Porcupine Tree – Fear Of A Blank Planet (2007)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Rock Progressivo, Metal Progressivo
Gravadoras: Roadrunner, Atlantic

O nono disco de estúdio do Porcupine Tree, que faz referência a Fear Of A Black Planet do Public Enemy de 1990, Fear Of A Blank Planet é um disco gerado de um conceito que as vezes parece melancólico e depressivo, porém é realista e belíssimo, fortemente influenciado pela novela Lunar Park, de Bret Easton Ellis. A banda composta pelo considerado (e eu concordo) gênio musical Steven Wilson (vocais, guitarra, piano e teclado), Richard Barbieri (teclados e sintetizadores), Colin Edwin (baixo) e o excelente Gavin Harrison (bateria) fizeram um trabalho consistente e fora do comum. Os temas desse disco são em torno de comportamentos, sejam eles transtorno bipolar, transtorno de déficit de atenção, uso de medicamentos prescritos, alienação social causada pela tecnologia, em outras palavras, comportamentos que estão ocorrendo com a atual geração de adolescentes, que é, com toda razão, confusa. E isso é aplicada de maneira excelente.

O álbum começa com a faixa-título, sua introdução de violão rápida que evolui e vem o peso característico dos dois discos anteriores da banda (In Absentia de 2002 e Deadwing de 2005). Gavin nos mostra uma boa levada nas baquetas, além de uma boa interpretação de sr. Wilson com sua bela voz. O maior destaque é seu conteúdo lírico em primeira pessoa, totalmente dispensável para moralistas, como “X-box is a god to me. A finger on the switch, my mother is a bitch, my father gave up ever trying to talk to me” e “I’m through with pornography. The acting is lame, the action is tame, explicitly dullarousal annulled” que aparenta fazer apologia, mas o fato é Steven Wilson mostrando a realidade, a nossa atual realidade. Prosseguindo com o disco, temos uma das baladas mais lindas que eu já tive oportunidade de ouvir, “My Ashes” mostra um lado muito melódico do grupo, com destaque ao seu refrão e aos seus arranjos, e a voz de Steven Wilson é suave e mais uma vez encaixa com que se pede. Uma das minhas favoritas do álbum.

A maior faixa do disco é “Anesthetize”, com quase 18 minutos de duração, uma canção muito progressiva, e com seu começo leve e pacífico, você pensa que não virá nada de especial nela e será aquela viagem do Rock Progressivo que alguns consideram chatas. A música vai crescendo lentamente e quando você percebe ela já é mais pesada que a faixa-título, e depois de um tempo, vem um dos momentos mais pesado do grupo, senão o mais, totalmente inesperado. É de dar inveja a muitos grupos de Metal. E não, eu não estou puxando saco a toa. Pode ser considerada com extrema facilidade a melhor faixa não só álbum, mas da banda. Outro destaque positivo é o solo de guitarra do monstro Alex Lifeson, do Rush. Belíssimo trabalho da lenda canadense. O fim da faixa encerra com uma pequena semelhança com o seu início, sendo ambos muito bons.

Em “Sentimental”, temos outra balada, que não é tão bela quanto “My Ashes”, entretanto é igualmente melancólica, mas soa um pouco mais alegre e animada, mais positiva. Ela é perfeita após “Anesthetize” e seus momentos de loucura. “Way Out Of Here” (faixa editada no vídeo abaixo) aparenta ser outra balada, mas sua progressão nos mostra uma canção forte com um ótimo refrão e um solo de tirar lágrimas tocado por Steven Wilson, e após o solo temos outro momento porrada, que não descaracteriza o disco ou a canção. Gavin Harrison destrói na bateria, além dos arranjos deixarem tudo melhor. E para encerrar, temo um fim de certa forma pesado e que exemplifica tudo que é o álbum, “Sleep Together”, a sexta e última faixa do álbum. É uma canção densa e com uma sonoridade mais profunda, e tem um dos melhores refrões do disco. A orquestração é simplesmente arrasadora e aqui a cozinha faz um ótimo trabalho, em especial o baixo de Colin Edwin. E é com esta faixa que encerramos Fear Of A Blank Planet.

Porcupine Tree sempre foi uma banda promissora graças a seu fundador, Steven Wilson (o que é inegável). E com mais uma obra lançada, que já foi considerada o melhor álbum de 2007 (merecidamente), a banda britânica se estabelece na industria musical com força e respeito. Este álbum é recomendado tanto musicalmente quanto liricamente e seus 50 minutos preciosos não serão desperdiçados. Se você quer se aprochegar do Rock Progressivo (principalmente a atual cena) que ainda tenha um pouco de Metal (sem contar Dream Theater e Pain Of Salvation, que são mais pro Metal do que para o Rock), este disco é mais do que perfeito. Se quiser mais algum material do grupo e que não seja tão Metal, confira Lightbulb Sun, na qual foi a primeira resenha publicada aqui. A única coisa ruim é que você precisa de algumas audições extras, mas que no fim lhe fará muitíssimo bem.

1 – Fear Of A Blank Planet

2 -My Ashes

3 -Anesthetize

[vimeo 14331995]

4 – Sentimental

5 – Way Out Of Here

6 – Sleep Together

4 pensamentos sobre “Porcupine Tree – Fear Of A Blank Planet (2007)

  1. Um dos meus álbuns favoritos de todos os tempos, não sei bem o que falar dele em um todo… Mas posso dizer q o Wilson passou muito bem o conceito do álbum, sendo q eu sei +/- como q é o assunto profundamente, mas n sinto q ele passou apenas uma visão como ele acha ou q acrescentou algumas coisas confusas para ficar mais real, mas sim q foi algo verdadeiro msm, n apenas algo pesquisado e bla bla.
    Gostei da resenha😀

  2. Pingback: Porcupine Tree – Nil Recurring (2007) « Images & Words

  3. Pingback: Steven Wilson – The Raven That Refused To Sing (And Other Stories) (2013) | Images & Words

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