Evanescence – Origin (2000)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Rock Alternativo, Acústico, Eletrônica, New Age
Gravadora: Bigwig Enterpresis

Em 2003, o Evanescence lançou seu álbum de estréia em estúdio, o Fallen, vendendo quase 20 milhões de discos no mundo. Guiados pelos hits “Going Under”, “My Immortal” e principalmente “Bring Me To Life”, a banda liderada por Amy Lee conseguiu em 2003 se tornar uma das mais conhecidas no planeta. Mas antes disso, 3 anos antes (em 2000 mais precisamente), a banda vendia seu primeiro álbum (que não foi feito em estúdio), Origin. O disco é considerado por Amy Lee como uma coletânea das melhores gravações caseiras da banda, e não um álbum propriamente dito.

Esse disco vendeu 2500 unidades durante seus shows ao vivo e hoje é uma raridade encontrar o álbum à venda. Na internet, é possível compra-lo, mas com valores altíssimos e sem a garantia de se tratar do produto original, e não somente uma cópia. Na época em que a banda ficou famosa e a procura pelo trabalho aumentou, a própria Amy Lee aconselhou aos fãs baixarem o disco pela internet.

O Evanescence é definitivamente marcado pela vocalista Amy Lee. Foi sua voz de nível soprano que conseguiu tantos fãs pelo mundo. Desde sempre, o restante da banda sempre serviu mais para acompanhá-la do que qualquer outra coisa. O instrumental do Evanescence não impressiona mas é satisfatório. O que acabaram se destacando principalmente foram as partes de teclado/piano e de bateria. Soa como se Lee fosse artista solo, o que definitivamente não é algo ruim.

Nesse disco, a proposta é bem diferente do que os fãs da fase de sucesso da banda estão acostumados à ouvir. As músicas tem um ritmo menos acelerado, alguns pequenos corais durante as músicas, a voz de Amy soa um pouco mais obscura aqui. Mas uma coisa indispensável de destacar são as partes eletrônicas no disco. Não, não espere nada de Satisfaction para poder sair dançando por ai. São toques que aparecem na maioria das músicas que criam uma atmosfera única. Os acordes de algumas músicas também deixam um clima um pouco acústico.

Uma coisa que é inegável é sua profundidade. Talvez Lee sempre jogar suas emoções em sua música tenham causado isso, ainda com o apoio de Ben Moody, que segue a mesma linha de direção musical da vocalista. As letras podem mexer com as pessoas mais emotivas ou que passam por algum momento difícil. Apesar de não ser músicas boas para serem escutadas por pessoas assim, são elas que fazem boa parte dos fãs. Nessa época em que o guitarrista Ben Moody ainda estava banda, há algumas influências religiosas nas músicas, nada muito significativa, mas estão lá.

A primeira faixa é a que dá título ao disco, “Origin”. Ela é apenas um introdução com alguns barulhos que criam uma boa atmosfera para a segunda música, “Whisper”. Essa versão é diferente da do Fallen em certos aspectos. O uso eletrônico dá um clima mais sombrio para a voz de Amy, como para a música também. Aqui a música é mais lenta que a versão do Fallen e bateria tem mais destaque (coisa normal em gravações caseiras). A música é boa, tem um refrão legal e tem um belo solo (coisa que não é normal de se ver no Evanescence). A terceira faixa é tocada nos shows ao vivo até hoje, “Imaginary”. Ela começa com o piano e a voz tranquila de Lee, até que a banda entra dando certo peso a música. Aqui, Lee eleva sua voz em vários momentos. Destaque para o pequeno coral durante o solo. Mais uma boa música, que acabou ficando mais dinâmica no Fallen.

Toda banda que se preze que tenha algum sucesso, tem 2 ou 3 músicas que sempre são pedidas e são a cara da banda. Posso citar alguns exemplos como “Enter Sandman”, “Master Of Puppets” e “One” do Metallica, “Welcome To The Jungle”, “November Rain” e “Sweet Child O Mine” do Guns N Roses e “The Number Of The Beast”, “2 Minutes To Midnight” e “The Trooper” do Iron Maiden. São músicas que marcam e provavelmente serão as únicas conhecidas de quem não é fã de tal banda. No caso do Evanescence, uma dessas músicas é a quarta faixa, “My Immortal”. Nessa versão, utilizam apenas do piano em toda a música. Apesar de ser considerada demasiadamente “manjada” após tanto esses anos, é inegável a beleza da faixa. Essa versão somente com o piano deixa essa balada mais bela ainda.

A quinta faixa é “Where Will You Go?”, uma das melhores do disco, que poderia ter entrado no Fallen. Aqui os tais toques eletrônicos estão disfarçadamente em toda a música. Os backing vocals de David Hodges consegue ajudar a passar ainda melhor a música. O refrão é muito pegajoso, apesar de não parecer ser proposital. A mistura bateria/guitarra/piano é muito bem executada aqui. A sexta faixa é outra que está entre as melhores do disco, “Fields Of Innocence”. Os acordes aqui são excentes e muito atrativos, assim como a voz de Lee. Talvez seja aqui que a voz da bela vocalista mais soe atrativa. Mais uma vez, os pequenos corais elevam a música. Excelente faixa.

A sétima faixa é “Even In Death”. Apesar de não ser tão boa se comparada com as anteriores, continua sendo uma boa música. De todo disco, é a segunda com mais presença de elementos eletrônicos que aparecem constatemente em toda a música. A faixa não é muito atrativa na primeira audição, mas conforme vai escutando-a, isso muda. Isso é basicamente o Evanescence nesse álbum, muito menos atrativo comercialmente, mas mantendo qualidade e pode ficar até viciante após um certo tempo.

A oitava faixa é “Anywhere”, que sem dúvidas também é uma das melhores do disco. Ela começa calma e vai crescendo cada vez mais, até chegar no refrão, que vicia. Isso vai se repetindo pela música várias vezes, é uma bela música. A bateria ajuda na climatização da música e Hodges vai muito bem nos backing vocals. A próxima é a mais “pesada” do disco, a nona faixa, “Lies”. A música começa com Amy elevando sua voz até a bateria começar, os outros intrumentos entram mas a bateria é que continua com mais destaque. A presença de Bruce Fitzhugh, vocalista mais conhecido do Living Sacrifice, é muito mais sentida aqui com o peso que trás com seus urros (e faz isso muito bem). Mais outra música muito boa.

A décima faixa é “Away From Me”. Mais uma vez, o início tem toques eletrônicos. Nessa música, Amy Lee consegue cativar ainda mais. A voz dela é simplesmente incrível e muito natural. É mais uma música cativante, e sem dúvidas o destaque aqui é a vocalista, mais que o normal. A última faixa (décima primeira) é a instrumental “Eternal”. O único motivo de “Even In Death” não ser a música com mais toques eletrônicos é ela. Na primeira parte da música, não tem nada que se destaque, pois a banda mistura bem vários elementos para criar algo audivelmente agradável. A segunda parte começa com uma chuva por algum tempo, alguns acordes, e vem uma bela parte que mistura o piano com o som da chuva. Na terceira parte, um clima mais sombrio pra fechar com chave de ouro o disco.

A qualidade desse álbum é incontestável. O grupo conseguiu colocar muita coisa eletrônica e sair com um resultado excelente. A primeira demo da banda tem uma proposta de músicas mais bonitas do que em seus sucessores de estúdio, mas de mesma qualidade. Sem duvida Amy Lee é uma das melhores vocalistas que o mundo já viu. Se você é fã de metal e não consegue ouvir mulher cantando sem ser algo como o Arch Enemy, não é esse disco que mudará algo. Mas pra quem é fã da bandas como o Nightwish e Within Temptation, ou que simplesmente quer ouvir boas músicas bonitas, podem dar uma chance ao disco. O importante é escutar sem preconceitos e desfrutar.

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Muse – The 2nd Law (2012)

Origem: Inglaterra
Gêneros: Rock Alternativo, Pós-Prog, Eletrônica, Rock Sinfônico
Gravadoras: Warner Bros., Helium 3

Não é a primeira vez que o Muse aparece por aqui. Quando eu fiz a resenha de Black Holes & Revelation (você pode conferir aqui), eu disse que a banda construiu uma atmosfera muito interessante e poderosa com a música “Take A Bow” e destruiu tudo que ela criou com as outras faixas. Será que a banda de Matthew Bellamy (vocalista principal, pianista, tecladista e guitarrista), Christopher Wolstenholme (baixista e vocalista secundário, cantando em duas canções) e Dominic Howard (baterista e percussionista) cometem este mesmo erro? Não, não cometem o mesmo erro. Eles cometem um erro ainda pior, que a Fresno cometeu no disco Revanche: tentar agradar a todos, tentando soar o mais variável possível, resultando é um tornado de confusão atmosférica e de gêneros. Este disco vai desde Rock Alternativo até música eletrônica, que vai até Jazz/Funk, que vai até Dubstep, que vai até Rock Sinfônico… Parece que a banda não sabe para onde quer ir com o tanto que eles conhecem e sabem tocar. A banda é composta por excelentes músicos, mas que não tem direção alguma para o que fazer com tanto talento.

O mais irritante deste disco (além da sonoridade que a banda não saber quem quer atingir com sua música) é que após o tema das Olimpíadas (“Survival”), a quinta faixa, ele decaí de qualidade de uma forma tão gigantesca que ele só volta a ser interessante em “The 2nd Law: Unsustainable” (a 12º faixa, em um álbum de treze!), é o motivo disso é porque você tem Dubstep feitos com instrumentos de verdade, ou como eu gosto de chamar, DUBSTEP EM ESTEROIDES!!! Eu não estou brincando. Você é capaz de fazer “headbangues” no momento Dubstep da música. Mas ela não é boa. Mesmo tendo um “build-up” gigantesco e desnecessariamente épica, a banda tenta por essa ideia do Dubstep no álbum, que no fim das contas fica solta, como tantas outras ideias que por acaso são inúteis. Aliás, apenas a cinco primeiro canções são boas, ou pelo menos valem a pena ouvi-las, sejam elas por serem simplesmente grudentas, Pop, “épicas” ou um tema de um filme no estilo 007 que nunca existiu (escute a estranha faixa de abertura “Supremacy” e perceba como faz sentido o que eu disse). Destaco “Panic Station” e futuramente deverá ser um single, por ser uma música bem dançante, pop e grudenta. Já as outras faixas, como as cantadas por Christopher (“Save Me” e “Liquid State” – que por acaso tem uma terrível produção nos vocais em ambas as faixas, além de serem melosas demais) e entre outras, tem ideias (algumas muito boas) que não levam a lugar nenhum, ou pelo menos fracas demais para desenvolver uma música inteira, sendo o maior exemplo a faixa de encerramento, “The 2nd Law: Isolated System”, onde temos cinco minutos de uma melodia bonitinha, mas que não leva a lugar nenhum e não pretende chegar a lugar nenhum. Um final esquecível, fraco e ruim. E o que falar da horrorosa “Follow Me”? É o Muse fazendo música eletrônica genérica e incrivelmente irritante!

No fim das contas, The 2nd Law pode ser considerado o pior disco do Muse. Sem sombra de dúvidas o pior de uma discografia de seis discos. Alguns acham que The Resistance foi uma desgraça gigantesca quando foi lançado em 2009. Mas eles não esperavam The 2nd Law. Com junções de ideias e músicas que juntas não tem nada em comum a não ser os autores das músicas, Muse fracassa em níveis espaciais com um disco decepcionante. E ele poderia ser muito melhor, se decidisse seu público alvo e qual a sonoridade iriam escolher (ou muito pior caso escolhessem música eletrônica – exemplo disso é “Follow Me”), mas eles querem agradar a todos, e apesar de começarem bem, eles falham com músicas dispensáveis, esquecíveis e entediantes. Muse, uma banda conhecida por fazer músicas memoráveis e bombásticas lança um disco com várias músicas fazendo exatamente o oposto. É o clássico exemplo: bons músicos nem sempre fazem boas músicas.

Gorillaz – Plastic Beach (2010)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Pop, Hip-Hop, Eletrônica
Gravadora: Parlophone, Virgin

Muito bem, todos conhecem o Gorillaz, a banda virtual britânica criada por Damon Albarn, que também faz parte do Blur. Em 2010, muitos dos fãs da banda entraram em alegria, assim como eu que gosto da banda desde pequeno, após cinco anos parados, a banda lançou um novo álbum: o Plastic Beach. De início, todos ficaram felizes, não sei quantos tiveram o mesmo pensamento ao ouvir o disco, mas eu notei uma grande mudança na banda.

O disco é mais Pop do que os antigos, que abordavam gêneros como Rock Alternativo, Hip-Hop Alternativo e até mesmo Trip Hop. Plastic Beach conta com a participação de vários rappers, cantores de R&B e até Soul, assim como nos outros álbuns, mas também temos alguns arranjos orquestrais nesse CD, algo novo.

As músicas são bem diferentes (duh), eu particularmente não me sentia ouvindo um álbum do Gorillaz, até mesmo por causa da faixa “Welcome to the World of the Plastic Beach” onde apenas o rapper Snoop Dogg canta, não ouvimos a voz de nenhum membro da banda e nem mesmo do famoso vocal 2D. Não estou dizendo que Plastic Beach é um álbum ruim, mas na minha opinião eu não me sinto ouvindo um álbum do Gorillaz, e sim um álbum de vários artistas com a participação da banda.

Nem todas me fizeram deixar o álbum de lado, músicas com “Stylo” e “On Melancholy Hill” são boas, que ficam na sua cabeça e são bem o estilo original da banda. Por fim, eu só posso dizer que eu achei o Plastic Beach um álbum razoável, mas nada comparado aos álbuns “Gorillaz” e “Demon Days”, esse que é o meu favorito.

Chris Brown – Fortune (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: R&B, Pop, Eletrônica
Gravadora: RCA

Chris Brown: para alguns um cantor que sempre quis ser o Usher, para outros um talentoso ídolo, para outros um animal que bate em mulher e para mim um palavrão tão feio quanto comparar sua mãe com uma bela égua. Meus problemas com Brown vão além da surra que ele deu em Rihanna. Sua música é terrível, ele como cantor é um bom dançarino, suas letras são ridículas de tão ruim e sua atitude e personalidade são fracas e estúpidas. Sem falar que Chris Brown é o Justin Bieber da geração passada: uma criança agindo como um “loverboy” adulto, mas não tem idade, estilo, atitude e, principalmente, carisma para falar sobre temas românticos da maneira como ele falava, quando na verdade não tinha nem idade para isso. Seria como pedir para a Sandy e o Júnior falassem sobre amor na época em que eles cantavam “O Universo Precisa de Vocês (Power Rangers)”. E olha quando eu falo na falta de atitude de Brown e Bieber, falo que era tão baixa (e continua para Bieber) que Willow Smith tem mais atitude em seus 9 anos com “Whip My Hair” (uma péssima música) do que Bieber tem e Brown tinha. Tinha, pois a atual atitude de Brown chega a ser desrespeitosa para mim, tanto pessoalmente quanto artisticamente. Mas acho que está na hora de conferir o disco: O disco é bom ou ruim? Sim, por mais que eu sinta apatia pela pessoa, eu posso gostar do artista, certo?

Antes de mais nada: Fortune tem auto-tune. Não é nada tão prejudicial como em alguns discos que eu ouvi recentemente (Some Nights do fun. é um grande exemplo), mas é desnecessário e faz com que Brown tenha ainda menos personalidade, deixando muito mais aquém do esperado. Não acrescenta nada como acrescenta para T-Pain e Ke$ha, apenas remove o pouco do que temos. É notável que o álbum tem elementos de música eletrônica, mas o auto-tune deve ser muito bem usado, ou podemos ter um certo desastre sonoro. Chris Brown teve uma boa produção nesse quesito, mas não ao ponto desse plugin (sim, auto-tune é um plugin, não um software) ajudar em alguma coisa. As vezes até prejudica a audição do álbum como em “Biggest Fan” e em “Don’t Wake Me Up”: é irritante e cansativo ouvir gritinhos de Brown com esse efeito terrível. Mas eu particularmente não tenho problemas com auto-tune, desde que você use e deixe as coisas melhores, não um efeito desnecessário.

Começamos com uma típica música de balada. E não, não é uma balada estilo “Is This Love” do Whitesnake, e sim uma balada de festa. “Turn Up The Music” é o tipo de música que você já está cansado de ouvir antes mesmo de ouvir. Flo Rida, Pitbull, LMFAO, Black Eyed Peas, Lady Gaga, Ke$ha e Enrique Iglesias (até ele!) já fizeram e/ou ainda fazem esse tipo de música. A indústria da música já está cansada das mesmas ideias de “sair para festa e curtir o máximo dela”. Seus timbres me desagradam bastante e as batidas são um pouco irritantes. Mas o que pode se dizer de positivo para “Turn Up The Music”? Certamente é bem produzida e é o tipo de música que você quer ouvir em uma festa pop, eletrônica e até “neutra”. E quando me refiro a “neutra” me refiro a algo “eclético”, em aspas mesmo. Você quer ouvir um tipo de música que você possa curtir com seus amigos sem se importar com que está fazendo, deixando a música alta tocar, mas sem exageros. “Turn Up The Music” é exatamente isso. Não é extrema como “Tik Tok” da Ke$ha, nem entediante como “Tonight, Tonight” da banda Hot Chelle Rae. Inicia o álbum de maneira saudável, se assim posso dizer.

A próxima música é “Bassline” e eu te garanto desde já: é uma das piores músicas que eu ouvi e ouvirei esse ano. A batida eletrônica quase dubstep é terrível, sem falar que o refrão tem essa metáfora horrível: “Girls like my (bassline)”, sendo a parte em parênteses com uma voz robótica. Se você soubesse o suficiente de Inglês, saberia que quando é mencionado o termo “Bassline”, Brown se refere aquela metáfora americana para sexo: First Base (primeira base), Second Base (segunda base) e assim vai… E se entendeu o que ele quis dizer com “Bassline”, então percebeu que “as garotas gostam da base de Chris Brown”, ou seja, gostam de transar com ele. Se eu lesse isso provavelmente acharia engraçado e até inteligente, mas a maneira que Brown se impõe com a frase, com uma arrogância e ego gigante, chega a me dar raiva e nojo. E o pior de tudo é que isso é bom para ele. Difícil de explicar o porque, mas esse era o objetivo dele em “Bassline”, pelo menos é que o homem quis passar em minha opinião, e ele conseguiu. Palmas para ele. Receberia um assobio se a música fosse boa, mas não é, então vamos seguir para a próxima faixa.

A próxima música inicia eletronicamente terrível, se é que isso existe. “Till I Die” tem participação especial de Big Sean e de Wiz Khalifa onde temos uma terrível escolha de timbres seguida por versos terríveis dos rappers convidados, principalmente de Wiz Khalifa, um rapper genérico que só fala coisas genéricas dos atuais rappers, como quantas mulheres consegue ou quão foda é. A única grande diferença entre Wiz Khalifa e o restante é que o rapper citado faz questão em mencionar em qualquer música que esteja fazendo, seja sua ou em participação especial, que “seus carros funcionam apertando um botão”, vide a música de sua autoria “Black and Yellow”, uma música que supostamente fala sobre Pittsburgh e o time de futebol americano Pittsburgh Steelers, e “Payphone” do Maroon 5, onde ele deveria falar sobre um fim de relacionamento. Mas como o próprio Wiz fala no primeiro verso de “Payphone”, “Fuck that shit”, pois o que importa são seus carros que ligam com um botão, nos quais são mais fáceis de serem roubados. Em resumo, outra música ruim desse disco.

“Mirage” começa como música de “gangstar rapper”, daqueles que querem intimidar qualquer um que passar por seu caminho. Brown não tem carisma nem voz para fazer isso, e o auto-tune piora ainda mais, deixando essa faixa ainda mais fraca. Tem a participação de Nas, que sinceramente não acho importante e até desnecessária. Depois de “Mirage” temos “Don’t Judge Me”, uma balada onde Chris Brown pede para não ser julgado. Na música anterior você passou uma atmosfera de que é o cara perigoso e malvado, agora nessa você pede para não te julgarem, ainda mais depois de você quase arrebentar a Rihanna. Eu prefiro te julgar, assim como eu julgo Enrique Iglesias após a música “Tonight (I’m Fuckin’ You)”. Questão de segurança mesmo. A música em si é chatinha e entediante, mas não tanto quanto a próxima, “2012”, onde você já deve imaginar o que deve acontecer envolvendo uma faixa com esse título, só que com teor erótico. Sim, o mundo está acabando e Brown quer fazer sexo com a garota, e da maneira mais romântica possível. E outra balada é “Biggest Fan”, onde não acrescenta nada ao álbum. Não é tão ruim como “2012”, mas é igualmente chata como “Don’t Judge Me”. E são três baladas seguidas! Decaiu totalmente a atmosfera eletrônica de diversão que iniciou o álbum que se transformou em uma tentativa falha de ser gangstar e agora virou essa “coisa melosa”.

Em “Sweet Love” temos a junção das duas atmosferas anteriores: a de gangstar e a melosa. Mas a de gangstar é só na introdução. Em outras palavras, nós temos quatro baladas seguidas. Eu sei que Brown é um cantor de R&B, um gênero onde temos muitas músicas assim. O problema é que não está estruturado da maneira correta. Eu não teria um grande problema se “Turn Up The Music” fosse seguida por essas quatro baladas, mas a atmosfera criada pelas faixas posteriores a faixa inicial é totalmente fora do lugar. É como se dois artistas tivessem dividindo um único lançamento. E em “Strip” tenho ainda mais essa certeza. Uma música mais animada, porém ainda tem aquele jeitinho meloso do R&B. Tem a participação especial de Kevin McCall, que pelo menos entende a temática da música, da maneira mais grosseira possível. E qual o problema de Chris Brown querer ficar pelado com a garota? É o segundo refrão onde o rapaz pede para ficar pelado com a moça. Que vício em sexo é esse, meu rapaz? Está precisando de um tratamento, e dos bons.

Ainda temos outras canções estúpidas, fracas, ruins, ou como queira dizer, com destaque para “Party Hard / Cadillac [Interlude]”, onde temos uma música e uma introdução para outra música, e a transição fica percebível, não fazendo sentido algum. Isso seria “bom” se ela fosse a última faixa e esse interlúdio fosse o fim do álbum, uma faixa escondida, mas mesmo assim, as batidas das partes são genéricas e fracas. E para encerrar temos a esquisita “Trumpet Lights”, uma música totalmente eletrônica, onde o auto-tune em Brown é extremamente irritante, a batida é como se houvesse uma nova mixagem para os efeitos sonoros do famoso jogo Pac-Man, até chegarmos ao pré-refrão cantado por Sabrina Antoinette seguido por um refrão “bem bacana”, com Brown e sua “batida” martelando sua cabeça repetidas vezes. Se ao fim desse álbum você não teve uma dor de cabeça, você é um grande guerreiro e deveria sempre estar peleando em guerras.

Fortune é um álbum horrível, com grandes chances de receber o prêmio de pior disco do ano. E se não fosse a produção feita para esse álbum, poderia ser um dos piores da década ou do século. É o álbum para você, fã de Chris Brown, que quer pelado(a) com ele e fazer sexo, mas muito sexo, com uma terrível música de fundo, sendo bizarra ou esquecível. Nem todas as canções são bizarras, mas todas são esquecíveis. O mais próximo de ser memorável é o refrão de “Bassline”, e não porque é grudento, mas porque me irritou, e muito. Fortune não é um álbum recomendado para qualquer um, aliás, para ninguém. Todos devem ficar longe dele. E não digo isso porque eu odeio a música Pop atual ou simplesmente odeio Chris Brown como pessoa. Eu digo isso porque eu odeio o álbum Fortune. Se você quiser ouvir, ouça para comprovar o quão ruim é o quinto disco desse cantor de R&B que sempre quis ser o novo Usher, mas nunca teve o talento ou o carisma para isso. E por falar nisso, se você quiser ouvir R&B ouça Usher ou qualquer outro cantor dentro do gênero, menos Chris Brown. É para seu próprio bem.

Cine – Boombox Arcade (2011)

Origem: Brasil
Gênero: Electropop
Gravadoras: Mercury, Universal Music

Podemos fazer a análise deste disco em poucas palavras. A “banda” Cine, formado por Diego Silveira nos vocais, que é quase nulo de tanto autotune em  todas as faixas do disco, Bruno Prado, Danilo Valbuesa, David Casali e Pedro Caropreso, completando a orquestra sinfônica dos clichês. Todas as penosas 14 faixas do álbum seguem o mesmo estilo, uma batida bem alto na fundo, alguns fades e efeitos sonoros, o quê faz parecer que não existe uma banda, e sim um simples computador e um DJ que fazem tudo. Além disso, eles seguem o estereótipo americano de por partes ou frases em inglês, em passagens rápidas ou até mesmo no título da música. Desculpem-me fãs de música eletrônica ou coisa do gênero, mas não consigo ver este estilo como música. Boombox Arcade é um CD não de uma banda, mas sim de um produto, feito por empresários ricos para atingir a fase da vida chamada “Pai, Mãe, me dá isso, me dá aquilo.” A prova disso, que é algo que está ultrapassando todos os limites da sã consciência, chega a comentários como esse, no vídeo da banda no Youtube:

Mae compra o CD BOMBOX ARCADE pra mim. Pleease é só 39,90 no extra….se ela nao compra vou cortar meus pulsos porq sem CINE nao da pra viver….

Este produto é algo extremamente inteligente por parte dos empresários, e uma vergonha musical para o Brasil, que já foi terra de grandes cantores e artistas.

Nota: 

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Attack Attack! – This Means War (2012)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metalcore, Screamo, Eletrônica
Gravadora: Rise

Como você acha que funciona uma mistura entre Metalcore, Screamo e a Música Eletrônica se sai? Se você pensar em algo positivo dessa mistura, você vai ser jogado no chão com a mesma velocidade de um meteoro caindo no planeta Terra na época dos dinossauros. Attack Attack! tenta ser diferente e criativa, mas esta junção de gêneros faz com que as canções sejam de gosto duvidoso, mas muito duvidoso mesmo (e não tem criatividade alguma em um som desses, acredite em mim). A banda, que então é composta por Caleb Shomo (vocais, programação, teclado, sintetizadores e guitarra adicional), Andrew Whiting (guitarra), John Holgado (baixo) e Andrew Wetzel (bateria e percussão), apesar de melhorarem sua música se compararmos com esta atrocidade, ainda é decepcionante. As vezes os momentos pesados são bons, apesar de comuns e repetitivos, outros são ridículos graças a voz do vocalista, que decide fazer seus gritos mais agudos (com exceção de alguns momentos), pois assim ele poderia transferir com facilidade seus vocais limpos e “sujos” e assim não iria precisar de outro vocalista nas turnês, e que no fim, soa horrível! Horrível mesmo!

Do lado positivo, temos refrões bacanas cantados por Caleb, limpos e com um toque eletrônico, um baixo marcante aliado a uma cozinha consistente, riffs pesados e a falta de baladas no disco deixa interessante. Por outro lado, tudo soa péssimo. Com uma agressividade plastificada e uma profundidade lírica (e musical) equivalente a de um pires, This Means War é um disco estranho e como já disse, ruim. Entretanto tem ótimos momentos em suas dez faixas, em especial os com o uso da Música Eletrônica. O grande problema é que a falta de conciliação do som. Se a banda decidisse entre a Eletrônica e o Metalcore, as coisas seriam muito melhores. Graças a esta desgraça, várias músicas interessantes ficaram uma bela porcaria. As 10 faixas (todas começando com “The”, por incrível que pareça) são estragadas pelo uso pobre dos gritos e berros de Caleb, que canta bem nos refrões. Mas se quiserem misturar o Metal, sem problemas, alguns momentos ficaram bacanas, outros, ridículos, justamente por causa dos gritos e do Metal bruto que não encaixa no som. E para não dizerem que eu não comentei as canções de maneira apropriada, basta ouvir as introduções de “The Motivation” (que no vídeo abaixo terá sua introdução incompleta) e “The Wretched” para vir na sua cabeça Evanescence e outras bandas com um som mais chegado ao Pop, e é feito de uma maneira tão porca que parece plágio, mesmo realmente não sendo. E essas são as mais diferenciadas, que no seu decorrer evolui no som chato e repetitivo da banda. O restante começa e termina do mesmo jeito.

Então, você irá arriscar 36 minutos preciosos de seu tempo nesse lixo de música? Eu espero que não. O disco possui mais coerência que nos seus antepassados, e melhorou. Mas ainda é muito ruim. Se a banda foca-se em apenas uma influência direta, as coisas seriam muito melhores (ou piores). O que posso dizer é que temos 10 músicas (que como já disse possui em seus títulos “The” no início, demonstrando uma criatividade enorme) que poderiam ser muito melhores, mas devido a incoerência musical, temos outra porcaria no mercado industrial. Se você gosta disso e tem orgulho de ouvir essa banda, recomendo horas de tratamento mental ou um pulo no precipício mais próximo da sua região. E eu estou falando da maneira mais séria possível. Agora, se você tem noção do que presta, sabe que This Means War é presente de grego filho da puta.

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Believe – Sonhar, Lutar e Conquistar (2011)

Origem: Brasil
Gêneros: Power Pop, Eletrônica, Pop Rock
Gravadora: Independente

Nós já sabemos da explosão do Power Pop aqui no Brasil, graças a bandas como Restart e Cine, algo relativamente parecido com que ocorreu nos Estados Unidos com as bandas de Screamo e Metalcore. E na história da música sempre teve bandas que aproveitavam o sucesso de um gênero para engrenar e quem sabe fazer parte desse sucesso, mas sem sucesso algum. A banda Believe é um desses grupos sem personalidade. Em seu EP, vemos uma mistura de Cine, música eletrônica, Restart e outras bandas, igualmente a Believe, sem originalidade que buscam reconhecimento comercial e algumas outras influências inesperadas e muito pouco aparentes. Graças essas bandas que um gênero se desgasta e vira “podre”.

Não iremos falar das letras, pois, honestamente, são todas no mesmo estilo. Todas tem uma mensagem positiva relativamente parecida com rimas pobres e comuns (praticamente um pleonasmo que eu cometi aqui). Nada especial que você diga “Nossa! Que letra incrível! Coisa de gênio!”, mas ainda é melhor que “Ela já faz faculdade, e eu aqui aprendendo a dirigir”. Esse EP, com uma capa simples que eu acabei gostando, começa com “Abra a Janela”, o primeiro single do EP. Uma boa introdução, nada muito original, é estragada por inserção de música eletrônica. O vocalista, que visualmente parece o Elliot do Glória e que canta como DH do Cine, faz a banda Believe parecer a banda Cine. No começo quando ele canta até que não parece, mas depois fica muito jogado na sua cara. Faixa grudenta e a melhor do EP. “Let’s Go” é a próxima, e aqui as coisas ficam ainda mais eletrônica. Uma faixa que estaria no Boombox Arcade, também do Cine. Não quero mais repetir esse termo, mas todas as canções são grudentas, então se você gosta do gênero, isso vai sua praia.

Em “Até a Noite Acabar”, o “negócio fica tenso”. Um garoto que faz uma voz relativamente parecida com a do Pe Lanza, do Restart participa das linhas vocais da música! Então deixa eu ver se eu entendi direito. Os caras não estavam satisfeitos com um cara parecido com Elliot do Glória e que canta igual ao DH do Cine, agora colocam um Pe Lanza para cantar? E o pior, esse “cover” do baixista e vocalista da Restart participa cada vez mais nas faixas, como em “Eu Já Não Sei”, “5AM” e na faixa bônus “Só Quero Você”, e para piorar a porra toda, o álbum está disponível para download aqui, ELES INCLUEM A PORRA DA FAIXA BÔNUS PARA DOWNLOAD NA PORRA DO EP! Caralho! Ao invés de colocarem a faixa bônus para quem fosse comprar o EP e deixassem sem para quem fosse baixar, aí quem fosse comprar ganhava uma canção a mais e seria mais justo, mas a banda não pensa com lógica, pensa com a bunda ou com a merda da cabeça de baixo ao invés da maldita cabeça de cima na qual o seu cérebro era pra funcionar corretamente e ter alguma noção de crítica! Perdão pelas palavras sujas ditas aqui, mas sinceramente, tem que ser muito burro e sem personalidade para lançar isso.

Então veremos de maneira rápida os pontos negativos do EP (e algumas coisas a mais não citadas a cima): Letras frouxas, bobas, comuns e com mensagens relativamente parecidas geradas em tornos de relacionamentos, além claro das rimas pobres e comuns. Instrumental confuso e mistura muitas influências que no fim não levam a lugar nenhum (“Abra a Janela” é o maior exemplo, junto com a parte funkeada da faixa bônus, e não me refiro ao Funk Carioca) e linhas vocais banais, irritantes e semelhantes aos vocalistas DH e Pe Lanza, que tudo junto forma uma banda, que eu já disse muitas vezes, sem personalidade. O que há de bom aí? Alguns momentos bacanas, como a introdução de “Abra a Janela”, a parte com influência Funk em “Só Quero Você”, e o final de “5AM”. Apesar de muita porcaria, principalmente o péssimo uso da Eletrônica (aprendam com Foster The People e MGMT), tem seus bons momentos, mas que no fim, gera uma banda que é “Unbelieve”. Recomendado apenas se você for colorido ou tiver 12 anos, se bem que provavelmente você tem que ser os dois para gostar disso.