Brujeria – Brujerizmo (2000)

Brujeria - Brujerizmo (2000)
Origem:
México
Gêneros: Groove Metal, Metal Extremo
Gravadora: Roadrunner

Brujeria é uma banda mexicana pioneira nos estilos de Grindcore e Deathgrind, onde normalmente escrevem músicas falando sobre satanismo, anti-cristianismo, tráfico de drogas, sexo, imigração e política. Eu sempre gostei da sonoridade da banda, apesar de não ser um grande fã da cena Grind. O único problema era que algumas músicas da banda eram muito curtas, uma espécie de tradição do Grindcore, e também os vocais eram meio estranhos, graves demais e difíceis de entender. Entretanto, em 2000, o Brujeria surpreendeu a todos com o seu terceiro álbum: “Brujerizmo”.

Todos concordaram que a banda teve uma mudança grande de estilo, passando de Grindcore para Groove Metal. O disco começa com a faixa que levou o nome do disco: “Brujerizmo”. Aqui já podemos ver totalmente as mudanças na sonoridade da banda que, embora continuasse pesada, conseguiu fazer vocais mais audíveis e uma sonoridade de guitarra muito boa. A música fala de Anti-Cristianismo e Satanismo, de certo modo, a mensagem que passa é que Cristo não salvará a todos, algo deste tipo. A próxima faixa é “Vayan Sin Miedo”. Aqui, a banda começa a mostrar o lado mais extremo do disco, com uma música pesada, rápida e violenta, contando com alguns gritos também. A letra fala sobre imigração, dizendo que podem atravessar a fronteira sem medo.

“La Tración” é a terceira faixa, aqui temos uma duração menor, mas a música continua no lado extremo do disco. Aqui voltamos para o lado Groove do álbum com “Pititis, Te Invoco”, que fala sobre uma bela bruxa com quem o vocalista quer se envolver em uma relação sexual. O instrumental da música é muito bom, e a guitarra segue sempre na mesma linha. Entramos novamente para o Extreme Metal com a quinta faixa, “Laboratorio de Cristalitos”, outra faixa curta, que fala sobre um Laboratório de cocaína. “Division del Norte” volta para o lado Groove, uma faixa pesada e lenta, falando novamente sobre imigração. Na opinião do autor, a faixa de destaque do álbum. “Marcha de Odio” continua no estilo groove, sendo pesada e mais rápida que a anterior, chegando a lembrar do Pantera, na minha opinião.

Aqui temos uma música de política, “Anti-Castro”, pesada, rápida e violenta, fala sobre um movimento contra Fidel Castro, chegando a ter algum “toque mexicano” na sonoridade. “Cuiden a los Niños”, a segunda melhor faixa do disco, na minha opinião, fala sobre crianças que entram para o satanismo por serem sozinhas. Ela traz de volta o gênero Groove Metal, novamente, lembrando o Pantera na sonoridade das guitarras. “El Bajón” é a mais pesada do álbum, bateria frenética e guitarras rápidas, entretanto, ela é muito curta, o que dá a sensação de que ela é incompleta.

“Mecosario”, ainda no estilo Groove, é a anti-penúltima faixa, e confesso que não entendi muito bem sobre o que é, se descobrirem, me avisem. A faixa é boa, e o refrão é fácil e fica na sua cabeça por um tempo. “El Desmadre” é bem pesada e rápida, embora tenha uma duração curta, o ponto alto é o solo de guitarra, o primeiro e único do disco. O disco é fechado de modo excelente com outra faixa do mesmo estilo de “Division del Norte”, lerda e pesada, “Sida de la Mente”é a maior faixa do álbum, com 04:35. A letra fala sobre uma espécie de vírus que te impede de tomar decisões próprias, o que te faz ir na laia dos outros, e, na minha opinião, fecha o álbum muito bem.

Ao todo, Brujerizmo é um álbum ótimo para quem gosta de escutar esse estilo de música, como eu. Os defeitos estão em poucas músicas, que tem pouco mais de um minuto. Não que isso prejudique as músicas, mas talvez se tivessem entre três ou quatro minutos, assim como as outras, talvez teriam letras mais elaboradas e uma sonoridade melhor, não deixando aquela impressão de uma música incompleta, outro ponto fraco é que poderiam haver mais solos de guitarra, que, nesse estilo de música, geralmente faz falta. Fora isso, Brujerizmo é, sem dúvidas, o melhor álbum do Brujeria. Existem rumores de que a banda possa lançar um álbum novo até ano que vem, após 13 anos sem gravar nenhum trabalho em estúdio. Caso seja verdade, resta esperar e se contentar com este grande trabalho da banda mexicana.

Sem título-20

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Storm Corrosion – Storm Corrosion (2012)

Origem: Inglaterra & Suécia
Gêneros: Ambiente, Folk Psicodélico, Progressivo Experimental
Gravadora: Roadrunner

Este provavelmente é o álbum mais difícil que terá meu nome como autor da resenha. O motivo disso? Isso vai além da estranha musicalidade proferida deste álbum. Os músicos envolvidos neste projeto, Storm Corrosion, não são nada mais e nada menos do que dois grandes músicos da música atual, considerados como gênios da música (incluso o autor deste texto). Os amigos de longa data, o britânico Steven Wilson (Porcupine Tree, Blackfield, e uma caralhada de bandas e grupos, além de uma espetacular carreira solo) e o sueco Mikael Åkerfeldt (Opeth e Bloodbath), finalmente fazem sua colaboração musical, lançando um disco que, nos tempos atuais, pode ser considerado único pelo conteúdo que apresenta ao ouvinte e muito difícil de classificar em um gênero. Indo desde música Ambiente a um Folk Psicodélico com pitadas Progressivas e muito experimentalismo, ambos músicos nos brindam um ótimo trabalho de estúdio sem precisar chegar perto de ser um álbum de Rock. O que esse disco não tem é peso. Ele é desafiador e não é para qualquer um. Se você pensa que este disco terá algo pesado ou que te entretenha ouvindo, nem que seja uma guitarra distorcida, não foi feito para você e não deve nem chegar perto. Agora, se você espera algo atmosférico, longo, estranho e melódico, este disco é o que você procura, e se é o que você procura, vale a pena comprar.

Ambos músicos cantam no álbum, Steven Wilson canta em cinco faixas e Mikael canta em duas (o que é uma pena, pois sua voz é muito mais bonita que a de Steven, mesmo eu gostando muito dela). Apenas uma faixa do álbum é instrumental (ou seja, um disco de seis faixas, durando em torno 47 minutos). Se eles cantam bem? Cantam, mas não espere um lago de emoções vindo de ambos. Eles transmitem mais eficientemente as emoções pelos instrumentais, por mais bem que cantem. Mas e o que falar das canções? Como eu já disse, elas não são para qualquer um. Elas são lentas, atmosféricas, densas e em boa parte estranhas, mas as vezes são lindas. Se são boas? Algumas são absolutamente boas, e isto é inegável. Já outras, como o encerramento “Ljudet Innan” e a mais curtinha do disco, “Happy” (quase cinco minutos de duração), não tão competentes. São interessantes e ambas tem uma melodia muito bonita, mas são tão lentas que elas te deixam em transe, e você não sabe o que fazer. Mas não um transe feito por uma boa música, onde você quer repetir ela de novo e de novo. Você quer que ela acabe de uma vez. Já as outras quatro canções são boas no que querem passar e te passam aquele sentimento de isolação, terror e medo. A minha favorita é a canção de abertura, “Drag Ropes”, por ser a mais tenebrosa e envolvente do disco.

Para quem esta lendo pode parecer simples, mas escrever sobre este disco é difícil, muito difícil. Ele te desafia de uma maneira única com melodias e ideias incomuns, inesperadas e que envolve no álbum ou te afasta dele. Steven e Mikael criaram um álbum que merece ser escutado por amantes de música e que estão dispostos a ouvir canções feitas por músicos que não tem as mesmas origens (um veio do Rock Progressivo, enquanto o outro do Death Metal) e juntos criaram algo que nenhum dos dois havia feito. Tem canções longas e as vezes chega a ser lento e até entediante, mas ainda sim é um álbum bom e interessante. Vale a pena conferir o que esta dupla européia construiu no disco autointitulado do projeto Storm Corrosion. Mas não vá com esperanças de ser uma experiência magnífica e épica. O que você vai ouvir é um disco adulto, maduro e que levará tempo para digerir tudo que estes dois músicos (geniais) decidiram transmitir.

Opeth – Heritage (2011)

Origem: Suécia
Gêneros: Rock Progressivo, Jazz Fusion, Folk Rock, Metal Progressivo
Gravadora: Roadrunner

Heritage é décimo disco de estúdio do Opeth, banda sueca que tinha uma tendência a fazer um som extremo, com guturais poderosos e uma sonoridade macabra. Entretanto, como aconteceu em Damnation, ocorre aqui. O Opeth deixa seu lado extremo e mostra suas influências que até outrora não eram notadas, um lado incrivelmente versátil e cheio de melodias e ideias interessantes. A banda composta por Mikael Åkerfeldt (guitarra, mellotron, grand piano, vocais e efeitos sonoros), Fredrik Åkesson (guitarra rítmica), Per Wiberg (teclado, pianos, órgão e mellotron), Martín Mendez (baixo, contrabaixo) e Martin Axenrot (bateria e percussão) fazem um trabalho belo e eclético, saindo um disco muito bom. O som setentista modelado para o presente foi bem criado, não há como negar. Mas, como nem tudo são flores, infelizmente, o disco tem seus pontos baixos.

O disco começa com a faixa-título. Uma bela música sendo composta apenas por um piano. A faixa dura dois minutos, o suficiente para gostarmos dela e para não enjoarmos dela. Além da faixa-título, temos “Marrow Of The Earth” como faixa instrumental, mas que encerra o álbum, composto por dez faixas. Um encerramento bonito, como o início do disco, mas as canções não são nada memoráveis, porém fazem bem seu papel. A canção que vem após “Heritage” é a single “The Devil’s Orchard”. Uma poderosa canção, mostrando que o grupo não precisa de seu extremo e de seus guturais para surpreender com boa música. Desde quebradas rítmicas de bateria até riffs sensacionais, “The Devil’s Orchard” é uma grata canção aos nossos ouvidos. Destaque para o refrão, que eu considero não apenas bom, mas também forte. Aliás, quem não consideraria um refrão forte com a frase “God is dead”? Acho difícil…

Alguns problemas do disco vem na faixa “I Feel The Dark”, com um início bem no estilo folclórico espanhol, a faixa vai ganhando corpo, até que a música começa a demonstrar que vai se encerrar, e repentinamente (e brutamente), “I Feel The Dark” nos mostra um som vindo de um órgão tenebroso, inesperado, e a banda entra junto no que o órgão gerou. É imprevisível? Sim. Mas é uma imprevisibilidade que não encaixou no que estava acontecendo, foi uma ideia solta onde não precisava. E isso acontece em “Nepenthe” e em suas jams e solos guitarrísticos e em “Famine”, com sua introdução tribal, até vir um piano, e do nada vir riffs de guitarra. É estranho. Não tem nexo algum algumas ideias, apesar de serem criativas, só que foram colocadas no lugar errado.

Para aqueles que querem um peso a mais vindo da banda, o mais próximo disso é encontrado nas faixas “Slither”, um tributo a Ronnie James Dio (ex-Rainbow e Black Sabbath) e em “Lines In My Hand”, faixa que originou a temática de Heritage. Ambas passam uma energia muito positiva, chegando a ser até regozijante. “Folklore”, canção que vem antes de “Marrow Of The Earth” é uma das melhores (senão a melhor) músicas feitas para esse disco. Ela em seus mais de oito minutos tem consistência que algumas outras canções precisavam e deixa aquele ar de que o que foi ouvido valeu a pena, e quando entra “Marrow Of The Earth”, soa como um acalmante, e funciona perfeitamente. E não há de se esquecer de “Häxprocess”, com um clima tenso, porém lindo, é uma música que vale a pena ouvir com atenção.

Sem sombras de duvida, Heritage é um grande disco, com vários momentos interessantes e bem elaborados. Mikael fez um ótimo trabalho produzindo o disco, trazendo suas ideias e influências de uma maneira em que a execução das canções seriam as vencedoras. Entretanto, as repentinas mudanças das canções, apesar de imprevisíveis, as vezes não fazem sentido algum. Repare em “I Feel The Dark”, “Nepenthe” e em “Famine”, por exemplo. Se são bacanas? Claro que são. Mas soa estranho e parece serem outras faixas do que uma única, principalmente “Famine”. É um bom disco, mas alguns erros aconteceram. No próximo disco, quem sabe a banda faz um trabalho ainda melhor? Recomendado a aqueles que querem um disco com um pouco de tudo e até os próprios fãs do lado pesado da banda. Esse disco irá te satisfazer por um longo período de tempo.

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Dream Theater – A Dramatic Turn Of Events (2011)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Metal Progressivo
Gravadora: Roadrunner

Após uma saída dramática do baterista e co-fundador da banda Mike Portnoy, o Dream Theater trouxe no ano passado A Dramatic Turn Of Events (título sugestivo, não?), 11° disco na discografia. Após um disco pesado e de certa forma exagerado em Black Clouds & Silver Linings, a banda atualmente composta pelos também fundadores da banda John Petrucci (guitarrista) e John Myung (baixista), por James LaBrie (vocalista), Jordan Rudess (tecladista) e o novo integrante da banda que substitui o baterista Mike Portnoy, Mike Mangini, nos traz um álbum não tão pesado, em uma tentativa do grupo de voltar a ter o equilíbrio entre o Progressivo e o Metal, as principais características da banda que ultimamente estavam mais para o lado “brutal” de suas influências. Que tal conferir as 9 canções que compõem este álbum?

O álbum abre com “On The Backs Of Angels”, que concorreu ao Grammy por melhor perfomance de Hard Rock/Metal. A faixa começa com uma introdução um tanto quanto típica, algo que soa “parecido” sem ser necessariamente ser parecido. A faixa vai crescendo aos poucos até vir um coral épico e a banda entrar com força máxima, trazendo sua quebradeira de compasso mais que comum e já esperada em sua música. Apesar de uma ótima introdução, a faixa não carrega muito bem ela, mas não soa má de forma alguma. A linhas vocais de LaBrie estão ok, nada muito impressionante. A canção possui grandes similaridades em sua construção com o maior hit (e o único) do grupo, “Pull Me Under”, de Images and Words, isso quer dizer que serão notáveis alguns solos pré-refrões, que são muito bacanas por sinal. Quando termina a segunda repetição do refrão, temos um momento de Jordan Rudess, solando em um piano, trazendo um ar mais Progressivo a música, que simplesmente soa belíssimo. Solo de Petrucci é bom, mas não tem emoção alguma, soa até robótico e genérico dele. O refrão em si não cativa muito. O lado positivo é que notamos que o baixo, que ultimamente estava muito apagado, em ADTOE “retorna a vida sonora” do grupo. O novo Mike faz um trabalho ok, já que ele não criou as linhas de baterias do disco, então ele só fez sua parte (na qual é boa, por sinal), então não tem motivos para comentar a bateria em todas as faixas. No fim, uma boa faixa. Não é o melhor começo, mas ainda é apreciável. Reparem que na introdução da canção o que é audível. É engraçado.

E já na segunda faixa o Dream Theater comete um erro que fez em alguns álbuns anteriores, mas mais grave ainda. Enquanto em Octavarium e Systematic Chaos havia “tributos” (para não citar um termo pejorativo) ao Muse, sendo eles “Never Enough” e “Prophets Of War” (em cada álbum respectivamente), em ADTOE temos uma tentativa falha da banda em tentar colocar música eletrônica nas faixas “Build Me Up, Break Me Down” e em “Outcry” (esta falarei detalhadamente adiante). Dream Theater não serve para fazer “tributos” ao Muse ou usar música eletrônica nas suas músicas. Simplesmente não serve! E para piorar, temos James LaBrie em um momento screamo em “Build Me Up, Break Me Down”. Não quero ter que dizer isso, mas qual o motivo dessa desgraça. Não que soe mau ou porque não gosto de screamo, mas James, você não foi feito para isso! Apesar de tudo, a faixa tem um poder radiofônico grande, sendo fácil de memorizar e tem uns riffs bacanas e um solo de guitarra que me lembra seriamente do jogo Castlevania… Não é uma boa faixa e poderia estar fora do álbum com total certeza. Mas que ela é grudenta, isso ela é! Até seus corais são grudentos!

Em “Lost Not Forgotten” a faixa começa com um piano que lembra Kenny G. Isso perdura até a banda se mostrar em mais uma introdução épica e então uma batalha entre o teclado e a guitarra que soa como duas moscas brigando para ver quem é que irrita mais o ouvinte (a banda já fez isso em “In The Name Of God”, mas de uma maneira mais assassina ainda). Após a grande virtuose demonstrada, temos um riff bem forte vindo de Petrucci e uma interpretação mais forçada de James, mas que encaixa no que a faixa pede. O refrão é ótimo. Além de ser fácil para grudar e cantar, a quebradeira posta ali é bacana, apesar de apresentar similaridades na sua construção com “Under A Glass Moon”, isso inclui até o solo de guitarra, que na minha opinião, não dá prazer algum ao ouvinte. É interessante, mas eu prefiro fingir que passou despercebido na execução do disco. A primeira balada de A Dramatic Turn Of Events é “This Is The Life”. É uma composição em si bonita e de bom gosto, nenhum exagero dos componentes da banda, execução mais do que agradável, e principalmente, entendiante e previsível! Ela é tão previsível que dá para calcular perfeitamente como a música vai se desenvolver e sua primeira metade é tão chata ao ponto de ajudar na previsão do que será a canção. Apesar de tudo, James traz uma interpretação linda, Petrucci sola com maestria e o fim da faixa é indiscutivelmente bom!

“Bridges In The Sky” começa com… o shaman fazendo seus “guturais” misturados com roncos? Eu não sei como exemplificar ou explicar, mas o que posso dizer é que o nome original da canção seria ” The Shaman’s Trance” que faria muito mais sentido! E mesmo que fizesse, é totalmente desnecessário, ainda mais com a mudança de título. Então com seu decorrer, temos um certo peso a vista, e é bem executado. A faixa é interessante e vale a pena ouvir até seu final. A interpretação de James LaBrie é excelente, e o mesmo tem uma de suas linhas vocais mais bonitas de sua carreira. A seção instrumental é boa, não tão exagerada, mas ainda técnica, como característica da banda. É uma pena esses sons do shaman no início e também no fim da canção. O baixo recebeu um ótimo destaque.

Agora chegamos em “Outcry”, outra faixa que contém o uso (que poderia muito bem ficar de fora) de música eletrônica. Com mais uma introdução épica, a banda faz um som que chega até ser previsível, e James canta mais suave, nada agressivo, soa até bonita sua interpretação, mas que ajuda na previsão da faixa. Mas após o refrão e alguns momentos instrumentais, temos um momento “The Dance Of Eternity” em “Outcry”. Não que seja igual, mas que é complicado o que acontece na seção instrumental, isto é inegável. Solos de baixo, guitarra, teclado… O desenvolvimento previsível se tornou uma máquina de loucuras. São tantas ideias e coisas acontecendo nesta seção de 4 a 5 minutos que era possível compor mais de 10 faixas facilmente. Jordan faz um trabalho monstruoso no teclado. E como disse, são tantas ideias expostas que não dá para assimila-las da maneira correta, o que vai requerer algumas audições extras (vale para o álbum inteiro esta regra, mas para essa faixa ela é com maior “intensidade” e prioridade) e vai achar (com razão) que a banda exagera muito, mas isso é algo que todo fã de Dream Theater gosta, e honestamente, eu gostei. É radical, complexo e imprevisível. O final da faixa é simplesmente perfeito, ou pelo menos quase. É difícil não se entusiasmar com que é feito ali.

A segunda balada e sétima faixa é “Far From Heaven”, que só possui a participação de Jordan no piano e um violino de fundo e, claro, James nas linhas vocais. É uma música que te faz ficar para baixo. É uma beleza entristecedora. E por mais cafona ela possa parecer, eu acabei me identificando com ela, provavelmente graças a voz de James. E após ela temos “Breaking All Illusions”, que para mim é a melhor faixa de ADTOE. As duas canções equivalem a “Wait For Sleep” e “Learning To Live” de Images and Words, respectivamente. Na oitava faixa, temos uma introdução que familiariza com o Rock Progressivo feito por bandas como Yes e Marillion, soando até Pop, mas sem ser necessariamente Pop, mas que traz uma nostalgia, uma magia encantadora. Seu decorrer é bem feito, e mesmo com as transformações repentinas na faixa, ela continua boa e não soa deslocada (não ao ponto de estragar a música). A seção instrumental é sensacional. É eclética, bela, virtuosa… É incrível! O solo de Petrucci é simplesmente um de seus melhores. Aqui a emoção que o mesmo põe chega a transbordar, e deixa o virtuoso ego (?) de lado e faz uma das coisas bonitas do disco (senão a mais). O refrão é ótimo. Bom para cantar, gruda fácil e sai difícil da sua cabeça. E mais uma vez, outro final esplêndido. Temos aqui a melhor faixa de A Dramatic Turn Of Events, apesar de faltar ainda mais uma canção antes que encerrar tudo.

“Beneath The Surface”, última faixa e terceira balada de A Dramatic Turn Of Events e de acordo com Petrucci ela funciona (muito bem, por sinal) como uma canção em que os créditos estão passando. Ele está correto. É uma bela faixa acústica, e encerra bem o disco, da mesma maneira que uma balada em 1994 funcionou para encerrar um disco do Dream Theater, que no caso seria (a música mais depressiva da história em minha honesta opinião) “Space Dye-Vest”, do aclamado álbum Awake. Único defeito que eu coloco é justamente James LaBrie. No terceiro refrão ele faz seus agudos exagerados, que em praticamente não teve em nenhuma faixa do disco a não ser a última, e soa até inesperada, mas não soa boa para mim, já que eu sempre desgostei destes momentos LaBrie pós-acidente de 1994. Poderia vir com algo melhor, James. E é com uma bela balada que encerramos A Dramatic Turn Of Events.

A Dramatic Turn Of Events é um bom disco, mas que no fim de tudo soa fraco se compararmos as grandes obras do grupo e, obviamente, previsível. Claro, tem momentos que você não esperava que iria ocorrer, mas este Dream Theater parece que já ouvimos em outro álbum, e se tem algo que a banda faz questão de dizer é que sempre estão mudando, já que o gênero que eles pertencem e são influenciados (o Progressivo) sempre pede mudanças. Tudo apresentado aqui já foi ouvido em outras canções, com exceção do shaman e do Screamo James que são terríveis e de um gosto pra lá de ruim. A banda quase não correu risco algum. Mas como já disse, é um bom disco. Alguns deslizes cometidos que poderiam ser melhorados, mas que futuramente pode levar a um álbum ainda melhor. É o que iremos esperar deste experiente e talentoso quinteto.

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Airbourne – No Guts No Glory (2010)

Origem: Austrália
Gêneros: Hard Rock, Heavy Metal
Gravadoras: Roadrunner, EMI

A banda ganhou grande popularidade com seu álbum de estreia, Runnin’ Wild, aonde a assimilação com a também australiana AC/DC era impossível de não se fazer. Depois de grande sucesso no seu debute em 2007 o Airbourne lança seu segundo álbum em 2010, No Guts No Glory. A proposta da banda é bem clara, fazer o chamado rock n’ roll, um som com sua técnica embora simples e direta, e o mesmo serve para as letras. E assim começamos No Guts No Glory.

‘Born To Kill’ é um bom começo para álbum, ela é animada e a letra já mostra o que vai ser mais ou menos a maioria do conteúdo lírico no CD, algo simples feito de uma maneira divertida. ‘No Way But The Hard Way’ é para mim a melhor do álbum, é tão animada quanto a primeira (o que segue o CD inteiro), e a letra fala de rock n’ roll de novo. ‘Blonde, Bad And Beautiful’ faz o disco cair em qualidade, e mostra um problema quase fatal que segue o álbum inteiro: os refrões. A maioria é feita da seguinte forma: Repetir o nome da faixa em coro por 4 vezes.

‘Raise The Flag’ é outra boa faixa, mas aqui percebemos outra letra falando de rock n’ roll, sendo a terceira em 4 faixas, parece mais que o álbum é um conceito aonde artistas pops são zumbis que querem te matar por fazer um som diferente dos deles. ‘Bottom Of The Well’ e ‘White Line Fever’ são boas faixas, mas segue o mesmo jeitão das anteriores, mas são boas faixas. Daqui adiante, se você não for tão exigente com música pode continuar rolando o play do CD, se não, não faça tanta questão. O disco cai de mais, pois não se renova, os riffs, tal arte que salvam a maioria das músicas do AC/DC (essa é a diferença das duas bandas), não acontece com o Airbourne, esse é outro erro fatal para o som que a banda faz. Os riffs são lentos e previsíveis, e ao passar do disco você consegue saber o que vai acontecer em quase tudo: riffs, refrão e principalmente os solos, que muitas das vezes começam da mesma forma.

No Guts No Glory começa muito bem, te anima, mas depois de sua primeira metade a mesmisse toma conta, a banda não soube diferenciar e fez 13 faixas muito parecidas, lançarem um EP de 6 ou 7 canções seria muito melhor. Mas a banda tem talento (e você pode ouvir as faixas separadas, assim elas não ficarão entediantes), sabem demonstrar energia e empolgação, e tem tudo para melhorar cada vez mais.

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Porcupine Tree – Fear Of A Blank Planet (2007)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Rock Progressivo, Metal Progressivo
Gravadoras: Roadrunner, Atlantic

O nono disco de estúdio do Porcupine Tree, que faz referência a Fear Of A Black Planet do Public Enemy de 1990, Fear Of A Blank Planet é um disco gerado de um conceito que as vezes parece melancólico e depressivo, porém é realista e belíssimo, fortemente influenciado pela novela Lunar Park, de Bret Easton Ellis. A banda composta pelo considerado (e eu concordo) gênio musical Steven Wilson (vocais, guitarra, piano e teclado), Richard Barbieri (teclados e sintetizadores), Colin Edwin (baixo) e o excelente Gavin Harrison (bateria) fizeram um trabalho consistente e fora do comum. Os temas desse disco são em torno de comportamentos, sejam eles transtorno bipolar, transtorno de déficit de atenção, uso de medicamentos prescritos, alienação social causada pela tecnologia, em outras palavras, comportamentos que estão ocorrendo com a atual geração de adolescentes, que é, com toda razão, confusa. E isso é aplicada de maneira excelente.

O álbum começa com a faixa-título, sua introdução de violão rápida que evolui e vem o peso característico dos dois discos anteriores da banda (In Absentia de 2002 e Deadwing de 2005). Gavin nos mostra uma boa levada nas baquetas, além de uma boa interpretação de sr. Wilson com sua bela voz. O maior destaque é seu conteúdo lírico em primeira pessoa, totalmente dispensável para moralistas, como “X-box is a god to me. A finger on the switch, my mother is a bitch, my father gave up ever trying to talk to me” e “I’m through with pornography. The acting is lame, the action is tame, explicitly dullarousal annulled” que aparenta fazer apologia, mas o fato é Steven Wilson mostrando a realidade, a nossa atual realidade. Prosseguindo com o disco, temos uma das baladas mais lindas que eu já tive oportunidade de ouvir, “My Ashes” mostra um lado muito melódico do grupo, com destaque ao seu refrão e aos seus arranjos, e a voz de Steven Wilson é suave e mais uma vez encaixa com que se pede. Uma das minhas favoritas do álbum.

A maior faixa do disco é “Anesthetize”, com quase 18 minutos de duração, uma canção muito progressiva, e com seu começo leve e pacífico, você pensa que não virá nada de especial nela e será aquela viagem do Rock Progressivo que alguns consideram chatas. A música vai crescendo lentamente e quando você percebe ela já é mais pesada que a faixa-título, e depois de um tempo, vem um dos momentos mais pesado do grupo, senão o mais, totalmente inesperado. É de dar inveja a muitos grupos de Metal. E não, eu não estou puxando saco a toa. Pode ser considerada com extrema facilidade a melhor faixa não só álbum, mas da banda. Outro destaque positivo é o solo de guitarra do monstro Alex Lifeson, do Rush. Belíssimo trabalho da lenda canadense. O fim da faixa encerra com uma pequena semelhança com o seu início, sendo ambos muito bons.

Em “Sentimental”, temos outra balada, que não é tão bela quanto “My Ashes”, entretanto é igualmente melancólica, mas soa um pouco mais alegre e animada, mais positiva. Ela é perfeita após “Anesthetize” e seus momentos de loucura. “Way Out Of Here” (faixa editada no vídeo abaixo) aparenta ser outra balada, mas sua progressão nos mostra uma canção forte com um ótimo refrão e um solo de tirar lágrimas tocado por Steven Wilson, e após o solo temos outro momento porrada, que não descaracteriza o disco ou a canção. Gavin Harrison destrói na bateria, além dos arranjos deixarem tudo melhor. E para encerrar, temo um fim de certa forma pesado e que exemplifica tudo que é o álbum, “Sleep Together”, a sexta e última faixa do álbum. É uma canção densa e com uma sonoridade mais profunda, e tem um dos melhores refrões do disco. A orquestração é simplesmente arrasadora e aqui a cozinha faz um ótimo trabalho, em especial o baixo de Colin Edwin. E é com esta faixa que encerramos Fear Of A Blank Planet.

Porcupine Tree sempre foi uma banda promissora graças a seu fundador, Steven Wilson (o que é inegável). E com mais uma obra lançada, que já foi considerada o melhor álbum de 2007 (merecidamente), a banda britânica se estabelece na industria musical com força e respeito. Este álbum é recomendado tanto musicalmente quanto liricamente e seus 50 minutos preciosos não serão desperdiçados. Se você quer se aprochegar do Rock Progressivo (principalmente a atual cena) que ainda tenha um pouco de Metal (sem contar Dream Theater e Pain Of Salvation, que são mais pro Metal do que para o Rock), este disco é mais do que perfeito. Se quiser mais algum material do grupo e que não seja tão Metal, confira Lightbulb Sun, na qual foi a primeira resenha publicada aqui. A única coisa ruim é que você precisa de algumas audições extras, mas que no fim lhe fará muitíssimo bem.

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Lamb Of God – Resolution (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Groove Metal, Metalcore
Gravadora: Epic, Roadrunner

O Lamb Of God é uma das bandas atualmente mais bem falada, uma das esperanças do Metal hoje em dia para muitos, tendo em seu som característica um metal extremo e riffs muito bem feitos e poderosos. O grupo lembra o Pantera, só que menos criativo e técnico (e que caía entre nós, ser mais criativo e técnico que o Pantera é algo muito, mas muito difícil, ainda mais no gênero que a banda pertencia),  sendo mais pesado. Os fãs da ex-banda do quarteto do Texas devem se animar com o som do Lamb Of God, lembrando ainda mais o obscuro The Great Southern Trendkill, só que mais direto. Muitos esperaram ansiosos para o lançamento deste álbum,então se você for um deles (ou um fã de metalcore), sigam-me os bons, e se você não for, eu o convido a acompanhar minha opinião, talvez você se interesse pela banda.

O grupo formado por Randy Blythe (vocal), Willie Adler(guitarra base), Mark Morton (guitarra solo), John Campbell (baixo) e Chris Adler (bateria) abre o seu novo lançamento mostrando toda sua agressividade, com um riff pesado e Randy Blythe gritando horrores. Straight For The Sun é a primeira faixa, e uma das mais curtas do disco, com 2 minutos e 10 segundos. Ela mostra bem o que vai ser o CD todo, amantes de riffs bem feitos, guitarras trabalhadas e pancadaria da boa vão gostar, e se você for um desses, as 6 primeiras músicas passará bem rápido, com destaques para Ghost Walking (que possuí um grande refrão) e The Number Six, uma das melhores do álbum.

Barbarosa é a faixa que divide o álbum, vamos dizer assim (é a sétima faixa, de um total de 14). Ela é a mais curta com 1 minuto e 37 segundos, e parece que só serve para dividir o álbum, mas não deixa de ser interessante, com o violão ditando  o ritmo. Voltamos para a pauleira com Invictus, outra ótima faixa, seguindo o peso do CD e um refrão que gruda na cabeça. Chega Cheated e você percebe que é um ótimo álbum, mas tem suas limitações, dá para viciar legal nele, tirando que o ouvinte mais exigente vai perceber que é um disco que as faixas soam parecidas em partes (o que bastante gente gosta, algo direto e de boa qualidade), mas algo que não tira o quanto bom o CD é. Insurrection é a décima faixa e segue as pauladas com classe, mesma coisa de Terminally Unique, a sucessora de Insurrection.

To The End e Visitation continua o mesmo estilo, que, se você não tiver quase com um orgasmo e excitado com as canções anteriores vai começar a ficar entediado (as faixas soam melhores separadas), mas vale a pena esperar para a última música, aonde a banda encerra o seu lançamento desse ano com King Me, forte candidata a melhor do álbum, para mim fica entre ela e The Number Six. Começa diferente, e que começo! Depois de uma ótimo intro que faz você entrar em um clima, a paulada começa, com todo potencial da voz de Randy Blythe até o refrão, e que refrão! Destaques para a linha de bateria e para o feeling que a canção te passa, terminando o CD muito bem.

Resolution é um som pesado e simples, o que representa o metalcore, tal gênero que não é um dos meus favoritos, por isso talvez não me animei tanto com o disco, mas mesmo assim achei um grande lançamento e que muitos vão colocar no top 10 de melhores do ano, nada revolucionário, mas quem gosta de algo simples e pesado vai adorar. Recomendado quando você estiver com raiva, testado e aprovado!