casamento falho é os vocais limpos com os guturais ou até com outros vocais limpos. Na última faixa, “Horizontes”, uma balada com muita influência de Pantera que até encerraria o disco bem senão fosse pelo seu fraquíssimo encerramento, tem a participação de Lucas Silveira da Fresno e seus vocais só são notáveis se você conhece a voz do cara e seus gritinhos agudos, além claro dos guturais que ocorrem durante o refrão que soam totalmente inúteis e poluentes. O disco está cheio de faixas que se tivessem uma duração maior e um desenvolvimento melhor, poderiam sair privilegiadas, como “A Arte de Fazer Inimigos”, a já citada “Presságio”, “Só Eu Sei”, “Desalmado”, “Renascido”, “Grito” e “Sangue”… Em outras palavras, todas as músicas do álbum.

O que (Re)Nascido tem de bom? Alguns riffs, solos de guitarra e uma linha bateria consistente e não é um disco com canções esquecíveis. Mas o lado que pesa mais aqui é o negativo. São 11 canções com um desenvolvimento fraco e curtas demais e, principalmente, uma produção e mixagem ao ponto de serem chamadas de lixo. A banda pode ser boa e ter talento, mas suas composições acabam ficando empobrecidas pela falta de criatividade de certos riffs que lembram de bandas como Trivium, All That Remains, Bullet For My Valentine e As I Lay Dying, sem falar do conteúdo lírico nada bom. No fim das contas, o Glória precisa (re)nascer mais algumas vezes se quiser realmente lançar um bom trabalho de estúdio. Caso queria conferir, clique aqui e faça o download no site oficial da banda. Por mais que o LP possua seus problemas, a banda merece uma chance. É pesado, é rápido, e se você gosta de guturais, vale a pena arriscar e talvez você goste. É só ouvindo que você saberá.