Sully Erna – Avalon (2010)

Sully Erna - Avalon
Origem:
Estados Unidos
Gêneros: Rock Acústico, Rock Tribal, Piano Rock, Rock Sinfônico
Gravadora: Universal Republic

Para quem não conhece Sully Erna, ele é o vocalista da banda de metal alternativo Godsmack. Em 2010, mesmo ano em que o Godsmack lançara seu quinto trabalho, “The Oracle”, Erna lançou seu primeiro CD solo, “The Avalon”, com um estilo musical diferente de tudo que o Godsmack já havia tocado. Com influências de Música Nativo-Americana e sinfonias tribais, Erna compôs 10 (11, contando com a faixa bônus) faixas, e devido ao novo estilo que Erna abordou no álbum, tirei algumas conclusões precipitadas. Depois de muito tempo querendo ouvir o disco, fiquei feliz de saber que minhas conclusões estavam erradas.

Avalon é um disco incrível, é pacífico, calmo. Não que a agressividade do heavy metal que o Godsmack nos traz desde 1998 seja ruim, porém, porradaria o tempo todo não dá. Faixas com letras inspiradoras e profundas, com uma sonoridade perfeita, sendo que a percussão de chocalhos e bongôs casam perfeitamente com a bateria e o vocal, e até mesmo os vocais dão destaque para Lisa Guyer, que canta praticamente todas as músicas ao lado de Erna. Os elementos nativo-americanos também aparecem bastante, destaque para a flauta em “My Light”, e também contamos com a presença de uma sinfonia de violino e piano incrível em “Until Then…”.

Erna deu aos fãs do Godsmack e também aos seus fãs um ótimo trabalho, de sonoridade ótima e músicas muito marcantes. Destaque para as faixas “7 Years”, “Sinner’s Prayer”, “Eyes of a Child” e as já mencionadas “My Light” e “Until Then…”. Se você não conhece o Godsmack, vale a pena conferir, e se você não conhece Sully Erna, bem, apesar de este ser seu único trabalho, escute “Avalon”, pois na opinião do autor, vale muito a pena.

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Black Veil Brides – Rebels (2011)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Pós-Hardcore, Hard Rock, Glam Metal
Gravadora: Universal Republic

No mesmo ano do seu último álbum, o Black Veil Brides lança no final do ano um EP como presente para os fãs, palavras ditas pelo próprio Andy Biersack. E neste EP, pelo contrário que ouvi dizer, ele não está diferente/melhor do que Set The World On Fire, o que podemos dizer é que são apenas 3 músicas, sendo 1 inédita e 2 coverizadas, então sem dúvida é mais fácil ouvir sem cansar. E a inédita abre Rebels, e se chama Coffin. E ela segue o estilo de Set The World On Fire, resumindo, ela não foi algo impressionante ou totalmente diferente do álbum de estúdio como estão falando que o Black Veil Brides melhorou muito nesse EP, como?? Como saber em uma única canção, e 2 covers? Enfim, o refrão tem bem a cara da banda, não tem muito o que dizer, quem gostou do segundo trabalho de estúdio dos caras devem gostar.

Os covers são Rebel Yell do Billy Idol e Unholy do Kiss, essa última com uma participação desnecessária de Zakk Wylde na guitarra, e eu digo o mesmo dessas duas versões que o Black Veil Brides fez. As  duas canções não acrescentan em nada, acho legal coverizar algumas canções, mas nesse caso a banda deveria talvez lançar mais uma ou duas inéditas, Rebel Yell talvez os fãs gostarão da versão que permanece a mesma coisa, sem empolgação a mais, com apenas a diferença entre a voz de Billy e de Andy. E não que Unholy tenha ficado ruim, mas comparar com a versão original é covardia, e nem o talentoso Zakk Wylde pode ajudar os “garotos” nesta, fazendo um solo que não ficou ruim, mas como já disse antes sobre a música, sobre o próprio Zakk e sobre os covers, não acrescenta em nada.

Rebels fez a banda não permanecer parada, é uma boa para os fãs, mas teremos que esperar até o próximo álbum da banda para saber se mudaram mesmo depois de Set The World On Fire, o que não dá paras saber com Rebels. E lembrando que o visual bizonho da banda levam a muitos falarem mal da banda por causa de suas aparências e não por causa da música, algo parecido com o que acontece com o Avenged Sevenfold, só que o BVB não muda muito o seu som do que o Glam Metal foi nos anos 80 (não falo isso pelo álbum de estréia), sendo que dá para lembrar muito e até encaixar algumas coisas que o Black Veil Brides lançam em bandas como Warrant. Mas que precisam melhorar isso é óbvio, é uma banda regular que pode fazer um glam legal, mas para isso devem deixar o visual um pouco de lado, e tentarem ser reconhecidos mais pelo seu verdadeiro trabalho, e não por um rostinho bonito, no caso, rostos bem escrotos.

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Alter Bridge – Blackbird (2007)

Origem: Estados Unidos
Gêneros: Hard Rock, Rock Alternativo, Pós-Grunge
Gravadora: Universal Republic

O Alter Bridge sem dúvidas está no topo entre as melhores bandas de rock que surgiram na década passada. A banda mistura principalmente o Hard Rock com vários elementos do Rock Alternativo, e um pouco do post-grunge (mesmo sendo totalmente contrário ao anti-solo do Nirvana) graças a influência do Creed (banda que todos os membros tirando o vocalista eram), mesmo sendo muito superior à banda de Scott Stapp. A banda é ainda formada por Myles Kennedy (vocal, guitarra base), Mark Tremonti (guitarra solo), Brian Marshall (baixo) e Scott Phillips (bateria).

O encarte do CD é belo, desde as letras, o fundo, até a imagem de uma mulher com uma pássaro negro sobre sua mão (referência ao Blackbird). Liricamente, o CD mostra grande evolução se comparado com o anterior (One Day Remains), que transitava entre letras sem sentido e boas. Os temas agora são mais obscuros e surpreendem até pela sonoridade da banda. A banda se divide em duas: a parte mais genial e a mais competente. O baixista Brian Marshall e o baterista Scott Phillips são o lado competente, pois cumprem bem o seu papel, mesmo não tendo grande destaque. Já do lado genial, o vocalista Myles Kennedy mostra porque quase entrou para o Led Zeppelin no lugar do Robert Plant, um dos melhores vocalistas dessa época. Já Mark Tremonti é um guitarrista espetacular, desvalorizado por causa do Creed, mas que é um solo-maníaco. Sem contar que a dupla faz ótimos riffs.

O CD já começa com a porrada do disco, Ties That Bind, que flerta entre o Metal em boa parte da música e o Hard Rock durante o refrão. Os riffs são empolgantes e Scott detona aqui. Pra terminar, uma solo empolgante pra terminar a faixa com tudo. Ela fala sobre quebrar laços que prendem a outra pessoa, e ter sua liberdade. Em seguida, o peso continua com Come To Life, dessa vez indo somente pro lado do Hard Rock. Ela de forma empolgante fala de liberdade e superação. Scott continua mandando bem na bateria, enquanto Mark usa bem demais as distorções, principalmente para finalizar a música. O solo é empolgante, quase quanto o refrão.

A seguinte é Brand New Star, que fala sobre recomeço e superação junto de alguém. A música começa com belos acordes e abusa da bela voz de Kennedy, não apenas no refrão. A próxima é Buried Alive, que é talvez a mais obscura liricamente do disco, falando sobre alguém que se sente enterrado vivo e quer sair dessa situação. Ela começa com riff sensacional, depois varia entre bons riffs, um pré-refrão calmo e o refrão em si, empolgante. Mais um baita solo pra finalizar. A seguinte é Coming Home, com um “clima” um pouco diferente do restante, sendo um pouco mais cadenciada. Ela fala sobre a desilusão desse mundo e querer voltar para casa, para se aliviar. Nessa, os destaques são Scott, que ajuda a dar um peso bem maior à faixa e como sempre, Myles empolgante e abusando da sua voz.

A próxima é Before Tomorrow Comes, que parece ser uma continuação mais leve de Brand New Start, por se combinarem bastante. Fala sobre podem fazer mudanças sobre o que está errado e ninguém se importa. Aqui Tremonti mostra que além de ser um guitarrista excelente, é um excelente Backing Vocal, tendo uma grande harmonia com a voz de Kennedy. Destaque absoluto para Myles, que mostra grande habilidade em alcançar variados níveis vocais. A próxima é provavelmente a música mais empolgante do disco, Rise Today. Ela fala sobre mudar o mundo com suas atitudes. Música com refrão e solos excelentes, seria perfeita pra fazer sucesso décadas atrás.

A oitava é Blackbird, a obra-prima não apenas do disco, mas sim de toda a carreira da banda, e provavelmente isso não deve mudar. Ela fala de um pássaro, que deve voar para longe para não sofrer mais. Ao se escutar a música, é fácil reparar a grande influência do Led Zeppelin. A música se mantém calma e vai “crescendo” conforme vai se aproximando do refrão. Os quatro integrantes mostram dominar bem seus instrumentos, principalmente a dupla de guitarristas, que fazem um dos melhores solos já feitos. Myles alcança o seu auge no CD aqui, dando inveja pra praticamente qualquer vocalista com a técnica, beleza e alcance de sua voz. Bela, profunda, empolgante, técnica, sem dúvidas as músicas desse disco são muito boas, mas Blackbird chega à outro patamar, algo mais próximo de Starway To Heaven e Kashmir. A seguinte é One By One, invertendo a complexidade da música anterior para algo mais simples, que consegue ser leve e pesada ao mesmo tempo, e como sempre, refrão empolgante. Ela é junto de Buried Alive, a mais obscura do álbum, falando sobre medo e falhar.

A seguinte é a balada do disco, a bela Watch Over You, que fez sucesso no Celebrity Rehab do Dr Drew, programa famosa nos Estados Unidos para tratamento de famosos. A música lida com a dependência e a frustração de ser incapaz de ajudar alguém que se recusa ajudar a si mesmo. A música pode desagradar alguns simplesmente por ser uma balada (portanto, mais simples), mas é uma música muito bem composta onde Phillips e Tremonti empolgam. E sobre Myles, não tem como decidir se ele é melhor nas músicas mais pesadas ou nas baladas, vai bem em tudo. A décima primeira é mais simples e a mais acessível depois de Watch Over You, Break Me Down. Ela fala sobre alguém te faz mal e te põe pra baixo. O destaque sem dúvidas é o refrão e dramaticidade de Myles no minuto final.

A próxima é White Knuckles, que varia entre o peso em grande parte da música e um refrão mais empolgante, mas não consegue ser grudento. Ela fala sobre ser forte e aguentar as provações da vida. A próxima é uma das melhores e última da versão simples do disco, Wayward One. Ela fala alguns que são teimosos e insistem nos erros que destroem tudo à sua volta, e sobre como as coisas podem ser resolvidas. Ela começa bela, se mantém assim e tem talvez o melhor refrão do disco, e vai se tornando maior e agressiva conforme vai passando a música, terminando com um solo sensacional. Além das 13 faixas oficiais, o cd tem versões com algumas músicas bônus, We Don´t Care About All, New Way To Live e The Damage Done, são boas faixas, mas do nível do álbum se destaca apenas New Way To Live, que lembra muito a proposta do primeiro CD (One Day Remains).

Enquanto o disco anterior tinham mais músicas românticas e uma sonoridade mais parecida com a do Creed, Blackbird é um pouco menos acessível mas muito mais pesado, obscuro e técnico. Em todos os sentidos a banda é muito competente, mas sem dúvidas o vocal espetacular de Kennedy e o nível altíssimo do que Mark faz com a guitarra, principalmente nos solos, faz de Blackbird não apenas provalvemente o melhor CD que o Alter Bridge já lançou e irá lançar, mas também como sério candidato à melhor CD da década. Quem disse que rock de qualidade não pode ser acessível?