Fresno – O Acaso do Erro (2001)

Origem: Brasil
Gêneros: Hardcore, Punk Rock, Emocore
Gravadora: Independente

O Acaso do Erro é um EP Demo da banda Fresno, as primeiras gravações “quase” profissionais, o EP é independente e se você acha que a Fresno é ruim HOJE, vai achar uma maravilha ou até respeitá-los, se ouvir o EP de 2001. A banda era composta por Leandro Pereira (vocais), Lucas Silveira (guitarra), Gustavo Mantovani (guitarra), Pedro Cupertino (bateria) e Pedro Lezo (baixo), ainda sem Lucas Silveira nos vocais e sem Tavares e Bell Ruschel na banda. Em O Acaso do Erro a banda fazia um som muito “podre”, as letras falam de assuntos muitos bobos, o vocal de Leandro Pereira está horrível. O flertamento com o tão famoso emocore já existia, porém pouco (a não ser pelas letras), o EP mostra uma mescla de hardcore com punk rock. Poucos bons momentos a demo possui, por exemplo, o bom riff de guitarra de ‘A Sete Palmos Do Chão’. O EP tem apenas 17 minutos de duração, eu recomendo a ouvir ele, e logo em seguida, ouvir o muito bom Cemitério das Boas Intenções, EP de 2011, aí você verá uma incrível evolução que teve na banda, eles fizeram muita merda no seu longo caminho, mas hoje parece que aprenderam bastante coisas e fazem um som com cara bem underground, as letras de Lucas melhoraram também, podemos comparar algumas das letras de Cemitério das Boas Intenções (aonde o tema ateísta está muito presente) com a última canção de O Acaso do Erro, ‘Se Algum Dia Eu Não Acordar’, que começa com a seguinte estrofe: Imagine se um dia eu não acordar – Quem vai puxar assunto com você?

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Fresno – Cemitério das Boas Intenções (2011)

Origem: Brasil
Gêneros: Hard Rock, Stoner Rock, Rock Industrial
Gravadora: Independente

A banda gaúcha Fresno lançam em seu Facebook o EP Cemitério das Boas Intenções (belo nome, aliás). O lançamento desse EP só acabou acontecendo por causa que a banda queria lançar um DVD ao vivo, mas devido a alguns problemas isso não ocorreu, e como a banda tem costume de sempre lançar alguma coisa a cada ano, os fãs da Fresno recebem esse EP que pode ser baixado no Facebook dos caras. Para baixar e ter algumas outras informações sobre o EP, precisa curtir a página. Clique aqui para ir até a bendita página. Na pasta onde vem os arquivos, vem as letras do EP, o que é excelente. E agora vamos ao que nos interessa, as músicas!

O EP possui, além de uma capa bem bonita em minha opinião, quatro faixas, sendo três delas inéditas e a última uma acústica de uma faixa do Revanche, CD lançado ano passado, e uma duração que ultrapassa a marca de 18 minutos. E o EP começa com Crocodilia, uma música até pesada, se formos comparar a outras bandas consideradas Rock no cenário atual brasileiro, e que com seu decorrer ela ganha velocidade.  Música que bandas de Hard Rock costumam fazer. Boa faixa pra estrear o EP. Destaque lírico para essa parte: “Não, não, não acredito em inferno, é só uma ilusão, o sofrimento é eterno. Não, não, não acredito em saída, é só uma ilusão, facilita a vida.” Um trecho difícil de ser compreendido se você não parar para pensar ou simplesmente julgar e com o vocal de Lucas Silveira no final da música, ela se torna bem empolgante. Único ponto negativo dela é os teclados do músico convidado Mário Camelo, que são irritantes e não fazem bem a música.

A segunda faixa é A Gente Morre Sozinho, a maior faixa do EP, com quase seis minutos de duração. Um destaque que eu notei nesta parte: “Protegei de todo o mal” Quando Lucas fala “todo”, eu ouço um cuspe. Eu estou imaginando coisas ou realmente tem um cuspe ali? Bem, prosseguindo com a faixa, é audível novos cuspes. Se isso realmente forem cuspes e não imaginação minha, eu não quero ir no show da Fresno tomar banho de cuspe de Lucas Silveira. A música a partir de 1 minuto se transforma em algo mais pesado e é bem contagiante, porém, com bastante emoção, principalmente nas linhas vocais de Lucas. Em 3:10, Rodrigo Tavares participa da faixa vocalmente, mas eu considero a participação dele desnecessária. A música tem riffs muito interessantes e pesados. A letra da faixa é muito boa, e com a interpretação de Lucas ela acaba se encaixando muito bem, não só na música em si, mas em como a Fresno faz a sua música. Se a primeira faixa foi boa, a segunda supera, mostrando que a Fresno, em seus 12 anos de estrada, tem muito a mostrar, não só para os fãs da banda, como para aqueles que não gostam ou até odeiam o grupo gaúcho.

O EP prossegue com a terceira faixa chamada Não Vou Mais. Se nas outras duas músicas, o vocal de Lucas era destaque, aqui o vocal de Lucas começa irritante. Tavares também faz algumas participações nas linhas vocais da faixa, sendo também desnecessárias, mas aqui soa melhor que em sua participação anterior. Apesar da música começar muito fraca e irritante, e até Pop, ela progride e fica muito melhor. Sim, ela começa fraca em tudo, e com seu decorrer, ela fica boa, e depois ela se transforma em algo realmente interessante, e isso inclui as linhas vocais de Lucas e de Tavares, e isso que acaba diferenciando a banda das outras bandas consideradas Rock, como Restart, Cine e NxZero, sendo a mais pesada dentre dessas, além de possuir as melhores letras, como é mostrado neste EP. O final da faixa é incrível, mas apesar de tudo, ela, das faixas inéditas, acaba sendo a mais fraca, tendo um começo chato, e um fim muito bom. Destaque para o baixo nessa música.

Então, nós finalmente chegamos ao fim do EP com a versão acústica de Relato de um Homem de Bom Coração. Pior final para um EP como esse, impossível. Não que seja ruim ter uma balada para encerrar o EP, mas a balada em si não é boa, e além de tudo, ela é uma versão acústica de uma faixa do CD passado, Revanche. Mas, vamos ver algo de bom na faixa, né? Os trabalhos vocais de Lucas estão bons e alguns momentos são bem interessantes e bonitos, mas como eu já disse, ela não é tão boa, ainda mais se formos comparar com as outras três faixas. E em comparação a versão original que está no Revanche, uma das faixas mais bem aclamadas do CD, pode se dizer que até que a versão do EP é superior a do CD. Os vocais de Lucas aqui encaixam em alguns momentos que na faixa original não. Mas na outra mão, a versão do EP não conseguiu pegar aquela força que a versão original tem em seu final. Destaque para a intro da música, na qual Lucas Silveira soa como se estivesse bêbado.

No fim das contas, a banda Fresno lançou um bom EP, que continua com o peso do disco anterior, sem perder a emoção que a banda passa e que faz parte da história da banda, mas que não vai além do “bom”, infelizmente. Liricamente, é ótima, e das bandas que estão na mídia do cenário do Rock, é que a tem as melhores letras, por enquanto. Se você curtiu Revanche, principalmente o lado mais pesado, então o EP cairá muito bem nos seus ouvidos, pois aqui o lado Pop é deixado de lado. Se você quer dar uma chance aos gaúchos e estiver disposto a ouvir a banda, o EP é um ótimo começo.