Fresno – O Acaso do Erro (2001)

Origem: Brasil
Gêneros: Hardcore, Punk Rock, Emocore
Gravadora: Independente

O Acaso do Erro é um EP Demo da banda Fresno, as primeiras gravações “quase” profissionais, o EP é independente e se você acha que a Fresno é ruim HOJE, vai achar uma maravilha ou até respeitá-los, se ouvir o EP de 2001. A banda era composta por Leandro Pereira (vocais), Lucas Silveira (guitarra), Gustavo Mantovani (guitarra), Pedro Cupertino (bateria) e Pedro Lezo (baixo), ainda sem Lucas Silveira nos vocais e sem Tavares e Bell Ruschel na banda. Em O Acaso do Erro a banda fazia um som muito “podre”, as letras falam de assuntos muitos bobos, o vocal de Leandro Pereira está horrível. O flertamento com o tão famoso emocore já existia, porém pouco (a não ser pelas letras), o EP mostra uma mescla de hardcore com punk rock. Poucos bons momentos a demo possui, por exemplo, o bom riff de guitarra de ‘A Sete Palmos Do Chão’. O EP tem apenas 17 minutos de duração, eu recomendo a ouvir ele, e logo em seguida, ouvir o muito bom Cemitério das Boas Intenções, EP de 2011, aí você verá uma incrível evolução que teve na banda, eles fizeram muita merda no seu longo caminho, mas hoje parece que aprenderam bastante coisas e fazem um som com cara bem underground, as letras de Lucas melhoraram também, podemos comparar algumas das letras de Cemitério das Boas Intenções (aonde o tema ateísta está muito presente) com a última canção de O Acaso do Erro, ‘Se Algum Dia Eu Não Acordar’, que começa com a seguinte estrofe: Imagine se um dia eu não acordar – Quem vai puxar assunto com você?

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Guns N’ Roses – The Spaghetti Incident? (1993)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Hard Rock, Punk Rock
Gravadora: Geffen

O Guns N’ Roses depois do grande sucesso de seu álbum de estreia e os “megalomaníacos” Use Your Illusion, lança em 1993, seu primeiro álbum sem o guitarrista e considerado por grande maioria dos fãs a alma da banda, Izzy Stradlin. E foi um CD de canções covers, tendo grande influência no punk rock, o que faz dele um dos discos mais agitados e pesados da banda. E também o último álbum de estúdio antes da banda entrar em imenso hiato, já que um ano mais tarde, começaram as turbulências, uma coisa deu na outra e o grupo se separou. Mas o interessante é que muito não se falam do The Spaghetti Incident?, e quando falam, falam mal, como se a banda tivesse chegado ao seu limite e fez bem em se separar. Que até chega a ser natural tal críticas, já que o Guns N’ Roses era em 1993 a banda mais famosa do mundo(talvez o Nirvana empatasse com eles) e sendo assim, mais polêmicas sobre um dos grupos mais falados do mundo, mais dinheiro para quem vende. Bom, então aqui eu trago minha visão sobre o CD, já que passa por despercebido por grande maioria.

Since I Don’t Have You abre o disco, isso mesmo, uma balada! Canção bastante famosa, e seus criadores é a banda The Skyliners. Versão bem interessante, e a letra mostra mais ou menos o que é o amor, e o que ele te propociona, “Yeah, we’re Fucked!”. Destaque vai para a voz de Axl, já que a música é bem simples o frontman do grupo tem que fazer a diferença. New Rose, cover do The Damned é a segunda faixa, e tem o baixista Duff Mckagan cantarolando, e faz a canção virar uma versão interessante, nada de OMG, mas boa música. Agora sim talvez a OMG do álbum, Down On The Farm. Primeiro seria interessante se todos ouvissem a versão original, do U.K. Subs, e depois de ouvir e achar ela uma música meio estranha ou apenas normal, continue o CD e ouça a versão do Guns, a faixa fica bem divertida de ser ouvir, e destaque mais uma vez para os vocais de Axl, ele muda o tom e algumas vezes fica até mais agressivo, parecendo que ele não está gostando mesmo de estar em uma fazenda…

One, Two, Three, Four! E começa Human Being, New York Dolls for you! A música é um agito só, impossível não se animar com ela, ótima versão, muito melhor do que a original, em minha humilde e inútil opinião. Algo notável é a ótima decisão de ter colocado teclado na canção,que deu um ar mais dançante e divertida a canção, saúdem Dizzy Reed (e grande solo do nosso amigo de cartola, claro). Próxima faixa é de autoria da banda de Iggy Pop, The Stooges, e a canção é Raw Power, e Duff volta para o vocal. A decisão de ele cantar essas músicas mais curtas e que são punk rock foi muito esperta, Duff é a alma punk dentro do Guns. Outra que fica bastante interessante, com destaque de novo para o teclado, e ao passar da música, da dupla de vocalista, Duff e Axl enquanto Slash sola no fundo, sensacional. Agora uma forte candidata a melhor música do CD, Ain’t It Fun. O cover do Dead Boys ficou fenomenal, muito bem feita, com a dupla de vocais em uma sincronia respeitável, puro sentimento essa faixa. E sempre destaques para os solos, Slash pode não ser o melhor guitarrista do mundo, (e por ele ser bastante famoso, muitos o injustiçam por isso) mas é um senhor guitarrista que merece respeito e que taca sentimentos na sua Les Paul como poucos. Buick Mackane (Big Dumb Sex) é a próxima, cover da banda T. Rex junto com o Soundgarden, cover gostoso de se ouvir, seguindo o estilo do disco, com uma letra “linda”.

Hair Of The Dog é a oitava faixa, da famosa banda Nazareth. E eu adoro essa música, as duas versões. A percussão ficou bem legal, o encarregado foi o baterista Matt Sorum. Attitude! A mais curta do CD com 1 minuto e 27 segundos, cover da tão famosa banda de Glenn Danzig, Misfits. E nessa Duff volta a cantar, não chega a ser um dos destaques, mas é gostosa de se ouvir. A décima faixa é Black Leather, da banda The Professionals. Se você gostou das faixas anteriores vai gostar dela, e se ouvir ela separada tem bastante chances de gostar também, pré-refrão e refrão que gruda na sua mente, parecido com chiclete em cabelo, difícil de você tirar ele da sua cabeça. Depois dessa minha comparação tosca, seguimos com You Can’t Put Your Arms Around a Memory(autoria de Johnny Thunders), e parece que Duff quis ser o Super-Homem nessa, o cara canta, toca violão e bateria. Faixa relaxante e bem cativante.

Fechamos o disco com I Don’t Care About You, e Fear foi a banda que compositou a faíxa. Mas a versão do Guns, com todo respeito ao Fear, ficou bem melhor. Se você a ouvisse pela primeira vez, sem saber que banda era, duvido que chutaria que quem canta essa música é Axl Rose! O vocalista mostra outra vez grande versatilidade e agressividade como nunca antes em uma música do Guns N’ Roses, uma das minhas favoritas, sem dúvidas. Mas… ainda não acabou! Mesmo sendo a última faixa, e para ficar mais sinistro ainda, Axl e cia colocou uma faixa escondida na canção mais pesada da banda, e agora o cover é do Serial Killer Charles Manson (medo), com sua música Look at Your Game Girl, outra canção cativante, que vicia fácil, o que torna tudo estranho você viciar em uma música de um Serial Killer, mas tudo bem…

The Spaghetti Incident? é um álbum injustiçado na discografia do Guns, quase que esquecido, mas que vale a pena ouvir, trazendo canções diferentes do que a banda costumava fazer, mostrando que tinham personalidade, eles não se acomodaram em seu som quando era a banda mais falada no mundo, tentando sempre mudar sua música e fazer algo diferente, CD muito mais do que recomendado!

Green Day – 39/Smooth (1990)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Punk Rock, Pop Rock, Pop Punk
Gravadoras: Lookout!, Reprise, Epitaph Europe

Na sua estreia de discos o Green Day lança o álbum 39/Smooth, no qual a demanda pelo punk rock (a sua raiz) é o que se destaca, poderíamos até dizer que é um álbum puramente punk, se não fosse a forte influência do pop em seu som, refrões grudentos é a grande prova disso.

Começamos com At the Library, que é a primeira canção do primeiro lado do CD, esse que possuí dois lados, cada uma com 5 músicas. Você já tem uma idéia do que esperar do disco apenas ouvindo a primeira faixa, ela é curta (2 minutos e 28 segundos) e simples, o que o punk é (não leve isso no negativo, só ver o que os Ramones fizeram com sua simplicidade), e ela é boa, refrão grudento que faz você ficar com vontade de cantar, a que eu mais gostei do CD e com certeza um dos destaques. E assim segue todo o álbum. Don’t Leave Me e I Was There são as próximas, talvez aqui você já sabe, se gostou ou não do disco se sim vale a pena seguir com Disappearing. O primeiro lado do disco fecha com a faixa-título, que é uma das melhores dele, com uma linha de baixo e bateria bem interessantes, encerrando bem o primeiro lado.

Going to Pasalacqua  abre o segundo lado do álbum. Boa música, o estilo das outras, claro, continua, assim como 16 e Road to Acceptance, músicas bem legais para você se agitar. Rest é a penúltima do álbum e é a que mais foge do estilo, ela é mais calma, mais parada, mas possuí um refrão típico das suas antecessoras. O disco acaba com The Judge’s Daughter, e ao encerramento você percebe que o disco de estreia dos cara era um som diferente do que o Green Day se tornou (só comparar com o  American Idiot), um som mais cru, direto, e digamos que foi uma boa fusão de punk com pop.

Kvelertak – Kvelertak (2010)

Origem: Noruega
Gêneros: Heavy Metal, Punk Rock, Rock N’ Roll, Black Metal
Gravadora: Indie Recordings

O Kvelertak que possuí Erlend Hjelvik nos vocais, Vidar Landa, Bjarte Lund Rolland e Maciek Ofstad nas guitarras, Marvin Nygaard no baixo e Kjetil Gjermundrød na bateria, é uma banda jovem, que teve seu primeiro trabalho (ainda uma demo) em 2007 e seu álbum homônimo como Debut em 2010. Mesmo com pouco tempo para mostrar para o que veio a banda já conseguiu grande sucesso e também prêmios pela Europa (sem falar que o próprio Dave Grohl entregou o Disco de Ouro na Noruega a banda) e o primeiro álbum dos caras já é considerado uma das melhores (se não a melhor) estréia de uma banda Norueguesa. E é claro, não podemos não mencionar a bela capa (muito linda mesmo) do disco, feita pelo vocalista e guitarrista da banda Baroness, John Baizley, que também é artista, grande trabalho.

O disco começa com Ulvetid (e se acostume com esses nomes esquisitos, estão todas em norueguês tirando Sultans Of Satan, e eles cantam na sua língua nativa também!) que mostra bem o que a banda é, uma mistura de Punk Rock com Black Metal. “Punk rock/metal brutalmente cativante com uma pitada de escuridão”, como eles mesmo dizem. A faixa não tem frescuras, é agitada e rápida com um vocal bem influenciado pelo Black Metal. Emendamos com talvez as quatro faixas mais famosas do álbum, primeiro vem Mjød, que possuí um vídeo-clipe bem legal, música bem curta (2 minutos e 31 segundos) e também um refrão bem cativante. Fossegrim é uma faixa bem interessante, e uma das melhores do álbum, um refrão bem legal e guitarras bem trabalhadas, e continua a simplicidade e agitamento das duas primeiras canções (pois, são influenciadas pelo Punk). Blodtørst é a mais famosa do álbum e por méritos, uma faixa bem cativante e muito bem trabalhada, Erlend Hjelvik mostra desde este primeiro álbum do grupo, que é um grande cantor! Offernatt é a quinta faixa, e que riff!

Os destaques como sempre ficam na voz de Erlend Hjelvik e nas guitarras (são três!), mas com certeza temos que dar mais créditos ao guitarrista Bjarte Lund Rolland, pois ele é a mente da banda, compõe absolutamente tudo, grande trabalho. Quando acaba Offernatt você já deve ter uma opinião sobre o disco, se você gostou, faz muito bem acabar a audição do CD, se não, eu digo que não muda quase nada, Sjøhyenar (Havets Herrer), Sultans Of Satan e Nekroskop segue mais ou menos a mesma linha das cinco primeiras canções, um metal influenciado pelo punk, que faz um som poderoso, sempre tendo destaque a voz de Hjelvik e o trabalho das guitarras, com solos muito bem trabalhados e Bjarte mostrando que é um compositor de responsa.

Se você chegou em Liktorn deve ter gostado do trabalho dos caras, e fez bem em chegar nela, uma faixa mais do que nunca que lembra o Mastodon, grupo que por sinal muitos dizem que o Kvelertak parece. A décima e penúltima faixa é Ordsmedar av Rang, gosto muito de alguns gritos do Hjelvik nessa, faixa muito boa. Utrydd dei Svake fecha o disco como a faixa mais longa do Debut do Kvelertak, com seus 6 minutos e pouquinho. Uma das melhores do disco, fizeram muito bem em encerrar com essa, intro poderosa para um riff poderoso, refrão legal e o solo dela é totalmente sensacional!

Kvelertak não é algo revolucionário ou genial, mas não deixa de ser um ótimo álbum de Heavy Metal/Punk Rock/ Rock N’ Roll, e é uma banda que eu aposto bastante, talento não é o que falta, agora é só esperar para o segundo lançamento do grupo, que deve acontecer em 2012, para sabermos se vai ser uma banda que vai deslanchar ou apenas uma promessa que não vingou, assim como o Black Tide.

Rise Against – Endgame (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Hardcore Melódico, Punk Rock, Rock Alternativo
Gravadoras: DGC, Interscope

O grupo americano Rise Against lançou seu sexto disco em 11 de Março deste ano e foi produzido por Bill Stevenson. A banda de Chigaco, Illinois, foi formada em 1999 e o grupo consiste em Tim McIlrath (vocalista e guitarrista secundário), Zach Blair (guitarrista principal e backing vocals), Joe Principe (baixista e backing vocals) and Brandon Barnes (baterista e percussionista) e o som da banda, com muita pegada hardcore e não tende a fazer muitas frescuras (lê-se solos longos e baladas românticas), pelo menos neste lançamento.

O disco tem 12 faixas e duração um pouco superior a marca de 46 minutos. É um disco que a menor música é a faixa-título de 3:24, que aliás é a faixa de encerramento do disco e a maior, “Midnight Hands”, obtém a marca de 4:18, então a duração das faixas não é de grande importância. O álbum começa com a faixa “Architecs”, uma boa faixa para se começar um CD. Ouvindo o disco, sinto que qualquer música dele poderia ser considerada possíveis singles, pois nenhuma delas são ruins e todas funcionam tanto isoladas quanto em “família”, mas isoladamente elas soam melhores. É o tipo de disco que na primeira vez que você escuta você já sabe se gostou ou não. Não requer audições extras para saber se gostou ou não, se absorveu as ideias ou se ainda não as entendeu, sendo o tipo de disco chamado “fácil de escutar”. Ele também é simples, nada muito complexo, além de ter alguns momentos melódicos até irritantes, já que o vocalista não encaixa nesse tipo de som, porém possui momentos bem empolgante, e não possui faixas em destaques, mas alguns momentos merecem destaques, como os riffs de “Help Is On The Way”, de “Broken Mirrors” e de “A Glentleman’s Coup” e o baixo matador na intro da faixa-título. É um bom disco, mas apenas isso. Se você gosta de um som direto e que as vezes soa como se fosse parecido, Endgame do Rise Against é sua escolha.