U2 – No Line On The Horizon (2009)

Origem: Irlanda
Gêneros: Pop Rock, Rock Experimental
Gravadoras: Mercury, Island, Interscope

Até então ultimo album da banda irlandesa de maior sucesso, o U2, No Line On The Horizon foi o responsável para que a grandiosa “360º Tour” acontecesse. E os irlandeses trabalharam no álbum desde 2006 e gravaram até em Marrocos (da onde vem o nome Fez, uma cidade marroquina e também o nome da introdução de uma canção do disco, Being Born), então a ansiedade para muitos foi grande, e todos esperavam um grande trabalho, e também teve a promessa dos integrantes de fazer um som mais experimental, lembrando um pouco Achtung Baby, talvez o rock fosse deixado de lado um pouco.

Começamos com a faixa-título, e já podemos sentir o clima que o álbum te levará, viajante, mas nem tanto (mesmo assim a sensação é boa), e com os destaques sendo a voz de Bono e a bateria de Larry Mullen Jr. A primeira faixa abre bem o CD, seguimos com ‘Magnificent’, essa mais experimental que a faixa-título, com influências eletrônicas mais visíveis, as famosas “batidas” também estão presentes. Outra boa faixa, que dá a entender que No Line On The Horizon se tornou sim um álbum experimental (a banda disse que não ficou tão experimental quanto eles queriam), mas a idéia é parecida com Achtung Baby (álbum de 1991 do U2) só que não tão viajante quanto o lançamento anterior, mas tem pontos que superam Achtung (sem comparar extremamente um CD com o outro), e que é aonde o lançamento de 2009 se baseia: na voz de Bono. Talvez não fizeram um álbum vidrado nisso, mas sem dúvidas Bono é o grande destaque, como tá cantando esse cara!

A terceira faixa é a mais comprida com 7:24, e uma das melhores do álbum (levando para o pessoal: A melhor do álbum). ‘Moment Of Surrender’ possui uma letra que cada vez mais se torna raro de se ver, aparentemente fala de “se render a Deus”. O feeling da canção é interessante, e mesmo a música não mudando entre seus 7 minutos o clima é agradável e não cansa o ouvinte. Para fechar o quarteto de boas vindas ao CD temos ‘Unknown Caller’, outra boa canção, o experimentalismo está presente mas a “veia do rock” na guitarra de The Edge também aparece em um bom solo. Seguimos com a “fofa” e puxada para o lado pop ‘I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight’, canção também boa, cativante até, puxa muito para o lado meloso, mas não deixa de ser boa. A sexta faixa é o prmeiro single do CD, a famosa ‘Get On Your Boots’, e posso dizer com certa firmeza: é a pior música do álbum. Se essa for a canção que você se espelha quando pensa no “novo” U2, está equivocado e convidado para ouvir No Line On The Horizon, ‘Get On Your Boots’ certamente é a mais chata do registro de 2009. E uma faixa que seria um ótimo “boas vindas” (vulgo primeiro single) do disco é a seguinte de ‘Get On Your Boots’, ‘Stand Up Comedy’. A sétima faixa é no mesmo estilo de ‘Get On Your Boots’, mas os arranjos são melhores, mais suaves e inspiradores. Ainda continuo não gostando tanto desse estilo de canções do U2, mas certamente é uma boa canção.

A já citada ‘Fez/Being Born’ é a próxima. Adoro a introdução ‘Fez’, podemos ouvir uma parte de ‘Get On Your Boots’ nela, e dá uma impressão agradável da cidade marroquina. ‘Being Born’ segue a “viajem” de ‘Fez’. Os agudos de Bono junto com o feeling relaxante são os destaques de ‘Fez/Being Born’, uma das melhores do disco. Agora entramos no “trio de despedida”, as 3  últimas faixas tem um clima sensacional de uma despedida, a primeira das 3 é ‘White As Snow’, a fantástica ‘White As Snow’, nada espetacular instrumentalmente, mas aqui o que importa são duas coisas: a voz de Bono e o feeling/clima. E White As Snow mescla esses dois fatores muito bem, uma ótima canção arrastada. Seguindo temos ‘Breathe’, incrível como que mesmo sendo animada ela se encaixa nesse “conceito” de “estou indo embora”. Apenas por ela ser uma das três últimas e que se encaixam lindamente, não colocaria ‘Breathe’ como primeira e principal single, porque merecer, merece! A décima primeira e última faixa é ‘Cedars Of Lebanon’, e ela não é uma faixa ruim, mas esse final dela não me cai, acaba muito “duro e seco”, ainda mais para o final do álbum.

No Line On The Horizon não chega a ser uma viajem daquelas psicodélicas, nem uma viagem em nível Achtung Baby, na verdade ao passar das audições, se você não prestar atenção o disco se torna até meio sem graça e enjoado. Isso é bom, um alerta dizendo que quando você ouve música, não pode ser apenas para o seu passa-tempo ou como se fosse a televisão ligada que você apenas liga e nem sabe o que está passando, preste atenção e pare de reclamar que não se faz música que nem antigamente, tem muita coisa boa hoje em dia, mas se for preguiçoso e sem atenção você nunca saberá e apreciará isso. Com atenção (e com audições extras, U2 no geral sempre precisará de audições extras) No Line On The Horizon se torna um grande álbum, dá para viciar nele facilmente, não é o melhor registro do U2, mas vale a pena dá uma conferida!

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Opeth – Heritage (2011)

Origem: Suécia
Gêneros: Rock Progressivo, Jazz Fusion, Folk Rock, Metal Progressivo
Gravadora: Roadrunner

Heritage é décimo disco de estúdio do Opeth, banda sueca que tinha uma tendência a fazer um som extremo, com guturais poderosos e uma sonoridade macabra. Entretanto, como aconteceu em Damnation, ocorre aqui. O Opeth deixa seu lado extremo e mostra suas influências que até outrora não eram notadas, um lado incrivelmente versátil e cheio de melodias e ideias interessantes. A banda composta por Mikael Åkerfeldt (guitarra, mellotron, grand piano, vocais e efeitos sonoros), Fredrik Åkesson (guitarra rítmica), Per Wiberg (teclado, pianos, órgão e mellotron), Martín Mendez (baixo, contrabaixo) e Martin Axenrot (bateria e percussão) fazem um trabalho belo e eclético, saindo um disco muito bom. O som setentista modelado para o presente foi bem criado, não há como negar. Mas, como nem tudo são flores, infelizmente, o disco tem seus pontos baixos.

O disco começa com a faixa-título. Uma bela música sendo composta apenas por um piano. A faixa dura dois minutos, o suficiente para gostarmos dela e para não enjoarmos dela. Além da faixa-título, temos “Marrow Of The Earth” como faixa instrumental, mas que encerra o álbum, composto por dez faixas. Um encerramento bonito, como o início do disco, mas as canções não são nada memoráveis, porém fazem bem seu papel. A canção que vem após “Heritage” é a single “The Devil’s Orchard”. Uma poderosa canção, mostrando que o grupo não precisa de seu extremo e de seus guturais para surpreender com boa música. Desde quebradas rítmicas de bateria até riffs sensacionais, “The Devil’s Orchard” é uma grata canção aos nossos ouvidos. Destaque para o refrão, que eu considero não apenas bom, mas também forte. Aliás, quem não consideraria um refrão forte com a frase “God is dead”? Acho difícil…

Alguns problemas do disco vem na faixa “I Feel The Dark”, com um início bem no estilo folclórico espanhol, a faixa vai ganhando corpo, até que a música começa a demonstrar que vai se encerrar, e repentinamente (e brutamente), “I Feel The Dark” nos mostra um som vindo de um órgão tenebroso, inesperado, e a banda entra junto no que o órgão gerou. É imprevisível? Sim. Mas é uma imprevisibilidade que não encaixou no que estava acontecendo, foi uma ideia solta onde não precisava. E isso acontece em “Nepenthe” e em suas jams e solos guitarrísticos e em “Famine”, com sua introdução tribal, até vir um piano, e do nada vir riffs de guitarra. É estranho. Não tem nexo algum algumas ideias, apesar de serem criativas, só que foram colocadas no lugar errado.

Para aqueles que querem um peso a mais vindo da banda, o mais próximo disso é encontrado nas faixas “Slither”, um tributo a Ronnie James Dio (ex-Rainbow e Black Sabbath) e em “Lines In My Hand”, faixa que originou a temática de Heritage. Ambas passam uma energia muito positiva, chegando a ser até regozijante. “Folklore”, canção que vem antes de “Marrow Of The Earth” é uma das melhores (senão a melhor) músicas feitas para esse disco. Ela em seus mais de oito minutos tem consistência que algumas outras canções precisavam e deixa aquele ar de que o que foi ouvido valeu a pena, e quando entra “Marrow Of The Earth”, soa como um acalmante, e funciona perfeitamente. E não há de se esquecer de “Häxprocess”, com um clima tenso, porém lindo, é uma música que vale a pena ouvir com atenção.

Sem sombras de duvida, Heritage é um grande disco, com vários momentos interessantes e bem elaborados. Mikael fez um ótimo trabalho produzindo o disco, trazendo suas ideias e influências de uma maneira em que a execução das canções seriam as vencedoras. Entretanto, as repentinas mudanças das canções, apesar de imprevisíveis, as vezes não fazem sentido algum. Repare em “I Feel The Dark”, “Nepenthe” e em “Famine”, por exemplo. Se são bacanas? Claro que são. Mas soa estranho e parece serem outras faixas do que uma única, principalmente “Famine”. É um bom disco, mas alguns erros aconteceram. No próximo disco, quem sabe a banda faz um trabalho ainda melhor? Recomendado a aqueles que querem um disco com um pouco de tudo e até os próprios fãs do lado pesado da banda. Esse disco irá te satisfazer por um longo período de tempo.

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Municipal Waste – The Fatal Feast (Waste In Space) (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Crossover Thrash, Thrash Metal, Thrashcore
Gravadora: Nuclear Blast

Crossover thrash é um gênero que mescla o hardcore punk (como Dead Kennedys) com o thrash metal, e é o som que o Municipal Waste faz, tão fielmente que faz algumas pessoas falarem que a banda conseguiu trazer o bom e velho crossover da década de 80 de grupos como Suicidal Tendencies e D.R.I. O grupo de Virginia, Estados Unidos, que é composta por Tony Foresta (vocais), Ryan Waste (guitarra), Phillip “Landphil” Hall (baixo) e Dave Witte (bateria) mistura muito bem os elementos do estilo, as canções são curtas (não tanto quando o seu primeiro CD, que possui 17 minutos de duração tendo 16 faixas) como o punk e pesadas como o thrash. Bem, vamos ao novo trabalho dos caras, que tiveram a obrigação de suceder o não tão bem falado Massive Aggressive de 2009, ainda mais porque é o primeiro álbum que fazem em uma grande gravadora.

Começamos com uma intro um tanto quanto descartável, coisa que estou percebendo que muita banda de thrash metal está fazendo, apenas por seguir uma “linha clássica e irretocável” do estilo, claro que tem introduções interessantes, mas não é obrigação fazer ela, e se você não estiver inspirado é obrigação você NÃO fazer ela. Ainda sobre a intro, os sons tenta te “levar” para o espaço, mas não é nada de mais. As músicas começam mesmo na segunda faixa, ‘Repossession’, e seria desgastante comentar as 17 faixas uma-por-uma, e desnecessário. The Fatal Feast é um álbum que não muda, a “cavalada” segue da segunda à última faixa e os riffs não são criativos e novos. Tudo isso faz o CD ser ruim? Realmente, não. A guitarra de Ryan Waste, mesmo um pouco conformado no que faz, traz bons momentos, riffs e de vez em quando um solo. A batera de Dave Witte ta simplesmente matadora, abusando do seu bumbo duplo e a voz de Tony Foresta é excelente, soa única e feroz, algumas vezes “rasgada”, e não segue o que muitos vocalistas novos de bandas de thrash metal faz, que é colocar James Hetfiled e Tom Araya em um liquidificador, bater e depois beber.

Neste lançamento de 2012, o Municipal Waste faz um som muito agitado, e a agitação é que faz dele tão bom.  Melhor do que Massive Aggressive, com mais empolgação e parecido com The Art Of Partying de 2007, considerado para muitos o melhor registro do grupo (eu particulamente gostei mais de The Fatal Feast). E o som continua o mesmo, deste o primeiro álbum, Waste Em’ All, lógico, que mais maduro. E essa não-mudança da banda faz muitos pensarem que se continuarem nesse som fiel ao estilo crossover thrash, o Municipal Waste vai deixar de ser uma das bandas revelações dos últimos anos para se tornar algo “sem graça”, e ai entra a mesma história que faz bastante gente criticar o AC/DC. Mas desde Waste Em’ All, teve sim uma mudança no som do Municipal Waste, “comeram arroz com feijão” e incrementaram detalhes interessantes ao longo da carreira, acho que ao passar do tempo, como são músicos, vão mudar um pouco, nada radical, ou permanecerão na mesma pois já vão ter uma base sólida de fãs… Mudando ou não, o grupo de Virginia soltou em 2012 um belo registro, meus destaques ficam para ‘New Dead Masters’, Authority Complex’, ‘Standards and Practices’, ‘Jesus Freaks’ e a faixa-título. OBS: E que bela capa!

Superguidis – A Amarga Sinfonia do Superstar (2007)

Origem: Brasil
Gêneros: Indie Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Senhor F

Banda gaúcha formada em 2002, Superguidis é composta por quatro integrantes: Andrio Maquenzi (vocais e guitarra), Lucas Pocamacha (guitarra), Diogo Macueidi (baixo) e Marco Pecker (bateria). Ou melhor dizendo, era composta. A banda encerrou suas atividades no ano passado devido a interesses pessoais que conflitavam com os da banda. Enquanto a banda existia, 30km de distância separavam os integrantes, que eram de Guaíba e Porto Alegre, e que juntos, faziam um som sujo, porém grudento e de fácil assimilação. Era uma banda que cativava o ouvinte com suas melodias e riffs, por mais simples que sejam-as, pelo menos aqui em A Amarga Sinfonia do Superstar, segundo disco de estúdio da banda lançada pela gravadora independente Senhor F (e que considero um ótimo título para um álbum).

A primeira canção é “Por Entre As Mãos” e logo em seu começo Andrio já impõe sua voz na canção e a banda o acompanha, não é uma das melhores introduções (eu honestamente preferia uma introdução não tão direta ao ponto, mas não soa tão má assim). A música vai se desenvolvendo e crescendo e temos um som natural e verdadeiro, mas nada especial e incrível. A voz de Andrio combina com a proposta do grupo e inicia o álbum bem, mas nada sensacional. “Mais De Que Isso” tem uma linha interessante de bateria, que mesmo com uma qualidade ruim de áudio, não a estraga. Se compararmos com a faixa anterior, “Mais De Que Isso” é mais grudenta, mas as duas faixas são boas, ambas em suas maneiras. Outras faixas que merecem destaque são “Parte Boa”, “Ainda Sem Nome”, “Nunca Vou Saber” e “Apenas Leia”. A faixa de encerramento, “6 Anos”, é bem bacana, mas não é a certa para encerrar o trabalho. Falando nela, temos uma faixa escondida, chamada “Riffs”, uma canção bem divertida, que até merecia ter um espaço individual.

Os únicos problemas com A Amarga Sinfonia do Superstar são, além da produção não ser das melhores por ser um disco gravado em uma gravadora independente (infelizmente), o som mesmo sujo e grudento, lembrando de bandas que influenciaram Superguidis como Nirvana e Pavement, não tem nada de grandioso ao ponto de ser aclamada como revelação, como já aconteceu em 2006. Não que isso seja ruim, é uma diferenciação ótima das bandas nacionais, mas não é a banda que você indicaria como “salvação do Rock brasileiro” (termo esdrúxulo este), ela seria mais uma banda para ficar na metade nos festivais, não como atração principal (o que deveria acontecer com Foo Fighters). Também temos uma interpretação “normal” de Andrio. Ele não inova e boa parte das canções onze canções mantém ele mantém a mesma interpretação, salvando certas exceções. Como vocalista não é ruim, só não é “mágico”. E por último, mas o menos importante de todos, as letras. Não são ruins, mas não acrescentam em nada ao conteúdo do ouvinte, e são bem simples, não havendo mistério para compreender.

Mas mesmo com esses problemas citados, A Amarga Sinfonia do Superstar é um bom lançamento com seus 41 minutos de duração. Não é um disco que você precisa ouvir antes de morrer, isso é verdade, mas ainda merece ser ouvida com atenção. Superguidis foi uma banda que conseguiu ser diferente na atual cena da música brasileira e conseguiu manter uma boa consistência em seu trabalho. Com um som divertido e bom para se ouvir com os amigos, é uma banda interessante. Se a banda não tivesse seus problemas, continuasse e tivesse mais oportunidades, poderia ter um status ainda maior do que já obteve em seus 9 anos de duração. Recomendado para aqueles que dizem que a música brasileira não tem salvação ou não presta e para aqueles que gostam do Indie Rock, gênero que vem crescendo mundialmente. Vale a pena conferir.

Orange Goblin – A Eulogy For The Damned (2012)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Heavy Metal, Stoner Rock, Sludge Metal, Doom Metal
Gravadora: Candlelight

Após cinco anos sem lançar nada (sendo o último trabalho Healing Through Fire), o Orange Goblin retorna com um pesado e direto disco chamado de A Eulogy For The Damned. A banda composta por Ben Ward (vocalista), Joe Hoare (guitarrista), Martyn Millard (baixista) e Christopher Turner (baterista), que tinham um Stoner/Sludge sujo e cheio de vai e voltas, aqui deixam mais o seu lado Heavy Metal a amostra, mas mantendo o seu som Sludge e Stoner. As dez canções são fáceis de assimilar, em apenas uma ou duas audições já da para saber se vai curtir (ou não) som proposto em A Eulogy For The Damned.

Com uma base pesada, com riffs poderosos e um vocal forte e sujo (e diria até não-versátil e irritante as vezes por parte de Ben Ward), é um disco perfeito para aqueles que tem um amor por aquela sujeira e pancadaria quando fala sobre música. As faixas que se destacam são “Ride Tide Rising”, “The Fog” e a faixa-título, por fazerem um bom trabalho em apresentar a sonoridade do grupo, além da falta de baladas, deixando tudo mais imediato.  O único grande problema é os vocais de Ben Ward, que como já relatei, não são versáteis e as vezes soa irritante. Mesmo que a interpretação e a maneira como canta seja a correta, encaixando no que se pede, ela sempre se mantém a mesma, e isso a torna irritante, parece que você pode prever tudo em relação ao cara, e isso é ruim, com exceção na faixa-título, que acaba lembrando-me de Zakk Wylde em sua introdução. Esse disco é recomendado para aqueles que querem um disco que lembre a época inicial do Black Sabbath, porém com mais energia, ou simplesmente querem ouvir uma banda que te empolga do começo ao fim.

Shinedown – Us And Them (2005)

Images & Words review

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo, Southern Rock, Hard Rock, Pós-Grunge
Gravadora: Atlantic

Em seu segundo disco de estúdio, Us And Them, Shinedown se mostra uma banda que faz um som bem variado, não soa repetitivo, mas ao mesmo tempo não soa surpreendente, imprevisível, ou como queria bem dizer, e, principalmente, inovador. A banda era composta por Brent Smith (vocais), Jasin Todd (guitarra), Barry Kerch (bateria e percussão) e Brad Stewart (baixo), até a saída do guitarrista e do baixista, e em Us And Them foram lançados três singles, sendo dois usados pela WWE em seus PPVs. É um disco com momentos interessantes e outros nada empolgantes. Vamos conferir o que temos aqui.

O álbum começa com uma faixa introdutória, que honestamente, não faz sentido algum para mim. “The Dream” é basicamente uma garota estranha e até pode se dizer assustadora dizendo algumas frases que para mim não fazem sentido algum. Se Us And Them fosse um disco conceitual, dava para aceitar e entender o que eles queriam passar nas 13 faixas: um disco do Rob Zombie. Enfim… Sua sucessora é “Heroes”, e percebemos uma forte banda na guitarra e nos vocais e boa na bateria e baixo. Você consegue ouvir tudo claramente e é notável que a faixa inicia bem o disco, nem era necessário “The Dream”. “Save Me” não é uma canção da mais atrativas em seu começo, mas seu refrão de certa forma anima as coisas.

“I Dare You” começa irritante e se torna uma canção bem esquecível e chata. Os vocais dão uma melhorada principalmente no refrão, mas ainda não consigo dizer que é uma boa faixa. “Yer Majesty” tem aquele peso e bons riffs de guitarra, além de uma voz agressiva de Brent, que no fim, gera uma canção bem legal até. “Beyond The Sun” é aquela balada que inicia acústica até a banda aparecer por completo (bem no estilo Hard Rock), que é bonitinha e aqui Brent faz um trabalho bacana, além da banda fazer um trabalho competente, mas nada surreal e especial. “Trade Yourself In” inicia de uma maneira bem empolgante e diferenciada. Os riffs acabam me lembrando de uma versão mais pesada do Red Hot Chili Peppers.

Agora vem um dos meus grandes problemas com esse disco. “Lady So Divine” ultrapassa a marca de 7 minutos e com um começo fraco, a música evolui em algo interessante, porém nada bem feito, ainda mais após a segunda repetição do refrão (que é bom). A música poderia ser diminuída de 7 minutos para apenas 4 minutos e seria muito melhor o resultado. E olha que quem está falando gosta de músicas com uma duração prolongada, porém bem feita, ou pelo menos com bom senso e boas ideias (pode soar contraditório para alguns, já que eu gosto de Dream Theater e tem muitos momentos assim, mas ao menos alguns deles são interessantes… eu acho). Claro, tem coisas bacanas sim, como o solo de guitarra e atmosfera na seção instrumental, que são bem bonitas. Mas a construção da música, e principalmente, a introdução dela (após os primeiros acordes me refiro), me fizeram achar que aquilo merecia algo melhor e até maior.

As outras faixas não apresentam nada de novo ao conteúdo do álbum. Por exemplo, “Shed Some Light” é outra balada que inicia acusticamente, desenvolve acusticamente e termina acusticamente. Bem criativa a banda… Não que eu tenha algo contra isso, mas ela é desnecessária, já que temos “Beyond The Sun”, que é melhor. E antes de encerrar o álbum em uma terceira balada, temos três faixas “porradas”. “Begin Again”, “Atmosphere” e “Fake”. É incrível como as três não acrescentam nada ao disco a não ser espaço preenchido. E “Some Day” termina o álbum, e como já disse, é outra balada, e é outra desinteressante. Não encerra o trabalho dignamente e fica deixando um certo vazio no ouvinte, pois passa uma incerteza de que aquilo que ele ouviu era tudo que a banda tem a oferecer ou simplesmente tem uma certa tendência a canções comerciais.

Us And Them é um bom disco, se assim posso afirmar. Tem momentos bem interessantes, porém outros que poderiam ser esquecidos e nem pensados em serem adicionados no álbum, como todas as faixas após “Lady So Divine”, que encerraria bem o disco. Mas não dá para negar que a banda em si é boa, principalmente o guitarrista . Se você é guitarrista e quer pegar uma influência diferenciada, desde Southern Rock ao Hard Rock ao Metal, esse disco tem algo a oferecer (caso queira ir além do senhor Zakk Wylde). É um trabalho consistente, mas nada original e grandioso. Recomendado se você quer ouvir uma banda banda diferente ao ponto de indicar aos seus amigos que tem certo gosto pelo Rock e Metal, mas não sabem se aprofundar no gênero. Em outras palavras, Shinedown é mais um ponto de começo do que um ponto final em uma “carreira sonora de uma pessoa”, ao menos neste álbum.

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Adrenaline Mob – Omertà (2012)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Heavy Metal, Hard Rock, Metal Alternativo
Gravadora: Elm City Music, Century Media

Em 27 de Janeiro deste ano eu publiquei uma resenha sobre o EP auto-intitulado do Adrenaline Mob (na qual você pode conferir clicando aqui), nova super banda do senhor baterista Mike Portnoy, e que teve o monstro Russel Allen nos vocais, o virtuoso guitarrista, que quando está entediado frita ovos, Mike Orlando, e, agora ex-integrantes, a loira do Tchan, Rich Ward, e a morena do Tchan Paul DiLeo, ambos da Fozzy, banda liderada pelo carismático lutador, vocalista e dançarino Chris Jericho. Alguns ficaram com uma certa expectativa negativa do que viria com este disco, e o principalmente motivo disso foi o EP, que não trazia nada novo e não era nada que os fãs do Progressivo queriam ouvir, seja pelo peso excessivo ou simplesmente por acharem uma desgraça. Mas isso impede de ser um bom disco?

As partes chaves da resenha publicada dia 27 de Janeiro deste ano foram esta “(…) as canções são belas porradas sonoras, apesar de não serem extremamente originais, ainda assim são músicas para balançar a cabeça fortemente. Baixo marcante de Paul, linhas da dupla de guitarra bem pesadas, um Portnoy mais contido e um forte presença na voz explosiva de Russel, que apesar de as vezes soar repetitiva sua interpretação, encaixa com a intenção do som. Os solos de Orlando são bem “fritados”, em outras palavras, se você gosta de técnica exagerada acima daquele “sentimento”, isso vai te agradar facilmente. (…)” e esta “(…) Se tem defeitos? Claro. Solos exagerados e apresentam uma faceta mais barulhenta do que técnica (as vezes soam como tentativas de estupro a pobre guitarra) e uma linha de bateria bem conformada de Portnoy, e quem conhece o cara sabe que ele faz algo muito melhor, mas ainda sim é um bom lançamento. (…)”.

É incrível como o que eu disse naquele dia serve para esse álbum (era óbvio demais). Você pode pensar que não vale a pena, mas apesar dos pesares, vale a pena conferir Omertà, disco de estreia oficial da banda. O peso é interessante, te deixa agitado e apesar de enjoar as vezes, dá para curtir. Os destaques ficam para os riffs e a poderosa voz do homem, Russel Allen. No final de “Undaunted”, a primeira faixa do disco, ele parece transmitir um orgasmo pela sua voz e soa sensacional. As faixas em destaque, além da já citada “Undaunted”, são “Indifferent”, a faixa de encerramento “Freight Train”, as baladas de macho “All On The Line” e “Angel Sky” e, claro, o ótimo cover de “Come Undone”, do Duran Duran, tendo participação especial de Lzzy Hale, da banda Hallestorm, nas linhas vocais, fazendo um lindíssimo dueto com Russel. Em outras palavras, todas as faixas que não estiveram no EP, que aqui ganham uma nova roupagem na mixagem (ficando até melhor). É um bom disco, mas os erros do EP mantem-se aqui e transmitem por quase todas as faixas e impede de terem uma nota mais elevada. Recomendado se você quer apenas ouvir algo pesado sem pretensão alguma.

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