Blackfield – Blackfield II (2007)

Origem: Inglaterra & Israel
Gêneros: Art Rock, Pop Rock
Gravadoras: Snapper, Atlantic, We Put Out

Blackfield é um projeto colaborativo entre Steven Wilson, fundador e mentor do Porcupine Tree, e o israelita Aviv Geffen. Diferente do Porcupine Tree, onde as músicas eram mais longas e complexas, e tendo algumas pitadas pesadas, Blackfield tem músicas orientadas para o pop tradicional com média de 3 minutos de duração, já que Aviv não era/é chegado a esse tipo de sonoridade, mesmo sendo fã do Porcupine Tree e do Steven Wilson (não me pergunte como ele é fã). A banda de apoio é composta por Daniel Salomon (piano), Seffy Efrati (baixo) e Tomer Z (bateria e percussão). Tanto Aviv quanto Wilson cuidaram das linhas de teclado guitarra, mas um mais que o outro (Wilson cuidou mais da guitarra, enquanto Aviv mais o teclado).

A sonoridade do grupo, mesmo sendo mais tradicionalista, funciona muito bem e nenhum pouco cansativa. Blackfield II é composto dez belas faixas que juntas duram em torno de 42 minutos, algumas tristes como “1,ooo People” e “Some Day”, outras soando mais positivas como a introdução do disco, “Once”, a canção mais curta do álbum, “Where Is My Love?”, e a melhor faixa do disco, “Miss U”, única faixa cantada por Aviv isoladamente. As linhas vocais de ambos estão muito bem realizadas, sejam ambos cantando juntos ou isolados em cada faixa (Wilson canta seis das dez canções), assim como a banda de apoio faz um trabalho interessante e consistente. Outro destaque que deve ser notado certamente é a produção/mixagem de Steven Wilson, que ficou belíssima, sendo tudo audível claramente. E para encerrar o trabalho, “End Of The World” termina de uma forma apaixonante e o dueto funciona perfeitamente, assim como nas outras faixas que isso ocorre, mas essa canção merece um destaque maior, além de ser a mais longa do álbum com 5 minutos.

Blackfield II, segundo disco do Blackfield, mostra um trabalho maduro, consistente, grudento, bonito e gostoso de se ouvir da primeira faixa até a última. Não tem sequer um motivo para pular alguma faixa ou algum momento separado. Você sente prazer em ouvir e escutar todos os arranjos e harmonias do álbum. Se você quer algo pesado ou complexo, aqui não é seu disco. Agora, se quer um pop tradicional e até comercial, porém bem construído e com uma ótima atmosfera geral, este álbum é recomendadíssimo. E se quer que seu pai, mãe ou quem quer que seja, que ouve músicas que você considera ruim e pop, indique-o Blackfield II. Certamente ele(a) ficará agradecido(a).

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Shinedown – Us And Them (2005)

Images & Words review

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo, Southern Rock, Hard Rock, Pós-Grunge
Gravadora: Atlantic

Em seu segundo disco de estúdio, Us And Them, Shinedown se mostra uma banda que faz um som bem variado, não soa repetitivo, mas ao mesmo tempo não soa surpreendente, imprevisível, ou como queria bem dizer, e, principalmente, inovador. A banda era composta por Brent Smith (vocais), Jasin Todd (guitarra), Barry Kerch (bateria e percussão) e Brad Stewart (baixo), até a saída do guitarrista e do baixista, e em Us And Them foram lançados três singles, sendo dois usados pela WWE em seus PPVs. É um disco com momentos interessantes e outros nada empolgantes. Vamos conferir o que temos aqui.

O álbum começa com uma faixa introdutória, que honestamente, não faz sentido algum para mim. “The Dream” é basicamente uma garota estranha e até pode se dizer assustadora dizendo algumas frases que para mim não fazem sentido algum. Se Us And Them fosse um disco conceitual, dava para aceitar e entender o que eles queriam passar nas 13 faixas: um disco do Rob Zombie. Enfim… Sua sucessora é “Heroes”, e percebemos uma forte banda na guitarra e nos vocais e boa na bateria e baixo. Você consegue ouvir tudo claramente e é notável que a faixa inicia bem o disco, nem era necessário “The Dream”. “Save Me” não é uma canção da mais atrativas em seu começo, mas seu refrão de certa forma anima as coisas.

“I Dare You” começa irritante e se torna uma canção bem esquecível e chata. Os vocais dão uma melhorada principalmente no refrão, mas ainda não consigo dizer que é uma boa faixa. “Yer Majesty” tem aquele peso e bons riffs de guitarra, além de uma voz agressiva de Brent, que no fim, gera uma canção bem legal até. “Beyond The Sun” é aquela balada que inicia acústica até a banda aparecer por completo (bem no estilo Hard Rock), que é bonitinha e aqui Brent faz um trabalho bacana, além da banda fazer um trabalho competente, mas nada surreal e especial. “Trade Yourself In” inicia de uma maneira bem empolgante e diferenciada. Os riffs acabam me lembrando de uma versão mais pesada do Red Hot Chili Peppers.

Agora vem um dos meus grandes problemas com esse disco. “Lady So Divine” ultrapassa a marca de 7 minutos e com um começo fraco, a música evolui em algo interessante, porém nada bem feito, ainda mais após a segunda repetição do refrão (que é bom). A música poderia ser diminuída de 7 minutos para apenas 4 minutos e seria muito melhor o resultado. E olha que quem está falando gosta de músicas com uma duração prolongada, porém bem feita, ou pelo menos com bom senso e boas ideias (pode soar contraditório para alguns, já que eu gosto de Dream Theater e tem muitos momentos assim, mas ao menos alguns deles são interessantes… eu acho). Claro, tem coisas bacanas sim, como o solo de guitarra e atmosfera na seção instrumental, que são bem bonitas. Mas a construção da música, e principalmente, a introdução dela (após os primeiros acordes me refiro), me fizeram achar que aquilo merecia algo melhor e até maior.

As outras faixas não apresentam nada de novo ao conteúdo do álbum. Por exemplo, “Shed Some Light” é outra balada que inicia acusticamente, desenvolve acusticamente e termina acusticamente. Bem criativa a banda… Não que eu tenha algo contra isso, mas ela é desnecessária, já que temos “Beyond The Sun”, que é melhor. E antes de encerrar o álbum em uma terceira balada, temos três faixas “porradas”. “Begin Again”, “Atmosphere” e “Fake”. É incrível como as três não acrescentam nada ao disco a não ser espaço preenchido. E “Some Day” termina o álbum, e como já disse, é outra balada, e é outra desinteressante. Não encerra o trabalho dignamente e fica deixando um certo vazio no ouvinte, pois passa uma incerteza de que aquilo que ele ouviu era tudo que a banda tem a oferecer ou simplesmente tem uma certa tendência a canções comerciais.

Us And Them é um bom disco, se assim posso afirmar. Tem momentos bem interessantes, porém outros que poderiam ser esquecidos e nem pensados em serem adicionados no álbum, como todas as faixas após “Lady So Divine”, que encerraria bem o disco. Mas não dá para negar que a banda em si é boa, principalmente o guitarrista . Se você é guitarrista e quer pegar uma influência diferenciada, desde Southern Rock ao Hard Rock ao Metal, esse disco tem algo a oferecer (caso queira ir além do senhor Zakk Wylde). É um trabalho consistente, mas nada original e grandioso. Recomendado se você quer ouvir uma banda banda diferente ao ponto de indicar aos seus amigos que tem certo gosto pelo Rock e Metal, mas não sabem se aprofundar no gênero. Em outras palavras, Shinedown é mais um ponto de começo do que um ponto final em uma “carreira sonora de uma pessoa”, ao menos neste álbum.

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Porcupine Tree – Fear Of A Blank Planet (2007)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Rock Progressivo, Metal Progressivo
Gravadoras: Roadrunner, Atlantic

O nono disco de estúdio do Porcupine Tree, que faz referência a Fear Of A Black Planet do Public Enemy de 1990, Fear Of A Blank Planet é um disco gerado de um conceito que as vezes parece melancólico e depressivo, porém é realista e belíssimo, fortemente influenciado pela novela Lunar Park, de Bret Easton Ellis. A banda composta pelo considerado (e eu concordo) gênio musical Steven Wilson (vocais, guitarra, piano e teclado), Richard Barbieri (teclados e sintetizadores), Colin Edwin (baixo) e o excelente Gavin Harrison (bateria) fizeram um trabalho consistente e fora do comum. Os temas desse disco são em torno de comportamentos, sejam eles transtorno bipolar, transtorno de déficit de atenção, uso de medicamentos prescritos, alienação social causada pela tecnologia, em outras palavras, comportamentos que estão ocorrendo com a atual geração de adolescentes, que é, com toda razão, confusa. E isso é aplicada de maneira excelente.

O álbum começa com a faixa-título, sua introdução de violão rápida que evolui e vem o peso característico dos dois discos anteriores da banda (In Absentia de 2002 e Deadwing de 2005). Gavin nos mostra uma boa levada nas baquetas, além de uma boa interpretação de sr. Wilson com sua bela voz. O maior destaque é seu conteúdo lírico em primeira pessoa, totalmente dispensável para moralistas, como “X-box is a god to me. A finger on the switch, my mother is a bitch, my father gave up ever trying to talk to me” e “I’m through with pornography. The acting is lame, the action is tame, explicitly dullarousal annulled” que aparenta fazer apologia, mas o fato é Steven Wilson mostrando a realidade, a nossa atual realidade. Prosseguindo com o disco, temos uma das baladas mais lindas que eu já tive oportunidade de ouvir, “My Ashes” mostra um lado muito melódico do grupo, com destaque ao seu refrão e aos seus arranjos, e a voz de Steven Wilson é suave e mais uma vez encaixa com que se pede. Uma das minhas favoritas do álbum.

A maior faixa do disco é “Anesthetize”, com quase 18 minutos de duração, uma canção muito progressiva, e com seu começo leve e pacífico, você pensa que não virá nada de especial nela e será aquela viagem do Rock Progressivo que alguns consideram chatas. A música vai crescendo lentamente e quando você percebe ela já é mais pesada que a faixa-título, e depois de um tempo, vem um dos momentos mais pesado do grupo, senão o mais, totalmente inesperado. É de dar inveja a muitos grupos de Metal. E não, eu não estou puxando saco a toa. Pode ser considerada com extrema facilidade a melhor faixa não só álbum, mas da banda. Outro destaque positivo é o solo de guitarra do monstro Alex Lifeson, do Rush. Belíssimo trabalho da lenda canadense. O fim da faixa encerra com uma pequena semelhança com o seu início, sendo ambos muito bons.

Em “Sentimental”, temos outra balada, que não é tão bela quanto “My Ashes”, entretanto é igualmente melancólica, mas soa um pouco mais alegre e animada, mais positiva. Ela é perfeita após “Anesthetize” e seus momentos de loucura. “Way Out Of Here” (faixa editada no vídeo abaixo) aparenta ser outra balada, mas sua progressão nos mostra uma canção forte com um ótimo refrão e um solo de tirar lágrimas tocado por Steven Wilson, e após o solo temos outro momento porrada, que não descaracteriza o disco ou a canção. Gavin Harrison destrói na bateria, além dos arranjos deixarem tudo melhor. E para encerrar, temo um fim de certa forma pesado e que exemplifica tudo que é o álbum, “Sleep Together”, a sexta e última faixa do álbum. É uma canção densa e com uma sonoridade mais profunda, e tem um dos melhores refrões do disco. A orquestração é simplesmente arrasadora e aqui a cozinha faz um ótimo trabalho, em especial o baixo de Colin Edwin. E é com esta faixa que encerramos Fear Of A Blank Planet.

Porcupine Tree sempre foi uma banda promissora graças a seu fundador, Steven Wilson (o que é inegável). E com mais uma obra lançada, que já foi considerada o melhor álbum de 2007 (merecidamente), a banda britânica se estabelece na industria musical com força e respeito. Este álbum é recomendado tanto musicalmente quanto liricamente e seus 50 minutos preciosos não serão desperdiçados. Se você quer se aprochegar do Rock Progressivo (principalmente a atual cena) que ainda tenha um pouco de Metal (sem contar Dream Theater e Pain Of Salvation, que são mais pro Metal do que para o Rock), este disco é mais do que perfeito. Se quiser mais algum material do grupo e que não seja tão Metal, confira Lightbulb Sun, na qual foi a primeira resenha publicada aqui. A única coisa ruim é que você precisa de algumas audições extras, mas que no fim lhe fará muitíssimo bem.

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Yes – Close To The Edge (1972)

Origem: Inglaterra
Gênero: Rock Progressivo
Gravadora: Atlantic

Quinto álbum de estúdio do Yes, Close To The Edge foi o disco posterior ao Fragile, que fez relativo sucesso comercial, a banda composta por Jon Anderson (vocais principais), Steve Howe (guitarra e vocais de apoio), Chris Squire (baixo e vocais de apoio), Rick Wakeman (teclado) e Bill Bruford (bateria e percussão) tinham a difícil missão de superar o que foi feito em 1971, além de, obviamente, conseguir dinheiro para poder pagar os instrumentos, contas, etc. E meus caros leitos, este quinteto, um dos mais importantes da história do Rock conseguiram em Close To The Edge, que possui quase 38 minutos de duração. Este LP é considerado um dos melhores da história e não é por menos. Temos coisas mágicas e inacreditáveis nos esperando neste LP, que sim, merece ser ouvido com devida atenção.

É com a faixa-título que o disco começa. Tendo apenas 3 faixas, “Close To The Edge” tem quase 19 minutos de duração e passagens que alguns momentos chegam a ser psicodélicas e enlouquecedoras, outras suaves e lindas, e ainda mais com a voz de Jon, que deixa tudo mais mágico. Com uma introdução de deixar qualquer um louco, a música se desenvolve, e diferente do som que King Crimson e Genesis faziam, o Yes tinha uma alegria a mais em sua música (ou se preferirem, um uso de maconha a mais nas composições) e é que acontece com a canção, que é divida em 4 segmentos. O primeiro é “The Solid Time Of Change”, que é a introdução maluca da faixa que transfere para um som que chega a familiarizar facilmente com o Folk, mas tendo aquela pegada do Rock. “Total Mass Retain” continua com o mesmo tema da segunda parte de “The Solid Time Of Change”, mas algumas diferenças pequenas, que após seu fim, somos introduzidos a “I Get Up I Get Down”, que é conduzida pelo teclado do virtuoso Rick Wakeman e pelas vozes de Jon, Chris e Steve, até sermos interrompidos por um ensurdecedor solo de órgão de Rick, que provavelmente foi feito no teclado, e este mesmo solo se repete novamente a seguir, mas com algumas diferenças. Após ele, Rick faz suas “travessuras” e então somos levados ao final da canção com o quarto e último andamento, “Seasons Of Man”, um final espetacular, encerrando o primeiro lado do LP magnificamente, terminando uma viagem longa, porém recompensadora.

Então o segundo LP começa com “And You And I”, faixa de 10 minutos aproximadamente, inicia acústica e possui quatro andamentos, igualmente a faixa-título, só que além de ser mais curta, ela é a balada do álbum. O primeiro andamento é “Cord Of Life”, introduzindo a música com um violão, o teclado viajante de Rick, um baixo e o bumbo e as vezes pratos da bateria, que evolui e se torna um Rock interessante, que leva a “Eclipse”, segundo segmento da canção que soa extremamente épico e ótimo para dormir, mas não é porque é chato, mas é porque é acalmante e linda. “The Preacher, The Teacher” volta ao tema mais acústico da faixa, com algumas variações, até o baixo e companhia nos encontrar e com algumas passagens que reprisam “Eclipse”, somos levados para o fim da faixa com “Apocalypse”, o mais curto segmento, com 40 segundos, encerrando como a faixa iniciou. Outra ótima canção. “Siberian Khatru” é a terceira canção e também a última, com quase 9 minutos de duração, não tem andamentos como as outras duas antecessores tem. Ela começa animada com riffs empolgantes e a mais “padronizada”, digamos assim, do álbum. Não que seja ruim, mas isso é no sentido de ser a canção com mais consistência (mas isso não quer dizer que “Close To The Edge” e “And You And I” não tenham), mas mostrando todas as loucuras desse quinteto. O seu refrão empolga e com esta faixa que encerramos este magnífico LP, com muito momentos interessantes e bonitos, que merecem serem guardados em nossa consciência.

Em resumo, Close To The Edge é um disco que merece ser aclamado como obra-prima dignamente e é uma grande influência para o Rock Progressivo. Mesmo que as letras sejam grandes maluquices, com temas como sonho e espiritismo, elas são ótimas e infelizmente soam aquilo que o Punk Rock lutou contra (e venceu): o elitismo que Rock Progressivo possuía e ainda possui, o que é uma pena. Seria muito mais interessante termos bandas com influências mais visíveis do Rock Progressivo do que aquele simples Rock de três acordes que aparentemente qualquer um pode fazer. Rock Progressivo, apesar do endeusamento em seus músicos, era (e ainda continua sendo) um gênero riquíssimo e que traria muitas influências positivas a futuros músicos, que faria com eles se esforçassem mais para criar aquilo que os seus ídolos criaram, pelo menos é o que eu acho. Bem, se você quer ricas informações, confira logo abaixo as 3 faixas de Close To The Edge, quinto álbum do Yes, e desfrute de ideias que podem ser consideradas geniais.

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AC/DC – Back In Black (1980)

Origem: Austrália
Gêneros: Hard Rock, Rock N’ Roll
Gravadoras: Atlantic, ATCO, Epic

Depois do grande sucesso do seu álbum de 1979 (o Highway To Hell), o AC/DC que viu seu frontman morrer de forma bem esquisita tinha algumas tarefas a ser feita: lançar um álbum depois do aclamado e adorado Highway To Hell que faria jus ao seu último lançamento, encontrar outro grande vocalista tão carismatico quanto Bon Scott, não ser apenas levada adiante como “lembra daquela banda?” ou “você ficou sabendo como o vocalista do AC/DC morreu?”, ou seja, ser esquecida ou ser lembrada pelo seu trabalho com Bon Scott pelo resto da vida e não pela música que seriam capazes de fazer, ainda. Bom, parece que a banda não teve medo disso e lançou Back In Black logo (apenas 5 meses depois da morte de Bon Scott), voltando do luto literalmente.

Barulho de sinos, e logo um poderoso e até obscuro riff vem a tona, Hells Bells abre o disco, e sou suspeito para falar dela, talvez a música que eu mais goste do AC/DC. Mas não elogiar ela é mesmo difícil, Brian Johnson mostra para o mundo sua potente voz. Os riffs daqui mostram muito bem o que é o AC/DC: uma maquina de riffs. Refrão e o clíma que Hells Bells te proporciona é extraordinario. Seguimos com Shoot To Thrill, essa que possuí grande refrão e outra com um clima bem interessante, com Angus domando sua guitarra lindamente, hard rock de primeira. What Do You Do For Money Honey só basta você ouvir o riff da introdução da faixa, e se você não se lembrar disso, sinceramente tenho minhas dúvidas se você vive na Terra! Refrão agitado e que funcionaria (funciona) muito bem em arenas de shows. Given The Dog A Bone e Let Me Put My Love Into You são outras com riffs incríveis, com aquela simplicidade não tão simples do AC/DC, sim, a banda mantém a mesma forma de fazer música, mas a empolgação que o grupo consegue demonstrar, sempre com riffs fantásticos liderados por Angus é algo fora do normal.

Agora chega o ponto alto do disco, a faixa título vem ai para mostrar que eles voltaram! Bom, para mim uma das melhores músicas de hard rock de todos os tempos, não vou fazer comparação, sendo que sempre tem uma ou outra grande canção que escapa a mente, e é apenas minha opinião. O riff (novamente se destacando), o refrão, o entusiasmo de toda banda e de principalmente Brian Johnson (que já se sentia confortavel com a sua nova banda), está tudo muito bem feito, a essência do rock n’ roll está nesta faixa, e que solo final do Senhor Angus. You Shook Me All Night Long, outra clássica do álbum, é a mais perto de ser balada das faixas mantendo o grande nível do CD com um refrão bem cativante. Have A Drink On Me deve ser a menos conhecida das 10 músicas do disco. E isso não faz perder a qualidade, mesmo não sendo uma das melhores (e apontar isso seria extremamente difícil, das 10, pelo menos 8 são muito conhecidas e consideradas clássicas) poderia ser encaixada como melhor faixa em muitos álbuns de hard rock por aí.

Shake A Leg é a nona faixa, e outra das minhas favoritas, com grande agitação que fluí por todo o disco, destaques para o refrão. Rock And Roll Ain’t Noise Pollution é novamente outra canção bem conhecida da banda, seguindo o estilo “igual mas desigual” que chega a ser cativante, e ela fecha o álbum com classe, e com um refrão que fica na sua cabeça e mostrando algo que muitos tentam desmentir, mesmo a canção sendo de 1980 ainda vale: Rock N’ Roll ain’t noise pollution – Rock N’ Roll ain’t gonna die.

Back In Black virou um grande clássico do rock e alcançando a marca de mais de 50 milhões de cópias vendidas, sendo o segundo álbum de música mais vendido da história. Um discaço e recomendado para todos que curtem boa música, os mais exigentes talvez pensam que seja algo supervalorizado por causa da simplicidade, só digo que os riffs mais difíceis de se fazer, são os mais fáceis de se ouvir e que a criatividade aqui apenas é diferente, não quer dizer que seja menos genial de bandas mais complexas.

Genesis – Foxtrot (1972)

Origem: Inglaterra
Gênero: Rock Progressivo
Gravadoras: Charisma, Virgin, Atlantic

Formada em 1967, o grupo britânico Genesis é um dos maiores expoentes do Rock Progressivo e um dos maiores grupos da história, vendendo mais de 150 milhões de discos em todo mundo. Podemos dividir o Genesis em duas fases musicais. A fase inicial no Rock Progressivo, que tinha músicas complexas, estruturas diferenciadas e apresentações teatrais graças ao antigo vocalista, Peter Gabriel. A segunda fase é a fase Pop que começou a partir dos anos 80, que tornou o grupo mais acessível as rádios e ao público. O vocalista (e podemos dizer o grande viajador) Peter Gabriel já não mais fazia parte da banda, este seguia sua carreira solo, na qual nós conhecemos, principalmente após o festival de música SWU.

O disco que será analisado, Foxtrot, é o quarto disco da banda. É o disco que começou dar ao Genesis o caminho da popularidade e de fazer shows em lugares de tamanho mediano. A capa do álbum, que tem uma criatura semelhante a uma raposa, é uma homenagem a uma das fantasias usadas por Peter Gabriel para enfrentar o medo que o mesmo tinha na frente dos palcos. É uma maneira criativa de enfrentar o medo e que deu um charme as apresentações do grupo (e problemas entre a banda, pois Peter Gabriel roubava muito destaque para ele nos shows devido do uso de fantasias).  Por falar no grupo, todos os caras do Genesis são talentosos e juntos fazem um excelente disco. Agora vamos entrar no que é o mais importante e todos queremos saber, a música.

Naquela época, os LPs eram divididos em dois lados. O primeiro lado do disco começa com uma introdução de mellotron (para quem não sabe, é um tipo de teclado) tocada por Tony Banks (além disso faz vocais de apoio e toca órgão, piano e guitarra), que vai progredindo e então ele para, a música volta a ficar baixa e volta a progredir, mas agora a banda fica mais participativa, composta por Phill Collins (bateria, percussão e vocais de apoio), Steve Hackett (guitarra), Mike Rutherford (baixo, guitarra, vocais de apoio e cello) e claro, o vocalista Peter Gabriel com sua voz única (além de tocar percussão, oboé e flauta). A música que abre o disco é “Watcher Of The Skies”, que detém a marca de 7:23 de duração. Uma música viajante e uma das empolgantes do disco e quem sabe uma das melhores músicas, não só do disco, mas do grupo, iniciando muito bem o o álbum. Nada melhor que começar um álbum com uma música que empolga e seja muito boa, certo?

A segunda faixa é “Time Table”, de 4:45. A música mais curta do primeiro lado do LP e é uma canção bem bonita. O refrão dela eu costumo considera-lo grudento. As vezes eu me pego cantando o refrão desta música e nem percebo. A próxima canção dura 8:36, e é “Get ‘Em Out By Friday”. A música, como a maioria deste disco, são grandes viagens progressivas, sendo está tendo seus momentos calmos e pacíficos e outros momentos mais empolgantes que “Watcher Of The Skies”. Uma canção divertida mas um pouco cansativa se ficarmos esperando só ter momentos divertidos, mas não deixa de ser ótima. Para encerrar o primeiro lado do LP temos “Can-Utility And The Coastliners”, de 5:44. É a minha música menos favorita não só do primeiro lado do LP, mas dos dois lados (mas eu ainda gosto dela e é muito boa por sinal). Não é o melhor encerramento para o primeiro lado do LP. É uma música muito bonita e bem viajante, e que com tempo vai progredindo e ficando mais intensa e ainda mais bonita e o só seu final que é agitado e animado, mas é menos memorável do álbum. Acho que o grupo poderia vir com algo mais animado para encerrar o primeiro lado do LP, como a própria “Get ‘Em Out By Friday” ou “Watcher Of The Skies”.

A quinta faixa do LP e a faixa de abertura do segundo lado do LP é “Horizons”, faixa instrumental de 1:41. É a faixa mais curta de todo LP e introduz de maneira excelente a próxima faixa, que também é a última faixa do álbum. É uma das faixas mais clássicas do grupo e de maior duração na história do grupo. Ela começa com estes versos: “Walking across the sitting-room, I turn the television off. Sitting beside you, I look into your eyes.” Falo da grande viagem musical de Peter Gabriel e companhia: “Supper’s Ready”, que tem uma duração próxima a 23 minutos. Ela é dividida em 7 partes, que respectivamente são: “Lover’s Leap”, “The Guaranteed Eternal Sanctuary Man”, “Ikhnaton and Itsacon and Their Band of Merry Men”, “How Dare I Be So Beautiful?”, “Willow Farm”, “Apocalypse in 9/8 (Co-Starring the Delicious Talents of Gabble Ratchet)”, “As Sure As Eggs Is Eggs (Aching Men’s Feet)”. Antes do lançamento de The Lamb Lies Down on Broadway, o ambicioso disco duplo da banda e o último a conter o vocalista Peter Gabriel, “Supper’s Ready” era a canção de encerramento de shows, é um grande encerramento diga-se de passagem.

A música começa bem calma e muito pacífica em “Lover’s Leap”. Ela vai introduzindo canção de uma maneira bem bonita por sinal. E logo em seguida ela fica mais bonita com “The Guaranteed Eternal Sanctuary Man”, que progride e fica mais empolgante e interessante. Após o fim dela, a banda some, e podemos ouvir crianças ao fundo cantando. E então, vamos para a terceira parte, “Ikhnaton and Itsacon and Their Band of Merry Men”, que volta a progredir o som, mas não da mesma maneira como a passagem anterior, mas de uma maneira mais animada e menos “fofa”, se assim posso dizer. Destaque para o solo de Steve Hackett nesta parte. O som regride e vira algo mais depressivo e atmosférico, temos agora “How Dare I Be So Beautiful?”. Ela soa tão depressiva que esperamos que a passagem passa. Ela termina com uma pergunta: “A flower?” E então somos introduzidos a minha parte favorita do disco, “Willow Farm”. É uma viagem estranha da banda, e o vocal de Peter Gabriel não soava tão aguda como em outras seções do álbum. Depois de um som que soa como apito, somos trazidos para outra parte da viagem de “Willow Farm”, que vai continuando e para em “Apocalypse in 9/8 (Co-Starring the Delicious Talents of Gabble Ratchet)”, e novamente ela regride e volta aquela melodia mais bonita no começo da canção. Ela continua e vai nos mostrando uma bela melodia, com uma flauta tocada por Peter Gabriel e então ela progride novamente e fica empolgante, com os teclados comandados por Tony Banks. A música vai seguindo para então, um final épico, digno de uma longa e grandiosa canção, que vai deste esta parte e segue para a próxima parte. “As Sure As Eggs Is Eggs (Aching Men’s Feet)” é o final perfeito para esta canção. Tudo aqui soa como se fosse feito para arrancar lágrimas do ouvinte (e não seriam lágrimas em vão). É lindo, magnífico, e pode se dizer genial. Após as últimas frases de Peter Gabriel, a banda comanda o som até o seu final, que vai regredindo até não ser possível ouvir mais nada.

E assim é encerrado um dos grandes clássicos do Rock Progressivo. Genesis neste disco de 1972 fez um grande álbum que merece todo o reconhecimento que possui. Todos os membros da banda fizeram um trabalho sensacional, seja na execução, na interpretação… A formação deste disco (que é a formação clássica da banda) em seu segundo disco juntos fizeram um trabalho que pode ser chamado de excelente. Recomendado a todos os amantes de música e que não tem preconceitos e que não tem tendências a frescuras como sono, que alguns dizem ser o motivo de não gostar de bandas de Rock Progressivo, como o próprio Genesis e outras bandas como Yes, mas infelizmente requer algumas audições extras.

X Japan – Art Of Life (1993)

Origem: Japão
Gêneros: Speed Metal, Metal Sinfônico, Metal Progressivo
Gravadora: Atlantic

Na primeira resenha no ano de 2012, o Images & Words terá o prazer de ter a resenha deste disco, que talvez (só talvez), seja o ouro mais precioso no meio da música oriental. X Japan é a banda de maior sucesso no Japão, sendo equivalente ao “nosso” Led Zeppelin, se assim posso dizer. O grupo que as vezes é chamado de “cópia do Glam Metal e do Power Metal” por aqueles que não gostam ou odeiam a música japonesa, bem, eu digo que X Japan somente com este disco supera a maioria dessas bandas. O motivo pode parecer estranho, mas, neste disco, só tem uma faixa. Sim, apenas uma faixa, que tem o mesmo nome do álbum. Duração? 29 minutos!

Art Of Life é o quarto álbum lançado pelo X Japan, que antes deste álbum era apenas conhecido como “X”, mas como eles estiveram em turnê americana, tinha uma banda de Punk Rock que também era chamada de “X”, e para evitar problemas, o baterista, pianista e co-fundador do grupo, Yoshiki, decidiu mudar o nome da banda para “X Japan”. Falando em Yoshiki, este homem escreveu e compôs a música, que aliás é totalmente em Inglês, ou seja, nada de frases ou palavras em Japonês. O disco foi orquestrado pela Royal Philharmonic Orchestra, uma orquestra britânica. Essa música não é fácil de se escutar, e requer algumas audições extras para seu entendimento completo.

“Mas qual é tema deste álbum? Qual é o tema da música?” Como diz o nome do álbum, ele fala sobre a vida e a sua arte. A música fala sobre a vida de uma maneira incrível que não tem como explicar, já que o baterista Yoshiki compôs a música desde seus 17 anos (na época do Art Of Life, Yoshiki tinha seus 28 anos, ou seja, 11 anos compondo uma canção). Para compor uma música desse tipo, é preciso tempo e maturidade, e principalmente, força de vontade e pretensão, pois sem isso, dificilmente você não fará algo que marque época, como aconteceu com X Japan no Japão e seu Visual Kei. E agora vamos para o que interessa, a canção de 29 minutos!

A música começa lenta, devagar, suave, como se fosse uma balada. O vocais do outro co-fundador da banda, Toshi, podem ser considerados irritantes para aqueles que não estão acostumados com seu timbre e seu sotaque nipônico, já que é notável que o homem não tem fluência no Inglês (naquela época). Depois de um tempo, a música começa a crescer e progredir e vem com ela a velocidade característica do grupo, junto com uma belíssima orquestração. Os riffs de guitarra, tocados pela dupla composta pelo falecido Hide e por Pata (belo nome de dupla sertaneja, aliás), acasalam muito bem com a orquestração, como se soassem únicos, mas você ainda pode distinguir qual é qual, o que é ótimo. O baixo de Heath é bem interessante em alguns momentos, soam meio embolados, mas são bons e são inesperados. O trabalho na bateria por Yoshiki é que merece mais destaque dentre os cincos membros do grupo. Sua linha de bateria está ótima e é notável que ele está colocando seu máximo na música. Com decorrer da música é notável uma voz feminina, dizendo frases não audíveis, mas que deixam as coisas mais interessantes (se alguém souber de quem é esta voz feminina, grato eu ficaria). A música ganha intensidade assim que avança, e algo destacável é a emoção que ela passa. É incrível a sensação que dá para sentir com a música.

Agora vamos ao meu momento favorito da música. Entre 15:07 e 24:18, temos um dueto de piano, tocado por Yoshiki. O dueto dura 8 minutos e é simplesmente fenomenal, para não dizer genial. Começa como um solo de piano, que toca o tema principal do dueto, e mais a seguir, temos a entrada de outro piano, formando o dueto. Enquanto um piano toca o tema principal do dueto com intensidade e variando a velocidade, o segundo piano faz um estrago. O segundo piano as vezes parece que está sendo tocado com punhos raivosos e marteladas poderosas ao invés dos singelos e conhecidos dedos, que nós seres humanos possuímos. Se o primeiro piano já tem intensidade, o segundo piano faz algo que poderia estar em um disco de Noise Rock ou Rock Psicodélico, tamanha barulheira que faz, chegando assustar os desavisados. Agora, a pergunta que fica é: “Qual é motivo deste dueto?” Acredito que seja para demonstrar a vida, como ela pode ser raivosa e barulhenta (e até infernal), hora calma e triste, e quem sabe, bela e feliz. E que a maioria dessas coisas acontece graças a uma outra pessoa (ou por algo), como é demonstrado neste dueto sensacional. E o melhor de tudo é que este longo dueto não é enjoativo.

Após o fim do dueto, que vem de uma linda passagem calma e orquestrada, o som progride em um Heavy Metal veloz e já conhecido. Sim, o tema principal da música volta com seus riffs, que apesar de soarem genéricos, encaixam na canção e fazem com que ela realmente soe uma música inteira, não uma colagem de músicas. A bateria de Yoshiki está ainda mais intensa, e a música soa mais épica e mais linda. O vocal de Toshi, que antes soava estranho, tem a interpretação certa para canção, trazendo toda a emoção que ela precisava ter nas linhas vocais. As guitarras, junto com o piano, fazem um belíssimo encerramento com o Toshi dando o máximo de si para que fique o mais próximo do perfeito. E a música termina estranhamente e brutamente com Toshi encerrando a canção com a frase “In my life”, sendo que na palavra “life”, a banda “morre”, ou seja, desaparece. A música ficaria melhor se houvesse um final mais épico, com 1 minuto de duração a mais, para dar o fim perfeito (e para aumentar o tempo para 30 minutos), mas isso não estraga a canção do grupo comandado pelo cérebro Yoshiki e pelo vocalista Toshi.

X Japan com seu quarto álbum, Art Of Life, faz sua obra prima, e quem sabe, a obra prima na música japonesa. Algo que levará tempo para que um grupo oriental faça algo equivalente ou superior a esta canção cheia de mistério e detalhes que fazem dela uma das canções mais magníficas para mim, mesmo soando genérica com alguns riffs de guitarra, o que realmente vale é o conceito e o contexto completo, e nesse conceito e contexto completo, a música do X Japan se sobressai como uma das melhores músicas de todos os tempos, não só do Japão ou do lado oriental do mundo, mas sim de toda a história da música popular (na minha opinião, claro). Talvez seja tudo isso que eu digo, talvez não seja tudo isso que eu digo, mas o que importa mesmo é que essa música marcou a música oriental e merece destaque e todos os membros do X Japan estão de parabéns por está canção.

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