Os cinco melhores shows do Rock in Rio 2013

Rock in Rio
Bom, um pouco atrasado, resolvi fazer um Top 5 da última edição do Rock in Rio. O maior festival da música brasileira nos deu uma boa dose de inferioridade ao festival de 2011. Mas, nem tudo foi negativo, tiveram shows ruins, shows medianos e alguns shows muito bons, os quais eu trarei para vocês nesta resenha. Venham comigo para conferir clicando na continuação.

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Ghost – Infestissumam (2013)

Ghost - Infestissumam (2013)
Origem:
Suécia
Gêneros: Heavy Metal, Doom Metal
Gravadoras: Loma Vista, Sonet Records

Três anos após o aclamado “Opus Eponymous”, o Ghost volta com “Infestissumam”. Muitos tem falado bastante do novo álbum dos suecos, e ele vem recebendo críticas mistas quanto à seu conteúdo. Damos de cara com “Infestissumam”, uma intro que inicia com um coral fazendo uma espécie de “reza satânica” (que é o tema que o Ghost aborda em suas músicas), e em seguida temos “Per Aspera ad Inferi” que mostra que a banda continua com a mesma sonoridade do primeiro álbum, conseguindo nos mostrar um lado sutil do Heavy Metal, sem peso e muito agradável de se ouvir.

Logo após, temos uma das melhores faixas do álbum: “Secular Haze”. Seu início que lembra músicas de “circo”, porém com um aspecto sombrio e logo as guitarras não poderiam soar melhor, a música fala sobre uma espécie de “névoa assassina”. Ela tem um refrão melódico que gruda em sua cabeça, é realmente uma ótima música. Se existe alguma influência Pop neste álbum, aqui está ela. “Jigolo Har Megiddo” é uma música um tanto quanto “animada”, talvez só seja possível acreditar que ela é do Ghost pela voz e até mesmo por algumas partes instrumentais. Não é uma música ruim, só é diferente do que o Ghost havia tocado em “Opus Eponymous”, aqui está o que muitos acharam o ponto fraco do álbum, porém, não vi nada demais, e em minha opinião, é até um ponto forte. Ela fala sobre um homem que “prega” a palavra de satã, como se fosse algo bom.

A seguir, temos “Ghuleh/Zombie Queen”, a maior faixa do álbum. Ela tem 07:29 e possui dois ritmos diferentes. Iniciando como uma balada, bem calma, muito boa. O vocal de Papa Emeritus II é bem suave e calmo. Então, temos mais um pouco de influência da Surf Music quando começa. A música fica mais agitada, e contamos até com o coral da primeira faixa. Ela é muito boa e mais rápida do que todas as faixas que o Ghost já havia lançado. Obviamente, a música fala sobre Ghuleh, a Rainha Zumbi. Essa faixa em especial mostra que a influência da Surf Music não foi uma coisa ruim, mas sim um tiro no lugar certo. Ahá, agora sim falamos minha língua. Nos deparamos aqui com “Year Zero”, onde toda a obscuridade volta e o satanismo também. Começando com um coral falando palavras em latim, e logo partindo para a guitarra. Todo o instrumental desta música é incrível, e ela é mais uma daquelas músicas chicletes, o vocal de Papa aqui é perfeito. A música é uma espécie de “Boas-Vindas” á satã à um novo ano. Esta é com certeza uma das, se não a melhor faixa do álbum.

Voltamos ao aspecto mais “animado” com “Body and Blood”, ela lembra bastante “Jigolo Har Megiddo”, mas desta vez com uma letra falando sobre um ritual satânico onde os satanistas comem carne humana. “Idolatrine” é a próxima, continuando com as influências pop, é uma faixa incrívelmente boa, falando sobre induzir as crianças ao satanismo, se prestar atenção á letra, é possível perceber que ela foi escrita como se o próprio satanás estivesse dando essa ordem. “Depth of Satan’s Eyes”, apesar de continuar falando de satanismo, achei esta música com a influência pop mais forte entre todas elas. Mesmo assim, é muito boa e conta até com um solo, a voz de Emeritus é incrível no refrão e dependendo da pessoa, ele fica em sua cabeça, pelo menos foi assim comigo. A letra desta vez fala sobre o “olhar cativante” de satã.

Partimos para a faixa final: “Monstrance Clock”. Ela tem um inicio onde apenas a voz de Emeritus, o som do teclado e da bateria podem ser escutados, começando com o resto dos instrumentos depois. Esta é a terceira melhor faixa de “Infestissumam”, e dei à ela o prêmio de melhor refrão do disco. Seu teclado lembrando o som de um orgão de igreja, a letra falando sobre uma sessão de uma seita satânica e o coral gótico (que fora usado em faixas anteriores) acompanhado pelo teclado apenas contribuiu para fechar o disco de modo muito agradável. Temos ainda duas faixas bônus: “La Mantra Mori” e “I’m a Marionette”, cover do grupo Abba. Ambas também muito boas.

“Infestissumam” surpreendeu minhas expectativas, e ao contrário do que muitos vem dizendo, achei um álbum incrível, talvez até superior do que o primeiro disco da banda. O que causou o disco a ter reviews negativas, foi o fato da influência pop que o disco traz, o que eu achei um fator muito interessante. Acho que o Ghost é sim uma banda de Heavy Metal, e não uma de Pop Rock como alguns tem dito. Se você não conhece o Ghost, escute, por qual álbum começar? Tanto faz, “Opus Eponymous” e “Infestissumam” são dois álbuns incríveis, e que valem a pena fazer parte da biblioteca não só dos fãs da banda, mas também dos fãs de Heavy Metal. Caso se interessar em uma análise sobre “Opus Eponympous”, clique aqui para conferir.

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Ghost – Opus Eponymous (2010)

Origem: Suécia
Gêneros: Heavy Metal, Doom Metal
Gravadoras: Rise Above, Metal Blade, Trooper Entertainment

O disco de estreia da banda sueca Ghost, Opus Eponymous, lançado em Setembro de 2010, foi um disco que fez bastante impacto, sendo considerado por muitos críticos um dos melhores lançamentos não só do ano de 2010, mas da década passada. Phil Anselmo, atual Down e ex-Pantera e James Hetfield do Metallica já vestiram uma camiseta da banda. Será que é realmente tudo isso esse lançamento do grupo? Veremos logo abaixo.

O álbum, que contém apenas nove faixas e uma duração próxima de 35 minutos, começa com “Deus Culpa”, faixa introdutória instrumental ao álbum que soa como um caminho para um velório. Boa para introduções da banda para usar em shows, apesar de ela usar outra introdução. Em seguida, somos interrompidos por um baixo marcante e então um instrumental bem feito, mas não é rápido e nem tão pesado e então somos introduzidos a primeira  estrofe do álbum: “Lucifer, we are here, for your praise, evil one” Já percebemos do que a banda é, sem contar que os integrantes da banda são Nameless Ghouls, algo como criaturas sem face e vestida de preto, com exceção do vocalista, que é Papa Emeritus, uma versão satânica do Papa. Mas, apesar da letra, nem soa tão satânico musicalmente e nem muito na voz do vocalista, pois alguns momentos ela chega a ser suave, mas não deixa de ser bonita e uma interpretação interessante nas faixas do álbum. As músicas são muito vintage, com aquele jeito de Metal das antigas, com um instrumental de certa forma simplório, com alguns momentos bacanas como o solo de guitarra em “Elizabeth”, apesar de não serem extraordinários. Outra coisa que é preciso dar destaque é que o instrumental soa até alegre e animado, algo totalmente diferente e inesperado ao que se pede um tipo de letra como esse álbum possui.

É uma banda que você sabe se vai gostar de primeira ou não. Os timbres vintage já citados estão em toda parte, guitarras não tem aquele destaque total, e é um som fácil de entender e absorver. O instrumento mais próximo de destaque individual é o baixo e quem sabe o teclado com cara de Rick Wakeman e Keith Emerson passivos e calmos, se é que possível. Todas as faixas são boas, e a última faixa, “Genesis”, é outra instrumental, que encerra legal o álbum com um fim bonito com violão erudito. O mais sensacional é que o disco não é daqueles vicia em uma única música, mas no álbum todo, e ele passa muito, mas muito rápido. Quando você menos espera ele acaba, e nem mesmo com o cover de “Here Comes The Sun” do Beatles na versão japonesa parece que ele dura mais. É muito gostoso de ouvi-lo e mesmo com as letras satânicas, o instrumental nem faz parecer. Soa radiofônico o álbum, mas ainda acima de tudo é um bom disco, curto, interessante e principalmente, coerente. Vale a pena se você gosta de coisas antigas (ou seja, não vem algo original) e de certa forma bem feitas, mas não é aquilo que chamo de especial e mágico, mas ainda é muito bom o trabalho do grupo sueco. Merece ser considerado um dos melhores da década passada? Não, mas do ano de 2010 merece.