The Black Keys – El Camino (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Rock de Garagem, Blues Rock, Indie Rock
Gravadora: Nonesuch

Som das antigas com um pouco de atualidade. Nada de novo e incrivelmente original, mas o resultado é bem feito em El Camino, sétimo disco da dupla composta por Dan Auerbach (vocalista e guitarrista) e Patrick Carney (baterista), The Black Keys. Em 11 faixas com uma duração aproximada de 38 minutos, temos um som bem bacana, que traz aquele velho e bom espírito do Rock de Garagem, com influências do Blues Rock e do Indie Rock com qualidade. Tipo de música que funcionaria muito bem em churrasco no fim de semana e nas festas de amigos que curte aquele Rock que todo mundo sabe que não é novidade, mas que (quase) todo mundo curte. São faixas animadas e divertidas, que te colocam para cima e te deixam de bom humor e dá para viajar no som da banda, e é uma boa viagem. Canções como “Lonely Boy”, “Money Maker” , “Litte Back Submarines” e “Hell Of A Season” são ótimas faixas que fazem muito bem ao disco, com bom riffs e uma voz calma de Dan, que não impressiona mas combina com o som proposto. Alguns podem achar o som repetitivo, mas é apenas a primeira impressão. Quando ouvir pela segunda ou terceira vez, ela passa e você apreciará melhor o disco. Se você quer ouvir algo bom e que seja fácil de assimilar e curtir, porém sem ter aquele exagero técnico e sem aquela melação tosca e chata, El Camino é uma ótima escolha. Particularmente eu recomendo.

Univers Zero – Heresie (1979)

Origem: Bélgica
Gêneros: Rock In Opposition, Chamber Rock, Rock Progressivo
Gravadora: Cuneiform Records

Complexo, denso, tenebroso, atmosférico, sombrio, aterrorizante e qualquer outro adjetivo que seja relacionado a este álbum sempre será deste jeito que eu fiz. O maior expoente do movimento RIO (movimento que fazia oposição ao Punk Rock e a Disco) e da música belga, o Univers Zero, demonstram um som muito difícil de se digerir por completo e é extremamente hipnótico. Eu por exemplo, não consigo me focar em leituras ou em outras atividades enquanto ouço esse álbum. Minha mente não consegue se focar em outra coisa a não ser na música desses caras. Se você esperar ouvir um canto demoníaco, aqui não haverá. A banda composta por Roger Trigaux (guitarra, piano, órgão e harmônio), Guy Segers (baixo), Michel Berckmans: oboé e fagote), Patrick Hanappier (violino e viola) e Daniel Denis (bateria e percussão) fazem um som instrumental que só possui algumas vozes, vindas do baixista Guy Segers. Eles não precisam de berros infernizantes para fazer uma trilha sonora de filme de terror, pois isso eles conseguem fazer com instrumentos e fazem de forma excelente!

Não que eles tiveram intenção de fazer uma trilha sonora de filme de terror, como Mike Patton teve quando fez Delìrium Còrdia, álbum de 2004 do Fantômas (que é um dos diversos projetos paralelos do homem). Os membros do Univers Zero eram fãs de histórias de terror e após o álbum 1313, de 1977, a banda queria se estabelecer ainda mais na música, e lançou este disco que facilmente pode ser considerado o mais macabro da história da música, além de ser o clássico da banda. E não falo isso da boca para fora.  As composições deste álbum são crescentes, agarra-nos pelos braços e leva-nos pelas mais diversas paisagens de horror, hora nos rodeia de vozes entoando mantras, hora nos guia com violino, depois com clarinete agonizante, até então culminar em seções de solo que, em músicas como “Jack The Ripper”, o violino consegue simular, acredite (se não acreditar ouça), um esquartejamento. É inacreditável o que esses caras fazem com os instrumentos de câmara.

Este álbum possui apenas três faixas, sendo que a primeira faixa é “La Faulx”, possuindo longos 25 minutos e com uma introdução que dura 10 minutos. A segunda faixa, “Jack The Ripper”, possui mais de 13 minutos, e a faixa de encerramento, “Vous le Saurez en Temps Voulu”, possui quase 13 minutos. Essas três canções juntas formam em quase 52 minutos um álbum com melodias profundas e muito incomuns. Você percebe a originalidade do grupo com uma música que você pensa que nunca iria existir se você não fosse procurar, mas sim, ela existe e é excelente. Honestamente, não consigo aprofundar mais no álbum em palavras, pois é muito difícil descrever a banda sem se repetir nos elogios. Poderia aprofundar sobre a música, mas com as informações que eu já trouxe, são desnecessárias e basta você ouvi-las para saber o que você terá que ouvir novamente (algumas pessoas dizem que já ouvirem este disco mais de 10 vezes e nunca digeriram), mas será extremamente recompensador. É extremamente recomendado a todos que realmente querem conhecer uma música diferenciada, com influências neo-clássica e querem sair da zona do conforto ou que gostem de coisas extremamente sombrias.

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Megaherz – Götterdämmerung (2012)

Origem: Alemanha
Gêneros: Metal Industrial, Metal Alternativo
Gravadoras: ZYX Music, Goldencore Records

Você gosta de Rammstein e/ou de Oomph!? Então você tem motivos para curtir ou repudiar o som do Megaherz. Antes de terem um som parecido com dessas duas bandas citadas, o Megaherz, composto por Alexander “Lex” Wohnhaas (vocais), Christian “X-Ti” Bystron (guitarra principal e programação), Wenz Weninger (baixo), Jürgen “Bam Bam” Wiehler (bateria) e Christoph “Chris” Klinke (guitarra secundária), eram uma banda com Metal Alternativo bem sombria, parecida com Faith No More, até fazer este som atual. A banda faz parte do Neue Deutsche Härte, que seria a “Nova Dureza Alemã”, que misturaria Hard Rock, Groove Metal, Metal Alternativo, Música Eletrônica e o Rock alemão. É equivalente a “New Wave Of British Heavy Metal” e “New Have Of American Heavy Metal”.

De uma maneira resumida, o som do grupo, que se estende por 11 faixas com uma duração aproximada de 49 minutos, abrange um som pesado, aliado a uma mistura de Música Eletrônica (sem ferir fatalmente o som), como o Rammstein faz em sua música, mas soa imprevisível, o que não ocorre com facilidade no Megaherz, e as vezes parece irritante e frustrante. E todas as canções que são em alemão não ajudam nem um pouco a aproximar os não acostumados a língua européia (quem não gosta de Rammstein/Oomph!, por exemplo), a não ser claro um pequeno uso de Inglês em certas canções, como “Heute Nacht”. “Jagdzeit” é a faixa de abertura e a mais grudenta também, soa comercial mesmo com o peso e com a voz de alemão assassino do vocalista, e nessa canção ainda possui a participação de uma voz feminina na qual eu não sei quem é.

As faixas posteriores, “Heute Nacht” e “Keine Zeit” tem aquele porrada, principalmente a terceira faixa, mas não são grudentas como a primeira. “Heute Nacht” tem aquela cara de música complementadora de álbum, não empolga e não é criativa, mas ainda é boa, já “Keine Zeit” é mais diversificada comparada as outras duas, tem momentos pesados, rápidos, doidos, é uma canção bem chamativa. Já “Das Litch Am Ende Der Welt” começa com uma introdução sinfônica que percorre durante a música toda. É uma bela canção, ainda mais por ser mais calma do que as outras. Um dos pontos fortes do disco. Em “Rabenvater” o peso retorna, e de certa forma a imprevisibilidade aparece no meio da canção com um piano (som originado em um teclado, obviamente), e ela é igualmente grudenta em seu refrão como “Jagdzeit”, que tem uma influência mais visível do Hard Rock, assim como “Rabenvater”, mas menos visível.

“Prellbock” é notável uma perda de criatividade e um péssimo gosto da banda em certas partes. Aquele mesmo peso de outras faixas misturada com a Eletrônica só faz parecer que a banda é feita para aquelas baladas tchecas. “Manm Im Mond” é mais passiva, tendo um teclado na sua introdução que soa infantil e de certa forma natalino, se assim posso dizer, que também encerra a faixa. É algo do mesmo nível de “Das Litch Am Ende Der Welt”, mas ainda se destaca. Em “Feindbild” o vocalista parece querer misturar no som já repleto de misturas o Rap. Até que não fica ruim, mas totalmente desnecessário. “Herz Aus Gold”, “Abendstern” e a faixa de encerramento, “Kopf Oder Zahl” são a demonstração da perca do peso e da criatividade e chegam a serem chatas e comuns. Não conseguem agradar como no início do álbum e apenas preenchem espaço deixado.

Em resumo, é um bom disco, e só. Tem seus momentos interessantes e bacana, mas com o decorrer do disco, temos uma queda de criatividade e de força (lê-se peso) nas canções que chegam a impressionar. Se organizassem melhor, poderiam lançar o disco como um EP tendo apenas as melhores canções, ao invés de várias faixas que só estão ali por enfeite. Se você gosta de Rammstein e Oomph! e não for do tipo “não aceito plágios”, é extremamente recomendado. Agora, se quiser algo inovador, excelente e que não é cansativo, passe longe deste disco.

Linkin Park – Meteora (2003)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Nu Metal, Rap Metal, Rock Alternativo
Gravadora: Warner Bros.

Após o grandioso sucesso comercial de Hybrid Theory, de 2000, o Linkin Park, banda composta por Chester Bennington (Vocal), Mike Shinoda (Vocal, Guitarra e Teclado) Joe Hahn (Samplers), Phoenix Farrell (Baixo), Brad Delson (Guitarra) e Rob Bourdon (Bateria e Percussão), tinham por objetivo superar um disco aclamado, ou pelo menos conseguir manter no mesmo nível. E foi o que aconteceu. O Linkin Park nos apresenta uma sonoridade similar de seu antecessor que facilmente agradou os fãs do grupo e manteve o sucesso. A banda não correu riscos e fez o que achou certo.

As diferenças mais notáveis são a diminuição do uso do Rap nas canções. Enquanto no primeiro disco, até nas canções mais pesadas havíamos Mike Shinoda dando suas linhas vocais participativas, ele é mais passivo aqui, deixando mais espaço para Chester berrar e cantar. As músicas aqui emendam umas nas outras, como se fossem uma só, dividas em 13 faixas com quase 37 minutos de duração, mas só parece, não se iluda, sem falar que dessas 13 canções, 6 faixas foram lançadas como single. Aqui temos canções mais pesadas como “Hit The Floor” e “Don’t Stay”, que antes de começar é introduzida pela primeira faixa, de 14 segundos, “Foreword”, outras mais próximas de serem calmas, como a faixa de encerramento “Numb” (que aliás é o melhor encerramento de álbum que a banda já fez) e “Breaking The Habit”, minha canção favorita do grupo.

Temos, claro, outras canções que não agradam tanto, como “Easier To Run”, que já começa com o refrão, após uma pequena introdução. Não me agrada canções diretas assim, sem mistério algum. “Session” é quase equivalente de “Cure For The Itch”, porém não chega a ser uma piada, mas é bem experimental, ainda mais por ser instrumental. Um dos grandes hits, “Faint”, nunca me agradou, até mesmo na primeira vez que eu escutei na MTV em 2003. Agora eu acho uma boa canção, mas ainda sim não me impressiona nem um pouco. Não sei dizer um motivo que deixe claro meu desgosto. Outras faixas, como “Somewhere I Belong”, “Lying From You”, “Figure.09” e entre outras canções continuam aquilo feito no primeiro disco com um pouco mais peso e menos Rap, que continua presente.

Se você gostou de Hybrid Theory, igualmente gostará de Meteora, a não ser que espere que a banda arrisque fortemente, como o Dream Theater fez em Awake, após lançar o seu disco com maior sucesso comercial, Images & Words. Aquele som explosivo não é mais impressionante. O que encanta mesmo são canções como “Breaking The Habit” e “Numb” que acabam com aquele jeito forçado nos gritos de Chester que não chegam a soar raivosos como em 2000, e no fim acabam mostrando uma banda que mais versátil do que aparenta ser. E isso é visível nos próximos lançamentos, como A Thousand Suns e Minutes To Midnight. Para encerrar, Meteora é recomendado aos fãs de Hybrid Theory e do gênero.

Adrenaline Mob – Adrenaline Mob (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Heavy Metal, Metal Alternativo, Hard Rock
Gravadora: Independente

Adrenaline Mob é a banda que chegou com uma proposta totalmente inesperada pelos fãs dos integrantes da banda, que é composta por senhores de muito respeito no meio da cena do Metal Progressivo, como ex-baterista do Dream Theater, Mike Portnoy e o poderoso vocalista do Symphony X, Russel Allen, além do virtuoso guitarrista Mike Orlando e também por, agora, ex-integrantes como o guitarrista do Fozzy e Stuck Mojo Rich Ward e o baixista Paul DiLeo, também do Fozzy. A proposta do grupo era trazer um som direcionado aos riffs pesados da guitarra com um pouco de virtuosismo, algo parecido com o que o Pantera fazia. Não foi muito bem recebido pelos fãs do Dream Theater, Symphony X e outros fãs de Rock e Metal Progressivo, mas ainda é um boa estreia este EP.

O EP é composto de 5 faixas, sendo a última um bom cover de “The Mob Rules” do Black Sabbath, que mantém certa lealdade a versão original. Todas as canções são belas porradas sonoras, apesar de não serem extremamente originais, ainda assim são músicas para balançar a cabeça fortemente. Baixo marcante de Paul, linhas da dupla de guitarra bem pesadas, um Portnoy mais contido e um forte presença na voz explosiva de Russel, que apesar de as vezes soar repetitiva sua interpretação, encaixa com a intenção do som. Os solos de Orlando são bem “fritados”, em outras palavras, se você gosta de técnica exagerada acima daquele “sentimento”, isso vai te agradar facilmente. As quatros faixas (“Psychosane”, “Believe Me”, “Hit The Wall” e “Down To The Floor”) deste lançamento, que você pode ouvir via stream aqui, estarão em Omertà, primeiro álbum de estúdio do grupo (sem contar o EP), são um bom saboreio para quem gostou da proposta do grupo. Se tem defeitos? Claro. Solos exagerados e apresentam uma faceta mais barulhenta do que técnica (as vezes soam como tentativas de estupro a pobre guitarra) e uma linha de bateria bem conformada de Portnoy, e quem conhece o cara sabe que ele faz algo muito melhor, mas ainda sim é um bom lançamento. Agora é só aguardar Omertà, que será lançado este ano.

Jimmy Cliff – Sacred Fire (2011)

Origem: Jamaica
Gêneros: Reggae, Ska
Gravadora:  Collective Sounds

Após longos sete anos sem lançar nenhum trabalho, a lenda jamaicana do Reggae Jimmy Cliff retorna com este EP cheio de energia positiva e um disco bacana. O homem que acabou sendo mais conhecido por suas atuações em filmes como The Harder They Come (Balada Sangrenta em nosso Português) e é o menos compreendido de todos os grandes mestres do Reggae, tendo sido acusado de abandonar as origens Rastas, porém é respeitado por ter sido o primeiro a abrir as portas do sucesso ao reggae na Europa e no resto do mundo. Bem, vamos ao “recheio do bolo”.

O EP contém cinco faixas e uma duração próxima dos 19 minutos, temos uma grande diversidade musical aqui. Muitos sons extravagantes que juntos fazem canções curtas como a Pop “Ruby Soho”, a canção crítica que inicia o álbum e que gruda fácil, “Guns Of Brixton”, e a menos interessante do álbum “Ship Is Sailing”, mas ainda sim é bem cativante. “A Hard Rain’s a-Gonna Fall”, composição mais longa do trabalho com mais de seis minutos é uma canção com um refrão grudento, porém cansativa e não começa tão legal como a primeira faixa do EP. Seria bom encurta-la. Para encerrar o disco temos “Brixton Version”, que chega a ser meio apagada e não é o melhor final e não é daquelas que gruda em você, mas pela já citada diversidade musical que faz da canção boa, ou melhor dizendo, uma nova versão de “Guns Of Brixton”.

Com este lançamento, dá para se dizer que é um bom disco mesmo após longos sete anos sem lançar algo novo, Jimmy Cliff, e nós brinda com musicalidade e composições de bom gosto, apesar de alguns defeitos. Este EP é altamente recomendado se você está gostando de Reggae e quer ouvir algo a mais além de Bob Marley e aquele Armandinho. Se você já está acostumado com o Reggae, uma audição lhe fará muito bem, agora, se você não tem aquele “jeitinho jamaicano”, é recomendado ouvir algumas vezes a mais se quiser ter uma ótima recompensa. Agora é só esperar por Existence, novo disco de Cliff que será lançado esse ano.

Our Lady Peace – Burn Burn (2009)

Origem: Canadá
Gênero: Rock Alternativo
Gravadora: Coalition Entertainment

Em seu sétimo disco de estúdio de estúdio, os canadenses do Our Lady Peace, banda composta por Raine Maida (vocais), Duncan Coutts (baixo e vocais de apoio), Steve Mazur (guitarra, piano, percussão, vocais de apoio) e Jeremy Taggart (bateria, percussão e vocais de apoio), fazem em Burn Burn uma mistura do comum e do incomum, em outras palavras, misturam um som popular com um som peculiar em certos momentos que são interessantes. O álbum possui 10 faixas  uma duração de 38 minutos, sendo o trabalho de estúdio mais curto da banda. Veremos agora o que tem bom neste álbum.

O álbum começa com “All You Did Was Save My Life”, uma canção com cara de single (não é a toa que foi o primeiro single do disco) e é bem chicletuda, ou em outras palavras, grudenta. Ela começa calma e fraca, mas evolui e fica bacana. Canção com cara de Nickelback. “Dreamland”, terceiro e último single lançado, tem um início parecido com sua antecessora, mas começa mais depressiva e sua evolução para o refrão soa uma mistura de Hard Rock e Country Rock. Se não fosse por sua introdução, que achei de certa forma feia (e como já disse, depressiva), poderia estar em uma trilha sonora da novela das 8 (isso foi um elogio). Em “Monkey Brains” as coisas ficam divertidas. Com uma influência do bom e velho Funk em algumas partes e distorções de guitarras legais, temos uma composição muito boa, mas possui defeitos. Na metade da canção temos uma seção acústica é longa demais, perdendo toda a força a canção. E outro defeito é a falta de vocais de apoio na canção. Umas vozes a mais deixariam a música bem doida, algo que ela quase é se não fosse por esses pequenos defeitos. O segundo single do álbum, “The End Is Where We Begin” é uma canção atípica, com uma introdução feita no teclado, que vão de lado direito a esquerdo, até a banda entrar. Aqui já dá para termos uma noção que o vocalista Raine Maida não é um qualquer “zé ruela”, mas não é aquele vocalista que irá marcar seus ouvidos como um dos melhores. Um instrumental bacana que acompanha uma canção viciante e talvez uma das melhores do disco, e encerra como começa.

A quinta canção, “Escape Artist”, é o mais próximo que eu consigo definir como balada nesse disco, pois todas as canções tem passagens pacíficas e outrora distorções maníacas na guitarra, isso até chegar em “Refuge”. É a canção mais fraca do disco, tendo momentos bonitos, mas é só isso. Nada especial. A sétima faixa inicia com um piano e se chama “Never Get Over You” e é outra balada que tem seu piano rolando pela faixa toda. É uma bela canção com um solo de guitarra igualmente belo. É o que podemos chamar de canção feita com o bom gosto. “White Flags” começa com sintetizadores e guitarra unidas como se fossem uma só e vira um Pop Rock bem divertido. Boa faixa. “Signs Of Life” é a próxima e aqui Maida e companhia foram para o bar, enxeram a cara e resolveram fazer uma música de corno. Brincadeiras a parte, Maida realmente soa meio “bêbado” numa canção bonita porém nada extraordinária. Aqui soa como aquela música que entrou para fazer número. O álbum encerra com “Paper Moon”, canção que inicia de uma maneira bem influenciada por “Blackbird” dos Beatles. Ela é excelente e de bom gosto, tendo uma distorção/solo de guitarra muito bom, finalizando o álbum positivamente, e além de ser a faixa correta para encerrar o álbum é junto com “The End Is Where We Begin” as melhores canções.

Em seu sétimo disco de estúdio, o Our Lady Peace fez um bom trabalho e é inegável que a banda é boa e merece um destaque a mais ao invés de certos grupos canadenses, como Nickelback e Three Days Grace, mas mesmo assim, a banda não é extraordinária que você deve escutar antes de morrer. Tem seus bons momentos, outros ótimos e outros que poderiam muito bem ficar guardados numa caixinha jogada no oceano. Vocalista Raine Maida as vezes é atrativo e as vezes é um pé no saco, o que pode afastar novos ouvintes, mas algo que não dá para negar, esse cara é único. E gosto de bandas com vocalista único, que você só ouve naquela banda, diferente de grupos como Paramore, onde temos várias Hayley Williams espalhadas por aí nesse mundo. Agora é esperar pelo novo álbum da banda, que será lançado esse ano!