Suicide Silence – The Black Crown (2011)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Deathcore
Gravadora: Century Media

Nem sempre uma banda que tem como costume lançar músicas extremas aparece por aqui. E quando eu digo “extrema”, não é ao nível “Slipknot” que alguns tendem a pensar quando falam em música extrema. É um pouco mais além e menos comercial, sendo mais difícil de assimilar tal sonoridade. Suicide Silence é uma banda norte-americana de Deathcore, que é uma mistura entre Metalcore e Death Metal, e tem como influências bandas como Meshuggah, Sepultura, Cannibal Corpse, Suffocation, Necrophagist, Nile, Deftones, Korn e do já citado Slipknot. Com esta descrição você pode não se interessar por esta banda, mas se você for alguém valente (ou burro) e estiver realmente interessado, seja bem vindo, soldado. Você irá testemunhar um jovem grupo de músicos com uma vontade gigantesca para expor suas raivas e exaltar palavrões sem necessidade alguma.

Em The Black Crown, terceiro disco de estúdio, a banda era composta pelo letrista e vocalista Mitch Lucker (que, segundo os fãs, tem a capacidade de fazer seus guturais e gritos parecidos com um pato, um “ducksqueal” se você me permite dizer), guitarristas Chris Garza e Mark Heylmun, baterista Alex Lopez e baixista Dan Kenny. E por mais pesado que o som seja e os vocais sejam algumas vezes incompreendidos, é incrível como algumas destas canções consigam ser grudentas (catchy). Sim, uma banda de Deathcore consegue lançar músicas grudentas. A prova disso são as duas músicas que iniciam o trabalho, “Slave to Substance” e “O.C.D.”, que por acaso são as duas melhores músicas de The Black Crown. Para ser honesto, são apenas os refrões e outros trechos próximos, mas temos que dar um mínimo de crédito da banda por isso. Outros momentos podem ficar na sua cabeça, mas não são tão bons quanto as duas, como “Fuck Everything”, que é aonde você percebe a “natureza raivosa e adolescente” da banda.

E a prova de que a banda tem tendência adolescente é “You Only Live Once”, provavelmente a pior música do disco. Eu já sou contra a ideia de “YOLO” por ela encorajar a pessoa a fazer merda com mais frequência, pois “só viverá uma vez” (como se soubessem o que acontece depois da morte), mas a música consegue ser tão cansativa e nojenta que só piora a situação. Com exceção de um ótimo solo de guitarra (que talvez seja o melhor de The Black Crown, que por acaso tem bons solos guitarras espalhados pelo álbum), a música é totalmente dispensável, assim como a esquecível “Human Violence”, que é possível esquece-la poucos segundos depois de ouvi-la. Outra faixa dispensável é “Smashed”, com participação especial Frank Mullen, da banda de Death Metal Suffocation, onde seus vocais guturais são apenas mais grossos que os de Mitch Lucker. Mitch conseguiria fazer eles sem problema algum. Mas além dos vocais inutilmente especiais, a música soa cansativa pelo excesso de peso descontrolado até chegar a faixa. Não temos momentos que possam balancear a porradaria, e por mais que o disco não passe de 40 minutos, você cansa de tanta necessidade de parecer “badass”, “cruel”, por mais que essa seja a intenção e proposta da banda.

Entretanto temos momentos que quebram essa porradaria repetitiva, como em “Witness the Addiction”, que em si é uma música longa demais (5 minutos e meio) e desnecessária ter esse tamanho. Mas o refrão é um dos melhores momentos do disco. Por quê? Ele é cantado por Jonathan Davis, do Korn, e, sinceramente, em The Black Crown ele simplesmente se destacou. Sua voz limpa soou como uma benção. Foi algo diferente e bem feito. Outros vocais especiais foram da vocalista da banda de Metalcore Eyes Set to Kill, Alexia Rodriguez. Sua voz feminina em “Cross-Eyed Catastrophe” soaram tão lindos que poderiam estar em todo disco que faria milhares de vezes melhor. Mas Alexia para em “Cross-Eyed Catastrophe”, infelizmente. E mesmo sem vocais especias, temos “March To The Black Crown”, uma música com uma atmosfera bem densa, envolvente e até “creppy” (desculpe pelos termos em Inglês, mas eles não soam tão bons em Português). E as guitarras à la Pantera em “The Only Thing That Sets Us Apart” são bem encantadoras, mas não duram o quanto realmente merecem. E o encerramento fica com “Cancerous Skies”, que, mesmo começando como a intro mais porrada do álbum, é um fim ok para The Black Crown, com exceção do solo de guitarra, que poderia ser mais extendido. Mais poderia ser esperado.

O que pode concluir com The Black Crown? É um disco consistente na porrada e que sabe o quer passar, e que consegue passar sua ideia, mas pode soar repetitivo e cansativo com seu decorrer, além de algumas canções fracas, ruins, momentos chatos, e algumas ideias não tão atrativas e adolescentes que afastam alguém que procura um som extremamente pesado, porém adulto. Mas, por incrível que pareça, vale a pena conferir The Black Crown. Quando a banda acerta, consegue lançar boas “pérolas metaleiras”, que podem ser até grudentas e memoráveis. Certamente é um disco feito por uma banda que ou você amará, ou você odiará. Eu recomendo The Black Crown para os fãs do Metal mais tradicional ao mais moderno e extremista, mas somente a este grupo. Um fã de Jazz ou Pop dificilmente irá querer ouvir Suicide Silence (se ouvir, certamente parará no início do disco). Veja pelo lado positivo: isso não se parece nenhum pouco com Attack Attack!, uma das maiores atrocidades dos tempos atuais.

3 – The Ghost You Gave To Me (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: 
Rock Progressivo, Metal Progressivo, Rock Experimental
Gravadora: Metal Blade

Enquanto Josh Eppard (ex-membro do 3) seguiu carreira na já popular banda Coheed And Cambria, o irmão menos famoso, Joey Eppard, continuou a sua carreira no 3, fazendo um som consideravelmente diferente da atual banda do irmão, e em 2011 lança o sexto álbum de estúdio, The Ghost You Gave To Me. Pela capa dá para se esperar algo sombrio, psicótico, mas o que vemos é um som bastante versátil e divertido, The Ghost You Gave To Me se torna uma grande opção audível para apreciadores do metal e rock progressivo e do rock experimental, com um flertamento encantador com o pop ( o que faz parte da bagagem do rock experimental), e também  uma pequena semelhança com o sludge metal, a ótima e versátil ‘Sparrow’ é um exemplo disso. O instrumental, assim como o álbum num todo, não é revolucionário, e a execução não é genial, mas mesmo assim é algo bem interessante, com bons momentos de todos os instrumentos.

Só por tudo o que eu já disse, vale a pena ouvir o último lançamento dessa banda, mas seria hipócrita não constar os erros, também. Você poderá se animar com o CD na sua primeira metade, mas quanto mais o tempo do disco passa, poderá achar que perdeu a sua “graça”. O agitamento do começo não está tão presente, e o vocal de Joey Eppard, pode se tornar irritante algumas vezes, a oitava faixa chamada ‘Pretty’ mostra isso. Mesmo sem tanta empolgação, continua bom, e só é questão de audições extras (elas não apagarão os erros, mas claro, vai te ajudar a entender melhor outros detalhes). Vale a pena arriscar nesta banda, você, que gosta de Muse, arrisque! (Não, 3 não te lembrará de Muse), os “progristas” que gostam de experimentalismo, também. E sem esquecer do pessoal indie, 3 se encaixa um pouco em cada estilo, mesmo não sendo genial, se torna algo bem agradável, ponto para o experimentalismo/versatilidade.

Symphony X – Iconoclast (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Progressivo, Metal Neo-Clássico, Metal Sinfônico
Gravadora: Nuclear Blast

O oitavo disco de estúdio da experiente banda norte-americana, o Symphony X, mostra um exemplo perfeito em Iconoclast de que nem sempre bons músicos juntos fazem (somente) boas músicas. O conceito de Iconoclast é que as máquinas dominam tudo, mas não segue uma história linear como um legítimo disco conceitual, mas sim um álbum temático, como feito pelo Pink Floyd em Dark Side Of The Moon. E esse tema lírico chega até passar para o instrumental da banda, soando até mecânico em certas partes, uma boa ideia do grupo, mas mesmo assim com boas ideias, a banda falha no principal ponto de um álbum deveria ter: suas músicas.

A banda composta por Russell Allen (vocalista), Michael Romeo (guitarrista), Michael Pinnella (tecladista), Michael Lepond (baixista) e Jason Rullo (baterista), apesar de serem ótimos músicos, extrapolam em certos momentos virtuosos que chegam a ser desnecessários, principalmente o guitarrista Michael Romeo. Este homem consegue estragar praticamente quase todas as atmosferas criadas com seus solos ultra-técnicos-e-mega-rápidos-porém-super-irritantes. Ouça “The End Of Innocence”, e repare que até a entrada do solo, a atmosfera é excelente, e os corais, algo muito bom neste disco, deixam tudo em um clima épico e até caótico, mas então entra o solo, e assim perdemos um belo momento. E não podemos esquecer dos péssimos timbres escolhidos por Michael Pinnella, principalmente em seus solos entupidores de ouvido. Um mau gosto inacreditável eu diria. E nem podemos esquecer que temos canções fraquíssimas como “Bastards Of The Machine” e “Eletric Messiah”, ambas esquecíveis.

O que mais decepciona-me em Iconoclast é que, mesmo tendo porradas excelentes e os corais bem feitos, o disco todo é cansativo. Quase não vale a pena ouvir todo ele. O que vale a pena ouvir em Iconoclast, além dos corais e de algumas atmosferas criadas, são duas canções, que de certa forma se isolam no nível qualidade comparada as outras: a faixa-título e “When All Is Lost”, ambas as canções mais longas do disco. Enquanto “Iconoclast” é uma tremenda porrada, ora imprevisível, ora épica (e nada enjoativa), “When All Is Lost” é a única balada do disco e apesar de uma introdução brega, a música desenvolve-se e transforma-se em uma das coisas mais lindas que eu ouvi em 2011. E os solos nestas duas faixas estranhamente são os únicos solos que realmente fazem bem a atmosfera, algo que esse disco tem uma certa facilidade em quebrar devido ao exagero técnico. Uma pena termos apenas duas canções de grande qualidade.

Iconoclast mostrou-se um fraco lançamento da banda, principalmente se compararmos com que o Symphony X já lançou, o ótimo The Divine Wings Of Tragedy. Mesmo os mais extremistas musicais e fãs da banda talvez olham torto para esse álbum como eu olho. Por mais talentosos que estes cinco caras sejam, o ego musical elevado do grupo é algo que vem cada vez mais aumentando, principalmente Michael Romeo, fundador da banda. E o pior de tudo é que não tem muita diferença do que o grupo vem lançando nos últimos discos. É como se a banda estivesse em uma zona de conforto e pretendem não sair dali. Iconoclast, por mais que suas ideias sejam boas, não teve a execução necessária para tornar se um clássico do Heavy Metal. Recomendado apenas as duas faixas citadas (a faixa-título e “When All Is Lost”).

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Silva – Silva EP (2011)

Origem: Brasil
Genêros: Indie Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Independente

Estava eu a procurar alguns EP’s do ano passado que foram considerados muito bons pela internet, eis que me deparo com “Silva”, EP autointitulado com o pseudônimo do autor. Se você é um fã de boa música ou de Los Hermanos ou Marcelo Janeci, creiam que vocês irão se apaixonar por este EP.

O EP de cinco faixas, todas sensacionais, com uma variedade imensa de instrumentos, como o xilofone, violino, tuba, saxofone e até mesmo diversos equipamentos de música eletrônica. A primeira faixa do disco, intitulada de “12 de Maio” tem uma pegada mais instrumental, que por sinal é muito boa, mesmo com a bela voz do cantor aparecendo em algumas partes. A segunda faixa, “Imergir”, é um pouco mais tranquila do quê a primeira, porém é muito boa. A voz calma e hipnotizante de Silva em conjunto dos acordes do teclado e da guitarra deixam a música muito boa, além de ser bastante pegajosa.

Em seguida temos “A Visita” e “Cansei”, que são músicas mais soltas e mais experimentais, porém são boas também, um pouco abaixo do nível das duas primeiras, mas nada que atrapalhe o EP. A última faixa, “Acidental”, também é bastante experimental, porém perdão ao trocadilho, mas é um experimento que deu muito certo! Pegue todas as faixas anteriores, junte-as e tenha algo psicodélico muito bom, e bastante original para a música brasileira.

À  um bom tempo não ouvia coisas novas na música brasileira, a após ouvir a este EP, minhas esperanças foram renovadas de ver algo constantemente bom nas paradas, mesmo sabendo que isto seria algo impossível. Silva é um EP que não teria problema nenhum em ser lançado como CD, para aqueles que dizem que nos EP’s são e estão as partes ruims das bandas. Este é um EP que eu recomendaria demais para qualquer um que goste de boa música, e mais ainda para aqueles que dizem que a música brasileira é totalmente lixosa.

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Opeth – Heritage (2011)

Origem: Suécia
Gêneros: Rock Progressivo, Jazz Fusion, Folk Rock, Metal Progressivo
Gravadora: Roadrunner

Heritage é décimo disco de estúdio do Opeth, banda sueca que tinha uma tendência a fazer um som extremo, com guturais poderosos e uma sonoridade macabra. Entretanto, como aconteceu em Damnation, ocorre aqui. O Opeth deixa seu lado extremo e mostra suas influências que até outrora não eram notadas, um lado incrivelmente versátil e cheio de melodias e ideias interessantes. A banda composta por Mikael Åkerfeldt (guitarra, mellotron, grand piano, vocais e efeitos sonoros), Fredrik Åkesson (guitarra rítmica), Per Wiberg (teclado, pianos, órgão e mellotron), Martín Mendez (baixo, contrabaixo) e Martin Axenrot (bateria e percussão) fazem um trabalho belo e eclético, saindo um disco muito bom. O som setentista modelado para o presente foi bem criado, não há como negar. Mas, como nem tudo são flores, infelizmente, o disco tem seus pontos baixos.

O disco começa com a faixa-título. Uma bela música sendo composta apenas por um piano. A faixa dura dois minutos, o suficiente para gostarmos dela e para não enjoarmos dela. Além da faixa-título, temos “Marrow Of The Earth” como faixa instrumental, mas que encerra o álbum, composto por dez faixas. Um encerramento bonito, como o início do disco, mas as canções não são nada memoráveis, porém fazem bem seu papel. A canção que vem após “Heritage” é a single “The Devil’s Orchard”. Uma poderosa canção, mostrando que o grupo não precisa de seu extremo e de seus guturais para surpreender com boa música. Desde quebradas rítmicas de bateria até riffs sensacionais, “The Devil’s Orchard” é uma grata canção aos nossos ouvidos. Destaque para o refrão, que eu considero não apenas bom, mas também forte. Aliás, quem não consideraria um refrão forte com a frase “God is dead”? Acho difícil…

Alguns problemas do disco vem na faixa “I Feel The Dark”, com um início bem no estilo folclórico espanhol, a faixa vai ganhando corpo, até que a música começa a demonstrar que vai se encerrar, e repentinamente (e brutamente), “I Feel The Dark” nos mostra um som vindo de um órgão tenebroso, inesperado, e a banda entra junto no que o órgão gerou. É imprevisível? Sim. Mas é uma imprevisibilidade que não encaixou no que estava acontecendo, foi uma ideia solta onde não precisava. E isso acontece em “Nepenthe” e em suas jams e solos guitarrísticos e em “Famine”, com sua introdução tribal, até vir um piano, e do nada vir riffs de guitarra. É estranho. Não tem nexo algum algumas ideias, apesar de serem criativas, só que foram colocadas no lugar errado.

Para aqueles que querem um peso a mais vindo da banda, o mais próximo disso é encontrado nas faixas “Slither”, um tributo a Ronnie James Dio (ex-Rainbow e Black Sabbath) e em “Lines In My Hand”, faixa que originou a temática de Heritage. Ambas passam uma energia muito positiva, chegando a ser até regozijante. “Folklore”, canção que vem antes de “Marrow Of The Earth” é uma das melhores (senão a melhor) músicas feitas para esse disco. Ela em seus mais de oito minutos tem consistência que algumas outras canções precisavam e deixa aquele ar de que o que foi ouvido valeu a pena, e quando entra “Marrow Of The Earth”, soa como um acalmante, e funciona perfeitamente. E não há de se esquecer de “Häxprocess”, com um clima tenso, porém lindo, é uma música que vale a pena ouvir com atenção.

Sem sombras de duvida, Heritage é um grande disco, com vários momentos interessantes e bem elaborados. Mikael fez um ótimo trabalho produzindo o disco, trazendo suas ideias e influências de uma maneira em que a execução das canções seriam as vencedoras. Entretanto, as repentinas mudanças das canções, apesar de imprevisíveis, as vezes não fazem sentido algum. Repare em “I Feel The Dark”, “Nepenthe” e em “Famine”, por exemplo. Se são bacanas? Claro que são. Mas soa estranho e parece serem outras faixas do que uma única, principalmente “Famine”. É um bom disco, mas alguns erros aconteceram. No próximo disco, quem sabe a banda faz um trabalho ainda melhor? Recomendado a aqueles que querem um disco com um pouco de tudo e até os próprios fãs do lado pesado da banda. Esse disco irá te satisfazer por um longo período de tempo.

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Eyes Set To Kill – The Best Of ESTK (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metalcore, Pós-Hardcore, Screamo
Gravadoras: Foresee, Maphia Management

Mais uma banda da nova onda do metalcore, o ESTK (usarei a sigla porque sou preguiçoso) lançou em 2011 o álbum White Lotus, primeiro com o novo vocalista da banda, Cisko Miranda. E no mesmo ano saiu esta coletânea (sem o Cisko, aqui os gritos são encarregados pelos ex-vocalistas, Brandon Anderson e Justin Denson, cada um dependendo da canção), logicamente, uma escolha entre as “melhores” músicas, entre aspas pois é algo pessoal de cada um escolhas entre melhores e piores. O ESTK possui como grande líder a vocalista Alexia Rodriguez, bom vamos à músicas.

Abrimos com ‘Darling’, temos os 10 primeiros segundos bem tensos, Brandon Anderson parece querer dá uma de “badass”. A canção não é ruim, mas não chega a ser algo bom realmente, apenas regular, gosto da voz da Alexia, é uma boa cantora, apenas um pouco enjoadas em partes que ela tenta “chorar” nas músicas, mas é um dos destaques da banda. ‘Darling’ segue com um enorme breakdown, naquele espaço “vazio” poderia preencher com algo mais interessante, mas adolescentes tão badass quanto Brandon Anderson devem gostar. Os screamos deslocam as canções, se você gostar de algo sem noção e de metalcore, pode até curtir, mas na maioria das faixas o clima que Alexia e a banda (que não é ruim, o álbum possui bons riffs e o grande destaque, a bateria, com bases boas também) é quebrada por partes no-sense de gritos. E não, screamos não me agradam, mas não crítico só por isso, eu gosto de ESTK em partes, e o que me afasta de ouvir a banda é que não souberam juntar as suas influências, não estudaram o suficiente para ver o que fica bom ou não, minha opinião, o que faz genérico e apenas mais uma banda de screamo ou metalcore.

Você pode ouvir uma canção (talvez ’Broken Frames’), se gostar não vai se arrepender de ouvir o CD, em boa parte ele é do mesmo jeitão, o instrumental mesmo parecendo limitado faz um bom trabalho, a voz da Alexia é agradável na maioria das vezes. Para uma coletânea, a ordem das músicas deixaram a desejar, as canções mais agitadas fazem parte da primeira metade do disco, e as baladas, deprês e etc são a “segunda metade”. E essa última parte é mais agradável, sem o deslocamento musical que gritos no-sense levam, mostra o potencial da banda. Apenas detalhes que não gostei foi a pitada de influência de música eletrônica, não “combinou” nas canções em que está presente. E também a falta de destaque que o baixo de Anissa Rodriguez, irmã de Alexia, teve. Resumindo, é uma banda simplória, mas não ruim, tem bastante coisas a melhorar e que vão exergar com o tempo, boas inspirações seriam bandas como Lamb Of God e Trivium.

Dream Theater – A Dramatic Turn Of Events (2011)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Metal Progressivo
Gravadora: Roadrunner

Após uma saída dramática do baterista e co-fundador da banda Mike Portnoy, o Dream Theater trouxe no ano passado A Dramatic Turn Of Events (título sugestivo, não?), 11° disco na discografia. Após um disco pesado e de certa forma exagerado em Black Clouds & Silver Linings, a banda atualmente composta pelos também fundadores da banda John Petrucci (guitarrista) e John Myung (baixista), por James LaBrie (vocalista), Jordan Rudess (tecladista) e o novo integrante da banda que substitui o baterista Mike Portnoy, Mike Mangini, nos traz um álbum não tão pesado, em uma tentativa do grupo de voltar a ter o equilíbrio entre o Progressivo e o Metal, as principais características da banda que ultimamente estavam mais para o lado “brutal” de suas influências. Que tal conferir as 9 canções que compõem este álbum?

O álbum abre com “On The Backs Of Angels”, que concorreu ao Grammy por melhor perfomance de Hard Rock/Metal. A faixa começa com uma introdução um tanto quanto típica, algo que soa “parecido” sem ser necessariamente ser parecido. A faixa vai crescendo aos poucos até vir um coral épico e a banda entrar com força máxima, trazendo sua quebradeira de compasso mais que comum e já esperada em sua música. Apesar de uma ótima introdução, a faixa não carrega muito bem ela, mas não soa má de forma alguma. A linhas vocais de LaBrie estão ok, nada muito impressionante. A canção possui grandes similaridades em sua construção com o maior hit (e o único) do grupo, “Pull Me Under”, de Images and Words, isso quer dizer que serão notáveis alguns solos pré-refrões, que são muito bacanas por sinal. Quando termina a segunda repetição do refrão, temos um momento de Jordan Rudess, solando em um piano, trazendo um ar mais Progressivo a música, que simplesmente soa belíssimo. Solo de Petrucci é bom, mas não tem emoção alguma, soa até robótico e genérico dele. O refrão em si não cativa muito. O lado positivo é que notamos que o baixo, que ultimamente estava muito apagado, em ADTOE “retorna a vida sonora” do grupo. O novo Mike faz um trabalho ok, já que ele não criou as linhas de baterias do disco, então ele só fez sua parte (na qual é boa, por sinal), então não tem motivos para comentar a bateria em todas as faixas. No fim, uma boa faixa. Não é o melhor começo, mas ainda é apreciável. Reparem que na introdução da canção o que é audível. É engraçado.

E já na segunda faixa o Dream Theater comete um erro que fez em alguns álbuns anteriores, mas mais grave ainda. Enquanto em Octavarium e Systematic Chaos havia “tributos” (para não citar um termo pejorativo) ao Muse, sendo eles “Never Enough” e “Prophets Of War” (em cada álbum respectivamente), em ADTOE temos uma tentativa falha da banda em tentar colocar música eletrônica nas faixas “Build Me Up, Break Me Down” e em “Outcry” (esta falarei detalhadamente adiante). Dream Theater não serve para fazer “tributos” ao Muse ou usar música eletrônica nas suas músicas. Simplesmente não serve! E para piorar, temos James LaBrie em um momento screamo em “Build Me Up, Break Me Down”. Não quero ter que dizer isso, mas qual o motivo dessa desgraça. Não que soe mau ou porque não gosto de screamo, mas James, você não foi feito para isso! Apesar de tudo, a faixa tem um poder radiofônico grande, sendo fácil de memorizar e tem uns riffs bacanas e um solo de guitarra que me lembra seriamente do jogo Castlevania… Não é uma boa faixa e poderia estar fora do álbum com total certeza. Mas que ela é grudenta, isso ela é! Até seus corais são grudentos!

Em “Lost Not Forgotten” a faixa começa com um piano que lembra Kenny G. Isso perdura até a banda se mostrar em mais uma introdução épica e então uma batalha entre o teclado e a guitarra que soa como duas moscas brigando para ver quem é que irrita mais o ouvinte (a banda já fez isso em “In The Name Of God”, mas de uma maneira mais assassina ainda). Após a grande virtuose demonstrada, temos um riff bem forte vindo de Petrucci e uma interpretação mais forçada de James, mas que encaixa no que a faixa pede. O refrão é ótimo. Além de ser fácil para grudar e cantar, a quebradeira posta ali é bacana, apesar de apresentar similaridades na sua construção com “Under A Glass Moon”, isso inclui até o solo de guitarra, que na minha opinião, não dá prazer algum ao ouvinte. É interessante, mas eu prefiro fingir que passou despercebido na execução do disco. A primeira balada de A Dramatic Turn Of Events é “This Is The Life”. É uma composição em si bonita e de bom gosto, nenhum exagero dos componentes da banda, execução mais do que agradável, e principalmente, entendiante e previsível! Ela é tão previsível que dá para calcular perfeitamente como a música vai se desenvolver e sua primeira metade é tão chata ao ponto de ajudar na previsão do que será a canção. Apesar de tudo, James traz uma interpretação linda, Petrucci sola com maestria e o fim da faixa é indiscutivelmente bom!

“Bridges In The Sky” começa com… o shaman fazendo seus “guturais” misturados com roncos? Eu não sei como exemplificar ou explicar, mas o que posso dizer é que o nome original da canção seria ” The Shaman’s Trance” que faria muito mais sentido! E mesmo que fizesse, é totalmente desnecessário, ainda mais com a mudança de título. Então com seu decorrer, temos um certo peso a vista, e é bem executado. A faixa é interessante e vale a pena ouvir até seu final. A interpretação de James LaBrie é excelente, e o mesmo tem uma de suas linhas vocais mais bonitas de sua carreira. A seção instrumental é boa, não tão exagerada, mas ainda técnica, como característica da banda. É uma pena esses sons do shaman no início e também no fim da canção. O baixo recebeu um ótimo destaque.

Agora chegamos em “Outcry”, outra faixa que contém o uso (que poderia muito bem ficar de fora) de música eletrônica. Com mais uma introdução épica, a banda faz um som que chega até ser previsível, e James canta mais suave, nada agressivo, soa até bonita sua interpretação, mas que ajuda na previsão da faixa. Mas após o refrão e alguns momentos instrumentais, temos um momento “The Dance Of Eternity” em “Outcry”. Não que seja igual, mas que é complicado o que acontece na seção instrumental, isto é inegável. Solos de baixo, guitarra, teclado… O desenvolvimento previsível se tornou uma máquina de loucuras. São tantas ideias e coisas acontecendo nesta seção de 4 a 5 minutos que era possível compor mais de 10 faixas facilmente. Jordan faz um trabalho monstruoso no teclado. E como disse, são tantas ideias expostas que não dá para assimila-las da maneira correta, o que vai requerer algumas audições extras (vale para o álbum inteiro esta regra, mas para essa faixa ela é com maior “intensidade” e prioridade) e vai achar (com razão) que a banda exagera muito, mas isso é algo que todo fã de Dream Theater gosta, e honestamente, eu gostei. É radical, complexo e imprevisível. O final da faixa é simplesmente perfeito, ou pelo menos quase. É difícil não se entusiasmar com que é feito ali.

A segunda balada e sétima faixa é “Far From Heaven”, que só possui a participação de Jordan no piano e um violino de fundo e, claro, James nas linhas vocais. É uma música que te faz ficar para baixo. É uma beleza entristecedora. E por mais cafona ela possa parecer, eu acabei me identificando com ela, provavelmente graças a voz de James. E após ela temos “Breaking All Illusions”, que para mim é a melhor faixa de ADTOE. As duas canções equivalem a “Wait For Sleep” e “Learning To Live” de Images and Words, respectivamente. Na oitava faixa, temos uma introdução que familiariza com o Rock Progressivo feito por bandas como Yes e Marillion, soando até Pop, mas sem ser necessariamente Pop, mas que traz uma nostalgia, uma magia encantadora. Seu decorrer é bem feito, e mesmo com as transformações repentinas na faixa, ela continua boa e não soa deslocada (não ao ponto de estragar a música). A seção instrumental é sensacional. É eclética, bela, virtuosa… É incrível! O solo de Petrucci é simplesmente um de seus melhores. Aqui a emoção que o mesmo põe chega a transbordar, e deixa o virtuoso ego (?) de lado e faz uma das coisas bonitas do disco (senão a mais). O refrão é ótimo. Bom para cantar, gruda fácil e sai difícil da sua cabeça. E mais uma vez, outro final esplêndido. Temos aqui a melhor faixa de A Dramatic Turn Of Events, apesar de faltar ainda mais uma canção antes que encerrar tudo.

“Beneath The Surface”, última faixa e terceira balada de A Dramatic Turn Of Events e de acordo com Petrucci ela funciona (muito bem, por sinal) como uma canção em que os créditos estão passando. Ele está correto. É uma bela faixa acústica, e encerra bem o disco, da mesma maneira que uma balada em 1994 funcionou para encerrar um disco do Dream Theater, que no caso seria (a música mais depressiva da história em minha honesta opinião) “Space Dye-Vest”, do aclamado álbum Awake. Único defeito que eu coloco é justamente James LaBrie. No terceiro refrão ele faz seus agudos exagerados, que em praticamente não teve em nenhuma faixa do disco a não ser a última, e soa até inesperada, mas não soa boa para mim, já que eu sempre desgostei destes momentos LaBrie pós-acidente de 1994. Poderia vir com algo melhor, James. E é com uma bela balada que encerramos A Dramatic Turn Of Events.

A Dramatic Turn Of Events é um bom disco, mas que no fim de tudo soa fraco se compararmos as grandes obras do grupo e, obviamente, previsível. Claro, tem momentos que você não esperava que iria ocorrer, mas este Dream Theater parece que já ouvimos em outro álbum, e se tem algo que a banda faz questão de dizer é que sempre estão mudando, já que o gênero que eles pertencem e são influenciados (o Progressivo) sempre pede mudanças. Tudo apresentado aqui já foi ouvido em outras canções, com exceção do shaman e do Screamo James que são terríveis e de um gosto pra lá de ruim. A banda quase não correu risco algum. Mas como já disse, é um bom disco. Alguns deslizes cometidos que poderiam ser melhorados, mas que futuramente pode levar a um álbum ainda melhor. É o que iremos esperar deste experiente e talentoso quinteto.

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