Blink-182 – Dogs Eating Dogs (2012)

Dogs Eating Dogs

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Pop-Punk
Gravadora: Independente

O blink-182, uma das principais, senão a principal precursora do pop-punk no mundo voltou com todo gás após lançar o álbum Neighborhoods, em 2011, o qual você pode ler a resenha aqui, porém desta vez com um EP de natal (que não tem muito a ver com natal) independente, com a produção de Mark Hoppus, Tom DeLonge e Travis Barker.

O EP começa com a canção “When I Was Young”, que é com certeza a melhor canção do álbum. Ela começa com uma falsa impressão de calmaria na sua introdução, porém logo podemos perceber a velocidade e a leve agressividade na música, que conta com um dueto de Mark e Tom, que por sinal, essa é uma música que temos os melhores vocais de Tom DeLonge em algum tempo. É uma música fácil de digerir e ela consegue ficar na sua cabeça. Temos nela uma leve lembrança de Angels & Airwaves, banda liderada por Tom. Logo após temos a música mais agressiva e raivosa do EP, coisa que faltou no Neighborhoods. “Dogs Eating Dogs”, música que nomeia o EP, lembra bastante o som do +44, projeto tocado por Mark e Travis. É um boa música, mas não tem nada demais nela que a faça se destacar.

Em seguida, temos “Disaster”, música mais lenta e com uma leve, levíssima pegada psicodélica, e nele percebe-se também bastante  influência do estilo de Tom no Angels & Airwaves. A letra é bastante boba e melosa, mas dá pra se entusiasmar com ela, mas assim como Dogs Eating Dogs, não tem nada demais. “Boxing Day” é uma música com uma pegada mais de balada, com um leve ar de folk devido a base inteira da música ser feita com violões de Tom e Mark. A música tinha tudo para ser excelente, mas a voz de Tom não combinou com o estilo e o som, seria melhor se o Mark assumisse a parte vocal totalmente nesta canção.

“Pretty Little Girl” finaliza o EP pra alguns muito bem, e para outros muito mal. É a canção mais polêmica do álbum, devido a influência de Travis Barker, que está tentando trazer um pouco de rap para o Blink, e com isso ele levou com ele o rapper Yelawolf, a qual tem um projeto em particular para fazer uma participação de quase 40 segundos na música. São 38 segundo de uma coisa totalmente indiferente, que nem fede nem cheira, não muda nada, porém quem não gosta de rap com certeza não gostará disso. O reto da música traz um sensação de new-wave na letra, com o baixo e a bateria trabalhando forte na música, acompanhando o bom vocal de Tom DeLonge.

Parafraseando Scott Heisel da revista americana “Alternative Press”, tomando em consideração o quanto era impossível que o blink-182 se juntasse novamente algum dia, o fato de que a banda superou suas diferenças e lançaram um álbum completo e um EP já é espetacular. O EP teve diversas falhas, mas não é algo ruim, é algo regular, e se em pouco tempo e pela primeira vez gravando “sozinhos”, ele fizeram algo regular/bom, quando eles se trancarem no estúdio para gravar um novo CD com tempo e com vontade, o trio californiano pode fazer algo espetacular.

Sem título-12

Silva – Silva EP (2011)

Origem: Brasil
Genêros: Indie Rock, Rock Alternativo
Gravadora: Independente

Estava eu a procurar alguns EP’s do ano passado que foram considerados muito bons pela internet, eis que me deparo com “Silva”, EP autointitulado com o pseudônimo do autor. Se você é um fã de boa música ou de Los Hermanos ou Marcelo Janeci, creiam que vocês irão se apaixonar por este EP.

O EP de cinco faixas, todas sensacionais, com uma variedade imensa de instrumentos, como o xilofone, violino, tuba, saxofone e até mesmo diversos equipamentos de música eletrônica. A primeira faixa do disco, intitulada de “12 de Maio” tem uma pegada mais instrumental, que por sinal é muito boa, mesmo com a bela voz do cantor aparecendo em algumas partes. A segunda faixa, “Imergir”, é um pouco mais tranquila do quê a primeira, porém é muito boa. A voz calma e hipnotizante de Silva em conjunto dos acordes do teclado e da guitarra deixam a música muito boa, além de ser bastante pegajosa.

Em seguida temos “A Visita” e “Cansei”, que são músicas mais soltas e mais experimentais, porém são boas também, um pouco abaixo do nível das duas primeiras, mas nada que atrapalhe o EP. A última faixa, “Acidental”, também é bastante experimental, porém perdão ao trocadilho, mas é um experimento que deu muito certo! Pegue todas as faixas anteriores, junte-as e tenha algo psicodélico muito bom, e bastante original para a música brasileira.

À  um bom tempo não ouvia coisas novas na música brasileira, a após ouvir a este EP, minhas esperanças foram renovadas de ver algo constantemente bom nas paradas, mesmo sabendo que isto seria algo impossível. Silva é um EP que não teria problema nenhum em ser lançado como CD, para aqueles que dizem que nos EP’s são e estão as partes ruims das bandas. Este é um EP que eu recomendaria demais para qualquer um que goste de boa música, e mais ainda para aqueles que dizem que a música brasileira é totalmente lixosa.

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Vivendo do Ócio – Silas (2011)

Origem: Brasil
Gênero: Rock, Indie Rock, Pós-Punk.
Gravadora: Deckdisc

Enquanto o novo álbum do Vivendo do Ócio, banda baiana formada por Jajá Cardoso, Luca Bori, David Bori e Dieguito Reis está sendo finalizado, a banda lança um ‘single’ digital com duas músicas que estarão no novo disco, “Eu Gastei” e “Silas”, essa já acompanhada do videoclipe gravado na Itália. “Silas” tem uma batida extremamente viciante, belas passagens e riffs das guitarras de Jájá e David, uma bateria evidente e um belo som do baixo aparecendo regularmente na música. A sonoridade da música é mais pesada em comparação as outras músicas do Vivendo do Ócio, porém a voz do vocalista se encaixa perfeitamente em diversos estilos do bom e velho rock. Logo após temos “Eu Gastei”, que mostra um pouco mais da essência original do Vivendo do Ócio, algo mais parecido com o pós-punk. Nessa música se destaca o belo solo e a harmonia entre as guitarras solo e base, que nos levam a algo bem bacana, além da bela voz do Jájá, que aparece muito bem novamente nesta música.

Cine – Boombox Arcade (2011)

Origem: Brasil
Gênero: Electropop
Gravadoras: Mercury, Universal Music

Podemos fazer a análise deste disco em poucas palavras. A “banda” Cine, formado por Diego Silveira nos vocais, que é quase nulo de tanto autotune em  todas as faixas do disco, Bruno Prado, Danilo Valbuesa, David Casali e Pedro Caropreso, completando a orquestra sinfônica dos clichês. Todas as penosas 14 faixas do álbum seguem o mesmo estilo, uma batida bem alto na fundo, alguns fades e efeitos sonoros, o quê faz parecer que não existe uma banda, e sim um simples computador e um DJ que fazem tudo. Além disso, eles seguem o estereótipo americano de por partes ou frases em inglês, em passagens rápidas ou até mesmo no título da música. Desculpem-me fãs de música eletrônica ou coisa do gênero, mas não consigo ver este estilo como música. Boombox Arcade é um CD não de uma banda, mas sim de um produto, feito por empresários ricos para atingir a fase da vida chamada “Pai, Mãe, me dá isso, me dá aquilo.” A prova disso, que é algo que está ultrapassando todos os limites da sã consciência, chega a comentários como esse, no vídeo da banda no Youtube:

Mae compra o CD BOMBOX ARCADE pra mim. Pleease é só 39,90 no extra….se ela nao compra vou cortar meus pulsos porq sem CINE nao da pra viver….

Este produto é algo extremamente inteligente por parte dos empresários, e uma vergonha musical para o Brasil, que já foi terra de grandes cantores e artistas.

Nota: 

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Blink-182 – Neighborhoods (2011)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Pop Punk
Gravadora: DGC, Interscope

Após um longo hiato de seis anos, o blink-182 retorna com um cd de canções inéditas. A banda criada em 1992 pelos amigos Tom DeLonge  e Mark Hoppus lança seu sexto álbum, e vamos à análise. Antes de tudo, gostaria de falar que este CD começou a ser produzido em meados de 2009, ano que a banda anunciou que estaria de volta com o novo álbum no quinquagésimo primeiro Grammy Awards, o que levou os fãs do blink à loucura.

Começamos o CD com “Ghost On The Dance Floor”, que tem uma batida muito boa, além de sua letra introduzir a evolução literal do grupo, que pode ser explicitamente notada ao longo do disco. Logo após temos a faixa “Natives”, uma das minha favoritas nesse CD. Ele tem uma batida contagiante, e o revezamento no refrão da música entre o Mark e o Tom é bastante notável, além de ficar na cabeça por horas. Logo após temos o primeiro single do álbum, “Up All Night”. A melodia em si é bastante legal, assim como a voz do Tom, porém a letra ficou meio fraca e repetitiva, mas mesmo assim é viciante, não desgruda da mente.

Depois do primeiro single, já temos o segundo. “After Midnight” é mais calma do quê as outra, porém é uma das melhores faixas do CD. Letra, melodia e a batida da música se harmonizam perfeitamente, e mais uma vez Mark Hoppus aparece no refrão dessa música, afinal a voz de Tom é boa, mas é, digamos que um pouco enjoativa. Logo após temos “Snake Charmer”, uma música razoável, bastante calma também, mas dessa vez não temos a participação de Mark nos vocais, o que a torna um pouco enjoativa.

Em seguida temos “Heart’s All Gone Interlude”, que é um intervalo entre as faixas, e ele também pode ser considerado como uma introdução a próxima canção, “Heart’s All Gone”. Esta música nos lembra um pouco mais o blink-182 de antigamente, porém com uma pitada da evolução do blink. Temos uma batida mais rápida, uma letra brincalhona, mas sem perder o lado sério. O interessante nesta música é que temos o Mark fazendo um belo solo de baixo, algo não tão comum na música atual.

Em seguida temos uma sequência de três músicas que podemos analisar de uma maneira geral. “Wishing Well”, “Kaleidoscope” e “This is Home” são músicas razoáveis, que tem o refrão e a melodia de fácil associação, além de serem músicas chicletes, que ficam na cabeça, mas nem por isso deixam de ser boas. “MH 4.18.2011″ é uma das faixas mais interessantes do álbum e uma das minhas preferidas. Mark tem um talento imenso para fazer músicas viciantes, com refrões fáceis e batida sensacional, além da voz do Tom ajudar muito, pois a voz dele fica na sua cabeça. “Love is Dangerous”, “Fighting the Gravity” e “Even If She Falls” são faixas mais experimentais, que tem letra e melodia nunca usadas pelo grupo, o que leva os fãs à estranharem um pouco, mas foi um belo jeito de fechar o CD.

Mark, Tom e Travis fizeram um excelente trabalho, principalmente para quem passou quase dez anos sem um CD de inéditas. É um álbum que pode agradar todos os gostos musicais, e é muito divertido de se ouvir. O blink-182 nunca foi uma banda de vocais guturais ou solos sensacionais de guitarra, porém o conjunto da obra, ainda mais com a excelente bateria do Travis Barker, faz um blink ser uma banda muito boa, com o último CD muito consistente.

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