Adema – Topple the Giants (2013)

Adema - Topple the Giants
Origem:
Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo, Nu Metal
Gravadora: Pavement Entertainment

Desde “Kill the Headlights”, o Adema estava inativo pela ausência de um vocalista. Seis anos depois, a banda surge com “Topple the Giants”, que marca a estréia do guitarrista Tim Fluckey nos vocais da banda. Eu fiquei bastante entusiasmado, já que eu sempre considerei a banda muito boa, apesar de preferir os vocais de Mark Chavez aos de Luke Carraccioli (este que esteve presente no álbum “Planets”, que diga-se de passagem, é muito bom) e de Bobby Reeves. Vamos ao principal, o conteúdo.

O EP é formado por sete faixas, sendo três inéditas e quatro regravações de sucessos anteriores da banda. Na primeira faixa já percebemos o que me deixou muito chateado, não, Fluckey não é um mau cantor, porém, ele não tem aquele “feeling” quando canta, tal como tinham Mark Chavez e Luke Carraccioli (apesar de preferir o vocal de Chavez, devo admitir que Carraccioli tem um feeling absurdo ao cantar). Parece que Fluckey não se entusiasma ao cantar, mesmo com um instrumental ótimo, o vocal peca bastante.

Como se já não fosse ruim o bastante não transmitir entusiasmo ao cantar as músicas inéditas, Fluckey conseguiu deixar sem graça algumas grandes músicas da banda, tais como “Planets” e “Immortal”. Não estou dizendo que o guitarrista não é um bom cantor, não. Fluckey se esforçou e está apto para cantar, só não tem o entusiasmo que os ex-vocalistas tinham. Enfim, posso dizer que, por enquanto, será melhor que o vocal seja aperfeiçoado antes de lançar outro trabalho com o Adema. Infelizmente não era o retorno que eu esperava, mas, paciência.

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Rev Theory – Take ‘Em Out (2012)

revtheoryepOrigem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo
Gravadora: Killer Tracks Artist Series

A conhecida banda dos fãs da federação de wrestling/entretenimento WWE, Rev Theory, volta à atividade, depois do criticado terceiro disco, Justice (segundo como Rev Theory, já que no debut a banda se chamava Revelation Theory). Sem muitos alardes, a banda lança esse pequeno EP de 4 faixas e 10 minutos para os fãs matarem a saudade. E essa é a única razão que consigo achar plausível, são canções muto fracas, tanto que parece ou que a banda estava brincando de jam ou que são “demo de demo”, nem demo completa tem cara. Não tem muito o que falar do EP, pois as faixas são semelhantes. A primeira música, assim como todas as outras, possui uma base simples, tempo curto, e maior destaque nas partes vocais, aonde os refrões repetem mil e uma vezes, só que a primeira me chamou a atenção por causa do último ponto citado, o refrão, aonde chupam lindamente o Linkin Park na sua era nu-metal, até fui conferir se não era alguma homenagem ou cover. Talvez esse seja o caminho que a banda queira se aprofundar mais, o nu-metal, se dedicando ainda mais neste gênero do que no hard rock. Vamos esperar para ver, se continuarem no mesmo “pique” desse EP, tem tudo para a até então medíocre banda se tornar horrível.

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Drowning Pool – Sinner (2001)

Origem: Estados Unidos
Gravadora: Wind-Up
Gêneros: Nu Metal, Metal Alternativo

Drowning Pool foi uma banda muito popular no início da década passada graças a música “Bodies”, o maior hit que a banda já emplacou em sua carreira. A banda composta na época pelo falecido vocalista Dave Williams e pelos outros integrantes, Mike Luce (baterista), C. J. Pierce (guitarrista) e Stevie Benton (baixista). A banda estourou no auge do Nu Metal e, honestamente, e o clássico exemplo de “One Hit Wonderland”. A banda aparece do nada, faz um hit gigantesco e some do nada no abismo do esquecimento. Quando lembram da banda é por causa do hit “Bodies”, ou porque são “fãs da banda”. Em aspas mesmo, pois a maioria só gosta da “era Sinner”, ou “era Dave Williams”, como preferir, onde o vocalista ainda estava vivo. Mas não estou para julgar esta questão, e sim dar minha opinião sobre o disco Sinner.

Antes de começar, preciso reclamar com a produção/mixagem/masterização do disco. O disco soa sujo, mas ao invés de uma sonoridade orgânica como as das bandas que deixarei em parênteses (Nirvana, Foo Fighters, Baroness e outras caralhadas de bandas), soa robótico e genérico. Essa sonoridade robótica e genérica (que por acaso me lembra do Iconoclast do Symphony X) não cria uma atmosfera intimista, ou pesada, ou maligna, ou qualquer outro adjetivo. Faz parece enojado e velho, com uma distorção que parece reaparecer constantemente, o que seria bom em um disco conceitual, o que não é o caso de Sinner. Apesar das partes vocais ficarem bem feitas, o instrumental acaba ficando embolado e as vezes até baixo demais. O baixo parece estar ali por obrigação, tendo poucos momentos interessantes, diferente da bateria, que nem um singelo momento de destaque tem. A guitarra apresenta alguns riffs bacanas, mas são tão robóticos e genéricos que parecem terem saído do Breaking Benjamin e do Disturbed. Em outras palavras, é o que os estrangeiros chamam de “Radio Metal”, ou seja, Metal acessível e fácil de assimilar.

As músicas são todas pauladas. Não temos baladinhas ou outros momentos espontâneos/únicos. Isso é um movimento arriscado para um disco, podendo até deixa-lo entediante e repetitivo, mas caso a banda tenha criatividade e arrisque em algumas ideias diferentes, talvez valha à pena. Mas Drowning Pool decide pelo mais fácil. Temos músicas que conseguem apresentar a mesma energia que apresentam em outras canções do disco, mudando pouca coisa. Nada interessante, a não ser que você seja fã do gênero. E o grande hit, “Bodies”, tem quase 3 minutos e meio de duração e sinto que poderia ser resumido em 2 minutos e meio de tão repetitiva que é. Mas é inegável, é uma música com energia e tem seu lado grudento, algo que esse disco possui graças ao vocalista, Dave Williams (falarei dele mais abaixo). Temos momentos bacanas, outros cansativos, poucos solos de guitarra ou de qualquer outro instrumento que possam quebrar a monotonia… Em resumo, posso falar que a melhor canção do álbum é “I Am”, que além de possuir um solo de guitarra legal, tem uma seção incrível em sua metade. Por outro lado, “Mute” é a pior canção: esquecível, chata e entediante, chega até dar sono.

O instrumental é uma parte mediana/fraca do disco, e a mais forte fica por parte dos vocais de Dave Williams. Não vou negar, sua voz tem algo diferente dentre muitos e suas linhas vocais são realmente as melhores parte do álbum. Mas isso faz dele um grande vocalista? Não, apenas decente. Ele tem um timbre interessante e seus gritos são bons, mas existem vocalistas melhores naquela própria época, que não só tinham mais versatilidade que Dave, mas que tinham um alcance muito maior. E algumas de suas interpretações são totalmente estranhas, como em “Sermon”, quando tenta ser um Michael Buffer da vida. E em “Tear Away”, quando o homem solta “Goddam, I love me!” soa fraco. Não combina com a sonoridade da música. Não soa provocativo, nem credível. Soa como se fosse um palavrão gratuito de uma música do Glória: sem motivo nenhum, mas ali está. É uma pena, pois se fosse usada em uma música que combinasse com a frase, ficaria até engraçado. Em resumo, Dave Williams pode ser até um bom vocalista, mas é “overrated”.

Drowning Pool pode ter feito um grande sucesso enquanto Williams viveu, mas percebe-se o quão datado Sinner é, por mais recente que seja. É um disco com poucos momentos memoráveis, repleto de canções que não tem grande potencial na parte instrumental (com exceção de alguns momentos), sendo salvo pelo vocalista. Se você quiser conferir, Sinner tem para te oferecer de bom os vocais e alguns momentos instrumentais, com algumas canções que talvez você lembre com mais facilidade. O ruim que Sinner tem a te oferecer (além do que eu escrevi em cima) é que cometeu o maior crime que algo relacionado ao Metal não deve: é muito abaixo no nível “headbanger”, tendo poucos momentos onde você sinta intensidade e te dê uma reação que uma banda de Metal deve te dar, seja positiva ou até negativa. É um álbum medíocre/fraco que deve ficar em seu tempo.

Fozzy – All That Remains (2005)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Heavy Metal, Metal Alternativo
Gravadora: Ash

O Fozzy é uma banda muito talentosa e demonstrou isso com esse CD. A “cozinha” aqui é boa, o baixista Sean Delson não se destaca mas cumpre bem seu papel. Já o baterista Frank Fontsere se mostrou excelente. Os guitarristas são ótimos, principalmente Rich Ward, que fez excelentes melodias para o CD. Mas o destaque aqui sem dúvidas é Chris Jericho. O cara luta, dança, canta, é um verdadeiro entretenimento! E cantando é muito bem, tem uma ótima interpretação de cada música e uma voz única, além de escrever boas letras (ele escreveu a letra de todas as músicas do CD).

O CD começa com uma baita de um porrada: “Nameless Faceless”, a segunda mais pesada do disco. A música começa com algumas leves batidas e alguns acordes, até explodir a bateria de Frank Fontsere e junto com uma bela levada de Rich Ward e Mike Martin nas guitarras. Sem dúvida um início dificil fazer qualquer fã de Heavy Metal não “banguear”. Após alguns poucos segundos, entra Chris Jericho nos vocais e a música deixa de ser tão pesada, mas não se engane, ela continua pesada, e volta a ficar tão pesada quanto o início em vários momentos, principalmente nos solos insanos onde a dupla de guitarristas simplesmente detona. Nessa música temos a participação especial do excelente Myles Kennedy (vocalista do Alter Bridge), pena que aqui ele apenas segue Jericho em alguns momentos, tendo sua voz escondida quase que totalmente. Parece apenas que é apenas a segunda voz gravada por Chris mesmo, tanto que se não prestar muita atenção, nem vão reparar na presença de Kennedy. Dentre os destaques, a força que Jericho traz em sua voz em alguns momentos da música, os riffs insanos e principalmente o baterista Frank que eleva o nível da música. Outra coisa importante a se destacar é a letra, que fala sobre a podridão humana, de maneira excelente. Excelente abertura para o CD.

Em seguida, temos a música que mais chega perto do comercial, “Enemy”. Sabe aquele seu amigo do qual você gostava e confiava muito, e ele simplesmente muda? A música é sobre isso, perfeita para cantar pra qualquer caso de amizade decepcionante. A música é ótima, todos os instrumentos na medida certa. Aqui Jericho simplesmente detona, empolga e mostra sua ótima capacidade vocal. O clipe (o único que achei até hoje do Fozzy) é divertido e interessante, vale a pena ser conferido. A próxima é a minha favorita do CD, “Wanderlust”. Começa com um grito que lembra distantemente um gutural (bem distantemente…). Depois disso temos um excelente clima monótomo até Jericho voltar, e fazer um refrão excelente (I just can’t get away from yesterday/But I keep on living the wanderer’s way/And over and over I start anew/But I can’t escape the thoughts of you), além de ser totalmente pegajoso. Frank está novamente excelente aqui. O excelente guitarrista Zakk Wylde (Black Label Society, ex-Ozzy Osbourne) faz uma participação nessa música, fazendo um ótimo solo. A letra fala sobre a vida na estrada, que acabada deixando alguém importante para traz. Claramente é um citação a vida na estrada de Chris Jericho com a WWE.

A quarta música é a que dá título ao álbum, “All That Remains”. Depois de uma música bem na levada Heavy Metal, e duas que levam para um lado mais comercial, “All That Remains” dá uma baita de uma quebrada no ritmo do disco. Provavelmente propositalmente, a voz de Jericho aqui soa abafada e escondida. A melodia dessa música é longa e lenta, passando certa tranquilidade, tirando o refrão e o solo. E o solo com certeza é o destaque nessa música tão “morna”. Se “Wanderlust” fala de alguém que ficou para trás, “All That Remains” é sobre tudo o que ficou pra trás com a vida na estrada, e as suas consequências. O som aqui é a mais adequada para essa letra. A próxima é “The Test”. A letra fala sobre um momento de mudanças e sobre decisões importantes. No início estranhamente Jericho canta como se estivesse em alguma tentiva de fazer algumas rimas como algo parecido com um rapper. Aqui o peso do CD volta. Aqui os guitarristas mostram bom serviço, não com belos solos, e sim como uma excelente levada em toda a música, principalmente enquanto enquanto “This is only in a test” aparece. É muito dificil não se sentir um pouco robotizado e querer ficar cantando junto com essa parte.

A próxima é “It´s A Lie”. Se na música anterior, haviam alguns toques de rap em partes do vocal de Jericho, aqui temos realmente um rapper (BONE CRUSHER) fazendo participação especial. O resultado pode até agradar alguns, mas o resultado não saiu dos melhores. Tinhamos no início um CD de Heavy Metal e no meio uma música que parece o Limp Bizkit mais pesado. Música dispensável. A próxima é “Daze Of The Weak”. A música faz retorno do peso no CD, mas não anima muito. O refrão e as guitarras aqui até que são atrativas, mas a música é muito irregular, muito atrativa em alguns momentos, fraca em outros. Mas Frank aqui faz a música soar bem melhor. “The Way I Am” é a próxima e conta com a participação do também excelente Mark Tremonti (guitarrista do Alter Bridge, ex-Creed). Aqui temos uma música bem mais monótoma que a anterior, mas superior. Aqui Rich, Martin e Frank nos mostram que também podem fazer ótimas músicas, sendo elas mais calmas. O grande ponto da música é o solo insano de Mark Tremonti (o melhor do CD).

A próxima é “Lazarus”. A letra é provavelmente a mais triste do CD, fala sobre sofrimentos e Jericho faz uma incrível interpretação da letra. Mais um ponto positivo para ele. Seus primeiros acordes lembrar com um pouco dos tradicionais de Synyster Gates (Avenged Sevenfold), e eles se repetem em alguns momentos da música. Excelente música, novamente os intrumentais estão ótimos e nós trazem a música mais profunda do CD (talvez a melhor). A última é “Born Of Anger”, mais uma quebrada totalmente de ritmo no disco. Ela é muito pesada, com bateria insana enquanto Jericho simplesmente cospe toda a letra, até um momento que temos quase um gutural por Marty Friedman. Depois temos alguns acordes interessantes de guitarra de ótimo nível, com Jericho voltando a cantar normalmente, um solo excelente, até temos o peso de antes de volta. A música vai se acalmando aos poucos depois disso até acabar. Boa música, mas a parte mais pesada não convenceu muito.

O CD tem ótimas músicas, que realmente mostram que a banda é muito boa. Mas alguns deslizes deixam o nível do CD menor. As primeiras 4 músicas dão um ótimo nível, mas depois delas algumas coisas atrapalham. It´s A Lie poderia ter sido retirada do CD, mesmo sendo o tipo de música que os fãs de Linkin Park e Limp Bizkit possam gostar. Além disso, alguns momentos de “The Test”, “The Daze Of The Weak” e “Born Of Anger” poderiam ter sido melhorados. Outra coisa é o como algumas músicas quebraram totalmente o ritmo do CD. Mas tirando isso, temos um ótimo CD aqui, recomendado!

Lacuna Coil – Dark Adrenaline (2012)

Origem: Itália
Gêneros: Metal Alternativo, Rock Alternativo
Gravadora: Century Media

Dentre as bandas de metal na Itália, o Lacuna Coil talvez seja a banda que mais se destaca. A banda começou pelo lado de Gothic Metal, mas ao longo dos tempos se tornou uma banda de Metal Alternativo, até agora, misturando Metal Alternativo com Rock Alternativo, sendo mais acessível que nunca, algo que decepcionou vários fãs mas trouxe muitos outros. A banda é formada por Cristina Scabbia (vocal), Andrea Ferrero (vocal), Marco Biazzi (guitarra), Cristiano Migliore (guitarra), Cristiano Mozzati (bateria) e Marco Coti Zellati (baixo). O disco não tem nenhum membro que fique com menos destaque nas faixas, e o Marco não tem tanto destaque como antes, pois os outros instrumentos ganharam o mesmo destaque agora.

O CD começa com o primeiro single lançado, Trip The Darkness. A música é pesada, mas acessível ainda (coisa proposta bela banda desde Comalies). Ela fala sobre enfrentar a escuridão, provavelmente usado simbolicamente para os problemas e dificuldades da vida. Destacam-se Mozzati trazendo muito peso com linhas interessantes de bateria, riffs simples, mas atrativos. Mas sem dúvidas, mesmo com Ferrero indo bem, Scabbia continua sendo destaque absoluto, parece que sua voz melhora e se torna mais atrativa a cada disco. O disco continua com bem com Against You, que segue a linha de Trip The Darkness, e empolga em todos os sentidos, desde o dueto ao riffs empolgantes, a fórmula se mantém a mesma. Ela trata sobre problemas de relacionamento com alguém que torna a relação tão ruim a ponto de ser insustentável. Em seguida vem a provável melhor faixa do disco, Kill The Light. Ela fala sobre quando você está mal, com problemas, masn não vai deixar ninguém mudar a sua essência. Os riffs tem uma levada muito boa, mas o que se destaca pra mim são as levadas de Cristiano na bateria, muito bem encaixadas. O dueto é sem comentários, Cristina canta cada música abusando da particularidade que sua voz pode trazer. Já Andrea melhora cada vez mais e se torna cada vez mais importante para a banda.

O CD segue com Give Me Something More, que tem arranjos bem mais arrastados e varia pela tranquilidade e drama com empolgação. Ela fala sobre fazer um sacrifício e esperar o reconhecimento devido por ter feito algo assim. No início, Cristina conduz a música de forma bela, até Andrea começar sua parte animando o ritmo da música, com a parte instrumental se encaixando perfeitamente. Refrão excelente, pegajoso, empolgante e agressivo. Excelente música. O disco continua arrebentando com Upside Down, que traz mais peso ainda ao disco, sem deixar o lado empolgante de lado. Ela fala sobre o que as pessoas pensam de você e sobre desgraça própria. Os riffs iniciais se aliam bem com bateria, até a música explodir com o refrão levado por Cristina, que mais uma vez sua voz de forma diferente. O dueto é excelente, mas talvez o destaque fique para a parte instrumental. O solo é matador. Uma das melhor do disco. A seguinte é a única música realmente calma do disco, End Of Time. Ela fala de uma circunstância de aparentemente pré-morte, aonde se despede do seu companheiro e reflete sobre a vida. Tem uma levada muito bacana e quase que hipnotizante. Como era de esperar em músicas mais calmas assim, Scabbia é o destaque absoluto. Os riffs são muito bem encaixados aqui. É impressionante como tudo funciona instrumentalmente no disco, com certeza é o melhor disco da banda nesse sentido.

A próxima uma das mais empolgantes do, I Don´t Believe In Tomorrow. Ela fala sobre perca da fé, principalmente nas pessoas. A música começa impressionante pelo groove que aparece no início, depois tem uma boa levada, tendo como destaque o trabalho vocal de Cristina. A seguinte é Intoxicated, que pela levada inicial lembra um pouco os tempos de Karmacode, até a música começar mesmo. É uma boa música, apesar de ficar um pouco atrás das anteriores. Lembra um pouco o disco anterior Shallow Life pela experimentação em alguns momentos. Em todas as partes a música é bem agradável e novamente o destaque para a quase quarentona Cristina Scabbia. Ela fala sobre desilusão e raiva. Seguindo com o disco, temos The Army Inside, que fala sobre conflitos dentro do si mesmo. Tem uma pegada um pouco diferente do resto do disco, com riffs cortados a todo momento. Aqui o destaque sem dúvidas é Andrea, que provavelmente vai deixar o refrão na cabeça de quem ouvir a música por um bom tempo.

A seguinte música é Losing My Religion, cover do super sucesso dos anos 90 do R.E.M., que parou com suas atividades esse ano. Difícil ter uma interpretação certa dessa música, mas para mim, pareceu que ela trava sobre desilusão e não poder fazer nada sobre isso. Os covers do Lacuna Coil SEMPRE merecem muita atenção, pois sempre pegaram boas músicas e de sua maneira, transformaram a música em algo melhor ainda, respeitando a original mas trazendo sua parte ao som. Foi assim com a maravilhosa Stars que fizeram cover do Dubstar, como Enjoy The Silence do Depeche Mode. E com Losing My Religion não foi diferente, não sei como, mas o Lacuna conseguiu fazer algo melhor ainda do que o R.E.M. fez, isso que a música foi um dos clássicos dos anos 90. Tudo se encaixa tão bem, foi adicionado certa dinâmica a música mas respeitando a ideia da faixa. Mas o excepcional foi feito pela dupla de vocalistas, simplesmente maravilhoso. A seguinte é a mais empolgante e curta, Fire. A música fala sobre raiva reprimida, sobre liberá-la. Tem riffs empolgantes, principalmente no refrão. Repete os riffs cortados de The Army Inside, mas de forma melhor ainda. Andrea vai muito bem, e Cristina detona demais. É impressionante a qualidade da cantora, tão versátil, empolgante e com excelente voz, sem precisar ir ao lado extremo da potência vocal junto com a Tarja Turunen e a Floor Jansen. O disco termina com My Spirit, uma maravilhosa homenagem ao grande Peter Steele do Type O Negative, que faleceu e em 2010 e que tinha grande amizade com a banda. A letra por sinal é a melhor do disco. Ela fala sobre a liberdade após a morte, claramente direcionada a Peter. Às vezes esqueço como guitarras podem fazer coisas bonitas e não apenas agressivas. Essa música me lembrou disso. O trabalho vocal de Cristina aqui chega a arrepiar, de tão bem como ela consegue passar suas emoções. No meio da faixa, seguindo muito coisas de Gothic Metal e lembrando um pouco da tensão que às vezes existia em In A Reverie, há uma parte em latim. Após isso, há um baita solo, para terminar com chave de ouro tanto a faixa como o disco.

O CD mostra um Lacuna Coil totalmente diferente da sua proposta inicial, mas isso não quer dizer que seja ruim, bem longe disso. A banda está longe de ser uma das mais técnicas, mas definitivamente está no topo quando se trata de empolgação com qualidade. A banda traz um disco muito competente, talvez o melhor da sua carreira (pelo menos sem dúvidas o melhor da nova proposta) junto com o In A Reverie. Difícil escolher destaque em CD em que o nível se mantém tão alto, mas Kill The Light se destaca pela empolgação, Give Me Somothing More pela sua levada, Losing My Religion e My Spirit por trazerem coisas tão especiais. Recomendado para qualquer quem goste de duetos, músicas empolgantes e não espera nada complexo. É apenas boa música, muito boa por sinal, isso é o que importa, certo?

Karnivool – Themata (2005)

Origem: Austrália
Gêneros: Metal Alternativo, Rock Progressivo
Gravadora: Independente, MGM

Composta por Ian Kenny nos vocais, ‘Drew’ Goddard e Mark Hosking nas guitarras, Jon Stockman no baixo e Steve Judd na bateria (não gravou as faixas deste álbum), Karnivool carrega um som rico em detalhes e sentimentos. Oriunda da Austrália, a banda está na ativa desde 1997, fruto de uma amizade de colegial entre Kenny e ‘Drew’ (que escreveu todas as letras e gravou as baterias).

Com o sucesso de Themata a banda passou a ser produzida por Forrester Savell, que trabalhou com bandas como: Butterfly Effect e Birds of Tokyo. Este album é a junção de uma boa habilidade dos músicos, refrões preguentos e uma engenharia sonora de primeira. Os vocais são bem poderosos e cheios de sentimento, dando assim, um ponto a mais para o Karnivool.

Outra coisa que se destaca são as guitarras que possuem um timbre muito bem construído e dão ênfase nas frases que baseiam a música. A primeira faixa já carrega um tempo bem diferente do usual 4/4, intrigando e desafiando o ouvinte a bater cabeça no beat certo. Com uma harmonia linda, COTE é uma música cheia de detalhes, synths e guitarras mutadas. “Shutterspeed”, “Fear Of The Sky”, “Roquefort”, “Lifelike” e “Scarabs” tem a mesma fórmula, que agradoumuito ao apresentar riffs bem construídos e seções instrumentais de qualidade.

A faixa “Sewn And Silent” possui uma boa entrada. Com uma afinação bem peculiar, o violão de ‘Drew’ chega agradando qualquer tipo de ouvido, dando assim uma freiada no ritmo do álbum. As faixas “Mauseum” e “Synops” carregam ares tenebrosos e intrigantes, nos levando à uma atmosfera totalmente diferente. A música “Change (Parte 1)” que fecha o álbum, deixa com o ouvinte o ar de “to be continued”, nos deixando imaginar o que vem depois. Na minha opinião a banda pecou na faixa “Ommited For Clarity” que possui apenas 20 segundos de silêncio. Este álbum é bem original e soa legal, então, recomendo!

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Shinedown – Us And Them (2005)

Images & Words review

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Metal Alternativo, Southern Rock, Hard Rock, Pós-Grunge
Gravadora: Atlantic

Em seu segundo disco de estúdio, Us And Them, Shinedown se mostra uma banda que faz um som bem variado, não soa repetitivo, mas ao mesmo tempo não soa surpreendente, imprevisível, ou como queria bem dizer, e, principalmente, inovador. A banda era composta por Brent Smith (vocais), Jasin Todd (guitarra), Barry Kerch (bateria e percussão) e Brad Stewart (baixo), até a saída do guitarrista e do baixista, e em Us And Them foram lançados três singles, sendo dois usados pela WWE em seus PPVs. É um disco com momentos interessantes e outros nada empolgantes. Vamos conferir o que temos aqui.

O álbum começa com uma faixa introdutória, que honestamente, não faz sentido algum para mim. “The Dream” é basicamente uma garota estranha e até pode se dizer assustadora dizendo algumas frases que para mim não fazem sentido algum. Se Us And Them fosse um disco conceitual, dava para aceitar e entender o que eles queriam passar nas 13 faixas: um disco do Rob Zombie. Enfim… Sua sucessora é “Heroes”, e percebemos uma forte banda na guitarra e nos vocais e boa na bateria e baixo. Você consegue ouvir tudo claramente e é notável que a faixa inicia bem o disco, nem era necessário “The Dream”. “Save Me” não é uma canção da mais atrativas em seu começo, mas seu refrão de certa forma anima as coisas.

“I Dare You” começa irritante e se torna uma canção bem esquecível e chata. Os vocais dão uma melhorada principalmente no refrão, mas ainda não consigo dizer que é uma boa faixa. “Yer Majesty” tem aquele peso e bons riffs de guitarra, além de uma voz agressiva de Brent, que no fim, gera uma canção bem legal até. “Beyond The Sun” é aquela balada que inicia acústica até a banda aparecer por completo (bem no estilo Hard Rock), que é bonitinha e aqui Brent faz um trabalho bacana, além da banda fazer um trabalho competente, mas nada surreal e especial. “Trade Yourself In” inicia de uma maneira bem empolgante e diferenciada. Os riffs acabam me lembrando de uma versão mais pesada do Red Hot Chili Peppers.

Agora vem um dos meus grandes problemas com esse disco. “Lady So Divine” ultrapassa a marca de 7 minutos e com um começo fraco, a música evolui em algo interessante, porém nada bem feito, ainda mais após a segunda repetição do refrão (que é bom). A música poderia ser diminuída de 7 minutos para apenas 4 minutos e seria muito melhor o resultado. E olha que quem está falando gosta de músicas com uma duração prolongada, porém bem feita, ou pelo menos com bom senso e boas ideias (pode soar contraditório para alguns, já que eu gosto de Dream Theater e tem muitos momentos assim, mas ao menos alguns deles são interessantes… eu acho). Claro, tem coisas bacanas sim, como o solo de guitarra e atmosfera na seção instrumental, que são bem bonitas. Mas a construção da música, e principalmente, a introdução dela (após os primeiros acordes me refiro), me fizeram achar que aquilo merecia algo melhor e até maior.

As outras faixas não apresentam nada de novo ao conteúdo do álbum. Por exemplo, “Shed Some Light” é outra balada que inicia acusticamente, desenvolve acusticamente e termina acusticamente. Bem criativa a banda… Não que eu tenha algo contra isso, mas ela é desnecessária, já que temos “Beyond The Sun”, que é melhor. E antes de encerrar o álbum em uma terceira balada, temos três faixas “porradas”. “Begin Again”, “Atmosphere” e “Fake”. É incrível como as três não acrescentam nada ao disco a não ser espaço preenchido. E “Some Day” termina o álbum, e como já disse, é outra balada, e é outra desinteressante. Não encerra o trabalho dignamente e fica deixando um certo vazio no ouvinte, pois passa uma incerteza de que aquilo que ele ouviu era tudo que a banda tem a oferecer ou simplesmente tem uma certa tendência a canções comerciais.

Us And Them é um bom disco, se assim posso afirmar. Tem momentos bem interessantes, porém outros que poderiam ser esquecidos e nem pensados em serem adicionados no álbum, como todas as faixas após “Lady So Divine”, que encerraria bem o disco. Mas não dá para negar que a banda em si é boa, principalmente o guitarrista . Se você é guitarrista e quer pegar uma influência diferenciada, desde Southern Rock ao Hard Rock ao Metal, esse disco tem algo a oferecer (caso queira ir além do senhor Zakk Wylde). É um trabalho consistente, mas nada original e grandioso. Recomendado se você quer ouvir uma banda banda diferente ao ponto de indicar aos seus amigos que tem certo gosto pelo Rock e Metal, mas não sabem se aprofundar no gênero. Em outras palavras, Shinedown é mais um ponto de começo do que um ponto final em uma “carreira sonora de uma pessoa”, ao menos neste álbum.

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