Gorillaz – Plastic Beach (2010)

Origem: Estados Unidos
Gênero: Pop, Hip-Hop, Eletrônica
Gravadora: Parlophone, Virgin

Muito bem, todos conhecem o Gorillaz, a banda virtual britânica criada por Damon Albarn, que também faz parte do Blur. Em 2010, muitos dos fãs da banda entraram em alegria, assim como eu que gosto da banda desde pequeno, após cinco anos parados, a banda lançou um novo álbum: o Plastic Beach. De início, todos ficaram felizes, não sei quantos tiveram o mesmo pensamento ao ouvir o disco, mas eu notei uma grande mudança na banda.

O disco é mais Pop do que os antigos, que abordavam gêneros como Rock Alternativo, Hip-Hop Alternativo e até mesmo Trip Hop. Plastic Beach conta com a participação de vários rappers, cantores de R&B e até Soul, assim como nos outros álbuns, mas também temos alguns arranjos orquestrais nesse CD, algo novo.

As músicas são bem diferentes (duh), eu particularmente não me sentia ouvindo um álbum do Gorillaz, até mesmo por causa da faixa “Welcome to the World of the Plastic Beach” onde apenas o rapper Snoop Dogg canta, não ouvimos a voz de nenhum membro da banda e nem mesmo do famoso vocal 2D. Não estou dizendo que Plastic Beach é um álbum ruim, mas na minha opinião eu não me sinto ouvindo um álbum do Gorillaz, e sim um álbum de vários artistas com a participação da banda.

Nem todas me fizeram deixar o álbum de lado, músicas com “Stylo” e “On Melancholy Hill” são boas, que ficam na sua cabeça e são bem o estilo original da banda. Por fim, eu só posso dizer que eu achei o Plastic Beach um álbum razoável, mas nada comparado aos álbuns “Gorillaz” e “Demon Days”, esse que é o meu favorito.

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Black Veil Brides – We Stitch These Wounds (2010)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Glam Metal, Metalcore, Pós-Hardcore
Gravadoras:  Virgin, StandBy

Com uma capa de disco muito, mas muito tosca e de péssimo gosto, o grupo do Black Veil Brides, formado em 2006, lançaram seu disco de estreia no ano retrasado, entitulado We Stitch These Wounds. A banda composta por Andrew Biersack, melhor conhecido como Andy Six (vocalista), Ashley Purdy (baixista, vocais de apoio), Jake Pitts (guitarrista principal), Jinxx (guitarrista secundário, violinista), e Christian “CC” Coma (baterista) é aquela banda formada em estúdio, feita para fazer sucesso comercial dando mais importância ao visual que para a música, não é toa que Andy Six é o único membro remanescente da banda desde 2006, sendo ele o “prefeito da cidade”. Neste disco, é notável que a banda é uma versão com testosterona e mais pesada de um grupo aqui no Brasil conhecido como Restart, ainda mais se pegarmos o visual da época (agora a banda é um Mötley Crüe às avessas). Bem, vamos ao conteúdo do álbum…

O disco é composto por 12 singelas canções e uma duração exata de 43 minutos. A primeira faixa, chamada de “The Outcasts (Call to Arms)”, é uma pequena introdução de 30 segundos (que aliás é a menor faixa do álbum), que seria um narrador em 1° pessoa, que no fim é audível a frase “we are the Black Veil Brides”, e assim, com uma tentativa de querer mostrar que a banda é “badass”, começamos a segunda faixa de certa maneira até épica, que com seu decorrer, vai ficando uma bela porcaria. É a faixa-título, que inicia o disco de uma maneira muito chula com um instrumental comum, tirando raros momentos como certos solos de guitarras bem feitos, como na última faixa, a balada “Carolyn” (que é a maior faixa do álbum, com 4:37 de duração). Mas a maioria dos solos são muito pobres, assim como os riffs de guitarra, e toda a joça instrumental.

Destaque negativo para a voz nojenta, repugnante, sem emoção, chata, com interpretação, de certa forma, padrão e incrivelmente decepcionante de Andy Six em todo maldito disco. TODO! O garoto só serve para dar uns berros cheios de efeitos de estúdio. É raro neste disco ter um momento bacana nas linhas vocais. Outro destaque negativo é o baixo, que é inaudível. Sinto que o baixista era Jason Newsted, ex-Metallica. Não dá para falar de todas as faixas, senão eu começo as comparações, como em “Children Surrender” em sua intro, muito parecida com “Afterlife” do Avenged Sevenfold. Outra faixa que tem semelhanças, é “Knives and Pens”, que possui semelhanças com “Unholy Confessions”, também do Avenged Sevenfold. Engraçado que as duas faixas do Avenged Sevenfold, mesmo não sendo “aquela coisa”, é muito superior ao que é feito pelo Black Veil Brides, com muita, mas muitíssima pobreza.

Em resumo, Black Veil Brides, musicalmente, é uma banda genérica e sem muito conteúdo, que aposta todas suas forças em um visual com cara de Kiss e de outras bandas Glam dos anos 80. Nada de original aqui. Se você já escutou o Metalcore vindo do próprio Avenged Sevenfold em Waking The Fallen e Ascendancy do Trivium, não tem motivos para chegar perto desse… Lixo. Vocês se lembram de quando eu falei sobre o “Rock Bunda-Mole”, na resenha do Three Days Grace? Então, aquele Rock comparado com o som do Black Veil Brides é equivalente a uma comparação entre Zeus (“Rock Bunda-Mole”) e Escravo (Black Veil Brides). Passem longe disso!

Genesis – Foxtrot (1972)

Origem: Inglaterra
Gênero: Rock Progressivo
Gravadoras: Charisma, Virgin, Atlantic

Formada em 1967, o grupo britânico Genesis é um dos maiores expoentes do Rock Progressivo e um dos maiores grupos da história, vendendo mais de 150 milhões de discos em todo mundo. Podemos dividir o Genesis em duas fases musicais. A fase inicial no Rock Progressivo, que tinha músicas complexas, estruturas diferenciadas e apresentações teatrais graças ao antigo vocalista, Peter Gabriel. A segunda fase é a fase Pop que começou a partir dos anos 80, que tornou o grupo mais acessível as rádios e ao público. O vocalista (e podemos dizer o grande viajador) Peter Gabriel já não mais fazia parte da banda, este seguia sua carreira solo, na qual nós conhecemos, principalmente após o festival de música SWU.

O disco que será analisado, Foxtrot, é o quarto disco da banda. É o disco que começou dar ao Genesis o caminho da popularidade e de fazer shows em lugares de tamanho mediano. A capa do álbum, que tem uma criatura semelhante a uma raposa, é uma homenagem a uma das fantasias usadas por Peter Gabriel para enfrentar o medo que o mesmo tinha na frente dos palcos. É uma maneira criativa de enfrentar o medo e que deu um charme as apresentações do grupo (e problemas entre a banda, pois Peter Gabriel roubava muito destaque para ele nos shows devido do uso de fantasias).  Por falar no grupo, todos os caras do Genesis são talentosos e juntos fazem um excelente disco. Agora vamos entrar no que é o mais importante e todos queremos saber, a música.

Naquela época, os LPs eram divididos em dois lados. O primeiro lado do disco começa com uma introdução de mellotron (para quem não sabe, é um tipo de teclado) tocada por Tony Banks (além disso faz vocais de apoio e toca órgão, piano e guitarra), que vai progredindo e então ele para, a música volta a ficar baixa e volta a progredir, mas agora a banda fica mais participativa, composta por Phill Collins (bateria, percussão e vocais de apoio), Steve Hackett (guitarra), Mike Rutherford (baixo, guitarra, vocais de apoio e cello) e claro, o vocalista Peter Gabriel com sua voz única (além de tocar percussão, oboé e flauta). A música que abre o disco é “Watcher Of The Skies”, que detém a marca de 7:23 de duração. Uma música viajante e uma das empolgantes do disco e quem sabe uma das melhores músicas, não só do disco, mas do grupo, iniciando muito bem o o álbum. Nada melhor que começar um álbum com uma música que empolga e seja muito boa, certo?

A segunda faixa é “Time Table”, de 4:45. A música mais curta do primeiro lado do LP e é uma canção bem bonita. O refrão dela eu costumo considera-lo grudento. As vezes eu me pego cantando o refrão desta música e nem percebo. A próxima canção dura 8:36, e é “Get ‘Em Out By Friday”. A música, como a maioria deste disco, são grandes viagens progressivas, sendo está tendo seus momentos calmos e pacíficos e outros momentos mais empolgantes que “Watcher Of The Skies”. Uma canção divertida mas um pouco cansativa se ficarmos esperando só ter momentos divertidos, mas não deixa de ser ótima. Para encerrar o primeiro lado do LP temos “Can-Utility And The Coastliners”, de 5:44. É a minha música menos favorita não só do primeiro lado do LP, mas dos dois lados (mas eu ainda gosto dela e é muito boa por sinal). Não é o melhor encerramento para o primeiro lado do LP. É uma música muito bonita e bem viajante, e que com tempo vai progredindo e ficando mais intensa e ainda mais bonita e o só seu final que é agitado e animado, mas é menos memorável do álbum. Acho que o grupo poderia vir com algo mais animado para encerrar o primeiro lado do LP, como a própria “Get ‘Em Out By Friday” ou “Watcher Of The Skies”.

A quinta faixa do LP e a faixa de abertura do segundo lado do LP é “Horizons”, faixa instrumental de 1:41. É a faixa mais curta de todo LP e introduz de maneira excelente a próxima faixa, que também é a última faixa do álbum. É uma das faixas mais clássicas do grupo e de maior duração na história do grupo. Ela começa com estes versos: “Walking across the sitting-room, I turn the television off. Sitting beside you, I look into your eyes.” Falo da grande viagem musical de Peter Gabriel e companhia: “Supper’s Ready”, que tem uma duração próxima a 23 minutos. Ela é dividida em 7 partes, que respectivamente são: “Lover’s Leap”, “The Guaranteed Eternal Sanctuary Man”, “Ikhnaton and Itsacon and Their Band of Merry Men”, “How Dare I Be So Beautiful?”, “Willow Farm”, “Apocalypse in 9/8 (Co-Starring the Delicious Talents of Gabble Ratchet)”, “As Sure As Eggs Is Eggs (Aching Men’s Feet)”. Antes do lançamento de The Lamb Lies Down on Broadway, o ambicioso disco duplo da banda e o último a conter o vocalista Peter Gabriel, “Supper’s Ready” era a canção de encerramento de shows, é um grande encerramento diga-se de passagem.

A música começa bem calma e muito pacífica em “Lover’s Leap”. Ela vai introduzindo canção de uma maneira bem bonita por sinal. E logo em seguida ela fica mais bonita com “The Guaranteed Eternal Sanctuary Man”, que progride e fica mais empolgante e interessante. Após o fim dela, a banda some, e podemos ouvir crianças ao fundo cantando. E então, vamos para a terceira parte, “Ikhnaton and Itsacon and Their Band of Merry Men”, que volta a progredir o som, mas não da mesma maneira como a passagem anterior, mas de uma maneira mais animada e menos “fofa”, se assim posso dizer. Destaque para o solo de Steve Hackett nesta parte. O som regride e vira algo mais depressivo e atmosférico, temos agora “How Dare I Be So Beautiful?”. Ela soa tão depressiva que esperamos que a passagem passa. Ela termina com uma pergunta: “A flower?” E então somos introduzidos a minha parte favorita do disco, “Willow Farm”. É uma viagem estranha da banda, e o vocal de Peter Gabriel não soava tão aguda como em outras seções do álbum. Depois de um som que soa como apito, somos trazidos para outra parte da viagem de “Willow Farm”, que vai continuando e para em “Apocalypse in 9/8 (Co-Starring the Delicious Talents of Gabble Ratchet)”, e novamente ela regride e volta aquela melodia mais bonita no começo da canção. Ela continua e vai nos mostrando uma bela melodia, com uma flauta tocada por Peter Gabriel e então ela progride novamente e fica empolgante, com os teclados comandados por Tony Banks. A música vai seguindo para então, um final épico, digno de uma longa e grandiosa canção, que vai deste esta parte e segue para a próxima parte. “As Sure As Eggs Is Eggs (Aching Men’s Feet)” é o final perfeito para esta canção. Tudo aqui soa como se fosse feito para arrancar lágrimas do ouvinte (e não seriam lágrimas em vão). É lindo, magnífico, e pode se dizer genial. Após as últimas frases de Peter Gabriel, a banda comanda o som até o seu final, que vai regredindo até não ser possível ouvir mais nada.

E assim é encerrado um dos grandes clássicos do Rock Progressivo. Genesis neste disco de 1972 fez um grande álbum que merece todo o reconhecimento que possui. Todos os membros da banda fizeram um trabalho sensacional, seja na execução, na interpretação… A formação deste disco (que é a formação clássica da banda) em seu segundo disco juntos fizeram um trabalho que pode ser chamado de excelente. Recomendado a todos os amantes de música e que não tem preconceitos e que não tem tendências a frescuras como sono, que alguns dizem ser o motivo de não gostar de bandas de Rock Progressivo, como o próprio Genesis e outras bandas como Yes, mas infelizmente requer algumas audições extras.