Between the Buried and Me – The Parallax II: Future Sequence (2012)

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Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metalcore, Metal Progressivo
Gravadora: Metal Blade

Se você conhece a banda americana Between the Buried and Me antes deste disco, ou antes mesmo da resenha que eu fiz do EP lançado no ano passado (que você pode conferir clicando aqui), através de grandes álbuns como Colors de 2007 e The Great Misdirect de 2009, você certamente já sabe que não precisa falar muito sobre o grupo. Um grupo de Metalcore que abrange influências progressivas que unifica seus principais elementos com outras influências musicais do grupo – como Jazz Fusion e Country em alguns momentos da discografia do grupo – e por tudo nisto em um caldeirão para criar uma verdadeira explosão cósmica de brutalidade rítmica e sonora, extremamente criativa e destruidora de cérebros, mas mantendo elementos progressivos clássicos e modernos, e até grudentos em suas composições. Estas características descritas estão no novo disco da banda, mas desta vez a qualidade deste disco é tão grandiosa que chega a ser melhor que o épico Colors, uma única música distribuída em 8 faixas durando um pouco mais de uma hora que é extremamente aclamado pela crítica e considerado não só como um dos melhores discos da década passada, mas também umas melhores músicas que o gênero Metal (de forma mais ampla possível) nos trouxe na última década.

O disco continua a história conceitual do EP lançado no ano passado, uma suíte que ultrapassa a marca de 72 minutos que vai até o espaço com viagens ao início e ao fim da história (como a bela faixa de abertura, bem Pink Floydiana, “Goodbye to Everything”, que é na verdade o encerramento da história), e, honestamente, se você não gostou do EP, dificilmente você irá gostar do novo álbum da banda. Talvez você goste de Colors (um excelente disco por sinal), mas Between the Buried and Me não é uma banda fácil de digerir, levando um bom tempo e diversas audições para definir uma opinião concreta. Você ama ou você odeia o grupo. Você irá odiar as composições longas do grupo, as quebras progressivas, o peso nas canções, ou até os momentos aleatórios e masturbatórios, além dos vocais, sejam eles limpos ou gritados (executados por Tommy Giles Rogers). Ou você irá amar justamente por essas características que fazem o som do grupo único e pela qualidade e diversidade dos vocais, abrangendo desde momentos pacíficos e bonitinhos – e às vezes chicletes -, como em faixas “The Black Box”, as faixas de abertura e encerramento e “Lay Your Ghosts to Rest”, até explosões raivosas com uma pegada Thrash Metal na canção “Telos” e já na citada “Lay Your Ghosts to Rest”.

Duas características incríveis que eu particularmente admiro em bandas progressivas fazerem são o retorno a momentos já passados pela suíte/canção, como é o caso de “Extremophile Elite”, que retorna a “Specular Reflection” – faixa de abertura do EP – e a estrutura das canções fugirem do tradicional. Neste disco, nenhuma faixa tem uma estrutura semelhante, todas são diferentes. Algumas podem até aparentar serem iguais, mas ouvindo com calma, percebe-se que não é bem o que acontece. E a banda aproveita o máximo de sua criatividade, chegando a inclusive, “criar” o gênero “Surf Metalcore” (se é que existe) na insana “Bloom”, onde Tommy força vocais bem incomuns não só para ele mesmo, mas para os fãs de Metal, além do envolvimento de outros instrumentos “estranhos” para o gênero, como o trompete. E o encerramento do disco, as faixas “Silent Flight Parliament” de 15 minutos, seguida pela curtinha “Goodbye to Everything Reprise” são aquilo que você espera que venha do grupo se você conhece-o. E não falo no sentido previsível, pois este disco não é (prova disso é a canção “Bloom”), mas sim em termos de qualidade neste disco que é o mais ambicioso que o grupo já lançou (em “Parallax”, temos até Spoken Word!).

Seja agressividade, beleza, progressividade ou qualquer adjetivo que seja, Between the Buried and Me criaram outro grande álbum, outra obra-prima, e (na opinião do autor do texto) criou seu melhor disco, que pode ser considerado um dos melhores do ano. Ele é épico, incomum, agressivo, criativo, bombástico… enfim, excelente! Mostra que pode sair excelentes álbuns de um gênero tão raquítico como Metalcore e dar um novo sentido ao termo progressivo, que vem sendo extremamente enjoado pelas bandas copiadoras da fórmula do Dream Theater de fazer Metal Progressivo. Parabéns ao quinteto. Espero que continuem lançado álbuns tão bons (ou até melhores) que The Parallax II: Future Sequence, o sexto disco da banda.

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3 – The Ghost You Gave To Me (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: 
Rock Progressivo, Metal Progressivo, Rock Experimental
Gravadora: Metal Blade

Enquanto Josh Eppard (ex-membro do 3) seguiu carreira na já popular banda Coheed And Cambria, o irmão menos famoso, Joey Eppard, continuou a sua carreira no 3, fazendo um som consideravelmente diferente da atual banda do irmão, e em 2011 lança o sexto álbum de estúdio, The Ghost You Gave To Me. Pela capa dá para se esperar algo sombrio, psicótico, mas o que vemos é um som bastante versátil e divertido, The Ghost You Gave To Me se torna uma grande opção audível para apreciadores do metal e rock progressivo e do rock experimental, com um flertamento encantador com o pop ( o que faz parte da bagagem do rock experimental), e também  uma pequena semelhança com o sludge metal, a ótima e versátil ‘Sparrow’ é um exemplo disso. O instrumental, assim como o álbum num todo, não é revolucionário, e a execução não é genial, mas mesmo assim é algo bem interessante, com bons momentos de todos os instrumentos.

Só por tudo o que eu já disse, vale a pena ouvir o último lançamento dessa banda, mas seria hipócrita não constar os erros, também. Você poderá se animar com o CD na sua primeira metade, mas quanto mais o tempo do disco passa, poderá achar que perdeu a sua “graça”. O agitamento do começo não está tão presente, e o vocal de Joey Eppard, pode se tornar irritante algumas vezes, a oitava faixa chamada ‘Pretty’ mostra isso. Mesmo sem tanta empolgação, continua bom, e só é questão de audições extras (elas não apagarão os erros, mas claro, vai te ajudar a entender melhor outros detalhes). Vale a pena arriscar nesta banda, você, que gosta de Muse, arrisque! (Não, 3 não te lembrará de Muse), os “progristas” que gostam de experimentalismo, também. E sem esquecer do pessoal indie, 3 se encaixa um pouco em cada estilo, mesmo não sendo genial, se torna algo bem agradável, ponto para o experimentalismo/versatilidade.

Ram – Death (2012)

Origem: Suécia
Gênero: Heavy Metal
Gravadora: Metal Blade

A banda sueca de heavy metal Ram lança em 2012 o seu terceiro álbum de estúdio, e Oscar Carlquist (vocais), Morgan Pettersson (bateria), Harry Granroth (guitarra), Daniel Johansson (guitarra) e Tobias Peterson (baixo) foram bem recebidos por parte dos ouvintes, com alguns dizendo que o Ram é a melhor banda de heavy metal da Suécia, por exemplo. E o álbum mostra mesmo uma boa banda de heavy metal, mas é algo que lembra bastante bandas como Black Sabbath, Judas Priest (esses dois principalmente por causa dos vocais de Oscar Carlquist) e Iced Earth. Resumindo, é na mesma linha, não tendo nada de novo, claro que isso não faz de Death um mau álbum, mas menos empolgante sim.

‘Death…’ abre o CD, e ela é uma intro obscura, o que faz lembrar o Black Sabbath e bandas de doom metal. ‘… Comes From The Mouth Beyond’ é a continuação de sua intro, e a canção possuí bons momentos, como a passagem dela. O disco segue na mesma linha da primeira faixa, é um desses álbuns que na primeira audição (ou nas primeiras faixas) você já sabe se gostou ou não. Destaques para a dobradinha ‘Release Me’ e ‘Defiant’, sendo ao meu ver as melhores faixas do CD. Seguindo temos a balada ‘Frozen’, aonde o vocal de Oscar não é adaptado para isso, mas pessoalmente eu gostei dela. No final do disco ainda temos a paulada ‘Under The Scythe’ e a boa ‘Flame Of The Tyrants’, e essa última possuí videoclipe, um videoclipe que lembra muito essas bandas já citadas no começo da resenha, e mais o Massacration. Encerrando temos ‘1 7 7 1’, um epílogo comprido de 5 minutos, algo manjado, e poderia ter ficado melhor se o epílogo fosse apenas um prólogo para uma épica canção obscura, aonde encerraria o disco com chave de ouro, e com quase certeza, seria a melhor das 10 faixas.

Death é um bom álbum de heavy metal, dá para se divertir ao ouvir o lançamento de 2012 do Ram, mas peca em quesitos como soar genérico, a banda tem potencial e acredito que melhorará muito nesses próximos anos, estarei esperando um novo álbum de estúdio do Ram, pois Death mostra que podem fazer muito melhor do que o álbum de 2012.

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Ghost – Opus Eponymous (2010)

Origem: Suécia
Gêneros: Heavy Metal, Doom Metal
Gravadoras: Rise Above, Metal Blade, Trooper Entertainment

O disco de estreia da banda sueca Ghost, Opus Eponymous, lançado em Setembro de 2010, foi um disco que fez bastante impacto, sendo considerado por muitos críticos um dos melhores lançamentos não só do ano de 2010, mas da década passada. Phil Anselmo, atual Down e ex-Pantera e James Hetfield do Metallica já vestiram uma camiseta da banda. Será que é realmente tudo isso esse lançamento do grupo? Veremos logo abaixo.

O álbum, que contém apenas nove faixas e uma duração próxima de 35 minutos, começa com “Deus Culpa”, faixa introdutória instrumental ao álbum que soa como um caminho para um velório. Boa para introduções da banda para usar em shows, apesar de ela usar outra introdução. Em seguida, somos interrompidos por um baixo marcante e então um instrumental bem feito, mas não é rápido e nem tão pesado e então somos introduzidos a primeira  estrofe do álbum: “Lucifer, we are here, for your praise, evil one” Já percebemos do que a banda é, sem contar que os integrantes da banda são Nameless Ghouls, algo como criaturas sem face e vestida de preto, com exceção do vocalista, que é Papa Emeritus, uma versão satânica do Papa. Mas, apesar da letra, nem soa tão satânico musicalmente e nem muito na voz do vocalista, pois alguns momentos ela chega a ser suave, mas não deixa de ser bonita e uma interpretação interessante nas faixas do álbum. As músicas são muito vintage, com aquele jeito de Metal das antigas, com um instrumental de certa forma simplório, com alguns momentos bacanas como o solo de guitarra em “Elizabeth”, apesar de não serem extraordinários. Outra coisa que é preciso dar destaque é que o instrumental soa até alegre e animado, algo totalmente diferente e inesperado ao que se pede um tipo de letra como esse álbum possui.

É uma banda que você sabe se vai gostar de primeira ou não. Os timbres vintage já citados estão em toda parte, guitarras não tem aquele destaque total, e é um som fácil de entender e absorver. O instrumento mais próximo de destaque individual é o baixo e quem sabe o teclado com cara de Rick Wakeman e Keith Emerson passivos e calmos, se é que possível. Todas as faixas são boas, e a última faixa, “Genesis”, é outra instrumental, que encerra legal o álbum com um fim bonito com violão erudito. O mais sensacional é que o disco não é daqueles vicia em uma única música, mas no álbum todo, e ele passa muito, mas muito rápido. Quando você menos espera ele acaba, e nem mesmo com o cover de “Here Comes The Sun” do Beatles na versão japonesa parece que ele dura mais. É muito gostoso de ouvi-lo e mesmo com as letras satânicas, o instrumental nem faz parecer. Soa radiofônico o álbum, mas ainda acima de tudo é um bom disco, curto, interessante e principalmente, coerente. Vale a pena se você gosta de coisas antigas (ou seja, não vem algo original) e de certa forma bem feitas, mas não é aquilo que chamo de especial e mágico, mas ainda é muito bom o trabalho do grupo sueco. Merece ser considerado um dos melhores da década passada? Não, mas do ano de 2010 merece.

Between the Buried and Me – The Parallax: Hypersleep Dialogues (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metalcore, Metal Progressivo
Gravadora: Metal Blade

Em seu primeiro lançamento na gravadora Metal Blade, Between The Buried And Me lançou a primeira suite de um conceitual duplo em Abril de 2011. A segunda suite seria um álbum completo que será lançado no futuro. Enquanto não é lançado, vamos nos contentar com este EP. The Parallax: Hypersleep Dialogues é um disco conceitual complexo e possui uma história interessante, mas que não irei falar sobre o que se trata e deixarei você conferir pessoalmente o que a banda composta por Tommy Giles Rogers (vocalista e tecladista) Dan Briggs (baixista), Blake Richardson (baterista e percussionista), Paul Waggoner (guitarrista principal) e Dustie Waring (guitarrista secundário) foram capazes de fazer.

O disco possui 30 minutos de duração e possui apenas três e longas faixas, sendo a mais curta “Lunar Wilderness” com 8:22 de duração e ela também encerra o EP. Mas vamos começar com o começo de tudo. O álbum inicia-se com “Specular Reflection”, faixa mais longa com 11:21, começa com um teclado bem tenebroso (bom sentido, claro) e épica, que soa como um “caminho ao último chefão do jogo”, e então, somos recebidos com muitas pancadas e quebradeira. “Specular Reflection” é um início caótico e chega a ser diversificada a faixa, mas principalmente, imprevisível, como boa parte do trabalho desses caras. Você não sabe como virá o som que vai derrubar seus tímpanos e joga-los a 2km de distância (um pouco de exagero aqui, mas deu para entender o que eu digo). Um excelente começo, apesar perto do fim da faixa ter um riff de guitarra irritante e de certa forma ordinário no Metalcore, mas que não estraga nenhum pouco a faixa. Destaque para a voz de Tommy Rogers, que funciona muito bem em seus guturais e sua voz limpa, muito bonita por sinal.

Prosseguimos rapidamente para outra surra visceral, “Augment Of Rebirth”, com 10:19 de duração. Aqui o som é ainda mais inesperado e continua o peso, soando um pouco de Thrash Metal em seu instrumental. É a faixa mais pesada do disco. As guitarras aqui fazem um trabalho impressionante e o baixo é marcante. É uma boa continuação da faixa anterior, “Specular Reflection”. Outro destaque em “Augment Of Rebirth” é entre 6:34 e 6:54, e uma parte posterior, que é tão inesperada e tão bacana que chega a ser divertida. Na já citada faixa de encerramento, “Lunar Wilderness”, o destaque fica para a linha de bateria, sensacional e cheia de blast beats que arrancaram sua cabeça, mas estranhamente, “Lunar Wilderness” é a faixa mais próxima de ser chamada de “leve”, devido ao seu começo, e que vai progredindo virando uma sonora barulheira caótica e muito bem feita e pelo seu final que começa épico e vai encerrando em algo que poderia estar em um disco do Smashing Pumpkins ou de qualquer banda de Rock Psicodélico. E enfim, chegamos ao final deste poderoso álbum com outra ótima canção da banda.

Se não fosse por meros detalhes, este disco poderia ser considerado um dos melhores lançamentos de 2011, mas não foi o que aconteceu, infelizmente. Se você gosta de muita porradaria, mas que soe versátil, e até especial, Between The Buried And Me além de ser uma banda excelente para você com este disco, tem uma ótima discografia. Mas minha única verdadeira crítica fica pelo visual da banda. Veja esta foto e me diga se a banda tem cara de Metal Extremo. Tá mais para uma banda de Indie Rock e Britpop. A banda pode ser excelente e não ligar para o visual, mas infelizmente visual vende, e com esse visual nada impactante, a banda só terá resultado pelo talento, o que é ótimo.

As I Lay Dying – Shadows Are Security (2005)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Metalcore
Gravadora: Metal Blade

Metalcore, um gênero que eu costumava considerar o meu favorito. Com o tempo, metalcore me decepcionou pela falta de criatividade e versatilidade. As músicas pareciam ser as mesmas, com exceção de algumas bandas, e geralmente essas bandas não eram puro metalcore. Esse disco do As I Lay Dying, Shadows Are Security, que é metalcore puro, me lembrou justamente desta época.

O disco começa com Meaning In Tragedy, uma verdadeira porrada. Bateria firme e forte, baixo conformado com sua participação, guitarras fazem suas participações, mas quem acaba tomando o destaque para si é o vocalista Tim Lambesis, mostrando toda sua força com seu gutural. A música acaba e já emenda Confined, que também é uma porrada, mas demora um pouco pra engrenar, e quando engrena, soa mais pesada que a primeira faixa. Dave Arthur faz vocais limpos, o oposto de Tim.

Mas o maior problema deste disco é falta de versatilidade e criatividade. Todas as músicas soam do mesmo jeito. E o curioso é os solos de guitarra. Numa música, a guitarra sempre rouba alguns segundos para ter um solo em especial, na maioria das vezes. Neste disco, poucas músicas possuem solos. A falta de solos é ótimo para criar uma atmosfera, mas o ruim disso é para criar músicas singles. Confined é uma música single, e não possui solo. Não que solo seja necessário, mas para alguém que não conhece a banda e ouvir um solo incrível em uma música, geralmente cativa os ouvintes. Mas existe boas músicas sem solo? Sim, mas os caras do As I Lay Dying não sabem, tanto que as músicas com solo soam melhores que as sem solos. Motivo? Por que soa diferente! O disco é sempre igual! Algumas músicas são um pouco melhores que as outras, mas é pouca coisa que muda entre uma e outra. Algumas Dave canta o refrão, como em The Darkest Nights, e é uma das melhores do disco. A última faixa, Illusions, pode ser considerada a melhor do disco, mas nada de espetacular.

Shadows Are Security do As I Lay Dying é um disco cansativo e repetitivo. Não encanta e não trás nada de novo, ficando somente abaixo da média. Pode ser considerado bom ou ótimo somente para os fãs do gênero ou fãs da banda. Se você gosta da banda, é recomendado. Agora, se você quer ouvir uma banda de metalcore, ouvindo algum disco em específico, Shadows Are Security será sua decepção. Escolha outro e salve seus tímpanos.