Kanye West – Yeezus (2013)

yeezus

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Hip-Hop Experimental, Hip-Hop Industrial
Gravadoras: Roc-A-Fella, Def Jam

Com o lançamento do aclamado My Beautiful Dark Twisted Fantasy, lançado em Novembro de 2010, o rapper Kanye West vem cada vez mais se destacando na mídia, seja positivamente com o próprio lançado em 2010,  ou seja pelas suas aparições na mídia e as palavras que usava em entrevistas e em shows, considerando-se um “Deus” da atualidade. Se compararmos com outro rapper americano, como Lil Wayne, certamente Kanye West é “Deus”. Kanye West, junto com Jay-Z, estão em um patamar que nenhum outro rapper está próximo. Kanye por demonstrar uma incrível progressão como produtor e artista, e Jay-Z por ser um rapper com excelente situação financeira e por estar na mídia por mais de 10 anos sem ter tido sua imagem destruída.

Como produtor, Kanye consegue construir ótimas batidas e usar samples de forma inteligente e criativa, mas como letrista, Kanye decaiu de nível após o lançamento de seu terceiro álbum, Graduation, de 2007. Em sua fase Pop, Kanye explorava uma maior diversidade de temas, e nem todos os temas selecionados eram pessoais, falando sobre religião, família, materialismo e, principalmente, educação. Ouvindo os discos posteriores a Graduation, percebemos que a variedade de temas que Kanye utilizava diminuiu. Já em seu quarto álbum, 808s & Heartbreak, de 2008, Kanye focou-se em temas extremamente pessoais, fazendo músicas sobre amor, solidão e “coração partido” em um álbum com uso extensivo de auto-tune, uma ferramenta bastante usada por Kanye em 2008 e diante, algo que se mantém aqui em Yeezus.

Yeezus é um disco experimental, podendo lembrar grupos como Death Grips em alguns momentos, entretanto Kanye demonstra personalidade própria em seu sexto álbum de estúdio solo. Na canção que abre o álbum, “On Sight”, percebemos o minimalismo que permanece em boa parte do álbum e todo seu potencial barulhento, com forte intensidade em sua batida e um ótimo uso de sample na metade de “On Sight”. Já em faixas como “I Am A God” e “Hold My Liquor”, possui momentos onde Kanye poderia usar mais peso e intensidade, demonstrada em “On Sight” e, principalmente, “I’m In It”, onde possui uma mudança de ritmo que fez a diferença para a canção se tornar uma das melhores do álbum. “Black Skinhead” e “New Slaves” são canções pesadas em seu conteúdo lírico, envolvendo temas sobre racismo envolvidas pelo minimalismo presente no álbum, principalmente “New Slaves”, onde, em questão de progressão e ritmo, somente para o fim que realmente temos algo que altera a estrutura da faixa.

Apesar de Yeezus (em sua boa parte) ser um álbum minimalista, não é em todas as músicas que isso se segue. Na faixa mais longa do disco, “Blood On The Leaves”, é bastante movimentada com um Kanye West bem depressivo e emocional no auto-tune, uma ferramenta muito bem usada no decorrer de Yeezus. Até mesmo alguém como o jovem rapper Chief Keef soa tolerável com esta ferramenta na faixa “Hold My Liquor”, onde o mesmo canta o refrão de uma forma onde o homem de gangue que não quer demonstrar sentimentos finalmente demonstra sentimentos que estava escondendo. Algo notável neste álbum é a tonalidade triste presentes e, de certa forma bonitas, neste disco. Se ignoradas letras em determinados momentos, Yeezus possui momentos que faria Lou Reed chorar (clique aqui e confira [em Inglês] a opinião de Lou Reed sobre Yeezus).

Letras em Yeezus é, em grande parte, o ponto fraco. “Send It Up” tem uma batida cativante, porém com uma letra péssima. E a versatilidade de temas, comparadas com seus discos da era Pop, continuam muito menores. E em alguns refrões, como em “Guilt Trip” e “I Am A God”, são totalmente inefetivos e cansativos. Entretanto, o fim do álbum com “Bound 2” vale a pena pelos samples usados e como foram usados, formando uma música deliciosa de ouvir, com uma ótima participação especial Charlie Wilson. Outro fato notável são as participações especiais. Comparada com My Beautiful Dark Twisted Fantasy, Yeezus possui menos participações especiais, mas as que estão presentes são competentes, como Justin Vernon em “I Am A God” e “Hold My Liquor”, Frank Ocean em “New Slaves” e Kid Cudi em “Guilt Trip”.

Yeezus apresenta seus problemas em seus 40 minutos de duração, porém é um disco que deve ser escutado de início a fim por diversas vezes. Kanye West superou em seu sexto álbum como produtor e artista, trazendo uma evolução inesperada. As músicas compostas, apesar de possuírem pouca qualidade em letras, contém batidas contagiantes, uso inacreditável de auto-tune, samples bem colocados e distribuídos, além de boas e efetivas participações especias. Yeezus é um álbum que demonstra que o comodismo é o maior inimigo do ser humano e que nunca devemos chegar a este ponto.

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